All language subtitles for The.Damned.2024.1080p

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Original subtitles

Os Malditos

Não devíamos estar aqui.

O Magnus disse que era um lugar de oportunidades,

se conseguisses suportar o frio,

as longas noites,

a fome.

Por esta altura no ano passado, todos estes suportes estavam cheios.

Ontem, começámos a comer o peixe

que tínhamos guardado para servir de isco.

Os homens não querem pensar em nada além do próximo dia no mar.

Talvez seja a única forma de sobreviverem.

Mas caminhar às cegas para a escuridão é algo que eu não farei.

♪ Isca os anzóis E amarra-os bem ♪

♪ E pesa-os com uma pedra ♪

♪ Há dois pássaros negros Num céu branco ♪

♪ O sol Da cor do osso... ♪

- Olá, Helga. - Boa noite, menina.

Sim... Sabe bem.

♪ Debaixo do mar...

♪ Este longo inverno Nunca vai acabar ♪

♪ Até que o meu amor Volte para mim ♪

♪ Remem os remos Lancem as linhas ♪

♪ Depois inclinem a cabeça E rezem... ♪

- Guardei-lhe a cabeça, menina. - Obrigada, Helga.

Agora senta-te. Estiveste de pé o dia todo.

Obrigada, menina.

♪ Há gelo no fiorde E neve na colina ♪

♪ E peixes a viverem Debaixo do mar... ♪

♪ Este longo inverno Nunca vai acabar ♪

♪ Até que o meu amor Volte para mim ♪

Sim!

Já é mau estarmos a gastar os nossos salários,

mas com este sabor...

Se não gostas, sabes onde está a cozinha.

Deviam trocar de lugar. Aposto que a Helga rema mais depressa que tu.

Bem...

Sou mentiroso?

Não, de todo.

Encontrei pelo menos três invernos

em que a captura de inverno foi tão fraca como agora.

Mas tivemos o suficiente para vender na primavera.

Não quis faltar ao respeito, Ragnar,

as minhas preocupações são menos com a captura

e mais com o bem-estar dos homens.

Em cada um desses anos, nem todos sobreviveram ao inverno.

Isto é uma estação de pesca.

Qualquer homem aqui que não tenha cicatrizes nas mãos,

sal no sangue, um estômago a roncar

do amanhecer ao anoitecer, está no sítio errado, caralho.

Pai.

Com licença pela linguagem.

Visto que as estradas da montanha estão cobertas de neve até à primavera,

mais vale... apertarmos os cintos,

e pararmos de reclamar,

porque ninguém vai a lado nenhum.

Sabe, senhora Eva,

o seu marido, Deus lhe dê descanso,

fazia questão de manter a tradição

de brindar aos homens na noite do meio do inverno.

As coisas podem parecer sombrias agora,

mas já somos abençoados com boa fortuna.

A partir de amanhã,

cada dia será mais longo do que o anterior,

até à primavera,

quando todos estarão reunidos com os vossos entes queridos,

onde quer que eles estejam.

De certeza que ficarão felizes por vos ver.

A bem da verdade,

a única coisa que vão querer ver é o dinheiro nos nossos bolsos.

Que o Senhor vos proteja de rochas escondidas,

criaturas marinhas perigosas e piratas traiçoeiros.

Skål.

Skål.

Isso vai fazer de ti um homem num instante.

Cala-te.

Havia dois irmãos de quem ouvi falar

de uma cidade um pouco a norte daqui.

Eram pescadores.

Um era bonito,

o outro era simples...

Trabalhavam arduamente todos os invernos.

E, com o tempo, ficaram ricos.

Agora,

o irmão simples gastou o seu dinheiro com sabedoria,

mas o irmão bonito não o fez.

Quanto mais velho ficava,

mais invejava a bela esposa do seu irmão

e a sua magnífica casa.

Então,

um dia,

quando estavam no mar,

agarrou no remo

e bateu-lhe!

Três vezes na parte de trás da cabeça,

atirou-o borda fora e remou de volta para casa.

Disse a todos que tinha havido um terrível acidente.

Passou um ano.

Casou-se com a bela esposa do irmão

e mudou-se para a magnífica casa.

Depois,

tarde, numa noite,

quando todos estavam na cama,

ouviu uma batida na porta.

Mandou um dos empregados ver quem era.

Mas o homem nunca voltou.

Mandou a esposa...

Mas ela também não voltou.

Finalmente, o irmão bonito foi ele próprio à porta.

Mas não estava lá ninguém.

Só o mau cheiro

de algas e carne podre.

Então,

na parte de trás do pescoço, sentiu...

Larguem-me! Saiam!

Fiquei surpreendida por todos parecerem tão animados ontem à noite.

É o jeito dos pescadores, senhora.

Bebes muito quando os tempos são bons,

e ainda mais quando são maus.

Além disso, ganhei uma aposta.

Ver o Ragnar abrir mão de dinheiro alegra sempre o pessoal.

Qual foi a aposta?

Não me lembro bem. Foi...

Diga lá.

É algo embaraçoso, para dizer a verdade.

Tinha a ver consigo.

Comigo?

Apenas...

Alguns dos homens pensaram que não voltaria esta temporada.

Depois do que aconteceu com o Magnus, eles...

acharam que ia vender a estação de pesca

e voltar para a sua família.

O Magnus era a minha família.

- Pois. - Esta estação de pesca é tudo que eu...

Tudo o que me resta.

Vamos lá! Um, dois, três...

Força!

Pobres desgraçados.

Devem ter ficado presos nos Dentes quando a maré virou.

O que estavam a fazer tão a norte?

Deus Todo-Poderoso,

protege estes homens

e dá-lhes a ajuda de que precisam.

E salva-os do perigoso mar.

Ámen.

- Onde diabo vais? - Vou acender as fogueiras.

Quem ainda estiver vivo lá fora estará gelado quando voltar para a costa.

Isso...

Isso não é da nossa conta.

- Podíamos ser nós lá fora. - Mas não somos!

Se tivessem algum bom senso,

não teriam levado um navio tão grande para tão perto da costa.

Perdemos o Mestre Magnus naquelas rochas.

E ainda assim queres que levemos o barco para lá?

Arriscarmos a vida...

por estranhos?

Estrangeiros.

Não vamos ajudá-los?

Ouviste o que a senhora Eva disse ontem à noite, não foi?

Mal nos conseguimos alimentar.

Podem estar 10, 20 pessoas a bordo.

Se não gostas de como eu faço as coisas,

encontra outro barco onde possas trabalhar.

Eu sou o timoneiro, porra! É a minha decisão.

Não, não é. É dela.

Ela é a dona do barco, não és tu.

Receio que o Ragnar tenha razão.

Ajudar esses homens colocará a vida de todos em risco e eu não posso fazer isso.

Não posso.

Hoje não pescaremos, por respeito.

Isto está bom.

Devíamos procurar nas noutras praias.

Seria uma perda de tempo.

O que queres dizer?

É pura sorte que isto tenha acabado onde está.

Eu conheço as correntes em volta dos Dentes.

Os destroços que podem flutuar vão manter-se perto deles.

Por quanto tempo?

Até a maré virar.

Depois disso, quem sabe?

Podemos levar um barco até lá antes disso?

Teríamos de sair agora.

Continuem a remar!

Parem! Parem!

Ali!

Cuidado, idiota! Vamos virar o barco!

Ragnar, sobe aqui.

Vamos pelo lado de trás do barco. Empurrem-nos, porra!

Não podemos ajudá-los?

São demasiados! Vão afundar o maldito barco!

Vá para a parte de trás do barco!

Mexa-se, agora!

Vão!

Saiam!

- Empurrem-nos, porra! - Saiam!

Vamos virar o barco!

Parem! Parem! Parem! Parem! Parem!

- Saiam! - Saiam!

Não se aproximem!

Ragnar!

Onde está o Ragnar?

Ragnar!

O Ragnar está na água!

- Onde está o Ragnar? - Alguém consegue vê-lo?

Ragnar!

Meu Deus!

Ajuda! Ajuda!

- Ajuda! - Afastem-se! Afastem-se!

Cinco jarros de óleo de lâmpada,

seis garrafas de aguardente.

É tudo.

Bem, pelo menos não vamos sentir o frio.

Achas que devíamos estar agradecidos?

É melhor que nada.

Perdemos o nosso timoneiro, seu idiota!

- Como é que vamos pescar? - Tu! Estavas mesmo ali...

Não havia nada que ele pudesse ter feito!

E quem és tu para falar? Foste tu que nos viraste!

Basta!

Se ninguém tiver objeções, o Daníel vai assumir como timoneiro

para o resto da temporada.

Daníel, obrigada.

Não tem de agradecer, senhora.

Sabe, o seu marido costumava dizer:

"Se não podes confiar no homem ao teu lado,

nem devias entrar no barco."

Achas que ele teria tomado a mesma decisão que eu?

O que está feito, está feito.

Não vale a pena pensar mais nisso.

Aron!

O que estás a fazer?

O que tens na mão?

Um relógio, senhora.

- Parece que não está a funcionar. - Põe-no de volta.

- Senhora? - Põe-no de volta.

Ele está vivo!

Isso é blasfémia.

Jónas, o que se passa?

Nada, senhora Eva. Apenas superstição tola.

A Helga está preocupada que voltem como um draugur.

Draugur?

Para que é que ela quer as cordas?

Pelo que me lembro, senhora, os mortos não conseguem libertar-se

se lhes atares os braços com cordas cheias de nós.

Perdem o rumo se virares o caixão três vezes.

Não conseguem andar nos teus sonhos se pregares pregos nos pés deles.

Contos de velhas.

Levem isto.

Estamos a ir embora, senhora.

Já vou atrás de vocês.

Parecia real.

Os longos invernos, a escuridão...

Pregam partidas à mente

mesmo nos melhores momentos.

Talvez tenhas razão.

Se isso lhe der paz de espírito, posso...

carregar a arma do Magnus.

Não faz mal tê-la pronta nesta altura do ano.

Pode haver focas.

Sim.

Tenho de a limpar.

Quem sabe quando foi usada pela última vez.

Há cerca de dois anos, tu e o Magnus foram caçar codornizes.

Sim.

Não voltámos com muito, se bem me lembro.

Ele era tão inteligente quanto qualquer homem que conheci, mas,

Deus o tenha,

se disparasse para cima, falhava o próprio céu.

- Isso nunca o fez desistir. - Não, nunca.

Quando o Magnus me pediu em casamento,

tinha o anel numa mão,

e a bússola na outra.

Depois de eu dizer que sim, perguntei-lhe para que era a bússola.

E ele disse que era caso eu dissesse não.

Ele precisava dela para voltar para casa,

porque ficaria perdido sem mim.

Meu Deus...

Ensinas-me a usá-la?

Claro que sim.

- Cuidado! - Desculpa, está carregada?

Espero bem que não.

Está tudo bem. Está tudo bem.

Levanta-a.

Encoste-a ao seu ombro.

E aqui.

Calma e firme. Isso mesmo.

Agora...

puxe o cão com o polegar.

É isso.

E abra o ferrolho.

A bala fica ali.

Feche-o.

Agora alinhe os dois conjuntos de miras com o seu alvo.

Respire devagar.

Prepare-se.

E quando estiver pronta...

dispare.

Devia ir dormir.

Foi um dia longo.

Obrigada.

Boa noite, senhora.

Cuidado... com o draugur...

quando vagueia pela planície à meia-noite...

Senhora.

Vamos lançar as primeiras linhas para além do Cabo.

Vamos andando.

E um...

Encontrei isto escondido em cima da porta.

Não estava escondido, senhora.

Não serviria de nada se estivesse escondido.

O draugur tem de o ver.

O que é isto?

Madeira daquele navio.

O quê?

É uma estaca, senhora.

Para proteger a casa do mal.

Helga, os homens não podem ser lembrados do que aconteceu naquela noite.

Não posso permitir que fiquem distraídos com espíritos e fantasmas.

Não é um espírito, senhora.

Não como está a pensar.

É quase só pele, osso e sangue.

Como nós.

Só que já não há vida nele.

Apenas ódio.

Eu vi-o nos meus sonhos.

Fica escondido durante o dia, senhora.

Mas à noite...

Foi quando o senti.

A tentar entrar aqui.

Talvez a senhora também o tenha sentido.

- Correu bem? - Sem dúvida, senhora.

Encontrámos os peixes para além do Cabo.

Acho que este até se parece consigo.

Devem haver muitos mais por ali, senhora.

Devíamos comemorar.

Agora temos comida suficiente. Devíamos comemorar.

É uma ótima ideia, senhora Eva.

Tudo com moderação.

Eu sou todo pela moderação!

Skål!

♪ Que o vento sopre Esta neve e gelo e frio

♪ Bebam até ao fim da garrafa O amanhã não é nosso amigo ♪

Skål!

♪ O coelho sai da toca Mas não há nada para ele comer!

♪ Tudo o que temos são tocas, aqui Coelho, bebe até te fartares!

♪ Que o vento sopre Esta neve e gelo e frio

♪ Bebam até ao fim da garrafa O amanhã não é nosso amigo!

♪ O velho troll acorda E bate os pés

♪ Pois é sangue cristão Que ele procura

♪ Mas tudo o que temos são barris Troll, bebe até te fartares!

♪ Que o vento sopre Esta neve e gelo e frio

♪ Bebam até ao fim da garrafa O amanhã não é nosso amigo!

♪ Soprem, soprem, Que o vento sopre

♪ Esta neve e gelo e frio

♪ Bebam até ao fim da garrafa O amanhã não é nosso amigo!

Skål!

Lamento pelo teu pai, amigo.

Ele era um bom homem...

- Um bom homem. - Obrigado, Hákon.

Tens umas grandes botas para preencher.

Vai-te lixar, Hákon!

O quê?

Senhora Eva?

Está tudo bem?

Senhora?

Então viu-o?

Os encantos não estão a funcionar.

É demasiado forte para isso.

Em breve, vai entrar na cabeça deles também

e será o fim de tudo.

É disso que mais gosta, senhora.

Ver-nos virar uns contra os outros.

Apenas bebi demais, Helga.

Uma coisa dessas nunca para.

Eu não dormiria se fosse a si.

O que aconteceu naquele navio com aquelas pessoas

foi uma terrível tragédia, Helga, mas não tínhamos escolha...

Isso não importa!

Não vai parar até nos levar a todos.

A única forma de parar um draugur é com fogo.

Queimá-lo.

Tudo! Tudo! Acabou-se!

Foi-se tudo?

Até o isco...

Como... Quem...

Hákon.

Foste o último a entrar lá?

Sim, senhora.

Fui lá ontem à noite buscar uma garrafa de aguardente.

Quando?

Eu... não me lembro.

Tarde. Mas estava tudo lá, senão teria notado.

Notado? Estavas tão bêbado ontem à noite,

que foi um milagre lembrares-te do teu próprio nome.

Onde está a Helga?

Alguém a viu desde ontem à noite?

Não, desde que foi ter consigo, senhora.

Aquela desgraçada!

- Skúli! - Então, quem mais seria?

- Porque o faria? - Como é que vou saber?

Talvez ela tenha atirado tudo ao mar

a tentar encantar sereias.

Ela não podia...

Quer dizer... podia?

O diabo precisa apenas de um único pecado para entrar na alma.

A adoração de ídolos, a gula...

a intemperança.

- Talvez tenhas sido tu. - Eu?

Sim. A tentar ensinar uma lição aos pecadores.

Foram os teus pecados. A razão pela qual nunca serás saudável.

Estás aqui porque o teu pai nunca quis saber de ti!

- Por favor, calem-se. - Havia neve fresca esta manhã, senhora.

Podem haver pegadas.

Talvez valha a pena procurar na estação.

Talvez tenha sido o draugur.

Chega dessa conversa.

A Helga pode estar perdida ou ferida.

Temos de a encontrar enquanto ainda há luz do dia.

E a nossa comida.

Aron,

estavas a falar durante o sono na outra noite.

Estava, senhora?

Era uma rima.

Algo sobre o draugur.

Foi algo que a Helga te ensinou?

"Tranca as portas e janelas

quando o mar devolve os mortos.

Cuidado com o draugur, pois a sua fúria não se sacia.

Rouba por amor ao roubo,

magoa por amor à dor.

Cuidado com o draugur, quando vagueia pela planície à meia-noite.

Há loucura nas suas palavras,

há doença no seu hálito.

Cuidado com o draugur...

pois o seu toque gélido é morte.

Permanece perto do túmulo e do fôlego que uma vez tomou.

Cuidado com o draugur,

"pois esta noite vem buscar-te."

O que é isso?

É um dos encantos da Helga.

Skúli, emprestas-me a tua faca?

- Senhora! - Tenho de ver.

O que está a procurar, senhora?

Acho que devíamos parar com isto, senhora.

Skúli, vai buscar uma corda e alguns pregos.

E um martelo.

Senhora Eva?

Ele está doente.

Não sabemos o que fazer.

Fica connosco, Hákon.

Está muito frio. Está muito frio...

Ele está a arder.

Por favor... Por favor...

- Por favor, parem. - Está tudo bem, Hákon.

- Vai ficar tudo bem. - Não... Não...

Não! Não, não, não.

Afasta isso. Afasta isso. Afasta isso!

Afasta isso de mim! Afasta isso!

- Afasta isso de mim! - Hákon, não está nada aí!

- Não está nada aí. - Não quero ouvir!

Não quero ouvir!

Está tudo bem.

Ele diz que vamos todos morrer.

Hákon, estás doente.

- Estás a ver coisas. - E tu não?

Achas que estás a salvo?

Irmão, por favor!

- O que estás a fazer? - Sai de cima de mim!

Hákon! Sai de cima dele!

Sai de cima dele! Hákon!

Hákon! Para! Vais matá-lo!

Bate-lhe! Bate-lhe!

Conheço o Hákon há dez anos...

Nunca o vi assim.

- Quase me matou. - Eu sei. Eu sei.

Disseste que era um conto de velhas,

mas é real...

o draugur.

Temos de nos livrar desta coisa.

Eu vi...

Eu... vi...

uma sombra no canto do meu olho.

Ouvi uma...

uma voz no fundo da minha mente.

Tenho sonhado.

Todas as noites...

Tenho sonhado com a morte daquele homem.

Consigo sentir o machado na minha mão.

Sinto-o a partir o seu crânio.

Isso não é um fantasma.

É pior que isso.

Não sei o que está a acontecer aqui...

Não consigo explicar.

Mas sei...

A única coisa que sei...

é que os vivos...

são sempre mais perigosos que os mortos.

Senhora Eva, não pescaremos hoje.

- O quê? - Há um mal entre nós.

Estamos todos de acordo nisso, não estamos?

E lamento dizê-lo, Senhora Eva, mas foi você que o trouxe sobre nós!

Jónas, não te opuseste quando deixámos aquelas pessoas morrer.

Permitiu que a Helga e o Hákon usassem

as ferramentas do diabo como proteção e veja onde isso os levou!

Devemos acender uma luz na escuridão.

Uma cruz sagrada lá em cima no promontório

para que Deus perdoe os nossos pecados e nos abençoe com a sua misericórdia.

Mas Jónas, não temos comida.

Quem se junta a mim?

Senhora!

Na mesa.

O que aconteceu? Está tudo bem?

Aqui.

- Segura-lhe a cabeça. - Já o tenho. O que lhe aconteceu?

Caiu na água. Bateu com a cabeça no gelo.

Ele está a arder. Tal como o Hákon.

Está bem...

Skúli, podes ir buscar uma tigela de água?

Aron, há uma agulha e linha

e algumas ligaduras debaixo da minha cama. Podes trazê-las, por favor?

O que aconteceu lá fora?

Bem, eu...

Lançámos algumas linhas junto ao gelo,

e... não tinha passado mais de uma hora,

quando uma névoa começou a surgir.

E foi aí que vimos as focas.

Focas?

O Daníel foi o único que as viu.

Nós só ouvimos os latidos.

Depois levámos o barco até ao gelo

e o Daníel subiu.

Era suposto estar fora por apenas um ou dois minutos.

Esperámos por ele e continuámos à espera e...

Esperámos até que a névoa ficasse tão densa como fumo.

E, de repente...

ele saiu a correr do meio do nevoeiro.

Como se o próprio diabo o estivesse a perseguir.

Foi então que escorregou no gelo e caiu na água.

É um milagre termos conseguido pô-lo de volta no barco, mas...

Viste o que o estava a perseguir?

Eu vi...

uma sombra...

em pé,

alta como um homem.

Estava errado em dizer o que disse, Senhora Eva.

A culpa... o peso disso...

não deve ser só seu para carregar.

Mantive-me calado quando não devia.

O meu pai sempre...

Quando tomava uma decisão, mantinha-se firme.

Independentemente de tudo.

Sempre pensei que isso fosse uma força, mas agora...

Nunca é tarde para admitir os nossos pecados.

Para pedir perdão...

pelo que fizemos.

Bem, vou dar os bons dias ao Daníel.

Ajuda-me.

O que estás a fazer?

Quem... Daníel, pára.

Daníel, estás a assustar-me.

Daníel, por favor, para.

Por favor, para. Para.

Daníel!

Ajuda!

Ajudem-me.

Ajudem-me!

Ajudem-me!

Ninguém... Ninguém vai entrar na minha cabeça!

Larga a faca!

Cala-te! Não me fales assim!

Nenhum de vocês tem o direito de falar comigo assim!

Chega!

Não podemos ficar aqui, senhora.

Vamos acabar como o Hákon ou o Daníel.

A próxima cidade é a três dias de distância, senhora.

Mas podemos levar o barco.

Quer atravessemos o mar ou subamos as montanhas,

quem garante que esta coisa não nos seguirá?

Então é isso?

Temos de a destruir.

Mas... como?

A Helga disse que a única maneira de destruir um draugur é com fogo.

Seguiste as pegadas até às montanhas, não foi?

Sim.

Ao longo do desfiladeiro.

Mas... perdemo-las perto das colinas.

Permanece perto do túmulo.

É lá que começaremos a nossa busca.

Este é um lugar sem Deus.

- É por isso que estamos aqui. - Não devíamos estar aqui.

Onde foram?

Onde estão?

Olá?

Onde foram?

Skúli?

Não!

Skúli!

Skúli?

Senhora Eva?

Senhora Eva, está aí em baixo?

Helga...

- Prepara o barco. - Senhora Eva?

Temos de partir

o mais rápido possível.

- Mas, senhora, disse... - Eu sei.

Vamos ter de arriscar.

Não vais entrar na minha cabeça!

Estava na casa!

Estava à minha espera!

Disparei contra ela!

Disparei contra ela!

O que aconteceu, senhora?

Está ferida?

Ouvi dizer que o fogo a pode destruir.

Já acabou. Já acabou.

Não, por favor. Não me matem.

Quem és tu? O que estás a fazer aqui?

Sou apenas um pescador...

Por favor, para.

Perdi tudo quando o barco se afundou.

Por favor, não tenho nada.

Não entendo.

Peço desculpa. Eu levei a vossa comida.

Estava zangado, percebes?

Não entendo o que estás a dizer.

A minha tripulação, o meu irmão...

O que estás a dizer?

Não te aproximes!

Preciso do vosso barco.

Fica para trás!

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