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A Corda
Espera...
O que se passa?
Ela está doente.
Doente com o quê?
Cancro. Está a morrer.
Porque não disseste nada?
Cale-se, por favor!
Ela crê que a corda a pode curar.
-A Sophie é cientista. -Sim.
Sabe que é só uma corda.
Não, é...
Não há nenhum milagre.
Está tudo na sua cabeça.
Não me podem obrigar. Eu quero continuar.
Não vai conseguir, está demasiado fraca.
Temos de voltar.
Vão-se embora! Agora! Deixem-me continuar!
Vou sozinha.
Sophie, não posso parar por ti.
Não permitirei que se mate.
Isto tem de parar.
-Que estás a fazer? -Larga-me!
Vou mostrar-lhe que não passa de uma corda estúpida.
Não!
Dani!
-Dani, estás a ouvir-me? -Responde, vá!
Dani!
-Temos de continuar, não temos opção. -Voltamos para trás.
Para trás, esperam-nos três dias de nada, para a frente, não sabemos.
Podemos estar perto de uma vila ou de uma estrada.
Vai procurar a Leïla, não preciso de ti.
Ela ajuda-me.
Vamos.
Serge...
Lamento.
Que fazes?
Agnès?
-Não faz sentido. -De que estás a falar?
Analisei a cadeia de sinal entre os recetores do telescópio
e o servidor de dados. São tantas etapas
-para traduzir o sinal que basta um bug. -Agnès...
Verifiquei tudo, amplificadores, filtros, conversores de frequência...
Analisei tudo ao pormenor, mas, se fosse um problema da cadeia,
os dados estariam corrompidos, não só os LRF.
Apanhamos tudo. Tudo, menos o que nos interessa.
-Não compreendo. -A Hélène foi-se embora.
Agnès?
Não vais encontrar nada. Já vimos uma centena de vezes.
Deixa isso, caramba.
Vem comigo.
Não posso.
Pronto, está bem.
-Eu ajudo-te. -O quê?
Queres encontrar o que deu merda? Pronto. Eu também.
Vamos começar do início.
Ainda temos 24 horas.
Vamos lá.
Não. Agora, não.
Agora, não. Estamos a trabalhar.
-Pronto. -Mostra-me.
Merda!
Os feeds de dados estão limpos.
Agnès?
Sim, está bem!
-Mas que porra? -Tens de vir comigo.
Lembras-te do problema de interferência de que me falaste quando o Bernhardt saiu?
Sim, desenvolvemos o algoritmo de filtragem para o eliminar.
Foi implementado nos recetores primários
e nunca mais nos lembrámos.
-Não... -Sim.
Não.
Não pode ser tão simples.
Tira o filtro.
-Foda-se! -É isso, não é?
Sim...
Os cálculos da Agnès e do Bernhardt estavam corretos.
Sim.
Temos de fazer novo teste, já!
Antes que seja tarde. Podemos salvar este lugar.
-Talvez ainda haja tempo. -Sim!
Temos de chamar todos, a Hélène, os outros. E ligar para Paris.
Só tenho de ajustar o algoritmo e fica a funcionar.
-Espera. -O que foi?
Não digas a ninguém para já.
Tenho de falar com a Agnès. Por favor.
Desculpa. Estava a dormir.
Onde estiveste?
Aqui perto.
Estava a pensar no Bernhardt.
Quando estávamos na dúvida, quando estávamos perdidos na investigação,
metíamo-nos no carro e íamos.
Seguíamos em silêncio.
Podia durar horas.
-E aonde iam? -A lado nenhum.
Era só para espairecer.
Agnès...
Quero ir-me embora.
O quê?
Tens razão.
Não há aqui mais nada para mim.
Queres ir para onde?
Não sei.
Nunca fui a Oslo. Fazes-me uma visita guiada?
-O que foi? -Nada.
E se houvesse algo?
Não entendo.
Dizes que não há nada aqui para ti. E se houvesse?
Estás bem? O que se passa?
O teste.
Sei porque falhou.
Estás bem?
Não consigo... andar.
A Dani?
Foi-se.
Espera, deixa-me ajudar-te.
Vou-me embora, Serge. Vou juntar-me ao Joseph.
E à Leïla.
Disse-lhe para voltar.
Várias vezes.
Ela é que escolheu continuar.
Quando ela quis cortar a corda,
não sei o que aconteceu.
Fiquei assustada. Não sei o...
Conseguiste.
Sim, conseguimos. Juntos.
E fez-se luz.
Sim!
Que fazes?
Ligo para Paris.
Temos de contar a toda a gente. Vamos salvar Hellig.
Espera, Ulrik...
Merece-lo. É o teu bebé.
Obrigada.
Obrigada.
Vou-me embora.
Tens a certeza de que queres ir?
Tu e o Liam safam-se bem sem mim.
Não será o mesmo.
Trabalhávamos tão bem juntos.
Já não precisas de mim.
As novas equipas devem estar a chegar.
Preciso de mudar de ambiente.
E tenho saudades da minha filha.
Entendo.
Não sei se me safo sozinha.
Vai correr tudo bem.
Tens um exército ao teu dispor.
Não te preocupes.
Não preciso de um exército.
Adeus, Agnès.
Estamos quase a chegar.
Esquerda.
Cuidado, levanta as pernas.
Chegámos.
-Aqui? -Aos teus pés.
Podes deixar-me um instante? Quero ficar sozinha.
Bernhardt...
É isto.
Conseguimos.
Conseguimos.
Tínhamos razão.
Agnès?
Agnès?
Tínhamos razão, sabes?
Terias ficado tão orgulhoso.
Oxalá estivesses aqui.
Há um mundo, algures,
onde voltaste são e salvo para casa.
Um mundo como o nosso.
Um mundo onde voltaste para casa
e a vida continuou.
Está tudo como dantes.
Tu estás a trabalhar.
E eu trabalho a teu lado.
De vez em quando, olho para ti.
Olho para ti e tu não reparas.
Achas isso porque...
...porque sou cega, não estou a olhar para ti, mas...
...mas olho. Eu vejo-te.
Vejo-te com os meus olhos a olhar para ti.
E tu estás...
Estás a cofiar a barba.
Estás a fumar.
Um dia, dir-te-ei que quero deixar-te.
Ficarás triste, mas dizes-me que não te surpreende.
Que estavas à espera.
É o que me fará chorar.
Perguntas-me porque te quero deixar.
Perguntas-me se existe outra pessoa.
E eu recuso-me a responder.
O tempo passa.
E eu vou-me embora.
E ficamos amigos.
É o que somos, eu e tu.
És o meu melhor amigo.
Obrigada.
Obrigada por esperares por mim.
Leïla!
Desculpa.
Seguiste-me.
Joseph...
Sou eu.
O que viste?
O que há no final?
Não cheguei lá.
Então, porque voltaste?
Porque, sem ti, não havia razão para continuar.
Quando percebeste isso?
Não sei. Aos poucos.
Que estás a fazer?
Onde está a minha mulher?
Quem és tu?
Que fizeste à minha mulher? Responde-me!
Pousa a faca.
Onde nos vimos pela primeira vez?
De que estás a falar?
Onde é que
nos conhecemos?
Estava sentada no teu restaurante.
Perguntaste-me se queria provar a sobremesa que tinhas feito.
Qual sobremesa?
Tarte de limão.
Que tinhas vestido?
-Calças de ganga, t-shirt, sei lá... -Errado!
Como esperas que me lembre do que vesti há oito anos?
Queres saber o que está no final da corda?
Não.
Mentes de qualquer forma.
-Tenho medo, Joseph. -Cala-te!
Joseph!
Joseph.
Espera!
Joseph...
Leïla?
Sim?
Olá.
Sou amiga do Ulrik.
Ele está?
Papá?
Olá.
O que fizeste foi incrivelmente corajoso.
Foi estúpido, mas muito corajoso.
Que vais fazer agora?
Não sei. Ofereceram-me trabalho em Genebra.
Numa posição de gestão.
Acho que vou recusar.
Sou feliz aqui.
Gosto de estar com a minha filha.
E ela precisa de mim.
E tu?
Para mim, Hellig acabou.
E é isso.
Entrego o artigo daqui a uns dias. Paris conta com um prémio.
Isso é fantástico! Parabéns.
Obrigada.
A verdade é que isso já não me interessa.
Quero outra coisa na minha vida.
O quê?
Quero estar contigo.
Esperei muito tempo por ti.
Sim, eu sei.
Não foi fácil.
Vou pagar. Esperas por mim aqui?
Sim, eu espero.
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