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OS ACONTECIMENTOS E PERSONAGENS DESTA S�RIE S�O REAIS.
QUALQUER SEMELHAN�A COM A FIC��O � MERA COINCID�NCIA.
No final de 2017, eu estava acima do peso.
Eu fumava como uma chamin� e estava prestes a fazer 45 anos.
Eu estava na idade em que fumantes obesos infartam
e morrem a caminho do hospital.
Al�m disso, minha esposa tinha pedido o div�rcio.
Eu estava fadado a ter um infarto fulminante
e morrer jovem.
Isa.
Isa?
Isa?
BATIMENTOS ANTES DO INFARTO
- E a�, Ramon? - Bom dia.
Oi, aqui � Isabel. Deixe sua mensagem.
Amor, como est�? Cad� voc�?
N�o a vi quando acordei, deve estar na reuni�o mensal de m�es.
Acho que devemos conversar. Ainda precisamos falar sobre aquilo.
O que est� havendo agora� N�s temos que resolver.
No final das contas, n�s nos amamos.
E� quer saber? Vamos�
N�o quero parecer po�tico, sei que voc� n�o gosta,
mas vamos tentar resolver isso.
Est� louco, gordo idiota?
V� se ferrar!
O Melhor Infarto Da Minha Vida 1. ARIEL
Bom dia.
- Clarita. - Bom dia.
Como vai? � um novo penteado?
Fez luzes?
Combinou com voc�.
Pode fazer um favor?
Pe�a para a gr�fica me mandar uma c�pia de Amor em Tempestades.
- Quem escreveu? N�o conhe�o. - Eu, Clarita. � meu livro de poesias.
- Ah. - Desta editora.
Foi mal, me desculpe.
N�o est� na lista de impress�o. N�o foi registrado.
Aposto que n�o inclu�ram. Droga!
Conhe�o Ariel desde o jardim de inf�ncia
do Col�gio dos Irm�os Marista.
O Gordo sempre foi um desastre, mas a melhor pessoa do mundo.
Isabel tamb�m � �tima.
Ela sempre apoiou o Gordo.
Mesmo quando os m�dicos disseram que n�o poderiam ter filhos.
Mas, claro, ap�s 15 anos tentando fazer dar certo,
aposto que isso arruinou a rela��o deles.
Sim, eu entendo. Ariel!
Isabel j� o botou de lado.
Mas o Gordo n�o desiste e acalma seu cora��o
escrevendo livros de poesia que nem a pr�pria m�e compraria.
Ele compensou seus fracassos escrevendo sob pseud�nimo para famosos.
O que n�s, editores, chamamos de "escritor fantasma".
Desde que me lembro, escrevo e fumo ao mesmo tempo,
como se ambas fossem uma s� a��o.
Tudo o que fa�o antes de acender o cigarro � s� um aquecimento.
Antes de fumar, pode ver porn�, como uma forma de relaxar.
Pode fazer umas anota��es,
para fingir que n�o � dependente da tecnologia.
Pode fazer muitas coisas antes de fumar.
Mas seu c�rebro sabe que s�o s� preliminares.
A hist�ria sempre come�a quando o fogo explode na garganta.
N�o antes. N�o.
Sa�de.
Por que n�o trabalha na sua mesa?
N�o pode fumar l� embaixo.
Aqui tamb�m n�o.
�, eu sei.
Mas voc� � o chefe e meu amigo de longa data.
Ainda est� dormindo no sof�?
- O que voc� quer? - O que eu quero?
Que deixe a tristeza de lado
e resolva as coisas com Isabel, porque preciso de voc� bem.
Vai adorar o que vou te contar.
- �? - Conhece Augusto Briganti?
Sim, o advogado. O idiota da TV.
Voc� escrever� o livro dele. Ele sempre est� na m�dia.
O livro contar� esc�ndalos das celebridades.
Vai vender como �gua.
Pagarei o dobro do que recebeu pelo �ltimo livro,
mais uma porcentagem dos lucros.
Gosto do rumo desta editora.
S�rio. Seu pai ficaria orgulhoso.
Qual �, Gordo! Pega leve.
Sei que precisa do dinheiro.
Eu posso escolher Omar.
Est� bem.
- Eu vou fazer. - �timo!
Vamos jantar com ele �s 21h.
Tome umas dez x�caras de caf�.
Precisa estar alerta. Ele � afiado.
E se arrume um pouco, est� bem? Um palet�, uma gravata.
O restaurante � fino.
- Anotado. - Mais uma coisa.
Fale com sua esposa. Resolva tudo.
- Oi. - Oi.
Victor!
- Ariel! Como vai? - E a�, Victor?
Por que n�o faz uma aula?
- � de gra�a para voc�. - Estou ocupado, Victor.
Veja quem est� aqui. Seu Ursinho Carinhoso.
Seu Ursinho Carinhoso veio te ver no seu trabalho,
esquilinha musculosa. Quer almo�ar?
Pantera. Esquila, nunca mais.
- Estou ocupada, Ari. - Fez uma tatuagem?
Eu cubro sua aula de Body Combat �s 14h.
V� almo�ar com seu marido.
Est� bem.
De nada.
Algu�m precisa apoiar o �ltimo rom�ntico restante.
N�o acha?
Ele � o melhor advogado da Argentina.
N�o dizia que ele era um palha�o?
Ele �.
Mas faz isso para pensarem que ele � assim.
Na verdade, ele � incr�vel.
Quero dar mais uma chance para n�s.
Uma segunda chance, Isa.
Quero mudar. Sei como sou, mas farei uma dieta.
- � minha �ltima pizza. - Calma.
Vou fazer exerc�cios.
J� disse o que eu quero, n�o disse? N�o insista nisso.
Estou falando s�rio. Vamos fazer terapia.
N�s j� fizemos.
Uma nova terapia. Soube de algo sobre constela��es.
J� tentamos isso, lembra?
Ariel, estou saindo com algu�m.
O qu�?
Desculpe, n�o s� saindo. Eu�
estou apaixonada por algu�m.
Algu�m diferente de mim?
Sim, uma pessoa completamente diferente.
Est� brincando?
Viemos almo�ar e resolver nossas diverg�ncias.
- O que houve? N�o entendo. - Ariel, somos adultos.
N�o s�o diverg�ncias,
empurramos com a barriga por muito tempo.
Podemos nos reinventar, cada um com sua vida.
� porque n�o podemos ter filhos, n�?
N�o � isso. N�o seja t�o quadrado.
� imposs�vel falar com voc�. N�o � isso.
Eu disse naquela �poca que isso acabaria com a gente.
- Quem �? - N�o importa.
Importa para mim. � seu s�cio?
Aquele que era "s� seu s�cio".
Notei como ele te toca e olha para voc�
- Pare com isso. - � o Victor, n�?
� o Victor.
Eu sou escritor. Sei como os personagens pensam.
Acha que n�o percebo, mas n�o sou idiota.
Acha que sou idiota?
� um pouco, mas � uma boa pessoa.
Desejo o melhor para voc�. � s�rio.
- Como assim "desejo o melhor"? - A partir de hoje � noite,
quero que v� morar com sua m�e.
Vou empacotar suas coisas.
Amanh� voc� pega quando eu n�o estiver l�.
N�o acredito que escolheu Victor. N�o creio nisso.
Ari, � mais dif�cil para mim do que para voc�. Acredite.
Voc� n�o entende nada.
Que jeito estranho de me "desejar o melhor", hein?
Vai viajar em lua de mel com aquele baixinho musculoso?
- Cheio de Botox. - Ari�
- N�o acredito! - Eu te amo.
- Eu posso acabar com ele! - Eu te amo mesmo.
Eu acabaria com ele!
Eu faria isso se n�o soubesse que ele acabaria comigo!
- Com licen�a. - Desculpe.
Briganti est� ali.
- Desculpe o atraso. - Como vai?
Ariel, este � Augusto Briganti, o rei da lei.
Augusto, Ariel, o rei da prosa.
- Sentem-se, por favor. - Obrigado.
� um prazer. Por que o atraso? Muito tr�nsito?
N�o. Perdemos a no��o do tempo conversando sobre os problemas dele.
Ele est� com problemas com a esposa.
Na verdade, ela�
o expulsou de casa.
Ap�s 15 anos juntos, ele sempre a sustentou�
N�o saia.
N�o ouse sair de casa. Pode ser considerado abandono do lar.
Se morder a isca, n�o tem volta.
H� muitas estrat�gias para casos assim.
Por exemplo, cuidei do div�rcio do Petardo Rodriguez,
a mulher dele n�o levou um centavo.
Ela teve que sair do pa�s.
Eu contaria mais, mas � sigilo entre advogado e cliente.
Foi isso, o cara parou de sofrer.
Neste caso, o apartamento � dela e estamos nos separando�
Al�m disso, eu ainda a amo.
- Nunca faria isso com ela. - Entendo, mas n�o d� mole.
Vamos falar sobre o livro.
No direito, a regra de ouro � dizer "n�o".
Voc� precisa dizer "n�o".
Aceite isso como um conselho gr�tis.
Sabem quanto custa um conselho do Briganti.
Muito obrigado, Augusto.
Na verdade� N�o � nada.
- Vamos aos neg�cios. - Sim, por favor.
Vamos ao ponto.
Preciso de um livro perfeito, terminado em 30 dias.
Porque temos a audi�ncia de Martillo Mu�iz.
Est� na m�dia, vou mostrar para todos.
Espere. Voc� explicou a ele? � imposs�vel fazer um livro em 30 dias.
Perfeito! Amanh� vou � Espanha, podemos agendar para lan��-lo
- na Feira do Livro de Madri. Ent�o� - N�o.
Pode fazer ou n�o?
Claro que ele pode. N�o sabe quem ele �?
O mago das biografias.
Os livros das celebridades que v� por a� foram provavelmente escritos por n�s.
- Bem, por ele. - Sr. Briganti, como vai?
- Oi, Pablito. Conseguiu resolver? - Estou tentando.
�timo. Vamos querer moleja, costelas, pappardelle trufado,
traz tamb�m um Luciano Bossi e um Weinstein Chardonnay.
- �timo. - N�o precisa.
- � convite do Briganti. - Alguma salada?
Olhe para n�s.
N�o somos vacas. N�o comemos pasto.
Bem�
O poeta aqui parece um bovino.
- Pode deixar. - Corra para a cozinha, Pablito.
Perfeito. Onde est�vamos?
Vai fazer o livro em 30 dias? Temos um acordo?
Para mim, um aperto de m�os � como assinar um contrato.
Estamos entendidos?
- Sim. - �timo.
Caso encerrado, terminamos. Agora, vamos nos empanturrar.
Vamos terminar o vinho, a moleja e seguir para o cabar�.
- Eu n�o vou, obrigado. - Cabar� � o teatro aqui ao lado.
Pelo tempo que temos para escrever o livro�
N�o est� dando para tr�s, est�? Voc� assinou um contrato.
N�o, quero dizer que preciso ir ao seu escrit�rio.
Para qu�?
- Fazer entrevistas. - N�o vai me fazer trabalhar, n�?
Que tal me dar seu n�mero? Vou mandar mensagens de voz
sobre coisas que eu for lembrando.
Vai ser bem mais r�pido.
Tempo � dinheiro, baby.
Vou mijar.
Algum de voc�s quer me acompanhar?
Quando tudo isto foi privatizado,
- eu fui pe�a-chave nesta venda. - Sei.
Foi reformado e agora est� assim.
- Incr�vel. - Por aqui.
- Tente se divertir. - Eu n�o quero.
Est� bem.
Entrem, Alan reservou a mesa da frente para n�s.
- Que �timo! - �.
Sua mesa, Dr. Briganti.
- Obrigado. - Obrigado.
Obrigado.
Esta noite promete.
Branquinha e Azulzinho.
Diretamente de Lavapi�s, Madri,
Johnny e Los Chungos.
Quillo.
Ol�.
Ei! Vamos!
Ela est� te olhando.
� verdade, ela est� te encarando.
Toma.
N�o, n�o, n�o.
Vamos, n�o seja bobo. Ela est� determinada, vai acabar com voc�.
Vamos curtir por a�?
Claro, por que n�o?
Concha!
Dale.
Obrigado, tocaremos um �timo instrumental�
Seu olhar se confunde com o meu�
com movimentos sutis.
Voc� pode ver al�m dos sentidos?
Consertar este cora��o frio? Traz�-lo de volta � vida?
"Lembre-se de n�o voltar para casa.
A pantera quer ficar sozinha.
Por favor, fique na sua m�e."
"Ari, fant�stico! Voc� saiu com a dan�arina espanhola!
N�o volte. N�s arranjamos duas loiras.
Se foi ao banheiro e n�o est� com ela,
mesmo assim, n�o volte."
Claro, vou embora com ela. Imbecil.
Com licen�a, pode me dar um?
Cigarro, tem um?
- Ah, sim. - O meu acabou.
Obrigada.
- Fogo, por favor. - Claro�
Fez um �timo show.
Foi muito� excitante.
- A coisa com os sapatos e� - Voc� estava l�?
Sim, eu estava vendo voc�.
- Estava na primeira fila? - Sim.
Ent�o era uma gravata! N�o creio.
Voc� me salvou. Bem, sua gravata.
O qu�?
Subi ao palco sem lentes de contato, n�o conseguia enxergar nada.
Mas por causa da luz negra,
sua gravata parecia uma lanterna.
- Ah. - Usei como ponto de refer�ncia
para n�o ficar zonza. Bonito tecido.
Pensei que estava olhando para mim.
N�o. Por que eu faria isso?
N�o d� para ver rostos do palco.
Mas sua gravata brilhante�
Qual �! Voc� parecia um farol.
Bem, prazer. Sou Concha. �, eu sei.
Pode me chamar de Maria, porque aqui, Concha n�o rola.
Sou Ariel.
Mas pode me chamar de Br�ulio na Espanha.
O que est� escrevendo a�?
- Aqui? - Sim.
Bem�
- Um poema para voc�. - Para mim?
- Sim. - Claro.
- Cara� - O qu�?
Nossa, voc�s argentinos s�o fogo!
- O qu�? - Voc�s t�m uma l�bia, hein!
- Voc�s aprendem isso na escola? - Poesia?
Voc� � r�pido.
- Garota. Voltamos em cinco minutos. - J� sei, Tito.
Tenha muito cuidado.
N�o converse com uma mulher com um cravo na cabe�a.
- Tito� - Pode sofrer uma maldi��o cigana.
Vou segurar Johnny.
N�o suma. N�o quero problemas. Amanh� � o �ltimo dia.
Diga isso ao Johnny.
Viu isso?
� assustador.
Vamos!
Vamos, garota.
Estou indo, Tito. Tenho que trabalhar.
- Termine o poema. - Sim. Espere um segundo.
Prometo que vou terminar, mas n�o sei se a verei de novo.
Se quiser, ou estiver livre, me ligue.
Eu adoraria tomar um caf� com uma Concha.
N�s nos veremos de novo.
Sr. Br�ulio.
- Quem � ele? - Por que quer saber?
D� as lentes de contato ou n�o dan�arei.
Ariel!
Falei para n�o vir.
BATIMENTOS ANTES DO INFARTO
Legenda: Marina Villar
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