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A GAROTA DA AGULHA
- Quem é? - Jensen.
Só um segundo.
Sim?
- Karoline, vai ter que se mudar. - O quê?
Vai ter que sair daqui.
Vou alugar o apartamento para outra pessoa.
- Eu moro aqui. - Mas você não paga.
- Posso pagar. - Karoline.
- Tenho que me vestir! - Você precisa entender…
Eu tenho que mostrar o apartamento.
- Quanto eu devo? - Quatorze semanas.
- Eu te pago amanhã. - Oi. Precisa limpar a chaminé.
- Vê se faz, desta vez. - Eu sei. Pode deixar.
Eu te pago amanhã. O que está havendo?
- Tira a mão do meu ombro. - Eu moro aqui há anos!
- Eu tenho dinheiro. - Não, Karoline.
Desculpe o atraso. Venham comigo, por favor.
Não tem apartamento para mostrar. Eu sinto muito.
- Aqui tem três semanas e meia. - Preciso fazer queixa à polícia?
Processar você para receber o aluguel atrasado?
Não estou sendo cruel.
Sou razoável e paciente. Até educado.
Venham comigo.
Tem água entre 10h e 12h.
A cozinha é aqui. Karoline, por favor.
- O forno solta muita fumaça. - Vou limpar a chaminé hoje.
Tem ratos.
Ratazanas!
Elas aparecem à noite.
Enquanto dormimos, elas mordem nossos pés.
- Karoline, basta. - Tem muitas.
Eu não quero morar aqui.
Eu não quero morar aqui. Quero ir para casa.
Está bom.
Vou marcar a mudança para amanhã. Pode aproveitar a carroça.
Eu consigo um preço bom.
Vamos.
Você tem onde ficar?
Posso ajudá-la a encontrar algo que possa pagar.
Nada de conversa! Ao trabalho!
- Está atrasando a produção. - A agulha fica quebrando.
Então tenha cuidado.
Então tenha cuidado!
- Quanto é? - Quinze coroas por semana.
É muita coisa.
- Tem água? - No pátio.
Tem um balde no armário.
Não pode ter visitas.
Tudo bem.
O que é?
Uma costureira quer falar com o senhor.
Por favor. Entre.
Recebemos sua carta solicitando o adicional para viúvas.
Como você está?
Fui despejada do meu apartamento,
senhor Diretor.
- Alguma notícia sobre seu marido? - Não.
Sem a certidão de óbito, não posso aprovar o seu pedido.
Mas sua carta me comoveu. Suas circunstâncias são…
Bem…
Qual é o nome do seu marido?
Peter Nielsen.
Tenho muitos contatos. Vou perguntar a eles.
Um homem não desaparece do nada.
Karoline Nielsen?
Espero que não se importe de me encontrar aqui.
O ar fresco clareia a mente.
Não consegui descobrir nada sobre o seu marido.
Ele não está na lista de soldados mortos, mas…
Isso não quer dizer muita coisa.
Eu sinto muito.
Quer dar uma caminhada?
Eu também sonhava em me alistar.
Minha posição, é claro, não me permite.
Eu faço o que posso daqui, confeccionando os uniformes, por exemplo.
- Bom dia, senhor. - Bom dia.
Castanhas?
Aceita?
Você gosta?
Se precisar de um ombro amigo,
estou às ordens.
Tenha um bom dia.
Extra! Extra! Às 11h do 11º dia!
Comprem aqui! É o fim da guerra! A Alemanha se entregou!
Comprem aqui comigo! Leiam agora!
Obrigado.
Caras operárias da Confecção Kitzler.
A Guerra na Europa chegou ao fim,
e temos a esperança de um futuro melhor.
Mesmo não que não tenhamos participado da Guerra,
ela nos causou um sofrimento indescritível.
Peço que façam um minuto de silêncio comigo,
para fazermos uma oração pelos falecidos.
Todos.
Obrigado.
Cessaremos a produção de uniformes e voltaremos aos tecidos macios,
que são a marca registrada da minha família há gerações.
Imagino que fiquem contentes com menos agulhas quebradas.
Brindem comigo, por favor!
Feliz Natal.
Pronto.
Você é linda.
Obrigada… Obrigada.
Nem acredito que seja minha.
Karoline!
Espera!
Karoline!
O que você quer?
Quem é você? O que você quer? Tira isso.
Karoline… Quem é esse?
É meu amigo.
- Você perdeu o emprego? - Não.
E por que seu “amigo” veio visitar no horário de trabalho?
Sou o marido dela.
Fui ao nosso apartamento. Tem outras pessoas lá.
Onde você esteve?
Eu fui ferido.
Escrevi cartas para você.
Você recebeu?
Recebi.
Por que não respondeu? Já faz um ano.
Eu sei.
Me desculpa.
Desculpa.
- Peter… - O quê?
Eu conheci outro homem.
E estou grávida.
Achei que você estivesse morto. Você me fez achar isso.
Eu tenho uma nova vida.
Você é minha mulher.
Vai.
Vai embora.
Vai embora daqui!
Vai agora! Sai daqui agora!
Adeus, adeus, adeus!
O que está havendo?
Desculpe, senhor. Esta jovem não me ouve.
- Já pedi que fosse embora. - Obrigado. Vou recebê-la rapidamente.
O que foi?
Diz que casa comigo.
Diz.
Diz.
Caso.
Eu caso com você.
Você é corajosa.
Quando eu tiver uma casa,
vou levá-la comigo.
O que eu vou fazer?
O que quiser. Pode se encarregar das empregadas.
- Vou ser uma empregada? - Não, sua boba!
Vai ser a encarregada. Terá sua própria empregada. Certo?
- Bom dia. - Bom dia. Guardo os casacos?
Sim. Obrigado.
Então esta é a jovem?
É.
Obrigada por ter vindo. É um prazer finalmente conhecê-la.
O prazer é meu, senhorita… Senhora…
Venha comigo.
Isto é só entre nós, mulheres.
Dispa-se.
Para o médico te examinar.
Qualquer uma poderia dizer ao meu filho que está grávida, concorda?
Sim.
Só as roupas de baixo.
Deve saber como é.
Isso.
Vai ser só um minuto.
Pronto.
Pode se vestir.
- Então? - Ela está grávida, sim.
- Tem como tirar? - É tarde demais, infelizmente.
- Tenha um bom dia, Baronesa. - Igualmente, Doutor.
Meu filho nunca vai se casar com você.
O Jørgen pode se juntar a nós agora?
Obrigada.
Chame-o.
Sim, mãe.
A jovem acredita que vocês vão se casar.
Falamos sobre isso, sim.
Jørgen pode fazer o que quiser.
Não com meu dinheiro e não nesta casa,
mas o que ele quiser.
Talvez…
Disse alguma coisa, filho?
Talvez tenhamos nos precipitado.
- Peço perdão. - Jørgen…
Não tive a intenção de que chegasse a este ponto.
O que está havendo?
Dê um lenço para ele.
Obrigado.
Pode nos deixar agora?
Seus serviços na fábrica também não serão mais necessários.
Pode ir agora.
Me desculpe.
Seu casaco.
É uma pena.
Tem gente.
O que você está fazendo?
Vem cá.
Senta aqui.
- Erena, me dê sua toalha. - Toma.
Aperta.
- O que está acontecendo? - Ela escorregou.
- Não gostamos que escorreguem. - Sim, claro. Eu cuido dela.
Se o sangramento não parar, vá ao médico imediatamente.
- Vamos levá-la até sua casa. - Obrigada. Eu estou bem.
Ninguém que está bem enfia uma agulha dentro de si mesma.
Eu disse que estou bem.
Tem outra solução.
Posso ajudá-la a achar uma família adotiva.
Algumas não podem ter filhos, outras têm mais do que queriam.
Faz sentido nos ajudarmos.
Eu vou para cá.
Me procure quando o bebê nascer.
Não escolha um nome. Fica mais fácil assim.
- Por que quer me ajudar? - Quem mais ajudaria?
- Eu cobro uma taxa. - Me dá uma?
Comporte-se. Danadinha!
- Tudo bem. - Toma.
Fica de olho no sangramento. Não é brincadeira.
- Tchau. Vem. - Tchau!
Cuidado com o buraco. Pula.
Karoline?
Você perdeu o emprego?
Um homem entregou isto.
Eu peguei o que você me devia.
Escutem todos! Eu só preciso de 20 hoje.
Só os mais fortes, que aguentem trabalho pesado.
Parem, parem! Já basta!
Fora! Fora!
- Cuidado! - Ei!
Venham!
Vem… Vem.
Nancy e Claude!
Convidados de honra.
Senhoras e senhores!
Alguém aqui participou da Grande Guerra?
Não, não, não… Não? Nem você?
Foi o que pensei. Enquanto estavam em casa, em segurança,
lendo o jornal, tomando uma cervejinha…
Algumas almas infelizes estavam no campo de batalha.
Senhoras e senhores,
lhes apresento agora um fenômeno.
Foi isso que a guerra produziu. Marcha!
Aberração!
Senhoras e senhores, olhem bem.
Vejam bem o que os jornais não noticiaram.
Olhem para a face da dor.
Monstro!
Senhoras e senhores, alguém ousa encostar nele?
Ninguém quer tocar neste pobre monstro?
Ele não morde.
Vejam!
Temos uma jovem corajosa lá no fundo.
Aproxime-se. Venha!
Aproxime-se. Palmas para ela!
Muito bem.
Suba aqui.
Por favor. Por favor.
O buraco, Peter.
Ora, ora, ora!
Um beijinho, quem sabe?
Este animal miserável não deve nem lembrar o que é um beijo.
É só um pesadelo.
Calma.
Me solta!
- Karoline. - Só um instante.
- O que está havendo? - Só um instante.
Abre esta porta!
Karoline!
- Karoline, abre a porta. - Cala a boca!
Isto aqui não é um hospício, Karoline.
- Se ele não parar, será expulsa. - Me desculpe.
Desculpa.
O que aconteceu?
O que é isso?
Morfina.
Ajuda a me acalmar.
Volte a dormir, Karoline.
Desculpa.
- O que foi? - O balde…
Senta.
Deixe-me ver. Deixe-me ver.
- Tem que tirar as calças. - O que está acontecendo?
O que você acha? Ela está em trabalho de parto.
- Leve-a para o hospital! - Você mesmo vai levar?
Não fique aí parado. Traga toalhas e água!
- Encontrem toalhas. - Imbecis!
Isso. Ótimo!
Está quase. Olhe para mim. Vamos. Força. Força.
Da próxima vez, bem forte. Grite até ele sair!
Use toda a sua força. A saída é uma só.
Entendeu? Olhe para mim!
Vai, vai! Faz força!
- É menino ou menina? - Menina.
Posso segurá-la?
Pode.
Tão linda… Você é muito linda.
Podemos chamá-la de Susie.
Mas ela não é sua.
Tudo bem.
Podemos ter outro filho.
Eu não consigo.
Não quero ficar com ela.
Vem.
Sente-se conosco.
Ela é uma dádiva. Não é algo que se dê.
Quem é?
É para você.
- Quem é você? - Karoline. Nós nos conhecemos nos banhos.
Entre e feche a porta.
- Esse bebê é seu? - É.
Posso ver?
Pode.
É menino ou menina?
- É menina. - Ela é fofa.
E como se chama essa gracinha?
- Não escolhi um nome. - Sábia decisão.
Trouxe o dinheiro?
Trouxe.
Toma.
Não é uma caridade, meu bem.
Eu trago o resto amanhã.
Agora eu me lembro de você.
A garota da agulha.
Isso.
- Quando deu à luz? - Ontem.
- Ela já mamou hoje? - Não.
Então amamenta ela agora.
- Aqui está o chá. - Obrigada.
Alguma complicação no parto?
Acho que não.
Menina, nascida em…
Que dia é hoje?
Não sei.
Erena, pega o jornal com a Sra. Andersen.
Sabe quem vai ficar com a minha filha?
Pessoas boas.
Médicos, advogados… Pessoas com dinheiro para ajudar os outros.
Ela vai ficar bem. Está fazendo a coisa certa.
Ótimo!
- Ela tinha acabado de ler. - Ótimo.
Nascida em 12 de agosto… Não.
Eu escrevi hoje. Ela nasceu ontem.
Ah.
Braços para cima. Quanto mais apertado, melhor.
Vai parar de produzir leite.
Pronto.
Prontinho.
Você me deve dinheiro.
Devo.
- Devo me despedir? - É mais fácil se não o fizer.
- Obrigada. - Tchau.
Karoline, onde está sua filha?
Eu dei.
Para quem?
Uma senhora está me ajudando a achar uma família adotiva.
- Você não a queria? - Não.
Claro que não.
Acho que ele está com fome.
Vem com a mamãe, meu amor.
Você quer papar?
O que você quer?
Trouxe o dinheiro?
- Não. - Então o que veio fazer aqui?
- Vim para amamentá-la. - Amamentar?
- Ela não está mais aqui. - Onde ela está?
Eu já a entreguei. Essas coisas são rápidas.
- Precisa de alguma coisa? - Tem uma colcha embaixo do balcão.
- Pega para mim. - Pego.
- Devo chamar alguém? - Não. Já vai passar.
- Já fechamos. - Diz na placa que está aberta.
- Mas está fechada! - Calma.
- Leve umas balas. - Quero trabalhar para você.
Eu tenho leite. Amamento os bebês enquanto eles esperam a família nova.
Certo…
É melhor que leite de vaca.
Seu leite vai acabar.
Não se eu sempre tirar.
Minha mãe vendia o leite dela. Aí te pago o que devo.
Você me deve dinheiro, não leite.
Eu não tenho dinheiro.
Não tenho para onde ir.
Erena! Vem cá.
Não fique com vergonha.
Vai fazer bem para ela.
Além do mais, tirar leite à mão leva uma eternidade.
Mãe, ela está fedendo.
Então vamos tomar um banho.
E eu?
- Dagmar. - Já vou!
- Boa noite. - Boa noite.
A mamãe disse que está na hora.
Ficou ótimo.
O que é isso?
Às vezes elas ficam emotivas.
- Isto me ajuda a ficar calma. - É morfina?
Não. É éter. Quer experimentar?
Obrigada.
Levanta.
Vem.
Está fazendo a coisa certa.
- Vamos examiná-lo? - Esse nem adianta.
- Por quê? - Ninguém vai querer.
Vamos ter que dá-lo para um orfanato.
Terminou?
Achei que fosse a Dagmar.
O que está fazendo aqui?
Sabia que é ilegal comprar e vender bebês?
- Mas você está aqui. - Estou.
Sou só uma pessoa que visita.
Mas você trabalha aqui.
Às vezes me sinto muito sozinha.
Eu estou aqui.
Muitas vidas passam por este apartamento.
Isso deixa marcas.
Às vezes, me arrependo do que fiz.
Querida, está emotiva.
Vamos fazer alguma coisa divertida hoje.
Fiquem quietas!
Quem é o homem com quem você está saindo?
- O Svendsen? - É.
- Ele é o pai da Erena? - Não.
É só um homem com quem eu me divirto.
Não gosto do jeito que ele me olha.
- Como assim? - Acho que quer se divertir comigo.
Hoje é o aniversário da Erena Viva, viva, viva!
Ela deve ter recebido um presente Que deseja muito este ano
Com muitos chocolates e bolo gostoso
Pode apagar as velinhas.
Faltou uma.
É mágica.
Você está vazando.
- Já deu de mamar para Erena hoje? - Devo ter esquecido.
Então dê agora.
Não quero mais que você venha.
Por que não?
Não preciso de você.
Vai ficar com saudade.
Para.
Sai.
Ela não é como você.
ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A NÓS? loschulosteam@gmail.com
“Salmi…” Alcaçuz salgado.
Kongen af Danmark. Não, pastilhas de bergamota.
Nougat.
Alcaçuz.
Nougat.
Olá.
Em que posso ajudar?
Me disseram para vir aqui.
- É sobre o bebê? - É.
O que eu faço?
Tem que amamentá-lo.
- Não posso. - Por que não?
- Ele não é meu. - De quem é?
Da minha mãe.
Pode pegá-lo, por favor?
Está certo?
Está. Eu pego ele.
Está trancada.
Deixa que eu abro.
Você fez a coisa certa.
Você fez uma boa ação. Ajudou quando ninguém ajudaria.
Pode ficar com ele…
até acharmos uma boa família.
Obrigada.
É muito importante usar o sapatinho certo para passear.
Que tal este?
Gostou?
E esta…
É linda.
Não é?
A mãe mandou a filha entregar o bebê para mim e para Dagmar.
Ela mesma não conseguiu.
Que fraqueza.
Vou cuidar dele até acharmos uma família boa o bastante.
- Foi a Dagmar que te ajudou? - Foi.
- Quem vai ficar com ele? - Pessoas boas.
Talvez médicos ou advogados.
Pessoas com dinheiro para fazer o bem.
- Também ficaram com o seu neném? - Ficaram.
Acho que ele acordou.
Karoline…
Posso dormir com você?
Não.
Posso mamar para ficar com sono?
Não. Vai para sua cama.
Por quê?
Eu não faço mais isso. Vai dormir.
Por que faria uma coisa dessas? Por que você fez isso?
O que está fazendo?
Achei uma família.
- Já? - Já.
- Quem são? - Não posso te dizer.
- Eu quero saber. - Eles não querem que você saiba.
Não pode continuar aqui se for ficar emotiva. Isto é um negócio.
É porque eu bati na Erena?
É por isso?
É por isso que vai levá-lo embora?
Você me disse para cuidar dele. Você disse isso!
- Então por que vai levar… - Basta!
Não pode virar para mim e…
Obrigada.
Onde você estava?
Deixou a loja aberta. Qualquer um podia ter entrado.
Karoline!
Não está se sentindo bem?
Está tremendo.
Karoline…
Onde está a minha filha?
- Com a família dela. - Mentirosa!
- Onde ela está? - Com a família dela.
Assassina! Você a matou!
Matou mesmo?
Por quê?
Calma, calma…
Eu sei que dói.
O mundo é um lugar horrível.
Mas precisamos acreditar que não é.
Entende?
Não…
Tome umas gotas.
Vai fazer a dor passar. Tome.
Vou te ajudar.
Tome. Beba. Beba!
Vamos.
Boa menina.
Tome conta da Erena. Você faz bem a ela.
Eu não a quero.
Karoline…
Karoline, venha a mim.
Fiz uma sopa para você.
Tem que comer alguma coisa. Vamos!
Karoline, vamos.
- Gotas… - Acabou. O vidro está vazio.
Coma alguma coisa.
Te dou um pouco de nafta.
Vai.
Inspira fundo.
De novo.
Última vez.
Pode descansar, mas logo teremos que voltar ao normal.
Você fez a coisa certa.
Vai fazer a dor passar.
Me diz alguma coisa sobre você.
Eu não sei nada.
Você é da cidade?
Ou é do campo? Eu sou do campo.
Eu ordenhava vacas.
Estava sozinha a primeira vez que dei à luz.
Cortei o cordão umbilical com os dentes.
Os outros foram natimortos.
Todos cinco… Todos cinco.
Estou com frio.
Acho que está frio.
Está frio.
- Quer um chá? - Não, obrigada.
Quer amamentá-la uma última vez?
Não. Eu quero ir embora.
Frida… Eu quero ir embora.
Vou levá-las até a porta.
- Até mais. - A Karoline está aqui?
Não. Você fez a coisa certa.
Quer fazer desta vez?
É fácil. É só apertar forte.
Não…
Aperte forte, como se não quisesse soltar.
Aperte.
Não! Eu não quero!
Sra. Overby…
Abra a porta, por favor.
Nós mudamos de ideia.
Queremos o bebê de volta.
Karoline, você está aí?
Abra!
Se não abrir, vou chamar a polícia!
Está me ouvindo?
Uma mulher levou a criança.
Não sabemos quem ela é.
Ela é do campo e…
Não sabemos o nome dela. Ela já voltou para casa.
Temos que estar bem-vestidas.
Vista-se.
Vista-se.
Vista-se!
Vista isto.
Erena.
O que você está fazendo?
O que você está fazendo?
Desça daí, por favor.
Dagmar Overby, polícia! Abra a porta!
- Fique comigo. - Desça daí.
Você não tem para onde ir. Fique.
Se não abrir, vamos arrombar!
Dagmar Overby?
- Sim. - Pegue ela.
Venha conosco, por favor.
Está bem.
- A Erena tem que vir comigo. - Nós cuidaremos dela.
- Nós cuidaremos dela. Vamos. - Erena…
Muito bem. Ótimo. Equilíbrio.
Um brinde!
ASSASSINA DE BEBÊS CAPTURADA
Vamos para o Sul em breve.
Concordamos que você pode vir conosco, se quiser.
Obrigada.
O que fez com a neném?
Eu dei.
Deve ter sido melhor assim.
Você tem remédio?
Vai conseguir ficar sem.
Vem.
Como matou o bebê da Sra. Andersen?
Não me lembro.
O que fez com o corpo do bebê da Sra. Andersen?
Não me lembro. Posso ter queimado ou deixado no lavatório.
Talvez em novembro ou março… Foram muitos.
O caderno encontrado no seu apartamento descreve
trinta e cinco encontros com mulheres e seus bebês.
- Matou todos eles? - Onde está o meu bebê?
Eu quero o meu bebê! Sua vaca imunda!
Vai queimar no inferno!
Me solta!
Alguém sabia o que a senhora fazia com os bebês?
Não.
E a sua…
Sua suposta filha, Erena?
Ela sabia?
Não.
Tem alguma prova de que a menina que chama de filha é sua filha?
Minha palavra.
Os médicos dizem que a senhora é muito velha para ser mãe dela.
O seu pênis também é velho.
- Onde ela está? - Certamente está bem no orfanato.
Quero vê-la. Aí eu direi onde estão mais quatro corpos.
- Mais quatro? - Sim, quatro ou cinco.
Deixei um no lavatório, em Prinsgade.
E eu… levei um comigo na bolsa quando fui para…
Por quê, Sra. Overby?
Por que os matou?
Porque era necessário.
O que quer dizer?
Eles tinham causado muito sofrimento às mães. Eu ajudei!
Duvido que qualquer mãe queira que o filho seja assassinado.
O que mais elas iam fazer?
Disse que teriam uma vida melhor com uma família adotiva amorosa.
Acredita nisso? Olhe à sua volta.
Ninguém acredita que seu bebê desgraçado
terá um médico amoroso como pai e uma mulher respeitável como mãe.
Eu só fiz o que era preciso.
Fiz o que vocês têm medo de fazer. Têm medo de reconhecer isso.
Na verdade, deviam me dar uma medalha.
Assassina!
- Queime no inferno! - Enforquem ela!
Guarda, leve-a.
Matem ela!
Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia, nos dai hoje
e perdoai as nossas ofensas,
assim como perdoamos a quem nos tem ofendido.
Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Pois Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém.
Podem comer.
Não é comum alguém adotar uma criança de sete anos.
Pensou bem nisso?
Pensei.
E tem certeza?
Tenho.
Fico grato por pessoas como você,
que dão uma segunda chance para uma criança.
Vou buscar a menina.
Vai com a moça.
INSPIRADO EM ACONTECIMENTOS VERÍDICOS
A GAROTA DA AGULHA
Tradução: MÔNICA DIAS
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