All language subtitles for A Night Full of Rain (1978)

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Original subtitles

DOIS NA CAMA NUMA NOITE DE CHUVA

Acredita-se que as causas diretas destas catástrofes...

devem ser atribuídas à destruição do equilíbrio ecológico.

Onde uma vez a vida floresceu, agora há um terreno baldio.

Um mundo cheio de maravilhas está sendo destruído.

A tetraclorodibenzodioxina...

o mesmo desfolhante usado no Vietnã...

chega lentamente à superfície através das águas subterrâneas.

A chuva continua caindo em quantidades alarmantes.

Inundações graves começam a aparecer.

E assim que a TV é desligada...

...silêncio.

Mas isso não é silêncio.

-Isso é... -Casamento!

Mas a culpa é dele.

Por que ele não fala com ela?

Ele está trabalhando!

Por que você não fala com ela sobre o trabalho?

Ele não se importa com a opinião dela.

Claro. Ele está convencido de sua superioridade intelectual.

Obviamente, o típico homem mediterrâneo.

Eu me pergunto, "por quê?"

Você acha que ele deveria escutá-la?

Nunca ouça uma esposa.

Especialmente se for americana.

Para você, americano significa capitalista...

e esposa significa idiota.

Não, não... significa "pesadelo".

Não.

A verdade é que eles nunca deveriam ter se casado. Pense nisso.

Uma linda garota americana com alguém como Paolo.

-Um comunista. -É verdade!

Eles se apaixonaram desde o começo.

Na procissão. Eu estava lá.

Foi em 1968 e ela acabava de chegar de Paris...

com muita merda na cabeça...

entre Marcuse, os seguidores de Mao

feminismo e o poder da imaginação.

Bem, ela ia para a região da Calábria...

mas como Paolo, ela parou para ver aquela procissão

na antiga Pádua.

Lizzy! Aonde você vai?

Pare!

Sinto muito.

Eu só estava tentando ajudar.

Pensei que ele estava maltratando ela.

Vocês não entendem... Não, esperem...

Espere! Espere!

Vem comigo!

Vamos!

Por aqui.

Lá dentro.

Rápido!

Corre!

Vamos!

Anda, eles estão furiosos!

Meu Deus...

Que lugar é esse?

É um antigo mosteiro.

Louvado seja os monges!

-Nossa... quase me mataram. -Cuidado.

Que filho da mãe. Quase me mata.

É mesmo.

-Você o viu? -Vi.

Parece que estava completamente louco.

Mas você também.

Vir aqui para dar uma demonstração do feminismo.

No sul.

Isto não é Paris, sabe?

Como você sabe que eu sou de Paris?

Adivinhei.

Não me conte mais.

Então você vem de Paris.

Claro... isso explica tudo.

A revolução estudantil, o Maio francês...

Aquele circo...

Aquele espetáculo de fenômenos.

Já entendi.

-Você é fascista. -Bem, não.

Simpatizo com a polícia, porque você...

mesmo que esteja do lado certo...

você é a rica.

Enquanto a polícia, que está do lado errado...

são os pobres.

Entendeu?

Droga.

Não pode escapar.

A porta está fechada.

Está trancada aqui comigo.

Não há nada que você possa fazer.

Você terá que me ouvir, minha burguesinha.

Burguesa uma ova!

Lutou contra os pobres policiais.

Em vez disso, deveria ter lutado contra seus amigos ricos...

mas não o fez.

Não o fez porque tem que ir a um jantar hoje.

Mentira!

É por isso que você prefere bajular.

Eles temem a noite em que a próxima revolução seja sua...

como o Maio francês.

Uma revolução com...

Como se fala isso? Cílios, não?

Uma revolução com cílios postiços

e sapatos Gucci.

Vá para o inferno.

Mas isso é história.

Aonde você vai?

Você não gosta de ouvir a verdade, querida.

Não consegue nem abrir a porta, revolucionária?

Tente.

Com força... vai, minha senhora...

Revolucionária...

Fidel Castro...

Estou indo.

Eles fizeram cocô nas calças.

E tudo voltou ao que era antes.

Não.

Nunca mais será como antes.

Como antes, como antes...

A verdadeira e única revolução...

é a dos proletários contra os capitalistas.

Minha nossa, você é comunista!

Deus!

Você ganhou uma geladeira!

Pior ainda, porque sou comunista stalinista...

Que se alimentam de menininhas americanas, imperialistas fofas

e apetitosas como você.

Ele ela gostou. Como você.

Portanto, minhas queridas mulheres, é tolice discutir com Paolo...

ela gostou dele.

Mesmo sabendo que ele era um comunista com um terrível caráter.

E o destino, idiota?

Eles se apaixonaram!

Amor.

Romeu e Julieta.

Um momento.

Mas Romeu e Julieta eram um ótimo casal

só porque estavam destinados a morrer no quinto dia.

Imaginem se Julieta tivesse acordado.

Eles teriam vivido infelizes para sempre.

Podem imaginar as discussões

entre as famílias Montéquio e Capuleto?

Entre os primos, os cunhados

as cunhadas, os avós...

Mas a conclusão é...

que os grandes amores devem morrer no quinto dia.

Porque o amor é uma coisa e o casamento é outra.

Homens!

Sempre mudando de assunto.

Amor e casamento não são o problema.

O problema é Paolo.

É Paolo.

Sempre Paolo. Só o Paolo.

Claro.

Sabíamos desde o início exatamente o que ele era.

Um filho da mãe.

-Um filho da mãe. -Um filho da mãe.

Ouviram a dama... na igreja?

É ridículo.

Paolo naquele momento, pelo contrário, foi muito gentil.

E pronto.

Ela foi a errada.

Veja.

Desculpa.

Olha... posso perguntar uma coisa?

O que você pensa quando ouve a palavra "amor"?

Penso que você é um bobo.

Um bobo?

Bobo?

Não, é sério.

Você pensa no amor como um sentimento ou como... erotismo?

Ainda acho que você é bobo.

Vou confessar algo para você.

Geralmente, o amor me causa um reflexo condicionado...

e penso em bunda e peitos.

Peitos e bundas?

Peitos e bundas, isso mesmo.

Então pensa nisso. Muito interessante.

Sim, eu confesso.

Muito interessante.

É a reação típica de um comunista católico e romano italiano.

Agora farei outra horrível confissão.

Diga-me, filho.

É, porque...

desta vez não estou pensando em peitos e bunda.

Estou pensando... em amor.

Aguenta firme, coração.

É verdade.

O problema é que você é realmente bonita.

Demais. É uma provocação.

Você é estupenda.

Você é maravilhosa.

Estou disposto a amar...

Simplesmente porque estás perto de mim.

-Adeus. -Não. Fique aqui.

Relaxe.

Entregue-se ao prazer onanista do confessor.

-O que você disse? -Isso.

O prazer onanista do confessor...

porque o confessor era o psiquiatra da antiguidade.

Muito bem.

Terapia para as massas.

As possibilidades políticas eram incríveis.

Não só políticas.

Pense em quantas palavras de amor...

foram sussurradas neste lugar.

Meu Deus, eu te amo acima de todas as coisas, com todo o meu amor.

Deixe amá-lo mais e mais...

Uma religião muito sexy.

Ah, sim.

Os pecados do desejo...

Amor queimando na solidão.

Imagine.

Não tenho ideia.

Imagine aqueles monges...

em silêncio total.

-Pense nisso e ouça. -Estou pensando.

Ouça.

Silêncio por séculos.

Não posso acreditar, mas...

está acontecendo comigo.

Porque...

sua beleza me comove profundamente.

Porque você é toda dourada

como um pêssego.

Radiante.

-Bela. -Agora chega.

É ridículo, eu sei.

Mas, sei lá. Acho que me apaixonei por você

quando a vi naquela praça como um anjo antigo.

É, um anjo.

O que foi isso?

Isso é Dante.

Dante. Queria eu traduzi-lo para você

mas nem mesmo Shakespeare poderia traduzir Dante.

Mas para você... eu tenho que fazê-lo.

-Obrigada. -Olha.

"Parece algo...

vindo do céu à terra

para mostrar um milagre.

E ela...

ela aparece tão adorável...

para quem a está observando.

Ela brinda através de seus olhos...

a doçura ao coração

que não pode entender se não prová-lo."

Sim.

Agora entendo.

Você é um anjo.

Eu tentei resistir. Eu tentei...

fazer piada sobre isso.

Eu amo você.

Eu amo você.

Eu nem sei quem você é, mas eu a amo.

É como um feitiço.

Quando me aproximo e sinto seu calor...

quando toco você e sinto sua pele...

quando beijo o seu pescoço...

quando sinto seus lábios...

seu sabor...

Está morta!

-Ela está morta! -Não se preocupe.

Ela está feliz.

Está conosco.

E os anjos.

Os santos.

Eles esperaram por nós...

por séculos.

Não sente isso?

Sinto...

Por favor, não resista...

ao que está acontecendo.

A esta espécie de encantamento.

Você não vê a beleza disso?

Não sabe o quanto eu adoro.

O quanto eu adoro...

que apesar dos sentimentos não me interessar

você crê em tudo.

Porco! Porco...

Filho da puta!

Assim que eu gosto. Com raiva.

Filho da mãe!

Eu gosto.

É melhor assim.

Eu vou abusar de você.

Assim você terá algo emocionante para contar

a suas amigas dos Estados Unidos.

Espere... querida...

Espere.

Vocês, estudantes, fazem amor, não guerra...

e ainda me dá um chute no saco?

Transmitimos de Fort Benning, Geórgia.

O público americano e a imprensa mundial

aguardam o veredito do julgamento de Calley.

O fotógrafo do exército americano Ronald Haeber

acompanhou a missão

que resultou na morte de 109 civis vietnamitas

em março de 1968.

Fotografias reveladas que horrorizaram o público

no final de novembro de 1969.

Seus relatórios e fotos causaram uma investigação do exército.

O tenente William Calley

é acusado de cometer vários assassinatos.

O que você está fazendo aqui?

Sou jornalista.

Haeberle encontrou uma pilha de corpos perto da vila de My Lai.

As vítimas neste caso eram mulheres e seus filhos.

Oh, os Estados Unidos... os Estados Unidos.

Ainda temos tempo antes do veredito.

Vamos beber alguma coisa.

Não tenho buzinas ou um tridente...

Nem sinto cheiro de enxofre.

Eu sou até míope.

Por que não quer jantar comigo?

Tem vergonha de ser vista com um comunista?

Não seja ridículo.

Não é nada disso. Eu não posso.

Tenho que voltar para casa hoje, em São Francisco.

Cuidado, pois também posso encontrá-la em São Francisco.

Me dê o seu número de telefone.

Não.

Por que não?

Porque eu simplesmente não quero estar com você.

Continua a mesma garota sentimental.

Vá para o inferno.

Que cheiro é esse?

Como você é hostil e insuportável.

Não, mas... o que estão dando para você comer?

Olhe para Marx... e a Virgem Maria.

Ela acabou de dormir, fique quieto.

É estranha.

É uma criança estranha.

Estranha.

Papai...

Papai, me deixa ver seu "pistolino".

O quê?

Me deixa ver seu "pistolino".

Por favor.

Está maluca.

Vamos, papai está ocupado.

Não! Eu quero vê-lo.

Alice, vamos... Vamos.

-Não, eu quero vê-lo! -Vamos, Alice.

-Eu quero vê-lo! -Não!

-Eu quero vê-lo! -Chega. Papai está ocupado.

Não, eu quero ver seu "pistolino"!

Chega, Alice.

Por que não?

Alice, venha aqui. Eu quero que você use isso.

Roupa casual.

Finja ser indiferente.

Eu sei, mas por quê?

Eu tiro.

O que está fazendo?

Pare.

Quero ver se é igual ao do Marco.

Marco?

Quem é Marco?

Não se preocupe, papai. Deixe-me ver.

Não se preocupe, papai. Deixe-a ver.

Anda, Alice. Vamos terminar de amarrar.

Não seja tão italiano.

Quer que ela seja reprimida e neurótica?

Mostra.

Alice, aqui está o seu casaco. Vá buscar a boina.

Vista-o, Alice. Vista-o.

Não, eu quero ficar aqui.

Quero ver o "pistolino" do papai.

Está bem.

Aqui está.

O do Marco é maior.

-Quem é esse Marco? -É um amiguinho.

Um amiguinho? Como um amiguinho?

É um exibicionista...

e também um monstro.

Estranha.

Ela é estranha.

Tem que vigiá-la.

Calma, eu a vigio.

Vigia, sim.

Como?

Do seu escritório?

Tenho que ir ao escritório.

Não é exatamente um passatempo.

É o meu trabalho.

Trabalha porque gosta do luxo.

Você não precisa trabalhar.

Não é que moramos aqui como em baixo de uma ponte.

Ainda bem.

A casa da sua tia é incrível e deslumbrante

é uma joia... mas somos hóspedes aqui.

E daí?

O que tem? O que há de errado nisso?

Quer saber?

Esta casa é como a da Itália.

É linda e não há dinheiro para mantê-la.

Se eu não trabalhasse, passaria o dia todo

encerando o chão da sua tia...

como uma empregada

Não... como uma esposa.

Mas você prefere viver como uma dama, como suas amigas.

Meu anjo...

foi você quem me ensinou a ótima vida

de moda comunista.

O quê?

Está tentando ser engraçada?

Que moda comunista?

Você sabe muito bem que nossos amigos são uma mistura

de socialistas, radicais e feministas.

E eles nem estão na moda.

O único comunista verdadeiro aqui sou eu.

E eu também estou muito na moda.

Eu que o diga.

Sou eu quem paga a mulher que passa suas camisas cheias de creme de barbear.

-Não é verdade, camarada? -Claro...

porque sou cafetão, certo?

Deus nos livre. Você é casto e puro... e pobre.

Ah, sim.

Pobre, sim. Graças a Deus.

Não estou nem aí para o dinheiro.

Conforme-se.

Se você gosta, ótimo. Se não...

pegue um voo e volte para sua mãe, criança.

-Babaca. -Vou tomar banho.

Você também me decepciona.

Com estes seios.

Veja, belas nádegas

mas os seios nem tanto.

Gosto de seios grandes.

E eu gosto de sacos pequenos.

Ela está certa.

Você não percebe como fala de nós?

-E com que desprezo? -Você se acha muito civilizado...

Levante o dedo, levante o dedo!

Moralidade e justiça para as mulheres!

Não acreditamos que você esteja bem.

Se você nunca traiu Paolo

como pode ter certeza de que ainda o ama?

Talvez um dia você vá para a cama com um mecânico.

Ou comigo.

E descobrirá que você nunca teve um orgasmo.

Minha querida, isso é importante.

Não sabe quantas mulheres nunca tiveram um orgasmo?

Este é um fato revolucionário.

Talvez o mais revolucionário do século.

Um fato que pode acabar com 2000 anos de civilização.

Vem aqui, amigo.

Mais lixo.

-Paolino. -Sim.

Não está dormindo?

Não. Vem me dar um beijo.

O que está fazendo?

Lendo o jornal em que você escreve.

Está lendo as mentiras que escrevemos todas as noites da sua vida?

Gostou?

Você está ficando velho.

Não leve as coisas tão a sério.

Não.

Boa noite, durma bem.

Espere. Há algo que eu quero que você ouça.

"As feministas devem usar toda a sua energia formidável

para deter esta maligna civilização masculina

porque já está claro que continuar deste jeito

é idiotice, é desumano e acima de tudo letal.

É preciso parar o momento...

e com o risco de retroceder

tentar trazer de volta a vida a uma dimensão mais humana.

Mas se não tiver a coragem

de realizar essa revolta anti-histórica

as feministas estão condenadas a serem usadas como uma bomba

nas mãos da insanidade masculina

impotente para moderá-la, para torná-la menos vulgar e brutal.

Mas se dois bons seres humanos...

ambos estão de acordo em seu amor

e em sua necessidade, milagrosamente conseguem ficar juntos

e resistir...

devem trancar-se em suas casas

e não deixar que o fogo se apague.

Abrir as portas aos poetas, assar pão.

Esse casal é o círculo mágico da salvação.

Homens sanguinários uivam do outro lado da porta.

É noite e não resta tempo para mudar."

Lindo, não acha?

Talvez eu só seja uma velha boba

mas acho que são belas palavras.

-Lembram-me seu tio. -É.

Saia daqui.

Boa noite, Paolino.

Boa noite, tia.

Saia.

Ei, o que é isso?

-Que está fazendo? -Não interessa.

-Quem está procurando? -Fora.

O que está acontecendo?

Ligue o carro e vá embora.

Você me entendeu?

-Está doido? -Não, não.

Então deve estar bêbado, só pode.

Não estou bêbado.

Vai embora, cara. Se manda.

Um momento. Ei, um momento.

-Joss... -Você conhece esse cara?

Entre no carro e vá embora.

-Você o conhece? -Sim, ela me conhece.

Estou perguntando a ela. Você o conhece?

Ela me conhece!

Tire suas mãos.

Está procurando encrenca?

Joss, você vai matá-lo!

Não enche o saco, cowboy.

Joss, deixe-o...

Joss...

Ela está comigo. O que pensa que está fazendo?

Onde está levando-a?

Vou acabar com você!

Vamos!

Joss!

Não! Deixe-o em paz. Ele é menor que você.

É pequeno uma ova!

Vou matar você!

De que lado você está?

Ele parece tão fraco.

-Vamos. -Pare!

Espere até eu colocar as mãos em você.

Venha aqui, patife.

Que está fazendo?

O que está havendo aí?

Chega!

-Você procurou por isso. -Me solta.

A polícia!

Muito bem, rapazes, parem com isso.

Não os machuquem. Esperem.

Eu os conheço.

Vamos, andando.

-Conhece aquele cara? -Nem sei quem ele é.

Ele é italiano. Não entende.

-Você o conhece? -Conheço, é meu amigo.

Eu moro aqui, naquela casa.

-Tchau, linda. -Esperem!

FIM DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO

200 dólares.

Felizmente, meu amigo Einstein veio pagar a fiança.

É provável que no próximo voo me mandem de volta para a Itália.

Feliz?

Entre no carro. Vai pegar uma pneumonia.

Juro por Deus que está chovendo.

Entrem no carro ou pegarão uma pneumonia.

O amor, o amor...

As chaves estão no carro, certo?

Cantando na chuva

Estou cantando na chuva

Gloriosa sensação

Sinto-me de novo feliz

Seguirei o meu caminho

Com um alegre refrão

E cantando...

Pesadelos?

Estou nervoso.

Droga.

Vamos, relaxa.

Como se fosse tão fácil.

Você viu?

Outra fábrica explodiu.

A explosão acabou com tudo em 20 quilômetros.

De qualquer maneira era inevitável.

Estamos todos loucos.

Todos os pobres estão morrendo.

Volte a dormir.

De alguma forma, o mundo sempre dá um jeito.

-Para melhor ou para pior. -Para pior.

Muito pior.

Pense nisso.

Pessoas.

Todas elas... querem as indústrias.

Imploram por venenos...

resíduos, produtos químicos...

sem nem perceber...

que tudo está indo para o inferno.

Nossa, desculpa.

Não sei por que falo com você.

Você está certa.

Essas coisas não são para você.

Tem razão.

Nem mesmo nosso partido tem coragem de dizer certas verdades.

É impossível dar a todos empregos e escolas e tudo mais.

Porque somos muitos

e quanto mais temos, mais consumimos

e sujamos e arruinamos.

Porque a ruína está garantida.

Você viu o que os alunos escreveram ontem

nas paredes da universidade?

"Não estamos em 68...

estamos em 77.

Não temos passado nem futuro.

A história está nos matando."

Que porcaria sentimental.

Veja só, até você está em crise.

Irritada?

Indesejável, insuportável, intolerável.

Vem aqui.

Vem aqui.

Vem aqui.

Eles estão casados há 10 anos.

Eu diria que eles fazem em média de 8 a 10 vezes por mês.

Significa 120 vezes por ano.

O que dá 1200...

Isso.

Mais ou menos 1200 vezes fizeram esse ato.

Suspiros, carícias, olhares, cheiros...

Claro, agora quase sem emoção...

medo, vergonha ou violência.

Repetição confortável.

E Eros, o que houve com ele?

E como você sabe que Eros, o amor verdadeiro

não exatamente assim:

repetição confortável?

Nunca... ele nunca fala.

-Por que? -Muita gente diz coisas.

Coisas muito indecentes para ficarem excitados.

Por que ele não diz algo para ela?

Ele provavelmente não gosta de falar.

E ela o conhece muito bem.

E de que coisas obscenas eles vão falar?

Ela está recebendo a bênção do touro.

Olhem para ela. Ela gosta.

Observem como... como ronrona.

Isso é o que você pensa.

E ele também.

Ninguém liga para o que ela está sentindo.

La está ele, dando rédea livre aos seus pobres impulsos matrimoniais.

Ele não dá a mínima.

Quem sabe o que ele está pensando.

Ele não está pensando! Está fazendo sexo!

Mas ela está pensando e recordando algo.

Seus olhos.

Finalmente os vejo.

São da cor da chuva.

Seus olhos... por trás dos óculos.

Lembra daquela cidadezinha na Itália...

quando eu bati em você?

Você não percebe que é a mesma coisa de novo?

Você entrou na minha vida à força...

me seduziu...

brigou comigo.

Mal posso esperar para você me bater.

Você não é nada, sabia?

Mesmo assim estou aqui com você.

Eu nem sei o seu nome.

Eu fui enganado.

Sim, fui enganado.

Eu gosto de seios grandes.

Não sei como fui me apaixonar por um par pequeno como esses.

Tão lindos.

Você é muito selvagem.

Talvez seja o vinho, mas...

Tenho que sair daqui.

A primeira coisa que se aprende é não confiar nos italianos.

Como vou saber que você não é um maldito sedutor?

Tenho que sair...

Ah sim, filho da puta...

Mesmo que eu fosse...

por vários motivos vocês deve ficar

e esperar por mais.

Abra os olhos e olhe para mim.

Mesmo se eu bater em você, desprezar você...

se eu for um cafetão sujo, ou um assassino...

se você me ama de verdade...

se é amor...

você tem que ficar.

Mesmo que eu desapareça amanhã...

e nunca mais volte a me ver...

de qualquer maneira... você tem que ficar.

Tem que ficar.

Não...

Assim não.

Chega.

Eu não quero.

Pare.

Pare.

Pare!

O que aconteceu, hein?

É inútil assim.

É inútil.

Como inútil?

O que é inútil?

Não quero mais isso.

Não desse jeito.

Talvez você não perceba.

Para você agora, tornou-se como um passeio antes de dormir.

Quer uma novidade?

Exatamente isso.

Exatamente isso.

Uma novidade.

Basta.

Eu não entendo.

Por que se incomoda tanto?

Tudo bem.

Quer um pouco de vinho?

Tenha cuidado.

Apenas se solta.

Espere um minuto.

Vamos observar de forma mais objetiva.

Ela estava lhe pedindo indiretamente...

outro nível de Eros.

Certo.

Agora vamos analisar a situação.

O que você quer dizer com analisar? Está claro!

Ela é uma vagabunda. Ponto.

-Bela análise. -Vamos, não comece.

Todas as mulheres são vagabundas.

Ora, amigo. Não sejamos ingênuos.

São todas vagabundas.

Que raciocínio!

O fato é que você vê sua esposa como esposa e nada mais.

Mas, o que há debaixo daquelas calças justas?

Essas mulheres escondem delírios de beleza

o fogo de um vulcão

as chamas do inferno.

Não, Lucio. Você esquece um detalhe muito importante:

estas mulheres também são mães.

E está cientificamente comprovado que a maternidade

absorve grande parte da sensualidade das mulheres.

O que você quer dizer com absorver?

Quando uma mulher gosta de um ding-dong...

um grande martelo, um grande torpedo...

você pode dar a ela 10, 20 filhos...

e isso não vai absorvê-la.

Ela vai continuar como uma borboleta.

Verdade. No campo perto da minha casa

havia uma tal Rosinella...

Não, não. Maior. Grande.

Com doze crianças. Doze filhos!

Doze!

Mas ela tinha um inferno entre as pernas.

Ela era selvagem.

Eu ia vê-la, com todas as crianças ao redor

não se importava.

Colocava uma cortina e me levava ao inferno.

Que Deus a abençoe onde quer que esteja.

Então a maternidade...

Mas ela era ninfomaníaca, pelo amor de Deus.

As mulheres de hoje têm outras coisas na cabeça.

Trabalho, política, luta por direitos iguais.

Mas todo o problema desta discussão

resume-se ao prazer do clitóris.

Vamos. Somos italianos.

Temos uma cultura antiga sobre essas coisas.

Acredite em nós. Lizzy é uma vagabunda.

É uma vagabunda.

É uma vagabunda. Claro.

Minha nossa...

Bom, não vamos mais pensar nisso.

Fingimos que nunca aconteceu. Está bem?

Enfim, eu não sei o que...

talvez eu só esteja cansada.

Não tem nada a ver conosco.

É que... não posso continuar naquele trabalho.

Não sei, gostaria de largar tudo.

Talvez eu consiga outro tipo de trabalho.

Que trabalho?

Coisas feministas?

O que você tem contra o feminismo?

Francamente, eu não o entendo.

Você não respeita... Não...

Você nem imagina o trabalho

que essas mulheres estão fazendo organizando-se no campo...

Especialmente no sul, na Calábria e na Sicília.

E você quer estar lá?

E o que você quer ensinar a essas mulheres do sul?

Esta novidade?

Vamos esclarecer isso.

O que há de errado?

O que há de errado?

Cuidado.

Cuidado com os homens.

Especialmente com os comunistas e os revolucionários.

Esses são piores que o resto.

As revoluções sempre traíram as mulheres.

Quando Olympe de Gouges

escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher

e da Cidadã...

baseada na famosa Declaração dos Direitos do Homem...

Sabe o que Robespierre fez?

Ele a mandou para a guilhotina.

Você está me olhando.

Você sabe há quanto tempo não olha para mim?

Agora eu sei que você me vê.

Então... o que há de errado?

Nada.

Eu só gostaria... eu só gostaria de me sentir viva.

Sentir-se viva?

Claro.

Todos precisamos nos sentir vivos.

Eu também, sabia?

Mas para sentir-me vivo...

eu precisaria acreditar nos meus ideais...

como quando eu tinha 20 anos.

Acreditar que eu posso mudar a sociedade.

Que não é tarde demais.

Que nem tudo está perdido.

Sentir-se vivo.

Sentir-se vivo, é claro.

Não estou em busca de emoções eróticas como você.

Não, não.

Você está entediada com a maneira em que fazemos amor.

-E você? -Não.

Eu não.

Se eu estivesse, não faria.

Muito obrigada.

Você sabe como fazer uma garota se sentir bem.

Por favor.

Reduzido ao nível de necessidade fisiológica.

Este é um momento muito ruim. na nossa história

É óbvio para mim que você fica entediada quando fazemos amor.

Ou pelo menos você não passa...

um momento agradável.

Um momento agradável. Isso.

Isso é o que você está procurando.

Um momento agradável.

Não?

Não tem problema.

O mundo está cheio de gente que não pede nada além disso da vida.

Um momento agradável.

Pelo amor de Deus, gostaria de deixar claro que você é livre.

Pode ir. Adeus, vá.

Atire-se com as pernas abertas

sob o primeiro homem que você encontrar.

Não vou impedir.

Vá em frente.

Não se preocupe comigo.

Eu ficarei bem. Não se preocupe.

O mundo está cheio de jovens garotas...

com a calcinha na mão. Não há problema.

Por que você faz tanto drama?

Eu disse que não falaremos mais sobre isso.

Não.

Não, não, não. Eu vou falar.

Por que não aceitei.

Eu pensei que tinha uma mulher ao meu lado

e agora me deparo com ela buscando...

um momento agradável.

Talvez...

Talvez você já tenha tido suas aventuras.

Uma garota americana na Itália

com todos aqueles porcos ao seu redor.

Aposto que todos tentaram.

Enfim, se você teve um amante, deveria me dizer.

Eu tive.

Muito bem.

Muito bem.

Perfeito.

Bem... estou satisfeito.

Pelo menos agora vou parar de quebrar a cabeça.

Estou feliz!

Está mesmo?

Estou, é claro.

Não estou surpreso.

Já era de se esperar.

É melhor assim.

É melhor.

Agora está claro. Está evidente.

Está claro que você é uma maldita puta americana!

Levante-se! Saia da minha vida!

-Para onde você vai agora, hein? -Cala a boca.

Cale a boca. Não vamos acordar as crianças.

Maldita puta americana! Fora!

Saia porque eu vou matar você!

Vou matar você!

Você saberá quem eu sou, quem é esse bastardo!

Canalha!

Você quer me matar. Veja como você age.

Como um maldito fascista.

Que fascista?

Você merece, porque é uma puta.

Uma puta.

Eu sou sua esposa e você me trata como um objeto. Maldito!

Meus óculos. Por Deus...

É claro que eu não o trai, mas eu vou!

-Eu vou! -Como? Não é verdade.

Desgraçado! Não quero ver você de novo!

Saia!

Você quer me expulsar da minha casa?

Da minha casa?

Da sua casa? Me desculpe.

Você pode ficar na sua casa. Claro.

Eu vou embora.

Espere. Para onde você vai?

Aonde você vai?

Você não vai sair daqui até eu autorizar.

Porque antes você tem que dizer o nome dele.

Eu não vou dizer nada. Deixe-me sair!

Pois então vá!

Aonde você vai?

O que está fazendo?

Você não pode ir porque não me disse o nome dele.

Não vai sair daqui.

-Você não vai sair. -Estou saindo agora.

Veja como estou saindo.

Vou embora. Me solta.

Fique aqui, ingrata.

Vou embora. Vou agora.

O que você está olhando?

Acabou para você também.

Merdinha.

Me diz... para onde você vai agora?

Para onde vai?

Você deve ter um lugar para ir.

Você vai com ele, não é?

Você vai com ele?

Você vai com ele?

Não existe outra pessoa, mas isso é só um detalhe.

O importante é como você acreditou.

Você me enoja.

Repita.

Você não confiou em mim.

Espere. Você vai sair em uma noite desta?

É melhor você ficar. Eu vou embora

Não. Você disse que a casa era sua.

Você foi bastante preciso.

Sou eu que tenho que ir.

Não quero ser uma hóspede em sua casa.

Para ser preciso, você me expulsou e eu vou embora.

Além do mais, eu enojo você. Não?

Chega.

Chega de fazer drama. Chega.

Eu conheço você.

Desaparecerá por um tempo e depois voltará...

Eu vou embora e você nunca mais me verá.

Não se preocupe.

Quieto. Vai acordar todo o edifício.

Droga...

Volte para cima! Você está louco?

Para de me encher o saco!

Você não pode ir assim.

Não vou sair da frente.

Saia porque eu vou ligar o carro e ir embora!

Vou passar por cima de você.

Não dou a mínima se vou te matar!

Não se preocupe.

Não encontro as chaves.

Isso, chora.

Lizzy!

Espere! O que está fazendo?

Lizzy!

Lizzy!

Aonde você vai?

Lizzy...

Lizzy!

Pare.

Chega.

Foi o suficiente.

Pare.

Me solta.

Lizzy! Lizzy!

Me deixa!

O que está fazendo?

Pare!

Lizzy!

Levante-se...

Por favor.

Calma... calma...

Ela está dormindo.

Não ouviu nada.

Sinto que vivemos juntos como duas plantas.

Meu Deus, sinto-me tão infeliz.

Por quê?

Não sei.

Talvez seja eu.

Sim, sou eu. Ando pensando em muitas coisas.

Fico pensando que... todos os pobres morrem.

Sinto-me... meio perdido.

As coisas vão se acumulando.

Tudo deveria ser mais claro.

Em vez disso, fica cada vez mais confuso.

Você é tão infeliz.

E eu?

Eu também.

Talvez eu nunca tenha pensado em mim como sua esposa.

Sim.

Talvez eu nunca devesse ter me casado.

O casamento sempre deforma as coisas.

É, talvez você tenha cometido um erro.

Vamos, não diga essas coisas.

Quem a proibiu de trabalhar?

De expressar-se?

Você sempre foi livre.

Mas você... você teve filhos...

porque é um álibi.

Você me culpa pelo que nunca fez.

É isso.

Eu sei que você tem razão.

É por isso que devo ir embora.

Bem, vá... vá embora.

Se acha que isso resolverá o problema.

Então vá.

Adeus.

Adeus.

Você vai embora.

Mas estou acostumado a estar com você.

O que eu faço?

Não sei.

Você me quer aqui.

Talvez se eu não estiver aqui... você me deseje.

Você irá me procurar em outra cidade

como um amante.

Como você se sente?

Mal... e você?

Também.

Ainda está chovendo.

Você realmente vai embora?

Não vamos falar disso nunca mais.

Deveríamos dormir.

Sim.

Esqueci de ajustar o despertador.

Eu ajusto... às 7h.

Nossa. Está chovendo muito.

Talvez comece uma inundação e não sabemos.

Sabe...

-Eu amo você. -Eu também.

E você acha que isso não é nada?

Você realmente vai embora?

Não pense nisso.

Durma.

Durma agora.

Legenda por Cinecultz

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