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Ande até mim.
Ande até mim.
Um anjo da guarda.
Um espírito de conforto.
Espírito de qualquer esfera celestial.
Qualquer coisa.
Atenda a minha súplica.
Ande até mim.
Menina.
Despertou-me
de uma eternidade de escuridão.
Menina...
Não pertence aos vivos.
Não pertence aos humanos.
E permanecerá comigo
por toda a eternidade?
Jura?
Juro.
NOSFERATU
Revisão: D3QU1NH4
ANOS DEPOIS
Thomas.
Thomas?
O que foi, meu amor?
O que foi?
Nada. Eu...
Sonhei...
Ande cá.
Não precisa de ter medo.
A lua de mel foi curta demais.
Tire os sapatos.
Queria poder ficar, meu amor.
Como fui digno de uma esposa tão dedicada?
Ellen, disse para não a deixar subir na cama.
Tudo que uso está cheio de pelos.
Mas a Greta adora isto.
Ela queria que também ficasse.
Hoje é de extrema importância para nós.
Mais um minuto.
Tenho de ir.
Adeus.
Ele já tem a posição.
Vão mandá-lo para longe.
Bom dia.
Com licença.
ALEMANHA, 1838
KNOCK & ASSOCIADOS AGENTES IMOBILIÁRIOS
Fê-lo esperar 15 minutos.
Perdoe-me, senhor.
Peço perdão, Herr Knock, pelo meu atraso.
O seu atraso foi providencial, meu rapaz, providencial.
Entre, entre.
Ainda estou a preparar a conta.
E agradeço, senhor, pela consideração.
Assim que soube do seu recente matrimónio,
soube que era...
...obra divina.
Um marido recém-chegado precisa de um novo salário.
Muito generoso, senhor.
Permita-me expressar as minhas felicitações à sua esposa.
Obrigado, senhor.
É realmente linda.
Um ser incomparável.
Quase uma...
sílfide.
Sim. Obrigado, senhor.
E estou ansioso para atender com o que requisitar,
para estar totalmente dedicado à empresa.
De facto, de facto.
Obra divina.
Agora, tenho mantido negociações
com um conde estrangeiro.
Uma linhagem de nobreza muito antiga.
Muito antiga e excêntrica.
Deseja adquirir uma casa aqui na nossa cidade.
- Sim? - Reformar-se aqui.
Está com os pés para a cova, por assim dizer.
Fico feliz em levar o cavalheiro até as nossas propriedades.
Já selecionei a Mansão Grunewald.
Perdoe-me senhor, mas não é uma ruína?
Solicitou um casa antiga, e vai pagar generosamente.
Devo encontrá-lo amanhã então. Às 9 da manhã?
Aqui está a peculiaridade.
Está doente demais para viajar,
por isso, deverá ir até ele.
Compreendo.
Vive num pequeno país
a leste da Boémia, isolado nos Cárpatos.
Será uma grande aventura, meu rapaz.
De facto.
O Conde não pode assinar a escritura aqui quando chegar?
Não, é muito urgente.
Insiste que lhe ofereçamos um corretor...
em carne e osso.
E vai recompensá-lo generosamente,
meu rapaz, generosamente.
Garanta esta conta, e garantir-lhe-á a sua...
posição oficial na empresa.
Obrigado, senhor. Obrigado. Não vou desapontá-lo.
E qual é o nome do Conde?
Orlok.
E devo partir amanhã, já que são seis dias de viagem.
Mas Harding concordou em ajudá-la até ao meu regresso.
Porque matou estas flores lindas?
- O quê? - Nada.
- Do que está a falar? - Perdoa-me.
Vamos colocá-las em água.
Vão morrer daqui a uns dias. Deite-as fora.
- O quê? - Deite-as fora!
O que está...
Não pode partir.
- O que foi? - Devo contar o meu sonho.
Ellen, já superamos estas dificuldades.
- Eu devo. - Por favor.
Sem lembranças de infância.
- O médicos recomendaram... - Não.
Era o nosso casamento.
Mas não na capela.
Acima, uma nuvem de tempestade densa
se estendia além das colinas.
O aroma das lilases era forte na chuva, e...
quando cheguei ao altar...
...não estava lá.
Parada diante de mim,
vestida de preto,
estava...
a Morte.
Mas eu estava feliz.
Muito feliz.
Proferimos os nossos votos,
abraçamo-nos,
e quando nos viramos,
estavam todos mortos.
O meu pai e todos.
O fedor dos corpos era...
...horrível.
E...
Contudo nunca fiquei tão feliz
como naquele momento...
enquanto segurava as mãos da Morte.
Nunca fale nessas coisas em voz alta.
Nunca.
É uma baboseira, um sonho tolo, tal como as fantasias passadas.
Está tudo bem.
É um mau presságio para nós.
Quando voltar, finalmente tornar-me-ei alguém.
Comprarei uma bela casa para nós
- com criada... - Não precisamos disso.
Quero que tenhas tudo o que mereces.
Não deves partir. Amo-te demasiado.
Rogo, pára.
Nunca mais desde os nossos tempos de escola, Tom.
- Ao meu avô, o melhor. - Não, não devia.
Vale a pena celebrar a tua aventura.
Obrigado.
Invejo-te.
E eu invejo-te.
Tomaste o lugar do teu pai.
É incrível.
A maldita responsabilidade, está a destruir-me, Thomas.
Claro, é indevido reclamar com todos os lucros,
mas o mercado cresce mais rápido que o maldito estaleiro.
E as minhas duas filhas, as duas, Tom.
Eu...
adoro-as mais do que tudo no mundo.
E...
não comentes com a Ellen ou com a Anna, mas,
temos outro a caminho.
Parabéns.
Sempre foste um bode no cio.
Não consigo resistir-lhe.
E quando será vós, recém-casados?
Quando deixar de ser um mendigo.
E Friedrich, quando acontecer, finalmente poderei devolver
- o dinheiro que me emprestaste. - Nem mais uma palavra.
E, Friedrich?
Cuida da Ellen.
Quase me implorou para ficar.
E perderes a tua única hipótese?
Temo que o passado dela,
- a melancolia, esteja a voltar. - Naturalmente.
Seu jovem e charmoso marido deixa-a sozinha, com a cama fria.
Meus amores,
- já é hora de dormir. - Pai! Pai!
Não!
Obedeçam à vossa mãe.
É hora de dormir e pronto. Já chega.
- Vamos. - Não podemos.
Há um monstro no quarto.
Pai! Pai!
Não a deixes sacrificar-me para o monstro.
Esfaqueia-o.
Perdoa-me, mas devo caçar um monstro.
Também és um filho exemplar.
- Boa noite. - Boa noite.
Vamos lá. Venham.
Pai, por favor, fica connosco!
Vou ficar ao vosso lado até adormecerem.
Consigo ouvi-lo a respirar embaixo da minha cama!
Tontices, meu amor. Estás sã e salva.
Desculpa.
Deixei essas fantasias para trás.
Deixei sim.
E temos um ao outro.
Vossa Excelência, está tudo exatamente como o senhor exigiu.
Estará em breve sob o seu controlo, e acompanhá-lo-ei,
próximo ao propósito do seu contrato!
Estou orgulhosa de ti.
Por favor, cuida-te.
Tens tão pouca fé em mim assim?
Dou-te toda a minha fé.
E escreves-me todos os dias.
Escrevo. Prometo.
Lembra-te...
é tudo por nós.
- Amo-te. - Amo-te.
Adeus.
Obrigado.
Desculpem.
Que barulheira é esta?
Saiam daqui seus ciganos imundos.
Vocês envergonham o nome da minha pousada.
E tu trouxeste-me problemas.
Desculpa. Só preciso de ficar uma noite.
Tenho um compromisso no castelo.
Castelo Orlok, pela passagem Arnyék...
Por Deus, nunca diga o nome desse Castelo.
Volta para o seu país, forasteiro.
Calem a boca.
Que a mente sagrada de Deus castigue-vos.
Estou cansado, imploro.
Vai.
Pago o dobro.
Expulso-o. Expulso-o com alho.
Por favor, não vá até lá.
Cuidado com a sombra dele.
A sombra envolve-lhe num pesadelo.
Sonha acordado. Não há como escapar.
Reze.
Reze.
Abençoe essa criança pura.
Abençoe-a.
Guardai-nos do espírito imundo.
É o vampiro!
É o túmulo do vampiro.
O vampiro!
Encontrem o rabo.
As patas com fendas.
Silêncio.
Silêncio.
Que Deus lhe dê o fim que merece!
Pela graça de Deus!
Olá?
O meu cavalo?
Está atrasado.
A meia-noite
já passou.
E todos os meus criados
se retiraram.
Perdoe-me, Conde.
Deixa aí os seus luxos.
Mostre a escritura
e sente-se.
Não deseja esperar até de manhã?
Desejo que faça o que eu peço.
Sim.
É claro, senhor.
Meu senhor.
Perdão, senhor?
Seu senhor!
Serei tratado como a honra do meu sangue exige.
Sim...
meu senhor.
Perdoe-me, meu senhor.
Rogo...
sente-se.
Obrigado, meu senhor.
Estou ansioso
para examinar os documentos do seu contrato.
E a minha correspondência
com o seu proprietário, Herr Knock.
Aguardava-as há muito tempo.
É claro, meu senhor.
Beba.
Tenho, meu senhor...
Tenho perguntas sobre...
os costumes pouco familiares dos camponeses...
e dos andarilhos.
Ontem à noite, observei...
ou melhor, acredito que vi, um bando de ciganos.
Aventuraram-se até a um bosque e...
Receio que nós ainda
mantemos muitas superstições por aqui
que podem parecer retrógradas
para um jovem de tão vasto conhecimento.
Esses ciganos, exumaram um cadáver.
É o ritual imundo deles.
Que tipo de ritual...
Não fales mais sobre isso!
Como estou ansioso
para me reformar na sua cidade
de mente moderna...
que não sabe nada
nem acredita
em tais contos de fadas mórbidos.
Come.
É casado, Herr Hutter?
Cuidado com o que faz.
Não é nada.
Posso amenizar a sua ferida.
Ande até ao fogo.
A sua cara demonstra que não está bem.
Esperem por mim!
Cuidado, crianças!
Não se sujem.
Apanhem-me!
Já se sentiu, às vezes, como se não fosse...
como se não fosse uma pessoa?
Pois, eu...
O que quero dizer é como se não estivesse...
presente ou viva,
como se estivesse à mercê de outro, como uma boneca,
e alguém ou algo tivesse o poder de dar-lhe vida,
de mexer-lhe.
É claro que todos nos sentimos indispostos às vezes.
Não é indisposição.
É como se houvesse algo
em jogo que é horrível ou grave demais para explicar.
- Céus. - Não, minha querida Anna.
Eu...
Olha para o céu.
Olha para o mar.
Ele nunca lhe atrai?
A impele?
Algo está prestes a acontecer.
Esse é o poder Dele.
Uma brisa suave do céu.
Destino!
Minha doce romântica.
Não estou maluca, Anna.
Leni.
Desculpe.
Tudo o que eu digo parece tão...
infantil.
As palavras brotam do teu coração puro.
O meu coração está perdido sem o meu Thomas.
Olá?
Conde?
E a tua assinatura
como representante legal.
Que descuido da minha parte, meu senhor.
Na língua dos meus antepassados.
É claro.
Um símbolo de uma dama, pelo que vejo.
A sua noiva?
Exatamente... Sim.
Posso?
Estamos recém-casados.
Aliás, tenho cartas para lhe enviar,
se me permite.
Lavanda.
O que foi, meu senhor?
É afortunado no amor.
É obra divina,
como diria Herr Knock.
A sua assinatura.
Rogo...
para que me perdoe.
Não ousei negligenciar
a sua comissão.
Herr Hutter.
Agora somos vizinhos.
É a minha boa sorte, meu senhor.
Perdoe a minha pergunta, meu senhor, mas porque...
uma residência tão antiga quanto a Mansão Grunewald?
O acordo está assinado.
É claro.
Agradeço e o parabenizo pelo seu novo lar.
Já está tarde.
Imagino que deseje se retirar.
Se me permite, meu senhor,
adotar uma postura um pouco mais franca,
desejo partir assim que...
os meus serviços forem prestados.
Estou muito...
Tenho vivenciado os sonhos mais incomuns.
Temo estar doente.
É um mau presságio
viajar com problemas de saúde.
Ficará e descansará bem.
Devo discordar, meu senhor.
Obedecerá.
É meu conselho.
Mas, meu senhor...
Conde?
Ficou com meu medalhão.
O seu marido já não pertence
a você.
Sonhe comigo.
Apenas comigo.
Apenas comigo.
Em casos leves de sonambulismo...
Caminhar a dormir...
é causado por um acúmulo sanguíneo.
Muito sangue.
Talvez...
...tenha sido oprimida
numa posição um quão estranha antes.
Mas ela teve estes ataques no passado.
- Nervos à flor da pele. - Compreendo.
Se continuar, avise-me, mas até lá...
- não se preocupe, caro amigo. - Sim, claro.
Recomendo que ela durma de espartilho.
Estimula a postura correta, acalma o útero
e revigora a circulação.
Sim, muito bem.
E, se a agitação dela aumentar, pode amarrá-la na cama.
Ele está a vir até mim.
Está a vir.
Aumentarei a dose de éter.
- Nada ainda do Thomas? - Não.
Quero dizer, não soube de nada.
Nem mesmo no estaleiro?
E o Herr Knock?
Ainda sem sinal dele.
A empresa está em caos diário.
Nunca gostei daquele homem.
Eu mesmo irei ao escritório.
- Não, Frau Hutter. - Vou descobrir algo.
- Santo Deus! Não irá sozinha. - Mas o Thomas...
Sou muito sensível...
ao seu fervor
e não irei repreendê-la mais por esse erro de julgamento.
Enviarei alguém diariamente até acharem o Herr Knock.
Thomas está bem.
Estou certo disso.
Leni, está quase a anoitecer.
Temos de ir.
Leni?
Só mais um momento.
Por favor.
Não seja rude, Friedrich.
Não se deixe levar pelos contos de fada dela.
A casa inteira gira em torno dos caprichos dela.
Cansei de falar dela.
Acha que não há fardo sobre mim?
Eu amo-a.
Ela não tem culpa da doença.
Perdoe-me, meu amor.
O Dr. Sievers fará outra visita.
Por favor, vamos falar de outra coisa.
E o nosso pequeno Friedrich?
Faminto como sempre.
Como o pai.
Em público, Friedrich?
Não lhe resisto, meu amor.
Ellen?
Leni!
Novo paciente?
Sim, senhor.
Pusemo-lo lá embaixo, senhor.
Proibi terminantemente o uso das celas antigas.
- Desculpe, senhor. - Está fora de questão.
Este é um hospital moderno, não uma prisão.
Pode ser uma pequena alma,
mas pela minha vida,
vi-o a gritar e a gemer.
Encontrei-o no Mercado de Natal.
Matou três ovelhas com as próprias mãos.
E estava a comê-las cruas.
Cruas!
Bom dia, senhor.
Sou o Dr. Sievers.
Qual é o problema?
Não há problema.
Não há problema.
Obra divina.
Sei.
Pode dizer-me o seu nome,
Herr...?
Não sou ninguém.
Sou o servo dele.
E...
o que tem aí?
Vidas, presentes,
concedidos a mim por Vossa Excelência.
Olha, é bonita.
Vossa Excelência gosta mais...
das bonitas.
Vossa Excelência?
Ele é infinito.
Olhos brilhantes...
como uma coroa de jóias.
E depois putrefação.
Asfixia.
E devoração.
Meu caro amigo, porque faria isso?
Está tudo bem.
Ninguém o quer magoar, meu caro amigo.
Está a vir.
Quem?
Quem está a vir?
Foi ele que me invocou.
Fui eu quem foi escolhido para servi-lo,
pois sei o que ele cobiça.
E lançará sobre vós...
maldições, confusões, aflições, repreensões,
pois vós abandonaram-me,
e ele reinará sobre todos
os vossos cadáveres vazios.
Devoração.
Devoração!
Harding, ajude-me.
Os ataques histéricos perturbam-na ao anoitecer,
como um relógio.
- Quer um charuto? - Não, obrigado.
Eu...
lamento lhe dizer isso.
O empregador de Hutter, o Herr Knock,
foi internado no hospital esta manhã.
O quê?
Falou com ele sobre o Thomas?
- Está louco. - Louco?
Não em pleno juízo.
E Friedrich...
o sujeito miserável,
embora consumido por algum delírio religioso,
partilha uma frase semelhante a da Frau Hutter:
"Ele está a vir.".
O quê?
Onde está, Thomas?
O que me leva ao especialista.
Um homem chamado von Franz.
Suíço.
Suíço?
Professor Albin Eberhart von Franz.
É a única pessoa que pode ser capaz de diagnosticá-la.
Um excelente médico e docente em Zurique quando eu estudava,
o meu melhor professor.
Entre em contacto com Zurique, então.
Não, não, ele...
Ele está aqui,
em Wisburg.
Aqui?
Aqui... aqui?
Porque não me contou?
Que notícia importante!
Porque não pensou nisso antes?
Veja bem...
von Franz é o maior expert no campo,
a mente é diferenciada, mas...
Não vou medir esforços.
Não, compreendeu-me mal, Friedrich.
É difícil para mim recomendá-lo.
Foi expulso da universidade, foi ridicularizado no seu país.
- O quê? - Entristece-me dizer isto, mas...
ficou obcecado com o trabalho de Paracelso,
Agripa e coisas do género.
Sou um capitão, Sievers.
Alquimia.
Filosofia mística.
O oculto.
Não! Orlok!
Era um mago das trevas em vida.
Um Solomonar.
O demónio preservou a alma
para que o cadáver ressuscitasse em blasfêmia.
Está consumido pela sombra dele.
Não.
Não, tenho de ir embora. Prometi a Ellen.
Permaneça aqui.
O seu mal não pode entrar nesta casa de Deus.
Prometi entrar na empresa.
Vim aqui para vender ao conde uma casa em Wisburg.
Não pode sair daqui.
- Ele está a ir para Wisburg. - Não pode sair daqui.
Deve ser enviado para a terra amaldiçoada onde foi enterrado.
Não! Está atrás da Ellen.
Sei disso!
Não tarde e serei mais
uma sombra para vós.
Em breve os nossos corpos se entregarão um ao outro
e nós seremos um só.
Natureza,
faz rugir os seus trovões.
e guie-me nas asas
dos seus ventos bárbaros.
Não falhei com Vossa Excelência!
O seu presente prometido o aguarda!
Obra divina!
A comunidade científica está numa cruzada
para provar que o trabalho o levou à loucura.
Garanto, Harding, o professor pode ser um pouco
não convencional,
mas ele saberá a origem de sua doença.
Professor von Franz?
Deixe-me em paz.
É o seu ex-aluno.
Fora daqui! Vá embora, falei!
Professor, por favor, não quero incomodar.
Professor, por favor.
Quase desvendei o último mistério
do Mysteriorum Libri Quinque.
Desculpe-me, Professor.
Não. Não importa.
Calculei mal as estrelas.
Hermes não fará o meu enxofre negro virar ouro hoje à noite.
Sim, não vamos incomodá-lo mais.
Já é hora de irmos.
Boa noite, professor.
"Não deis o sagrado aos cães".
"Nem atireis as vossas pérolas aos porcos".
Meu caro jovem Sievers.
Ou será que os meus velhos olhos me enganam?
Deveria saber.
Abrace-me, meu rapaz.
Estou muito feliz em vê-lo.
Pressenti algo.
Foi isso que me trouxe a Wisburg, há uns anos.
Pressenti que estava prestes a acontecer.
Achei que fosse algo mau,
mas deve ter sido vós.
Agora, qual é o problema?
Estou a ver, sim.
Uma querida amiga sua está com alguma doença rara.
Talvez uma hóspede?
Uma jovem que está a ter ataques de sonambulismo.
Parece cansado, meu jovem.
Schnapps?
Espere!
Ainda não está curado.
Rápido, capitão.
Volte ao seu posto.
Mas o Vasilyev. E agora o Rodenko.
Capitão, é a praga.
Está com a praga.
Isolem os doentes!
O demónio!
O nosso navio está amaldiçoado.
Para trás!
Fora! Todos para fora!
Desamarre essa criança, já!
Só assim para ela não destruir o quarto.
Desamarre-a.
Vós sois o médico de que o nosso Sievers falou?
Drogada?
Estou a administrar um opiáceo.
Deve descansar de dia, pois o corpo está exausto.
Não pode estar sedada.
Afaste-se.
Minha querida, sim,
sou ele e estou aqui para ajudá-la.
Ela é sua?
Greta.
Não tem dono nem dona.
Sem dúvida.
Peço-lhe que me desculpe, mas,
gostaria de começar a minha consulta agora.
Sabe,
tenho uma curiosidade a seu respeito.
O Dr. Sievers disse-me que tem estas crises desde a infância.
Pode descrevê-las, por favor?
Nem sempre consigo me lembrar.
É como se o meu espírito
vagasse.
Diga-me o que puder, desde o início.
Às vezes era...
é como um sonho.
Sei o que está por vir.
Sempre soube o conteúdo dos meus presentes de Natal.
Sabia...
quando a minha mãe iria falecer.
O meu pai...
encontrava-me nos nossos campos na floresta como se eu...
fosse a sua menininha encantada.
Compreendo.
Mas à medida em que fiquei mais velha, piorou.
Assustei-o.
O meu toque.
Estava tão sozinha, sabe, e...
queria ser consolada.
Senti uma presença e...
os pesadelos...
as epilepsias...
Rogo, continue.
E finalmente...
o pai encontrou-me deitada.
Estava despida.
O meu corpo, minha...
minha carne...
"Pecado."
Pecado, disse ele.
Teria me levado àquele lugar.
Não vou.
Não, não.
Terminou quando conheci o meu Thomas.
Do nosso amor, tornei-me normal.
As visões e perambulações noturnas reapareceram?
Receio muito por ele.
Professor.
Os meus sonhos ficam mais sombrios.
O mal vem de dentro de nós?
Ou vem de fora?
O seu estado de transe começou.
Pô-la a sangrar para diminuir o congestionamento?
Claro.
E as menstruações dela também?
Libertada.
Muito sangue.
Uma vela, por favor.
A sua pupila está dilatada.
Não se contrai naturalmente à luz.
- Impossível. - Uma visão sobrenatural.
Não está aqui mais.
A minha mala.
Perdoe o tédio horrendo desta demonstração.
A agulha.
No entanto, devo deixar claro...
que esta criança...
não está connosco.
Professor, protesto.
Contenha o seu protesto, pois não sente nada.
Comunga agora com outro reino.
Cuide da ferida, Sievers.
Agora...
Ouve-me, minha criança?
E o que vê então?
Ordeno, fale agora o que vê.
Uma noite interminável.
Um espectro da morte.
Ele...
espalha a sombra. Ele Ele está a vir.
Quem? Quem está a ir até si, minha criança?
Quem, raios? Fale!
Renda-se diante deste antigo talismã!
- Professor! - Não vou magoá-la!
Ordeno, ouça a minha voz.
Pela proteção de Chamuel, Haniel e Zadkiel,
fale comigo.
Em nome de Eligos, Orabas e Asmoday,
fale comigo.
Persisto ao seu lado todas as noites,
primeiro no sono, depois nos seus braços.
Tudo será imerso em abominação, e estará de joelhos em sangue.
Todos irão chorar.
Não terá ninguém para enterrar os mortos.
- Vós sois prometida para mim! - Prometida?
- Quer dizer o marido! - Prometida?
Como eu receava.
E então?
"Então" o quê, meu rapaz? Não consegue ver?
Ver o quê?
Ver que está amaldiçoada.
- Amaldiçoada? - Sim, amaldiçoada.
Esta adorada jovem criatura está possuída por algum espírito.
Talvez um demónio.
Perdão?!
Garanto-lhe, Harding, que o professor está a exagerar.
- Não, digo um demónio. - Está na brincadeira.
Mas e as suas descobertas sobre patologias
alucinatórias macabras?
Esta não é uma.
É impossível que tenha percebido tudo isso.
Como isso aconteceu com a Ellen?
Espíritos demoníacos têm mais poder sobre aqueles
cujas funções animais inferiores dominam.
Demónios gostam deles. Procuram-nos.
Não quero contestar, Professor, contudo...
presenciei mulheres nervosas a criarem todos os tipos de ilusões.
Isto não é uma ilusão.
Acredito que ela sempre foi muito receptiva
a estas forças cósmicas, de forma única.
Lunático, talvez.
Portanto reconhece uma ligação entre os casos?
Essa é a questão.
Isso é importante.
Digo-lhe, é a forma como o marido dela desapareceu.
Não. Este mal...
que ou...
como foi invocado e libertado, não sei...
mas esta criança notável à qual ele se vinculou
está em grande perigo.
Devo voltar aos meus estudos.
Frau Harding.
Sente-se com ela. Observe-a.
Relate o comportamento dela.
Sievers, chega de éter.
Mas vai delirar a noite toda.
Então, deve delirar.
Uma tempestade temível está a formar-se.
Vou pôr fim a esta praga. O Diabo.
Ajude-me!
Calma, vou tirá-lo daí.
- Não se preocupe. - Ajude-me.
Ouça.
- O que foi? - Ouça.
Vossa Excelência...
ele veio!
O sangue é a vida.
Ele está aqui!
Vossa Excelência está aqui!
O sangue é a vida!
Ele está aqui!
Ellen?
Thomas!
Não, não!
Thomas!
Thomas.
Não encontrou-a.
Receava nunca mais vê-la.
Meu amor.
Tinha razão.
Ele tem o seu medalhão.
Thomas.
Thomas.
O que raios foi agora?
- Thomas! - Hartmann, a porta!
Muito bem, senhor.
Thomas!
Mãe! Pai!
É o monstro?
Que raios é isso?
Já passa das três da manhã.
Meu Deus.
É a praga.
É um navio amaldiçoado.
Maldição.
Alerte a autoridade portuária.
- E chame o Dr. Sievers. - Sim, senhor.
Aí está, Vossa Excelência.
Aí está.
O corretor vive.
Destruirei o noivo, Vossa Excelência.
Ele ainda é-me útil.
Rogo...
Instrua-me.
Ordene-me. Use-me.
Devo trazer...
o seu adorável pertence?
O pacto exige que ela
renove o seu voto de livre vontade.
É impossível levá-la à força.
Mesmo assim, meu senhor...
Implore-lhe...
Cale-se, criatura!
As suas súplicas tornam-se insolentes.
Não ouse pedir-me nada.
Meu senhor.
O amanhecer aproxima-se.
Dentro em pouco, os sinos da alvorada
ecoarão em agonia pela minha presença.
E provarei de si.
Como está ele?
Receio que esteja tão mal quanto me dizem que sofri.
Rogo, perdoe-me por todos os problemas que lhe causei.
Fico feliz por ter voltado a ser quem era.
Parece um milagre.
Talvez o Professor Franz estivesse errado.
Talvez fosse o seu desejo de ver Thomas de volta e a sua...
A minha melancolia?
- Eu... - Thomas viu algo horrível.
- Se falasse com o professor. - Quieta.
O seus pensamentos são excêntricos.
Prof. Franz disse um demónio.
Leni, por favor.
Pelo bem das crianças.
A época do Natal está a chegar.
Porque insiste em ser tão irritantemente teimosa?
Porque tenho razão.
Sievers, solicitei uma reunião
com o seu maníaco, não com um homem morto.
Peço-lhe paciência, professor, mas é isso que me aflige.
Exibe todos os sinais de uma praga sanguínea.
Sepse, secreção ocular.
Até as mordidas visíveis de roedor aqui e aqui.
Receio que este navio tenha trazido a praga para Wisburg.
O mistério é que o corpo está completamente sem sangue.
Veja esta marca curiosa.
Já vi algumas pragas parecidas com leviatãs nos nossos canais,
mas diga-me, professor, que rato tem mandíbulas deste tamanho?
Anjos e demónios protejam-nos.
Onde está o seu lunático?
Deve-me encaminhar até ele imediatamente.
Não soube, doutor?
Não.
- Herr Knock escapou. - O quê?
Matou o porteiro ontem à noite.
Este homem deve ser encontrado.
Sirrah, mostre-me a saída.
Sievers, vá buscar Harding.
E encontre-me na minha residência esta noite.
Isto não é uma mera praga.
Saia de cima de mim.
Dê-me espaço.
Thomas.
- Não consigo respirar. - Sou eu.
Não consigo respirar.
Saia!
Por favor, não nos deixe, mãe.
Prometo que não deixarei nada magoar-vos.
Sem monstros. Nada.
Agora, dêem-me um beijo.
E façam suas orações.
Agora deito-me para dormir,
rezo ao Senhor que guarde a minha alma.
Anna?
- Assustou-me. - Perdoe-me.
Friedrich voltou?
Não. Não.
O que é isso, minha querida?
Posso...
ficar consigo esta noite?
A nossa amizade é um alívio precioso para o meu coração.
Perdoe-me por repreendê-la.
Obrigada por me amar.
Pode levar se quiser.
Deus está connosco, Leni.
Não posso aceitar ser assombrado por um fantasma.
Não, por favor. Não!
Não é um mero fantasma, manifesta-se fisicamente
e com as piores intenções.
E quais seriam?
Como toda praga, o único desejo...
é consumir toda a vida na Terra.
Esta criatura é uma força mais poderosa que o mal.
É a própria morte.
Não durmo há dias.
A minha casa tornou-se um caos, e fui chamado novamente
para este buraco miserável, por isso?
Não me diga que acredita em tais tolices
diabólicas medievais.
- Não acredito. - Eu sei!
Vi coisas neste mundo, que teriam feito Isaac Newton
rastejar de volta ao ventre da própria mãe.
Não adquirimos tanta sabedoria,
mas deixamo-nos cegar pelo brilho ilusório da ciência.
Enfrentei o diabo como Jacó enfrentou o anjo em Peniel.
E mais, para enfrentarmos a escuridão,
primeiro devemos admitir que é real.
Cavalheiros,
estamos a enfrentar um portador da praga dos mortos-vivos.
O vampiro...
Nosferatu!
Nosferatu.
Senti-o...
rastejando como uma serpente no meu corpo.
Não sou eu.
É a sua natureza.
Não.
Amo o Thomas.
O amor não chega aos seus pés.
Disse-lhe. Não é humana.
É um infame por dizer tal coisa.
Sou um desejo insaciável.
Nada mais.
Por séculos, eu, uma criatura repugnante,
repouso no abismo mais profundo.
Até que me despertou,
feiticeira...
e tirou-me do meu túmulo.
É o meu flagelo.
Não me importo com os seus flagelos.
Mas, ainda assim,
estamos predestinados.
O seu marido assinou o seu nome,
e entregou-a a mim,
por apenas um saco de ouro.
- Mentiras! - Por ouro...
rompeu o seu vínculo matrimonial.
Não sabe nada sobre ele.
E a renúncia deve ser concluída por si,
livremente, da sua própria vontade.
É um mentiroso.
Mente a si mesma.
Era apenas uma criança inocente.
E pensou que não regressaria?
Pensou que não faria isso?
O seu amor pertence-me.
Não consegue amar.
Não posso.
Porém, não me sinto completo sem si.
Lembra como nós éramos?
Um único momento. Lembra?
Abomino-a.
Está a mentir!
Quer que eu mostre a minha hostilidade também?
Vou dar-lhe três noites.
Esta noite foi a primeira.
Esta noite negou a si mesma,
e, portanto, permitiu-me
eliminar as vidas dos seus entes queridos.
Neguei-me?
Deleita-se com a minha tortura.
Na terceira noite,
submeter-se-á,
ou o homem que chama de marido
sucumbirá pelas minhas mãos.
Não.
Até que me ordene a vir,
verá o mundo desaparecer.
Não!
Mais duas noites.
Está a espalhar-se rapidamente, como fogo, desde ontem de manhã.
Simplesmente não podemos admitir mais nada.
A taxa de contração é muito alta.
Supliquei ao burgomestre uma quarentena.
- A cidade deve ser isolada. - Não é cristão.
Encontraremos quartos, senhor.
O dia do julgamento está a chegar. Tenha pena!
Devemos manter a calma diante desta praga.
Uma sombra a sufocar.
O meu corpo a afundar.
A afundar.
O fedor de carne podre.
Sufocante.
Eu...
Sinto-me tão fraca.
Receio que o pequeno Friedrich seja tão forte,
e tão faminto, levando a enfraquecer-me.
Posso ver as meninas?
Devo assegurar-lhes...
Vai ficar tudo bem, querida.
Vai ficar tudo bem.
Não me reconheço.
Ellen, diga-me,
o que é essa escuridão que não consegue suportar?
Eu...
Herr Harding...
Tem que me observar. Há algo!
A sombra, é uma criatura infernal.
- Ellen. - Por favor!
Não é um simples nervosismo.
É como o Professor Franz descreveu.
Um demónio.
Frau Hutter, perdoem-me, mas preciso que regressem para casa.
O quê?
É para o vosso próprio bem.
Por favor.
Tenha piedade. O Thomas está muito mal.
Não sei o que eu...
Vou orar pelo Tom.
- Sabe que amo-vos. - E a Anna?
Não a viu?
Não é da sua conta.
Friedrich, tem de me ouvir.
Estamos todos em grande perigo.
Rendo-me aos seus pés!
Frau Hutter, por favor!
Porque me odeia?
Como tem a ousadia de falar comigo assim?
Nunca gostou de mim. Nunca.
Ponha-se no seu lugar, madame.
Não vou ficar parada a fingir a sua superioridade.
Recuso-me a trocar farpas consigo.
Porque não me ouve?
Ouça-me, por favor!
Fiz tudo que pude para ser gentil consigo nestes longos meses.
Amarrou-me.
Tenha a decência de mostrar respeito ao seu cuidador.
Como pode ser tão estúpido e cruel?
Hartmann irá chamar uma carruagem.
Às minhas custas, é claro.
Pelo bem do seu marido,
espero que passe a agir com mais consideração.
A Anna vai morrer.
Vai morrer!
Todos nós vamos morrer!
Porque não me contou isso antes?
Sou um tolo.
Claro que é o Herr Knock.
O seu consumo obsessivo de criaturas vivas.
Deve ser ele.
Não é o Nosferatu.
Mas deve ser encontrado,
fez um pacto com esta sombra.
Reviste tudo.
Puxe o tapete.
Solomonari.
E o seu livro de segredos.
Então fiquei na areia à beira-mar.
E vi uma criatura a surgir do mar.
E a serpente entregou à criatura o poder
de falar sobre grandes nomes em blasfémia.
E a criatura tinha a forma de um leopardo,
os pés de um urso, a boca de um leão!
Uma criatura com sete cabeças e dez chifres!
Em cada chifre repousava uma coroa,
e em cada cabeça, um nome blasfemo."
A nossa sonâmbula
e o seu marido correm um perigo extremo.
Devo vê-los.
Mandei-os para casa.
Como essa aberração pode ser morta?
Não sei. Mandou-os pra casa?
- O quê? - Mandou-os para casa?
Não. Mandei.
Não sabe?
Precisamente. Correto.
Não sei.
Nunca encontrei o Nosferatu pessoalmente.
Ele não sabe.
Todos os seus belos discursos não passam de repetições
de malditos livros!
Os métodos para combater e destruir
variam muito de região para região.
Não se sabe ao certo a sua eficácia.
No entanto, há um facto invariável
- que me interessa mais. - Prossiga.
Em todos os relatos, o Nosferatu deve regressar
à terra onde foi enterrado
ao primeiro canto do galo.
Deve dormir no seu túmulo durante o dia.
Senão o que acontece?
Isso, meu caro Sievers, é a questão.
Céus.
Meu Deus.
Estou exausto.
Estou a perder o controlo. Saiam.
- Harding. - Saiam imediatamente.
Vocês os dois!
Friedrich, por favor, não queremos...
Não percebem que há uma maldita praga, senhores?
Uma verdadeira epidemia que está a matar pessoas reais.
- Raios lhe partam, Harding! - Os dois!
Desculpe, Sievers.
Frau Hutter está louca e deveria ter sido presa há muito tempo.
Minha Anna...
foi mordida por vermes.
Ratos!
Nada mais.
Amanhã partiremos de Wisburg.
Mas amanhã, com a quarentena, isolamos a cidade.
Não permitirei a sua loucura matar a minha esposa.
O demónio da noite bebeu o sangue da sua boa esposa
e voltará por mais.
Saiam.
Thomas.
Ellen, meu amor.
Temos de ir.
Temos de fugir da cidade.
Corre perigo.
- Sabia... - Não podemos fugir.
Não, temos de ir.
Há algo que tenho de lhe contar.
Algo tão repugnante, tão baixo.
Nada que possa dizer vai me abalar, pois
existe um demónio neste mundo, e conheci-o, e ele...
Não posso falar. Ele...
Veio a Wisburg
- por sua causa. - Eu sei.
O quê?
Conheço-o.
Conhece?
Fui a responsável por esse mal.
Nunca partilhei o meu...
segredo com qualquer pessoa.
Procurei companhia.
Procurei...
ternura, e clamei.
- Como assim? - No começo foi bom.
- Nunca conheci tanta felicidade. - Ellen.
No entanto, transformou-se em tortura. Iria matar-me.
Mas, Thomas...
foi quem me deu coragem para me libertar da vergonha.
Você.
O que me está a dizer?
Não compreende?
Por favor, ajude-me.
Ele é a vergonha que sinto.
É a minha melancolia.
Fez-me a sua amante na altura, e agora regressou.
Descobriu o nosso casamento
- e voltou. - Impossível.
Persegue-me nos meus sonhos.
Todas as noites, os meus sonhos são sobre ele.
- Ellen. - Não me toque!
Não devo ser tocada.
Parou de mandar cartas para mim.
O quê?
Prometeu escrever para mim todos os dias.
Não pensou em mim naquele castelo?
- Pensei. - Mentiras.
Depois do que acabou de confessar...
Contou sobre si.
Disse o quão tolo vós sois.
Quão medroso.
Como uma criança.
Como se entregou, como uma mulher frágil.
Ellen.
Contou como me vendeu por ouro.
O nosso amor devia ser sagrado!
- Ellen, por favor. - Não ouça!
Onde está?
O seu dinheiro? A sua promoção? A sua casa?
Onde está aquilo que é tão valioso para si?
Já pagou a dívida ao amável Harding?
Recompensou-o com essa praga que infectou a sua esposa?
Parti por nós, pelo nosso futuro.
Para quê? Para quê? Para estas coisas!
- Por si! - Não importa!
Não importa.
Não vê?
Nunca devíamos ter-nos casado.
Já estamos mortos!
Ellen, por favor.
Ellen!
Vou mandar chamar o Dr. Sievers.
Não!
Não! Por favor, por favor.
Vou ficar bem.
Vou ser boazinha. Prometo. Prometo.
Jamais conseguiria satisfazer-me como ele fez.
Sim! Possua-me!
Por favor.
Por favor!
Isso!
Beije-me.
Beije o meu coração. O meu coração.
Deixe-o ver.
Deixe-o ver o nosso amor.
Sem si, tornar-me-ei um demónio.
Ellen!
Ellen, sou eu. Ellen.
Ellen, amo-te. Amo-te.
Está segura comigo.
Sou eu.
Fique longe de mim. Sou impura.
Nunca.
Vai te matar se eu não for até ele.
Seremos separados, o mundo será tomado pelo desespero.
Não.
Vou matá-lo.
Vou matá-lo.
Nunca mais lhe fará mal.
Nunca.
Por fim.
"E eis que a bela donzela
ofereceu o seu amor à criatura
e com ele ficou em estreito abraço
até ao primeiro canto do galo.
O seu sacrifício voluntário quebrou a maldição
e libertou-os da praga de Nosferatu."
Ela é a resposta.
Não acorde.
Pai!
Friedrich!
Friedrich, acorde.
Não consigo chorar mais, não tenho lágrimas para derramar.
Temos de falar com ele.
Só mais um momento. A sua dor é muito grande.
Posso?
Haverá mais mortos.
- Ela estava grávida. - Eu sei.
A Morte empunha a sua pesada foice a cada rajada de vento.
Professor, preciso de falar consigo.
E eu preciso de falar consigo.
Tire esse canalha daqui!
- A sua mente doentia... - Por favor.
causou todo este caos!
- Pare com isso. - Pare. A culpa é minha.
Isto não tem a ver consigo, Thomas.
A sua presença...
- Tem de nos ouvir. - ...me faz mal!
Friedrich, os pesadelos são reais!
São reais!
Ainda assim ele não tem sinais da praga sanguínea.
As irmãs devotas esforçaram-se para me curar com as orações,
mas receio não estar livre do feitiço.
Confie em Deus e na sua força.
O monstro entregou aos lobos, mas prevaleceu.
Harding.
Perdoem-me. Não sou eu próprio. Eu...
Por favor, perdoem-me todos.
Não consegui aceitar isso racionalmente...
Força, rapaz. Força.
Orlok mantém o seu caixão na Mansão Grunewald?
- Correto. - Debaixo dos nossos narizes.
Hoje à noite, destruímos a criatura.
- Deixe-me ir. - Claro que não.
Deve estar segura.
Encontramo-nos na casa de Harding e vamos para mansão.
Por favor. Estar pronto é o essencial.
Santificaremos a terra onde ele está sepultado
e destruiremos o sarcófago.
Então, não terá refúgio ao cantar do galo.
E quando desenterrarmos o corpo?
Vou enfiar-lhe uma estaca de ferro.
- E se não funcionar? - Deve funcionar.
Professor, deixe-me acompanhá-lo até a porta.
Eu sei, devo ser eu, Professor.
Sou apenas um viajante neste universo do oculto.
Nasceu para isso.
É um dom raro.
A atração dele por mim é tão poderosa,
tão terrível,
mas o meu espírito não é tão maligno quanto o dele.
Devemos conhecer o mal para poder destruí-lo.
Devemos descobrir isso dentro de nós.
E quando o fizermos,
devemos crucificar o mal dentro de nós, ou não há salvação.
Não preciso de salvação.
Toda a minha vida, não fiz mal, só segui a minha natureza.
Então ouça.
Temo que o Nosferatu seja imune às nossas estacas de ferro.
Estou convencido de que só você
tem o poder de nos salvar.
Ellen, vamos depressa.
Em tempos pagãos,
poderia ter sido uma grande sacerdotisa de Ísis.
No entanto, neste mundo estranho e moderno,
o seu propósito é de maior valor.
É a nossa salvação.
Obrigada.
Manterei o seu marido afastado esta noite.
Vá agora. Vá para casa.
Prepare-o bem para essa falsa caçada.
Vai pôr um fim a tudo isto?
Prometa que não voltará para mim até que ele não exista mais.
- Prometa que não vai voltar. - Prometo.
Não tem poder sobre si, Thomas.
Deposito a minha total fé em si.
Amo-te.
Não tenha medo.
Adeus.
Não está aqui?
Não, o Sr. Harding partiu, senhor.
Para onde poderá ter ido?
Carrega uma dor profunda.
Vamos esperar por ele.
Ainda há tempo antes do pôr do sol.
Não, temos de encontrá-lo.
Está com Sievers. Receio por ele.
- Harding! - Harding!
Friedrich!
Clara.
Louise.
Minhas meninas.
Anna.
A sua cama é tão escura.
Tão pequena.
Anna, meu amor.
O nosso filho.
O nosso filhinho.
Perdoe-me.
Nunca mais dormirei.
Nunca.
Que este terno abraço,
me mantenha agora em êxtase,
longe do descanso eterno.
Friedrich!
Céus.
Estamos atrasados.
Temos de queimar os corpos infectados.
As nossas chamas os santificarão.
Não aguento mais.
Por favor, temos de seguir.
Mas Orlok,
já não terá despertado?
- Não devíamos voltar pra casa? - Não, não vou esperar até de manhã.
Muito sábio, jovem Thomas.
Sinto o seu domínio sobre mim esta noite.
Que Deus tenha misericórdia das suas almas.
"Em nome de Jeová, e pelo poder e a soberania destes três Nomes,
Tetragrammaton, Anexhexeton, Primematum,
lança-te, ó espírito desobediente Nosferatu,
no Lago de Fogo,
para permanecer até o Dia do Juízo Final
e serás esquecido perante Deus,
que virá julgar os vivos, os mortos
e purificar o mundo pelo fogo".
Eis que é a terceira noite.
Há uma capela após o pátio.
Despache-se, Thomas!
Estou pronta.
Imploro que venha até mim.
Ali está ele.
Meu Deus.
Prossiga, Thomas.
Liberte o corpo do demónio.
Thomas, não!
Herr Knock.
Eu...
entreguei-lhe a minha alma.
Devia ser o Príncipe dos Ratos,
ser imortal.
Mas só se importa
com a sua bela noiva,
e ela é dele.
Monstruoso.
Ataque de novo.
Sou a blasfêmia.
Morra, maldito bastardo do inferno!
Ateie fogo em tudo.
Foi atrás da minha esposa.
Vamos queimá-lo. Vamos destruir tudo.
Sem refúgio.
Não, não há tempo a perder.
- Persegue a Ellen. - Deve ser ela!
Não pode resistir ao sangue dela!
É um louco.
Sabia que Orlok não estaria aqui.
Sabia disso à tarde.
A sua esposa deseja isso.
Não é moral!
Deus está além da nossa moral!
Em vão! Em vão! Corre em vão!
Não pode evitar o destino dela!
O vínculo tenebroso dela com a criatura salvar-nos-á.
Quando a luz radiante do sol
se erguer ao amanhecer,
haverá redenção!
A praga será erradicada!
Redenção!
Aceita isso
por sua vontade própria?
Aceito.
Então, o pacto
está cumprido.
O vosso juramento foi renovado.
Sim.
Já que os nossos espíritos
estão unidos...
da mesma forma será a nossa carne.
É minha.
Mais.
Mais.
Ellen.
Perdoe-nos.
"E eis que a bela donzela
ofereceu o seu amor à criatura
e com ele ficou em estreito abraço
até o primeiro canto do galo.
O seu sacrifício voluntário quebrou a maldição
e libertou-os da praga
de Nosferatu."
Legendas: Joca12
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