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Original subtitles

- Art Subs - 16 anos fazendo Arte para você!

Legenda - Vekka -

Legenda - Murrice -

Legenda - JuFadinh4 -

Legenda - BethRockefeller -

Legenda - willian_as -

Legenda - Durenkian -

Revisão - Vekka -

"Por tudo quanto tenho lido

ou das lendas e histórias escutado,

em tempo algum teve um tranquilo curso o verdadeiro amor.

Ou era grande do sangue a diferença,

ou mui disparatadas as idades...

Ou tudo os pais, sozinhos, decidiam...

Ou, quando havia simpatia na escolha,

a guerra, as doenças, e a morte, conjuradas, o assaltavam,

qual simples som deixando-o, transitório,

tão curto como um sonho, movediço como uma sombra instável,

tão ligeiro como raio de noite tempestuosa que,

de súbito, rasga o céu e a terra,

mas que, antes de podermos dizer "Vede!",

pelas fauces das trevas é tragado.

Tudo o que brilha, assim, em ruína acaba."

Mike Mike, você arrasou hoje, cara!

Eu não arraso sempre?

Claro, é verdade.

Mas você podia ter usado a energia de hoje

- na noite de abertura. - Vou fingir que não ouvi.

É, tá bom. Falou.

Você tá bem?

Tô.

- Beleza, vou dar o fora. - Falou.

Você vai vazar daqui? Entendi.

Bloco B, um passo à frente.

Vai se foder, AP.

Quem disse isso?

Quem disse isso, porra?

Que porra você tá fazendo, cara?

Nada de cigarros.

É... com licença.

Pô, eu ando tentando te encontrar no pátio.

Não é muito fácil, né?

E, basicamente, eu só queria saber

se você se incomodaria de autografar esse livro.

Rapaz...

Você veio de Rikers?

Vim, pô. Cumpri dois anos na ilha.

Ficou muito popular lá.

Pois é.

Fez um bem danado lá.

- Tem caneta? - Claro, tenho sim.

- Ah, você tem bem aí? - Sempre pronto, cara.

Valeu mesmo, cara.

Esse sou eu. G.

Coloquei uma estrelinha aí pra você.

- Isso aí, pô! - Uhul!

Eu ainda estou nas nuvens, cara!

Ainda estou nas nuvens.

Aquele monólogo prendeu a atenção de todo mundo!

- Que monólogo, o meu? - Divine G!

O mais foda que ele já fez, né?

Não, eu fui razoável.

Mas a gente ainda tem trabalho pela frente.

Não, não, não.

Como assim, "Não, não, não"?

Vamos curtir um pouco.

Aquelas transições foram muito grosseiras.

Parate com isso.

Vamos só aproveitar por um minuto.

Eu ainda me sinto como se estivesse no palco.

É bom demais.

- Você vai direto pro próximo. - Beleza, entendi.

Então por que não vemos a lista de espera?

- Podemos fazer isso. - Né?

Ver quem dá pra trazer, beleza? Então, vamos lá.

Só quero melhorar as coisas.

- Quem nós temos? - Temos, é... Curtis Cross.

- Curtis Cross... - Quem é esse?

Acho que não. O que...?

Tô contigo.

Resposta curta: nem a pau.

Qual é a resposta longa?

A resposta longa é que ele é um desses caras

que está sempre se achando, todo enfeitado.

Ele vai chegar aqui, sentar bem ali e tentar tomar conta de tudo.

- A gente bota ele na berlinda. - É, mas ele não vai achar isso.

Ele só quer sentar perto das garotas.

Ele deixa as mulheres desconfortáveis.

Entendi. Beleza. E que tal esse aqui?

É a segunda vez dele.

- Quem? - É... Divine Eye.

Divine Eye.

Aquele de Mount Vernon?

Ele não está pronto.

O bróder é inteligente. Tem que admitir.

Ele ensina história no NAACP.

Aposto que tem vários traficantes inteligentes no pátio.

Talvez ele precise da gente

pra poder colocar essa energia no programa.

Divine G, vai defender o cara?

Eu defendo a entrevista.

- Só a entrevista? - É, a entrevista.

- O resto é com ele. - Se ele entra, depende da gente.

- Sempre tentando salvar alguém... - Talvez.

Mike Mike, você vai comigo até lá. Ver qual é a dele.

- Eu e você? - É.

Vamos dar uma olhada.

É bom me arrumar aquele documento, ouviu?

Putz, cara.

Tenho que resolver um negócio rapidão.

Droga!

Que merda ele tem que resolver?

E aí, passarinho?

Fala, cara.

Aquele arremesso que você deu...

- É? Você viu? - Foi legal, pô.

Trouxe minha parada?

- Ah, é. - Que eu te emprestei.

- Tá aí? - Tá. Vou pegar.

É só um jovem.

- Lá vai. - Sempre um rapaz branco.

Você quer mesmo ver isso?

Valeu.

O que é isso aqui?

O quê?

Como assim "o quê"? Que porra é essa?

Não foi isso o que eu te dei.

- Isso é aspirina. - Isso não saiu do meu bolso.

Não é o que eu... Sabe o que eu te dei?

- Não. - Não era aspirina, porra.

Valia U$500.

Você sabe o que são U$500? Eu preciso desse dinheiro.

Não quero saber o que tava no seu bolso,

nem quem você conhece...

Não sei que tá te sacaneando, mas você não vai me sacanear.

- Não quero te sacanear. - Quero aquele dinheiro, entendeu?

- Olha, eu... - Eu não quero ouvir, parça.

A parada é essa, U$500.

Não me interessa como você vai arrumar.

Eu só quero o que é meu, tá ouvindo?

- Você vai me dar os meus U$500. - Não tem como.

Você vai fazer a merda que for preciso. Não me interessa.

Você vai fazer qualquer porra pra conseguir o que é meu.

Tá me entendendo?

Ou então vou partir a sua cara no meio.

Agora pega essa merda e some da minha frente.

Vai arrumar o meu dinheiro.

- Opa, meu rei. Fala aí. Qual é boa? - E aí, irmão?!

Aquilo foi meio zoado.

Essas merdas acontecem, pô.

O cara vai ter que aprender com alguém, entendeu.

Eu só estou cobrando pela lição.

Uma lição bem cara.

Escuta, você se inscreveu pro RTA (Reabilitação pela Arte).

- Isso. - Ainda temos umas vagas abertas.

É, tipo, uma ou duas, e é isso.

E queríamos saber se você não quer fazer bom uso

do seu talento pra atuação, que a gente acabou de ver.

- Aquilo? - É, pô.

Vocês acharam que era eu atuando?

Claro, cara.

Vocês não viram nada ainda.

Beleza. Então, por que você se inscreveu no programa?

Ah, eu vi que vocês dividem o palco com umas voluntárias bonitas.

Umas minas pra pegar.

Não é bem assim, cara.

Elas são nossas colegas.

Eu preciso mesmo de um motivo?

- Precisa. - Bom, a gente só...

Só estamos te pedindo pra ser honesto.

- Honesto, é? - É.

Beleza.

Bom, um dia eu achei um livro, confinado na minha cela.

Eu não tinha nada pra fazer,

então peguei esse livro e comecei a ler,

e algumas coisas que o maluco falava ali no livro

me tocaram pra valer, cara. Tipo, o cara disse... Como era mesmo?

"Assim que nós nascemos,

choramos por nos vermos

neste imenso palco de loucos."

E eu pensei, pô, quem escreveu isso

já entrou em cana antes. Tá ligado?

Então "Rei Lear" caiu do carrinho da biblioteca,

você pegou por acaso e leu algumas páginas.

É. Curioso, né?

- É... - Hum.

- Entraremos em contato. - Beleza.

Fica na paz.

Beleza, ele conhece alguns versos.

Isso!

Por duas horas e meia?

Ele me chamou de velho um segundo atrás.

- Quanto você quer? - Quanto você tem?

Eu só tenho um pouco guardado.

Oi, pessoal!

Maestro!

Feliz de ver alguns rostos familiares.

Para aqueles que não me conhecem,

meu nome é Brent

e estou à sua disposição, como seu diretor,

no que quer que vocês decidam para a próxima produção.

Mas teremos bastante tempo pra ver isso depois.

Agora, vamos aquecer um pouco.

Vamos sentir o espaço, aquecer nossos instrumentos.

Eu quero que todo mundo comece a andar

como se tivesse ganhado na loteria.

- Isso! - Uhul!

- Aí, sim! - Porra!

E que tal um zumbi? Como anda um zumbi?

- Muito bom! Gostei... - Igualzinho aos cracudos.

Uma bela atuação, meus caros!

E se vocês estivessem andando sobre brasas?

- Tá quente! - Quente, quente!

Cavalheiros, parabéns por "Sonho de uma Noite de Verão".

Afinal, Shakesperare...

Vocês fizeram um lindo trabalho. Podem ficar orgulhosos.

- Não foi fácil. - Pois é.

Então... já decidiram qual vai ser a próxima?

Sabemos o que não vai ser.

Chega de Shakespeare.

Como assim? Eu gosto de Shakespeare.

- "West Side Story". - Não logo em seguida.

- "O Sacrífico"? - "O Mágico de Oz"?

August Wilson é legal...

Por que não fazemos uma peça do Divine G?

- É! - Hora de valorizar um dos nossos.

- Isso! - Por que não vemos isso?

Eu adorei a ideia.

Não, não, não. Não sei, não, gente.

Tá, calma. Nossa, que pressão...

E que tal se... Não sei se está pronta,

mas, beleza, acabei de escrever uma.

Agora que ele colocou o meu na reta.

O título é "Letras Miúdas".

É uma saga de Zabar Turner, um produtor musical.

É sobre ele ser enganado

em abrir mão do estúdio de gravação que ele tinha

por causa de um ardiloso Fast Freddy.

É uma história dos perigos da ambição desmedida.

Hum...

E como todas as relações humanas contêm...

- ...letras miúdas. Gostei. - Isso aí!

"Letras Miúdas"!

Sabe de uma coisa? Parece maravilhoso.

Então, está decidido?

Vamos votar ou alguém tem outra ideia?

Opa, espera aí. Pode falar, novato.

Então...

Eu não quero cortar o barato de ninguém nem nada.

Ou desrespeitar o grupo.

Mas todas as peças precisam ser tão sérias?

Pô, o que você quer dizer com "sérias"?

Tipo, estamos sempre lidando com traumas e dramas.

Todo dia é uma tragédia.

Acho que a galera poderia gostar de uma comédia, pra variar.

- O que vocês acham disso? - Faz sentido.

Você tem uma comédia?

Não, eu não escrevo comédias. Eu tenho sátiras.

Nunca fizemos uma antes.

Que tipo de comédia você sugere?

Seria uma comédia de costumes ou algo mais sutil...?

Sei lá, tô falando de fazer as pessoas rirem.

Eu entendi, só estou tentando ser mais específico,

em relação ao tipo de comédia. Mas é só a minha opinião.

- Que tal uma comédia de caubóis? - Pronto, aí!

Eu sempre quis fazer um faroeste, tipo "Banzé no Oeste" ou algo assim.

- Egípcia! - Comédia egípcia?

Podíamos enfiar um pouco de Shakespeare no meio. "Hamlet".

"Hamlet" na comédia?

"Hamlet" na comédia... Muito bom.

Podia ter algo na floresta, meio "Robin Hood", ou parecido.

- "Peter Pan". - É!

- Que tal "Jason"? - "A Hora do Pesadelo".

Posso fazer uma pergunta?

Alguém conhece uma comédia

que contenha todas essas porcarias que vocês falaram?

Podemos fazer sobre viagem no tempo.

Isso é verdade.

Com viagem no tempo,

podemos botar tudo o que vocês mencionaram

e ter uma porção de papéis, colocar mais gente no palco

e talvez até passar uma mensagem, não sei.

O que você acha disso, G?

Se você não animar, eu posso tentar escrever.

Acho maneiro. É melhor você fazer.

É o que todo mundo quer, né?

Não é muito o meu lance, então pode escrever.

É o seguinte,

eu vou ver com a Katherine.

E, se o roteiro for uma bosta,

sempre podemos mudar pra outra coisa, certo?

Beleza.

Diga, Mike Mike.

Então, Maestro, fazemos uma votação?

- Sim. - Vamos nessa!

- Eu animo. - Bora!

- Todo mundo? - Levanta a mão, Mike, Mike.

Qual é, cara.

Fechado, então.

G, eu li 5 rascunhos, pelo menos,

de "Letras Miúdas", de trás pra frente.

Ficou da hora, cara.

E pode ser engraçado.

Tipo... com a pegada certa.

É um drama sério.

- Não tem sentido mudar isso, pô. - Tá bom.

Talvez você tenha outra peça mais engraçada,

e então podemos fazer uma nova votação?

Escuta, Mike Mike, tá tudo bem, cara.

- Eu tô de boa. - Beleza.

Não vou insistir contigo, cara.

Talvez aquele cabeça oca esteja certo.

É, cara. Vai ser bom dar uma aliviada na tensão por aqui.

Vai ser muito mais fácil

do que essa coisa de morrer que a gente sempre faz.

"Morrer é fácil. Comédia é difícil."

Um ator disse isso.

Eu escutei na... O Brent me contou.

Essa porra vai me matar.

Beleza, senhores.

Peguei tudo o que vocês queriam

e coloquei aí.

Tem Egito antigo, piratas...

Duelos de Faroeste.

Eu até botei um pouco de Peste Negra

e gladiadores romanos no meio,

porque na hora parecia uma boa ideia.

- Ah, é? Beleza. - Aham.

Eita.

147 páginas?

Em um final de semana?

Bom, eu precisei encaixar um bocado de coisa.

Mas tem umas cenas de dança...

Algumas músicas,

um solilóquio de "Hamlet".

Mas no coração da história,

se trata de um príncipe egípcio

que segue pistas através do tempo para achar sua múmia.

O Freddy está nisso?

Pode apostar.

Vai fazer sentido quando vocês começarem a ler.

Mas quando vocês estiverem lendo,

quero que escolham um papel com que se identificaram.

A lista de elenco está no quadro.

Escolham um horário.

Tem o suficiente pra todo mundo ter pelo menos um papel.

Boa tarde.

Meu nome é Dario Peña,

e farei o teste para o papel do Bigodante.

Meu nome é Carmine.

Farei o teste para o papel do Carvão.

Meu nome é Patrick Griffin, me chamam de Preme.

Vou fazer o teste pro papel do locutor de ringue.

E sou o D-Dan, lendo para o papel do...

Alotincommon.

"Eis que agora sou um prisioneiro.

Sim!

Agora sinto o angustiante peso dessas infames correntes,

que a vil Tilburina,

sua adorada cativa, ostentava tempos antes."

"Estou cansado de esmagar os cérebros dos homens com marretas

e arrancar seus corações com minhas próprias mãos.

Preciso sair daqui!"

Meu nome é David Jones Giraudy, também conhecido como Dap.

E vou ler para o papel de Leslie.

"Múmia, múmia, é você?"

"Sim, meu filho, sou eu, sua múmia."

"Ó, múmia, múmia, como senti sua falta."

"Saque sua arma, Xerife.

Aponte para mim e puxe o gatilho.

No tempo que levar pra sua pequena bala viajar daí pra cá,

já terei me esquivado, rolado no chão,

e te enchido de buracos de montão

que você soará como uma chaleira a vapor,

quando o vento soprar em vão."

"Carvão, prepare-se para morrer."

Não tem mais fala.

- Você puxa uma cenoura, e eu... - Não, tudo bem, foi bom até aí.

- Não tem mais falas. - Não, isso mesmo. É isso aí.

"Gostamos de mutilação, flagelação,

esquartejamentos e retalhação.

Nada nos agrada mais do que ver um fígado exposto,

ou um olho pra fora."

"Vou me esquivar, rolar no chão e te encher com buracos de montão,

que você vai imitar uma chaleira a vapor, quando o vento soprar em vão."

Olá, meu nome é James Williams, mas me chamam de Big E.

E eu vou ler para o papel do locutor de ringue.

Tenho 1,98m.

Eu quero que você se imagine num coliseu,

e você é um gladiador lutando até a morte.

Não só pela sobrevivência, mas pela performance.

Sobrevivência?

E a performance, como fazem os gladiadores.

Eu tenho um passo próprio, saca só.

Que outros papéis você fez em outras produções?

Pra ser honesto, já perdi a conta.

Eu consigo lembrar do Xerife Bromden, Stratford...

Eu apareci em "Macbeth", como o Rei Duncan.

Também fiz "Silêncio do Coração", eu era um policial.

E fui o Chefe em "Ratos e Homens".

Uma vez, eu interpretei um anjo, só que não foi aqui no RTA,

foi quando eu tinha três anos.

Eu interpreto um papel a minha vida toda, mano.

"Ser ou não ser.

Eis a questão.

Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas

do destino feroz,

ou pegar em armas contra o mar de angústias,

e, combatendo-o,

dar-lhe fim?

Morrer Dormir...

Só isso.

E com o sono, dizem, extinguir dores do coração

e as mil mazelas naturais a que a carne é sujeita.

Eis uma consumação ardentemente desejável.

Morrer...

Dormir

Dormir.

Talvez sonhar.

Sim...

Aí está o obstáculo."

- Obrigado. - Divine, poderia sair, por favor?

- Claro. - Obrigado, Divine G.

Temos outra pessoa lendo para "Hamlet".

Perdão, mais alguém vai ler "Hamlet"?

Divine Eye.

Certo. Beleza, valeu.

Sua vez.

- Você pareceu ótimo lá. Intenso. - Valeu, eu agradeço.

- Ei, posso perguntar uma coisa? - Claro.

- Você queria fazer comédia, né? - Isso.

- Agora estamos fazendo uma. - Tô animado.

Mas vai fazer teste pro único papel dramático da peça.

Comédia é muito difícil, cara.

Eu não quero subir naquele palco e ser vaiado, mano.

Fala, meus chapas.

Que tal um pouco de "Hamlet"?

Uau, Laurence Olivier. Lá vamos nós.

"Também gostaria de observar, comissários,

que eu era candidato a policial de Nova York."

"Sim, sim, vimos isso no seu arquivo.

Também vimos algumas outras coisas.

Isso foi antes de você decidir se tornar um traficante desvairado?"

"Senhor, só fiz isso durante um ano após meu acidente. E eu..."

Meu Deus...

Mike Mike, pode parar de mexer na raquete?

- Tô te ouvindo. - Mas não consigo me concentrar

- se você não se compromete. - Foi mal. Deixa comigo.

Vou fazer a voz do comissário dessa vez. Beleza?

Beleza. Vamos lá.

"Ouça, Whitfield. A comissão não está aqui

para falar sobre o que você poderia ter sido.

Estamos aqui para falar sobre quem você realmente é.

Aqui diz que você tinha um empreendimento

chamado Mix Machine, tipo uma organização criminosa?"

"Não, senhor, não é uma organização criminosa.

Eu era DJ."

- "Um DJ?" - "Isso."

Bom, aposto que você

era bombástico pra caramba!

Né? Admite.

Admite! Você era bombástico.

Você era bombástico.

Você fazia pop & lock?

Muito bem, senhores.

Preciso de sua atenção e de seus corpos.

- Formem um círculo. Vamos. - RTA!

Obrigado, pessoal.

- Vamos, D-Dan. - D-Dan!

- Ele tá dormindo. - Qual foi?

Vamos botar a mão na massa, nos mexer.

Vamos fazer um exercício de personagem.

Vou escolher alguém.

A pessoa vem pro meio do círculo, se apresenta

como se fosse o personagem, na voz daquele personagem,

e depois passa para o próximo ator.

Você, senhor, é o número um, pode começar.

Alotincommon, o sumo sacerdote egípcio.

Vai, manda!

Acho que sou a porra do Coveiro.

Qual é o problema, Coveiro?

As garras de Freddy deixaram você com a língua presa?

Freddy!

Eu sou... não.

Eu sou Leslie, o príncipe egípcio.

Posso "começar com um xingamento"? Porque eu sou Startacuss!

Não, eu sou Start...

Eu sou o pistoleiro Carvão.

O mais ilustre e extravagante, por cenoura delirante... Já entenderam.

Eu sou o Gladiador Golias.

E eu sou Zakarias.

Se quiser brincar no Coliseu, deve falar comigo.

E eu sou o Capitão Gancho.

Manda ver.

Sou o príncipe Hamlet, da Dinamarca.

Calma, esperem um pouquinho só.

Acabamos de ver Divine Eye. Queremos ver o príncipe Hamlet.

Vai, você consegue.

Eu sou o príncipe Hamlet, da Dinamarca.

- Aí, sim. - Beleza.

Ainda vai melhorar, vai melhorar.

Sim, senhor.

Tenho uma pergunta sobre o meu personagem.

Tipo, ele não ficaria assustado com um cara do Egito antigo

viajando no tempo, que foi parar no meio do oceano?

E será que temos um idioma em comum?

- Idioma? - Bem, boas perguntas.

Lembrem-se, é uma comédia.

Então podemos tomar algumas liberdades

- e nos divertir. - Você pode inventar coisas.

Isso, vamos nos divertir um pouco.

É o seguinte: podemos fazer um workshop,

e quando chegar a hora...

- Uma pergunta. - Sim?

Não dá pra deixar de lado. Foi mal.

Precisamos falar sobre essa viagem no tempo.

Vai ser um buraco de minhoca?

Tipo, vamos romper a estrutura do tempo?

Que tipo de efeito vai ter no corpo humano?

- Senhores, de novo... - Brent, segura aí.

Todas boas perguntas, mas já sabem...

- Vai em frente. - Beleza, pessoal. Ouçam.

Você quer fazer uma peça de caubói. Tudo bem.

Alguém aqui queria fazer sobre Egito antigo,

e alguém, Deus sabe lá por quê,

jogou Freddy Krueger no meio. Beleza.

Foi ele. Então, como...

- Me deram o papel, não pedi. - Não importa.

Mas como o Brent deveria colocar tudo isso na peça?

Ele fez isso, né? Cumpriu a missão.

Acho que devemos nos concentrar nas cenas.

Perceber a emoção, os arcos,

e o trabalho falará por si só.

- Justo. - Bem colocado.

- Confie no processo. - Você tem razão, senhor.

- Obrigado, G. - De nada.

Bem, maravilha.

Então, por que não começamos com a sua cena?

Fechou.

"Estou ficando cansado dessa profissão miserável.

Não quero mais ser tão malvado e durão.

Eu gostaria de ser carinhoso e gentil."

"Sério?

Eu também."

"Olha, estou tentando fugir, mas meu patrão

ameaçou matar a mim, minha esposa e meus filhos."

"O meu patrão também.

Oras, eu tento organizar os caras há uma eternidade!"

"Vamos... fugir."

"Vamos."

Incrível!

Vocês viram essa porra?

Eu dei uma improvisada.

- É isso aí! - Muito bom!

Eu fiz algumas escolhas.

Muito bem. Quem é o próximo?

- Eu, deixa comigo. - Deixo. Vai lá.

Vai rolar Shakespeare, afinal.

Manda brasa.

Vai, estamos contigo.

Que se foda essa porra.

- Perdi alguma coisa? - O quê?

É isso?

Tudo bem, pessoal. Vamos só confiar no processo.

Estamos aqui para apoiar uns aos outros.

Quem é o próximo? Vamos. Vem, Dap. Vamos lá.

- Vai ser difícil ir depois dele, mas... - Tudo bem.

Fala aí, cara.

E aí? Na paz?

Não esquece do meu dinheiro, hein?

Beleza, pessoal. Vamos fazer uma pausa!

Ei, chega aí, Eye.

Só dar uma palavrinha.

Beleza.

Quero te mostrar uma coisa.

Cinco minutos, não mais.

Não são 15 minutos, que nem o Mike Mike acha.

Cara, esse é o meu cantinho.

Olha isso. Dá para ver tudo lá fora.

Eye, eu só queria dizer que percebi que você tá meio frustrado

com o andamento das coisas...

Não tô frustrado. Esses exercícios que são muito bestas.

É, eles são muito bestas,

mas eles têm uma intenção, entende?

Acho que eles te ajudam a alcançar uma profundidade, e...

Esse é o sermão que você dá pros novatos?

- Não é sermão nenhum... - Já saquei, cara.

- Sei quem você é e qual é a sua. - Quê?

Quer comandar todo mundo aqui com as suas lições,

dar as ordens e tudo mais.

E tudo bem, cara, mas comigo não vai colar.

- Não vim pra isso. - Sei que você tem uma faca aí.

É claro.

Irmão.

Este programa é tudo que esses desgraçados têm.

Faz eles sentirem que podem dar o fora daqui.

Se não literalmente, pelo menos mentalmente.

Não tire isso deles.

Trazer uma faca é o primeiro passo pra arruinar essa merda.

Você não me diz o que fazer na prisão, caralho.

Nem você e nem ninguém.

Ninguém cuida de mim.

Ninguém faz nada por mim nem pelos meus.

Então não me diga o que fazer

e não me traga mais pra cantos escuros.

Essa porra deixa um negão nervoso, entendeu?

Não usamos "negão" aqui.

Usamos "amado".

Sacou?

Cadê o Blaze? Alguém viu o Blaze?

- O Blaze? - Está na segurança máxima.

Ficou confinado o dia todo.

E o Divine Eye, está lá também?

Não, o Divine Eye está no bloco A.

Mas não sei onde. O Dap pode ir buscá-lo.

O único lugar que dá pra pegar uma brisa, cara.

Como vai a sua pequena? A mais nova.

Crescendo, acho.

É...

Quando foi a última vez que falou com ela?

Eu não conto esses dias, G.

Cavalheiros,

quero que imaginem o seu lugar preferido.

O momento perfeito.

Estão ouvindo alguma coisa? Quais são os sons?

Vocês estão com alguém?

Qual é a temperatura?

Estão dentro de um espaço?

Ou estão ao ar livre?

Agora, só...

Atenham-se a esse sentimento. Segurem com força.

Lembrem-se dele. Apreciem.

Certo, senhores, abram os olhos.

Alguém quer descrever onde estava?

Blaze?

Então, eu estou sentado no pátio do prédio sete,

em um banco que dá pro Rio Hudson.

E do outro lado do pátio,

ou do outro lado do rio, na verdade, está a minha mãe.

E eu sei que às vezes ela desce aquela montanha

e olha pelo rio até onde eu estou, aqui em Sing Sing.

E, pra mim, só de olhar para a água...

eu recupero a minha paz.

Porque eu vejo as ondas, e elas são tranquilas.

E isso me dá algo no que focar.

Junho de 1972,

minha esposa e eu fizemos um piquenique

no lago, no Prospect Park.

Foi a primeira vez que eu disse que a amava.

Não sei se vocês conhecem,

mas nós compramos Manhattan Specials. Sabem o que é isso?

É um refrigerante de café,

vem em garrafas de vidro deste tamanho.

Nós compramos quatro. Eu adoro isso.

E fomos para o Prospect Park.

Ficamos perto do lago.

E... há seis meses, eu perdi isso.

Ela faleceu de câncer no pâncreas.

Puxa, vou sentir muita falta dela.

Verão de 1977.

Está calor.

O caminhão de sorvete está descendo a rua.

Minha mãe me dá 25 centavos,

e eu vou correndo atrás dele.

Sentindo aquele gelado na boca.

Qual sabor?

Cereja, eu adoro cereja. A boca fica toda vermelha.

Estou com meu filho e minha filha.

Só vendo eles crescerem, vivendo a vida deles, saca?

Cortando a grama no quintal num calor de 30 graus,

até ficar tão exausto, que eu só deito

e sinto o cheiro da grama que acabei de cortar.

E estou quase cochilando,

quando meu cachorro vem lamber a minha cara.

Todo verão, minha mãe me mandava pra Baltimore com meus tios,

e nós temos quase a mesma idade.

E eu tinha uma sensação de liberdade,

porque minha mãe não estava me vigiando.

Tentei pensar nas ilhas, sabe?

Minha avó sempre falava das ilhas.

As ilhas, é de onde nosso povo veio.

Não consegui, Maestro.

Eu nunca estive lá.

Nunca estive lá, e nunca vou conhecer.

Essa é a realidade. Estou preso neste espaço.

Mas se é pra ficar preso num espaço,

é melhor que seja com vocês, seus escrotos.

Payasos.

Aqui é bom, dá um certo alívio.

Então acho que aqui é o meu espaço.

Acho que vocês estão virando atores.

Sendo verdadeiros e vulneráveis uns com os outros.

É algo que homens não fazem com muita frequência.

"Ser ou não ser,

eis a questão.

Será mais nobre sofrer na alma

pedradas e flechadas do destino feroz,

ou pegar em armas..."

- Cara, qual é? - O quê?

- Por que está atrás de mim? - É do personagem.

- Com todo esse espaço? - Só faz o seu trabalho.

É a movimentação dele.

Cara, isso é o que fazem no pátio.

Foca no que você tem que fazer. Eu tenho que passar atrás, cara.

- Mano, não faz o que não faria no pátio. - Abaixa a mão, porra.

- Do que está falando, cara? - Você ouviu.

Chega!

Ei, Eye.

Eu era um monstro da solitária, cara.

Consumido pela raiva.

Até que um dia, no café da manhã,

o cara sentado na minha frente...

Alguém veio por trás e rasgou o pescoço dele.

E nós só ficamos sentados lá,

enquanto o sangue manchava nossas roupas e nossos rostos.

E a gente fingia que era normal.

Irmão, estamos aqui pra nos tornar humanos de novo.

Pra colocar roupas legais e dançar.

E aproveitar as coisas que não são da nossa realidade.

Beleza, você lembra da sua marca?

Lembro, eu fico do lado do Coveiro,

e aí Marion e Leslie surgem do nada. Se materializam.

Tá, eventualmente, alguém vai passar atrás de você.

É só agir como se não te incomodasse.

Agora vamos, você sabe a primeira fala.

Começa de novo. Vamos lá, cara.

Merda.

Aproveita a coisa toda. Isso. Agora desliza.

É, a mesma coisa.

Estou focado.

Você estava indo bem...

Por que você não tá lá em cima?

Não estão ensaiando nenhuma cena minha hoje.

E você, só estava zanzando por aí?

- É isso aí. - Beleza.

E essas anotações?

Que anotações?

- O que está escrevendo aí. - Ah, isso é só...

Estou tentando ajudar alguns irmãos.

Conseguir comida mais saudável pra cá.

E umas coisas de advogado.

Maneiro.

Você tem filhos?

Agora você quer saber da minha vida?

É assim que vai ser hoje? Beleza.

Sim, eu tenho filhos. Duas meninas e um menino.

Qual é o nome deles?

Divequa, Dinasia e Karron.

Karron é o menino. Ele nasceu assim que vim pra cá, então...

Ele quer ser ator, inclusive.

Igual a esse bando de malucos.

Está fazendo vídeos pro YouTube e tal.

E as suas meninas?

Elas... Elas têm as próprias vidas.

É?

Quando eu comecei aqui,

meu filho era muito novo, cara.

Sabe?

Meus parceiros do bairro cuidaram dele, porque era meu filho.

Estenderam o tapete vermelho, faziam tudo o que ele queria.

Trataram ele bem.

Aí não demorou pra ele começar a fazer a mesma coisa que eu fazia.

Causando a mesma dor que eu causava.

E agora ele está preso, que nem eu.

Vestido de verde, que nem eu.

Fala?

"Você está vendo pelas lentes erradas."

Parece que não é só comigo, né?

Não.

Ele não sabe os truques pra decorar as falas.

- Truques? - É.

O quê?

Pois é.

Quais são os truques?

Cada um tem um processo.

Alguns, como eu, escrevem todas as falas.

É assim que eu faço pra digerir tudo.

Tem gente que acha mais fácil sublinhar todas as ações,

as palavras de ação.

Vai pegando aos poucos e destrinchando.

Com o tempo, você começa a parafrasear um pouco,

e tudo começa a fazer algum sentido, sacou?

E aí você vai partindo em pedaços,

como se fosse comer um elefante.

Não engole tudo de uma vez, né?

Você morde cada pedacinho, morde aqui, morde ali.

Aí tudo faz mais sentido.

Acho que aprendi um pouco disso na biblioteca de Direito.

Alguns dos casos são muito detalhados,

ainda mais no preparo pra minha audiência de indulto.

Tenho que ver parte por parte.

É, eu soube que você achou uma fita

que prova a sua inocência.

Pois é, cara. Levou 10 anos, mas...

consegui.

Então não precisa de sorte nem nada, cara.

Você já tem a mina de ouro.

Espero que sim, acho que tenho.

Assim espero, cara, assim espero.

Mas e você?

Não quero me meter na sua vida, mas olhei o seu registro

e vi que você tem uma audiência de condicional em breve.

Pois é... Escuta, tenho que ir pro pátio.

Resolver uns corres, beleza?

Falou.

É, se eu puder ajudar...

Beleza.

Certo.

"Morrer...

Dormir...

Dormir.

Talvez sonhar.

Aí está o obstáculo."

Quer fazer de novo?

Por quê? Fiz algo errado?

Não, só estamos aperfeiçoando.

É o seguinte, vamos experimentar uma coisa.

Desde que eu não tenha que comer um elefante nem nada.

Não sei o que isso significa, mas pode deixar.

- Voltemos pro início, sim? - "Ser..."

Não me refiro ao início da sua fala,

refiro-me aos bastidores. É lá que começa.

Então quero que volte lá.

Quero te ver entrar no palco como Hamlet.

Você está no mundo do Hamlet

e trará isso até a sua posição

e então dirá a sua fala. Vamos tentar.

É o momento anterior, pessoal.

- "Ser..." - Espera, você tentou?

Porque a gente caiu no sono aqui.

Você não me viu sair de lá?

Eu vi você entrando aqui como um homem

pedindo permissão à plateia para estar aqui.

Eu quero ver o Hamlet aparecer aqui,

dominar o palco e dizer:

"Ei! É hora de começarem a prestar atenção em mim!"

- Você tem que mostrar... - Brent.

- Sim, G? - Você se importa se eu...

Por favor.

Beleza. Observem.

Escuta, Eye.

O mundo espera que irmãos como você e eu,

todos esses irmãos, entremos de cabeça baixa,

pedindo desculpa por estar aqui.

Aqui você tem que entrar como um rei, porra!

Como se você fosse dono dessa merda toda.

Tudo isso aqui é seu!

- Querem que eu faça isso agora? - Agora, isso.

Eu sou a porra...

Sou a porra do rei.

É como no pátio, só que maior.

Sou o Divine Eye, porra!

- Isso! - Isso aí!

"Sou o dono dessa porra de teatro!"

- Esse é o meu teatro, caralho! - "É tudo meu!"

- Essa merda é toda minha! - Isso aí!

Agora deem um pouco de amor, vai.

Tá, já chega. E então, qual é o seu estado emocional?

O que tem aí por baixo?

Tô puto pra caralho.

Não, não. Beleza.

Raiva é a coisa mais fácil de interpretar.

- Não estou certo, Brent? - Fácil demais.

É mais complicado interpretar sofrimento.

Isso te ajuda a nomear a coisa, beleza?

Agora tenta com isso.

- Do início! - Pronto, Brent.

Pessoal, o superintendente trouxe uma gente endinheirada

pra sentar naqueles assentos hoje.

Dinheiro que pode nos dar novas cortinas de palco.

Preciso que vocês causem uma baita impressão, beleza?

- Claro, beleza. - Vamos destruir?!

Quero que vocês sejam selvagens.

Então vamos nessa.

Vamos!

Claro, certo. Beleza.

Vamos. Pode vir, cara.

"Leve este amuleto sagrado com você para sua proteção.

Você precisará dele um dia,

antes do fim de sua jornada, meu jovem."

Um pouco pra direita.

Estou na minha posição, mano. Move a porra da sua luz.

A gente pode mover um pouco a posição.

Vamos mover a posição.

Só um minuto.

Imbecil...

Essa bandana não é egípcia. É claramente fenícia.

- Sério? - Sério.

Vou falar com o aderecista. Obrigado.

Pepino? Berinjela?

Sério, Brent, preciso de 6 pistolas.

Por isso que é engraçado. Eles esperam ver 6 armas

e você saca vegetais. É uma comédia!

"Você precisará dele antes do fim da sua jornada.

Vamos embora, meu jovem."

"Leve este amuleto, cara.

Use essa merda, ela vai te proteger.

Vai precisar dela antes do fim da jornada.

Vamos dar o fora daqui, porra. Vem."

Filho da puta...

Obrigado.

Bem...

obrigado por virem.

Vocês viram a cara daquela com o cabelo assim?

Ela não tava curtindo.

Acho que eles nos amaldiçoaram.

Não precisamos daquelas cortinas mesmo.

Mas a gente deu duro.

Lá vem ele.

- Roboto. - Cala a boca, porra.

Não acredito que vocês escolheram aquela cena.

Mas eles adoraram.

Caralho!

Essa é bonita. Pode funcionar.

Que tal isso pra você, cara?

Aí. Bam!

O que que há? Tudo bem?

Tudo. É que...

As "pedradas e flechadas" aqui dentro...

Toda essa atuação, o fingimento...

E diplomas universitários...

Nada disso muda o fato de que eu sou um gângster,

e essa é a minha sina.

É isso que me espera lá fora.

É como Hamlet.

Tudo que ele quer é a Donzela Marion,

e ele vai enfrentar o exército grego inteiro.

Mas pra quê?

Quê?

Ah, merda! Desculpa.

Sempre esqueço como essa versão de "Hamlet"

é tão diferente da original.

Cara, o que eu...

O que sei com certeza, se não sei mais nada,

é que você é um artista.

Isso só está trazendo à tona partes suas

que estavam escondidas, permaneciam latentes.

Só vai em frente, confia.

Beleza? Deixa toda a outra merda pra trás.

Vai com tudo.

Experimenta algo novo, veste uma merda dessa.

Nunca que eu vou vestir uma merda dessa.

Por que não? Super majestoso, coisa de príncipe.

- Não. - Que tal esse? Olha.

Ou aquele com a toalha?

- Não, não curto isso. - Então tá, cara.

- Uma toalha? Qual é, pô? - Certo. Que tal...

Acha algo aí para mim, algo que me faça arrasar.

- Que tal esse? Olha. - Isso é bem estiloso.

Eu poderia fazer algo com isso.

- Poderia arrasar com esse. - Pronto.

Esse ou a toalha. Acho que essa toalha poderia...

Qual é, por que quer me empurrar a toalha?

Já disse que curti esse aqui.

Quem é o próximo?

Espera, pensei que fosse fazer algo em seguida. É a sua vez.

Aquele, aquele!

Vai, vai!

Manda o locking!

Locking! Locking!

Isso aí!

Bora, bora, bora!

Vai, vai, vai!

Blaze, e você?

Pronto, manda ver!

Vai, Brent!

Não, cara, sou branco demais!

Vai logo, Brent!

"Ser...

ou não ser.

Eis a questão:

Será mais nobre sofrer na alma

pedradas e flechadas do destino feroz,

ou pegar em armas contra o mar de angústias

E, combatendo-o, dar-lhe fim?

Morrer...

Dormir...

E com o sono, dizem, extinguir

dores do coração e as mil mazelas naturais

a que a carne é sujeita.

Eis uma consumação ardentemente desejável.

Morrer.

Dormir.

Dormir...

Talvez...

Talvez "

Fala?

- O nosso campeão chegou! - É!

Cadê o Brent? Cadê ele? Ei, Brent, como me saí?

Você conseguiu!

Ouça, não quero me intrometer nem nada,

mas sei que você não teve tempo

de se preparar pra audiência de condicional.

Então tomei a liberdade de preparar uma coisinha.

Pô, o que eu disse da última vez que falamos disso?

Fala sério, cara.

Você só precisa fazer uma redação, e eu preciso de alguns endereços.

Como você, aqui de dentro, tem toda essa fé no sistema?

O sistema não tá nem aí pra gente, faz de tudo pra nos manter aqui.

Mesmo com todas as provas que você tem pra provar a sua inocência.

E o que eu tenho, cara? Não tenho nada. Vão me detonar.

Quer dizer que te convenceram?

- Convenceram de quê? - De que seu lugar é aqui.

- Não. - Convenceram, sim.

O que eu tenho lá fora? Minha galera toda tá aqui.

O meu filho tá aqui, merda

Às vezes acho que esse é o melhor lugar pra mim agora.

Não. Não diga uma coisa dessa.

Isso é o que eles querem que você pense.

Que você é um pau mandado ou algo assim.

Mas você não é e sabe disso.

Sabe o que você é? Sabe?

Deixe-me lembrá-lo:

você é um lobo, porra. Entendeu? Um lobo.

Escuta, eu soube que às vezes nem chegam a uma decisão.

Você fica no beliche só esperando.

Não é verdade. Eles te dão uma carta.

Se for grossa como um tijolo, você permanece aqui.

Se for leve como uma pena, você está livre.

- É? - Pois é.

E se eu faço tudo isso aí, e não dá certo?

Você tenta de novo.

E de novo.

E de novo. E de novo.

- É? - É.

O quão longa tem que ser essa redação?

Esse é o meu garoto.

Vamos.

É melhor me deixarem sair depois dessa palhaçada toda.

Anda. Vamos.

Não consigo dormir. Tá muito calor.

Você que tá muito agitado. É a peça, cara.

- É uma loucura, né? - É.

Espaço, tempo e histórias.

Eu ainda não decifrei aquela coisa de portal do tempo, mas

- Sabe o que é mais divertido? - O quê?

Interpretar todos aqueles personagens e nomes numa só peça,

porque isso sou eu. Foi assim a minha vida toda.

É como aquele jogo dos nomes. Lembra de Role Call?

O meu nome é

- Sim, mas as meninas que jogavam. - Não, cara, todo mundo jogava.

Menos eu. Pra mim não dava.

- Por quê? - Meu nome era enorme.

Espera aí. Qual é o seu nome completo, cara?

Sério, cara, meu nome verdadeiro?

- Eu sei o seu Espera. - É...

Quantos você tem?

O meu nome de batismo,

Miguel Francisco Benjamin Garzon.

Benjamin? É árabe ou algo do tipo?

Benjamin.

Qual é, cara, você não sabe nada de espanhol.

Assim, somos ilhéus.

Então acho que pode ser qualquer coisa.

Mas o único nome a que eu atendia quando criança

era Miguelito.

Era como a minha avó me chamava. Miguelito.

Ela era minha inspiração e meu Deus, cara.

Miguelito.

Você lembra do grupo que veio comigo, né?

Tinha dois Mikes.

Então acharam que era Mike e eu era o Mike Mike.

Mas não.

Na real, G, isso veio de fora, de antes.

Quando eu ficava bem chapado.

Eles diziam: "Mike, separa a droga pro Mike."

E depois ele sempre voltava e separava mais droga pro Mike,

então Mike Mike.

Pois é. A parada era tão boa, que tinha rodada dupla.

É

E mais.

E mais.

Eu estava fodido.

Eu pisei na bola pra valer, cara.

Foi o que arrasou a minha avó.

As drogas e eu.

Mas eu sou assim, cara.

É nisso que eu trabalho aqui dentro.

É por isso que estou bem aqui.

Digo, estou aqui

e estou bem.

Sabe, eles me chamavam

de vários nomes na vizinhança.

Me chamavam de Mix Machine, o meu nome de DJ.

Sei.

Aí passaram a me chamar de Divine G aqui,

mas me chamavam de Davey em casa.

- Davey. - É, Davey,

quando eu estava na escola da Fama.

A Escola de Artes Performáticas em Manhattan. Na parte de dança.

Tipo, Irene Cara?

Então você era o Leroy?

Não, eu não era o Leroy, mas tinha vários Leroys lá.

E vou te falar, aqueles Leroys sabiam dançar e lutar.

- Você dançava? - Eu e os meus chapas. O quê?

Dançava, pô. Balé e dança moderna.

E o balé não era o que você pensa.

- Com os tutus e tudo, né? - O balé é disciplinado.

É... físico.

É forte. É como o futebol, pra ser sincero.

Requer muito foco e dedicação.

Cara, eu adorava dançar.

Mas não pude continuar, porque tinha que brigar todos os dias.

Quando a galera do bairro descobriu,

eu brigava toda vez que voltava pra casa.

"Ih, você usa aqueles collants." "Ei, bicha, não sei o quê "

Todo mundo pressupõe alguma coisa só porque você dança.

Aí acabei desistindo.

Cara, as coisas de que abrimos mão...

É, eu sinto falta.

Cara, se eu tivesse continuado...

Não fico pensando nisso, está no passado.

Mas se eu tivesse continuado, como teria sido?

Mike Mike?

Pô, cara.

É isso, então. Eu escuto sua conversa fiada

sobre ser chamado de Benjamin e tudo mais...

Boa noite.

Sim, ainda estou aqui.

Cadê o corpo?

Não sei, ensacaram antes do meu turno.

Ele não tinha muita coisa, então

Bom, não se atrase pro almoço. Não vou esperar o dia todo.

É, eu sei.

Eu poderia entender uma pessoa se enforcar.

Eu até poderia entender uma pessoa ser esfaqueada.

Mas aneurisma cerebral?

Eu não entendo.

Quando me chamaram até à capela

e me informaram que minha mãe tinha falecido,

eu fiquei no auditório enquanto o RTA fazia um show.

Mike Mike estava no palco.

Toda apresentação depois disso, eu ia lá e assistia.

O Mike Mike que me trouxe pra cá.

Acho que o Mike Mike finalmente vai visitar a Ilha.

Quer conversar, mano?

Tudo que precisava ser dito já foi dito, beleza?

Só perguntei porque você falou pouco no círculo.

O que isso quer dizer?

G, não quero desrespeitá-lo. Tô sempre aqui, se precisar de mim.

Tenho que escrever várias cartas pra família dele hoje.

O que preciso fazer agora é guardar essas cadeiras.

Beleza, cara, de boa. Vai na paz.

"Olá, marujos!

Acho que avisto um navio no horizonte."

"Não, não é um navio.

É um veleiro."

Não, não, mãe. Não é o que estou dizendo.

Mas você precisa dizer que não podem falar assim com você. Só isso.

Se você não vai fazer nada, nem sei por que estamos...

Não sei por que estamos falando sobre isso.

Só deixe eles passaram por cima, então.

Putz, mãe, desculpa.

Não, não estou nervoso. Só estou pronto pra isso acabar.

Estou só... esperando.

Estou pronto pra te ver, mãe.

Estou pronto pra te ver.

Sr. Whitfield, esta é uma audiência de clemência

de sua condenação por homicídio em segundo grau,

bem como por posse de armas,

duas acusações em cada.

25 de prisão, dois a sete e cinco a 15, respectivamente.

Correto.

Muito bem.

Observo desde já que conseguimos obter as minutas da sentença

e elas serão consideradas,

assim como seu pacote de liberdade condicional.

Mas estamos falando do homicídio

de Randall Birch em 25 de março de 1988.

Ele levou vários tiros na cabeça e no corpo, correto?

Até onde eu sei.

E em termos deste delito, você esgotou seus recursos.

- Sim. - O Projeto Inocência já analisou.

Assistência Jurídica, contratou um investigador.

Parece que você também levantou questões de má conduta

do Ministério Público e do departamento de polícia.

E houve outras declarações exculpatórias feitas por outra pessoa

que nunca foram dadas a você no seu julgamento.

Outro homem confessou o crime naquela fita,

mas ela foi enterrada com outras evidências-chave.

Sim, e isso é parte do problema.

Tem sido quase impossível autenticar a validade.

A pessoa que fez a confissão faleceu,

e o escritório do promotor não retorna nossas ligações.

- Não sei como... o que posso... - Você entende que isso cria

uma questão jurídica complicada, não é?

- Sim, mas eu... - Desde que você está sob custódia,

você esteve envolvido em vários programas.

É uma lista muito longa para eu citar.

Mas tenho uma pergunta sobre o programa de teatro.

Você está envolvido nisso por muitos anos, não é?

Sim, senhora. Sou membro fundador desse programa.

É algo de que tenho muito orgulho.

E que papel você desempenha nesse programa?

- Ator? Diretor? - Bem, cada um faz um pouco.

Eu faço parte do chamado Comitê Diretor.

Tomamos decisões sobre como funciona e...

De vez em quando eu atuo, como todos nós, e...

É um programa que foi estabelecido

para ajudar a população com competências de gestão.

E se transformou em algo um pouco mais, sei lá,

maravilhoso,

porque ajuda as pessoas a entrarem em contato com seus sentimentos,

a serem capazes de processá-los, e realmente avançarem,

e obterem uma verdadeira reabilitação.

E você está atuando durante esta entrevista?

De jeito algum.

Eu realmente espero que vocês possam entender

que tenho sido muito sincero.

Eu sei o quanto isso significa. Eu nunca iria...

Na verdade, essa não é a intenção de atuar.

- Atuar é mais sobre processar. - Eu li sobre o programa.

É um bom programa.

Certo.

Alguma outra pergunta do conselho?

Bem, obrigada, Sr. Whitfield.

Levaremos tudo isso em consideração

e entregaremos nossa decisão em duas semanas.

Você está indo pra casa.

É.

Mal posso acreditar.

Nem parece real.

E você?

Eu nem estaria aqui sem você, amado.

Obrigado por tudo.

Vamos, estão te esperando.

A fantasia de árvore é ótima.

Ficou perfeito, não perca nenhum desses.

Mãos ao alto, Xerife.

Você se parece com o Gary Cooper, sabia?

Minha dama! Você chegou!

- Que bom você aqui. - Tão bom te ver.

- Conversamos depois? - Tá. Combinado.

Eu disse que não era um ghoul.

Estou feliz como Coveiro agora. Obrigado.

Faz 15 anos que não visto um terno.

Está ótimo, campeão. Posso usar esse espelho?

"Leve este amuleto sagrado com você.

Você precisará dele antes do final da sua jornada."

Bem, nós conseguimos.

Ainda há muito trabalho a fazer.

No ensaio geral é quando vocês crescem.

É quando o diretor solta as rédeas

e deixa vocês assumirem o controle.

Então não tenham medo de tentar coisas.

Nenhuma encenação é permitida.

Muita escuta, vamos ouvir uns aos outros.

Vamos apoiar uns aos outros.

Quero agradecer a vocês por confiarem no processo.

Sei que estamos pensando no Mike Mike agora.

E quero que saibam que tenho a sensação

de que o Mike Mike não deixou o prédio.

Então vamos fazer isso pelo Mike Mike.

Vamos nessa. Juntem aqui.

- Vamos. - Todo mundo.

- Muito bem. É isso. - Foi todo mundo?

Um, dois, três.

RTA!

- Isso aí! - Bora!

"Eu sou Alotincommon.

Eu sou o sumo sacerdote do Egito desde o ano...

Putz, foi há muito tempo.

A doce princesa egípcia Neotali

foi vítima de um assassinato.

Um crime muito hediondo.

Ela era uma boa múmia pra seu filho a quem ela deu o nome

de Leslie."

"Múmia?

Múmia? É você?

Ah, múmia, sinto tanto a sua falta."

"Agora sou um prisioneiro.

Sim.

Agora sinto o angustiante peso dessas infames correntes."

"E assim os jovens amantes partiram em sua jornada,

em busca de algo preto e branco,

sobre a água e o céu."

"Acho que a encontrei aqui, chefe.

Que linda bagunça ela acabou se tornando."

"Espere.

Guarde isso sempre com você.

Mantenha perto do seu coração, para que lembre sempre de mim."

Ei, esses são meus.

Foi mal.

"Zakarias me prendeu a um contrato sem remuneração de 25 anos.

Se eu não fizer como ele diz e for seu melhor gladiador,

ele vai matar minha esposa e filhas e me dar de comer aos leões."

Fala?

"Você teria sido de grande apoio."

"Oras, você pode ser de grande apoio."

Sim, "você teria sido de grande apoio."

Daí eu digo: "Não tenha medo! O Gladiador Golias está aqui.

Vou surrá-los e esmagá-los, sejam eles baixos ou altos."

Entendeu?

E então eu venho e digo a fala mais profunda.

"Se você me ajudar a escapar, temos um acordo."

E claro, todo mundo fala de modo engraçado,

pois é uma comédia. Ha, ha, ha! É uma comédia, porra!

Beleza, pessoal.

- Pausa de 5 minutos. - Por quê?

Por quê, Brent?

Como se fosse fazer diferença? Como se fôssemos melhorar?

Como se ele fosse lembrar da porra da fala?

Você nos diz pra confiar na porra do processo, né?

Pois o processo é fodido!

Vamos precisar de mais de 5min, Brent,

pra ele aprender a porra das falas.

- Vamos dar uma volta, mano. - Cai fora!

Que porra você vai fazer? Vai brigar? Quer brigar comigo?

É?

Que porra você tá vestindo, cara?

O que estamos fazendo?

Essa palhaçada que fazemos a cada seis meses,

como se isso importasse, cara. E ainda estamos fodidos!

Estamos de volta ao ponto de partida!

Terminou?

Não.

Eu não terminei.

Isso não é hilário?

Isso vai nos atrasar por quanto tempo?

- Ele se mandou. - Simplesmente se mandou.

Não se faz isso.

Todos estamos passando por problemas.

É sobre agir de forma profissional.

Estamos no meio de uma produção.

Todos nós temos pontos de ruptura.

Ouça, a gente entende isso de ponto de ruptura.

Todos aqui já passaram por isso,

mas comparecemos e fazemos o que temos que fazer.

Tem que fazer.

Então eu quero que você imagine em sua mente

um velho e querido amigo que você não vê há muito tempo,

mas que adoraria vê-lo novamente.

Então, como é isso?

E como ele é?

Está mais alto agora ou mais baixo?

Ainda usa o mesmo corte de cabelo?

Talvez precise fazer a barba.

Talvez esteja um pouco diferente, um pouco mais velho.

Estamos todos envelhecendo.

Aquele sentimento fraterno de amor e segurança.

Como seria isso?

Deve ser alegre.

Deve ser maravilhoso.

Sabe?

Só poder estar com aquela pessoa mais uma vez.

Podem abrir os olhos agora.

Era eu?

E aí, rapaziada?

Cara, é bom ver vocês.

Bom te ver, cara.

Dapper Dapper, você ainda tá aqui, mano?

Conta o que está acontecendo lá fora.

Ah, cara.

O mundo, cara...

Eu acordo às 4h30, estou naquela padaria, cara,

fazendo donuts, cheesecake.

Dando duro.

Mas, cara, eu fico muito feliz só de sair à noite,

sabem o que estou dizendo? Tipo, é verão,

10 horas da noite, sacaram?

Você vai até a quadra e ainda vê crianças por lá.

Lembram de jogar bola à noite?

A gente ia ao pátio da escola à noite pra jogar bola e tal. Bam!

Aí eu passo e vejo... Sabem?

Mas aí minha maior alegria...

A minha maior alegria, tá?

É lavar meu carro, ir ao lava-rápido,

deixando ele limpinho e brilhoso,

encontrar um destino pra ir.

Eu pego o meu cachorro, coloco ele do lado,

boto o meu jazz pra tocar, e caio na estrada a 60km/h,

começo a zarpar e esqueço todo o resto.

Eu acordei outro dia, cara, às duas da manhã,

fiz umas panquecas, granola e essas merdas,

só porque eu podia.

Isso é bom demais.

Mas por outro lado...

Eu tive que sacrificar o meu cachorro.

Eu tinha uma pit bull pequena, de nariz vermelho, chamada Girly.

Aquela cadela, tudo que ela queria fazer...

Ela achava que era cadela de colo.

Só queria deitar no meu colo e comer petisco, sabe?

Ela só queria brincar.

Mas ela estava doente, e eu não sabia.

E aí...

O nariz dela começou a sangrar. Ela era...

Ela era a única que ficava feliz em me ver entrando pela porta.

Sabem? Ela...

No dia em que tivemos que sacrificá-la,

eu não podia... Eu não consegui ir junto.

Porque não queria ver alguém apagar o meu cachorro.

Ela estava sofrendo muito...

Essa montanha-russa emocional, cara, é realmente...

É um negócio doido. E não te atinge de cara,

porque tudo... Tudo é maravilhoso.

Sabem? É como algodão doce, amigo.

Pêssego com creme de leite.

Nos primeiros anos, é tudo emocionante.

Mas depois, você se acalma...

E descobre que tem esses sentimentos.

E todo mundo quer um pedaço dos seus sentimentos, saca?

E como você se importa, você se abre.

E é aí que a dor vem, saca?

Mas o Brent me pediu pra vir aqui

porque vocês têm essa produção em andamento,

e aqui estou eu,

com toda essa merda pesando o ar da sala, né?

- Putz, cara. Mas ouçam... - Tá tudo bem.

É real.

É... Valeu, cara.

Então, falando nisso...

Vocês acham que talvez a gente possa fazer um exercício

pra eu poder me revigorar, me reenergizar?

Com certeza, cara, vamos levantar.

Isto não é um clube de costura, caramba.

- Isso aí! - Aí, sim!

Então vamos agitar este lugar pro nosso irmão Charlie.

Caminhando. Vamos caminhar um pouco aqui.

Caminhando...

Como fica quando o ar está pesado e quente?

Eu tinha uma veia artística quando criança, sabia?

Eu desenhava, pintava... Coisas tipo aqueles gancinhos e tal.

Cara...

Era irado.

É, cara.

A mãe costumava me dizer para pintar muito

e eu deixei isso de lado.

Sabe aonde isso me levou, então...

Eu tenho um rótulo.

Todo mundo me via como um bandido, um gângster e tal.

E isso meio que me botou numa caixa.

Você não tá numa caixa.

Toda vez que eu te via na prisão,

você sempre foi o Divine G e era livre pra ser isso,

porque você não tinha um rótulo.

E estou vendo que você precisa de ajuda, mano.

Mas você não vai pedir.

Você tem todos nós aqui, cara. Nós te amamos, mano.

Faremos tudo o que pudermos por você.

Mas você se recusa a estender a mão pra pedir ajuda, mano.

Já tendo ajudado tantos irmãos aqui.

Eu vacilei.

Pois é, vacilou mesmo.

Mas a gente te conhece, a gente te ama,

e fizemos uma votação.

É, todo mundo está disposto a aceitá-lo de volta agora mesmo,

sob uma condição.

Qual?

Bem...

Você tem que admitir, de todo o coração,

possivelmente até por escrito,

que eu destruí naquela cena de "Hamlet", mano.

Sério, cara,

aquele maluco do Shakespeare tá no túmulo agora.

Ele até virou pra cima só pra ouvir aquela magia que eu fiz.

Você mandou ver, amado.

Pois é, meu amado.

Pessoal, vamos respirar bem fundo.

Deixem tudo ir embora.

Quem imaginaria que o início da cura pra este planeta

começaria bem aqui, atrás dos muros de Sing Sing.

Alguém mais tem algo que queira acrescentar agora?

Sim, senhor?

Às vezes é um pouco demais pro coração.

Mas isso não é desculpa.

E espero que possam me perdoar.

- Todos juntos, RTA. - Isso!

Quero ver essas mãos. Beleza?

Um, dois, três.

RTA!

Ei, bloco B, eles adoraram.

- Toda vez que eu olhava... - Comédias são diferentes, cara.

- Pode crer. - Foi um pouco difícil, mas diferente.

- Tinha outra pegada. - E o Carmine, pô,

ele se redimiu como o Coveiro.

- Com certeza. - Ele mandou muito.

O Carmine entregou, Blackseed, Winter, Tye.

- Todos mandaram bronca. - O elenco representou.

Todo mundo representou mesmo.

Ainda não entendo nada de viagem no tempo.

Acho que nunca entenderemos.

Não sei como fomos de Robin Hood a piratas

- e depois... a todos os lugares. - Foi muito louco.

Estávamos por todo lado e a galera ainda conseguia acompanhar.

- Eles gostaram. - Eles tiveram de tudo.

Teve Shakespeare...

Mas rapaziada, o que vamos fazer a seguir?

- Pergunta difícil. - Vai ser difícil superar. Não sei.

Divine, o que você tem aí pra gente?

Você sempre tem uma carta na manga.

O que você tem pra gente, Divine G?

Putz, eu? Não sei, não tenho nada.

Sei que você tem algo guardado, libera aí.

Você sempre tá trabalhando em alguma coisa, cara.

Que tal a minha peça, "Letras Miúdas"?

A coisa se perde um pouco no segundo ato.

- Mas talvez eu pudesse... - Você deve ter outra coisa, vai.

Calma, tá, que tal...

Pô, tô trabalhando nessa peça há alguns anos.

Talvez funcione.

Se chama "Pro Se".

Isso, sim, vai chamar a atenção da galera!

É uma sátira. É sobre um cara que está malhando,

só vai pra academia e tal...

Vem cá.

Vem cá, cara.

Tudo bem, estamos aqui fora, cara. Estamos aqui agora.

- É. - Estamos aqui agora.

- É, estamos aqui agora. - Estamos aqui agora.

E temos trabalho a fazer.

E aí? Gostou do meu brinquedo?

Pô, cara!

- Pois é, cara. - É bonito.

Estamos aqui fora, pô.

Pois é, cara.

Estamos navegando agora.

Putz, cara, até o ar parece diferente aqui.

E é diferente!

Não precisamos sentir cheiro de banheiro nem nada.

- Estamos de boa. - E a sua roupa. Olha só.

É, quando você vai arrumar umas assim?

Caramba, cara.

Apresento a vocês

"Quebrando o Código da Múmia",

de Brent Buell.

Múmia? Múmia?

É você?

Eis que agora sou um prisioneiro.

Sim.

Agora sinto o angustiante peso dessas infames correntes!"

DARIO PEÑA O PRÓPRIO

MIGUEL VALENTIN O PRÓPRIO

JON-ADRIAN 'JJ' VELAZQUEZ O PRÓPRIO

PEDRO COTTO O PRÓPRIO

CAMILLO 'CARMINE' LOVACCO O PRÓPRIO

CONELL 'NATE' ALSTON COMO 'CHARLIE'

JOHN 'DIVINE G' WHITFIELD COMO 'O FÃ DE LIVROS'

"Sabe, estou ficando cansado dessa profissão miserável.

Não quero mais ser tão malvado e durão.

Eu quero ser gentil e amável."

"Sério?

Eu também."

"Guarde isso perto do seu coração para que você lembre de mim...

pra sempre."

Vamos, Horácio!

DEDICADO AOS MEMBROS DO RTA QUE VOLTARAM PARA CASA

E ÀQUELES QUE AINDA ESTÃO LÁ DENTRO.

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