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Original subtitles

IRMÃS, ANO DE 1918 UMA MANHÃ SOMBRIA

ALEXEI TOLSTOI ROAD TO CALVARY

ROAD TO CALVARY BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO

EPISÓDIO 8

Vamos, rapazes.

Vamos. Despachem-se.

Mais depressa!

Subtenente, que se passa? Precisa de convite especial?

Para a direita! Marchar em frente!

Onoli! Onde estiveste?

- Foste cagar e desapareceste? - Desculpe. Dor de barriga.

- Para o lugar, depressa! - Sim, senhor!

E que acha, Roshchin? Fugiu dos Vermelhos, prendeu galões,

para acreditarmos que não é um espião Vermelho?

Onde está o Romanovski?

No quartel-general, mas não tenho a certeza de que o receba.

Mas eu não preciso da sua certeza.

Ivan Pavlovich, temos um desertor aqui.

O capitão Roshchin, com uma mensagem importante.

- Que entre. - Sim, senhor!

Capitão Roshchin. É uma honra.

Por falar em honra, diga-me como acabou entre os Vermelhos?

Estou disposto a contar, mas...

... deixe-me dar-lhe isto primeiro.

- Esteve com o Savinkov? - Sim.

Em Rostov, na estação de comboio.

A recomendação do Boris vale muito.

Ele criou o nosso exército.

Dou-lhe a companhia do falecido capitão Sinitsin.

Para provar o que vale em batalha.

Sim, senhor! Posso ir?

Vá.

Vá, puxem!

Depressa! Coloquem as caixas de munição aqui!

São pesadas.

Depressa, irmãos!

Vamos, depressa, irmãos!

Não me empurrem, sim?

- Levem as balas. - Bem...

A seguir, venha cá!

Com cuidado!

Certo. Mais depressa!

Temos uma situação deplorável, camaradas.

Não há tempo para abrir boas trincheiras.

Vamos ser dizimados amanhã.

É melhor batermos em retirada.

- Não podemos voltar atrás. - Podemos.

Vamos ter com o Yegorov.

Isto é um plano para fortalecer Stanitsa.

Ivan Illich! Meu amigo!

Bem, vamos dar uma olhada.

Vamos, fala.

Estamos aqui. As metralhadoras, aqui. E aqui é a travessia.

Aqui, está o Yegorov.

Passar pelo desfiladeiro?

Ótimo! É uma forma de sair!

Espera. O Krasilnikov?

O Krasilnikov foi-se embora. Para os Makhnovistas.

Filho da mãe.

É assim que os cossacos de Stanitsa entram para o Exército Vermelho?

Lutam até chegarem à sua aldeia e depois ficam.

- Irresponsáveis. - Os desertores devem ser mortos.

Assim, não fogem.

Como o camarada Trótski diz:

"Deserção é igual a execução.

Violação da disciplina é igual a execução."

O camarada Lenine concorda com a repressão.

Temo que o Exército Vermelho fique sem voluntários até lá.

Então, está contra a linha do partido?

O nosso camarada Telegin não tem partido. Levem isso em conta.

Como é que lhe permitiu comandar?

Em combate, camarada comissário...

... um amigo em quem se pode confiar é melhor que um dedicado bolchevique.

Diz coisas perigosas. Não tem medo?

Já me borrei de medo!

Muito bem, acordem os soldados, preparemo-nos para passar.

Enquanto os do Kornilov se preparam,

juntamo-nos ao Yegorov e atacamo-los por trás.

Toca a mexer!

Levantem-se! Verifiquem as munições! Mais juntos!

Marchar em frente!

Capitão de cavalaria!

Vais tocar uma música sobre saias cor de rosa?

- Que vulgaridade burguesa! - Para, Onoli.

Não me fales de vulgaridade burguesa!

Ai não? Porque não?

Sou da nobreza,

e isso não me incomoda. E tu...

Quem és tu? Filho do dono de uma fábrica?

Não te atrevas! Sou um oficial, como tu!

Um oficial. Mas ontem desapareceste antes da batalha.

A companhia toda não te conseguiu encontrar.

Disse-te onde estive!

Onde? Que tiveste dor de barriga?

Mas ninguém te viu no quarto de banho.

E não apareceste durante uma hora inteira. Porquê, bravo oficial?

- Anca dá, vil nobre! - O quê?

Calma, senhores!

Os Vermelhos gostam de disparar tanto contra um nobre

como contra o filho do dono de uma fábrica, percebido?

Percebido.

- Percebido, senhores? - Percebido.

Claro.

Ele sabe melhor sobre quem os Vermelhos disparariam. Ele serviu com eles.

- Ainda pode estar ao serviço deles. - Achas que é um espião Vermelho?

Não tenho dúvidas.

Então, porque lhe deram um esquadrão? Por que motivo?

O general gosta dele.

Mas não vejo porquê.

Então, o general também é um traidor!

Bem, isso é ridículo, Onoli!

"Katya, minha querida Katya...

Não podia fazer o contrário.

Não me arrependo um segundo de ter feito o que fiz.

Só me arrependo de uma coisa.

De ter sido bruto para ti.

Alguma vez me perdoarás?"

Para o abrigo!

Aqui!

Tiros da esquerda!

Preparem-se para o ataque!

Ripostem!

Estão ali! Ali!

Svetlov!

- Svetlov! - Sim?

Porque estão as metralhadoras em silêncio?

Porque os Vermelhos atingiram as nossas metralhadoras.

Mandaram tudo para o Inferno!

E os nossos postos de vigia também!

Como se já soubessem de tudo!

- Quem denunciou as nossas defesas? - Queres dizer que fui eu?

Quem mais?

Talvez o que desapareceu por uma hora hoje?

Companhia, para o topo!

Querido Deus

Tira um copo para Ti

Há muito que não bebemos juntos

Santo Deus Que estás a fazer ao povo?

Já não resta amor nem honra

Anjos, arcanjos e querubins

O que é mais assustador na Terra As primaveras ou os invernos?

Anjos, arcanjos e querubins

O que é mais assustador na Terra As primaveras ou os invernos?

Santo Deus, vê o que estás a fazer

Não transformes as pessoas Em lobos raivosos

O Branco também é Vermelho por dentro

O Vermelho também é Branco por fora

Anjos, arcanjos e querubins

O que é mais assustador na Terra As primaveras ou os invernos?

Anjos, arcanjos e querubins

O que é mais assustador na Terra As primaveras ou os invernos?

Ekaterina Dmitrievna, minha pomba, que fazes aqui?

Porque fazes isto sozinha? É pesado.

Deixa-me ajudar-te.

Consigo sozinha.

Sou uma mulher normal.

Errado.

És uma mulher rara.

Não conheço ninguém como tu.

Vê se não lavas a roupa sozinha da próxima vez.

A lavadeira custa dinheiro.

Eu consigo arranjar dinheiro para a lavadeira.

Não, Sergei Alekseevich.

É uma vergonha para mim.

Já vivo à tua custa.

Ekaterina Dmitrievna...

Fico feliz por te ter na minha casa.

Trouxeste cor à minha vida,

Ekaterina Dmitrievna.

Eu posso lavar a roupa sozinha. É normal para mim.

E a nossa parasita de São Petersburgo

irá gastar as suas mãos macias, é?

E estás disposto a pagar-lhe a lavadeira...

Sonya, porque estás a fazer uma cena?

Por isto! Vê! Olha as minhas mãos!

Ela vive há muito na nossa casa.

Mais baixo, Sonya, ela consegue ouvir.

Deixa-a ouvir! Devo sentir-me mal por causa dela?

Sonya, querida, ela está numa situação horrível.

Percebes, ela ficou completamente sozinha.

E tu queres alojá-la, seu velho cão!

- Que queres dizer com isso? - Exatamente o que achas!

Em relação a isso...

Sei porque estou a chorar.

Anda cá, já chega...

Acabou-se. Acalma-te.

Sonya, ouve.

Não tens de ficar chateada com ela.

Ela já sofreu bastante!

Quem sofreu fui eu! Eu sofri!

Achas que não vejo como tu...

Está tudo bem, pronto...

Espera, o toucinho está a queimar...

Cão velho...

Meninas, e se formos buscar champanhe,

éclairs franceses recheados, e subirmos aquelas escadas?

Como sabes tanto?

Peço desculpa. Volto num minuto.

Tenente-coronel!

Tenente-coronel!

Onoli!

Valeryan!

Não me batas continência. É preciso termos cuidado agora.

Bem... esqueci-me. Desculpe.

Por precaução, "magoei-me a cortar madeira".

Magoei-me numa luta terrível contra os Vermelhos.

- Pois... - Poucos sobreviveram.

Desejo-te saúde.

Poucos do Kornilov sobreviveram.

Do Kornilov?

Disseste "Kornilov"?

Diz-me...

Por acaso, conheceste um homem chamado Roshchin?

Vadim Petrovich Roshchin.

Porque pergunta? Conhece-o?

Esteve sob meu comando em 1916. E foi ter com o Kornilov recentemente.

O Vadim Petrovich...

Sim.

- Eu vi-o. - A sério?

Morreu. Na mesma batalha.

Meu Deus.

Como foi possível?

- Tens a certeza? - Vi-o com os meus olhos.

Que podemos fazer? É a guerra.

Sim...

Sim... Estou a ver.

Estou no Hotel Lyon.

Se quiser vir beber um conhaque... ... é bem-vindo.

Esperámos tanto tempo!

Ela vai-se embora.

Se decidires impedi-la, fica a saber que me perdes.

Sonya! Por amor de Deus!

Ekaterina Dmitrievna, posso?

Entra, Sergei Alekseevich.

Já me decidi.

Em relação ao dinheiro por ter ficado cá, o Vadim irá enviar-to todo.

O Vadim não enviará nada.

Que lhe aconteceu?

Sabes alguma coisa?

Encontrei-me com o Valeryan Onoli na baixa, hoje, e...

Ele lutou com o teu marido.

Ele disse que...

... o Vadim morreu.

Não pode ser!

Não pode ser verdade.

Vai!

HOTEL LYON

Mandei vir meninas?

Sr. Onoli...

Sou a mulher do capitão Roshchin.

Que infortúnio...

Não sabia que o capitão Roshchin tinha...

... uma tão bela e jovem mulher.

Lamento, viúva.

Que aconteceu ao meu marido?

Caiu no campo de batalha.

Quero saber como o meu marido morreu.

Houve uma batalha.

Ele levou um tiro.

Caiu.

Foi só isso.

Foi só isso.

É tão bonita, triste.

Como a sofredora Fedra.

Deixe-me consolá-la.

Que vulgaridade burguesa!

Se pensar nisso...

Pronto.

Pronto.

Oh, meu Deus.

A vida acabou.

A minha vida acabou.

Katya...

Katya...

Katya, querida, lamento.

Lamento tanto.

Perdi a cabeça, eu...

Estava chateada contigo, sim. Mas isso já não significa nada.

Fica a viver na nossa casa. Vive aqui o tempo que precisares!

Katya!

Já não preciso, Sofia Ivanovna.

Já não.

Já não tenho por quem esperar.

- Vou-me embora. - Para onde, Ekaterina Dmitrievna?

Ter com a Dasha.

A minha irmã.

A São Petersburgo.

Muito obrigada.

Obrigada.

Maldições...

Eu amaldiçoei-as...

... às guerras de qualquer tipo...

Desculpe incomodá-la, senhora. Um camarada está aqui para a ver.

Senhora, leu o decreto do Comité de Petrogrado

sobre a expropriação de espaços residenciais?

O quê? Não, não li.

Trata-se da coletivização.

Quantos quartos tem este apartamento?

Quatro, mas...

Mas isto é propriedade privada de Vadim Petrovich Roshchin.

Já não há apartamentos privados.

Tudo pertence ao povo agora.

Então, que vou fazer?

Escolha um quarto apropriado. Leve para lá o que precisa.

O resto será transferido para o comité de habitação.

Mas isso é uma loucura.

Disse "loucura", senhora?

Sabe que, segundo o decreto, a sua parte é de um metro e meio?

Mas eu propus que escolhesse um quarto à sua escolha.

E continua insatisfeita?

Camarada comissário, nós tratamos dela.

Eu posso ajudá-la.

Ajude.

O que ficar nos quartos expropriados

será expropriado também. Tenham um bom dia.

Senhora, que podemos fazer? São as novas ordens.

Vamos levar tudo o que pudermos para o seu quarto.

O que não couber,

é melhor vendermos no mercado, para que não o perca.

O tempo está bom, graças a Deus.

- Sergei Alekseevich! - Olá, Samuel Grigorievich.

- Aonde vais? - Levar a nossa inquilina à estação.

- Despedir-me dela. - Céus!

Também vou à estação do comboio.

Entrega-me a tua inquilina.

Levo-a tão rápido como o vento.

Ekaterina Dmitrievna, não te preocupes. Este é o Samuel Grigorievich.

Um bom vizinho.

- Era um bom vizinho. - Porquê?

- Samuel Grigorievich! - Vou-me embora.

Para sempre.

Estou cansado de estar cá sozinho.

Vendi a casa, ao desbarato, claro.

- Lamento... - Mas pagaram-me.

Nem te sentaste antes de virmos.

- Está tudo bem. - Dá azar.

Digo-te o que penso!

Um pai rico é melhor que um sem nada.

- Vamos, despeçam-se. - Bem, Katya... Adeus.

- Adeus. - Adeus.

- Tenho de ir. - Mas como podemos ir?

Katya... Envia um telegrama quando chegares lá.

Com certeza.

Vamos.

Vamos.

- O que é? Estás a chorar? - Claro que não.

Banditismo nos arrabaldes.

A natureza nada tem a ver com isto.

A culpa é da guerra.

Da revolução e da guerra.

Ficaram todos pobres, selvagens, e habituaram-se a isso.

Como se tivesse sido assim a vida toda.

Costumava dar diamantes à minha mulher no seu aniversário.

Mas, da última vez, dei-lhe dois pães de leite e um carretel de linha.

O que pensa disso?

Espero que a sua mulher tenha gostado.

Ela aceitou-o.

E morreu dois meses depois.

Oh, céus. Chegaram tempos terríveis.

Desligue a luz. Sabemos para onde vamos.

E onde estamos?

Isto está cheio de ladrões.

Por vezes, atiram nos comboios com metralhadoras.

Ou, por vezes, separam uma carruagem ou duas.

Despem os passageiros. Deixam-nos completamente despidos.

Rogo-lhe. Não assuste quem já está assustado.

Vai ficar tudo bem, confie em mim.

Passe um pouco pelo sono.

Durma um pouco. Tome.

Tome.

Vamos rasgar as vossas saias!

Não se mexam!

Venham cá! Mexam-se!

Surpresa!

Venham cá abaixo!

Então, meninas!

- Abram todas as portas! - Tenho mãos calosas, não reais!

Passem para cá os bens!

Atirem-nos!

Não!

- Tomem! - Uma bela garina!

Lindinha! Vem cá, docinho!

Senhora! Deixe a mala.

Vá para a saída. Vá.

Sugiro que não armem confusão.

Venham.

Largue-me!

Largue-me!

Que tem aí?

Abram o forro das malas!

- Seus judeus, acham-se os mais espertos? - Estava bem iludido.

Sente-se junto à parede!

Vamos!

Parem!

Chegamos.

Marfusha, és tu?

Vendi o seu anel, Ekaterina Dmitrievna.

Entrei no comboio, mas veja aonde vim parar.

- Estou com o Batko Makhnó agora. - Santo Deus.

Não faz mal, que posso fazer?

Ele não é tão mau quanto pensam.

É humano, de qualquer modo.

- Está cansada, Ekaterina Dmitrievna? - Muito.

Vamos, eu arranjo-lhe um sítio.

- Não quero ficar aqui. - Descanse, durma.

E, depois, continua. Venha, Ekaterina Dmitrievna.

Entre. Não, à direita. Aqui, ao canto.

Entre, descanse um pouco.

Dê-ma, eu seguro.

Descanse. É do que precisa após ter estado na estrada.

Aqui, ninguém a incomodará.

Obrigada. Toma.

Sim.

Pronto.

Sidorov! Para o vestiário!

ENFERMARIA

Pronto, cuidado.

Porque não se senta? Ar fresco não lhe fará mal.

- Há quanto tempo estou inconsciente? - Muito. Quase perdi a esperança.

Aqui. Tome.

Levou um tiro nas costas, que falhou o coração por um centímetro.

Mas, graças a Deus, ficou bem.

Aconteceu quando estavam a fugir?

Não fugimos, perseguimos os Vermelhos.

Então, um dos nossos deu-lhe um tiro.

Provavelmente...

... até sei quem.

Mertvechenko! Onde está o Mertvechenko?

Vamos! Mertvechenko!

Sacana!

Vendeste o exército!

- Compraram-te? - Que quer dizer, Batko?

Que quero dizer? Dormiste, enquanto os austríacos atacavam.

Os postos avançados? Não vimos um único, durante a noite.

- Porque dorme o exército? - Quem sabe de onde vieram os austríacos?

A estepe é vasta.

Ah, a estepe é vasta!

Vou enterrar-te nesta estepe.

- Porquê, Batko? - Mata-o!

Como?

- Como matar? - Assim.

Assim.

Assim.

Marfusha!

Vou ter contigo!

A Marfusha? Quem és tu?

Uma prostituta? Se tiveres sífilis, mato-te.

Falas russo?

Responde! Doente? Saudável?

Prisioneira.

Do comboio.

Marfusha!

- A Marfusha? - Encontrem-na, depressa!

- Onde? - Onde está a Marfusha?

Para! Espera! Estou a falar contigo!

O xaile...

Vamos.

Cabra.

Desculpe.

O quê? Não gostaste comigo?

- Arranjaste uma prostituta em vez de ti? - Ela não é uma prostituta. É da nobreza.

Melhor e mais macia que eu.

Então, deve estar limpa.

É uma pena para ti.

Mas eu amei-te.

Não...

Acabem com ela.

Batko!

Eu servi-te, não servi?

Não há problema. Outra servir-me-á.

Foi a tua decisão.

Estão surdos? Acabem com ela.

Não!

Não!

Não!

Quando voltar da batalha, deves estar limpa e com as mãos tratadas.

E bem vestida.

Krasilnikov!

Tenho uma mulher na casa.

Vê se ninguém lhe toca.

Sigam-me!

Não se preocupe, Batko!

Venha cá!

Ekaterina Dmitrievna?

- É você? - Sou eu.

E quem é o senhor?

Alexei Krasilnikov, mensageiro do seu marido.

Lembra-se do comboio? Para Rostov...

Meu Deus!

Lembro-me.

O meu marido morreu.

O Vadim Petrovich morreu?

Bem, isto é uma guerra.

É o que acontece na guerra.

Finalmente!

Mal podia esperar.

Não aguento esta dor. Pelo menos, dê-me uma injeção!

Camarada Rebrov. Não tem uma dor grave. As suas feridas fecharam.

E não precisa de morfina.

Preciso.

Preciso!

Já está é viciado na medicação, camarada Rebrov.

Está a negar-me ajuda médica?

Quer que sofra?

Está a vingar-se de mim!

Por que razão me vingaria?

Por termos tomado o poder.

E você odeia-o! Sim!

Você odeia-nos! Você e o seu médico!

- Vou queixar-me! - Tem esse direito!

Só no caso de sentir dor, deixei os comprimidos para si.

Lindinha, vamos dar um passeio!

Senhora!

Que apartamento, homens!

Vamos, joguem!

Já imaginaram?

Não estava à espera!

Assim!

Mesmo para mim!

Mesmo assim!

Que fazem aqui?

Moramos aqui.

E quem é a senhora?

- Sou a senhoria. - A senhoria?

É o apartamento do meu cunhado.

Então, entre, senhoria.

Moraremos todos juntos.

Peço-vos que não fumem aqui. Não há ar que se possa respirar.

Porque é tão sensível?

Saia daqui, seu porco!

A senhora parece não ter perdido a sua distinção!

Lamento...

Dasha, temos de ter uma conversa séria.

Deixaste de dar morfina ao camarada Rebrov.

Porquê?

Porque mudo as ligaduras ao camarada Rebrov todos os dias.

A sua ferida está quase fechada.

Só tem os tecidos moles magoados, os órgãos internos nem um arranhão têm.

Não tem dores a sério.

A isto chama-se "a dor do soldado", está viciado em morfina.

Era preferível dar-lhe a morfina toda,

para que ele sufocasse nela.

Sergei Konstantinovich, não consigo fazer isto...

Não consegues? Ele enviou uma queixa para Smolny.

Supostamente devido ao ódio de classes, força-lo a sofrer com dores.

Agora, exigem que te despeça.

Que devo fazer?

A Marusya e eu temos um bebé.

Também temos de sobreviver.

Dasha, lamento.

Não, eu é que lamento.

- Abóbadas das igrejas... - E não me importava de passear

até à abóbada celestial num carro brilhante...

Sim, mas deves fazer isto depressa, porque...

Quer chá e uma sandes?

Quero...

Isto está uma confusão, mas temos chá e salpicão.

Gosta de sandes?

Sabes, acho que és uma pessoa muito boa.

Muito melhor do que te consideras.

Frio!

Ele morreu enquanto eu estava a dormir!

Onde estiveste?

Porque não foste ao meu encontro?

Ele teria nascido na altura certa!

Dasha!

Não me toques!

"Katya, minha querida!

A vida em São Petersburgo é cada vez mais assustadora.

Levaram tudo o que tínhamos.

A nossa casa..."

Onde está a senhoria?

Ela vai para o hospital.

Trabalha como enfermeira.

- Enfermeira num hospital? - Sim.

E o senhorio está na frente Vermelha.

- O Ivan Illich Telegin? - Sim, é um comandante Vermelho!

Iremos verificar. Se confirmarmos isso,

este apartamento não será coletivizado.

A informação está correta.

É boa.

Senhora, viva em paz.

- Obrigada. - Não me agradeça.

Agradeça ao seu marido.

Obrigada.

Tirem estes pulhas daqui!

- Ajude-me. - Segurem-no.

Apontem-lhe as armas.

Estou ao vosso serviço, amigos!

Digam-me e quebro as abóbadas das igrejas

com os meus próprios dentes!

- Vamos, mais depressa! - Calma!

Bebamos mais um.

Pronto! Fogo!

Se estás tão certo de ter razão, porque choras, então?

O Valet e eu passámos metade da vida juntos, percebes?

Debates acesos...

O campo central da luta contra a vida doméstica.

Não pensei que chegasse a isto.

Para com isso.

Mas quem sabe?

Se tivéssemos sido apanhados pelos homens do Kornilov,

teriam acabado connosco sem pestanejarem.

E não seria eu a chorar agora, mas o meu amigo.

O meu criado...

- Matamos os nossos de qualquer modo. - Não são nossos.

É essa a questão.

Para a direita!

Marchar em frente!

Vamos! Escolha!

LOJA DE PENHORES

Valenki! Quem precisa de botas de feltro?

Luvas! Venham comprar luvas, para se manterem quentes!

Comprem um relógio!

Comprem um relógio! Um relógio!

Um relógio! Comprem um relógio!

Daria Dmitrievna!

É mesmo a senhora?

Não me reconhece?

Nikanor Iurievich Kulichik.

Assistente do seu falecido cunhado, Nikolai Ivanovich Smokovnikov.

Sim.

Olá.

Mudou muito.

Ia penhorar isso?

É ingénuo.

Relógio! Compre um relógio!

Talvez...

... mas fui despedida do hospital.

Perdi a minha senha de racionamento.

Não consigo encontrar outro emprego.

Ia para Samara, ter com o meu pai, mas não tenho dinheiro para o bilhete.

Daria Dmitrievna...

Vou dizer-lhe uma coisa que pode colocar a minha vida em perigo.

Fui mandado para cá para espiar e recrutar.

Acho que me podia ajudar nisso.

Acha que seria capaz?

Não tenho dúvidas.

Apenas os que sofrem com o novo poder podem ajudar a Rússia.

A senhora, eu...

Já muitos sofreram.

É hora de salvar o país do caos iminente.

Incitaremos uma rebelião por toda a Rússia.

E a Tríplice Entente ajudar-nos-á.

Aceito.

Detesto este novo poder.

Legendas: Vânia Cristina

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