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Legendas por: RosaeCrucis
Pelo Kaizer!
Pela P�tria!
Pelo Kaizer!
Pela P�tria!
Pelo Kaizer!
Pela P�tria!
Pelo Kaizer!
- Viva a Fran�a! - Viva!
- Viva a Fran�a! - Viva!
- Viva a Fran�a! - Viva!
Quando avan�armos, fica atr�s de mim.
Ao ataque!
Ao ataque!
Mexam-se! Avancem!
O que est�s a fazer? Pega na tua espingarda!
Pega na tua espingarda ou mato-te!
Pega na tua espingarda!
Fevereiro de 1917 A Europa est� em guerra.
A Alemanha e o Imp�rio Austro-Hungaro de um lado
Gr�-Bretanha, Fran�a, It�lia e R�ssia do outro,
com os Estados Unidos prestes a juntar-se-lhes.
Na R�ssia, o moderado Kerensky
substituiu o regime repressivo e cruel do Czar
por um governo provis�rio liderado por outro Pr�ncipe.
Os milhares de refugiados que haviam fugido da R�ssia
estavam espalhados por toda a Europa.
Politicamente divididos por v�rios grupos
sonhavam com o regresso a casa
e com a constru��o de um novo futuro.
Ambas as Frentes, a Ocidental e a Oriental, estavam num impasse sangrento.
Tr�s milh�es haviam morrido.
� uma guerra que ningu�m pode vencer.
Berlin Minist�rio da Guerra
Continuamos na mesma posi��o,
passados 3 anos e quase 2 milh�es de mortos,
encurralados por uma guerra que tem sido combatida em duas frentes.
Os nossos soldados paralizados nas trincheiras.
Cavalheiros...
Na reuni�o desta manh�, o General Ludendorf deixou bem claro
que temos de encerrar a frente russa o mais rapidamente possivel.
Com vista a transferir 80 das nossas divis�es para a Frente Ocidental
para que possamos derrotar os brit�nicos e os franceses,
antes que, e enfatizo isto...
Antes que os EUA se juntem a esta guerra contra n�s
inundando a Europa com as suas tropas.
Por outras palavras,
a quest�o russa tem de ser resolvida pacificamente e imediatamente.
Eu n�o perderia um minuto de sono
a pensar nas capacidades militares dos americanos.
Isso � a sua opini�o.
Ainda n�o termin�mos as nossas negocia��es com os russos.
O Czar foi deposto,
mas o governo provis�rio
tem mantido o pa�s em guerra.
Von Berger...
O seu Minist�rio,
o qual se denomina por Minist�rio da Subvers�o,
at� � data ainda n�o obteve grandes sucessos.
Voc� diz que tem um plano decisivo para p�r a R�ssia fora da guerra.
Bem, vamos l� ouvi-lo.
Acho melhor que o homem que teve a ideia,
um tal de Dr. Helfand, vo-la explique ele pr�prio.
Helfand?
- O homem que � conhecido por Parvus? - Exatamente.
� um subversivo judeu russo
que fugiu para c� em busca de prote��o.
Teve sucesso enquanto homem de neg�cios
tendo-se envolvido em v�rios assuntos com pot�ncias estrangeiras.
Conselheiro do governo Turco.
Tentou liderar um levantamento na Ucr�nia, o qual falhou!
At� tinha um plano para uma rebeli�o contra os Brit�nicos na �ndia.
Um fiasco atr�s do outro!
Mas conseguiu sempre arranjar dinheiro.
Dr. Helfand.
Bom dia, cavalheiros.
Sente-se, Dr. Helfand.
Tamb�m posso fumar?
Explique-nos o seu plano.
O atual governo provis�rio, na R�ssia
n�o tem qualquer inten��o em fazer a paz.
Mas o l�der da ala extremista dos revolucion�rios russos
est� no exilio
na Sui�a.
Damos-lhe um salvo-conduto para atravessar o territ�rio alem�o
at� Petrogrado, de comboio.
Uma vez l�, ele ir� liderar a revolu��o
e uma vez consolidada a sua posi��o no poder
ele assinar� um armisticio com a Alemanha.
Pelo menos � o que eu acho que ele far�.
Talvez devesse expressar as minhas opini�es com mais cautela
e dizer que ele tentar� fazer uma revolu��o
e tentar� tomar o poder.
Est� a falar do l�der dos bolcheviques?
Vladimir Ilyich Ulyanov.
Sim, conhecido por Lenin.
Ele esteve por detr�s de levantamentos abortados noutros tempos.
Juventude.
Est� a querer dizer que este homem
ser� agora bem sucedido no que noutras alturas falhou?
Agora � o momento certo.
N�o ser� por acaso que voc� nutre grande admira��o por esse Lenin
e s� por isso est� t�o confiante.
Confio nele de uma forma racional, eu conhe�o-o bastante bem.
Quanto dinheiro espera ganhar desta vez?
J� sou um homem rico. Toda a gente sabe disso.
Ent�o, por que raz�o est� a fazer isto?
Quero que o meu pa�s ganhe a guerra.
O Dr. Helfand tem cidadania alem�.
Desde quando?
Desde h� tr�s semanas.
Muito bem, cavalheiros...
T�m muito trabalho a fazer.
Acho que deviam considerar seriamente a minha proposta.
O Ministro est� a par dos detalhes e sabe onde me encontrar.
Cavalheiros, muito obrigado pelo vosso tempo.
Sr. Ministro.
Eles devem aceitar
ou perder�o a guerra.
Mas at� que ponto dependemos da intelig�ncia dos homens?
Tenho comigo os balan�os atualizados
do Banco de Estocolmo.
Sabe F�rstenberg...
Esta � a na��o mais importante do Mundo.
Tudo � decidido aqui, na Alemanha.
N�o � na R�ssia?
Esta revolu��o de camponeses,
que Lenin est� a dar inicio,
� meramente acidental.
� aqui, na Alemanha, por entre a classe trabalhadora
que a revolu��o mundial ir� come�ar.
N�o quero com isto dizer
que aquilo que o Lenin est� a fazer n�o � importante
mas vou ter que gui�-lo com muito cuidado.
de modo a preparar o terreno para o grande passo, o meu.
Mas o homem tem um registo de derrotas atr�s dele.
Ainda n�o teve oportunidade de se p�r � prova.
Mas quando ele se apanhar no terreno mover-se-� muito rapidamente.
Certificar-me-ei disso eu mesmo.
Todo este tempo que passou na Sui�a
sem saber que um dia lhe iria bater � porta
e dar-lhe a conhecer o seu novo destino.
Achou gra�a a qu�?
Ao facto de lhe ir bater � porta.
Recorda-me algo que o Lenin dizia acerca de si.
O que era?
Ele chamava-o "o mo�o de recados da revolu��o".
- O Lenin dizia isso? - Dizia...
- Era o que ele dizia. - Isso n�o � verdade.
Repetiu essa inven��o para mais algu�m?
N�o.
Dr. Helfand, o Ministro est� aqui.
Temos neg�cio.
Vamos!
Faz alguma ideia de quanto esta opera��o vai custar?
Nunca menos de 50 milh�es de marcos, isso � certo.
A Alemanha est� a morrer � fome.
� capaz de ser demasiado para o governo suportar.
Demasiado para ganhar a guerra?
Ser� voc� a entregar o dinheiro?
Na certeza que Lenin n�o percebe nada de finan�as.
Amanh�, no meu gabinete estudaremos o plano.
Quando ser�o feitos os pagamentos e o resto.
Pode desde j� falar com o seu homem.
Antev� algum problema?
Certamente que n�o. O Lenin esperou por este momento toda a sua vida.
Quanto mais cedo esse comboio partir, melhor.
Quem vai tratar da escolta?
O Major Von Planetz.
Um her�i? Espl�ndido.
Este � o modelo de m�o artificial mais avan�ado que existe.
Espero que se sinta confort�vel.
O tempo est� a mudar.
D�i?
Obrigado, Fritz.
Sei que preferias estar na frente do que sentado a uma secret�ria.
Mas j� viste a��o que chegue.
Al�m do mais, acho que te consigo tirar daqui se estiveres interessado.
�s da zona do b�ltico
devias saber como lidar com isto.
Temos uns exilados russos dos quais temos que tratar.
- � este o homem? - Sim, senhor!
Deitou fora a espingarda durante o ataque
e recusou-se a lutar.
- � tudo? - Sim, senhor.
Pode ir.
Felicito-o, Capit�o, pelo sucesso do seu ataque.
- Perdeu muitos homens? - Quarenta por cento deles.
Mas estamos 300 metros mais perto de Paris.
Recebemos ordens para abandonar o campo de batalha
e retirarmos para as posi��es anteriores.
Os franceses est�o prestes a lan�ar um contra-ataque com tanques
e nunca o aguentariamos naquela posi��o.
Est� a dizer que foi tudo em v�o?
Claro que n�o, Capit�o.
Captur�mos 18 prisioneiros.
Sim, senhor.
Apontar armas!
Preparar e...
Fogo!
Descansar armas!
Esquerda, volver!
Em frente, marchar!
Encontr�mos isto com o rapaz.
Reconhece-o?
Propaganda subversiva.
Destinada a causar insatisfa��o entre as tropas
e encorajar a desobedi�ncia.
� um insulto ao conceito de patriotismo!
- N�o sabia de nada? - N�o, senhor.
Absolutamente nada.
Como pode um panfleto desta gravidade
circular entre os seus homens sem o seu conhecimento?
N�o verifica moral dos seus homens, capit�o?
O que eles l�em?
Sabe do que isto se trata, n�o sabe?
� uma c�pia do denominado Manifesto Kiental.
A den�ncia socialista da guerra.
Veneno pacifista!
O medo toma conta de todos n�s, soldado,
quando nos s�o tirados os principios,
Quando perdemos o respeito pelos verdadeiros valores que nos guiam.
D�vida.
� isso que o Kington receia.
Chegou esta manh� um agente, h� algumas horas
vindo do Quartel General.
Voc� vai retirar-se do seu comando
e apresentar-se ao Major Von Planetz.
Vai diretamente para Arvene.
Se n�o estou errado, ele foi o seu anterior comandante.
E abandono os meus homens a meio de uma batalha?
- Porqu�? - S�o ordens, n�o me pergunte a mim.
Tem de escrever uma carta aos pais daquele rapaz,
a dizer-lhes que ele morreu heroicamente em combate.
Boa sorte, von B�hring.
Ouviu as noticias?
Os Americanos declararam-nos guerra hoje.
Por que raz�o temos de ir buscar um revolucion�rio russo � Sui�a
e lev�-lo para a escandin�via como se fosse uma crian�a?
Porque ele � a nossa arma secreta.
Se o caos se instalar na R�ssia
eles ver-se-�o for�ados a sair da guerra.
Quem � essa maravilha revolucion�ria?
Chamam-lhe Lenin.
Como disse?
Lenin.
Eu conhe�o esse nome.
Ei-lo!
� um dos que assinou
este peda�o miser�vel de propaganda pacifista.
O que esperava? � o trabalho dele, n�o �?
Devo confessar-lhe que anseio
conhecer esse tal feiticeiro.
O tem�vel Lenin que segundo dizem nos vai permitir ganhar a guerra.
Onde est� ele escondido?
Em Zurique.
Pronto.
J� terminei, Volodya.
Receio que n�o seja uma obra prima.
O tecido est� t�o fino.
Mal d� para cozer.
Seja como for, n�o fui muito boa com agulhas.
Est� �timo.
Vais precisar de dinheiro para o jornal.
Vou passar pela biblioteca
e depois
vou ter com os nossos companheiros ao Atlas.
Vou ter convosco mais tarde,
tenho que terminar os envelopes.
- Bom dia, Sr. Ulyanov! - Bom dia!
Depuseram o Czar.
e substituiram-no por um Pr�ncipe de sangue real!
Nada mudou.
E o que fizeram os mencheviques?
Alinharam nesta farsa de revolu��o
da qual o Kerensky sabia de tudo.
Nasceram na mesma aldeia miser�vel.
Sacanas calculistas, calcularam mal.
Mestres do oportunismo.
Vejam o que se passa no mundo!
E n�s aqui sentados!
Incapazes arranjarmos uma maneira de chegar a Petrogrado!
Alguma noticia do tal barco que vai para Odessa, Radek?
Ainda n�o.
Ningu�m sabe quando � que ele parte e quando chega l�.
Para al�m disso, os bilhetes s�o caros.
e sabe o estado das nossas finan�as.
O nossos camaradas mais fi�is est�o a esmorecer!
O Kamenev... e o Stalin.
J� falam em colaborar com o governo provis�rio!
Depois de eu lhes ter escrito a dizer que existe apenas um caminho a tomar.
O pa�s pertence aos sovietes!
Os bolcheviques devem ter o controlo absoluto.
Quando � que iremos arranjar o dinheiro suficiente para a viagem?
Algu�m tem alguma ideia?
Receio que precisemos de algu�m como o Stalin.
Lembram-se de quando ele assaltava bancos para o partido?
Isso passou-se na Georgia onde n�o havia a Pol�cia Sui�a para o prender.
Fala-se em trocar prisioneiros de guerra Alem�es por Russos exilados.
Incluindo bolcheviques!
Sim, j� todos ouvimos falar do plano do Prof. Martov.
Tudo dentro da legalidade e acima de qualquer suspeita, imaginem s�!
Isso � treta.
Imaginem que essa oportunidade nos punha em Petrogrado!
Era bem melhor do que apodrecermos aqui.
O que lhe parece, Vladimir Ilyich?
Discutiremos isso logo � noite.
Ele nem sequer estava a ouvir.
- Volodya! - Passa-se alguma coisa?
N�o, nada.
Raios! Fecha os cortinados.
- N�o ligues a luz! - Trabalhas demasiado.
- Raios partam! - E n�o dormes o suficiente.
Vem para a cama.
Tem calma. Devagar.
- Vai passar. - Sim.
- Tem de passar. - Sim.
Pronto, acalma-te.
Por favor, n�o chames o m�dico.
Nadya, por favor, n�o chames o m�dico!
Acalma-te. Isso.
Muito bem.
- Vais ficar bom. - Desculpa.
- Desculpa. - Deita-te.
Est�s bem?
Todos estes anos
t�m sido..
E quando a revolu��o por fim aparece...
Agora que parece estar a chegar,
provavelmente eu n�o estarei c� para a ver.
Sabes, a vida tem um sentido de humor perverso.
Tu esperaste pela revolu��o
e a revolu��o esperou por ti.
Gostava de ter essa tua confian�a.
Fui busc�-la a ti.
Agora descansa um pouco.
Volodya...
Desculpa, Volodya.
Talvez estejamos separados por muitos anos.
Agora j� n�o teremos a oportunidade de nos conhecermos melhor.
Fui preso com os meus amigos.
Eramos t�o inocentes, t�o impreparados.
Os juizes riram-se de n�s.
Fiz uma bomba que n�o explodiu.
Pelo que o Czar continua vivo.
Intoc�vel.
Imortal.
E n�s estamos mortos, querido irm�o.
Sascha!
Achas que est�s com febre?
- O Sasha... - O qu�?
N�o digas aos outros que eu n�o me estava a sentir bem.
Alguma vez o fiz?
Sabes, acho que est�s apenas cansado.
Tem sido uma empresa t�o longa.
N�o te preocupes.
� que os meus advers�rios ver-me-iam de outra maneira
se soubessem que a minha sa�de � periclitante.
- E se chegasse aos jornais... - Se, se, se...
Fazes as coisas parecerem piores com os teus "ses".
N�o te tortures!
Temos que chegar a Petrogrado, Nadezda!
Tenho de arranjar uma maneira, seja como for!
E arranjar�s!
E arranjar�s! Agora, bebe o ch� enquanto est� quente.
- Bom dia, camarada. - Bom dia, camaradas.
O camarada Lenin est�?
Est�. Entrem, por favor.
- Esperamos n�o estar a incomodar. - N�o, n�o.
- Entrem, por favor. - Obrigado.
Vou cham�-lo. S� um momento, por favor.
O Grim e o Platten est�o aqui.
N�o me sinto muito bem
para lidar com socialistas neste momento.
Mas foram t�o simp�ticos.
Bem...
Vamos l� ver o que eles querem.
A que devo o prazer, camaradas?
Temos boas noticias. �timas noticias!
Estamos aqui em nome do Embaixador Alem�o.
Est�o dois agentes � espera na fronteira
para escolt�-lo da Alemanha at� � Su�cia.
Da� ser� livre para viajar at� Petrogrado.
Se vier comigo o Embaixador Alem�o poder� dar-lhe mais detalhes.
Preferia n�o ter qualquer contato com o Embaixador Alem�o.
N�o podem dizer-me o que se passa?
� por uma boa raz�o.
Os Alem�es acham que Lenin pode tirar a R�ssia da guerra.
Sim?
O Embaixador Alem�o espera uma resposta urgente.
A minha resposta urgente � n�o.
N�o?
Poderia estar em Petrogrado numa quest�o de dias.
- Talvez n�o tenhamos sido claros. - A resposta � n�o.
Se tiver de aceitar sem qualquer condi��o.
Bem, se tem condi��es, vamos ouvi-las.
A seu tempo, inform�-los-ei.
Isto � da parte do camarada Helfand
do qual partiu toda esta ideia.
Se a ler, talvez mude de ideias.
Do Parvus, vir� mais mal do que bem?
� um enigma.
N�o sei o que ele espera da revolu��o.
Mas vamos ao cerne do problema.
Se eu apanhar este comboio alem�o
todos os meus advers�rios pol�ticos acusar-me-�o de ser um traidor.
Que me vendi aos alem�es.
Mas ser� que me posso dar ao luxo de desperdi�ar quaisquer meios
de chegar a Petrogrado?
� uma oferta dos diabos.
Sim, mas uma que poder� ter um um custo demasiado alto.
A n�o ser...
que o comboio n�o leve apenas Lenin,
mas um grande grupo de exilados Russos
no qual est� incluido Lenin.
- At� os mencheviques? - Toda a gente!
Uma repatria��o generalizada.
Ser� f�cil prender um homem isolado.
Ser� f�cil acusarem-me de trai��o. De me enforcarem!
Mas um grande grupo de pessoas de variadas afilia��es pol�ticas
� muito mais dificil.
Acho que encontrou a �nica solu��o possivel.
Vou convocar uma reuni�o com os mencheviques,
com o Martov em pessoa.
Ele vir� aqui? O Martov?
Um acordo com que bases?
A negociar, Zinoviev. A negociar.
Temos que nos certificar que este comboio partir�
com representantes de todas as fa��es pol�ticas
� isso que por ora nos interessa.
Camarada Lenin?
Vim a pedido do professor Martov.
Sim?
Ele quer que v� ter com ele.
O Prof. Martov n�o se est� a sentir bem?
N�o, ele est� de �tima sa�de.
�timo.
Diga-lhe que daqui a nada vou ter com ele.
O Martov mant�m que os mencheviques
s�o uma larga maioria.
E que n�s, bolcheviques, n�o passamos de uma gota no oceano.
Pelo que �s tu, Lenin, que tens de vir ter comigo, � l�gico!
Encontra-me o Rublov!
Camarada Lenin!
Sabe que anda por a� muita conversa.
H� quem diga
que a sua proposta para que os dois partidos partam juntos
foi sabiamente engendrada.
Abrimos a porta da R�ssia
Voc� entra, e eu seguro-lhe no casaco.
� assim?
O que acha, caro camarada Martov?
Eu consigo compreender um ato de oportunismo pol�tico.
Agrade�o-lhe.
N�o gostaria de ser chamado de traidor.
Est� preparado para arriscar?
Os burgueses chamar-me-�o de traidor, n�o quero saber.
O povo n�o, e � isso que me importa!
Compromissos e contradi��es existem
na luta tal como na vida,
mas h� um limite.
E � isso que nos separa... camarada.
O modo como combatemos.
N�o perca o foco do nosso verdadeiro advers�rio
o sistema que cegamente leva milh�es de jovens para a morte.
Como podem os socialistas combater tamanha loucura
com a conduta criminal imaculada que voc� lhes imp�e, Martov?
- Acorde! - J� acordei!
N�o quero emular os nossos opressores.
Primeiro, temos de destrui-los.
Se usarmos o m�todo deles seremos iguais a eles.
S� estamos a fazer o que eles nos ensinaram!
Estamos infetados com a corrup��o que eles nos inculcaram.
Acredita verdadeiramente que quem quer que se revolte
se transforma imediatamente
num novo homem?
N�o somos m�quinas.
J� passou tanto tempo, camarada,
que podemos morrer antes de a ver.
Quantas vezes j� discutimos isto?
Como est� a Nadya?
Corajosa, como sempre.
E a sua fam�lia?
T�o bem quanto se podia esperar.
Estar t�o longe de casa afeta-nos a todos.
N�o posso tomar qualquer decis�o
sem consultar os meus camaradas.
Talvez a sua resposta chegue demasiado tarde.
Depois do comboio j� ter partido.
Temos que respeitar as regras democr�ticas.
Em qualquer dos casos, boa sorte.
- Martov e os mencheviques. - Dificeis como sempre?
Noticias do Rublov?
Encontr�-mo-lo. Est� no Atlas.
Anarquistas. Antes perd�-los que ach�-los.
S�o exilados como n�s e n�o s�o propriamente anarquistas.
S�o mais uns a juntar ao grupo.
Agora mudou de opini�o acerca dos revolucion�rios socialistas?
Surpreende-me muito que queira falar comigo.
N�s os bolcheviques tamb�m somos revolucion�rios socialistas.
Afinal de contas � s� uma quest�o de palavras.
E que tem causado tantos mal entendidos.
Embora, admito, tenhamos as nossas diferen�as.
Mal talvez o tempo de unirmos esfor�os tenha finalmente chegado, camarada.
Quem d� as ordens, voc�?
Presumo que j� tem um plano altamente detalhado.
Por vezes, Rublov, voc� lembra-me o meu irm�o, Sasha.
O terrorista idealista.
Ele foi enforcado por causa disso.
Presumo por isso que ache que ele estava errado?
Ele era o meu modelo.
Pela entrega, pelo car�ter, mas n�o pelo modo como fazia pol�tica.
Quando foi executado,
percebi que a estrat�gia dele estava errada, era corajosa mas ing�nua.
Apercebi-me que a vit�ria ter� de ser por outro caminho.
- Nomeadamente? - Atrav�s da organiza��o.
Talvez esteja novamente errado, camarada Rublov
mas � nisso que acredito.
A luta � o que temos em comum
e � por isso que lhe pe�o que se junte a n�s.
Colocar-me nas m�os dos alem�es?
Daqueles sacanas militantes, miser�veis e nojentos?
Voc� confia neles?
Confio.
Porque eles est�o a fazer isto por motivos exclusivamente egoistas.
- Tal como n�s. - N�o!
Recuso-me a ser usado como mercadoria que o inimigo pode transacionar
enquanto me aponta uma pistola � cabe�a.
Algum de voc�s est� preparado para aceitar a oferta do Lenin?
Boa sorte, camarada.
Boa sorte para voc�s, camaradas.
Espero que chegue a Petrogrado.
Para o Grim e para o Platen?
� a lista com as nossas condi��es para participarmos na viagem.
Quero que sejam do conhecimento do Embaixador Alem�o.
Eles tamb�m querem levar um grupo de mulheres e crian�as no comboio,
num total de 30 a 40 pessoas, Sr. Embaixador.
Tudo bem.
Conquanto Berlin pare de me bombardear com este assunto, mande-os.
Dois agentes j� est�o � espera deles na fronteira.
Continue, que mais?
Insistem em pagar os pr�prios bilhetes.
Gosto dessa.
Concedido.
Querem trazer a sua pr�pria comida para a viagem.
Por outras palavras,
n�o querem quaisquer favores do inimigo.
Concedido.
Quando estar�o prontos para partir?
Mal re�nam pessoas suficientes.
E quanto � paz?
Pode esse Lenin garantir-nos a paz?
J� fez alguma declara��o?
N�o.
Continue.
N�o querem ser escoltados por oficiais alem�es.
Mas eles s�o russos!
N�s estamos em guerra com a R�ssia!
Querem atravessar o nosso pa�s sem uma escolta?
Certamente que n�o!
� melhor resignarmo-nos � ideia da exist�ncia de uma escolta.
E os mencheviques? Qual foi a resposta deles?
O Martov ficou de consultar os camaradas dele.
O Martov ir� dizer "n�o" a tudo o que n�s possamos sugerir ou oferecer.
Se n�o est� connosco, est� contra n�s!
Pareces o amigo dele, o Kerensky. Tu sabes como ele �.
"Cuidado, v�m a� os bolcheviques. Prendam-nos, enforquem-nos!"
Veremos.
O sentimento geral � que pode ser muito perigoso.
Muita gente est� com medo de entrar no comboio.
Mas n�s avan�amos, seja como for.
Mesmo que ningu�m venha connosco.
Nada de heroismos, Kartonov. Nada de heroismos.
Tenho que chegar inteiro a Petrogrado.
Somos apenas oito.
Muito poucos.
J� algu�m se lembrou de perguntar ao Avramovici?
Os judeus?
Eles s�o maioritariamente polacos e lituanos, mas podiam querer vir.
Partilhamos muitos dos ideais,
porque n�o tamb�m o comboio?
Falem com todos os que est�o em Genebra, Berna e Lausanne.
O Parvus espera por si do lado de l� da fronteira, em Zejtonov.
O Parvus... Pergunto-me de que lado estar� desta vez?
Onde quer que haja dinheiro e champanhe a correr.
E, claro, mulheres bonitas.
Vai tu.
Eu?
Sou um cidad�o austriaco.
Um desertor.
Se ponho o nariz do outro lado da fronteira p�em-me a ferros.
Pede ao Embaixador um salvo-conduto para o Radek.
Muito bem.
Ponto um...
O Parvus tem os alem�es na m�o
o que significa que ele tem um papel decisivo neste assunto.
Ele n�o pode suspeitar, nem por um segundo, que pensamos fazer isto sem ele.
Ponto dois...
T�m que faz�-lo acreditar que eu n�o posso contat�-lo pessoalmente
porque posso fragilizar-me politicamente.
Ele tem de ser paciente. S� isso.
J� te ocorreu que o Parvus pode ter organizado tudo isto
s� para te desacreditar?
� muito ao estilo dele.
H� poucas d�vidas que o nosso amigo Parvus tem uma mente retorcida
mas acho que seria ir demasiado longe, at� mesmo para ele.
Acho apenas que o Parvus quer ser aquele que puxa os cordelinhos nos bastidores,
mas n�s n�o somos marionetas, camaradas!
Pois n�o?
Mandas tantos telegramas para os nossos camaradas
a convid�-los a juntarem-se a n�s nesta viagem,
mas h� algu�m de que te esqueceste.
Como assim?
A Inessa.
A Inessa?
Porqu� deix�-la de fora,
depois de todos estes anos que ela passou connosco?
Escrevi-lhe uma ou duas vezes nestes �ltimos anos,
mas ela nunca respondeu.
Ela desapareceu. Isso acontece.
Este caso � diferente, n�o �?
N�o podes convocar todos os nossos camaradas
e ignorar a Inessa Armand.
Ficaria feliz se a Inessa voltasse para junto de n�s.
Ela merece o lugar dela.
Afinal de contas ela lutou e sofreu tal como n�s.
Tamb�m esteve presa.
D�-me uns trocos, vou mandar-lhe um telegrama.
Compra p�o no regresso se te sobrar algum dinheiro.
Est� bem.
M�s noticias, Sra. Armand?
Ajuda-me a fazer as malas, Matilda.
Tenho de ir a Genebra.
Vamos estar muito tempo fora, senhora?
Pode dar-se o caso de nunca mais voltarmos.
Sabem o que fazemos a crian�as como voc�s
no sitio de onde eu venho?
Comemo-las com ossos e tudo!
Sou o grande urso russo!
N�o est� ningu�m em casa?
- Misha! - David.
Onde est� hoje o Kapinsky?
Teve noticias de Zurique?
Est� acol� com a Olga.
Tamb�m recebeu um telegrama do Lenin, n�o foi?
Se recebi um telegrama...?
Eu sou o Misha, fui o primeiro a receber!
Onde est� a Olga Kapinsky?
Aqui estou eu, queridos camaradas!
Misha!
Misha, n�s vamos para casa!
N�o achas maravilhoso?
J� tinha perdido a esperan�a h� muito tempo.
Para casa. Pensa s�... A m�e R�ssia! Sem o czar!
Que diferen�a isso faz?
Est� um pr�ncipe � frente do governo.
Quanto tempo demorar� at� termos novamente os Romanov no poder?
Lenin e os seus camaradas v�o varrer esse lixo dali para fora!
Muito em breve!
At� agora o lixo � que tem andado a varrer.
Deixa-o em paz, Misha. N�o vez que ele � um p�ssimista?
Provavelmente ele n�o quer perder o seu caf�.
N�s n�o vamos a lugar nenhum, isso garanto-te.
O qu�?
O camarada Lenin pediu-vos para irem e voc�s querem ficar aqui?
N�o me digas o que fazer, rapaz.
E veste o casaco.
Agora, volta ao trabalho.
Posso ajud�-la, senhora?
Quem � voc�?
Nunca o tinha visto aqui.
Sou novo.
J� est� familiarizado com a loja?
Se est� � procura de algo em especial
posso chamar o Sr. Kapinsky.
Talvez seja melhor.
Prestem aten��o, primeiro t�m de ir a Zurique
ouvir o que Lenin tem a dizer.
- Ele n�o me vai convencer... - Est� ali uma senhora que � deveras invulgar.
- N�o estou certo do que ela pretende... - Inessa!
Inessa, que prazer em ver-te! Est�s mais bonita que nunca!
Inessa?
Sim, a Inessa Armand, em carne e osso.
A senhora que sempre trabalhou com o Lenin e a Nadya Krupskaya?
Sim.
E eu a pensar que era apenas mais uma cliente.
Inessa, o que decidiste?
Onde � o meu quarto?
- Ao fundo do corredor. - Obrigado.
De momento, � tudo um pouco incerto.
Mais do que incerto.
Eu vou a Zurique com voc�s.
Do fundo do cora��o, se houver a oportunidade, tu queres voltar?
N�o a pressiones.
Para casa?
Seria maravilhoso.
Veremos.
Quem � este rapaz?
Um bom camarada.
Um novo recruta?
� o David Suljashvili.
Podemos confiar em absoluto nele.
- Da Georgia, certo? - Das montanhas.
Cumprimentos, camarada David.
Cumprimentos, Inessa Armand.
Ent�o, mantemo-nos em contato.
Credo, o meu hotel � muito longe daqui.
- E a minha mala est� muito pesada! - Eu ajudo-a!
Ele � forte.
Obrigado, camarada da Georgia.
Olhando para ela, pensariamos tratar-se de uma senhora muito delicada de Paris.
Nunca ningu�m suspeitaria que se trata de uma revolucion�ria da velha guarda
procurada pela Pol�cia.
E que esteve presa.
Mas eu n�o acredito em algumas coisas que dizem dela.
O qu�?
Que havia algo mais entre ela e o Lenin que s� pol�tica.
Boatos.
� um cen�rio t�o pacifico que at� custa a acreditar
que o mundo est� a ser devastado por uma guerra.
O que fazes na Sui�a, David?
N�o quis combater na guerra do Czar,
pelo que desertei.
Depois, tentei roubar um banco com dois amigos,
para financiar a nossa c�lula terrorista.
Conhe�o algu�m da tua zona do pa�s
que � muito bom nesse tipo de coisa.
O camarada Stalin. Temos quase o mesmo nome.
O dele � Djugashvili
e o meu � Suljashvili.
Mas essa � a nossa �nica parecen�a.
O nosso assalto ao banco correu mal.
Eu consegui fugir
mas os meus dois amigos foram mortos.
Andei fugido durante 6 meses.
E por fim
vim para c�.
O que te fez ficar?
� aqui que vive o camarada Lenin.
Estou a ver.
Alguma vez foste a Zurique conhecer o grande homem pessoalmente?
N�o podia simplesmente aparecer por l�.
Voc� conhecia-o bem, n�o conhecia?
Partilh�mos um pouco de p�o no exilio.
Achas que eu devia regressar � R�ssia com voc�s?
Ele chamou-a, n�o foi?
Mando-lhe um telegrama?
Podia voltar para Paris. Nasci l�, sabias?
Os meus pais n�o eram de todo revolucion�rios.
Adivinha o que eles eram.
Cantores, atores.
Acreditas?
Minha senhora...
Muito bem, camarada David, eu vou pensar nisso.
Obrigada!
Rosa Luxemburgo continua presa.
� o que eu pensava, andam mesmo atr�s dele.
Vamos s� dar um passeio pelo jardim, n�o demoramos muito.
Seja bem vindo, major Von Planetz.
� uma grande honra conhecer um soldado t�o galante.
Sente-se, por favor.
Presumo que quem o acompanha � o capit�o von B�hring?
T�m de experimentar alguns destes vinhos, s�o t�o dificeis de resistir.
Muito bem, cavalheiros...
Parece que o nosso pequeno projeto est� a ganhar forma.
Houve uma pequena altera��o ao plano original que foi aceite.
Lenin n�o viajar� sozinho,
estar� acompanhado por um grupo de outros exilados russos.
- Quantos? - Cerca de 30.
Passar� mais despercebido numa multid�o. Acho-o bastante astuto.
J� foi a Zurique tratar dos preparativos?
N�o, o Lenin vir� at� c� dentro de pouco tempo.
Aqui?
- Ele j� recebeu o passe? - Sim, por minha indica��o.
Dr. Helfand, o cavalheiro que esperava acabou de chegar.
- Onde est� ele? - No andar de cima.
- Numa sala privada? - Sim.
� ele.
Queiram desculpar-me, cavalheiros.
Traga-o aqui, para que possamos conhec�-lo.
Ele espera ver-me apenas a mim.
Receio que ele seja um pouco temperamental,
um pouco imprevisivel.
Acho melhor deixarem-me lidar sozinho com ele.
N�o se pode fumar.
Dr. Helfand!
Vai deixar-me � espera?
N�o estava � espera de um palha�o.
Lenin achou desaconselh�vel
verem-no acompanhado de um capitalista alem�o fumador de cigarros
pelo que pede desculpa.
Estou certo que compreender�.
Se eu n�o fosse cidad�o alem�o
n�o teria a influ�ncia que tenho hoje em dia.
O Lenin conhece o meu sentido de oportunidade,
o mesmo que me permitiu oferecer-lhe o sucesso
num tabuleiro dourado.
Lenin sabe o quanto lhe deve.
Devo ent�o falar consigo?
Esta viagem � apenas a primeira etapa das muitas que planeio para ele.
Obviamente que ter� muitas coisas para fazer com ele,
mas com discri��o, claro.
Que tipo de Judeu � voc�, Radek?
Podia perguntar-lhe a mesma coisa.
Voc� pertence �quele tipo de gente
pouco confi�vel, que se veste mal, n�o toma banho e cheira mal que eu n�o suporto.
Ent�o voc� deve pertencer a outro tipo.
Pessoas como voc� lucram com a desgra�a alheia.
Olhe s� para si, a justifica��o viva para o anti-semitismo.
Pelo menos tem uma resposta pronta, e eu gosto disso.
Talvez eu possa fazer uso de si.
Que � mais do que eu posso dizer dos seguidores do Lenin.
O Zinoviev, por exemplo.
� uma total n�o entidade. N�o concorda?
Ouvi dizer que a Inessa Armand reapareceu.
A musa inspiradora do grande homem.
Desde que n�o hajam complica��es suponho que...
- Acha que possam haver? - N�o nos desviemos do assunto, h�?
Quanto dinheiro nos prometeram os alem�es?
O Ministro das Finan�as do Kaiser
ainda n�o recuperou do choque que teve ao saber o valor em causa.
Que �?
� o suficiente.
Vir� nos jornais.
Como vai ser pago?
Atrav�s da minha ag�ncia em Copenhaga
ou em Estocolmo.
ou onde for mais conveniente.
Vamos receber tudo, ou...?
Radek, voc� evidentemente n�o est� familiarizado
com o modo de funcionar dos meios financeiros.
Vamos?
Receber�o fatias do bolo do dinheiro em intervalos regulares.
Mas gostava de ver o Lenin o mais brevemente poss�vel
para perceber como ir� ser gasto o dinheiro.
Manter-nos-emos em contato.
O Lenin continua a devorar jornais?
Continua.
Temos dificuldades em arranjar estes jornais alem�es na Sui�a.
� voc� o Sr. Ulyanov?
N�o, este � o Sr. Radek
um dos homens mais pr�ximos de Lenin.
Porque n�o veio o Sr. Ulyanov, Lenin pessoalmente?
O camarada Lenin n�o entra em territ�rio alem�o
a n�o ser que esteja protegido por imunidade extra-territorial.
Isso ser� resolvido o mais brevemente possivel.
Existem motivos pol�ticos, as prepara��es s�o bastantes complexas,
mas fiquem tranquilos que Lenin estar� l�.
Eu acompanho-o � porta, Sr. Radek.
O que queria ele dizer com "raz�es pol�ticas"?
Ent�o, ele n�o suspeitou de nada?
Acho que estar� tudo bem at� Estocolmo.
Mas sempre que era abordada a quest�o do dinheiro
ele evitava todas as quest�es de maneira muito �gil.
Aposto que ser�o os alem�es a fornecer os instrumentos
e ele conduzir� a orquestra.
N�o me agrada a ideia de ser ele
a conduzir-nos com uma corda � volta do pesco�o.
Que ele pode apertar sempre que lhe apetecer.
Por que raz�o n�o nos livramos dele imediatamente?
- P�-lo fora de pista, digamos assim. - Eu digo-te porqu�...
Se ele se voltar contra n�s
facilmente convenceria os alem�es que podia tomar o meu lugar.
Aquele corrupto?
- � absurdo. - Quem � Lenin para um alem�o?
N�o, n�o temos outra alternativa
que alinhar com ele at� atravessarmos a Alemanha.
Podemos come�ar a fazer as malas.
- Mam�, onde fica a R�ssia? - Muito longe daqui.
N�s vamos morrer?
Demoramos muito tempo a chegar l�?
- Ainda n�o est�s pronta? - Estou.
Vais fazer com que nos atrasemos.
Sabes que eu quero ser o primeiro a chegar.
N�o tens hipotese!
O Radek � sempre o primeiro a chegar.
Que quer isso dizer?
Aquele polaco � perito nisso.
Por que raz�o quis o Lenin que ele fosse visit�-lo e n�o tu?
O Lenin manda o Radek fazer-lhe os recados.
Tem-me guardado para coisas mais importantes.
- O Radek tem-no onde o quer. - Sou eu o bra�o direito de Lenin.
O seu sucessor natural.
Infelizmente, a sa�de dele n�o � a melhor.
Est� doente? Qual � o problema dele?
Ele n�o quer que se saiba. Esquece o assunto, est� bem?
S� leva isso?
P�o e uma muda de roupa.
� tudo o que preciso.
Tenho de cumprimentar o grupo dos judeus.
Camaradas!
Posso cumprimentar este grupo de socialistas?
Inessa!
- Tamb�m vai? - Talvez.
- A minha mulher... - Este � o David.
- Ol�, David. - Ol�.
Como tu cresceste!
- Voc� � mesmo uma camarada? - Que mais poderia eu ser?
Ol�, Davidovich.
Olga?
Onde est� o Alex?
O Sr. Kapinsky n�o vem.
- Onde est� o Misha? - Ele desapareceu esta manh�.
Temos de pagar os bilhetes.
Foi o que o velhote do Lenin decidiu,
mas eu n�o tenho como faz�-lo, Olga.
Os judeus pagam-lhe, pelo menos at� Zurique. Venha comigo.
O seu marido deve ser provavelmente o �nico com bom senso.
Esque�amo-lo.
O que trazes a� escondido?
N�o � nada, � algo pessoal...
Jurei que um dia haveria de desfrald�-la do topo do Pal�cio de Inverno.
Do topo do Pal�cio de Inverno?
Voc� satisfaz-se com pouco!
N�o seria mais um jovem se n�o pensasse assim.
Camaradas!
Ele quer desfraldar isto do topo do Pal�cio de Inverno.
Adeus, Genebra! Adeus!
Acolheste-me quando eu estava faminto.
N�o te esquecerei!
Como � que ele �?
Quem?
O Misha chama-lhe velhote. Outras pessoas chamam-lhe tio.
O Lenin, como � que ele �?
Agora n�o.
Teremos muito tempo para conversar.
N�o te esque�as dos teus comprimidos.
P�e o dedo.
A�.
Por favor.
Quase que me afei�oei a este quarto.
Serviu os seus prop�sitos.
Pergunto-me se algum dia teremos a nossa pr�pria casa.
Eu levo estes, tu trazes o resto. Vamos l�!
- Mandamos chamar uma carruagem? - N�o � longe.
Est� bem.
Sim, vamos chamar uma carruagem.
Temos como pag�-la?
Sra. Nadya, fiz-lhe uns biscoitos para a viagem.
- Para dar-vos boa sorte. - Obrigada.
Camarada, separei alguns livros para si.
Tome, encontrar� aqui tudo aquilo que temos falado.
- Quero que fique com eles. - Obrigado.
Por favor, parta antes amanh� para que eu possa acabar os seus sapatos.
Tenho que me ir embora hoje,
pois amanh� n�o haver� outro comboio.
Sr. Ulyanov!
Pare-os! Os soldados t�m que se revoltar!
T�m de deitar fora as armas. A chacina tem de acabar!
- J� tivemos que chegue! - N�s vamos par�-los.
Obrigada!
Muitas vezes me pergunto
como se deviam parecer as pessoas do nosso novo mundo.
Parece-me que voc�s seriam o modelo perfeito.
E um homem como voc�
n�o pode andar por a� com umas botas neste estado.
Espere mais um dia. S� um.
Um dia manda-mos.
Adeus meus amigos.
Estou-vos muito agradecido por tudo o que fizeram por n�s.
Por toda a ajuda que nos deram.
Obrigado.
- Posso ajud�-lo? - N�o, n�o.
Leia os livros.
Adeus.
Lenin?
� o Lenin.
Eis o passageiro mais importante!
Viva Lenin! Viva o Partido Social Democrata!
Ol�.
Viva os Bolcheviques Sociais Democratas!
- Falta algu�m? - O grupo de Genebra!
Mas ainda temos tempo.
Prazer em v�-los.
Ol�, meus amigos.
Hoje �... um grande dia.
- O grande dia chegou! - Sim, Nadya!
Pode viajar nessa condi��o?
Quero que o meu beb� nas�a na m�e R�ssia.
Depende de n�s o mundo em que ele ir� nascer, minha querida.
Depende de n�s. Camarada.
A minha mulher acabou de sair da pris�o.
N�s tamb�m vamos consigo.
A sua mulher � uma hero�na. Uma hero�na.
- Cumprimentos, camarada Lenin! - Camarada!
Camarada, prazer em v�-la!
Camaradas!
O grande "urso branco" est� a contorcer-se em agonia.
E n�s estamos aqui para lhe dar o golpe de miseric�rdia!
Doida!
Ol�, estou aqui!
Quem chamou a charrete! Quem chamou a charrete, por favor!
- Vai connosco? - Adeus, camarada Lenin!
Sempre disse,
se Lenin me chamar segui-lo-ei at� ao inferno se for preciso!
Pode ser que te leve at� ao inferno, meu amigo!
Onde est� o Kapinsky?
Pode ser que venha mais tarde. Ou n�o.
- Este � o David Suljashvili. - O nosso novo recruta.
David...
Ouvi coisas boas a teu respeito.
Mikhailov, como est�s?
Inessa, fico muito feliz que estejas aqui!
Bem-vinda.
Vamos para casa.
Fico feliz que venham connosco.
Consideramo-lo um dever.
Camarada Lenin!
Camarada Zhukov!
Aqui o tem por escrito.
Viajaremos com o sancionamento dos Socialistas Internacionais.
Isto � uma grande ajuda.
Estou-vos profundamente agradecido.
Queiram desculpar-me, tenho de cumprimentar a camarada Armand.
Agora estamos novamente juntos.
Prontos para fazer alguma coisa.
� t�o bom ter-te de volta, Inessa.
Inessa...
Esta, no seu tempo, fez as suas viagens.
N�o fez?
N�o estavas � minha espera, Volodya?
N�o estava a contar com isso.
Nadya, v� quem est� aqui!
- Nadya. - Inessa.
Nadya...
Estou muito contente por te ver.
- Est�s? - Estou.
Camarada Lenin, pe�o desculpa.
Aquele alem�o diz que quer vir connosco.
Aquele homem � um espi�o.
Educadamente, digam-lhe que n�o pode.
Muito bem.
Est�o todos � sua espera.
Para que nos diga algumas palavras, camarada.
- Camaradas! - Sil�ncio, ele vai falar.
Acabou o exilio, n�s vamos para casa.
N�o vos posso garantir
que cheguemos �s fronteiras da nossa P�tria.
N�o vos posso garantir
que o Governo Provis�rio nos deixe entrar se l� chegarmos.
� um risco que teremos de correr.
Com uma revolu��o em curso na R�ssia.
A revolu��o dos pobres
na qual n�o temos podido participar.
Mas temos inten��o de colaborar com o Governo provis�rio.
e oferecemos a nossa contribui��o
para o progresso do nosso povo.
- Sim. - Muito bem.
Quem s�o aquelas pessoas?
Sui�os n�o s�o.
Olha para eles, as caras, as roupas.
Suspeito que s�o estrangeiros, eslavos, judeus.
Eu sei.
Esperavas ouvir um discurso bem mais inflamado de Lenin.
Algo do g�nero:
"Kerensky, fica atento, viemos para te cortar a garganta!"
�s vezes
at� os grandes homens t�m de agir cautelosamente.
O que fazemos?
N�o os deixes provocar-te, seja em que circunst�ncia for.
Camaradas! N�o se deixem provocar.
N�o se deixem provocar.
N�o se deixem provocar.
Traidor, devias ter vergonha!
- At� levam rameiras com eles! - Como se atreve!
Vamos embora! Esquece.
David, fica com a Inessa.
Sacanas, o nosso povo a ser chacinado pelos alem�es e voc�s apunhalam-nos pelas costas.
Qual � o teu pre�o, traidor?
Quanto vos pagaram?
Vamos. Vamos!
Mexam-se! O comboio tem de partir!
Estes lugares est�o todos ocupados.
David...
N�o pode fazer isso, o transporte � p�blico!
Tire as m�os de cima de mim!
- Tire as m�os! - Volte para o s�tio de onde veio!
Tire as m�os...
Vou process�-los por isto! V�o ter noticias minhas!
Eu avisei-o!
Voc�s n�o valem uma merda! Que tipo de socialistas s�o voc�s?!
N�o lhe admito!
Dou-lhe uma li��o que nunca mais se esquecer�!
Adeus, caros camaradas!
Adeus.
Podem sempre contar comigo.
Sempre.
Se houver alguma coisa que eu possa fazer.
Viva a revolu��o! Viva o socialismo!
O comboio com os russos.
Vou informar a fronteira alem�.
Os revolucion�rios!
O que � aquilo?
Biscoitos, diria eu.
- Confisquem-nos. - Confisc�-los?
A minha mulher est� gr�vida? Do que est� ele a falar?
Como assim? Como pode dizer isso?
Quem de v�s tiver produtos pereciveis na bagagem
deve desde j� entreg�-los.
Quem n�o o fizer ser� preso.
Um momento, estas pessoas v�o ter de atravessar a Alemanha toda!
E n�o encontrar�o nada que comer durante o caminho!
- Morre-se � fome na Alemanha. - Exatamente, Sr. Platten.
Sr. Platten, n�o sei como s�o as coisas na R�ssia,
mas explique a estas pessoas
que aqui na Sui�a, a lei � a lei.
Aqui tem, sr. agente.
N�o queremos privar os nossos amigos sui�os do p�o de cada dia.
Franz, traz o cesto.
Camaradas, comam o que puderem.
Ponham a comida no cesto.
Um telegrama ao Ministro e voc� ser� despromovido por causa disto.
Fa�a o favor!
Despachem-se!
A� tens a tua arma secreta.
Despachem-se! Mexam-se!
Venham por aqui!
Alinhem-se aqui!
- � voc� o Ulyanov? - N�o.
Ulyanov?
Qual de voc�s � o Ulyanov?
- Que fale. - Sou eu o Ulyanov.
Os seus documentos. Avance!
Segundo o nosso acordo voc� deve dirigir-se ao Sr. Platten.
caso tenha algo a comunicar-me.
Capit�o, o Fritz Platten sou eu. Posso ajud�-lo?
Os passaportes.
Os homens para a esquerda, as mulheres e as crian�as para a direita.
Para qu�?
- N�o argumentem! - Para facilitar a identifica��o.
Despachem-se, por favor.
Por aqui.
Alinhem-se aqui, por favor.
- Nome? - Inessa Armand.
Os vossos documentos ser-vos-�o devolvidos
assim que sairmos do territ�rio alem�o.
N�mero um. N�mero dois.
Quanto custa o bilhete?
32 francos cada.
Mas, Vladimir Ilyich,
os camaradas sui�os reuniram 1.000 francos para esta viagem.
Nadya, d� 64 francos ao homem.
Agora j� podemos entrar no comboio?
Permita-me.
Isto serve perfeitamente.
N�o tenham pressa, h� lugar para todos.
Camaradas, proponho que o camarada Lenin
tenha um compartimento s� para ele.
N�o posso aceitar privil�gios.
Tem trabalho a fazer.
Servir-lhe-ia como escrit�rio, inclusiv� para reuni�es.
Diga-lhe, Nadya.
Se � o que todos acham, quem sou eu para discordar?
- Claro. Inessa, venha connosco. - Obrigada.
- Vladimir Ilyich? - Sim?
O Major Von Planetz pede que se pode ir ter com ele
pois gostava de lhe dar uma palavrinha.
Sr. Ulyanov?
Espero que n�o tenha nada contra em posar ao meu lado para uma fotografia de recorda��o.
Preferia n�o o fazer.
Entendo que tenha receio que a fotografia possa vir a circular por a�,
mas prometo-lhe que a guardarei apenas para mim.
Gostaria de acreditar que n�o duvida da palavra de um oficial alem�o.
Tire l� a sua fotografia.
Est�o prontos, cavalheiros?
Quietos. N�o se mexam.
Muito bem. Mais uma, por favor.
Pronto.
Sr. Ulyanov, fico-lhe muito agradecido.
De nada.
Para que serve esse peda�o de giz?
Isto? � a garantia da extra-territorialidade.
Entre no comboio e eu mostro-lhe.
Entre no comboio e ver�.
Na R�ssia as coisas est�o cada vez mais confusas.
Do que estava � espera?
Isto... � a linha divis�ria.
Os vossos direitos extra-territoriais terminam aqui.
Daqui para a frente a carruagem � alem�.
Voc�s devem permanecer atr�s desta linha
e n�s aqui onde estamos.
Sr. Platten...
Voc� � o respons�vel por esta gente,
certifique-se pois que eles cumprem as regras.
- J� foram? - J� est�o na Alemanha!
Daqui a uns dias estar�o em Petrogrado
enquanto n�s estamos aqui sentados � espera de autoriza��o.
O homem joga � pol�tica como se jogasse � roleta, arrisca tudo.
O homem vai ganhar a revolu��o a n�o ser que o paremos
e � nosso dever avisar Petrogrado e o Kerensky!
Est� bem, mas n�o nos deixemos enganar por esta iniciativa do Lenin!
- Algu�m tem de fazer alguma coisa. - Por que n�o pedimos tamb�m um comboio?
- N�o nos podem recusar. - Sim, temos que regressar rapidamente!
N�o consegues dormir?
Nem ele.
Ele � sempre assim?
Bem, ele � conhecido por dormir ocasionalmente.
N�o.
O que eu quis dizer foi...
Ele s� pensa na revolu��o?
Eu percebi-te, David. Eu gosto de provocar.
� uma pena que o Kerensky se tenha antecipado a ele.
Kerensky e o seu Governo Provis�rio?
Chama aquilo de revolu��o?
Bem... � um assumir do controle, se preferes.
Sim, mas com o Pr�ncipe no poder. Que tipo de mudan�a foi aquela?
Quando Lenin l� chegar as coisas ser�o diferentes.
Claro que ser�o.
Mas j� te deste conta de qu�o poucos s�o os bolcheviques, David?
E ele est� cansado, est� a perder o g�s.
N�o fa�as caso, cheguei a uma idade que duvido de tudo. S� isso.
O ar est� frio.
Mas se tem d�vidas
por que raz�o embarcou neste comboio?
Sabes quantos filhos eu tenho?
Cinco.
Est�o em Moscovo,
e eu j� n�o os vejo h� v�rios anos.
Quatro do meu marido
e o �ltimo do irm�o dele.
Como v�s,
sou o que se costuma chamar "uma mulher tempestuosa".
- Bom dia. - Bom dia.
Bom dia, Inessa.
- Bom dia. - O Volodya quer dar-te uma palavrinha.
- Temos ch�. - Nadya...
Qual de voc�s dois decidiu enviar-me o telegrama?
Eu.
Porqu�?
Porque n�o?
- Bom dia. - Bom dia.
Bom dia.
Bom dia.
- Conheces a Inessa h� muito tempo? - N�o.
Ela ainda � casada?
� pois.
Com um homem muito rico.
Ela deixou-o h� alguns anos atr�s para seguir Lenin.
Viveram juntos ainda algum tempo, sabias?
Em Paris.
E a Nadya?
Ela tamb�m l� estava.
Lenin nunca a deixou.
Era um "menage a trois", politicamente falando, claro.
A Inessa vem de uma fam�lia de atores, fala fluentemente Franc�s.
Fez muito sucesso nos com�cios em Paris.
N�o sei o qu�o pr�xima foi a rela��o dela com Lenin.
Era isso que querias saber?
Eu?
N�o.
N�o me parece que tenha algo a ver com tudo isso.
Onde p�ra o teu barrete vermelho?
Tens o cabelo todo desalinhado.
Deixei-o em Genebra.
Tens tido noticias da tua fam�lia?
Ultimamente n�o.
Inessa, eu reparei...
J� n�o pareces estar feliz na nossa companhia.
Admiro-vos a ambos e estimo-vos mais do que nunca.
� que por vezes sinto-me farta. Um bocado cansada.
Agora?
Quando estamos prestes a fazer
o que h� tanto tempo esperamos?
Juntos.
Sinto-me velha.
Volodya...
A Inessa � agora uma senhora com um cora��o magoado.
E com pouca vontade de lutar.
Mal cheguemos l�, vamos remodelar o jornal do Partido.
Estou a trabalhar em material para o novo Pravda
e gostava de ter a tua opini�o.
Tens a Nadya.
E o Radek.
Sempre gostaste do estilo dele.
Dizias que era o melhor reporter que tinhamos.
Ainda que fosse um bocado maluco.
Tens algo que ele n�o tem.
Intui��o pol�tica.
Porque achas que te mantive t�o pr�xima de mim?
L� e depois falamos.
Mam�, olha! Soldados e armas.
Platten! Platten, pelo amor de Deus!
Digam-lhes para pararem com essa cantoria em Franc�s imediatamente!
Camaradas, fa�am o favor de parar de cantar.
Relembrem esses russos que n�s estamos em guerra com a Fran�a!
Camaradas, eu disse-vos para pararem!
N�o causemos atritos!
Ela nasceu em Paris.
- J� l� esteve? - N�o.
- Voc� esteve? - Estive.
- Como eu a invejo. - Foi maravilhoso.
- O que acha, Misha? - Na minha opini�o o Martov � um cobarde!
- Est� enganado. - N�o. Prefiro casar com um m�dico.
Andava � tua procura.
Que cara � essa?
Ent�o?
A �nica raz�o porque est� aqui
� porque quer ver os seus filhos em Moscovo.
N�o te parece uma raz�o mais do que suficiente?
Pelo amor de Deus, voc� � a Inessa Armand!
N�o sou assim t�o importante.
Somos todos dispens�veis.
Todos, exceto um.
Isso n�o � verdade e voc� sabe-o.
Os outros ficar�o aliviados quando eu desaparecer.
Como pode dizer isso?
Que podem ter eles contra si?
Acham que eu posso ser uma m� influ�ncia para o Lenin.
Ainda n�o cheg�mos l�, mas eles j� est�o a lutar pelo poder.
Receiam a f� que ele tem em mim.
Receiam que possa arranjar-lhes problemas.
Ele sente que eu estou prestes a sair do ninho.
Ele n�o consegue conceber que um da sua ninhada levante voo.
Ele sabe quando e como eu lhe posso ser �til.
Sempre foi um organizador astuto.
Ele quer que eu leia o primeiro artigo dele para o jornal do Partido.
� um estratagema para me atrair de volta.
O que est� a fazer?
Isto foi escrito por Lenin.
N�o quer l�-lo?
J� li.
� maravilhoso.
N�o estou contra ele. Ele � um grande homem.
Mas n�o quero ser aquela que ele chama sempre que n�o tem mais ningu�m.
Mas se ele tem tamanha f� em si, como pode dizer isso?
N�o lhe chega isso?
Ou o que pretende?
- Onde estamos? - Porque par�mos?
S�o ordens.
Podem dar-nos comida? As crian�as t�m fome!
N�s tamb�m!
Obrigado.
Bom dia, cavalheiro.
- Ali tem o meu colega deputado. - Bom dia, major.
O Sr. Jansan e Sr. Renkl,
deputados socialistas do Reichstag,
est�o autorizados a falar alguns minutos com o Sr.Ulyanov.
O vosso Governo proibiu-nos qualquer contato com os alem�es.
N�o diga disparates. N�s conhecemos muito bem Lenin.
E n�s a si.
O camarada Lenin mandou-me dizer-lhe que n�o quer falar consigo.
Queriamos falar-lhe acerca do Manifesto dele e do que ele pretende fazer.
Porqu�?
Tamb�m somos socialistas.
Sim, n�s somos socialistas. Devia saber disso.
A s�rio?
Voc�s votaram a favor da guerra que transformou o mundo
num banho de sangue.
Era o nosso dever para com a P�tria.
Ent�o v� lamber as botas ao Kaizer!
N�o vos permito que falem nesses modos de sua Excel�ncia, o Kaizer!
Basta! N�o discutam!
Lenin n�o falar� convosco pelo que o assunto est� encerrado.
Vou reportar aos meus superiores.
Ele n�o nos pode fazer isto!
Que tipo de socialistas s�o voc�s quando ainda nos falam da P�tria?
N�o passam de palha�os, tal como o resto do Reichtag!
Livraram-se dos socialistas alem�es?
Foram-se embora com o rabo entre as pernas.
Inessa, uma palavrinha, por favor.
Ouviste aquilo?
Insultaram os pol�ticos alem�es!
Cuspiram-lhes virtualmente na cara!
- Gozaram com o Kaizer... - As minhas ordens foram para escoltar esta gente.
E estou a borrifar-me para os deputados do Reichtag.
Se queres que as coisas corram bem entre n�s,
p�ra de te preocupares com assuntos completamente irrelevantes.
Fui claro?
Trabalhar pela paz � uma coisa,
mas publicar isto no jornal oficial do partido n�o ser� perigoso?
N�o temos tempo a perder. N�o concordas?
Os patriotas ter�o um dia para celebrar.
Contra os derrotados, os traidores, os colaboradores dos alem�es, o habitual.
A paz imediata e separada com a Alemanha
� a �nica maneira de derrotar o Kerensky e os seus comparsas.
� um risco, um risco mortal, mas n�s n�o temos outra op��o.
Certamente que n�o queres que falhemos neste momento crucial.
Certamente n�o querer�s mudar o nome do partido neste momento crucial?
Temos que fazer a quebra com o passado.
Se nos continuarmos a apresentar como sociais-democratas
confundir-nos-�o com o Plekhanov, o Kerensky e o Martov. Pensa nisso!
As pessoas que sustentam esta guerra devem manter-se? N�o!
Sociais-democratas. Lut�mos por essa denomina��o.
Muitos sofreram e morreram por causa disso.
N�o, Volodya, o nome � uma parte central da causa prolet�ria.
Esse nome, minha querida, � uma cortina.
- Que esconde o qu�? - Reformistas e fantoches capitalistas.
- � isso que pensas? - � necess�ria uma mudan�a.
J� disseste aos nossos camaradas?
Direi, antes de chegarmos a Petrogrado.
Preciso de ti.
Vou precisar muito de ti quando chegarmos a Petrogrado.
S� contigo, junto de mim e da Nadya tal como antigamente,
conseguirei lidar com o que temos pela frente.
Onde ficarei em Petrogrado? A minha casa � em Moscovo.
E se ficar, qual ser� o meu papel, a minha posi��o?
Vou colocar-te no Comit� Central.
At� agora � composto apenas por duas pessoas, o Zinoviev e eu,
mas quando chegarmos a Petrogrado juntar-se-nos-�o o Kamenev, o Rykov e o Bukharin.
Em que posso contribuir para o Comit� Central?
Ser�s o elemento congregador, manter-nos-�s juntos.
E tu mereces, Inessa.
Ter uma mulher no Comit� encorajar� outras mulheres.
Tu ir�s represent�-las.
E tu sabes a import�ncia que eu dou �s mulheres na estrutura do partido.
E a camarada Kollontai? E a Nadya?
Eles merecem este tipo de conhecimento.
A Nadya � a minha mulher!
Certamente que n�o queres que seja acusado de sentimentalismo!?
Ou nepotismo!?
Devemos estar em Frankfurt.
Talvez aqui consigamos arranjar alguma comida.
Frankfurt.
Espero que encontremos comida.
Fritz, precisamos de algo onde ferrar o dente.
Querem que morramos � fome, ou qu�?
Espero que n�o nos queiram a jejuar at� � Su�cia!
A minha mulher est� gr�vida e precisa de comer por dois, ouviram?
Camaradas, por favor, sejam pacientes.
N�o estamos na Sui�a! Morre-se � fome na Alemanha!
Eu vou sair.
Com ou sem guerra eu n�o vou morrer � fome!
Cala-te! Venham!
Venham ver isto!
O que �?
- O que �? - Ali!
De onde v�m?
De Fran�a. Os franceses est�o a matar-nos como se fossemos moscas.
Mas n�s vamos fazer-lhes o mesmo!
- Que consola��o! - Voc�! Cale-se!
Mostre algum respeito! Tire o chap�u!
- Precisamos de comida! - Precisamos de comida!
Queremos p�o!
Precisamos de �gua!
O que nos querem fazer?
Estamos a morrer de fome!
Voc� � um soldado ou um espantalho?
Olhem para este, parece que � cego.
Aten��o!
Este 'voucher' � v�lido para 32 ra��es militares.
Onde fica a cantina?
- Ao fundo � esquerda, major. - Escoltem este homem.
Precisamos de comida! H� dias que n�o comemos!
- Onde � a messe dos oficiais? - Ali ao fundo.
Volto j�!
Montem guarda ao comboio e n�o deixem ninguem chegar-se perto dele!
Tenho um 'voucher' para 32 ra��es militares.
� para as pessoas que est�o no comboio.
Est� ali um comboio cheio de mulheres e crian�as.
Anda, vamos ver o que se passa.
E desculpe... Um pouco de leite, se puder.
- Temos crian�as no comboio. - Crian�as?
Este 'voucher' � para ra��es militares.
Quem s�o os desgra�ados que v�o ali amontoados como se fossem gado?
Por que raz�o est� a milicia a guardar aquele comboio?
Que hist�ria � essa de crian�as prisioneiras?
- Tome, � para as crian�as. - Muito obrigado.
Quem s�o voc�s?
Sou um socialista sui�o.
- Ponha-se a andar! - O que faz naquele comboio?
Acompanho um grupo de exilados russos de volta a casa.
- Com a ben��o do vosso Governo. - Como assim?
Por que raz�o os mandamos de volta?
Voc� � mesmo um socialista?
Algum de voc�s ouviu falar de um homem chamado Lenin?
Lenin? Quem � ele?
Eu ouvi, eu ouvi falar dele.
E o mundo precisa dele, nas f�bricas.
N�o posso dizer-vos o qu�,
mas algo de muito importante ir� acontecer em breve.
Acreditem. Paz e igualdade para todos.
Paz? Como assim?
Quem � esse Lenin?
Um revolucion�rio russo.
Ent�o v�o socialistas no comboio.
Socialistas como n�s!
- Venham, vamos! - Vamos!
Venham c�! Venham c�! Vamos!
Vamos! Venham da�!
Socialistas?
Vamos, sigam-me!
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