Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
COISAS SECRETAS
Esta sou eu.
Me chamo Sandrine.
Sou a nova garota.
Como veem, trabalho no bar,
e às vezes tomo conta da chapelaria. Mas não gosto muito disso.
Mas é preciso viver...
Para esquecer, observo o espetáculo, as garotas.
Mas a única que realmente me fascina é Nathalie.
Ela é minha modelo secreta.
Ela é linda.
Ela sabe como os pôr todos a seus pés.
A verdade é que,
mesmo que eu não goste de admitir,
eu adoraria fazer o mesmo,
fazê-los todos babarem,
e ter o mundo todo a meus pés.
Se você não quiser transar com ele, não transe.
Meninas, tenho um clube aqui que vai bem.
Por quê?
Porque aqui os clientes sabem que encontrarão o que procuram.
É para isso que pago vocês.
Gosto muito de ti, Nathalie,
tem um belo bumbum que atrai muitos clientes.
Mas sabe que em mim
não desperta nada.
Quando a você, Sandrine, você é livre.
Ninguém te diz o que fazer.
Só que...
sendo o mundo o que ele é,
cabe a você fazer uma escolha.
Não se deixe impressionar por esse porco!
Idiota!
Não vai para casa?
Devo três meses de aluguel à minha senhoria.
Se volto sem dinheiro, certeza que ela me joga na rua.
Aposto que o chefe sabia isso.
Merda!
Venha para minha casa, então.
Foi aí que nasceu uma verdadeira cumplicidade entre nós.
- Quer comer alguma coisa? - Não, obrigada.
Champanhe?
Onde você mora?
Num quarto de criada minúsculo, em Montmartre.
No começo, eu estava feliz,
mesmo caro e minúsculo, era a minha casa.
Mas depois de todas aquelas noites sozinha...
Você mora sozinha?
Não tem namorado?
Terminamos logo depois de eu ter me mudado.
Era mais um amigo que outra coisa.
Mesmo que dormíssemos juntos.
E eu não larguei meus pais para se tornar prisioneira novamente.
- Como era com ele? - Em que aspecto?
Como era o amor com ele?
Era bom ocasionalmente...
Só uma vez,
foi no carro.
Ele estava dirigindo e eu estava com a mão esquerda em meu joelho.
Ele largou o volante,
pegou a minha mão e levou-a docemente até as minhas coxas.
E sempre muito docemente, me obrigou a me acariciar.
Daquela vez eu senti alguma coisa.
Mesmo assim, no dia seguinte a gente se separou.
E você?
Nada de especial. Estudei ballet,
concluí o ensino médio...
e vim parar nesse bar.
- Posso te fazer uma pergunta? - Manda.
Uma pergunta indiscreta.
Pode falar.
Desde que entrei nesse bar, eu...
O que você sente ao dançar assim nua em frente de tanta gente te olhando?
Nada.
- Mas você os excita. - É quase sempre uma rotina.
Quase sempre?
Um dia, no palco, tive um orgasmo extremamente intenso.
Mais intenso do que com um homem?
Nessa noite, tive o orgasmo mais intenso da minha vida.
- Por quê? - Porque todo mundo estava me olhando.
Por causa dos homens que te olhavam?
Por causa de todos que estavam me olhando.
Me excitou muito e eu gozei.
Voltou a acontecer várias vezes.
Então, é isso?
É isso o quê?
Que te faz tão sedutora.
Isso aconteceu esta noite também?
Nem sempre temos essa sorte.
Ficou incomodada com o que eu disse?
Não.
Tenho inveja de você.
Eu nunca teria coragem.
Coragem de quê?
Se apresentar nua?
Gostar de excitá-los? Ou gozar, simplesmente?
Todas essas coisas.
Para começar, não sou muito bonita.
Isso é o que todas as garotas dizem.
Eu também estava com medo naquela noite.
- Na noite em que... - Sim.
Tinha bebido um pouco de champanhe,
como hoje.
O suficiente para me sentir leve.
Bem... Sem estar bêbeda.
E eu tive coragem...
E gozei violentamente.
Estou chocando você?
Como eu disse, eu invejo você.
O que te impede de fazer o mesmo?
Nunca teria coragem.
Você está bêbada?
Não.
Não. Estou bem.
Vamos jogar um jogo então.
Que jogo?
Um desafio.
Ouse passar, na tua cabeça, essa linha proibida
que nenhuma das suas amigas passará.
Isso te dará prazer.
De fato, o meu desejo era fugir dali o mais rápido possível.
Fique sentada, não vou saltar em cima de você.
Tudo tem que acontecer primeiro em sua cabeça.
Muito bem!
Agora, fecha os olhos
e se deixe levar.
O resto vem automaticamente.
Vá para a cama.
Ao mesmo tempo, dizia a mim mesma, qual o risco disso tudo?
Pode ir embora quando quiser...
Por isso... Terá coragem?
Deite-se embaixo do lençol.
Tire sua roupa.
Feche os olhos.
Se deixe levar.
Toda vez que você hesitar,
faça um pequeno esforço para continuar...
e para ousar ter prazer.
Acaricie docemente o seu corpo.
Tente descobri-lo.
Sem nenhuma vergonha.
Aflore a sua pele...
Procure os locais que te dão prazer.
Passe docemente a mão por suas coxas,
pelo interior das suas coxas.
Está bom?
Retire o sutiã.
Agora a calcinha.
Volte a se tocar.
Está bom?
Continue.
Agora, tire o lençol.
Você é linda.
Deixe-se impregnar pelo prazer de estar nua e de ser olhada.
Está bom?
Continue até o fim.
Agora.
Boa noite.
- Onde você dormiu? - Tenho outro quarto ao lado.
- Como se sente? - Por um lado, muito bem.
Eu estou aqui... você está aí.
Por outro, há a minha senhoria.
Vou ter de negociar.
Encontrar outro trabalho.
Quer vir morar aqui?
Tenho um dinheiro sobrando, posso te emprestar enquanto resolve isso.
Depois você me paga.
Sim, isso me ajudaria muito.
Vai ser divertido.
Mas não vou te incomodar? Deve ter amigos...
Nunca os recebo em casa.
Gosta de mulheres? Eu não sou lésbica.
Eu também não.
Mas estou farta de ficar sozinha
e não quero ter um homem sempre por perto.
Além do mais, não sei,
acho que gosto de ti.
Anda, se mude e a gente procura um novo emprego para nós duas.
Bom dia, mamãe.
Bom dia.
Então, mudou de casa?
Me conta... Espera, pegue isso...
Cuidado com as migalhas. Como sua amiga é?
Simpática.
Temos um quarto cada uma. E ela nunca me pergunta nada.
Não preciso justificar tudo que eu faço para ela.
Encontrou algum trabalho?
Espero que não seja como garçonete, como no outro restaurante.
Aliás, tenho certeza que aquilo nem era um restaurante.
Talvez vá trabalhar para um escritório,
como contadora ou secretária.
Olhe nos meus olhos.
Não está mentindo, não é?
Não, te juro.
Venha cá, me dá um beijo.
E diga oi ao seu pai.
- Onde ele está? - Ali.
No jardim.
Toda manhã ele fica andando por aí por horas.
Esperando algum telefonema que trará um novo emprego.
Pobre papai.
Ao menos, podia aproveitar para te levar ao cinema ou ao teatro,
ou para passearem, não?
Nessa época, respondi a vários anúncios de emprego!
Conheci chefes de pessoal.
Mas apenas nas pequenas empresas, porque nas outras
é impossível ultrapassar os subalternos.
Em retrospecto,
tenho certeza que Nathalie intencionalmente me fazia
passar por tudo aquilo.
Um dia, estávamos as duas no metro,
e estávamos ambas cansadas.
Sabe o que acho? Que estamos fazendo do jeito errado.
Estamos fazendo exatamente o que a sociedade manda.
Sem dinheiro, nem relações,
nunca vamos conseguir nada.
Daqui em diante, vamos usar a nossa audácia e o nosso corpo
para subir na escala social.
Não seremos as únicas!
Não podemos nos sentir intimidada por nossa timidez
e ir mais longe e melhor que todas as outras garotas.
Vamos. Vamos começar agora.
- Como assim? - Entendeu muito bem.
- Retire discretamente o sutiã. - Agora? Aqui?
- Não consigo. - Vai.
- Com todo mundo em volta? - Ninguém vai ver.
Olha.
É a sua vez.
Finja que é completamente normal.
Coloque a bolsa no colo para esconder.
Comece a se acariciar.
Um cara nos viu.
Aquele a esquerda.
Continue.
Como se sente?
Estou com um pouco de medo...
mas ao mesmo tempo me excita estar sendo observada.
Mostre-se agora.
Depressa!
Anda...
Claro que pararmos ali teria sido muito fácil.
Mas ela sabia muito bem
que havia câmaras de vigilância em todas as estações.
Agora, vai.
Achei que não gostava de mulheres.
Quero te fazer gozar.
- Já nos viram. - Não interessa, continua.
Depressa, vamos.
Depressa.
Era uma sensação estranha,
estarmos as duas nuas debaixo dos nossos casacos,
no meio da multidão que nada via.
Esquisito, mas muitíssimo agradável.
Por isso, continuamos.
Eu tinha começado a criar coragem,
e isso me dava uma espécie de superioridade
sobre todos aqueles com quem passei a cruzar na rua.
Bom...
Próximo capítulo.
Os homens, o manual.
Primeiro, escolha um bom.
Mas não transe com ele.
Finja que é uma garota inocente que está aprendendo tudo,
e que o escolheu como protetor.
Nós todas podemos fazer isso.
Os homens querem sexo e depois partir para outra.
Por isso não podemos transar com eles.
Ou pelos menos não necessariamente.
Estude eles, deixe-os falar.
Tente descobrir os seus pontos fracos e o que os entusiasmam,
dinheiro, carros...
Não sei, dinheiro, emprego.
Quando descobrir, bajule eles.
Aí, assim que tenha escolhido um, pode ceder a ele.
Mas não logo de cara.
Pois senão ele vai achar que é uma garota fácil.
Mas também não faça ele esperar muito tempo, senão ele pula fora.
Depois de três ou quatro jantares, solte tudo que você tem.
Dê prazer a ele e faça com que ele pense que só ele pode fazer você gozar.
Finja que é um garota obediente e feliz.
Mas não por muito tempo.
Na cama, não demore muito para parar com os joguinhos.
Ele vai ficar incomodado quando você não gozar mais.
E aí largue ele e o traia.
Abertamente.
Em aventuras gratuitas.
Se possível, também com uma mulher.
Isso vai humilhar ele.
Isso o deixará louco e ele vai voltar de joelhos para você.
- E isso funciona sempre? - Quase sempre.
É o grande mistério da natureza humana.
A gente se prende a pessoas que resiste a nós e nos escapa.
Quem te ensinou tudo isso?
A vida... A minha mãe...
Mas nós éramos uma família pobre.
Também li muito.
Também estudei, assim como você,
o que não nos impediu de nos encontrarmos no mesmo bar de strip.
Nós, as mulheres, não temos confiança em nós, não temos coragem.
É sempre preciso que alguém esteja atrás de nós, a nos encorajar.
De certo modo somos como proletárias.
A minha mãe dizia que ela sempre seria uma
porque ela não tinha coragem de crescer na vida.
"Tenha coragem!", ela me dizia sempre.
Ela conhecia muito bem a natureza humana.
Entretanto, eu nunca gozei com um homem.
Eu sei, e está muito bem assim.
Sim... bem, como maneira de falar.
Sim, em breve você entenderá.
Como você fazia com o seu namorado?
Eu fingia.
Por quê?
Porque eu queria Ihe dar prazer.
Não.
A verdade é que você se sentia culpada achando que o problema era você.
Estava enganada. Lição número três:
uma femme fatale é, em geral, narcisista ou lésbica,
frígida com os homens.
Só goza quando sente vontade,
o que não acontece com frequência.
Esse é o poder dela. As acompanhantes de luxo...
Você quer me transformar numa prostituta de luxo?
Não, estou explicando a vida para você.
Como eu estava dizendo: com as acompanhantes de luxo,
todo homem espera ter êxito onde os outros falharam.
Por orgulho, eles estão prontos a pagar fortunas
para desfilar presunçosamente ao lado deles.
Um pouco de frigidez com os homens ajuda muito.
Rapidamente você se torna dependente da arma do sexo.
E você deve deixar que os escravos sejam outros.
Agora você já sabe ter prazer consigo mesma. Está livre. Entende?
- E quanto ao amor? - É o nosso inimigo número um.
O verdadeiro risco desta história.
Durante a guerra, se você começa a pensar, você morre.
Quando você se apaixona, você se fode!
A vida que levava até aqui foi uma maravilha?
Seja realista.
Se você quer sair da sua situação, não tem alternativa, ninguém vai te ajudar.
Mais tarde você pode ter um grande amor.
Agora, me mostre como finge.
Era assim que fazia com o seu namorado?
E você, como fazia no palco?
Imitava os meus verdadeiros orgasmos.
Ok, mais uma vez.
Então, gozei ou não?
Por quê? Você fingiu?
Sim. Bem, mais ou menos.
Que bom.
É realmente difícil fingir quando você não está sentindo nenhum prazer.
Só tem escritórios aqui.
Você não quer que eu trabalhe ali, quer?
Quero.
Foi por isso que me vestiu como uma burguesa?
Eu não vou fazer isso. Não consigo...
Não, não consigo. Os escritórios lembram o meu pai.
Nós somos bonitas! Podíamos tentar a moda, o espetáculo...
O cinema!
Nesses meios, garotas como nós existem aos montes.
Lembre-se do bar onde começamos.
Nos escritórios, há menos concorrência.
Não é só isso. Você mencionou seu pai.
Tenho certeza que tudo que ele fez na vida foi trabalhar.
Sim, para pessoas que nunca Ihe mostraram reconhecimento.
Ele devia ter as suas fantasias.
Esqueça que ele é seu pai. Imagine ele como qualquer outra pessoa.
Acha que ele tinha fantasias?
Como todo mundo!
E as partilhava com a sua mãe?
Acredite, ele não as partilhava com ninguém.
Revistas e filmes pornográficos, talvez uma prostituta...
Mas sempre às escondidas e envergonhado. Estou errada?
Sim, é verdade que um nerd fracassado, que nunca viveu,
seria uma presa fácil.
Agora, pensa em homens como ele,
mas mais bem colocados na escala social.
Esses serão nossas vítimas.
- Bom dia, meninas. - Bom dia.
- Estão aqui por causa do anúncio? - Sim.
Sentem-se por favor. Vocês serão chamadas.
E aí, fiquei realmente surpresa com Nathalie.
Aquele era o chefe de pessoal.
Passou ali por uns segundos apenas.
Achei que ele não tinha olhado para ninguém...
Não sei como ela fez.
Talvez a sua maneira de cruzar as pernas, ou de as abrir?
No entanto, ela não mostrou de fato os seios.
Nem as pernas.
Talvez o olhar.
- Garota? - Eu?
Por favor.
Você também.
Fomos as duas contratadas.
Eu no departamento de estatísticas, num serviço onde todos faziam contas!
Bem, eu não era boa em matemática!
A verdade é que eu era só secretária e, digamos, pau para toda a obra.
Mas Nathalie se tornou assistente pessoal
do chefe de serviço de Recursos Humanos, como dizem agora.
E ainda por cima, foi para a sede.
Íamos ficar separadas, ela ia ficar no Champs Elysées.
Eu estava com um pouco de inveja.
Você trabalha aqui no escritório central,
na GE, quer dizer, na Gestão de Estoque.
Somos o cérebro da empresa.
Todas as pessoas aqui são seus colegas,
cada um encarregado de uma série de produtos.
E ali, em sua mesa, está o sr. Cadène,
seu superior.
O homem que está conversando com ele é o sr. Delacroix.
Os dois homens importantes do grupo Barnay
são o sr. Delacroix e o velho Barnay.
Mas este tem 65 anos e está muito doente,
raramente o vemos.
O verdadeiro responsável é o sr. Delacroix.
Ele é muito amável, você vai ver.
As vezes um pouco distraído,
mas a autoridade nem sempre é fácil.
E ele?
É o filho Barnay,
nosso diretor geral. Chama-se Christophe.
Não o vemos muitas vezes aqui no escritório,
mas por razões menos graves que o pai.
Um homem cheio de charme,
mas perigoso.
Senhor...
Queria apresentar a nova garota.
Bom dia, senhorita.
Não, fique sentada.
Espero que você goste daqui.
Está no departamento mais importante da empresa.
E também o mais interessante.
Se você trabalhar bem, pode esperar grandes coisas.
Será uma das raras mulheres na empresa.
Quase a única entre 35 homens.
Não os deixe mimar demais.
Boa sorte, senhorita.
Até logo.
Se puder, fique um pouco mais esta tarde.
Apenas para nos conhecermos.
Desculpe.
Então, está gostando daqui?
O que te interessa mais no seu trabalho?
É muito cedo para dizer.
A verdade é que queria ter o máximo de atividade possível.
Saber tudo sobre a empresa.
Entende...
tive uma desilusão. - No amor?
Ainda não me recompus e queria tentar esquecer.
Me atolando no trabalho.
Não quero ir para casa muito cedo,
e gostaria de fazer horas extras.
De trabalhar.
Mesmo depois de todo mundo ter ido embora.
Você vive sozinha?
Que indiscrição, desculpe.
Não, com uma amiga.
Vou tentar cuidar disso.
As horas extras, digo.
Tem algum conhecimento de informática?
Só os da escola.
Eu fiz só o ensino médio.
O software da empresa está sendo trocado completamente.
Vai ser preciso transferir todos os dados para o novo sistema.
Posso colocar você envolvida nessa tarefa.
Muito bem. Obrigada.
Desculpe, senhorita, não percebi que era tão tarde.
Não tem problema. Pelo contrário.
Até.
Você não vai embora nessa chuva.
Não quer esperar comigo no bar ali da frente?
Não, obrigada.
Então me deixe pelo menos te levar até o metrô.
Não é preciso, obrigada.
Essa foi boa, falar do seu coração quebrado.
Qual o nome dele?
- Cadène. - Robert Cadène?
Sim.
Eu tenho informação sobre todo mundo.
Número de telefone, estado de saúde, endereço...
- Inclusive informações confidenciais. - Segredos?
Cadène, 35 anos, fez gestão comercial, mora no 20º bairro.
Sem opinião política. Observação:
Rapaz inteligente, profissionalmente eficiente.
Recebe tratamento especial da empresa, que assim o controla melhor.
Procura uma mulher distinta e atraente,
para receber convidados aos sábados, domingos e feriados.
O único homem realmente importante é
é o Barnay Jr.
Quando o velho morrer,
ele se torna não só o chefe de toda a empresa,
mas o dono de todo o império do pai.
Mas, infelizmente, sobre ele, não tenho nada,
além das fofocas da empresa.
Ele tem uma irmã...
- Por que ele não é casado? - Gosta muito de mulheres.
Um grande desafio para nós.
Como assim?
É um tipo perigoso.
Quase impossível de domar.
Temos que ter cuidado com ele.
Mas logo abaixo dele está o Delacroix.
49 anos, casado há 22, dois filhos de 16 e 18 anos.
Joga tênis toda terça-feira de noite.
Vive pela família e pelo trabalho.
Mais pelo trabalho, na verdade.
Tem um belo apartamento em Neuilly.
Nunca teve caso com mulheres.
O alvo ideal.
Por enquanto, continue sugando Cadène,
que pode nos ser útil mais para frente,
mas Delacroix será nosso alvo principal.
Almoça aos sábados com a mãe, depois de sair do escritório.
Como vai?
Não quer que te traga um cafezinho?
Não, obrigada.
- Talvez um copo de água? - Não, obrigada.
- Um suquinho de laranja? - Não é preciso.
Vamos tomar uma bebida juntos esta noite?
Não, obrigada.
- Até logo, então. - Até logo.
Tem a maquete hidráulica do Port Cergy?
Não a encontro no computador central.
Todas as informações estão bloqueadas até amanhã.
Merda!
Não podemos fazer nada. Vamos parar. Amanhã continuamos.
Senhorita, pode me passar as faturas da sra. Castaldi,
do sr. Guédiguian,
da SACIF
e da SOCIETEP. Obrigado.
O senhor deveria promovê-la.
- Quem? - A garota nova. Sandrine.
Ela é séria e muito trabalhadora.
Amável, simpática com todo mundo
- Então, a ventoinha do teto? - Está aqui.
Minha bolsa!
Mamãe!
Mamãe, o que foi?
- Está ferida? Você caiu? - Não foi nada.
- Está magoada? - Não é nada, filho.
Agradeça a esta garota.
Obrigado. Mas você é... a nova garota do escritório.
E o senhor é o sr. Delacroix. Que estranho!
- Bom dia, senhor. - Obrigado.
Então, o que aconteceu?
Um rapaz tentou roubar a bolsa da sua mãe,
e eu consegui impedi-lo. É tudo.
Você mora por aqui?
Não, passei por acaso.
Mas não foi nada.
Vou embora.
Não deixe-a partir assim.
Não me incomode. Senhorita!
- Como posso agradecer? - Não foi nada. Adeus.
Obrigada.
Aqui...
Assim mesmo.
Não, começamos por aquele...
- A Sandrine está aí? - Está.
O Sr. Delacroix quer que vá ao gabinete dele.
- Imediatamente? - Sim, imediatamente.
Sr. Delacroix.
Sandrine.
Bom dia, senhorita.
Sente-se, por favor.
Tudo bem...
A minha secretária está sobrecarregada.
Decidimos criar um novo posto de trabalho para a aliviar um pouco.
E eu pensei em você.
Ganharia mais e o trabalho será mais interessante, a longo prazo.
O que você acha?
Posso fazer uma pergunta sincera?
Com certeza, por favor.
É por causa da história com a sua mãe que me propõe isso?
Sim, quer dizer... Não, eu...
Escute, senhor,
não preciso que me agradeçam por ter feito o que fiz.
Sério.
Preferia aceitar um posto de verdadeira responsabilidade
no dia em que o senhor me considerar capaz, graças ao meu trabalho.
Mas estamos todos muito contentes contigo.
Não me leva a mal?
Não.
Posso ir agora?
Com certeza, senhorita.
Talvez eu tenha exagerado. Por isso...
Tem de comer esse.
Não, olha este.
Não tem nada dentro.
- Exato. - Aqui está.
- Isso se come? - Mastigue...
Cá estamos.
Me sinto verdadeiramente bem contigo.
Eu também.
Realmente bem.
Está zangado?
Não consigo.
É sua última experiência que te perturba?
Eu tinha esquecido completamente da minha decepção amorosa.
- Você deveria me contar sobre. - Contar o quê?
Faz bem conversar.
Alivia.
Não consegui esquecer completamente.
Só comecei a melhorar depois de dois anos.
Felizmente, tenho o trabalho, o escritório,
a simpatia de todo mundo.
Por isso que recusei a promoção.
Acho que estou me apaixonando por ti.
É cedo demais.
Mais tarde, talvez...
Pelo menos aceite, por favor. Aceite a promoção.
Pedirei que esqueçam a sua recusa.
Me promete que aceita?
Está bem.
- Obrigada. - Pelo quê?
Pelo cinema, o restaurante.
Por tudo.
Invejo aquele que casar contigo.
Quem era?
Me assustou.
- Então, quem era? - De quem está falando?
Para com isso, era o seu chefe de serviço?
Ou algum verdadeiro amante?
Você é um sacana.
Você nunca fala nada, igual os homens.
Eu conto tudo sobre a minha vida,
mas eu não sei nada de ti.
Vamos lá, eu não sou um homem ciumento.
Sou supersticiosa...
Se não era o seu chefe de serviço, era o verdadeiro amante?
Você não confia em ninguém!
Estou escondendo ele, porque é sério.
Quero ter certeza que ele é bom para mim.
Caramba! Que sonsinha!
Há que admitir que ela tinha coragem!
A verdade é que ela o escondia porque tinha medo de mim.
Mas eu nunca roubaria seu homem!
Além do mais, ela estava gozando com minha cara.
Suas belas lições sobre o amor, nosso inimigo número um,
aplicava-se aos outros, mas não a ela própria!
- Senhorita Sandrine Tessier? - Sim?
Eu sou a secretária do sr. Barnay Jr.
Está te esperando na Direção Geral.
Agora?
Já estou indo.
Tirei a sorte grande.
Você não dormiu com o Barnay Jr, não é?
Não. Fui convocada para ir ao ao seu gabinete.
Mantenha o sangue-frio.
Não estrague tudo. Ele tem fama de se meter com as garotas,
para depois as fazer sofrer. Sim, está bem.
Entre.
Caramba, ele é lindo!
Por um instante, até me esqueci do porquê estava lá.
Cheguei mais perto dele, não porque eu precisava,
mas porque queria vê-lo de mais perto.
E de perto, ele é ainda mais bonito.
Sente-se, senhorita.
E não se mexa, para eu poder contemplar a ave rara.
- A ave rara? - Você, senhorita.
Quer dizer...?
Vou te dar uma ordem...
A de se tornar a segunda secretária do senhor Delacroix,
em breve sua secretária particular.
Não diga nada, é uma ordem.
Tal como de não deixar a empresa Barnay.
Por que "deixar a empresa Barnay"?
Simplesmente no caso de você considerar que não mereceu,
só pelo seu trabalho, o cargo que hoje tenho de te pedir que aceite.
Senhorita Sandrine Tessier,
a empresa não pode se dar ao luxo de ficar sem você.
Uma jovem devotada de corpo e alma ao trabalho,
às horas extras,
que se recusa a ter uma vida sentimental.
Contratada por ser excelente em matemática.
Embora você seja, na maior parte do tempo, uma secretária.
Sabe, senhorita, atualmente,
alguém como você, tão destacada em matéria de mérito e moral, é lindo
e extremamente raro.
Podemos, aliás, nos perguntar o porquê.
A sociedade prova todos os dias que o mérito...
é a única coisa que interessa.
Eu sou a prova viva disso.
Parabéns pela sua promoção.
Até mais, senhorita.
A sua pessoa me interessa muito.
- A minha pessoa? - Sua personalidade eu digo.
Todo mundo gosta de você.
O sr. Delacroix é um homem notável,
bem colocado... - O que você quer dizer?
Que você é bem interessante para a empresa
e para mim. Você pode ir agora.
- Bom dia, minha senhora. - Bom dia, Sandrine.
Você não parece estar muito bem.
Pelo menos não recusou outra vez?
Sra. Mercier, faça o favor de nos trazer uma garrafa de champanhe.
Sra. Mercier, tenho prazer de Ihe anunciar a promoção de Sandrine
como minha segunda secretária.
A senhora se dedicou a mim durante 15 anos.
Agora merece um pouco de ajuda.
- Mas eu estava muito bem assim. - Te garanto que ficará ainda melhor.
Sente-se.
Nathalie começou logo a inventar uma trama
para a levar à reforma antecipada, um mês depois!
Oi, tudo bem?
Tenho dois lugares para o show da Madonna, amanhã à noite.
Eu não vou poder. Não saio daqui antes das 10 da noite.
Ao menos tem tempo para uma bebida, não?
Tenho muito trabalho para fazer.
Me diga a verdade, você está me evitando?
Está recusando me ver há semanas.
Estou te vendo agora.
Você entendeu o que quis dizer.
Te juro, estou completamente abarrotada de trabalho.
Sabe, Sandrine, dentro de pouco tempo,
todas estas máquinas e estes computadores
farão de nós seres completamente sós.
Sandrine?
- Boa noite, senhor. - Boa noite, minha senhora.
Não tem mais ninguém. Você apaga as luzes?
- Como sempre. - Obrigada. Até.
Para!
Um momento, por favor.
Os japoneses.
É o Sr. Delacroix.
Como está? Muito bem.
Os contratos estarão prontos...
daqui dois meses.
Estamos esperando você em Paris,
para assinar o contrato.
Para!
Estamos prontos para a reunião.
Sim, já estou indo. Feche a porta.
Não sei o que está acontecendo com a linha.
Não consigo ouvir você.
Está me ouvindo?
Não estou ouvindo.
Eu te ligo mais tarde.
Ok, te ligo mais tarde.
- Olá. - Como vai?
Onde você vai?
Vou voltar ao...
Vou buscar um café para o Delacroix.
E isso?
- Até logo. - Sim, até.
Olá. Então, e o ambiente?
É ótimo.
Sua gravata está mal colocada.
Até depois.
- Olá, Sandrine. - Olá.
- Como está? - E você?
Como vai as coisas com o Delacroix?
Muito bem.
Então, nos vemos esta noite?
Sim, te vejo a noite.
- Até logo. - Até.
Senhorita, preciso de você imediatamente.
É uma pena eu nunca ter tido meios de comprar um destes.
Quer ver minhas meias?
Para!
Você é louca!
Táxi!
Se me tivessem dito há dois meses
que você ia me fazer descobrir a vida...
aos 50 anos.
Um segundo sem você já é um sofrimento.
Por favor não se prenda a mim.
É tarde demais.
É verdade que entre nós isto não pode durar.
Mas não posso pensar nisso que fico em pânico.
Linha direta. Deve ser a sua mulher.
Alô?
É você?
Pobre velhote!
Dei a ele um pequeno momento de felicidade.
Não parava de me dizer pequenas coisinhas,
palavrinhas sem importância que provam que estava apaixonado.
Isso nunca me aconteceu.
Até cheguei a invejá-lo.
Eu fingia. Fingia amá-lo, fingia ter prazer com ele,
fingia tudo...
E no fim, eu não tinha nada. Absolutamente nada...
Exceto, talvez, Nathalie, mas ela não era um Príncipe Encantado.
Por isso, eu desejava ardentemente Christophe!
- Conhece bem a família Barnay? - O pai em especial.
É um velho francês autodidata,
com um forte senso de honra
e de responsabilidade... Um dinossauro.
Fundamos a empresa juntos, enfrentamos muitos problemas.
Isso criou uma verdadeira confiança entre nós.
Convidou-me várias vezes para o seu castelo.
Um castelo?
Não quer me levar contigo algum dia?
Você sabe que é impossível.
E Christophe?
Acho que dormiu com todas as garotas da empresa.
Agora que você está aqui, fico com ciúmes.
Bobo.
Não, sério.
Tenho muito medo dele.
Do pai também.
Ele quer que eu fique discretamente de olho nele.
- Por quê? - Isso já dura mais de 20 anos.
O velho acabara de criar a empresa, trabalhava bastante.
Um dia ele teve que ir para os Estados Unidos por dois meses.
O pequeno Christophe ficou sozinho com a mãe
e com a irmã, ainda uma bebê.
Na época eles ainda não tinham empregados.
A mãe morreu de repente.
Um enfarte que ninguém previa.
O pequeno Christophe ficou imóvel diante da situação,
durante quase duas semanas, sem avisar ninguém,
nem sequer o pai pelo telefone, que nada sabia.
O cadáver começou a se decompor.
O garoto só se mexia para alimentar a irmã pequena.
- Que idade ele tinha? - Nove anos.
Ele não teve reação aparente, estava até muito bem.
Exceto que não tinha medo de nada, nem de ninguém,
porque, dizia ele, "não passamos de pedaços de madeira".
Ficava falando que queria atacar o sol,
tirá-lo da terra ou usá-lo para incendiar o mundo.
E dizia: "Isso seria um crime!"
E ainda: "Seria eu, com isso, tão mau como Deus?"
Conversa de garoto...
Mas ele continuava falando isso quando tinha 19 e quando tinha 25 anos.
Ao mesmo tempo, parecia desafiar a morte, de avião, de carro.
Ele manipula as pessoas por diversão,
e se mete com gente perigosa,
para ver se matariam ele.
Levou muitas mulheres ao suicídio.
- Boatos! - Não.
Ele seduziu um monte de funcionárias.
Dizem que ele torturou e machucou elas ao ponto de
que duas delas jogaram gasolina em si próprias,
e se queimaram.
Queimaram vivas em frente dele.
Você acha que ele é maluco?
Ele sabe bem o que está fazendo.
São as mulheres que enlouquecem.
Por ele.
Especialmente quando sabem o que aconteceu às outras.
Eu gostaria muito de me livrar dele, pelo menos de o afastar,
mas é impossível. O pai dele se sente tão culpado em relação a ele,
que perdoa tudo que ele faz.
Talvez, depois dele morrer, eu passe a ter algum controle sobre o filho.
Isso seria bom.
Com as relações que tem, Christophe é quase intocável.
Se tivesse poder, ele seria terrível.
Estou há um tempo querendo te dizer isso...
Por que você não consegue uma substituta para a sra. Mercier?
Não.
Mas eu sempre estou atolada de serviço.
Ela perceberia rapidamente. Iria contar para todo mundo.
Não, eu tenho uma amiga de confiança.
Trabalha na sede.
Por favor, não insista.
Me deixe em paz. Não me toque.
Me dê isso!
Não ia engolir tudo isso?
O que aconteceu?
Por favor, me conte.
Vai...
Não quer contar?
Você deveria falar. Alivia.
Está agindo como uma garota apaixonada que foi rejeitada.
Se apaixonou por um homem comprometido?
Somos todas iguais.
Não vale a pena falar.
Não é nada de qualquer forma.
Eu estava apenas sonhando...
Vai passar.
A única coisa importante
é ir até ao fim com o que decidimos juntas.
Já conquistou Delacroix,
agora o convença a substituir a sra. Mercier por mim.
Mas não se esqueça do meu conselho,
não se apaixone, contente-se com o joguinho.
Não machuca.
Sr. Delacroix? É do Departamento de Pessoal.
A srta. Sandrine Tessier falou que está doente,
que irá faltar pelo menos uma semana.
- Que que ela tem? - Stress com a sobrecarga de trabalho.
Sandrine?
Sr. Delacroix, as assinaturas, por favor.
Volte daqui uma hora.
Desculpe, é muito urgente.
Por favor.
Entra.
Preferia falar com você a sós.
Por quê? Nathalie pode ouvir qualquer coisa.
- Está apaixonada por ela? - Não.
O quê, então?
Tínhamos vontade, as duas.
É o que faço contigo, não?
- Não é a mesma coisa. - É.
Meu Deus, por que fez isso comigo?
Eu não queria mais te ver, mas não consigo.
Eu desejei te matar outro dia.
Estava tão mal que queria te estrangular.
Não sou sua mulher nem sua filha.
Mas sou sua escrava.
Passo mais de 13 horas por dia no escritório.
A maior parte das noites contigo.
E agora, aos sábados e aos domingos também.
E ainda por cima tenho que estar bonita.
Há os cuidados com a beleza, as compras,
a lavanderia aos sábados...
E você se recusa a me ajudar.
Você quer que eu deixe a minha mulher?
Que eu vá viver contigo?
Não.
Só quero um pouco menos de trabalho.
E como preciso de alguém discreto, quero que seja a Nathalie.
E eu tenho de fechar os olhos quando vocês fizerem amor no escritório?
Eu sou livre.
Quando você volta ao trabalho?
Talvez nem volte.
- Depende de quê? - De você.
Sandrine?
Fui egoísta.
Quando sua amiga pode começar?
O desgraçado penetrara no Inferno!
Agora, pode ir, irmãzinha. Nos encontramos mais tarde, em casa.
Queiram me seguir, por favor.
Senhoritas, queiram me esperar aqui. Sr. Delacroix...
Por favor, sente-se.
Prazer verdadeiro é uma coisa rara.
Muitas mulheres, muitas pessoas nunca o atingirão.
É uma droga.
Uma diabinha que te prende mas continua escapando.
Só vivemos por ela.
Não é?
Não tenho nada a ver com as suas relações com sua mulher e sua família.
De certa forma, o invejo.
Mas o senhor trabalha para a empresa Barnay.
Tem muita responsabilidade.
Imagine que todos agissem como você.
Este local não passaria de um imenso sexódromo,
ele não funcionaria mais.
Infelizmente.
O senhor deveria ter sido um exemplo.
Estou falando alguma coisa com a qual não concorda?
Muito bem.
Este documento descreve o que aconteceu
entre o senhor e duas empregadas suas. Assine-o.
Essa declaração também diz que você...
aceita ser demitido da empresa por falta profissional grave.
Por isso, sem direito a indenização por demissão.
Está me pondo na rua?
Não,
vou fazer silêncio sobre esse assunto.
Estou pondo você sob vigilância.
Vigiado por uma assistente de minha escolha, é claro.
Estou esperando sua assinatura.
Obrigado.
Pobre velho...
O que vai fazer com ele?
Ele te assediou?
Usou da sua autoridade?
Não!
Então não escolheu a hipocrisia como defesa.
Devia ter escolhido?
Senhorita,
os vícios úteis e aceitos pela sociedade em breve se tornam virtudes.
Sandrine, acho que aceitamos as mesmas verdades.
Primeiro eu pensei que ele queria mostrar sua riqueza.,
o que achei muito vulgar.
Mas ele era bonito,
eu ansiava por ele e poderia perdoá-lo por qualquer coisa.
Dinheiro...
É ele que comanda os nossos sonhos e os nossos desejos,
determina a dimensão da nossa prisão.
Entendam, senhoritas, eu decidi fazer como vocês,
experimentar a verdadeira liberdade.
Brincar com a ordem social.
Seja essa ordem justa ou injusta!
De origem divina, ou humana, nada importa.
Recuso as normas,
a camisa de forças.
Eu proponho a vocês um jogo.
Você, Nathalie, vai voltar a trabalhar com Delacroix.
- Mas vocês se conhecem? - Somos amantes.
Bem, às vezes.
Sandrine, eu conheço todos os empregados desta empresa.
Eu tenho um arquivo confidencial sobre todo mundo,
e frequentemente procuro
me distrair de uma forma ou de outra com uma ou outra pessoa.
Nathalie tomou progressivamente o lugar de Delacroix.
Não oficialmente,
ele continua sendo o meu conselheiro técnico,
e ela, secretamente, os meus olhos,
os meus ouvidos,
a minha boca.
Comigo também?
Srta. Sandrine Tessier,
tenho a honra de Ihe pedir a mão.
Para uma união provisória, um jogo.
Que tipo de jogo?
Talvez o da sorte... ou do amor...
Um novo tipo de entretenimento... quem sabe?
Pelo menos por uns meses.
Um jogo com um lado utilitário também.
O meu pai vai morrer em breve,
e ainda hesita em me confiar todo seu império.
Ele ouviu uns rumores...
segundo os quais eu sou muito caprichoso,
muito leviano com as pessoas, para ele poder deixar à minha mercê
tanta gente de uma empresa tão grande como esta.
Mas eu quero esse poder.
Porque não há libertinagem sem dinheiro e proteção.
"Dependendo disso, seremos poderosos ou miseráveis"...
Esta noite eu invalide Delacroix,
meu eventual rival e cão de guarda.
Mas não quero correr nenhum risco.
Por isso, antes de meu pai morrer, quero fazê-lo pensar que
me tornei um homem sério e responsável por causa do amor.
Isso, é claro, é um negócio que você vai aceitar,
como um burro aceitaria, atraído pela cenoura e ameaçado pelo pau.
E o que é o pau?
A demissão imediata da empresa e o escândalo público.
E a cenoura: eu casar contigo.
No civil e pela igreja.
Tem que ser pela igreja e segundo às regras da comunidade.
O meu pai poderia desconfiar, e não sem razão para isso.
O aspecto religioso e a comunhão de bens
darão consistência ao nosso amor louco de algumas semanas.
Claro que nos divorciaremos após uns meses,
e você ficará com uma pensão mais que razoável.
Mas continuaremos casados pela igreja.
Esperarei tranquilamente o castigo de Deus.
Por que eu e não Nathalie?
Nathalie será mais útil no escritório, vigiando Delacroix.
Além do mais, você será muito mais crível como jovem esposa
vinda de um meio popular, ao mesmo tempo inocente,
fresca e viva.
Bom para minha imagem como empresário dinâmico.
Começamos nosso joguinho agora?
Vão para o banheiro feminino,
entrem numa cabine
e comecem a fazer amor.
Em cinco minutos me junto a vocês.
Não acabem antes de mim.
Então, Sandrine? Aceita o meu jogo?
Vai continuar sua brilhante ascensão social ou interrompê-la?
E foi aí que gozei pela primeira vez com um homem.
Ele, pelo contrário, tenho certeza que não atingiu o clímax.
Vocês são amantes há muito tempo?
Desde a nossa chegada à Barnay?
Ele sabia coisas que só podia saber por você.
Se nos surpreendeu com o pobre Delacroix
foi porque sabia que nós estávamos ali.
Então, o seu amante misterioso era Christophe?
Agora entendo porque me preveniu contra ele.
Se quer saber,
enquanto você manipulava Delacroix,
Christophe me manipulava.
Eu pensei que faria ele se apaixonar por mim!
Como posso ter sido tão estúpida?
E eu já não era tão ingênua...
Ele é mais forte que você,
que eu,
que nós duas juntas.
Ele teve tantas mulheres, tanta pessoas
na cama e em outros lugares, e com todas as combinações possíveis,
que nem o amor, nem qualquer forma de erotismo vulgar, Ihe interessam.
E é trágico para ele, porque ele adora prazer.
Sabe por que ele precisa de você?
Como ele te disse, ter o prazer de brincar com os outros
em grande escala.
Já fez com que outras mulheres cometessem suicídio.
E vai poder continuar destruindo.
Quanto a mim, minto,
iludo todo mundo.
É ele que me comanda em tudo.
Me comporto como uma escrava.
Uma escrava que, por amor, acaba por amar até isso.
Você não está falando nada com nada! Parece uma louca!
Escute o que a louca lê em sua mente.
Secretamente você espera que ele a ame,
às vezes até acredita nisso.
Você acha que, na pior das hipóteses,
ainda terá chances porque você ainda se mostra presente.
Pois bem, garota, você está sonhando!
Quando ele já tiver servido de tudo de você e não precisar mais de ti,
vai jogar você fora como um pano velho!
Por que fazer uma cena dessas por causa um casamento encenado?
Nunca tive nada na vida.
Nada nem ninguém.
Você não o ama. Ele é meu.
Não vou deixar você nem ninguém roubá-lo de mim.
Christophe me transferiu.
Agora tinha o meu próprio escritório na sede, no Champs Elysées.
Alô?
Sandrine?
Posso falar contigo?
Pode.
Está bem?
Sim.
Queria te dizer que está tudo acabado entre nós, e é melhor assim.
Mas de tudo o que se passou, eu vou lembrar de uma coisa:
Você me deu alguns dos únicos
momentos de verdadeira felicidade da minha vida...
de paixão intensa,
de sofrimento,
mas também de grande ternura...
Eu vou guardar você sempre no meu coração.
Isso que queria dizer. O resto já não tem importância.
Cuide de si mesma, Sandrine.
Adeus.
Este homem não estava atrás de vingança.
Compreendi mais tarde que ele me amava, simplesmente.
Com um amor que eu não era capaz de compreender.
Que não esperava nada em troca, nem sequer a minha presença.
Eu deveria ter ficado tocada, mas naquela altura só achei ele um homem fraco.
Além disso, eu só vivia à espera de um telefonema de Christophe.
E precisamente...
Esta noite, fique bem bonita.
Charlotte vai te buscar à meia-noite.
Então, vai ser minha cunhada.
A única perante Deus.
Por tão pouco tempo!
Um dia, um mês, um ano, que diferença faz diante da eternidade?
A minha nova irmã.
Bem-vinda à família.
Só te peço uma coisa: que seja você mesma.
Nascemos num mundo de mentiras.
Seja simpática conosco, sincera,
e nunca minta para a gente.
Christophe e eu dizemos sempre a verdade.
Especialmente quando ela magoa,
ou quando ela queima.
E agora, que comece a festa e que todos nós possamos aproveitar...
Charlotte, se levante.
Sandrine, você também.
Sandrine, fique atrás dela.
Acaricie o pescoço dela...
Os braços...
Os seios...
Tudo que eu fizer em você, você faz o mesmo na Charlotte.
Eu abro seu vestido,
tiro-o.
Eu acaricio seus seios,
sua barriga,
o interior das coxas.
Como ousa estragar meu prazer?
Por que você as escolhe? Ainda posso te dar prazer do jeito que você me ensinou.
Por que me rejeita?
Como conseguiu a chave daqui?
Eu sou diferente de todas as outras que você seduziu e rejeitou.
Eu nunca vou cometer suicídio. Não vou te dar essa satisfação.
Nunca.
Você já não é nada.
Amanhã a fechadura será trocada.
Te olho hoje pela última vez. E me dê de volta a chave.
Vem pegá-la.
Eu repito, sou mais forte do que aquelas que você rejeitou.
- Me dê a chave! - Já te disse, vem pegá-la.
Me bata.
Você me ensinou como a dor pode levar ao prazer.
Nunca mais eu quero te ver.
Não vê que estou sofrendo?
Quer dizer que você está viva.
Infelizmente!
Mas criaturas como você são desprezíveis.
Infelizmente, ainda preciso de ti no escritório.
Mas assim que meu pai morrer, você desaparece.
Para mim, é como se você nem existisse mais.
Eu preparo uma festa nova para você,
digna de ti.
Prometo.
Ainda posso ajudá-lo a conseguir outras garotas e protegê-lo.
Para com isso. Só vai fazer com que ele te odeie mais.
O que quer dizer que ele me ama.
Não tenho mais orgulho ou dignidade.
Não tenho mais nada.
Me dê todo o dinheiro que me deve.
No dia seguinte, fui buscar as minhas economias.
Dei tudo que eu tinha para ela, o que não era muito.
Ela pegou as notas, sentou-se no chão,
e começou a contar e a recontar.
Eu não existia mais.
Ela estava ali, no chão de seu apartamento,
quase feia com os seus olhos inchados.
Ela contava e recontava coisas difíceis pelos dedos...
Nunca me comoveu tanto como naquele momento.
Pela primeira vez na minha vida, eu me vi, sem querer,
com um coração de uma garota de 15 anos.
Eu não conseguia acreditar!
Meu marido era tão bonito.
E eu estava vestindo o meu belo vestido de noiva.
Christophe tinha escolhido a tática do casamento surpresa.
Só fui apresentada ao pai Barnay no dia seguinte.
E havia ainda Nathalie.
Christophe a tinha proibido de entrar em casa.
De repente, ao sair, a vi escondida num canto.
Os nossos olhares cruzaram-se.
Ela me odiava.
Admire este magnífico símbolo da nossa vida terrestre.
"E eu sou a morte de tudo,
"e sou o nascimento de tudo.
"A palavra e a memória, a estabilidade, a misericórdia
"e o silêncio das coisas secretas".
Sr., o seu pai morreu.
O nosso pai já não vive mais.
Acabou de morrer.
Me deixou como o único presidente da empresa.
Não acha que isso é uma bela coincidência?
O presidente está morto!
Viva o presidente.
E esta noite, mais que todas as outras noites,
amem uns aos outros.
Minha irmã,
"você chora por pessoas que não deveria chorar...
"Um sábio não lamenta nem os vivos nem os mortos,
"porque nós nunca existimos, nem eu,
"nem você,
"nem estes reis,
"e jamais nós cessaremos de existir".
Finalmente entramos no reino dos príncipes,
dos faraós e dos deuses.
Parem, por favor... Parem!
Não tinha o direito de me tratar assim.
Serei eu mais cruel que a vida e a criação?
Mais cruel que o Criador, se ele existe?
Já observou a violência da morte no rosto das criaturas?
Vivos, somos como deuses acorrentados;
Na maior parte das vezes muito covardes
para experimentar a verdadeira liberdade.
Vaidade das vaidades!
Só a morte opera a grande limpeza.
Você pode talvez
ter me ajudado a organizar o espetáculo do destino humano.
Você poderia até ter me trazido o sol.
Uma pena!
Assim que o divórcio estiver feito, você estará livre.
Vai levar umas semanas.
Você outra vez?
Nos deixe...
Olhe para mim.
Para que é isso? Você já não existe mais!
Não, não faça isso.
Eu poderia encontrar você lá em cima...
Vai nos aborrecer...
A mim, ao diabo e todos os meus outros companheiros de jogos.
Te aturar durante a eternidade!
Que horror!
A polícia chegou,
algemaram Nathalie e a levaram.
Ela nunca respondeu a pergunta que todos fizeram: por quê?.
A mídia ficou em cima do caso,
mas a verdade essencial permaneceu escondida.
Nathalie foi condenada a vários anos de prisão
e o caso caiu no esquecimento.
Casada com comunhão de bens,
e tão rapidamente viúva,
automaticamente herdei tudo que era, oficialmente, do meu marido.
Com Charlotte, assumi a direção do império que seu irmão tanto cobiçara,
aconselhada por Delacroix, que se mostrou um excelente colaborador,
discreto e totalmente fiel.
A vida continuou.
Após cumprir sua pena, Nathalie se casou...
com o seu carcereiro de prisão.
De nós três, ela foi a único
que verdadeiramente se casou.
E uns anos depois,
cruzei com ela por acaso.
Lá estava ela,
com o marido e o filho.
Todos pareciam simpáticos.
Depois de um tempo, nos aproximamos.
Olhamos uma para a outra...
Em silêncio.
Eu só olhei para ela.
Em seguida, tivemos de nos separar.
Ela e eu continuávamos a nos olhar,
sabendo que seria a última vez.
Então, ela inclinou-se para mim
e me pediu perdão.
A mim.
Nos olhamos mais uma vez
e beijei ela.
E depois, acompanhada do marido e do filho,
ela se afastou
e desapareceu.
Para sempre.
E nunca mais um dia se passou na minha vida
sem que eu pense nela, pelo menos uma vez.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.