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A vida de um escritor de teatro � dura.
N�o � f�cil, como alguns pensam
Voc� escreve pe�as... e que ningu�m produz!
Voc� tenta outras coisas para ganhar a vida...
Eu me tornei um ator... s� que ningu�m te contrata!
E acaba passando o tempo correndo atr�s de trabalho
Hoje levantei �s 10 da manh�, para fazer algumas liga��es
fui � papelaria comprar envelopes e tamb�m � fotocopiadora
Tinha muitas coisas para fazer.
�s 5 horas finamente cheguei aos Correios
para enviar v�rias c�pias de minhas pe�as
e verificando o servi�o de recados para ver se meu agente me conseguiu algo
E pela manh�, a caixa de Correio estava cheia de contas para pagar!
O que fazer? Como posso pag�-las?
Se eu j� estava fazendo tudo que podia!
Eu morei nesta cidade toda a minha vida
Eu cresci na zona Leste
e quando eu tinha 10 anos, eu era rico... um aristocrata!
Sempre andando de Taxi, rodeado de conforto,
e tudo que pensava era arte, e m�sica
e agora... tenho 36 anos e s� penso em "dinheiro"!
Agora s�o 7 da noite, e a melhor coisa seria ir para casa
e deixar a minha namorada Debbie me fazer um delicioso jantar
Mas nos �ltimo anos, a nossa situa��o financeira
for�ou Debbie a trabalhar tr�s noites por semana de gar�onete
Afinal, algu�m tinha de que ganhar algum dinheiro!
e por isso eu estava sozinho.
Mas o pior � que fui pego por uma s�rie de circunst�ncias
onde concordei em jantar com uma pessoa que tenho evitado por anos!
Seu nome era Andr� Gregory
Teve uma �poca que n�s fomos bem pr�ximos
foi um valioso colega no teatro.
E foi ele que me introduziu para o teatro
colocando minhas pe�as no circuito profissional.
Quando conheci Andr�, ele estava no auge como diretor de teatro
Teve um trabalho magnifico com o " O Projeto Manhattan"
que atordou a audi�ncia ao redor do mundo
Mas a�, alguma coisa aconteceu com Andr�
ele saiu do teatro e... desapareceu!
Por meses, sua fam�lia tinha not�cias de viajando
por algum lugar esquisito, tipo Tibet,
o que era estranho, pois ele amava sua fam�lia.
Ele nunca gostava de sair de casa
Ou voc� ouvia de algu�m t�-lo encontrado numa festa,
dizendo para as pessoas que havia conversado com �rvores, etc.
Obviamente, algo terr�vel aconteceu com Andr�
Ter de encontr�-lo me deixou muito nervoso.
Eu n�o estava ligado nesses tipos de coisas.
Tenho meus pr�prios problemas!
N�o poderia ajudar Andr�... eu teria que ser o qu�, um m�dico?
-Ol� -Ol�
Obrigado!
Sim, Senhor!
Meu nome � Wallace Shawn
eu estou aqui para encontrar Andr� Gregory
A mesa estar� pronta daqui a pouco,
se o Senhor quizer, pode tomar um drink no bar
Boa Noite , Senhor
um Club Soda, por favor!
desculpe mas, s� servimos Perrion
Est� bem, obrigado!
Quando liguei para Andr�, ele sugeriu este restaurante em particular
e fiquei surpreso!
Porque ele era um cara muito simples.
Apesar que todos sabiam que ele tinha algumas economias,
s� assim para viajar para tantos lugares e sustentar sua fam�lia
A raz�o de estar me encontrando com Andr�
foi que um conhecido meu George Grassfield
me ligou e insistiu para que eu o visse.
Aparentemente, George estava passeando com seu c�o
na noite anterior e de repente esbarrou em Andr�
se apoiando em um pr�dio velho, e solu�ando...
Andr� explicou para George
que acabara de assistir um filme de Ingmar Bergman "Sonata de Outono"
a uns 25 quarteir�es dal�
e foi pego por um ch�ro incontrol�vel
quando o personagem atuando por Ingrid Bergman disse:
"Eu posso sempre viver em minha arte, mas nunca em minha vida."
Wally
wow!
Quando comecei a trabalhar com a companhia de Andr�
sempre estranhava como os atores sempre se abra�avam.
Agora estou no teatro... pensava comigo.
Voc� parece �timo!
Mas eu me sinto p�ssimo!
Boa noite Senhor! Bom v�-lo novamente!
Obrigado. Boa noite!
Eu vou querer uma Schwitzer
-Sim, Senhor -Obrigado!
Eu estava me sentindo incrivelmente nervoso
n�o sei se eu ia aguentar uma refei��o inteira com ele!
E a� conversamos sobre isso e aquilo...
me contou sobre Jerzy Grotowski, grande diretor polon�s de teatro
que era um amigo e quase um Guru para Andr�
Ele tamb�m saiu do teatro
Grotowski era um tipo bastante extraordin�rio
Numa �poca ele era bastante gordo
depois perdeu muito peso, ficou muito magro, e deixou a barba crescer
-Sua mesa est� pronta -Oh!
Se voces quiserem se sentar -Oh! Obrigado
Percebi que a �nica maneira de tornar esta noite suport�vel
era fazer algumas perguntas para Andr�.
Fazer perguntas sempre me relaxava
as vezes penso que minha profiss�o secreta
seria ser um um detetive.
Eu sempre curto descobrir coisas das pessoas.
Mesmo se est�o em uma agonia absoluta
eu sempre acho muito.... interessante.
A prop�sito, ele ainda est� magro?
O que?
Grotowsky... ele ainda est� magro?
Oh!...com certeza!
Oh, Gar�on!
Eu acho que podemos ficar sem isso ...
Que tal isso aqui?
"Sete Camar�es Elegantes"!?
-E para o Senhor -Eu...Sim
Ah! ...A�a Kaluska, como se prepara isto?
Andr� parece que conhecia o Menu
Eu n�o entendia uma palavra
....� muito gostoso
-Vou querer o " kai oheza" - Muito bem!
-Perdiz! Eu vou querer tamb�m. - dois ent�o.
-Vou come�ar com o Terrine de poison
O que � isso?
Ah.. � um tipo de pat� leve feito de peixe
Tem ossos nele?
N�o tem ossos
Bem, Ah.... o que � o "Vranborova Polevka"?
� uma sopa de batatas... � bem gostosa
Est� �timo. Vou querer uma.
-Obrigado -Obrigado
Bem...
Quando foi a �ltima vez que...
Conversamos sobre as minhas pe�as, atua��es
e sobre minha namorada Debbie
e falamos sobre sua mulher Chiquita
e seus filhos Nicolas e Marina.
...e eu voltei para New York...
finalmente, entrei nessa de perguntar
o que ele andava fazendo nestes �ltimos anos
...eu quero muito saber - S�rio?
Verdade!
No in�cio parecia um pouco relutante
a entrar no assunto
Ai eu continuei perguntando
e finalmente ele come�ou a responder.
...uma confer�ncia sobre o trabalho teatral...
h� exatamente 5 anos atr�s...
Grotowsky e eu est�vamos andando pela 5a Avenida e..
n�s est�vamos conversamos e ele me convidou para ir...
lecionar na Pol�nia no ver�o
para dar um workshop para atores, diretores e sei l� mais quem
Eu lhe disse que n�o queria ir
porque n�o tinha mais nada para ensinar, e nada para dizer,
Eu n�o sabia nada e n�o podia ensinar nada
exerc�cios de teatro significavam mais nada para mim,
trabalhar algumas cenas parecia rid�culo para mim...
eu n�o sabia o que fazer... e n�o tinha o que fazer
e a� ele disse,
me diz algo que gostaria de fazer,
ele daria o workshop pra mim, n�o importava se fosse ultrajante
talvez eu possa d�-lo para voc�
a� eu disse,
se voc� puder me arranjar 40 mulheres Judias,
que n�o falassem nem Ingl�s e nem Franc�s
que j� estiveram em um teatro por um tempo longo
e quizeram sair, mas sem saber porque
jovens que amavam o teatro
mas que nunca havia visto um teatro que elas amassem e...
e que pudessem tocar um trumpete ou uma harpa e
e trabalhar em uma floresta, ent�o eu iria
Uma ou duas semanas mais tarde ele...
me liga da Pol�nia e disse
40 mulheres Judias � um pouco dif�cil de achar,
mas ele disse,
eu tenho 40 mulheres
e todas se encaixam na defini��o!
e ele disse,
eu tamb�m tenho alguns homens bem interessantes
que voc� n�o tem que trabalhar com eles
pessoas que t�m em comum seus questionamentos ao teatro
e nem todos tocam o trumpete e a harpa,
mas todos eles tocam um instrumento musical, e...
nenhum deles fala Ingl�s.
e ele me achou uma floresta, Wally
e os �nicos habitantes desta floresta
eram alguns porcos selvagens e um ermit�o
E a� eu tinha uma oferta que n�o podia recusar.
eu tive que ir
ent�o, eu fui para a Pol�nia
e eram um grupo maravilhoso de jovens homens e mulheres.
e.. a floresta que ele achara era simplesmente m�gica, voc� sabe...
era uma floresta enorme
as �voresera eram t�o grandes
que quatro ou cinco pessoas de m�os dadas
n�o podiam dar a volta na �rvore
ent�o n�s acampamos ao lado das ru�nas desse castelinho
e usamos essas pedras grande que serviram de mesa
e nosso planejamento era,
a gente geralmente come�ava a trabalhar ao por do sol
e ent�o, geralmente a gente trabalhava at� as 6-7 horas da manh�
os Poloneses adoram cantar e dan�ar,
a gente cantava e dan�ava at� as 10-11 da manh�, e a�...
a gente comia.
Era geralmente p�o, gel�ia, queijo e ch�
e a� a gente dormia.
De meio dia at� o p�r do sol.
� claro que tecnicamente,
a situa��o era muito interessante,
se voc� se v� em uma floresta com um grupo de 40 pessoas
que n�o fala a sua l�ngua
voc� fica sem dire��es
O qu� quer dizer com isso?
Bem, o que a gente fazia era simplesmente sentar l�...
e esperava algu�m ter algum impulso de fazer alguma coisa
e isso era...
era como uma improvisa��o teatral
se voc� � ... um diretor trabalhando em uma pe�a de Chekov..
voc� tem os atores sendo a m�e, os filho ou o tio
ou em uma sala e fazer uma cena
que j� est� numa pe�a, por exemplo,
voc� pode dizer a eles,
uma tarde chuvosa de domingo
e est�o todos juntos, presos em um quarto
e a�, todo mundo come�a a improvisar.
dizendo e fazendo o que o personagem diria e faria naquela circunst�ncia
exceto que neste tipo de improvisa��o
que eu fiz na Pol�nia,
o tema... � a pr�pria pessoa.
ent�o voc� segue a mesma lei do improviso
que � voc� fazer qualquer que seja seu impulso
o personagem lhe diz para fazer.
mas neste caso,
voc� � o personagem!
Ent�o n�o existe nenhuma situa��o imagin�ria para se esconder atr�s,
e n�o tem nenhuma outra pessoa para se esconder atr�s.
O que voc� est� fazendo de fato, � que voc� est� fazendo
as mesmas perguntas,
Stanislaviski disse que os atores deveriam constantemente
se perguntarem enquanto personagens...
Quem sou eu?
Porque estou aqui?
De onde eu venho?
e para onde estou indo?
Mas ao inv�s de aplic�-las a um papel...
voc� aplica em si mesmo.
Olhe de um modo diferente,
� como se voc� voltasse � inf�ncia
e um bando de crian�as entram em uma sala
ou s�o trazidas para uma sala sem brinquedos,
e come�am a brincar,
adultos estariam aprendendo como brincar de novo.
Ent�o voc�s...
todos se sentaram juntos em algum lugar e...
brincavam de alguma forma mas o que voc�s faziam?
Dou-lhe um bom exemplo,
veja ...
n�s trabalhamos juntos por uma semana
na cidade antes de irmos para a floresta
� claro que Grotovisky est� l� na cidade tamb�m
Eu soube que todas as noites ele
conduzia algo chamado "Colm�ia de Abelha"
Adoro este nome de Colm�ia de Abelha,
isso foi antes de ir para o campo...
eu o agarrei pelo colarinho e disse:
olha, sobre esta "Colm�ia de Abelhas" ,
eu gostaria de participar de uma s� ...
por instinto sentia que seria interessante
ele disse: claro, melhor ainda...
porque voc� com o seu grupo,
coordene a "Com�ia de Abelhas" em vez de participar?
fiquei muito ansioso ent�o eu disse
Como � a "Colm�ia de Abelha" ?
Ele disse, bem...
uma "Colm�ia de Abelha" �
�s 8:00 horas... 100 estranhos entram no quarto
e eu disse, e a�?
o que acontecer � uma Colm�ia de Abelhas
mas o que eu fa�o ent�o?
ele disse... Isso � por sua conta!
e eu disse, n�o n�o....
eu n�o quero fazer isso!
eu vou s� participar,
e ele disse, n�o , n�o,
voc� coordena a Colm�ia de Abelhas
eu fiquei petrificado, Wally, quer dizer,
de um modo eu me senti no palco....
mesmo assim eu fiz...
Como foi?
havia uma can��o,
eu a gravei, posso toc�-la para voc� algum dia
� incrivelmente linda!
uma das mulheres no nosso grupo
sabia alguns fragmentos dessa... can��o de S�o Francisco
e nessa can��o ela agradecia a Deus por seus olhos,
agradecia a Deus por seu cora��o, agradecia a Deus por seus amigos,
agradecia a Deus por sua vida
e ela se repetia, de novo!.. de novo e de novo!
E esta se tornou nossa can��o tema.
Eu tenho que toc�-la para voc� algum dia
porque voc� n�o pode acreditar
que um grupo de pessoas que...
n�o sabia como cantar
pudesse criar algo t�o lindo!
Ent�o decidi que quando chegassem para a Colm�ia
nosso grupo j� estaria l� cantando esta can��o linda
e a gente
cantaria v�rias vezes.
Uma das pessoas decidiu trazer seu enorme urso de pel�cia
eu deveria estar com medo deste evento,
e algu�m quiz trazer um len�ol
e outra quiz trazer um pote grande de �gua ,
caso algu�m ficasse com calor ou com sede,
algu�m sugeriu que tiv�ssemos velas
para que n�o ter luz artificial e sim luz de velas
me lembro observar as pessoas se preparando para esta noite,
� claro que n�o havia maquiagem ou fantasias
mas foi exatamente como as pessoas se preparam para uma apresenta��o,
as pessoas come�aram a tirar suas j�ias, seus rel�gios e as colocavam de lado,
mas tendo o cuidado de estarem bem guardados,
e ent�o, lentamente as pessoas chegavam,
do jeito que elas chegariam a um teatro,
sozinho, ou grupos de dois, ou dez, ou 15,
e n�s j� est�vamos sentados l� , cantando estas can��o linda, e
as pessoas come�aram a se sentar conosco
e come�aram a aprender a can��o,
� claro que...como em qualquer apresenta��o ou improviso
as coisas podem se tornar tediosas
ent�o, a certa altura,
ap�s 1 hora ou 1 hora e meia,
eu de repente, agarrei este urso de pel�cia e o joguei pro ar,
onde 130, 140 pessoas,
de repente explodiram, como se ...
fosse um quadro de Jackson Pollock,
seres humanos em ext�se
todo pr�ximos, cantando esta can��o..
e depois, havia dois c�rculos, dan�ando
um dan�ando no sentido hor�rio e outro no sentido contr�rio,
com este r�tmo, na maioria da cintura para baixo,
era como se fosse uma dan�a de �ndios americanos
com um r�tmo de batido, persistente.
se podia facilmente ver,
estamos falando sobre transe grupal, onde...
a linha divis�ria entre algo deste tipo
e algo como os estados grupais produzidos por Hitler,
� de um certo modo, uma linha muito estreita.
De qualquer maneira,
depois de mais ou menos uma hora,
esta dan�a selvagem hipn�tica,
Grotovsky e eu sentados um de frente pro outro , em lados opostos,
no meio dessa coisa toda,
arremessei o urso de pel�cia para ele e de volta pra mim
voc� poderia dizer que isso era infantil
colocava o ursinho sugando o meu peito
e jogava o urso para ele,
e ele o colocava para sugar o seu peito
e o urso era jogando para o ar de novo,
e havia uma nova explos�o e...
era muito parecido com...
era algo como .... um caleidoc�pio,
como um caleidosc�pio humano,
a noite se transformava
igual a um caleidosc�pio,
outra coisa que eu me lembro,
al�m de estar tentando coordenar essa coisa, que
sempre envolvia o movimento, r�tmo, repeti��o, ou can��o
era a cantoria, porque...
duas pessoas em meu grupo haviam trazido instrumentos musicais,
uma flauta e um tambor, que s�o instrumentos sagrados
havia divis�es de grupos
e... seis ou sete... fazendo coisas diferentes
e aconteciam ao mesmo tempo,
seis ou sete improvisa��es diferentes
onde todas pareciam , de alguma forma , relacionadas entre si.
como se fosse uma magn�fica teia de aranha
e a certa altura ...
eu perceb� que Grotowsky estava no centro de um grupo
dan�ava ao redor de um monte de velas que ele haviam ajuntado,
e como uma criancinha fascinada pelo fogo,
eu vi que ele tinha a sua m�o bem l� nas chamas,
e ele estava segurando ela l�!
e ao me aproximar deste grupo,
fiquei pensando se eu podia fazer tamb�m,
eu coloquei minha m�o esquerda na chama
e descobri que eu podia mat�-la l�,
pelo tempo que quizesse,
e eu n�o me queimava
e n�o do�a.
Quando tentei colocar minha m�o direita na chama
eu n�o podia deix�-la l� por um segundo, ent�o...
Grotowsky disse, se queimar...
tente mudar alguma coisinha em voc�,
e eu tentei fazer isso,
n�o funcinou
Houve tamb�m uma prociss�o muito bonita com um len�ol
e havia algu�m sendo carregado por baixo do len�ol
o len�ol era como um grande can�pio b�blico
e... o grupo todo ficava perambulando pela sala e cantando
em um certo momento, as pessoas estavam dan�ando,
eu estava dan�ando com uma garota
e de repente, nossas m�os come�aram a vibrar
uma de frente para a outra, desse jeito
vibrando, vibrando,
ca�mos de joelhos, eu solu�ando em seus bra�os
e ela me embalando em seus bra�os
e come�ou a chorar tamb�m
nos abra�amos por um instante,
e nos juntamos � dan�a, de novo
em um certo momento,
horas mais tarde,
voltamos a cantar a can��o de S�o Francisco,
e foi o fim da Colm�ia de Abelhas.
E de novo,
quando terminou,
foi igual ao teatro, ap�s uma apresenta��o
Todos come�aram a colocar seus brincos, rel�gios,
e sa�mos para a Esta��o de Trem
para beber e jantar.
havia uma garota, que n�o etava em nosso grupo
que simplesmente n�o ia embora,
ent�o n�s levamos ela junto
Nossa! O que mais voc� fizeram?
Me lembro, uma vez
quando est�vamos na cidade tentamos fazer
uma improvisa��o que costumava fazer em New York
todos eram para estar em um avi�o
escutam do piloto que tem algo errado com o motor,
mas... o que mudou na improvisa��o
foi que duas pessoas se apaixonaram!
e acabaram se casando.
E atrav�s do m�do...
de estarem neste avi�o...
eles se apaixonaram
pensando que eles iriam morrer a qualquer momento
E quando fomos para a floresta
esses dois... desapareceram...
eles entenderam a experi�ncia t�o bem que
se sa�ssem juntos pela floresta
era mais importante que qualquer outra experi�ncia
Ent�o... no meio da semana,
nos deparamos com uma clareira na floresta
e os dois dormindo nos bra�os um do outro,
era por volta do entardecer,
colocamos flores, para saberem que estivemos l� e...
os sa�mos.
e no �ltimo dia na floresta,
os dois apareceram e me cumprimentaram
e me agradeceram muito
pelo lindo trabalho que eles puderam fazer.
Eles entenderam tudo que era para ser!
Isso � claro nos p�e a pergunta
sobre o que era tudo aquilo.
tem que ter algo a ver com a vida
ent�o, no �ltimo dia,
na floresta,
o grupo inteiro me agradeceu
montaram um batismo para mim,
encheram o castelo com flores e
foi um espet�culo de luzes
porque eles arranjaram
centenas de velas e tochas
nenhuma igreja poderia parecer mais bonita
Houve uma cerim�nia simples e...
Uma foi minha Madrinha e outro meu Padrinho e
me deram um novo nome
ELes me chamaram Iendrich!
Algumas das pessoas,
ficaram completamente s�rias
e algumas acharam engra�ado, mas...
eu realmente me senti
que eu tinha um nome novo.
fizemos uma grande festa,
com amoras do campo,
e chocolate que algu�m comprou
ensopado de coelho e...
cantamos can��es Polacas, can��es Gregas e...
e todos dan�aram pelo resto da noite.
Quer ver um foto?
Aqui...
deixe-me ver...
sou eu na floresta...
-Puxa! -� como eu estava me sentindo
� o jeito que eu estava...
Puxa...
George me disse que te viu naquela �poca...
ele disse que voc� parecia ter voltado da guerra
lembro ter me encontrado com ele
me perguntou v�ria coisas
Acho que liguei pra voc� naquele ver�o?
Uhm...acho que estava fora da cidade.
a maioria das pessoas que encontrei achou que havia algo errado comigo
n�o diziam isso, mas podia sentir o que pensavam
mas...
mas a experi�ncia que tive...
foi que... pela primeira vez na minha vida
poder saber o que significa estar verdadeiramente vivo!
e isso �... muito amedrontador....
porque junto vem uma imediata consci�ncia da morte
porque isso anda de m�os dadas.
foi o que levou Walt Whitman,
em Leaves of Grass.
aquele sentimento de estar conectado a tudo?
e significa tamb�m estar conectado � morte.
e isso � bastante assustador!
Eu me sentia como se estivesse flutuando
e n�o simplesmente andando,
podia ir at� o sem�foro e observar suas luzes,
e pensar... que maravilha!
E certo dia
no in�cio do Outono,
estava caminhando no campo,
e de repente... ouvi uma voz!
dizendo: Pequeno Pr�ncipe.
O Pequeno Pr�ncipe era um livro infantil
que sempre achei muito est�pido...
bem...
uma voz aparece para mim num campo,
que eu nunca tinha ouvido,
Talvez devesse ler o livro
E naquela mesma manh�,
recebi uma carta de uma jovem que estava no grupo da Pol�nia
e escreveu que eu a tinha "dominada"
seu ingl�s era bem ruim...
ent�o ele usou um dicion�rio e riscou a palavra "dominada"
e disse que a palavra correta � "domada"
e quando eu fui � cidade
comprei o livro e comecei a l�-lo
e vi que "domar" era a palavra mais importante em todo o livro.
No final do livro, eu estava em l�grimas
eu estava t�o efetado pela hist�ria
fui tentar escrever uma resposta para ela
ela tinha escrito uma carta bem longa
eu n�o conseguia achar as palavras certas
ent�o peguei o minha m�o
coloquei-a sobre um peda�o de papel
e a contornei com uma caneta
e escrevi uma frase tipo...
Seu cora��o est� em minhas m�os
ou algo parecido,
fui � casa de meu irm�o, para nadar...
ele mora perto no campo e ele tem uma piscina,
ele n�o estava em casa,
fui � sua biblioteca
e ele comprou num leil�o, uma colet�nea de Minotauro
uma revista sulrealista
eram da d�cada 20 e 30.
me considero um pouco surealista
e nunca havia visto essa revista,
estavam encadernados... ano ap�s ano,
ent�o, ao acaso...
peguei um e abri
e havia uma p�gina s� com a letra "A"
de Alice no Pa�s das Maravilhas...
e pensei...
foi apenas um dia de coincid�ncias...
uma revista publicou "Alice"
ent�o... ao acaso, eu abri em uma outra p�gina,
e l�, haviam 4 impress�es de m�os
uma era de Andr� Breton, a outra era de Andr� Derrant,
a terceira era de Andr�... Andr� alguma coisa...
n�o era Monrose, parecia algu�m...
um outro surrealista
todos 'A's
e o quarto era Antoine de Saint-Exup�ry
quem escreveu 'O Pequeno Pr�ncipe'.
E eles mostravam estas impress�es para algum tipo de expert
sem dizer a quem pertenciam aquelas m�os
e debaixo da m�o de Exup�ry, estava escrito que ele era um artista
com olhos muito poderosos
que era um domador de animais selvagens
Achei isso incr�vel!
E eu olhei para tr�s,
para ver quando esta publica��o havia sa�do
ela havia sa�do para as bancas em 12 de maio de 1934
eu nasci, no dia 11 de maio de 1934
ent�o,
foi isso que me iniciou no Pequeno Pr�ncipe de Saint-Exupery
� claro que hoje...
hoje, eu acho que � uma coisa
bastante facista no Pequeno Pr�ncipe.
sabe?
eu acho que � um tipo de ...
de sentimentalismo nazista naquilo ali.
tem algo...
de amor...
misturado com m�sculos e �leo...
tem algo
n�o sei te dizer onde,
mas posso imaginar
um oficial nazista bonit�o
amando o Pequeno Pr�ncipe
n�o sei porque mas tem algo errado nisso,
isso fede!
George me disse que voc� ia fazer uma pe�a
baseada no 'Pequeno Pr�ncipe'?
o que aconteceu, Wally, naquele outono
eu estava em New York
e encontrei um monje Budista chamado Kosan,
parecia um personagem de
com um lindo e delicado sorriso
eu achava que ele era o Pequeno Pr�ncipe,
ent�o eu decidi
ir ao deserto de Sahara, para fazer "O Pequeno Pr�ncipe"
com dois atores e este Monje Japon�s
Voc� foi?
Eu ainda me encontrava
num estado muito estranho naquela �poca, Wally
olhava no retrovisor de meu carro
e via passarinhos voando de minha boca
eu me lembro...
de estar sempre esgotado, nequele per�odo,
sempre me sentia fraco,
n�o tinha id�ia o que estava acontecendo comigo,
sentava sozinho l� fora no campo por dias
com nada a fazer a n�o ser, escrever em meu di�rio
eu estava sempre pensando sobre a morte
Mas voc� foi para o Sahara
Sim, fomos para o deserto
andamos pelo deserto em camelos
andavamos e andavamos
e � noite a gente sa�a sob aquele c�u enorme
e olhava as estr�las,
e continuava a pensar nas mesmas coisas
nas mesmas coisas quando estava em casa,
Pensava sobre Chiquita,
n�o pensava em outra coisa ...
a n�o ser em meu casamento!
Lembro de uma noite bem escura
em um oasis palmeiras se movendo no vento,
podia ouvir Kosan cantando ao longe, com sua linda voz
tentando seguir a sua voz pela areia.
acreditava que ele tinha algo para me ensinar, Wally
E algumas vezes, eu meditava com ele
na maioria das vezes, eu meditava sozinho
sabe que eu via imagens de Chiquita
uma vez, eu a vi ficando velha,
seus cabelos ficando brancos, na minha frente,
e chorava e gritava at� n�o aguentar mais
l� nas dunas.
De qualquer maneira
o deserto foi bem horr�vel
era bem frio,
est�vamos procurando por algo,
dif�cil dizer se est�vamos encontrando
uma vez Kosan e eu ...
est�vamos sentados l� e come�amos a comer areia
n�o est�vamos tentando ser engra�ados
come�amos juntos � comer areia
e vomitamos... isso mostra nosso desespero.
N�o sab�amos porque est�vamos l�...
o que est�vamos procurando...
a coisa toda pareceia absurda e vazia,
como se fosse...
a �ltima chance ou algo parecido
o que aconteceu depois?
Bem...
naqueles dias eu agia completamente por impulso
por impulso, eu trouxe Kosan para ficar conosco em New York
depois de voltar do Sahara..
ele ficou por seis m�ses!
e tomou conta da fam�lia toda, de certo modo...
como assim?
Algo estava em falta na nossa fam�lia...
n�o havia um "pai", eu estava...
sempre querendo ir para o Tibete...
para fazer sei l� o que.
Ele ensinou a fam�lia toda como meditar
contou tudo sobre a �sia, e o Oriente e seus mosteiros...
Ele cativou todo mundo com um punhado de truques
se desenvolveu de uma maneira incr�vel!
ele podia se apoiar com seus dedos
e levantar acima da cadeira!
ele apenas fazia assim... empurrava os dedos
se firmava todo seu corpo
apenas com dois dedos!
Chiquita tinha uma dor no pesco�o
ele a deitou no ch�o e caminhou em suas costas
com inacredit�veis massagens
E as crian�as o achavam incr�vel
visitavamos amigos que tinham crian�as
e ele brincava com as crian�as de um jeito...
que para n�s era imposs�vel
elas riam, riam e riam...
das coisas que ele fazia em seu kimono
Ele era um acrobata, um ventr�loco, m�gico, etc...
e o mais interessante...
eu n�o acredito que ele tinha interesse nas crian�as
eu acho que ele nem gostava delas!
Quando ele estava em nossa casa
no in�cio as crian�as n�o saiam de cima dele
mas... duas semana depois
Chiquita e eu pod�amos estar fora
e Marina podia ter uma febre de 39 graus
que ele nem ia dizer ol� para ela
mas... ele estava assumindo...
mais e mais...
e seus pr�prios h�bitos mudarama por completo
come�ou a usar elegantes sapatos Gucci
com seu robe branco de monje
comia uma quantidade enorme de comida
comia o dobro o que o Nicolas comia
esse Buda franzino... quando o conheci
comia uma pequena tigela de leite,
leite quente com arroz, e agora ele comia ENORMES bifes
era muito estranho!
tentei seguir seus exerc�cios...
mas a �nica coisa que faz�amos
era tentar ficar em posi��es muito dolorosas
que eles fazem nos mosteiros.
nada muito proveitoso
De qualquer forma,
fomos � missa de Natal juntos
ele vestido com todo o aparato Budista,
em uma igreja cat�lica em Long Island,
o Padre falava de comunismo e controle de natalidade
e enquanto eu estava sentado l� na missa, eu fiquei pensando
o que est� acontecendo?
aqui estou eu, um homem crescido...
com um estranho em casa
Estou sem trabalhar...
nada al�m de rabiscar poesias em meu di�rio
n�o quero mais lecionar... e n�o sei o que quero fazer...
e de repente...
uma enorme criatura apareceu
olhando para a congrega��o
com 2 metros de altura
ou algo assim
era meio touro, meio homem
sua pele era azul
violetas saindo de suas p�lpebras
bichinhos saindo das unhas do p�
e ficou ali parado, durante a missa inteira
Eu n�o podia fazer aquela criatura desaparecer
pensei: � uma ilus�o por causa do t�dio
Eu n�o podia fazer aquela criatura ir embora
n�o falei para ningu�m porque iriam
me achar um lun�tico
mas.. eu senti... que essa criatura veio..
de alguma maneira para me confortar
de alguma maneira, ele estava aparecendo para dizer,
Bem, voc� pode estar se sentindo para baixo
voc� pode n�o conseguir criar uma pe�a agora, mas
veja o que veio at� voc�, na noite de Natal
segura a onda, velho amigo
pode parecer esquisito para voc�, mas
mas nessa viagens esquisitas
criaturas esquisitas aparecem
� parte da viagem!
Voc� est� bem!
aguenta firme!
A prop�sito voc� viu aquela pe�a ah...As Violetas s�o Azuis
N�o
Quando voc� mencionou as violetas
eu me lembrei disso
� sobre....pessoas sendo estranguladas em um submarino
ent�o esse foi... o seu Natal!
e o que aconteceu depois disso?
Voc� realmente quer mesmo saber?
sim!
Bem,
Naquela �poca
comecei a pensar em ir para a �ndia
e Kosan repentinamente partiu um dia,
e comecei a ter ideias muito estranhas,
por exemplo,
eu tive uma ideia que... era muito tentadora...
foi assim ...
eu teria uma bandeira, uma bandeira grande
onde estivesse, essa bandeira tremularia
se estiv�ssemos fora, digamos, com um grupo,
a bandeira seria a coisa que pod�amos deitar � noite
de alguma forma, entre trabalhar nesta bandeira e deitar nesta bandeira
e ela tremulando...
que esta bandeira...
pegaria as vibra��es de uma maneira...
que ainda estaria na bandeira , quando a trouxesse para casa
fui fazer essa bandeira com um sujeito que ouvi falar...
parecia algu�m correto, gentil...
com uma boa apar�ncia, loiro, alto, bonito...
tinha um studio no Village, com lindas bandeiras
falei do Pequeno Pr�ncipe, e suas aventuras...
o quanto eu precisava da bandeira, e como deveria ser,
ele parecia bastante conectado com tudo isso
duas semanas depois eu voltei
ele me mostrou uma bandeira
eu achei... muito estranha!
sabe, eu...
eu esperava algo meigo e l�rico,
mas ela tinha algo de t�o poderoso
que era quase imponente!
e ela ainda tinha a sw�stica Tibetana
ele p�s a sw�stica na sua bandeira?
Era uma sw�stica Tibetana, n�o a sw�stica Nazista
� um dos mais antigos s�mbolos Tibetanos
era muito estranho..
mas, eu a trouxe para casa, por que...
minha ideia com esta bandeira era que ...
antes de partir para a �ndia
queria que v�rias pessoas... chegadas a mim,
dormissem com essa bandeira... por uma noite
e pela manh�, costurariam algo na bandeira...
levei-a para Mariana e disse: - O que voc� acha?
ela disse: -� horr�vel!
-mas � uma bandeira! -e ela disse, eu n�o gosto!
pensei que voc� podia passar a noite com ela
e ela realmente, achava a bandeira horr�vel,
ai ent�o,
Chiquita deu uma festa para mim
antes de eu partir para a �ndia
a festa estava cheia de convidados e...
e a certa altura Chiquita disse:
a bandeira, onde est� a bandeira?
eu disse: ah! A bandeira
fui buscar a bandeira e quando a abro...
Chiquita fica hist�rica, sai correnda da sala e vomita.
a� a festa simplesmente termina a�
E no dia seguinte, eu a dei para esta jovem
que esteve em meu grupo na Pol�nia
e que estava em New York
n�o lhe disse nada sobre o que aconteceu
�s 5 horas da manh� ela me liga e diz
tenho que v�-lo imediatamente!
Oh Deus!...
ela veio e disse: -eu vi coisas...
vi coisas em volta dessa bandeira
sei que voc� � teimoso, e quer levar isso com voc�...
mas se que meu conselho
Cave um buraco, queime-a e cubra com terra.
porque o diabo est� nela!
n�o levei a bandeira comigo.
eu a dei para ela,
ela fez uma cerim�nia seis meses depois
na Fran�a... com alguns amigos
onde eles a queimaram!
isso � ... realmente, impressionante!
E voc� foi para a �ndia?
Eu fui para a �ndia na primavera,
e voltei me sentindo pior que antes
eu estive na �ndia e me senti como um turista
e encontrei nada!
eu estava passando o ver�o em Long Island com minha fam�lia,
e soube dessa comunidade
na Esc�cia, chamada Findhorn
onde as pessoas cantam, e conversam e meditam com as plantas
e foi fundada por v�rios Ingleses e Escoceses exc�ntricos de classe m�dia
alguns deles s�o intelectuais e alguns n�o s�o.
E eu soube que eles cultivam coisas em solos
onde supostamente nada cresceria
� quase que solo de praia
e eles cultivaram os maiores couves-flores do mundo
e repolhos,
eles plantaram �rvores que n�o podem crescer nas Ilhas Brit�nicas.
A� eu fui para l�!
� um lugar fascinante, Wally,
se h� insetos incomodando as plantas,
eles conversavam com os insetos
entravam num acordo,
onde eles colocam alguns vegetais, somente para os insetos,
e os insetos deixavam o resto em paz
Coisas desse tipo!
Tudo era feito de uma maneira especial
os pr�dios... brilhavam!
as geladeiras, fog�es, carros, todos tinha nomes
Voc� n�o trataria Helena, a Geladeira
com menos respeito do que Margareth , sua esposa,
Helena � t�o limpa quanto Margareth
e tratada com o mesmo respeito
Enquanto eu estava l�, Wally
lembro de estar na floresta
e olhava para uma folha,
e eu realmente vi aquilo...
que estava vivo naquela folha
lembro de correr pela floresta o mais r�pido que podia
com risadas saindo de mim
e estando daquele jeito
onde o riso e l�grimas parecem se fundir
Aquilo abriu algo dentro de mim..
quando eu sa� de Findhorn, tinha alucina��es...
eu via nuvens, criaturas,
as pessoas no avi�o tinham
cara de animais... eu viajava
era como estar em uma pe�a de William Blake!
Tudo estavam explodindo!
Ent�o, eu fui para Belgrado...
queria conversar com Grotowsky
n�s dois nos reunimos � meia noite em meu hotel e,
tomamos caf� instant�neo na tampa de meu creme de barbear
e n�s conversamos de meia noite at� 11:00 da manh� seguinte
O que ele falou?
Nada, Eu falei... ele n�o disse uma palavra
e a�, eu acho que...
a �ltima grande experi�ncia desse tipo...
aconteceu no outono,
eu estava em Montock, Long Island,
e haviam nove pessoas, a maioria homens,
na propriedade de Dick Ebdand, nos arredores de Montock
E o campo nesta parte � absolutamente selvagem
o que quer�amos fazer era...
pegar o Dia dos Finados, Halloween
e usar como um ponto de partida para alguma coisa
cada um de n�s preparou algum tipo de evento para os outros...
no esp�rito do Dia dos Finados
Mas o evento maior era...tr�s pessoas desapareciam no meio da noite
a cada noite e... sab�amos que estavam preparando algo grande
n�o sab�amos o que...
� meia noite, Dia dos Finados sob a lua nova, acima dos penhascos
nos disseram que ser�amos levado � algum lugar
e n�s fomos....e esperamos, estava muito frio
e ai tr�s deles,
Helen , Bill e Fred apareceram branco....
vestidos com len��is assustador, n�o era engra�ado...
nos levaram para o por�o
em uma casa que tinha sido incendiada...
e nesse por�o, eles arranjaram uma mesa com bancos,
e nesta mesa havia pap�is, l�pis, vinho e copos
e nos pediram para se sentar � mesa
e elaborar nosso �ltimo testamento
quais seriam nossas �ltimas palavras para o mundo
ou para os mais �ntimos
E isso � uma tarefa... muito dif�cil!
Eu devo ter ficado l� um hora e meia talvez duas
e um de cada vez era escolhido para ir com eles
eu fui um dos �ltimos
e eles vieram me colocaram umas vendas
dois deles me levaram pelos campos
e eles acharam um tipo de abrigo
era uma pequena pe�a que se guardava ferramentas,
e me levaram escadas abaixo,
para este por�o,
e o quarto estava todo iluminado com luz branca
e me disseram para me despir,
e entregar todos os meus pertences
me colocaram sobre um mesa me limparam com esponjas
eu comecei a ter vis�es de....
campos de concentra��o, pol�cia secreta
n�o sei o que aconteceu com os outros, mas eu comecei a chorar...
ent�o eles me colocaram de p� e tiraram fotos minhas ... pelado.
e ainda pelado e vendado, corremos pela floresta
e chegamos nessa tenda feita de len�ois
com len��is no ch�o e todos aqueles corpos nus
abra�ados por causa do frio
Ficamos al� por mais ou menos uma hora
e de novo, um de cada vez,
fomos levados para fora... vendados...
senti sendo carregado em uma maca de lona...
e fomos levado por um longo caminho
bem devagar, pela floresta
ent�o... me senti sendo colocado em um buraco
eles haviam cavado seis covas com 2,40 m de profundidade
e senti umas madeiras sendo colocados sobre mim
� dif�cil descrever o horror que senti, wally
e a maca foi colocada na cova,
e essa madeira foi colocada sobre mim
meus pertences foram colocados em minhas m�os
e esticaram um len�ol ou lona acima de minha cabe�a
e jogaram terra dentro da cova
eu realmente tive a sensa��o ... de ser enterrado vivo
e depois de estar na cova por meia hora
na verdade, n�o sei quanto tempo fiquei l�
a� ent�o eu fui ressuscitado, retirado da cova
as vendas retiradas
corremos pelo campo, e havia um grande c�rculo de fogo
com vinho quente e m�sica...
e todos dan�amos at� o amanhecer.
e a�, ao amanhecer com o resto de nossa for�as
enchemos as covas e voltamos para New York
Esse foi o �ltimo grande evento...
esse foi... 'o fim'!
Comecei a perceber, que n�o queria mais fazer essas coisas
me sentia "acalmado" como um cap�tulo de Moby Dick...
onde o barco fica sem vento nas velas
Ent�o, no �ltimo inverno, sem pensar muito,
fui ver um agente que conhe�o, para dirigir pe�as de novo
ele pareceu um pouco surpreso,
que "Rip Van Winkle" ainda estava vivo!
Puxa... eu n�o sabia que era t�o pequeno!
E francamente... comecei a sentir repulsa pela hist�ria toda,
O que?
Quem eu pensava que era?
Parece uma est�ria de uma princesa mimada!
Quem eu pensava que era... O X� do Ir�?
Pessoas como eu ... �s vezes se parecem como Albert Spear!
o arquiteto de Hitler, Albert Spear
Tenho pensado sobre isso, por que... eu acho que sou Spear,
Eu tenho que ser pego e julgado como ele foi!
O que est� falando?
ele foi... um homem muito culto, um arquiteto, um artista
e achava que as leis da vida, n�o se aplicavam � ele tamb�m!
eu realmente acho... que tudo que fiz,
� horr�vel! Tudo horr�vel!
mas... por qu�?
Eu vi muitas mortes nesses �ltimos anos, Wally
e uma coisa � certa sobre a morte... � que voc� morre sozinho
para mim � uma certeza, isso eu vi!
as pessoas ao redor de sua cama n�o significa nada
suas lembran�as, n�o significam nada
o que quer que seja, voc� passa sozinho
E que tipo de pessoa serei eu quando chegar minha hora?
Tenho minhas d�vidas quem serei, pelo jeito que vivi ultimamente
Por que voc� se sente assim?
Passei por maus momentos nos �ltimos meses, Wally
Tr�s pessoas em minha fam�lia foram hospitalizadas, ao mesmo tempo.
e minha m�e morreu,
e Marina teve problemas de coluna, que nos deixou muito preocupados...
estou muito abalado... n�o consigo dormir...
meus nervos est�o em peda�os... tudo me afeta
na semana passada, recebi um colega de teatro para jantar...
eu o conhe�o por muito tempo, algu�m que eu gosto muito...
observando ele vi como era um pomposo, defensivo, conservador
s� interessado no teatro
falando de sua m�e que havia sido uma famosa comediante
falou v�rias vezes durante o jantar: "me lembro de minha m�e"
e contando hist�ria e mais hist�rias sobre sua m�e...
j� tinha escutado essas hist�rias 20 vezes, no passado
bebeu garrafa inteira de Bourbon,
sua risada era t�o horr�vel... eu podia ouvir sua risada...
uma dor naquela risada, um vazio...
a agonia que sentia em ser filho daquela mulher
pedi gentilmente que ele fosse embora ...
disse que tinha que me levantar cedo
porque foi horr�vel
era como se ele tivesse morrido naquela sala
fui para o banheiro e chorei, senti que perdi um amigo
depois que ele foi, liguei a tv, tinha um sujeito
que ganhou algo em algum esporte
tinha um cheque enorme, garrafa de champagne
tentava enfiar o cheque na garrafa
colocou a garrafa fingindo que fosse seu rosto
n�o estava nem escutando quem o estava entrevistando
apenas sorria para seus amigos...
olhando para ele pensei:
Que sujeito horr�vel, vazio e manipulador!
Ent�o pensei: aquele cara sou eu!
na noite passada, celebrando 20 anos de bodas
levei Chiquita para assistir o show sobre Billie Holiday,
e vendo as pessoas da plat�ia, que nada sabem sobre Billie Holiday
pessoas que nada s�o... al�m de vermes intelectuais!
e tive essa sensa��o... estando chorando durante o show
tive esse sentimento... eu era t�o verme quanto eles!
minha vida toda foi uma farsa
e nem tive a coragem de ser Billie Holiday!
Me sinto vazio, apagado...
simplesmente... desperdicei a minha vida!
Mas Andr�... como pode dizer coisas assim?
eu posso estar em um estado muito emocional, Wally
mas desde que voltei de minhas viagens...
vejo o mundo em que vivemos, cada vez mais irritante!
semana passada fui ao teatro p�blico � tarde e...
cumprimentei todos... porque conhe�o todo mundo
sempre muito amig�veis
e v�rias comentaram como eu estava "maravilhoso"...
e apenas uma pessoa... uma mulher que trabalha no escrit�rio, disse:
Nossa! Voc� est� horr�vel! Alguma coisa errada?
E com ela eu conversei... contei algumas coisas
e ela caiu em l�grimas, porque sua tia de 80 anos
e quem ela gostava muito, foi fazer uma cirurgia de catarata...
a cirurgia foi bem, mas a enfermeira foi descuidada
e n�o subiu as grades da cama, a tia caiu e ficou aleijada...
e conversamos sobre hospitais
e esta mulher, pelo fato de ser quem ela �,
porque isso aconteceu com ela muito recentemente
ela me viu com clareza, sem saber o que eu estava passando
j� os outros, o que viram foi... o bronzeado, a camisa
ou o bronzeado combinar com a camisa
e diziam, 'Voc� est� maravilhoso!'
s� que eles est�o vivendo em um sonho, irreal e louco!
eles n�o enxergam!
Isso � muito estranho para mim!
Eles simplesmente... n�o viam nada,
a n�o ser aquilo... que eles queriam ver
� igual ao que aconteceu... um pouco antes de minha m�e falecer
n�s chegamos ao hospital para ver a minha m�e,
queria muito v�-la!
e ela parecia t�o mal quanto... algu�m que saiu de um campo nazista
E eu estava no Hall, confortando meu pai...
quando um m�dico,
que era um especialista do problema que ela teve em seu bra�o,
entrou no quarto dela e saiu de l� todo sorridente,
e disse, "cara, temos motivos para nos sentirmos �timos",
�N�o � maravilhoso como ela est� melhorando?"
Tudo que ele viu... foi o bra�o dela, isso foi tudo que ele viu.
Essa � outra pessoa... que s� existe em um sonho!
E al�m do mais, era um tipo de a�ougueiro
que cometia um tipo de assassinato,
porque quando ele sai daquele quarto,
ele psiquicamente nos mata, nos puxando para seu mundo de sonhos
onde nos tornamos... confusos e amedrontados
Porque um minuto antes, vimos algu�m que j� parecia morta...
e agora vem um "especialista" dizendo que ela est� maravilhosa
ele estava literalmente levando meu pai � loucura
Ali estava um marido de 82 anos, que estava muito abalado
porque se voc� entra e v� algu�m morrendo e n�o quer que ela morra...
e um m�dico sai de l� 5 minutos depois e fala como ela est� maravilhosa...
voc� pode ficar louco!
entendo o que est� dizendo
O m�dico... n�o viu a minha m�e.
as pessoas l� no teatro... n�o me viram,
parece que estamos em algum tipo de nevoeiro!
acho que estamos em um transe!
andando como zumbis...
insconscientes de n�s mesmos e das coisas ao nosso redor!
Passamos o dia todo como m�quinas insconscientes
com todas esses descontentamentos, preocupa��es e raivas...
crescendo e crescendo dentro de todos n�s!
Verdade! E s� aumenta!
e depois � externada de uma... maneira inesperada!
Eu me lembro de quando eu ...
atuei na pe�a baseada no "O Mestre e a Margarida"
e eu estava representando a parte do gato
e houve atraso em fazer a fantasia do gato
e n�o entregaram para mim at� a noite da apresenta��o,
principalmente a cabe�a, a qual eu n�o pude experimentar
e uns quatro de meus colegas atores
vieram at� a mim e me disseram certas coisas...
que me pareceram apenas... em tentar me destruir!
um deles disse:
"Oh! Aquela cabe�a ir� mudar completamente a sua "audi��o" na apresenta��o
voc� pode escutar tudo "completamente" diferente...
e isso pode ser muito "perturbador" e...
certa vez tive que usar um tapa ouvido em uma pe�a...
e eu n�o podia ouvir nada que diziam!
e ent�o outro disse:
"Oh! Sempre que eu uso uma cabe�a no palco...
eu normalmente desmaio!".
Aquelas observa��es eram cheias de hostilidade!
Porque, de acordo com �quelas pessoas...
durante a apresenta��o, eu n�o ia ouvir nada e iria desmaiar!
Mas a hostilidade era fora de contexto,
porque aquelas pessoas gostavam de mim!
e aquela hostilidade era alguma rea��o ...
de algum sentimento de uma experi�ncia anterior!
Porque, da maneira que convivemos socialmente...
s� somos permitidos a expressar nossos sentimentos
de uma maneria falsa e dissimulada.
Se voc� for franco assusta todo mundo
E voc� expressou seus sentimentos sobre o que eles disseram � voc�?
N�o! Eu nem sabia o que sentia, eu pensei nisso mais tarde.
Mas geralmente, mesmo em situa��es como aquela
onde eu percebesse o que estava sentindo,
e se ficasse muito aborrecido... provavelmente iria dizer:
Ah �? Isso � muito interessante e...
eu provavelmente vou desmaiar do jeito que voc� desmaiou.
Eu fa�o exatamente a mesma coisa!
n�o podemos ser diretos e falamos coisas estranhas
Lembro uma noite... duas semanas ap�s a morte de minha m�e...
e me sentia arrasado...
fui jantar com tr�s amigos bem �ntimos
dois conheciam bem minha m�e... e todos me conhecem h� anos...
e voc� acredita... que passamos a noite inteira... sem ter uma chance de mencionar...
n�o que eu quisesse ficar lamentando, falando da dor que estava sentindo,
mas o fato de ningu�m ter dito:
Puxa, que chato sobre a sua m�e...ou Como est� se sentindo?
Mas foi como se nada tivesse acontecido! Todos fazendo piadas e gargalhando...
eu estava ficando enlouquecido...
e um deles mencionou algu�m... o qual eu n�o gosto muito...
e grosseiramente comentei que ele tinha sido encontrado em tal rio...
que tinha perdido o p�nis por causa da gonorr�ia...
e falei outras coisas insanas
mais tarde, ao chegar em casa, percebi como estava desesperado
em agir fora do padr�o!
Se essa situa��o ocorresse em um lar tibetano...
iria parecer loucura, eles n�o iriam compreeder
teria sido muito estranho, Wally
se quatro Tibetanos se reunissem
e uma trag�dia tivesse acabado de atingir um deles
e passassem a noite toda ha!ha!ha! Ho!Ho Hi!!Hi! ...
eles achariam isso um comportamento totalmente anormal!
Para n�s... � um comportamento normal!
nas tribos africanas ser�amos espetados pelas lan�as
porque isso os levariam � loucura!
Eles nos veriam como... animais perigosos ou algo parecido
porque � absolutamente... um comportamento anormal!
- Est� tudo certo, cavalheiros? -Sim, �timo.
mas aquilo � perfeitamente normal para n�s
N�s temos jantares... e festas desse jeito, o tempo todo!
Essas reuni�es s�o como... sonhos doentios!
as pessoas se comunicam em c�digos,
se movendo em uma n�voa de simbolos e sentimentos insconscientes...
Ningu�m diz o que realmente est� pensando
A� come�am a fazer essas piadas...
o que s�o realmente... algum tipo de c�digo secreto
Isso! O que frequentemente acontece nesses encontros
s�o conversas com algum tipo de fantasias malucas
onde todos conversam ao mesmo tempo, dizendo coisas como:
Ei! N�o serei legal se Frank Sinatra e a Sra. Nixon
e bl�.. bl�..bl� ... se eles fizessem isso, etc.
sempre imaginado pessoas famosas, com id�ias grotescas
As pessoas falam de coisas horr�veis como...
a morte daquela garota no carro com Ted Kenedy
e depois caem na risada!
� realmente.. espantoso!
� um �nico jeito que nos expressamos
por meio de piadas completamente insanas!
Por isso que nunca entendi o que est� acontecendo em uma festa
estou sempre completamente confuso!
Debbie, ap�s uma dessas... 'reuni�es nova-iorquinas' disse:
que sentiu ter viajado... uma dist�ncia muito maior...
da periferia de Chicago at� essas reuni�es de Nova York
do que sua av�, das plan�cies da R�ssia at� a periferia de Chicago!
Acho isso certo!
Talvez seja por isso que
uma das raz�es de n�o sabermos o que est� acontecendo
� que quando estamos l� na festa,
estamos muito ocupados representando!
Essa � uma das raz�es que Grotowsky desistiu do teatro
Ele simplesmente sentiu...
que as pessoas em suas vidas
estavam representando t�o bem que ...
a representa��o no teatro ficou sup�rflua
E de certo modo, obsceno!
N�o � incr�vel a frequencia que... um medico se comporta
para estar de acordo com a imagem que n�s temos deles?
Um terrorista na televis�o... se parece um terrorista!
vivemos em um mundo onde... pais, pessoas solteiras ou... artistas
tentam manter uma fantasia que algu�m tem dela
ou como um pai, um solteiro ou um artista deveria parecer e se comportar
todos agem como se soubessem como se comportar a cada instante
e todos parecem totalmente autoconfiantes,
mas intimamente todos se sentem muito confusos,
Eles n�o sabem O QUE deviam estar fazendo com suas vidas
Lendo esses livro de "autoajuda"
E esse livros s�o t�o chamativos porque nos mostram
o qu�o curiosos estamos para saber como os outros
est�o conseguindo sobreviver!
Ao representar esses pap�is o tempo todo,
estamos s� escondendo a realidade de n�s mesmos e todo mundo
n�s vivemos em total ignor�ncia uns dos outros,
que n�o sabemos o que est� acontecendo...
com o nosso amigos mais �ntimos!
Suponha que voc� est� passando por algum tipo de inferno em sua vida,
voc� gostaria de saber se seus amigos passaram pela mesmas coisas
A gente n�o se atreve a perguntar uns aos outro
porque seria pedir a seu amigo... parar de representar
n�o h� nenhum valor em tentar buscar a realidade... pelo contr�rio
toda essa �nfase que � dado nisso que chamam "profiss�o"
Isto faz perceber a realidade... como uma prioridade muito baixa
Porque... se sua vida est� organizada em busca de ter "sucesso" profissional
ent�o n�o importa o que voc� percebe ou experimenta
voc� pode realmente ignorar tudo por anos a frente,
� como ligar o "piloto autom�tico"!
Como o m�dico de sua m�e estava em seu "piloto autom�tico"
quando entrou e olhou para o bra�o
e falhou em perceber qualquer outra coisa!
Nossas mentes est�o simplesmente focadas nesses objetivos e planos.
-Que n�o � a realidade! -N�o!
Objetivos e planos... s�o fantasias!
S�o parte de um "sonhar acordado"!
Tudo isso parece... t�o rid�culo
que todo mundo tem que ter, esse pequeno... objetivo na vida
� absurdo... quando voc� percebe... que n�o importa qual seja o objetivo
E porque a concentra��o das pessoas est� naquele objetivo
eles vivem suas vidas a cada momento por h�bito
� como aquele, que conta sempre a mesma est�ria
a vida se torna um "h�bito"! E � assim hoje em dia!
Nada de diferente acontece hoje em dia...
como quando Marlon Brando enviou uma �ndia para aceitar o Oscar
ficaram todos espantados!
As coisas raramente piram, hoje em dia
E se voc� age por h�bito... voc� n�o est� realmente vivendo
Sabe que em S�nscrito, a raiz do verbo Ser � o mesmo que Crescer ou Fazer crescer
Voc� conhece Roc?
Roc era um homem magn�fico,
Foi um dos fundadores de Findhorn
ele foi um grande matem�tico da Esc�cia
um dos grandes matem�ticos do s�culo,
ele se orgulhava de n�o ter nenhuma fantasia ou sonhos na vida
nenhuma vida imagin�ria
nada que ficasse entre ele e a percep��o direta da matem�tica.
e um dia quando tinha cinquenta e poucos anos
ele estava sentado nos jardins de Edinburgh e viu um fauno
o fauno ficou muito surpreso,
porque o fauno pode ver as pessoas... mas poucas pessoas podiam v�-los
Conhece? criaturinhas imagin�rias?
N�o � um veado
Se chamam faunos, sabia?
pensei fauno era um filhote de veado!
Tamb�m s�o chamados de faunos
esses eram ...
-Ah sim, eu sei , aqueles...
ele conheceu o fauno e depois conheceu outros faunos,
e tiveram v�rias conversas s�rias
e mais faunos sa�am toda tarde para conhec�-lo
e conversava com eles...
a� um dia, depois de se conhecerem bem...
eles perguntaram se ele n�o gostaria de conhecer Pan
porque Pan gostaria de v�-lo, mas estava com receio de assust�-lo
ele sabia do equ�voco Crist�o...
que pinta Pan como uma criatura demon�aca, que ele n�o �!
E Roc concordou e.... ele se encontrou com Pan
E Pan indiretamente o enviou em uma viagem,
onde ele encontrou as pessoas que come�aram Finhorn!
Rock costumava praticar certos exerc�cios, como...
por exemplo, se voc� fosse destro...
voc� faria tudo no dia como se fosse canhoto
o dia todo... comer, escrever, abrir portas, etc.
para quebrar os h�bitos da vida!
Porque o grande perigo que ele pressentia para ele
era que ca�sse em um transe, por for�a do h�bito!
ele inventou uma s�rie de exerc�cios simples
simplesmente para mant�-lo... vendo, sentindo, lembrando
porque ele tinha que aprender, antes isso n�o era necess�rio,
mas agora temos que aprender como...
Voc� realmente est� com fome ou, est� apenas se empaturrando?
Porque � isso que fazemos! Por for�a do h�bito!
Voc� pode dar-se o luxo de fazer, ent�o voc� faz!
Estando com fome ou n�o.
Se voc� for ao Centro de Medita��o Budista
Eles fazem voc� saborear cada bocada em sua comida
ent�o leva duas horas, � terr�vel... comer seu almo�o!
Mas voc� est� consciente do sabor de sua comida.
Se voc� s� come por for�a do h�bito, voc� n�o saboreia a sua comida
E voc� n�o est� consciente da realidade que est� acontecendo
e entra no mundo de sonho de novo.
Voc� n�o acha que talvez... vivemos nesse mundo de sonho...
porque fazemos tantas coisas todos os dias que...
nos afeta de uma forma, que n�o percebemos as coisas?
Eu estava pensando... no �ltimo natal,
Debbie e eu ganhamos um cobertor el�trico
e posso lhe dizer que ...isso �... um avan�o... t�o maravilhoso
para o nosso modo de vida
� simplesmente �timo!
Mas...� bem diferente de n�o ter um cobertor el�trico
e eu algumas vezes fico pensando... o que isso est� fazendo comigo?
eu meio que sinto... que n�o estou dormindo como antes!
N�o, voc� n�o poderia dormir...
meus sonhos est�o meio que diferentes,
e me sinto um pouco diferente quando me levanto pela manh�.
Eu n�o colocaria um cobertor el�trico a troco de nada,
primeiro, eu ficaria preocupado em ser eletrocutado,
eu n�o confio em tecnologia.
Mas eu acho que a coisa principal, Wally, � que...
� que este tipo de conforto, te separa da realidade
de uma forma bem direta
Quer dizer...
Quer dizer...se voc� n�o tiver aquele cobertor el�trico
e seu apartamento est� frio, voc� precisar� de outro cobertor
ou ir ao arm�rio e empilhar os casacos encima do cobertor que voc� tem,
a� voc� sabe que est� frio... e desencadeia v�rias rea��es...
Voc� tem compaix�o por outros... a pessoa ao seu lado sente frio?
H� outras pessoas l� fora com frio? Mas que noite fria!!
Eu gosto do frio, por Deus! E nunca tinha percebido
eu n�o quero um cobertor, � divertido sentir frio!
posso me aconchegar mais em voc�, porque est� frio
Todo tipo de coisas ocorrem a voc�!
Ligar aquele cobertor el�trico, � como tomar um tranquilizante
� como ser lobotomizado assistindo televis�o
Eu acho que voc� entrou no mundo de sonhos , de novo!
O que isso faz com a gente, Wally, viver em um ambiente...
onde algo t�o grande... como esta��es de inverno ou o frio
n�o no afetam de forma alguma! N�s somos animais, afinal das contas!
O que isso significa?
eu acho que isso significa que
ao inv�s de estarmos vivendo sob o sol, a lua, o c�u e as estrelas
estamos vivendo em um mundo de fantasia
constru�do por n�s.
Mas eu nunca iria abrir m�o de meu cobertor el�trico, Andr�,
porque New York � frio no inverno, nosso apartamento � frio,
� um ambiente muito frio, nossa vida j� � dura do jeito que �,
n�o estou procurando maneiras de me livrar das poucas coisas
que nos proporcionem al�vio e conforto, pelo contr�rio,
estou procurando por mais conforto, o mundo � muito �spero.
eu estou tentando me proteger,
porque existe esses choques abrasivors
pra todo lado que voc� olha
Mas Wally, voc� n�o...voc� n�o percebe que conforto pode ser perigoso
Voc� gosta de estar confort�vel e eu tamb�m gosto
Conforto pode coloc�-lo em uma tranquilidade perigosa
Minha m�e conhecia uma mulher, Lady Hathfield
uma das mulheres mais ricas do mundo
e ela morreu de fome, porque ela s� comia frango
ela s� gostava de frango, Wally, e isso era tudo que ela comia,
seu corpo estava faminto, mas ela n�o sabia
porque ela estava feliz comendo seu frango!
Ent�o, ela finalmente morreu!
eu sinceramente acredito,
que todos somos iguais a Lady Hathfield,
estamos agradavelmente satisfeitos
com nossos cobertores el�tricos e nossos frangos
e enquanto isso, estamos desnutridos,
porque estamos t�o aparte da realidade,
que n�o estamos recebendo nenhuma sust�ncia.
Porque n�s n�o vemos o mundo! N�s n�o nos vemos!
n�o vemos como nossas a��es afetam outras pessoas.
Voc� leu o livro de Matin Buber sobre Hasidismo
-N�o - Ali est� uma vis�o de vida
Ele fala sobre as cren�as dos Judeus Hass�dicos
que h� esp�ritos ligados a tudo, esp�ritos ligados a voc�, a mim,
h� esp�ritos ligados a esta mesa
e a ora��o � a a��o de liberar esses esp�ritos embri�es,
e toda a��o nossa na vida, seja...
negociando, fazendo amor,
jantando juntos, o que for... toda a��o nossa
deveria ser uma ora��o, um sacramento no mundo!
Voc� acha que vivemos assim?
Porque voc� acha que n�o vivemos assim?
Eu acho que � porque, se nos permitirmos ver o que fazemos todos os dias
poderemos achar tudo muito nauseante
Olha o modo em que tratamos as outras pessoas!
todos os dias... v�rias vezes, eu entro no meu pr�dio
o porteiro me chama de... Sr. Gregory, eu o chamo de Jimmy!
E qual � a diferen�a entre isso e as planta��es Sulistas que tinham escravos
Eu acho que um assassinato � cometido naquele momento
quando eu entro naquele pr�dio.
Ali tem um homem digno, inteligente, um homem de minha idade,
e quando eu o chamo de Jimmy, ele se torna uma crian�a,
e eu sou o adulto... porque tenho direito de entrar naquele pr�dio
Certo. � mesmo!
Meu Deus!
Quando eu era professor de Latim,
as pessoas costumavam me tratar...
se eu tivesse quer ir a uma festa de empres�rios ou escritores
eu simplesmente era tratado,
num sentido mais brando da palavra,
como um c�o.
eu com certeza poderia participar no mesmo n�vel
das conversas com aquelas pessoas.
E eu conversava com elas e certas ocasi�es
quando eles perguntavam o que eu fazia,
o que normalmente acontecia depois de cinco minutos
a cara deles... mesmo se estivessem gostando da conversa
seus rostos simplesmente mudavam de express�o...
como uma porta de a�o abaixando, igual aos port�es medievais
e se afastavam!
eu literalmente vivia como um c�o
Quando Debbie estava trabalhando como secret�ria
e dizia as pessoas o que ela fazia
e eles simplesmente ficavam loucos
como se ela tivesse dito:
Eu estou cumprindo uma pris�o perp�tua...
por ter matado uma crian�a
E quando voc� fala sobre nossas atitudes em rela��o a outras pessoas
eu penso de mim mesmo,
como algu�m muito bom e decente
apenas porque sou amig�vel
para a maioria das pessoas que encontro todo dia
eu realmente me considero um cara perfeito,
um cara muito legal
enquanto achar que o mundo se restringe
no pequeno c�rculo que eu considero meus amigos
ou as poucas pessoas que conhece�o nesse mundinho
com seus pequenos hobbies, o teatro ou o que seja
eu estou bastante satisfeito, bastante feliz comigo mesmo
eu n�o tenho queixas sobre mim mesmo.
e sinceramente... existe um outro mundo l� fora
que eu simplesmente n�o penso nele.
Eu certamente n�o assumo a responsabilidade
pelo meu modo de vida nesse mundo.
se eu estivesse que confrontar o fato de que eu
estou compartilhando um palco
com uma pessoa faminta na �frica
eu n�o me sentiria t�o fabuloso sobre mim mesmo
ent�o eu ofusco todas estas pessoas para fora de minha percep��o
Ent�o, � claro, eu estou ignorando toda uma se��o do mundo real
e francamente
quando eu escrevo uma pe�a
e uma das coisa, eu acho... que eu tento fazer
� colocar alguns pedacinhos dessa realidade.
e tentar compartilhar isso ... com a plat�ia!
E todos sabemos que o teatro j� perdeu sua forma...
h� poucos anos atr�s,
as pessoas que se preocupava com o teatro...
costumavam dizer ... o teatro est� morto!
Agora todo mundo define o teatro,
de forma t�o trivial
eu conhe�o pessoas que est�o envolvidas com o teatro
que v�o ver coisas agora, que...
poucos anos atr�s essas mesmas pessoas,
ficariam sem gra�a de ir ver essas pe�as
elas se encolheriam,
de horror com a superficialidade dessas coisas.
Agora elas dizem: Oh! ....foi muito bom!
� simplesmente incr�vel!
E eu acho que esse tipo de atitude... intoler�vel!
Porque eu penso que o teatro podria fazer coisas importantes
que o teatro poderia ajudar,
a trazer as pessoas em contato com a realidade,
eu sei que voc� n�o pensa assim
voc� pode desprezar isso e achar tudo um absurdo!
Wally, n�o percebe o dilema?
Voc� n�o est� levando em conta, o per�odo que n�s estamos vivendo!
� claro que � isso que o teatro deveria fazer
eu sempre senti isso!
quando e eu era um jovem diretor, eu dirigi o The Bacchae em Yale
Meu impulso era, quando Pentheus � morto por sua m�e e as f�rias,
e eles empurrando as �rvore para tr�s, amarrando-o e sacudindo o no ar,
e ele voa pelo ar e � morto... e cortam sua cabe�a...
Meu impulso... que pensei em fazer
era conseguir uma cabe�a, no necrot�rio de New Haven
e pass�-la pela plat�ia!
Eu queria que Gaway trouxesse uma cabe�a de verdade
e que essa cabe�a deveria ser passada pela plat�ia!
Para que as pessoas percebessem que essa coisa era real
Algo real!
A atriz que representava Gaway se recusou a fazer isso
Gordon Craig questionava...
porque existe ouro ou prata nas Igrejas
As grandes catedrais... atores poderiam usar ouro e prata,
as pessoas que viram Eleonora Duse,
nos �ltimos dois anos de sua vida, Wally
diziam que era como ver uma luz no palco...
ou uma bruma, uma ess�ncia... ou algo assim
e a� voc� lembra de Bertolt Brecht,
ele criou um teatro onde as pessoas podiam observar
algo muito divertido e excitante
mas que n�o te envolvesse completamente
e que permitia uma dist�ncia... entre voc� e a pe�a
e � o que dois seres humanos precisam para poderem viverem juntos
A pergunta �: Pode o teatro atingir os expectadores
como Brecht tentou fazer, ou Craig ou Duse tentaram fazer?
Pode ser feito atualmente?
Eu acho que as pessoas hoje em dia... est�o dormindo t�o profundamente
a menos que voc� coloque pe�as superficiais
que ajudem eles a dormir mais confortavelmente
� muito dif�cil saber o que fazer no teatro!
E se for colocar pe�as contempor�neas s�rias
de escritores como voc�,
estar� apenas enfraquecendo o p�blico de uma maneira diferente
Como assim?
Veja bem, Wally, como um p�blico reagir�...
ao assistir uma dessas pe�as, onde mostra...
que as pessoas est�o totalmente isoladas,
que n�o podem se comunicar mutuamente
e que n�o h� esperan�as?
Como reagir�o...
ver uma pe�a que mostra que o mundo � cheio de nada...
a n�o ser eventos sexuais chocantes, terror e viol�ncia,
Isso ajuda a acordar um p�blico adormecido?
Eu acredito que n�o.
Porque eu penso que � muito prov�vel
que a imagem do mundo que voc� est� exibindo
numa pe�a desse tipo,
� exatamente a imagem de um mundo que eles j� possuem!
Eles conhecem suas pr�prias vidas!
Que relacionamentos s�o dif�ceis e dolorosos!
Se eles assistem as not�cias da na televis�o,
e tudo que eles veem � um universo amedrontador e ca�tico
cheios de estupros e assassinatos, m�os cortadas por trens do Metr�
crian�as empurrando seus pais da janela
Ent�o a pe�a lhes diz, que suas impress�es do mundo est�o corretas,
e que n�o existe uma sa�da.
N�o h� nada que eles possam fazer!
E eles terminam se sentindo passivos e impotentes.
Veja algo parecido naquele batizado
que meu grupo arranjou para mim, na floresta da Pol�nia
a� est� um exemplo de algo que realmente tinha todos os ingredientes do teatro
O trabalho foi pensado e feito com cuidado,
foi feito com um requintado gosto de magia
e de fato, criaram algo.
e neste caso, foi feito s� para uma plat�ia de uma pessoa,
s� para mim,
mas eles criaram algo,
que tinha ritual, amor, surpresa,
atando tudo, in�cio, meio e fim.
Foi uma incr�vel e linda pe�a de teatro.
E o impacto que teve em seu p�blico, em mim...
foi de alguma forma, totalmente positivo
n�o me amorteceu mas trouxe-me � vida!
Mas o que voc� est� dizendo... que � imposs�vel...
e � um pouco perturbador, chegar � conclus�o
que n�o existe...nenhuma maneira de acordar as pessoas?
Exceto envolv�-los em algum estranho tipo de batismo na Pol�nia?
Ou algum tipo de experi�ncia no monte Everest?
� algo horr�vel ... se voc� realmente est� dizendo que
� necess�rio levar todos ao Everest, vai ser muito dif�cil,
porque nem todo mundo pode ser levado ao Everest!
Deve ter havido per�odos na hist�ria onde
seria poss�vel salvar o paciente sem usar medidas t�o radicais!
Deve ter havido per�odos que para se dar �s pessoas
experi�ncias forte e significativas,
n�o precisasse lev�-las ao Everest!
Mas voc� faz isso agora! De uma forma ou de outra, voc� faz!
Houve um tempo em que voc� poderia ter feito a pe�a,
"Raz�o e Sensibilidade" de Jane Austen
tenho certeza que quem leu o livro
teve fortes experi�ncias!
Tenho certeza que tiveram,
-Agora voc� me diz que as pessoas hoje em dia n�o teriam
Talvez seja verdade...
mas n�o existe nenhum ensaio ou pe�a...
n�o seria leg�timo que os escritores
tentem retratar a realidade, para que as pessoas possam v�-la?
porque se precisamos de uma viagem ao Monte Everest
para sermos capazes de perceber um momento de realidade,
seria o Monte Everest mais real do que New York?
New York n�o � real?
eu acho que se voc� pudesse se tornar
totalmente consciente do que existe
na tabacaria vizinha desse restaurante
isso te deixaria em choque!
N�o existe a mesma quantidade de realidade...
que pode ser percebida na tabacaria
do que existe no Monte Everest?
Eu acho que o Monte Everest n�o � t�o real...
que n�o tem nada de t�o diferente...
porque realidade � uniforme...
se suas percep��es,
e seu pr�prio mecanismo est� operando corretamente
se tornaria irrelevante ir ao Monte Everest,
e at� absurdo!
� claro que em algum n�vel...
� muito diferente de uma tabacaria na 7a Avenida!
Mas eu concordo com voc� Wally,
mas o problema � que as pessoas n�o podem ver a tabacaria,
as coisa n�o afetam as pessoas como antigamente
Pode ser que daqui a dez anos, as pessoas pagar�o
$10.000 d�lares para serem castrados!
S� para serem afetados por alguma coisa!
Porque voc� acha que � assim?
porque � assim?
Seria porque as pessoas est�o pregui�osas ou est�o entediadas?
Ent�o somos apenas como crian�as... mimadas e entediadas,
que ficaria deitada na banheira o dia inteiro
apenas brincando com seus patinhos de pl�stico,
e ficar pensando: "Bem, o que eu posso fazer?"
Isso mesmo!
Estamos entediados! Estamos todos entediados!
mas j� ocorreu a voc� , Wally
que o processo que cria esse t�dio que vemos no mundo...
pode muito bem ser,
uma forma de lavagem cerebral, inconsciente e auto imposta?
criada por um governo mundial totalit�rio baseado no dinheiro?
E que tudo isso � muito mais perigoso que pensamos?
E n�o � apenas uma quest�o de sobreviv�ncia individual, Wally
mas se algu�m est� entediado � porque est� adormecido?!
E algu�m que est� adormecido, n�o � capaz de dizer 'n�o'!?
Eu vivo encontrando essa gente
Ha alguns dias atr�s, me encontrei com este homem, a quem admiro muito
um f�sico Sueco, Gustav Bjornstrand
e ele me disse, que n�o assiste mais televis�o,
n�o l� jornais, revistas
Ele cortou tudo isso completamente de sua vida!
Pois ele realmente sente
que estamos vivendo em algum tipo de pesadelo Orweliano
e tudo que voc� escuta agora,
contribui para transform�-lo em um rob�!
Quando eu estava em Finhorn,
me encontrei com este expert em �rvores,
que devotou sua vida a salvar �rvores,
acabou de voltar de Washington, fazendo lobby para salvar as Redwoods...
tem 84 anos e sempre viaja com uma mochila
porque ele nunca sabe onde vai estar amanh�.
quando nos encontramos em Finhorn, ele perguntou: de onde voc� �?
e eu disse 'New York'... ele disse: Ah! um lugar interessante!
voc� conhece muitos Nova-iorquinos
que vivem falando de querer sair de l� mas nunca o fazem?
e eu disse sim, e ele disse 'porque voc� pensa que ele n�o partem?'
Eu dei algumas teorias banais,
e ele disse, "eu n�o acho que � por causa disso...�
ele disse, �eu acho que New York � um novo modelo para um novo campo de concentra��o�,
onde o campo foi constru�do pelos pr�prios internos,
e os internos s�o os guardas,
e eles possuem esse orgulho dessa coisa que eles constru�ram
eles constru�ram suas pr�pria pris�o,
ent�o eles existem em um estado de esquizofrenia
onde eles s�o ambos, guardas e prisioneiros,
e tendo sido lobotomizados, eles perderam a capacidade
de deixar a pris�o que constru�ram
ou de at� mesmo... v�-la como pris�o.
A� ele procurou em seu bolso e retirou uma semente de �rvore, e disse,
Isso � um pinheiro, e colocou-a em minha m�o
e disse, 'fuja, antes que seja tarde'!
Nos �ltimo 2 ou 3 anos...
Chiquita e eu temos tido essa sensa��o muito desagrad�vel
que realmente dever�amos sair...
Que dever�amos nos sentir como Judeus na Alemanha no anos 30...
Saia daqui...mas o problema � pra onde ir
porque parece bastante obvio que o mundo todo
est� indo na mesma dire��o.
eu acho que � bem poss�vel,
que os anos 60 representaram
a �ltimo grito do ser humano, antes de ser extinto.
e este � o come�o do resto do futuro,
daqui em diante haver� apenas esses rob�s
perambulando por a�, sentindo nada, pensando em nada,
E haver�, quase ningu�m para nos lembrar
que houve uma esp�cie chamada "ser humano",
com sentimentos e pensamentos
e que a hist�ria e as mem�rias, est�o agora sendo apagadas
e logo, ningu�m ir� realmente se lembrar
que vida existiu no planeta.
E Bjornstrand... n�o acredita que haja esperan�a
e que n�s provavelmente voltaremos a uma �poca de horror,
muito selvagem e sem leis.
O pessoal de Findhorn viam as coisas um pouco diferente,
eles acreditam que haver�o bols�es de luz
surgindo em diferentes partes do mundo, e...
e que estes ser�o planetas invis�veis neste planeta.
e � medida em que n�s ou o planeta se torne mais insens�veis
faremos viagens espaciais invis�veis � diferentes planetas
e adquirir algo necess�rio para mudar o planeta... e voltar
E ele acreditam que j� existem lugares aqui na terra,
onde essas pessoas vem para reconstruir um novo futuro para o mundo.
E quando eu estava conversando com Gustav Bjornstrand ele dizia,
que esses lugares est�o se proliferando em todo lugar
E o que eles est�o tentando fazer... e o que Finhorn tentou fazer,
o de certo modo, eu tamb�m... mas � dif�cil descrever...
mas s�o tentativas de criar um novo tipo de escola,
um novo tipo de mosteiro.
E Bjornstrand fala sobre o conceito de "reservas"
ilhas de seguran�a, onde... a hist�ria pode ser lembrada
e o ser humano pode continuar existindo
para manter a esp�cie atrav�s de uma "era de escurid�o".
Algo como... um "mundo secreto"!
que j� existiu... de modo diferente... durante a Idade M�dia
entre as ordens m�sticas da Igreja.
E o prop�sito desse 'mundo secreto'...
� descobrir como preservar a "luz"... a "vida"... a "cultura"!
Como manter tudo vivo!
Eu continuo pensando que o que precisamos
� uma nova linguagem
Uma linguagem do cora��o!
Uma linguagem como na floresta da Pol�nia, onde a linguagem n�o era necess�ria.
Algum tipo de linguagem entre as pessoas,
que seja um novo tipo de poesia,
que � a poesia da abelha que dan�a...
nos dizendo onde est� o mel.
E eu acho que para se criar essa linguagem
voc� vai ter que aprender como atravessar um espelho
para um novo tipo de percep��o
onde voc� vai ter aquela sensa��o... de estar unido � todas as coisas,
e de repente... voc� compreende tudo!
Voc�s est�o prontos para a sobremesa?
Eu s� vou querer um expresso.
Obrigado!
Eu tamb�m vou querer um.
Obrigado!
e.. posso ter tamb�m um Amaretto?
Certamente, Senhor.
Obrigado
Sabe Wally... existe este incr�vel pr�dio,
que constru�ram em Finhorn,
e quem o projetou nunca havia projetado qualquer coisa em sua vida
ele escrevia livros para crian�as.
E algumas pessoas queriam que fosse uma sala de medita��o
Outros que fosse um tipo de sala de palestras.
Mas a parte medi�nica da comunidade queria ...
e que servisse para uma outras fun��es tamb�m.
Porque eles queriam que fossem um tipo
de nave espacial, onde � noite poderia levantar v�o
e mostrar para os OVNIs que era um lugar seguro para aterrissar
e eles achariam amigos l�
S� que o pr�dio precisava de um enorme tipo de telhado
e como ter um telhado que ficasse sobre o pr�dio
mas ao mesmo tempo que pudesse voar � noite
para se encontrar com discos voadores.
Ent�o, o arquiteto, meditou e meditou...
e ele finalmente veio com uma solu��o muito simples
que era n�o juntar o telhado ao pr�dio
o que significava que ele poderia cair,
porque ele tem grandes vendavais no norte da Esc�cia
E para evitar que ca�sse, ele pegou pedras da praia,
n�s pegamos... porque eu trabalhei neste pr�dio.
Todas ao longo do telhado, desse jeito
E a ideia era que a energia que flutuaria de pedra para pedra
seria t�o forte, que manteria o telhado no lugar,
sob qualquer condi��o,
mas ao mesmo tempo, se o telhado precisasse subir,
ele seria leve o bastante para subir.
E.. deu certo!
Mas os arquitetos n�o sabem porque funcionou,
e ele n�o deveria funcionar... deveria cair,
mas... deu certo!
Ele funciona, a ventania bate, e o telhado deveria cair,
mas ele 'n�o cai'!
Voc� quer saber... o que penso sobre tudo isso?
-Voc� quer saber minha opini�o? -Sim!
Minha opini�o...
eu s� estou tentando... sobreviver
s� estou tentando ganhar meu sustento
s� estou tentando pagar meu aluguel... minhas contas
eu vivo a minha vida...
gosto de ficar em casa com a Debbie,
atualmente estou lendo a autobiografia de Chaleston Heston
e isso � tudo!
ocasionalmente... talvez...
Debbie e eu sa�mos... vamos � uma festa ou algo assim
e se eu puder ocasionalmente... juntar o meu talento
e escrever alguma pe�a...
isso para mim � maravilhoso!
Eu gosto de ler outras pe�as teatrais, as cr�ticas que foram feitas,
ler o que os outros disseram sobre elas
e o que as pessoas disseram sobre o que as pessoas disseram
e tenho uma lista de compromissos e responsabilidades
que mantenho em minha agenda...
tenho prazer de pegar a agenda e cumprir esses compromissos e
...riscando cada um da lista!
S� n�o entendo como algu�m, pode n�o ter prazer como eu tenho
de ler a autobiografia de Charleston Heston!
Ou levantar de manh� e... tomar uma x�cara de caf� frio,
que passou a noite inteira esperando por mim
e continua ali... para eu beber pela manh�
e feliz que nenhuma barata ou mosca morreu nele durante a noite.
Me deixa radiante levantar de manh�...
e ver aquele caf� l� do jeitinho que eu gosto!
E n�o posso imaginar
como que algu�m pode querer outra coisa al�m disso!
Obviamente se uma barata... e se "tiver" uma barata... morta no caf�
eu ficaria desapontado... e triste...
e eu acho que n�o tenho necessidade
de nada mais do que isso.
E me parece que... o que voc� est� dizendo ....
que � inconceb�vel que algu�m possa estar vivendo uma vida plena
e que todo mundo est� totalmente destru�do e...
e que todos n�s precisamos viver nesses... lugares remotos
E eu simplesmente n�o posso acreditar
que mesmo para voc�... que voc� n�o ache agrad�vel
se levantar de manh� e ver que... l� est� Chiquita...e as crian�as...
e receber o jornal, e poder ler tranquilamente!
E talvez v� dirigir uma pe�a no teatro... ou talvez n�o...
e n�o importa... se voc� vai dirigir ou n�o a pe�a...
Por que n�o apenas relaxar e desfrutar destes detalhes?
Pode haver uma deliciosa x�cara de caf�
e um peda�o de bolo
Por que � necess�rio ter mais do que isso?
E mesmo at� em 'pensar' em ter mais do que isso
E na verdade, eu n�o entendo do que voc� est� falando!
quer dizer... eu entendo do que voc� est� falando...
mas eu n�o sei 'realmente' do que voc� est� falando.
E mesmo se eu concordasse com voc� totalmente,
mesmo se eu aceitasse a ideia
de que n�o existe nenhum modo de ser feliz
eu ainda n�o poderia aceitar a ideia
de que a �nica maneira de tornar a vida maravilhosa
seria rejeitar totalmente a civiliza��o ocidental
e se afundar em algum tipo de cren�a ou algo parecido
Eu nem sei como come�ar a falar disso...
Na Idade M�dia,
antes do surgimento do pensamento cient�fico como o conhecemos hoje...
as pessoas podiam acreditar em qualquer coisa
qualquer coisa podia ser verdade,
uma est�tua da Virgem Maria podia falar ou sangrar...ou algo assim
mas uma coisa maravilhosa que aconteceu foi que,
com o desenvolvimento da ci�ncia no mundo ocidental
certas coisas come�aram a se tornar conhecidas e compreendidas
obviamente todas as ideias na ci�ncia, s�o constantemente revisadas,
E � assim que tem que ser!
pelo menos sabemos
que o universo tem alguma forma e ordem,
e que �rvores n�o se transformam em pessoas ou deuses
e existem muito boas raz�es porque � assim!
N�o se pode acreditar em qualquer coisa!
E sobre as coisas que voc� est� falando
voc� achou que uma impress�o de m�o em um livro
e haviam tr�s Andr�s,
e um Antoine de Saint-Exup�ry
e para mim isso � uma... coincid�ncia
e as pessoas que as juntaram naquele livro
tiveram suas pr�prias raz�es para coloco-las l�!
mas para voc� foi como se aquele livro foi escrito h� 40 anos "para voc�"!
Ent�o vamos l�...
se eu pegar um biscoitinho da sorte num restaurante Chin�s
� claro que at� eu teria um impulso...
dificilmente o jogaria fora
eu o leria, eu o leria e...
e...eu instintivamente,... se ele disser algo como...
'uma conversa com um homem de cabelos pretos
ser� muito importante para voc�',
eu acho que instintivamente pensaria: quem eu conhe�o que tem cabelos pretos?
N�s tivemos uma conversa? O que n�s conversamos?
h� algo em mim que... me faz l�-lo e...
e eu instintivamente o interpreto como se
'fosse' uma previs�o do futuro... mas em minha opini�o consciente...
que � t�o fundamental na vis�o que tenho do mundo ...
teria que mudar completamente para mudar minha vis�o
Em minha opini�o consciente,
� algo que foi escrito na f�brica de biscoitos,
v�rios anos atr�s... e n�o tem nada a ver comigo!
apenas o fato de eu ter pego um biscoito...
que foi escrito por algu�m que sabia nada a meu respeito
ele n�o poderia saber nada sobre mim,
imposs�vel esse biscoito ter algo a ver comigo!
e o fato de t�-lo pego... � apenas uma piada!
Se eu tivesse que ir a uma viagem de avi�o...
e eu retiro um biscoito que diz; "N�o v�!", � claro...
eu admito que possa ficar um pouco nervoso, por mais ou menos ...um segundo,
mas mesmo assim eu iria... porque o sucesso dessa viagem
ser� baseada nas condi�oes do avi�o e do piloto...
e o biscoitinho n�o tem condi��es de saber isso.
� a mesma coisa com qualquer tipo de profecia, sinal ou press�gio
porque ... se voc� acredita em press�gios
ent�o isso significa que o universo.... nem sei como descrever isso
isso significa ...que o futuro est� de alguma forma nos enviando mensagens
pra tr�s... para o presente!
O que significa que o futuro j� existe de alguma forma
para ser capaz de nos mandar essas mensagens.
E tamb�m significa que as coisas no universo est�o l� para um prop�sito:
para nos enviar mensagens!
E eu penso que as coisas no universo simplesmente est�o l�
elas n�o 'significam' nada,
se um ovo da tartaruga...
cai de uma �rvore e se arrebenta na cal�ada,
foi porque aquela tartaruga foi apenas desastrada...
E...e...e.. decidir se envio meus navios para a guerra,
baseado nessas coisas, � um grande engano para mim.
-E com que informa��o voc� enviaria seus navios para a guerra?
Porque, se tudo � sem sentido, qual � a diferen�a...
aceitar o biscoito da sorte ou estat�sticas da Funda��o Ford?
� tudo a mesma coisa!
Porque algo como o biscoito da sorte ou... o ovo da tartaruga
s�o irrelevantes para qualquer assunto que se analise!
Mas um grupo de dados que parecem insignificantes....
mas que s�o coletados e interpretados de um modo cient�fico...
pode , bem possivelmente, ser relevante!
Porque, a coisa maravilhosa sobre as teorias cient�ficas
� que s�o baseadas em experimentos que podem ser... repetidos!
Voc� est� certo, Wally,
seguir um press�gio ou algo parecido
provavelmente � s� uma maneira de termos uma desculpa
para evitar qualquer responsabilidade de nossas pr�prias a��es!
Se entregar ao pr�prio inconsciente pode deixa-lo
vulner�vel a todo tipo de manipula��es muito assustadoras!
E todo trabalho que me envolvi, havia esse tipo de perigo
de influenciar inconscientemente a vida das pessoas
Porque se eu dirijo um desses workshops
a� eu realmente me torno meio m�dico
meio terapeuta e meio padre.
E eu n�o sou um m�dico, ou um terapeuta ou um padre!
E alguns desses...
novos mosteiros ou comunidades, ou algo parecido
se tornando institui��es e ... em alguns casos... at� meio facistas!
Algo como uma paran�ia elitista e auto satisfeita que cresce
e que divide entre "eles" e "n�s", o que � muito perturbador!
Em minha opini�o, foi criada uma venera��o exagerada da ci�ncia
que nos conduziu para essa situa��o
A ci�ncia tem se mantido como se fosse uma for�a m�gica
a qual ir� resolver tudo.
Mas � exatamente o contr�rio, ela tem destru�do tudo!
E isso foi o que nos levou, eu penso,
a uma rea��o muito forte e profunda contra a ci�ncia que vemos agora.
Exatamente como a a manifesta��o dos dem�nios nazistas na d�cada de 30,
que provavelmente foi uma rea��o contra
certo tipo de conhecimento opressivo, cultural e racional!
E concordo que estamos conversando de algo potencialmente muito perigoso...
mas a ci�ncia moderna n�o tem sido particularmente menos perigosa.
Certo, eu concordo com voc�!
Eu concordo completamente!
A verdade �...que eu acho que sei o que realmente me incomoda
no que diz respeito ao trabalho que voc� me descreve,
e nem sei se como me expressar...
Mas de alguma forma me parece...
que o objetivo principal nos workshops que voc� parcicipou...
o que era realmente e para que tudo aquilo...
o objetivo era...
era capacitar as pessoas no workshop, incluindo voc� mesmo,
de ter condi�oes de separar...
o que realmente importa... de certos momentos...
para que voc�s pudessem experimentar...
a sensa��o de apenas "ser"
Em outras palavras, voc�s estavam tentando descobrir, como seria
viver certos momentos sem ter qualquer coisa em particular que voc�s deveriam fazer!
E eu acho que eu simplesmente desaprovo isso!
Eu simplesmente n�o acho que deveria haver momentos....
onde n�o se deveria fazer nada!
Eu acho... que est� em nossa natureza fazer coisas, e...
que devemos fazer coisas!
E fazer as coisas com algum prop�sito definido...
faz parte de nossa imut�vel natureza humana!
E dizer que n�s temos que ser capazes de viver sem isso,
� como dizer que...
uma �rvore tem que ser capaz de viver sem seus galhos e ra�zes;
mas... sem seus galhos e ra�zes, n�o seria mais uma �rvore!
Seria somente... um tronco!
Percebe o que estou dizendo?
Em outras palavras, se eu estou em casa... e n�o tenho nada para fazer,
eu naturalmente pego um livro!
Do que me seria �til, ficar l�, sentado, sem fazer nada?
Me parece absurdo!
E se Debbie estiver l�?
Mas � a mesma coisa!
Onde j� se viu duas pessoas n�o fazerem nada...
mas apenas... "estarem juntas"?
Isso seria como... estar talvez... "se relacionando"?
Seria por acaso isso?
O que isso significa?
Ou n�s vamos conversar
ou vamos levar o lixo pra fora,
ou... vamos fazer algo, separadamente, ou ... juntos,
Entende o que estou dizendo?
Qual o significado de ficarmos l�... apenas sentados?
E isso te deixa nervoso!
E por que n�o deveria me deixar nervoso? Isso me parece rid�culo!
Isso � interessante, Wally.
Quando estive em Lhadak no Tibet Ocidental
e fiquei em uma fazenda por um m�s,
as pessoas se encontravam � noite para beber ch�...
e ningu�m dizia nada, a menos que tivessem algo a dizer,
mas quase n�o havia nada para ser dito,
ent�o eles s� sentavam... bebiam seus ch�s... e n�o se sentiam incomodados!
O problema de estar sempre ativo e fazendo algo, Wally
� que chega um momento de estar fazendo todo tipo de coisa
e ao mesmo tempo estar completamente morto por dentro!
Voc� estar� fazendo todas essas coisas por por algum impulso...
ou estar� fazendo mec�nicamente, como diz�amos antes!
Porque eu acredito que se voc� est� vivendo mec�nicamente
ent�o voc� tem que mudar a sua vida!
Quando se � jovem... voc� est� sempre namorando...
sai para dan�ar, etc... se sente completamente livre
e ent�o um dia... voc� se compromete com algu�m...
e de repente... tudo fica est�tico!
E isso tamb�m ocorre em seu trabalho!
Mas se voc� estiver realmente vivo por dentro,
ent�o � claro que n�o h� problema.
Se voc� est� vivendo com algu�m em um quartinho e
h� vida acontecendo entre voc� e essa pessoa...
Uma aventura pode estar acontecendo... bem naquele quarto!
Mas existe sempre o perigo da chama se apagar
E voc� acabar se tornando um rob�... ou algo parecido
e ter que viver como "Kerouac" do livro "On the Road"
E acredite, n�o � nenhuma maravilha...
passar a sua vida na estrada!
E eu preferiria ficar naquele quarto... se fosse poss�vel!
Quando duas pessoas vivem juntas por muito tempo... elas sempre dizem:
Nem tudo � fant�stico, como costumava ser...
e � natural a chama do romance desaparecer...
mas isso � normal...
Mas eu discordo totalmente disso!
Mas eu acredito que voc� deve com franqueza, sempre se perguntar
Se seu casamento � ainda um casamento?
H� um elemento de sacramento nele?
Perguntar tamb�m em seu trabalho, se ainda h� um sacramento ali
Porque � muito assustador, Wally
perceber que... se pensava que estava vivendo sua vida
mas na verdade... nem um ser humano eu sou!
Eu tenho sido um ator!
Eu n�o tenho vivido, eu tenho representado!
Eu representei o papel do pai, eu representei o papel de um marido,
eu representei o papel do amigo, eu representei o papel do escritor,
do diretor, ou qualquer outro.
Eu tenho vivido no mesmo espa�o com essa pessoa
mas eu realmente n�o as vi, eu realmente n�o as ouvi,
eu realmente n�o estive com elas.
� verdade... algumas pessoas... apenas "existem" uma do lado da outra
algu�m poderia ter seu rosto transformado em um grande "rosto de lobo"...
e... ningu�m notaria!
E n�o seria notado... ningu�m notaria!
Quando eu estive em Israel, h� pouco tempo atr�s,
e tenho essa foto de Chiquita, que foi tirada... eu sempre a levo comigo,
foi tirada no ver�o, quando ela tinha 26 anos ou algo assim...
e ela estava deitada em um terra�o,
vestida com uma linda saia comprida meio puxada para cima,
ela estava magra, sensual e linda
E sempre que olhava para aquela foto, pensava... como ela era sexy!
E no ano passado em Israel, eu olhei para aquela foto...
e percebi que aquele rosto na foto... era a rosto mais triste do mundo!
Aquela garota, naquela �poca... estava simplesmente perdida!
T�o triste e t�o s�!
E tenho carregado essa foto por anos e nunca tinha percebido isso!
Eu nunca realmente tinha olhado para aquela foto!
E ent�o me dei conta que 18 anos haviam se passado...
sem eu poder "sentir", exceto nas situa��es extremas
Apesar de ter sido sempre capaz de viver o meu trabalho
...e por isso me tornei um viciado no trabalho
mas sentia que toda pe�a que fazia, era uma quest�o de vida ou morte!
Mas em minha vida real... eu estava morto... era um rob�!
E eu nem me permitia ficar com raiva... ou chateado!
Por exemplo, hoje... Chiquita ,Nicolas, Marina
o dia todo eles... ou as pessoas fazem coisas...
coisas que me chateiam, ou dizem coisas que me chateiam
E hoje eu fiquei chateado! E eles perguntaram:
-Por que voc� est� chateado? -Porque voc�s est�o me chateando!
E quando passo a considerar a possibilidade de n�o passar o resto de minha vida com Chiquita,
A� eu percebo que o que eu mais queria na vida
foi sempre estar com ela.
Mas naquela �poca eu n�o tinha aprendido
como seria minhas rea��es com outro ser humano.
E se voc� n�o pode reagir com outra pessoa,
ent�o n�o existe nenhuma possibilidade de a��o ou intera��o.
E sem a��o e intera��o, a palavra "amor" perde seu sentido...
e o que sobra � "dever", "obriga��o", "sentimentalismo", "medo";
Eu n�o quanto � voc� Wally,
mas eu precisava me colocar num tipo de programa
para aprender como ser um ser humano!
Como eu me sinto em rela��o �s coisas? Que tipo de coisas eu gosto?
Que tipo de pessoas eu quero estar junto?
E a �nica maneira de descobrir isso seria,
parar todo o barulho, parar de representar todo o tempo,
e simplesmente escutar o que estava dentro de mim!
E eu acho que chega uma hora, que voc� precisa fazer isso.
E talvez voc� vai tem que ir ao Saara
ou talvez voc� possa fazer isso em casa.
Mas voc� precisa parar o barulho!
Sim, t� certo... mas eu normalmente...
n�o gosto daqueles momentos silenciosos...
realmente n�o gosto...
eu n�o sei se isso � uma coisa Freudiana
mas o medo, os impulsos inconscientes,
minha pr�pria agress�o, ou o que seja, mas...
se as coisa ficam muito silenciosas,
e se eu me encontrar s�... sentado l�...
como voc� sugeriu... se eu estou l� sozinho... ou com algu�m...
Eu s� ...eu s� tenho essa sensa��o de....
...Puxa! Eu vou ser revelado!
Eu estou preparado para qualquer tipo de tarefa
mas n�o me sinto preparado para ser... um ser humano!
Se eu s� estiver preso l�... e impedido de fazer qualquer coisa...
e a �nica coisa que tenho que fazer � ficar l�....
ent�o eu simplesmente... vou fracassar!
Eu posso passar por qualquer outro tipo de teste,
posso at� ganhar um "A", se eu colocar o esfor�o necess�rio
mas eu n�o tenho a menor id�ia de como passar neste teste,
� claro que eu entendo que isso n�o � um teste...
mas eu vejo como um teste... e eu sinto que vou falhar!
e � muito amedrontador...
� como se estivesse perdido no mar!
Eu poderia imaginar uma vida, Wally onde cada dia...
seria dedicado a uma incr�vel tarefa criativa!
Mas n�o estamos capacitados para isso!
Por exemplo, se sentir que quer sair do relacionamento em que est� agora...
Voc� apenas sai! E depois quer voltar... voc� volta!
E nesse tempo, a outra pessoa teve rea��es � sua sa�da!
Seria uma vida cheia de sensa��es!
O que era maravilhoso nos workshops que eu coordenava
era a rapidez que as pessoas entravam em alguns estados de
entusiasmo, celebra��o, alegria, espanto, abandono, atordoamento, suavidade!
N�s aguentar�amos viver assim?
Acho que � aquele momento de contato com a outra pessoa
e � isso que nos amedronta, estar cara a cara com outra pessoa.
A gente nunca imagina como isso �... amedrontador!
E � estranho que achamos isso t�o... assustador!
Mas n�o � t�o estranho,
primeiro que existem boas raz�es para estar assustado,
o ser humano � uma criatura complexa e perigosa!
Viver "cada momento" da sua vida, � algo bem desafiador,
Buscar e entrar em contato com a outra pessoa
� algo que vale a pena tentar, eu acredito nisso!
Chega a ser estupidez, n�o fazer isso.
O problema � que...
quanto mais voc� se aproxima de outro ser humano
mais misteriosa e distante, aquela pessoa se torna!
Voc� tem que tentar se comunicar com a outra pessoa
mas voc� est� se relacionando com um fantasma ou a algo assim
porque somos todos fantasmas, somos espectros,
afinal... o que somos n�s?
E isso nos faz confrontar com o fato... que estamos completamente s�s
e aceitar que estamos s�... � aceitar a exist�ncia da morte.
e isso significa que... se estamos s�s... estamos s�s com a morte,
nada est� obstruindo sua vis�o , ou algo parecido...
Exato!
Se eu entendi corretamente, acho que Heidegard disse
que se voc� tivesse consci�ncia de todo o seu ser,
voc� estaria experimentando a decad�ncia desse ser
e como parte de sua experi�ncia, em dire��o � morte!
Em um ato sexual... aquele incr�vel momento de despreendimento
mas quando termina, voc� come�a a pensar em mil coisas
a pe�a do teatro, o que voc� vai fazer amanh�
N�o sei se � assim com voc�... mas acredito que isso seja bem comum
O mundo retorna bem r�pido!
porque tememos estar naquele lugar de despreendimento!
Porque, de novo, isso � pr�ximo da morte!
Igual as pessoas que tem medo de ir dormir!
voc� se conecta... e n�o sabe o que ir� acontecer
e n�o saber o que ir� acontecer...
te coloca pr�ximo da percep��o da morte!
Talvez seja por isso que as pessoas tenha casos extra conjugais.
Por exemplo, no teatro... quando voc� recebe boa cr�ticas...
voc� sente que possui alguma coisa, que te d� uma boa sensa��o!
Mas a�, essa sensa��o... se esvai bem r�pido!
E de novo voc� n�o sabe... o que fazer em seguida
O que ir� acontecer?!
E ter um caso pode de dar a sensa��o que voc� est� em terra firme...
a conquista sexual em si... novas tarefas aparecem...
se ela gosta de mordidinhas nas orelhas...
se possa falar com ela de Schopenhauer em um elegante restaurante franc�s,
seja l� qual besteira for, mas...
Apenas te d� uma sensa��o... que voc� est� em territ�rio conhecido!
Mas ter uma verdadeira rela��o com algu�m por um longo tempo
torna tudo imprevis�vel!
Voc� corta todos os seus v�nculos com a terra firme,
e parte para o desconhecido, para mares inesplorados!
As pessoas se agarram a estas imagens... pai... m�e... marido... esposa...
e de novo, pela mesma raz�o:
porque elas parecem nos prover um solo firme.
Mas n�o h� esposa l�,
o que isso significa: uma esposa,
um marido, um filho?
Um beb� segura sua m�o... e de repente... tem esse homem enorme te levantando do ch�o.
E depois , ele some.
Onde est� esse filho?
Todos os outros fregueses parecem ter partido h� horas
Recebemos a conta
e Andr� pagou o nosso jantar!
Eu me dei ao luxo de um taxi.
E voltando para casa pelas ruas da cidade
N�o havia uma rua, ou um pr�dio,
que n�o estivesse conectado a alguma mem�ria em minha mente.
Ali estava eu comprando um terno com meu pai
ali eu estava tomando um sorvete depois da aula
Quando finalmente cheguei em casa
Debbie j� havia chegado do trabalho.
E eu lhe contei tudo sobre "meu jantar com Andr�"
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