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Estes são os destroços da II Guerra Mundial.
Alguns dos seus maiores mistérios jazem no fundo do mar.
Imaginem podermos esvaziar os oceanos,
deixando escoar a água,
para revelar os segredos das profundezas.
Agora, usando tecnologia de ponta,
podemos drenar o oceano.
Pela primeira vez,
podemos responder a questões há muito levantadas.
Pearl Harbor, quem disparou primeiro?
Quem afundou o super navio alemão, Bismarck?
Dia D, por que há um batalhão de tanque submersos,
ao largo da costa francesa?
Descobrir um mundo de mistérios afundados como nunca antes vistos,
em Drenar o Oceano: II Guerra Mundial.
DRENAR O OCEANO: II GUERRA MUNDIAL
Novas expedições subaquáticas
exploram os oceanos profundos.
Poderosos computadores transformam dados precisos
em imagens 3D.
Agora, podemos examinar destroços afundados,
em detalhe, a partir de qualquer ângulo.
Drenar o oceano aponta uma nova luz na II Guerra Mundial.
O Oceano Pacífico, palco de um devastador ataque surpresa
a uma ilha Havaiana e à sua importante base naval americana,
Pearl Harbor.
Pearl Harbor foi o início.
O ataque japonês mudou tudo.
Imaginem destapar um ralo
e drenar as águas de Pearl Harbor.
Pela primeira vez, podemos construir uma imagem exata
do poderoso couraçado USS Arizona.
O perda mais infame daquele dia.
A maioria dos navios afundados no ataque
foram trazidos novamente à superfície.
Por que não o Arizona?
Madrugada de domingo, 7 de dezembro de 1941.
Navios da Frota do Pacífico dos Estados Unidos estão no porto.
A América não está em guerra.
Inesperadamente,
bombardeiros japoneses atacam.
Não há qualquer aviso.
Nessa manhã de domingo, ouvi uma explosão muito forte.
Liguei o rádio, para saber o que tinha acontecido.
Diziam que os Japoneses tinham atacado Pearl Harbor.
Em menos de duas horas,
os bombardeamentos japoneses levam 2 400 vidas.
E destroem ou danificam mais de 300 aviões
e 20 navios.
O couraçado Arizona explode com um estrondo ensurdecedor.
Dizem que quem ouviu a explosão nunca a esquecerá.
Cerca de metade das mortes, naquele dia, foram no Arizona.
A água estava em chamas,
toda a zona estava coberta de fumo negro.
Morreram 1 177 pessoas.
Eram todos jovens.
Foram para a cama e nunca mais acordaram.
A maioria da frota foi resgatada
e reparada para combater na guerra.
O Arizona permanece onde afundou.
Um memorial para os visitantes, por cima dele.
Jaz em águas pouco profundas.
Uma sepultura da guerra.
O navio assenta na lama.
Surgem bolhas, o navio faz barulho e, por vezes, é arrepiante.
Após o ataque,
a Marinha Americana tentou recuperar todos os outros navios,
mas não o Arizona.
Se pudéssemos drenar o mar em Pearl Harbor,
descobriríamos por que não desencalharam este grande couraçado?
Agora, usando os dados mais recentes dos levantamentos,
podemos drenar Pearl Harbor.
Pela primeira vez,
veremos a embarcação afundada tal como se encontra hoje,
mas desta vez, drenada.
As visualizações de alta resolução, baseadas nos factos,
levam-nos à proa amarrotada,
e conduzem-nos à resposta.
Uma bomba perfurante
atingiu o compartimento de munições dianteiro do Arizona.
Incendiou mais de 450 kg de pólvora.
Os danos são extraordinários.
A força partiu o casco em dois.
Junto ao castelo da proa, que foi destruído pela bomba,
há uma fenda da largura do meu punho.
Começa no topo do navio e vai até à quilha.
A fenda atravessa o navio, pelas laterais do casco.
É um dano estrutural muito grande.
Por isso, abdicaram da ideia de o trazer para a superfície.
Agora, Pearl Harbor está desprovido de água,
à vista de todos.
O USS Arizona continua no fundo
porque o dano no casco foi demasiado
para ser reparado ou trazido à superfície.
À medida que o oceano se afasta do porto,
o local de outro mistério, ainda maior, está prestes a ser revelado.
Um que pode reescrever a história.
Disparam os japoneses, realmente,
o primeiro tiro, em dezembro de 1941?
Mais de uma hora antes do ataque surpresa do Japão,
um contratorpedeiro americano, afirma ter disparado
sobre um submarino japonês,
afundando-o.
A ser verdade, os Estados Unidos, e não o Japão,
dispararam primeiro na Guerra do Pacífico.
O submarino desaparece,
nenhum alarme é soado.
As autoridades pensam que a tripulação do USS Ward deve estar enganada.
Os homens não conseguem provar que atingiram um alvo.
Naquela época, mesmo antes deste conflito iminente,
houve provavelmente vários avistamentos falsos.
O relatório do Ward foi considerado um avistamento inconclusivo.
Terá o Ward afundado um submarino inimigo
cerca de um hora antes do ataque?
A única maneira de ter a certeza é encontrar o submarino.
Nos anos 90,
o piloto de imersão, Terry Kerby, iniciou a procura do submarino.
Para a sua equipa do Laboratório de Pesquisa Submarina do Havaí,
a missão transformou-se numa maratona.
Felizmente, a sua embarcação de alta tecnologia pode mergulhar fundo.
O Pisces 5 é capaz de chegar aos 2000 metros.
Um mergulho normal dura umas oito horas.
É lançado às oito da manhã e volta ao convés às cinco da tarde.
A caça ao submarino japonês,
supostamente abatido uma hora antes do ataque aéreo a Pearl Harbor,
provou ser mais difícil do que o previsto.
Descobrimos que há muitos objetos que podiam ser o submarino.
Acabámos por encontrar 37 alvos possíveis
que podiam ser o submarino do Ward.
O Terry não tinha dados precisos de 1941,
mas os registos de guerra confirmam submarinos japoneses de dois tripulantes,
que, secretamente, tentavam entrar em Pearl Harbor.
A ideia era lançá-los
como se fossem vespas pequeninas a sair de um ninho.
Com dois torpedos, podiam entrar e sair de uma zona de combate,
disparar os torpedos, regressar, carregar as baterias,
reabastecer e combater de novo.
Meses transformaram-se em anos.
Terá o USS Ward realmente atingido um submarino japonês?
Eventualmente, as provas aparecem.
Foi um dia emocionante. Após dez anos, encontramo-lo.
Estava em condições perfeitas.
Liga-nos a essa parte da História.
Quando o encontrámos, ficámos eufóricos.
A seguir, encontrámos duas pessoas no seu interior.
Tornou-se um pouco mais emotivo,
ao pensar no que aconteceu nos seus últimos momentos.
É este o submarino que têm procurado?
Os sedimentos no fundo do mar são facilmente perturbados.
Apenas são visíveis vislumbres do submarino.
Se pudéssemos drenar o mar junto a Pearl Harbor,
conseguiríamos ver o submarino em detalhe
e revelar provas que confirmem a revindicação do Ward?
Agora, combinando os mais recentes dados de vídeo e sonar,
podemos esvaziar o Oceano Pacífico.
Podemos ver a descoberta de Terry a partir de qualquer ângulo.
Podemos examiná-la com um detalhe sem precedentes.
Após décadas no fundo,
o submarino miniatura japonês encontra-se surpreendentemente intacto.
E do seu lado direito,
há um buraco de cerca de 10 cm,
precisamente onde o contratorpedeiro Ward reportou tê-lo atingido.
Esta descoberta notável resolve a questão.
Pudemos confirmar aos sobreviventes do Ward
que afundaram mesmo aquele submarino.
Foi muito importante.
Aquele submarino teria entrado no porto, se não o tivessem afundado.
Foi o primeiro tiro disparado pelos EUA na Guerra do Pacífico.
Afundou o mini-submarino a mais de 300 metros de profundidade.
A Marinha Americana atacou um submarino ao largo de Pearl Harbor
pouco mais de uma hora antes da queda das primeiras bombas,
mas nenhum alarme foi acionado.
No final da guerra,
o Congresso Americano considerou que o ataque ao submarino
devia ter sido reconhecido de imediato como motivo para um alerta geral.
Até que ponto teriam as Forças Armadas dos EUA conseguido responder?
É difícil saber.
As pessoas esperariam que o conseguissem.
O ataque surpresa do Japão a Pearl Harbor
muda o rumo da II Guerra Mundial.
O seu aliado, a Alemanha, declara guerra aos EUA.
Mais navios são afundados.
Se conseguíssemos retirar as camadas de água
e drenar o Oceano Atlântico,
descobriríamos o couraçado alemão, o Bismarck,
construído para ser inafundável.
O Bismarck foi projetado para ser atingido.
Afundá-lo era completamente diferente.
Drenar o Bismarck esclarece, pela primeira vez, a questão,
o que terá afundado o maior couraçado alemão?
Na inauguração, o Bismarck é o maior navio de guerra de sempre da Alemanha.
A sua tripulação excede os 2 000 homens.
Oito armas missavas, de cerca de 38 cm,
disparam munições que pesam cerca de 900 kg,
a 39 km.
A sua primeira missão, destruir navios britânicos no Atlântico.
A 24 de maio de 1941,
o HMS Hood, orgulho da Marinha Real Britânica,
lança um ataque ao Bismarck.
O Western Approaches, centro naval secreto da Grã-Bretanha,
planeia a batalha.
Aconteceu no estreito da Dinamarca, quando os navios alemães saíam
da passagem entre a Gronelândia e a Islândia.
O Bismarck dispara com precisão.
O Hood é atingido numa das zonas fracas,
o armazém de armas explode.
Na verdade, explode quase de ponta a ponta.
Toda a tripulação do Hood, de 1 418 homens, é dizimada,
exceto três.
A perda do navio icónico da Marinha Real
chega ao Primeiro Ministro Britânico, Churchill.
A ordem é dada,
afundem o Bismarck.
A Marinha Real não o deixaria escapar.
Mais de 50 navios de guerra seguem na sua direção.
O Bismarck acaba a quase 4 800 m de profundidade.
Foi atingido inúmeras vezes.
Se virmos os destroços hoje,
o número de buracos no navio é notável.
Se pudéssemos drenar o oceano, veríamos o que finalmente afundou o navio
destinado a ser inafundável?
Hoje, levantamentos subaquáticos de ponta
permitem esvaziar o oceano e drenar o Atlântico.
Biliões de litros de água desaparecem,
para revelar segredos há muito escondidos.
Pela primeira vez,
expomos o Bismarck que jaz a 3,8 km de profundidade.
Vê-lo a esta nova luz,
revela um questão surpreendente.
Foram os britânicos os responsáveis pelo afundamento?
Ou terão os alemães afundado o seu próprio navio?
Estamos a 26 de maio de 1941,
os britânicos têm procurado desesperadamente o Bismarck.
Finalmente, aviões do porta-aviões HMS Ark Royal
avistam-no.
Atacam com torpedos.
Um deles é certeiro.
Atingiu a popa,
o ponto fraco de qualquer couraçado, até do mais poderoso.
Agora, os destroços do Bismarck estão à vista de todos,
podemos analisar com detalhe
o golpe debilitante do torpedo.
Um dos dois lemes do Bismarck está dobrado, danificando a direção.
O outro leme está completamente destruído.
Incapaz de guiar, não há como escapar
à frota britânica que se aproxima.
O comandante soube, em cinco minutos,
que, sem lemes, estava em apuros.
Era um alvo fácil.
Os britânicos puderam disparar e atingiam-no sempre.
Em plena luz do dia,
pela primeira vez, em mais de 70 anos,
os danos do Bismarck podem ser vistos por todos.
Bombardeamentos britânicos implacáveis
destroem as armas e a tripulação.
Mais torpedos atingem-no,
rompendo secções do casco.
Partes do navio começam a encher-se de água.
Os que causaram mais estragos foram os projéteis dos navios.
Causaram buracos grandes e talvez a maior entrada de água.
Após ataques constantes do nascer ao pôr do sol,
o inafundável Bismarck vai ao fundo.
O seu afundamento inicia uma controvérsia.
A pergunta clássica sobre o afundamento do Bismarck
é se foi causado pelos britânicos ou pela própria tripulação.
Foi submerso ou afundado?
Se o Bismarck foi afundado apenas pelos projetéis britânicos,
a aguá teria apenas entrado pelas áreas atingidas.
À medida que o Bismarck foi ao fundo,
partes não danificadas, cheias de ar, colapsariam sob a pressão.
O casco esmagar-se-ia rapidamente.
Mas a visualização dos dados
mostra que o Bismarck não está esmagado.
Já não havia bolsas de ar.
Exames cautelosos revelam danos, causados por torpedos,
que enfraqueceram placas do casco.
A água no interior do navio rebentou mais placas a partir do interior
quando atingiu o fundo do mar.
Prova de que, o Bismarck, foi completamente inundado.
A sua tripulação deixou, deliberadamente, entrar água.
Ajudaram a afundar a sua própria embarcação.
A tripulação não tinha qualquer hipótese.
Acabariam por ser afundados pela Marinha Real.
Sabiam que iam morrer.
A única opção honrosa,
além da rendição, que não era honrosa,
era afundar o navio.
Logo, completaram o processo.
Ambos os lados podem sentir algum orgulho.
Foi submerso e afundado.
Os alemães dedicam-se a mais operações secretas.
A batalha do Atlântico
intensifica-se.
Ao longo da costa leste da América,
centenas de destroços americanos afundados pela Alemanha
povoam o leito marinho.
É um campo de batalha americano.
Está no nosso quintal e não é muito conhecido.
Como lançou o inimigo ataques secretos
a 4 800 km das bases alemãs?
Para responder a esta questão, drenamos o mar ao largo da Carolina do Norte.
Cabo Hatteras, no litoral mais a leste dos EUA.
Mercadores costeiros viajam ao longo de rotas perto da costa.
Em 1942,
esta área atraiu submarinos Nazis à procura de alvos fáceis.
Por causa dos baixios, os navios tinham de abrandar.
Com a grande quantidade de navios durante a II Guerra Mundial,
era um local conhecido pelos alemães,
onde se podiam reunir, esperar e começar a disparar.
Hoje, Joe Hoyt, arqueólogo marinho,
procura os muitos navios que os submarinos afundaram.
O sonar mapeia o leito marinho.
No fundo, trata-se de dois canais de cada lado.
São os transdutores que enviam uma onda sonora
e criam uma imagem do fundo.
Agora, vamos pô-lo na água no convés de trás.
Deixamo-lo ir atrás do barco, para começar a fazer a análise.
Muito bem, dá linha.
O levantamento está à procura de provas com mais de 70 anos.
O sonar penetra mesmo até ao fundo das rotas de navegação.
Estamos prontos, está a recolher dados,
Agora, vemos o fundo do mar. Como veem, não há muito aqui.
Pode ser entediante, mas compensa quando encontramos algo nunca visto.
Passa para o meio do navio.
O levantamento detalhado de Joe
permitirá retirar a água,
revelando como os submarinos afundaram tantos navios
sem serem apanhados.
Imaginem drenar o oceano.
Drenar as ondas da costa leste dos EUA.
A água expõe um navio afundado por um submarino alemão.
Após mais de 70 anos no leito marinho,
é trazido à luz do dia.
Este é o Dixie Arrow,
uma embarcação mercantil, sem armamento.
Carrega 86 mil barris de óleo.
E 33 tripulantes.
Esta fotografia única mostra-a após ter sido atingida.
Morreram 11 homens.
O Dixie Arrow foi um de muitos.
Em seis meses,
os submarinos alemães afundaram perto de 400 navios
ao largo da costa leste dos EUA.
Só no Cabo Hatteras, 25 deles.
Acabaram com cerca de 5 000 vidas.
Os primeiros navios afundaram em janeiro de 1942.
Houve um período grande, de quatro meses,
de aniquilação total.
Dados de sonar precisos
permitem continuar a drenar a água ao longo da costa.
Expõe um submarino alemão,
o U-701.
Podemos vê-lo tal como jaz no fundo do mar, pela primeira vez.
Sozinho, este submarino afundou ou danificou nove navios
em menos de duas semanas.
Como conseguiram os submarinos atacar tantas embarcações
sem serem detetados?
A maioria dos americanos nem tinha noção
de que o inimigo estava junto à praia.
Para evitar o pânico,
as autoridade proibiram notícias de ataques próximos da América.
Não ordenaram apagões.
À noite, os faróis e as luzes citadinas
permitiam aos submarinos uma vista desimpedida dos navios.
Os alemães diziam que viam a silhueta dos navios nas luzes do litoral,
tornando-se muito fácil começar a abatê-los.
Durante seis meses, os submarinos continuaram os seus ataques.
O petróleo chegava às praias,
em certos casos foram vistos cadáveres.
Teve um impacto enorme,
não apenas nos materiais transportados,
mas na mentalidade dos americanos.
Só por sorte os submarinos eram encontrados e afundados,
durante o dia, ao longo das águas costeiras pouco profundas.
As águas drenadas revelam o segredo dos submarinos.
Usaram a própria geografia da América.
Ao largo do Cabo Hatteras,
o leito marinho afunda drasticamente, perto da costa.
Os alemães podiam esconder-se rapidamente em zonas profundas.
Os submarinos atacavam a noite toda e, com o nascer do sol,
iam para águas mais profundas,
onde se podiam proteger de contra-ataques durante o dia.
Eventualmente, a Marinha Americana mobilizou patrulhas aéreas costeiras,
acabando com a ameaça aos navios mercantes.
A 7 de julho de 1942,
o U-701 foi atacado por um avião.
Da tripulação de 43 homens, apenas sete sobreviveram.
A II Guerra Mundial intensifica-se
quando os EUA se juntam à luta para libertar a Europa,
na mais ambiciosa invasão por mar da história.
O combate feroz deixou muitos vestígios no fundo do mar.
Há um campo de batalha vasto, ao largo daquelas praias.
Cerca de 4,8 km ao largo da costa do Norte da França,
as visualizações do fundo marinho
revelam tanques prontos para a batalha.
Por que estão tanques no mar?
Em junho de 1944,
a Casa Southwick, em Inglaterra, é palco de um planeamento intenso.
O historiador principal da Marinha Real
estuda a mais ambiciosa invasão da II Guerra Mundial,
conhecida como Dia D, planeada no interior destas paredes.
Aquele é o mapa visto por Eisenhower e pelos comandantes aliados,
nesta sala de operações do Dia D.
Há cinco canais.
São os canais seguros para a passagem das forças invasoras.
Cinco mil navios dos Aliados carregam homens e máquinas em direção à Normandia.
É a maior armada da história.
Para derrotar os alemães na Europa,
a invasão deve aceder à França.
Os mares são tempestuosos.
As praias são fortemente defendidas.
Desde a II Guerra Mundial,
o mar, ao largo das praias do Dia D,
tem atraído arqueólogos marinhos.
Chris Howlett é o antigo diretor
do Centro de Dados Seabed do Reino Unido,
especialistas em mapeamento subaquático.
Participou num levantamento de 80 km da linha costeira da Normandia.
Os resultados foram mais do que o esperado.
Nessa área, encontrámos cerca de 600 alvos, por assim dizer,
600 objetos no fundo do mar.
É talvez dez vezes mais do que podemos esperar
num litoral normal.
Surpreendentemente, descobriram um batalhão de tanques.
Por que há tanques no fundo do mar ao largo da costa de França?
Os levantamentos científicos atuais
revelam segredos marinhos de forma inovadora.
Processando dados a 4 km da zona de invasão do Dia D,
na praia de Omaha,
a água é retirada,
para revelar destroços inesperados.
Um tanque americano.
Um Sherman do 741º Batalhão de Tanques dos EUA.
A sua arma de 75 mm aponta em frente, pronta a disparar.
Este tanque nunca se juntou à batalha.
E não está sozinho.
Outros tanques jazem por perto, num aglomerado.
O grupo de tanques tem cerca de um quilómetro.
Encontrar 20 ou 30 tanques numa zona tão pequena
é bastante espantoso.
A maioria dos tanques está na vertical.
Nenhum parece ter sido atingido.
Os tanques eram enviados para ajudar a infantaria a tomar a praia.
Por que estão estes no meio do mar?
Um exame mais detalhado das imagens
revela não se tratarem de tanques Sherman comuns.
Têm uma modificação surpreendente.
Entre as lagartas há duas hélices.
Estes tanques conseguem nadar.
Vemos duas hélices estranhas,
ligadas a engrenagens na parte de trás.
Têm também uma lona grande à volta do tanque,
que prende ar suficiente para que o tanque flutue.
Braços mecânicos suportam a lona impermeável, ou saia,
à volta do tanque.
Agora, este tanque de 33 toneladas é capaz de flutuar.
Filmagens de testes secretos provam
que os Sherman anfíbios conseguem atravessar águas calmas.
Irão atravessam o Canal Inglês
em navios especiais como este, uma embarcação de desembarque de tanques.
Invulgarmente, os tanques deveriam ser largados a 3,2 km da costa.
O comandante do navio tentaria virar a popa para o mau tempo,
para criar uma pequena zona de água tranquila diante da rampa.
A rampa teria de ser baixada.
Depois, o primeiro tanque teria de descer e entrar na água.
É uma ideia louca pôr uma lona à volta do tanque e hélices,
para que chegue a terra como um barco.
O que corre mal?
Agora, o mar foi removido digitalmente.
Encontrámos os tanques anfíbios numa linha
que vai do local do seu lançamento em direção à praia de Omaha.
Não foram os tiroteios que afundaram estes tanques.
Foram as ondas altas.
No fundo, têm uma folga de cerca de meio metros.
As ondas no Dia D chegaram a ter um a um metro e meio.
A água inunda os tanques.
Dos 29 tanques, 27 afundam.
É assim que acabamos com o padrão que vemos no fundo do mar,
onde os tanques afundaram ao desembarcar ou no caminho.
A perda dos tanques contribui
para as mais de 3 700 mortes, na praia de Omaha, nesse dia.
O Dia D em si é um triunfo,
as Forças Aliadas tomam as praias.
Agora, precisam avançar para o interior.
Reforços são transportados de ferry da Grã-Bretanha para a Europa.
Continuando a drenar o mar ao longo da costa
revelamos a história trágica de um dos navios de tropas.
Num navio grande cheio de gente, quando acontece algo mau,
é épico.
Afogam-se 400 soldados americanos, à medida que o navio afunda.
Removida a água, levanta-se uma questão.
Havia algo que os pudesse ter salvo?
Inverno de 1944.
Seis meses depois do Dia D.
O navio de tropas belga, Leopoldville,
parte de Southampton, Inglaterra.
Transporta mais de 2 200 jovens soldados americanos para França.
São soldados de uma divisão que ainda não combateu.
A maioria teria 20 e poucos anos,
por isso a grande maioria não teria experiência de combate.
O Leopoldville nunca chegou ao destino.
Cerca de um terço dos passageiros morreu.
Hoje, os seus destroços jazem a norte de Cherbourg,
o destino do Leopoldville.
Afogaram-se 400 soldados americanos a uns meros 8 km da costa.
Por que não foram salvos mais?
Entardecer, 24 de dezembro,
o capitão Belga e a tripulação têm o Leopoldville à vista de terra.
Um submarino alemão torpeda o navio,
matando, pelo menos, 300 homens.
Os restantes 1 800 soldados americanos
escalam até ao convés à espera de ordens.
Um navio de escolta britânico resgata cerca de metade dos sobreviventes,
os restantes esperam por ajuda do porto próximo.
Esperávamos que viesse alguém, para rebocar o navio.
Ficámos parados, à espera de ordens de alguém.
Uma segunda expressão abala o navio.
Começa a afundar.
O capitão ordena “abandonar navio.”
A sua tripulação belga embarca os salva-vidas.
Os soldados americanos não sabem o que fazer.
Há alguma confusão entre a tripulação e os soldados americanos,
sobre a decisão de abandonar o navio.
Não recebemos instruções a bordo do navio.
Nada que nos ajudasse a sobreviver.
À medida que o Leopoldville afunda,
os soldados americanos não têm escolha senão saltar para a água gélida.
Afogaram 400 homens antes de chegar socorro.
Os sobreviventes afirmam que muitos, morreram desnecessariamente
Drenar o mar do Leopoldville
esclarecerá a sua história?
À medida que a água desaparece,
um segredo sombrio é revelado.
A tripulação embarcou os salva-vidas,
mas agora, expostos à vista de todos,
estão salva-vidas invertíveis por usar, chamados botes Carley.
Cada um pode transportar
um dúzia de homens assim que são libertados.
Poucos foram libertados.
Os soldados não sabiam como usá-los.
Presos ao navio, não podiam salvar ninguém.
Entre 300 a 350 homens foram mortos pelo torpedo.
Os outros não tinham de morrer.
Por vezes, o que vemos no fundo do mar é desolador.
O seu sacrifício não é em vão.
Outros terminam a sua missão.
Em maio de 1945,
termina a II Guerra Mundial na Europa.
A liberdade regressa.
Hoje, milhares de destroços permanecem sob as ondas.
Testemunhas silenciosas da luta e massacres do passado,
Memoriais de uma geração que nos deu as suas vidas.
Tradução e Legendagem Ana Rita Santos
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