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Original subtitles

No glorioso ano de 1124, para impedir um terrivel evento,

Godefroy de Montmirail e seu servo Jacquouille Fripouille beberam

uma po��o m�gica que por acidente os transportou para o s�culo 20.

OS VISITANTES

No s�culo 20 uma nova po��o devia permitir-lhe voltar ao ano de 1124.

O destino quis outra coisa, algo terrivel aconteceu.

Ao adicionar Marnier � po��o m�gica

foram para 1793, para o meio da Revolu��o Francesa, o Terror.

Foram presos pelo prosecutor p�blico Jacquouillet,

um descendente directo de Jacquouille.

Ambos foram para a pris�o, onde aguardaram julgamento.

OS VISITANTES 2: NAS PASSAGENS DO TEMPO

Castelo Montmirail, 1124

Seu piolho, porque �s t�o lento?

Estou a ir, senhor. Estou a ir!

Estou a ir!

R�pido!

R�pido!

Vamos, Aymeric, para a sela!

OS VISITANTES A REVOLU��O

N�o t�o r�pido, n�o t�o r�pido! Devagar, devagar!

- Desmonta ou morre! - Maldito traidor!

Deixa-me passar ou vais para a forca! Meu Senhor, Louis VI, o Gordo enviou-me.

Deixem-me morrer se eu me entregar!

Estou a chegar, senhor, eu cubro a sua traseira!

Onde est� o meu machado? Onde?

� impossivel tirar o machado!

Aqui tens, seu porco!

- Cretino! - Imploro por perd�o!

Cuidado, sr. Aymeric!

O que foi?

Sonhei que Godefroy, o Audaz, regressou e nos atacou. Um pesadelo.

O pesadelo � que Godefroy desapareceu por feiti�aria.

� preciso mentir ao rei.

Aymeric de Tourbes, onde est� o teu amo?

Estamos em guerra e todos meus bar�es est�o aqui,

desde o Raoul, o Zarolho, at� ao duque da Aquit�nia.

- Apenas Montmirail n�o veio. - Est� doente, senhor, mas vir�.

- Mentiras! - Fala baixo.

N�o perturbem o eterno sono de Pepin

e da sua esposa Bertha, a dos p�s grandes.

- O que queres ent�o? - H� rumores sobre o conde Montmirail

Godefroy n�o foi � missa de natal. Ele despareceu ap�s

praticar a feiti�aria. Ele � um herege!

- Exijo castigo de Deus por isto! - Basta!

N�o quero perder cavaleiros numa batalha sem frutos.

Godefroy deve unir-se �s minhas tropas at� � pr�xima lua cheia.

Se n�o obedecer, seu condado, seus titulos

e propriedades ser�o distribuidos entre meus v�ssalos.

E seu castelo ser� destruido!

Abre, Eusebius, feiticeiro da desgra�a!

Por aqui, Aymeric.

Eusebius?

- O mago est� morto! Estamos perdidos! - Eu esperava-os, cavaleiros.

Sou a filha de Eusebius, que jaz perante v�s.

Onde est�o o senhor Godefroy e seu servo Jacquouille?

Arranco e cozinho tuas entranhas se n�o os trouxeres de volta!

Imediatamente!

Teu senhor est� preso no futuro, no ano do Senhor de 1793.

Ele e seu servo foram aprisionados

quando voltavam do s�culo 20 com bolsos cheios de objectos do futuro.

Eles aguardam julgamento, o que significa morte.

Robespierre est� no poder. Chamam-lhe "O Incorruptivel".

Ele controla tudo. Em nome da Comiss�o de S�ude P�blica.

Eu encarno o terror!

Deixem-no falar!

N�s n�o julgamos!

N�s matamos!

E se o Audaz milagrosamente escapou aos revolucion�rios,

seus calv�rios ainda n�o terminaram.

Fizemos asneira, senhor. Eles querem matar-nos.

Seu corpo do e do seu servo Jacquoille envelhecem dez anos por semana,

porque eles est�o presos nos corredores do Tempo.

O qu�? Tudo d�i. Meu joelho d�i tal como na batalha de Montlhery.

Se eles permanecerem l�, conhecer�o uma morte atroz.

Desde esta manh� est�s horrivel. Consegues assustar qualquer um.

Meu dente est� partido.

Escola Agricola de Issoudun, convertida em tribunal

Tragam os acusados para o interrogat�rio!

Cidad�os! O comiss�rio diz que voc�s s�o inimigos do povo!

- Vou mat�-lo! - "Corpus delicti" n�mero um.

Insignia inglesa, mostrando que est�o a servi�o da inglaterra.

Corpus delicti n�mero dois! Elmo nasal...

e o estilo espanhol da corrente!

- Quem � esse sem cal�as? - Um ingl�s e incendi�rio.

- Indicam que as coisas eram dele. - Exactamente!

Nos seus bolsos estavam bin�culos com lentes espelhadas...

para proteger seus olhos da outra m�quina infernal.

Frasco com subst�ncia inglesa porque est� escrito "Spray"!

Porque roubaste tudo isso? Pensam que somos ingleses! Cretino!

Eu um ingl�s? Isso � uma inf�mia!

No frasco h� um g�s perigoso.

Arma criada evidentemente por um ingl�s, por isso o nome ingl�s.

- Franck Provost! - � um spray, uma prenda para a sra.Ginette.

- Pare endurecer o seu cabelo. - Uma tocha!

Muito eficaz para acender uma mecha. Uma pluma!

Estranha.

Ela contem tinta e produz m�sica!

Sil�ncio! Uma pena capital de execu��o imp�e-se de imediato!

Se tiverem algo a dizer, digam-no rapidamente.

Tenho a impress�o que eles n�o entendem.

Nem somos ingleses, nem espi�es! N�o tem o direito de nos julgarem!

- Sou franc�s, palavra de Jacquouille. - N�o entendo! Teu apelido � Franc�s,

- ou Jacques Couille? - Jacquouille.

Jacquouille? Ele tem algo a ver com o prosecutor Jacquouillete?

- Seu filho bastardo. Fala, cretino! - � verdade.

- Meu bastardo prendeu-nos. - O que � um bastardo?

Olhem. � possivel. � parecido com ele. Apesar dele ser mais sujo e repugnante.

- E aquela enorme borbulha no nariz! - Sim, deve ser assim.

- Esse homem sujo! - Isso � um alivio.

Escriv�o! O prosecutor p�blico est� em Issoudun?

- Acho que tinha um jantar na companhia. - De quem?

Da sua companheira, Charlotte Robespierre.

Tragam-no rapidamente!

- Charlotte Robespierre? - Sa�de e Fraternidade!

- Esperavamos seu companheiro. - � melhor para a Revolu��o

deix�-lo descansar. Eu estou aqui em seu lugar.

A Comiss�o de Sa�de P�blica est� interessada na rela��o

entre o prosecutor Jacquouillete e o culpado.

Este individuo vincula-se a si � familia, e � um espi�o ingl�s.

Jacquouille nasceu em Montmiraile. Eu atesto-o.

Sou um bastardo do pedreiro Anselm e da cabra Gertrude.

Comiss�rio, eles expressam-se num dialecto local, est� a cometer um erro.

- As pessoas n�o s�o f�ceis de entender. - Saia de Paris mais vezes, Comiss�rio!

Cidad�o campestre, teu nome � Jacques Couille.

- � parente do prosecutor Jacquouilet? - Ele � meu filho bastardo.

- Bom, isso � �bvio. - O que � �bvio, cidad�?

Esse homem � Ignace Jacquouillet, um tio de Antoine Claude Jacquouillet.

- Antoine Claude... - Sil�ncio!

N�o sabiamos dele desde que foi preso por roubar meio metro c�bico de lenha!

- O homem � um her�i da Revolu��o. - Se esse � um hero� quem � o outro?

Isso � claro. Seu s�cio de correntes. Outro desafortunado.

Estiveste nas galeras com o tio Ignace, certo, cidad�o?

Definitivamente. Na galera. Com Ignace. Somos galerianos.

Eles tinham armas de atentados.

Antes de os enviar para a forca, aconselho a fazer uma boa investiga��o.

- Aceito o seu conselho, cidad�. - Sim, ser� melhor assim.

- Boa noite, cidad�os. - Boa noite, Charlotte.

Boa noite, Charlotte!

Que fazemos, comiss�rio?

Sentenciamo-los � morte. Ponham-nos no carro da manh�. Para a forca com eles!

- Acorda, Antoine, o tio Ignace est� vivo. - Quem?

- Ignace Jacques Couille. - Meu tio?

- Ele foi preso pelo Verdier. - Como? N�o tinha morrido nas galeras?

N�o! Ele escapou. Gra�as ao seu amigo, que � um gigante.

Ele � t�o pequeno, n�o conseguia sair vivo.

- Ele � mais pequeno que tu. - Eu sou normal.

Nem por isso! S�o realmente uma familia de pessoas pequenas.

- Porque o dizes? Isso insulta-me. - Ele tem a tua figura. Ao centimetro.

Isso � suficiente para ser meu tio? Digo-te, o tio Ignace est� morto!

Tenta ser esperto por uma vez. N�s temos que o tirar dali.

- Porqu�? - Robespierre procura exemplos,

e teu tio � um exemplo de vitima do antigo regime. Ele � adequado para isso.

- � mesmo? - Sim. Ele tem uma cabe�a feia.

Caracteristicas distorcidas pela dor. A Comiss�o de Sa�de P�blica ir� ador�-lo.

- Amanh� tratarei disso. - Porqu� amanh�?

Porque amanh� confiscarei o castelo Montmirail

e expulsarei os sacanas presumidos que insultaram a minha familia.

V�o viver para o asilo dos pobres. E acredita, irei disfrutar disso.

Senti a tua falta.

Escola Agricola de Issoudun De madrugada...

As masmorras transformadas em pris�o...

H� execu��es sem parar.

R�pido!

- Cortou-lhe a garganta. - Fora com os aristocratas!

- Senhor, que s�o "aristocratas"? - Sou eu, idiota.

- Eu n�o sou aristocrata! - Definitivamente n�o!

N�o se torturem a olhar, senhores. O som � suficiente.

- Lorenzo Baldini, marqu�s de Portofino. - N�o sou aristocrata! N�o perten�o aqui!

- Nem n�s. - Conde de Montmirail, Malfete e Papincourt.

- Montmirail? - Sim.

- Parente do nosso falecido conde Philipp? Irm�o, primo?

- Sim. Primo. Bastante distante. - Vamos � era dos carros, senhor!

- Acalma-te! - Tu �s primo do Philipp!

- Cheira a morte! - Conheces Victoria Rose, sua filha?

Eu cortejei-a em tempos melhores. N�o a vejo h� muito tempo.

Uma beleza selvagem que o homem s� quer domar.

Atrevo-me a dizer que ela ficou mais fatal.

- N�o dizes nada? - Definitivamente.

Eu entendo. Discri��o.

Nem nenhuma mirada! Enfrentamos perigo.

� divertido encontrar nossos companheiro de infort�nio aqui.

Quando penso que meu sogro tinha a honra de levar a vela do Louis XV,

- quando o rei queria urinar no meio da corte. - Urinar em p�blico � nojento!

- Sil�ncio, desgra�ado, � merda real! - Desculpe, senhor, como � merda real.

Senhor? Idiota? Seu provocador! Temos tanto medo de falar.

Mas tem raz�o. Com o que nos espera, podemos soltar-nos.

Certo, vou soltar-me. N�o me ralo com os tarados da Comiss�o P�blica,

Robespierre e Danton, eles v�o receber o que merecem!

Eles v�o receber o que merecem!

- Calado! Queres as nossas mortes? - Acha, duquesa, que estamos num piquenique?

N�o � adequado que os aristocratas proporcionem luz � sanita real,

- isso � trabalho para os servos. - Que h�lito.

Sim, perdoe por discordar,

mas, Deus, isso � um privil�gio.

S� podemos agradecer ao rei Louis XIV. por confiar sua sanita aos aristocratas.

Limpar rabos reais, uma bela prova de confian�a!

Limpar qualquer rabo � pat�tico. Um rabo sujo � um rabo sujo.

Sim. � uma honra para um cavaleiro. � degradante.

- Eles merecem a morte! - Meu Deus!

O duque vai para a execu��o!

Ele � t�o nobre.

Espero que quando chegar nossa vez que sejamos t�o valentes como ele.

- Meu Deus! - Maldi��o!

- Cortaram-lhe a cabe�a! - Horror! Sangue por todo lado.

A cabe�a caiu com um corte limpo. Calma, ele teve uma boa morte.

Com a guilhotina decapitaram o meu indefeso sogro,

e tu achas que ele teve uma boa morte?

No meu tempo usavamos machado e isso causava grande sofrimento.

Aquela m�quina � pr�tica.

No meu tempo, esfolavam-no, cortavam-no e davam-no aos porcos.

Ele teve sorte, morreu antes de poder dizer "a�".

"A�" dizes tu? Isso n�o faz sentido. Desculpa, n�o falarei mais contigo.

- Desaparece. - Desaparece.

Sil�ncio, tu ai � frente!

Esta manh� a cabe�a do grande Louis VI rolou at� � serradura!

O rei est� morto! Assim como a tirania!

Sil�ncio! Rezem! O rei est� morto!

Longa vida ao seu sucessor, seu filho! Vamos rezar.

Pai nosso que est�is no C�u...

Venha a n�s vosso reino, seja feita Tua vontade tanto na terra como no Ce�.

Da�-nos o p�o de cada dia... P�o de cada dia...

Parem de chorar, � um dia de alegria!

- Aten��o! - E perdoa nossas ofensas...

Picarde! Alsace! Venham ajudar! Silenciem esse chor�o!

A Revolu��o � nossa! Levanta-te, maldito!

Levanta-te, mercen�rio!

Agarra nas armas e segue-me.

Aqui vou, senhor!

Tenha cuidado, senhor!

Cuidado, senhor!

Tenha cuidado, senhor!

Tenha cuidado, senhor, esse palha�o parece um rabo real!

- Estou contigo! - Deixa de seguir-me!

Desculpe, senhor, estou a usar a sua grande for�a

- para sair. - � um tonto.

- Isso � tudo. - Mas que burro.

Vamos depressa!

Mais r�pido!

A madrasta est� l� em cima?

Castelo Montmirail em Issoudun

- Senhora, de manh� tem que desaparecer. - Mas n�s ainda n�o terminamos.

- N�o quero deixar nada no castelo. - Se me encontram aqui, ser� o fim.

Eu devia estar em Paris. Jacquouillet estar� aqui em breve!

Vamos esperar por ele com armas e dar uma li��o a esse porco!

Victoria, acabariamos na forca!

Senhora, subornei um empregado com o meu �ltimo dinheiro,

quando comprei um visto para a Austria. Tragam-na � raz�o.

Sim, Victoria, est�s a atrasar-nos. Vai terminar de fazer as malas.

Senhora, sou velha demais para estas familiaridades e ouvir as suas ordens!

- Se o meu pai te ouvisse! - Ele est� morto

- N�o consigo falar com ele. - O qu�?

Tornei seus �ltimos anos bonitos! Est�s obrigada a respeitar-me!

N�o � o melhor momento, senhora.

Agradece por te levar para a Austria, �s minhas custas, raios!

O medo ergue-se na tua cabe�a, Gonzague.

Haver� sete de n�s na pequena cabana de ca�a, muito obrigado.

Estamos a fugir como ciganos e n�s vivemos em Paris!

� um terror em Paris.

"Sem Cuecas" reportam aristocratas e executam-nos!

Esquece Paris! E o pal�cio � meu desde a morte do pai. Sou o mais velho.

Desculpa. Como deputado votaste para cancelar a regra do mais velho.

Meus filhos tem igual direito a herdar Montmirail como tu!

N�o deixes que ele envergonhe a tua carreira politica!

N�o seja t�o injusta com o seu irm�o.

Respeito-te como a tua falecida m�e.

- � uma honra salv�-lo e aos seus irm�os. - E n�o esque�as a Elise,

que te ama muito.

- Esses livros s�o necess�rios? - Se Elise n�o ler, n�o consigo adormecer.

Toma, dou-te um salvo conduto, irm�o. Assinada pelo cidad�o Collot d'Herbois.

- De novo o "cidad�o"! D�-me asco! - O qu�? Comerciantes de vinho?

- Parecemos ser alguns? - O que queres? "Aristocratas em fuga"?

- Levam a Honorine? - Quem iria cozinhar feij�es

- e biscoitos para as crian�as? - Os alem�es comem couve.

- Isso tamb�m? - Claro! � uma prenda da rainha.

Nos jantares deve haver m�sica!

N�o deixaremos esse maravilhoso instrumento ao porco do Jacquouillet!

Preferia morrer!

- E a pistola? - Estoiro os miolos ao primeiro "Sem Cuecas".

- Queremos lutar com a Victoria! - Com uma pistola!

N�o, queridos, � perigoso.

- Pistola! - Por favor!

Bom, eu concordo. Mas parem de gritar. Meus ouvidos!

- Robert, d�-lhes uma pistola. - N�o os suporto.

Obrigado, Hercule. Para Paris. Depressa!

Senhor, o que nos fizeste agora? Vamos entender Tua vontade.

- � por causa da magia, senhor. - P�ra esse discurso inapropriado!

Deus est� a testar-nos. N�s escutamos. Vamos p�r o sucessor de volta ao trono.

� o nosso destino.

- Hosanna! - Hosanna! Fale por si, senhor.

- Que est�s a dizer, renegado? - Hosanna.

- Hosana. - Est� na hora.

- Sou eu. - O que queres, asno?

Issoudun est� cheio de "Sem Cuecas". Preferia juntar-me a si.

- Onde vamos? - A Montmirail, reunir nossos soldados.

Soldados.

N�o quero ser um desmancha prazer, mas achar tais pessoas, n�o vai acontecer.

Vamos armar-nos de coragem

- para a nossa miss�o. - Hosanna!

- Que miss�o? - Obter o sucessor ao trono.

N�o � maravilhoso?

- Ele est� preso em Paris, num templo. - E ent�o?

Admir�vel. Maravilhoso.

Mas sem mim, em Paris, como aristocrata, n�o terei hip�tese.

Por isso, n�s os tr�s para...

Encontrem-nos e matem-nos! N�o h� piedade para ningu�m!

Tens que os encontrar!

Vamos procurar esses c�es!

� morte!

Ainda estou aqui. Perten�o-lhe. Todo caminho at� Montmirail.

- Cavalo, senhor! - � meu!

Parte-me o cora��o, mas temos que o fazer!

Sem insulto, m�e, mas essa peruca � grande demais para um mercante de vinho.

- Ela estar� debaixo do capuz. - N�o entra na carruagem.

Esta � a minha peruca de viagem. Olha.

Pensei nisso.

Voila! E se n�o...

- E est� feito. - Senhora, esqueci-me das j�ias!

Que gansa tola! Vai l� busc�-las!

- Terrivel. S� as trocamos por dinheiro. - N�o tenciono vend�-las.

- Mas como vamos viver, senhora? - N�o sei.

- Tu ir�s trabalhar. - Trabalhar? - Sim.

- N�o trabalharemos como camp�nios! - Sim, vou sim.

Elise! D�-me isso, Vai entornar-se tudo. Sai!

Vou buscar o retrato da minha mam�!

- Quem �s? O que queres? - N�o tens que te preocupar.

Lorenzo Baldini, marqu�s de Portofino, genro do duque de Cheneviette.

- Reconheces-me? - Nem por isso.

- Onde est� o mestre de Montmirail? - Meu marido morreu de derrame cerebral

ap�s o massacre dos guardas su��os.

- Quem � o novo conde? - Meu enteado. Ele foi para Paris.

N�o quer ser "Montmirail" mas sim "Malfete", assim n�o parece aristocrata.

Baixem as armas ou disparo!

- Lorenzo? Que fazes aqui? - Vict�ria! N�o me reconheces?

Fui salvo da guilhotina pelo teu primo, o her�i.

- Que primo? - Ele.

Hubert de Montmirailu, Malfete e Papincourt.

- Tu �s um Montmirail? - Ora, primo Hub!

- Isso � engra�ado, senhor! - Malandro, sel�ncio!

Ele � meu servo.

Voc� � um impostor! N�o temos primos em Fran�a.

Os senhores vieram de muito longe.

O seu franc�s � utilizado em pa�ses estrangeiros.

�s o primo secreto austriaco a quem Gonzague escreveu?

Mas n�o compreendo.

Era suposto de esperar por n�s na fronteira.

- Preferiu vir buscar-nos? - Certo.

Isso � t�o corajoso,

E tu, quem �s tu?

Jacquouille, o malandro, gentil senhora!

"Gentil senhora." Bons modos prussianos. Fora de moda, mas ador�vel.

Sinto muito, senhor, n�o percebi o seu nome.

- Primo Hub. - Hub?

Hub. Hubert.

Quer dizer Houbert de Montmirail! Primo Hub! Agora entendi.

- Gonzague falou sobre um primo Kurt. - Definitivamente, Kurt Houbert, senhora.

Sim! Kurt, Houb, � a mesma coisa.

Como Fritz, Schmitz, Frida, esses nomes locais.

Kurt Houber, um nome duplo. Como Victoria Rose.

- Fala bem franc�s para um austriaco. - As cortes europeias falam franc�s.

Que suspeita � esta?

- Falam franc�s na corte austriaca? - Definitivamente.

Falamos franc�s "putascholler"!

Que fazes, seu idiota?

- A coisa fedorenta � sufocante! - Esse verme � insuport�vel!

Estavamos para sair, primo Kurt Houb.

Para Paris. Preparem os cavalos! Temos um sucessor ao trono.

- Para Paris? N�o me pagaram para isso! - O rei est� morto, longa vida ao rei!

- N�o sei mais nada. - Hurr�!

Enfim um corajoso na familia!

Estou consigo, senhor. Faz-me de novo ser orgulhosa de ser uma Montmirail!

- Levamos-te a Paris na nossa carro�a. - Isso vai contra as ordens do seu irm�o.

- Gonzague � um covarde. - Covarde! Gonzague � um covarde!

Sil�ncio! O teu servo n�o pode ofender o meu enteado.

N�o levar�o isso. D�-mo!

Caso contr�rio n�o ir�s! Mercadores de vinho n�o s�o terroristas.

- P�e isso na adega. - Senhora! Os gendarmes cruzaram o rio!

Vamos! Salvem-se!

- R�pido e conduz a carro�a! - Escuta, seu malandro!

- Desculpe, condesa. - Bom, se tem que ser...

As crian�as, as crian�as... Todos a bordo, todos a bordo!

V�o!

Depressa!

- H� um p�ntano fedorento algures. - Afasta-te desse cheiro,

- ele magoa as partes inferiores. - � ele que fede!

Tu �s o fedorento! Tens que te lavar, sen�o vais l� para tr�s.

Cala-te, eu n�o cheiro mal! S�o os rabos dos cavalos!

- Sim, s�o os cavalos - Cavalos peidantes!

Revistem o castelo e tragam-nos!

Olha, Lolotte! Cigarro de Saint Domingue, pelo menos 5 sus a pe�a.

Grandes gastadores! Eles tornam as pessoas comuns pobres!

Kurt Houber, para um aristocrata austriaco, veste-te modestamente.

Mas, Robert. � uma simples vestimenta de ca�a.

Parece mais um campon�s!

Um verdadeiro aristocrata n�o usa cal��es nem meias para meninas.

Estes eventos horriveis fizeram com nos reencontrassemos, cara Victoria.

Obrigada. Como est� a tua esposa?

Ela faleceu. N�o sabias disso? Sou um vi�vo.

- Guillotine? - N�o, uma constipa��o.

Ela banhou seus p�s, nuns r�pidos.

� uma pena. � por isso que eu nunca lavo as minhas pernas.

Uma pena. Por vezes, � necess�rio.

Particularmente quando se viaja num espa�o apertado.

Belas florestas! Poderiam-se ca�ar ursos.

- Ca�a ursos? - Com uma faca.

� bom para os fazer sangrar at� � morte e comer seus cora��es quentes.

Meu Deus, cora��es cr�s? Isso � nojento.

- Av�, os p�s do austriaco cheiram mal! - Marie Therese! N�o fales assim!

- Ela tem raz�o. O cheiro � sufocante. - Marqu�s, abra a janela.

- Deixaremos entrar algum ar. - Ar...

- Eu tamb�m quero! - Tamb�m quero.

O cheiro nas carruagens fechadas � t�o inc�modo.

- Por exemplo, os peidos. - Devem ser as almofadas, parecem podres.

N�o, o rosa velho � malcheiroso. Causa-me uma "xaqueca".

- Enxaqueca, conde Hubert. Enxaqueca. - Todos entendemos, Robert.

- Tamb�m teriam erros em alem�o. - Nem por isso, sou bom em linguas.

Ele fala franc�s, afinal. N�o falaremos em alem�o.

A Marie Therese tem frio. Fechem a janela.

Tens frio minha pequena, pequena, pequena menina?

- N�o h� ningu�m. O castelo est� vazio. - Algu�m avisou-os! Estou furioso!

N�o verei as suas reac��es ao verem o novo propriet�rio!

Um novo propriet�rio? Vais ficar com o castelo para si?

N�o! Com um novo propriet�rio falo em nome da Revolu��o.

- O novo propriet�rio � o povo, claro. - Isso � melhor, Antoine Claude.

Isto aqui � bonito! Quando penso na cabana no p�ntano onde o pai vivia...

- Bom, vou-me. - Para onde?

Para Paris na carruagem nocturna.

Lolotte, n�s nem sequer passamos uma s� noite aqui.

Seria uma pena n�o usarmos todas essas camas.

Sugiro ao Marat que escreve no "Amigo do Povo" sobre o tio Ignace.

Isso ser� bom para mim.

N�o o fa�o por ti mas pela vit�ria da verdade.

- Marat far� dele um ic�ne da Revolu��o. - Ignace e um ic�ne? Isso � forte.

Cidad�o, h� motins na pris�o e o teu tio e um gigante escaparam.

- O qu�? - Esperaste demasiado tempo.

Irei encontr�-lo de de novo. N�o mudes os teus planos.

Sim, e n�o te esqueces na ter�a em Paris o jantar com o meu irm�o.

- E a Comiss�o da Seguran�a P�blica. - Jantar com Robespierre � dificil de esquecer.

Tu tamb�m �s austriaco?

N�o est�s a responder. �s pretensioso.

N�o sei porque �s assim.

N�o o fa�a falar. O seu h�lito � podre.

Ele tem sotaque, mas n�o austriaco. Sou uma vi�va de Lorraine...

- Cala a boca, ab�bora gorda! - Maldi��o!

Tens raz�o. Nunca tinha cheirado nada t�o horrivel!

Azar, cavalheiros. N�o tenho cavalos frescos.

- Mas posso dar-vos quatro mulas. - O qu�?

N�o trocamos um bom cavalo por uma mula! Vou magoar-te, ladr�o!

- Anda c� e repete isso! - Com quem est�s a falar, pousadeiro?

Queres levar um tiro, grandalh�o?

Certo, certo, calma. � s� um malentendido.

- Os cavalos est�o a pastar. Esqueci-me. - J� estava na hora.

- Vou furar-te. - � loucura jantar aqui.

- V�o descobrir que somos aristocratas. - Acalma-te.

Primo, � visivel que �s austriaco. Permanece na carruagem.

Teu servo ir� trazer-te comida. Estamos em territ�rio inimigo.

N�o te preocupes, rapaz. D�-me o teu casaco!

Este!

- D�-lhe um bom pre�o. - 25 sous. � novo.

Bem vindos � Carro�a Dourada do Ca�ador, cidad�os!

Ponham-se confort�veis.

O lacaio do Kurt parece aquele servo que roubava ao teu marido.

- Qual era o nome dele? - Ignace Jacquouillet.

Mas isso n�o � possivel. Philippe mandou-o para as galeras.

20 anos por roubar um metro c�bico de madeira, ele pagou mesmo por isso.

Onde v�o t�o tarde? Querem ser discretos, cidad�s.

Quero um repasto adequado! Estou faminto!

De certo que me pagar� os meus 25 sous de volta.

- � mesa n�o se fala de dinheiro. - Certo, compreendo. Nunca mais.

Ferve correctamente a carne, n�o quero nenhum verme nela!

- Minha carne n�o tem vermes, cidad�o! - Assa-a bem, mulher.

- Cidad�. - Sim, cidad�.

Esses burgueses s�o odiosos. Apestam quase a nobres.

- Honorine, serve-nos. - Sim, senhora condesa.

Por Deus...

- Ela n�o pode chamar-lhe condesa. - Mas isso � muito complicado para ela.

Muito boa esta vinha�a! Vamos encher a pan�a com ela!

Traz tr�s jarros, bruxa velha! Depressa!

Levanta-te, idiota! Que fazes � mesa? Vai comer pau duro para a carro�a!

- Quanto tiver restos, levo-tos. - � desagrad�vel comer com os criados.

- Que coma com os cavalos. N�o se importam. - Porque n�o come a bruxa na carro�a tamb�m?

Porque ela est� a servir-nos. Para isso os teus dedos est�o demasiado sujos.

N�o � justo! Ela tamb�m � uma criada!

Devia ter ficado com a senhora Ginette no tempo dos Cadillacs!

Sa� ou corto-te as orelhas! Vai recolher caca de cavalo!

- Caca de cavalo? Para qu�? - Para fazer uma fogueira para a noite.

- Aquece bastante bem. - J� temos a explica��o.

- Qual explica��o? - Porque os austriacos cheiram mal.

- Acendem fogueiras com a merda. - Robert! Estamos � mesa!

- Que est�s a fazer? - � para acender uma fogueira!

Como queiras, eu � que n�o limpo!

N�o comem com garfo na Austria?

- Perd�o. - Honorine, �gua! Tenho sede.

Sim, senhora condes.... Raios, n�o consigo, cidad� condesa.

Sil�ncio! N�o falem!

- O que � isso? - Sopa de urtiga.

� horrivel. O que lhe p�s? Tem natas?

- N�o, s� leite de cabra. - Cozeu as omeletes?

- Sabem a madeira. - Eles n�o gostam de nada.

- E a vaca a que chamam condesa... - Temos que os denunciar.

Termino a sopa e chamo os gendarmes. Poderemos ganhar uma recompensa.

Basta. Nesta mistura de perca, n�o h� perca mas apenas mistura.

Mas passa bem pela garganta. N�o tem espinhas.

Claro, porque n�o tem peixe!

- Ele n�o come com a boca fechada! - Ele � austriaco, querido.

E n�o se fala � mesa a n�o ser que falem contigo.

Os cavalos est�o pronto, senhor, e aqui est� a caca para a fogueira.

Tem cheiro sim!

- H� merda por todo o lado! - N�o queremos a tua caca de cavalo!

Fora! E leva o cesto e os restos!

- N�o vou! Est� frio l� fora! - Vamos, sai daqui!

- Vais escutar-me! - Cheira mal!

Aviso-te, tens que pagar pela caca de cavalo. Limpeza, mais dois sous.

Julga que somos idiotas? J� nos roubaram o suficiente.

Vamos embora. E n�o pagamos.

N�o merecem menos. Nunca comi comida t�o reles.

- Vamos! - Est� tudo mal. � um festival!

S� o Kurt se empanturrou e agora est� a aquecer-se com a merda.

Kurt? Ele � austriaco!

M�os para cima!

Toma isto, bastardo!

Toma isto, imbecil!

Socorro! Socorro! Aleijaram o meu Gaspard!

R�pido!

PARIS Rua Franciscana

Gonzague, p�ra!

Obrigado, Hercule.

Parece que triunfaste na assembleia, querido.

Disse que as terras deveriam ir para o povo.

Estou orgulhosa de ti.

N�o que esteja preocupado... Mas quando volta o teu marido?

Amanh�. Mas o que importa isso? Celebrarei contigo, n�o te preocupes.

Parem! Em nome da Rep�blica.

Cocheiro, quem s�o essas pessoas?

- N�o havia lugar l� dentro, sargento. - Porque est�s a olhar?

- Tu pareces agressivo. - N�o, ele n�o � perigoso, bonit�o.

Ele est� � exausto da viagem.

Pois.

- Fa�o carne picada de ti! - Cala-te, imbecil!

- O que � que ele disse? - Algo feio, ao que parece.

- Cabe�a de carneiro! - Basta!

Apresentem vosso salvo conduto!

Aqui, por favor.

- � um mercador de vinho? - Sim.

- E vem de Issoudun. - Sim.

- E h� l� vinhas? - Sim, isso...

H� l� vinhas sim.

Nem sabemos o que fazer com tantas vinhas.

Estamos inundados por elas.

E ele? Quem � este grandalh�o?

Ele? � o nosso fabricante de barr�s.

- Ele trabalha os nossos barr�s. - E o que vem ele fazer a Paris?

Trouxemo-lo connosco. Por precau��o.

O que lhe posso dizer, cidad�o?

Vamos reunirnos com o deputado Malfete.

- Conhece-o? - N�o.

Algu�m conhece o deputado Balfete?

N�o. Mas conhe�o o Brunelin, executaram-no ontem.

- E depois? - � o �nico parlament�rio que conhe�o.

E esta boneca � tamb�m uma mulher de neg�cios?

- Nunca viajo sem os meus filhos. - Tem classe a mais para uma cidad�.

Com uma peruca muito alta.

Sargento, o salvo conduto foi assinado por Collot d'Herbois.

O comiss�rio Collot!

Conhece Collot d'Herboise pessoalmente?

Ele � amigo do meu irm�o.

Deixem-nos passar!

- Viva a revolu��o! - Viva a revolu��o!

- Vai! - Viva a revolu��o!

Viva o vinho, cabe�a de carneiro!

Espera quando nos voltarmos a ver!

Bravo, Robert. Foste �ptimo. Estamos c� dentro.

- N�o sei se � uma boa noticia. - Porqu�, sr. Lily?

O problema n�o � entrar, mas sim sair.

- Victoria, n�o ficar�s aqui! - Quem ajuda o primo Kurt na cidade?

N�o discutam assim t�o perto da guarda nacional.

Subam, subam depressa!

- O que est� a fazer? - Porque atira nossa bagagem fora?

- Ficam aqui! N�o viajo mais convosco! - P�ra ou eu bato-te!

- Pagamos para ir at� Viena! - E vieram para Paris, por isso fiquem.

Fora ou irei denunci�-los! Socorro! Socorro!

Raios, soldados, senhor!

Este tipo est� louco! Est� a atirar as nossas coisas!

Calma, sargento, viemos para viver com o deputado Malfete.

V�o para casa. E em sil�ncio!

- H� pessoas honestas a dormirem. - Acordo o porteiro para nos ajudar.

- Fa�am pouco barulho! - Cala-te!

Que barulho � este?

Quem �s tu? Quem s�o voc�s? E esse barulho?

- Que fazes na casa da Marietta? - Eles decapitaram essa idiota.

Ela gritou nas ruas: "Longa vida � rainha!"

Meu Deus!

- Deus n�o existe mais, cidad�. - � a nossa nova porteira?

Eu limpo as escadas. E mantenho tudo sob olho.

- N�s somos os donos. - N�o. O senhorio vive no �ltimo piso.

No segundo piso temos a Charlotte Robespierre.

E no primeiro vive Marat, famoso jornalista do "Amigo do Povo"!

Ele exige a execu��o de todos os aristocratas.

O que desejam?

Seria bom ajudar-nos a trazer a bagagem, boa senhora.

Que tipo de tom � esse, sua gorducha?

Gorducha?

N�o temos mais que vergar nossas costas. Aqui somos todos iguais.

Philiberte! H� algo aqui para fazeres!

Parece a sra. Ginete, senhor!

- Sra. Ginette! - O que queres, fedorento?

- Patife, n�o piores as coisas. - Teu nome � Patife, cidad�o?

- N�o � ela, esta � mais velha . - Eu sou o qu�?

- Philibert! - Sim?

Est� aqui o cidad�o Patife e ele est� a insultar-me!

Quem � o patife?

Deus! � horrivel! A apar�ncia dele!

- O que � horrivel? - Tu, meu beb�!

Ela empina o nariz porque tu �s negro. Eles s�o racistas.

Racistas! Deviam ir para a guilhotina!

Isso � ridiculo!

Eu gosto de estrangeiros. Podem perguntar,

Que estrangeiro?

Sou franc�s e sou sargento da guarda nacional!

Que bom. Felicito-o, sargento.

Sarracenos, senhor! Est�o c� de novo!

Evita o "senhor", em Paris isso � perigoso.

Engole o teu medo.

Isto � um malentendido, cidad�o.

N�s temos uma grande carga

e desejamos que nos ajudem a levar a bagagem para cima.

- Pago em moedas, � claro. - Agora est�s a falar civilizadamente.

Isso � diferente.

- Quanto? - Acho dois sous um bom pre�o.

- Cinco. - Por isso n�s mesmo a levamos.

N�o, Robert, � pesado demais para n�s.

Mas para n�s n�o �?

Podem agarra na vossa bagagem e enfi�-la pelos vossos rabos!

Profundamente!

- S� simpatico ou chicoteio-te! - Simp�tico para um sarraceno!

Que sarraceno? Achas que estamos nas cruzadas? Pede desculpa!

Ser insultado por um branco cujo nome � Patife, isso � demais!

V�o para o diabo! Para a lanterna com eles!

Pede desculpa ou eu disparo!

Raios, meu rabo, ele acertou-me!

Ele acertou-me!

- Que barulho � este? Marat est� no banho. - O ru�do � causado pelos Malfetes.

Trata disso e calem-se! Eu estou a escrever!

E eu estou ferido!

Boa, o Marat e a Simone est�o zangados.

Vamos parar de perturbar o Marat.

Eu ajudo de vontade com a bagagem mas v�o ser dez sous.

- Dobraste o pre�o! - Vamos mago�-lo.

- Isso � um roubo! - Aceitas ou n�o, gorda.

Gorda...

Est�tua horrivel. � de algum bombeiro?

Que bombeiro? � do Marat a escrever.

Feita pelo Lecoeur, um artista muito apreciado pela Conven��o.

Caluda! Passamos pela do Marat.

Ele zanga-se facilmente por causa da sua doen�a.

- Ele cura-se com um banho de enxofre. - � por isso que cheira a ovo podre.

- Pedimos sil�ncio e fazem barulho! - Desculpem, est� escorregadio.

A caixa de trovador � mesmo pesada.

Quando penso que tocam cravo quando os patriotas sofrem.

� um esc�ndalo.

Sem m�sica e arte o homem volta a ser uma besta.

R�pido, sua bruxa!

Que maldito barulho � esse?

Nada, cidad�o, foi um saco que caiu.

- J� me chega! - N�o voltar� a acontecer.

Partiram o Marat!

Que barulho � este? Algu�m foi preso?

N�o, a tua familia est� aqui. E com ela... problemas.

- Bebida, estou sedento! - Quem � ele?

N�o se partiu.

� o primo Kurt, com quem te correspondes.

Que faz ele aqui? Tu devias esperar na fronteira.

Desculpem, estou ferido.

- Kurt � um nome prusso? - Prusso? N�o � franc�s alsaciano.

� o ramo alsaciano da familia Malfete. A Alsacia � francesa?

- Sim. - Quem me vai pagar os 10 sous?

- O deputado, estamos em casa dele. - E 5 sous para os consertos.

Vou reparar a bela est�tua do Marat que foi partida pelo teu cl�.

A cidad� actriz est� aqui? Ainda bem que ela est� escondida.

- Bela, mas dificil de manter. - Do que est�s a falar?

Sim. Sim. Sil�ncio e fecha a cortina. Relaxa, podes confiar em n�s.

Ent�o, boa noite.

Amanh� quando levar o correio. Bem estar e Irmandade!

- Claro, sen�o a confian�a � quebrada. - As minhas costas est�o arrumadas.

Elas merecem uma recompensa!

Philiberte, o cidad�o Patife. N�o achas que j� o conheces?

N�o, ele nunca esteve aqui.

Isto � pesado.

- O sarraceno caiu! - Philibert?

N�o! J� chega!

- Posso ter sil�ncio durante a noite? - Desculpe, cidad�o, Philibert trope�ou.

N�o admira, a escadaria est� comida pelo caruncho.

- Quem partiu a minha est�tua? - O cidad�o Patife.

Devo mandar prend�-lo?

N�o, deita-a para o lixo, ela parecia um bombeiro.

Ele n�o tem talento, esse idiota do Lecoeur.

- N�o tens nada, meu maricas! - A ferida � profunda?

- A pele mal est� vermelha. - Se fosse contigo logo vias!

Tem uma carra�a. Est� frio!

Entraram no covil do le�o. Foram vistos por vigias. V�o denunci�-los!

Perd�o, senhora.

Ador�vel, a tua amiga.

Onde posso p�r as crian�as a dormir? Elas est�o cansadas.

No meu est�dio ao fundo. Esse quarto est� ocupado.

- E bem ocupado. Quem �? - Uma amiga.

Porque ficaste debaixo do telhado?

Costumavam ser os quartos dos criados aqui.

Aluguei a maior parte do im�vel � Conven��o

� justo partilhar a propriedade que usamos egoistamente por dois s�culos.

� por isso que a arrendaste � Charlotte Robespierre

- e a esse odioso Jacquouillet? - De contr�rio, perdia o meu pal�cio.

Temos que fazer compromissos menores.

E a renda d� jeito.

Aqui est�o. Encontrei duas facas e esta l�mina afiada.

P�e essas armas no lugar. O que � que pretendes?

Invadir a pris�o de Daufin.

- Tu �s louco! - Obrigado, gentil senhora.

- E aqui est� finalmente. - Minha porcelana!

Partiu minha porcelana Sevres! Meu Deus, que cheiro...

Ajuda-me, ajuda-me, ajuda-me! Ele cheira a cad�ver.

Isto era um original! Quem � este imbecil?

Criado no nosso primo austriaco.

- Parece um s�sia do Jacquouillet. - De quem?

N�o sou nenhum s�cia! Sou Jacquouille la Fripouille!

Isto � um pesadelo.

Primo, explica porque mudaste de ideia e vieste para c�?

- N�s fomos presos. - Sim, conhecemo-nos na pris�o.

- Mas que idiota! - Lorenzo Baldini.

Ex-genro do duque de Cheneviette. � um prazer conhec�-lo, conde.

N�o, cidad�o. Cidad�o deputado Malfete. N�o h� condes aqui.

Ora. se n�o queres, agora sou eu o conde!

Sou o novo conde, caro Lorenzo.

Boa noite, cidad�o delegado. Deixo-o a si e � sua familia.

Estou honrada por me teres lido o teu discurso.

- Bem, n�o me diga! - Meu Deus! Ela est� n�a?

Flore.

Apresento-vos. Flore d'Angelus, a estrela do teatro parisiense.

Nada de nomes, s�o embara�osos. Cidad�os, � um prazer conhec�-los

E viva a revolu��o!

- Viva � revolu��o! - Viva � revolu��o e o seu belo rabo!

- N�o podes ir para casa sozinha - Vou dormir com os teus irm�os?

Flore! Eu irei mand�-los embora.

- Flore! Eu adoro-te! - Sim, eu tamb�m, eu tamb�m.

Parem com o barulho! N�o me consigo concentrar na escrita.

- Desculpa, Marat, desculpa. - Bom, sim.

Que rabo. � fabuloso.

- Boa noite, cidad�. - Adeus.

Acho que a conhe�o. N�o � a amante do Collot? Sim.

P�ssima actriz, mas demagoga. E sempre a actuar n�a.

N�o, confundes-te. N�o � ela. - Surpreenderia-me pois Collot � ciumento.

Marat? Com quem falas?

- Para dentro! Ou apanhas pneumonia. - Sim, vou j�, n�o te preocupes.

- Belo rabo! Vou ser um revolucin�rio! - Robert!

- Que foi? Hoje em dia � moda. - Mas tem que ser bem feito.

- N�o tens nada inteligente para dizer? - Ela � uma actriz.

- Isso n�o seria verdade para ti. - Meu busto n�o vale a pena?

Pelo contr�rio, minha querida, teu busto merece liberdade.

Tira-o para fora, tira-o!

- Obrigado. Estragaram a minha noite. - Sil�ncio, Gonzague!

N�o estou orgulhoso de ti. Tu cheiras a covardia.

- Sim, cheira mesmo! - �s espertinho?

Cheira mesmo!

Ele � covarde! Mija nas cal�as! Gonzague � um maricas!

Basta!

Recorda, tu �s um lacaio! Est�o a irritar-me, austriacos!

N�o retiro o que disse. Voc�s s�o uns b�rbaros!

Sou um progressista!

O mundo de hoje � a ci�ncia, uma igualdade entre os homens.

At� entre homens e mulheres! Isso deve agradar-te, Victoria!

At� voc�s, lacaios, tem o direito � igualdade

mesmo que n�o o entendam.

O mundo � feito em Fran�a, n�o na Austria,

em pal�cios que cheiram a mofo.

Arriscamos todos cair perante os teut�nios.

N�o sou covarde, primo. Escolho o revolu��o.

Ela � o futuro. At� mesmo para a familia.

Eu discordo, Gonzague. Na cidade n�o h� futuro.

Quando perdes as terras, perdes a alma.

Faz a tua regi�o prosperar, at� mesmo com mendigos

que te sirvam e te amem. Como o meu Jacquouille.

- Tu adoras-me, seu sacana? - Sim, senhor, �s vezes!

- O qu�? - Sempre, senhor, sempre, senhor!

Gonzague, n�o tem nada que ver com a Austria.

�s tu que �s sinistro.

At� o pai dizia: "este rapaz � sinistro".

Bom, estou cansada, vou para a cama.

Eu fico com o quarto grande. Elise, anda p�r-me na cama.

At� amanh�.

De acordo com eles tu �s um covarde e eu um maricas.

Jacquouille, p�e o meu casaco no corredor.

Temos que descansar antes da luta de amanh�.

E deita-te na cozinha.

Robert, o lacaio do austriaco parece-se bastante com o Ignace,

- que foi despedido pelo teu pai. - � ele.

Marie acha que � um s�sia dele, mas � ele. Ignace Jacques Couille.

Ele voltou para n�s para nos irritar.

- Esse ladr�o do Ignace? - Tenho a certeza.

Quem mais teria uma tal cara!

Espera, vou esclarecer isso.

Primo Kurt, como � que Ignace, nosso antigo criado, est� ao teu servi�o?

- Quem? - O Ignace. Como chegou ele at� ti?

Ele veio da galera.. Eu acolhi-o.

- Por humanidade. - Ele foi directamente para a Austria?

Certo.

- Inacredit�vel. - Eles s�o indestrutiveis.

Eles rastejariam milhas e milhas, apenas para nos enfurecer.

Para nos irritar.

Socorro! Ele tentou matar-me! Ele queria matar-me!

- O que aconteceu? - O patife quis matar a condesa!

N�o fui eu! A culpa n�o foi minha. A condesa estava a roncar!

- Faz a tua cama ali! - Ali n�o, faz frio ali!

- Basta! - Sim, fora!

- Sim, j� chega! - N�o o queremos aqui!

O que est� esse idiota a fazer?

A mijar?

N�o tema, sou o criado do primo Kurt Houb.

Isso n�o � uma retrete. Temos higiene em Paris. N�o se mija na rua.

- Estava com pressa. - N�o te deixaram ir � latrina?

O que � isto? Acabou o serventes e mestres.

Podes denunci�-los hoje mesmo.

Se fosse a ti, confiscava tudo, eu ficava com tudo.

- Isso iria irrit�-los! - Sim, tudo. Iria irrit�-los, Montmirail!

V�s? � um alivio falar livremente.

- O teu rosto faz-me lembrar algu�m. - Talvez nos conhecemos noutro tempo.

- Mas tu eras mais jovem. - Obrigada.

N�o, tu ainda �s bonita.

- Eu montava-te. - Quem quer montar quem?

- No que est�s a pensar, amor? - Ele volta para a cave, esse gnomo.

- Sen�o corto-o todo! - N�o te temo, sarraceno,

- Vou esfolar-te vivo! - Parem, n�o v�o lutar!

- N�s todos somos do povo aqui. - Prune, Marat n�o consegue dormir.

Ele quer um banho quente. Philibert, arranjas �gua quente?

Sim, mas tenho que acender de novo a fogueira. Mas como � para o Marat...

Anda c�! Tu vais ajudar-me, sim?

- N�o sobrou bolo de chocolate? - Uma fatia que deixei para o Philibert

para o pequeno-almo�o. Mas n�o h� problema, vou busc�-la para ti.

- Meu Philibert far� uma dieta. - Que bom. E depressa, ele tem fome.

- Boa noite, cidad�. - Boa noite! Vaca...

Vaca!

Anda c� e faz-me m favor. Leva isto para cima

e p�e-a ao lado da banheira.

O banho est� pronto?

Onde est�s? N�o vou carregar tudo isto sozinho!

Muito bem.

Este idiota entornar� tudo! N�o restar� nada!

� pesado demais, sarraceno.

Que desastrado! Queimou-me a perna! Cretino!

- Vou enlouquecer! - Simone, � um banho de gelo.

Vou gelar!

Est� a ir! Est� a caminho!

Estamos a caminho, c� estamos! Depressa!

Bela �gua!

Est�pido, est� quente demais! Ferveste-me como a um camar�o!

Idiota, devias p�r pouco a pouco! Traz �gua fria!

- Desculpa, Marat, ele � principiante. - N�o h� desculpa.

- E n�o h� gorjeta. - Como de h�bito.

Vais ficar a� parado? Vai ajud�-lo.

Eu vou ajud�-lo.

Simone! Deram-me sab�o em vez de bolo!

Prune! Obrigada pelo bolo sab�o! Vamos recordar-nos dele.

- Bom dia, cidad� Robespierre. - Ol�, Prune. Bom dia, Philibert.

- Uma viagem boa? - Fatigante.

Durante a noite chegou a familia do Malfete.

Fizeram uma grande confus�o.

O lacaio deles magoou as costas do Philibert.

Insisto no pagamento por isso, a medica��o � cara.

Sim.

N�s sobrevivemos � justa, pobre Charlotte.

- Quer ajuda com a mala? - N�o. Cada um carrega o seu fardo.

� o privil�gio de ter uma mala cheia.

Alarme! Ataque de sarracenos!

O que fazes aqui? Sabes que os soldados te procuram?

- Charlotte, tenho medo. - N�o te preocupes. Tomo conta de ti.

- Tens fome, tio Ignace? - Meu est�mago est� vazio.

Segue-me.

Maldi��o! Tudo que resta � este queijo bolorento cheio de larvas.

Isso n�o presta para comer. Espera! Talvez tenha ma��s.

N�o! Ignace, n�o comas isso!

- � delicioso, este queijo! - Tens fome, para comer algo t�o mau.

S�o carnudas, estas larvas!

- Como chegaste at� mim? - Fui ter a Montmirails.

- Aos Malfete? - Ficamos com tudo. Isso vai irrit�-los!

N�o tomes a vingan�a t�o pessoal, a r�publica tomar� conta disso.

J� est� feito.

- Teu sobrinho confiscou o seu castelo. - Confiscou o castelo?

Sim.

Hoje ele pertence ao povo. � teu, � meu, � nosso.

- Viva a Rep�blica! - Hosanna, viva a Rep�blica!

Vamos mudar-te a roupa e vou apresentar-te ao Marat.

Deixar�s a Conven��o orgulhosa antes de poderes dizer "a�".

N�o! N�o quero dizer "a�"! Isso d�i muito.

- O que d�i? Porque n�o dizer "a�"? - N�o quero morrer.

N�o vais morrer. N�o tens que dizer "a�" se n�o quiseres dizer.

- N�o dizer "a�"! - Certo, vamos.

Pronto Aqui tens alguma �gua.

Podes us�-lo.

E um pente para o cabelo. Foi uma prenda do meu irm�o, n�o a estragues.

Vou dar-te o melhor fato do Jacquouillet.

N�o, isso � para a tua cara!

Se tiveres sede tenho sumo de am�ndoa.

Bom sumo!

- Hosanna, doce Charlotte! Hosanna! - O mundo mudou durante o teu cativeiro.

- N�o "Hosana", mas "Hurra"! � mais fixe. - Hurra � mais fixe!

- V�s? J� sabes. Hurra. � mais fixe! - Hurra, � mais fixe!

- Srta. Charlotte? - Sim?

- N�o h� �gua corrente para a banheira? - �gua corrente?

�gua fria. �gua morna. Torneiras. Nem um aquecedor para toalhas.

H� um suporte para o duche. N�o h� l�mpadas.

Escuro. Claro. Raios, n�o h� nada!

Esta casa de banho n�o � moderna, ela est� podre.

Podre? N�o h� mais moderno que isto, � uma c�pia da do Rei de Inglaterra.

�s muito esnobe, para algu�m que saiu dos trabalhos for�ados, N�o abuses.

Se precisares, o ponto de alivio � aqui.

� do mais moderno. Como esta jarra.

- Olha, nunca visto isto antes. - Conhe�o bem isto.

- N�s lavamo-nos nela. - Como? Numa retrete?

M�os e cara.

E depois bebiamos a �gua mas era bastante fria.

Que horror! Eram for�ados a beber �gua de uma retrete! S�o horriveis!

- Pensei a dormir. N�o tens tomates! - Elogios s�o sempre bons a despertar.

Se estiver sozinho a conquista da pris�o do herdeiro pode tornar-se duvidosa.

Por isso vou voltar ao meu castelo para cuidar do meu povo.

- Quando � que vais? - Quando encontrar o mago.

N�o tens nenhum mago?

Porque n�o um cartomante?

Os revolucion�rios n�o gostam de supersti��es.

- Queres acabar na forca? - Acha o mago! Se n�o eu fico c�!

Vai ser um debate vivo hoje, tenho que estar em forma.

Agora tenho que trabalhar.

Ignace, d�-me essa roupa da pris�o, eu lavo-a.

Toma.

Hurra � mais fixe!

N�o � preciso gritar isso, eu sei que tu entendeste.

N�o sabia que tal fedor existia.

� triste fazer pessoas passarem por isto.

Vou p�r os sapatos a arejar. Aqui s� poluiem os teus pulm�es.

- Vigias-me enquanto durmo? - Sim.

Bom. Muito se conta sobre uma velha doida chamada M�e de Deus.

- M�e de Deus? - Sim.

Ela tem grande poder?

Ela � iluminada, tem vis�es do futuro. Dizem que Robespierre a visita.

Leva-me a ela imediatamente!

- N�o sei onde mora, n�o a achamos. - Onde est� o vil�o Jacquouille?

Cidad�o!

- Cidad�o deputado, leve o c�o. - Que diz? N�o tenho nenhum c�o.

Deve ter cagado algures. H� um cheiro mau nas escadas.

- E quem � que ir� limpar? - Quem est� aos berros?

S�o os Malfetes!

- O c�o deles mija em todo lado. - Cheira aqui a burro morto.

Talvez os sapatos do teu lacaio?

Est�o l� em baixo. Anda.

Que puseste no cabelo? Est� todo branco.

Usaste todo o p� talco. Porqu�?

- Ele alivia a comich�o. - Tens piolhos?

Vieram da pris�o. Vamos l� cat�-los.

A irm� do Incorruptivel � perspicaz mas eu cuidarei dela.

Ela gosta um pouco de mim.

Eu volto j�.

- Bem estar e Irmandade! - O que deseja, cidad�o deputado?

Eu conhe�o-te! �s o companheiro de cela do Ignace!

- Como? - N�o te finjas de inocente, deputado.

Conheces bem o meu tio Ignace Jacquoillet.

A sua disputa com o meu pai n�o � culpa minha.

Mas �s respons�vel pelas consequ�ncias.

Isso � discutivel, cidad�.

Porque foi for�ado a dormir nas escadas como um c�o?

Ele quis matar a minha madrasta.

- Apoias o homicidio, cidad�? - N�o. Mas apoio a vingan�a!

Ele procurava um rem�dio para a sua infelicidade!

- Vais process�-lo? - N�o.

Hurra � mais fixe!

- Que orgulhoso, Ignace. Olhem! - Pare�o bem, cidad�o Houb?

Est�s ridiculo, seu monte de lixo!

Ser�s o alvo de riso da aldeia quando n�s regressarmos!

N�o quero regressar para l�, aquilo � podre!

N�o � preciso discutir. Ningu�m voltar� para as galeras.

Podes estar orgulhoso, deputado, eles est�o traumatizados!

Hurra � mais fixe!

Tio, est�s a ficar ridiculo com isso. Podes deixar-nos, cidad�o?

- Porqu�? - Porque n�o precisamos mais de ti!

Enganaram-me bem. O primo austriaco n�o � nenhum primo.

- Ele � um prisioneiro! - Maria Jos�! Prisioneiros?

Como fui ing�nua.

As crian�as viajaram com eles. Eles podiam ter-nos matado!

- Esqueci-me por completo delas. - Conseguia senti-lo na altura.

- Eles pareciam ciganos. - Agora estamos aqui presos!

Parem de discutir! Talvez haja alguma solu��o.

Elise, leva esta carta

� Embaixada da Holanda e das Provincias Unidas

e entrega-a apenas em m�os ao Duque MacManus.

- Em caso de perigo, engole-a. - Engolir?

Sim, � a maneira mais segura de a fazer desaparecer.

- At� mesmo com o selo de cera? - At� mesmo com o selo de cera.

- Esse n�o � o meu fato? - Pois �.

- N�o houve tempo para pedir. - Mas que pena.

- N�o ando s� com uma camisa 14 dias. - Invejoso! Tens muitos fatos!

- Tens meu fato de seda de Floren�a. - Sim, mas encurtei-o com uma espada.

Com uma espada?

Ele arruinou meu fato que custou uma fortuna.

N�o sabia que estava a destruir algo. Visto de novo minhas cal�as.

E assim essas duas almas infelizes esconderam-se comigo.

- � um bom material para um artigo. - Claro. Publico-o de manh�.

Obrigado por avisares sobre essas pobres pessoas.

A rep�blica deve acordar, e dar uma adequada...

uma homenagem vibrante...

a essas pobres almas.

O que acham, cidad�os?

Vamos despoj�-los de tudo! Isso ir� irrit�-los.

Formid�vel. Adicionarei isso ao meu artigo, ser� �ptimo.

Hurra � mais fixe!

- Perd�o? - Hurra � mais fixe!

Est�o traumatizados dos trabalho for�ados nas galeras.

Entendo, exprimem-se um pouco tolo como as crian�as perdidas.

E tu, cidad�o, pareces estranho. N�o te atreves a falar?

Fala, tua opini�o � importante. Estou a escutar.

Cheiras a morte. N�o estar�s c� muito tempo.

N�o h� cura possivel.

Tens fur�nculos a escorrer, vais coaxar em breve.

- O que � que eles dizem? - � melhor n�s irmos.

Vamos, saiam. Marat tem muito trabalho, n�o o podemos incomodar

Mas que disseram? N�o entendi! Estavam a falar de mim?

Porque disseste que ele est� doente?

Porque ele est�.

Certo, mas tal sinceridade apenas te causar� problemas.

Simone! Charlotte trouxe dois malucos!

E a �gua est� gelada!

- Qual � teu nome, prisioneiro? - Godefroy, o Audaz.

Audaz? Como homem audaz?

Essa � boa.

Conheces a resid�ncia da M�e de Deus?

- M�e de Deus? Quem � essa? - Uma velhota que v� o futuro.

- Quem te contou sobre ela? - Onde fica a sua resid�ncia?

N�o sei nada nem quero saber.

� o Collot que a conhece e ele calunia o Maximilien,

que a visitou. Essa mulher diz que Robespierre � o novo Messias.

Como se o Incorruptivel se entregasse � magia negra.

- Quem � esse Collet? - � Collot.

Um homem ambicioso que espalha rumores. Maximilien n�o o v�.

At� o convidou para jantar.

- Boa comida, senhor. - Vamos falar com esse Collot.

Leite! Fresco, morno! Directo da teta da vaca!

Vamos, ainda est� morno! Das tetas! Leite das tetas!

Vamos, leva isto!

Leva-o tu, cidad�o Kurt! Aqui, todos s�o iguais.

- Bato-te igualmente! - N�o o far�s!

Parem de discutir. Cidad�o Audaz, �s mais forte, tu levas a carga.

S� am�vel. Vamos. E com um sorriso.

Cidad�o Kurt, com um sorriso! Com um sorriso, cidad�o Kurt.

Toma.

Senhora, seria bom saber se o duque tem dinheiro.

Robert, ele tem 500000 libras anualmente.

- Deus, � ele! Abre, Victoria! - N�o quero participar nisto.

- O qu�? - Tu mal ainda ficaste vi�va!

- Perd�o, estou chocada. - Todas estas circunst�ncias.

Duque.

Entre, duque. Est�vamos � sua espera.

Condesa, estou muito feliz por a voltar a ver de novo.

Posso sentar-me? Meu cora��o saltou para a minha garganta.

Como est�o no meio dos motins?

Sobrevivemos, senhor. Mas temo que isso deixe rugas.

- As afli��es deixaram seu rosto intocado. - O dele foi tocado. Parece um peixe-gato.

- Obrigada, amigo, est�s a mentir bem. - N�s observamos da embaixada

o terror que caiu na Fran�a. Robespierre quer sangue.

N�o temos nada, nem castelo nem pal�cio na cidade,

tomaram tudo, n�o temos para onde ir. Querem destruir e executar-nos.

Senhora, n�o fale sobre tal infortunio!

Perdoe meu momento de fraqueza mas infelizmente, essa � a situa��o.

- Sou um seu humilde servo. - Est� a morder o isco, o peixe-gato.

Pe�a-me! Tentarei amenizar a sua tristeza.

Ainda tem aquela resid�ncia em Vechta?

Eu ampliei-a bastante. Adicionei vinte quartos.

Sonhei em v�-la! � disso que n�s precisamos.

Podiamos visit�-la antes das nuvens revolucion�rias se dissiparem?

Senhora, isso seria grande honra.

Senhora, teve tempo de ler as minhas cartas?

- Henri, estou de luto. - Sou um tolo!

Est� combinado ent�o? Estou feliz. Ir�s dar-nos as boas vindas em breve.

Desculpe, quando diz "n�s" a quem se refere?

A todos n�s. N�o vou sem meus enteados, minha leitora e a cozinheira.

Obrigada, senhora. Obrigada, senhor, � muito gentil.

- Lembra-se do seu amigo Lorenzo. - � claro, marqu�s.

Lorenzo Baldini, marqu�s de Portofino. Ex-genro do duque de Cheneviette.

- Prazer em conhec�-lo. Uma honra. - A honra � minha, marqu�s.

Devem tomar-me por parvo.

Condesa, n�o seria mais sensivel se fossemos apenas n�s dois,

para preparar minha m�e e irm� para vos dar as boas vindas?

M� ideia, ou todos ou ningu�m.

Est� bem, eu aceito.

- Mas ser� uma grande surpresa para elas. - Nem por isso.

Talvez s� um pouco.

Estarei aqui �s seis da manh� com a carruagem diplom�tica.

Uma grande, Henri, temos muita bagagem.

N�o vamos s� por uma semana.

- Meu nome � Hendrick, querida. - A s�rio? O que � que eu disse?

- Henri. - E? Henri � a tradu��o de Hendrick

em franc�s. - N�o.

Mas para n�s � mais simples. Paramos com isto.

Ent�o Henri ser�.

Muito bem.

Vou embora.

At� amanh�, duque. J� sinto a sua falta.

Tamb�m eu, senhora.

Cidad�o Acusador, � um prazer v�-lo. Que terror, os Malfetes chegaram.

- Eles vivem no n�mero dez. - E acima de tudo, s�o racistas.

Vieram esconder-se com o deputado? S�o mais est�pidos do que pensei.

Pessoas suspeitas movem-se por aqui e caras estranha....

Trouxeram um cimbalo. � um instrumento aristocr�tico, certo?

Um cimbalo? Isso ir� custar-lhes caro.

O mais perigoso de todos � um alsaciano grande chamado Kurt.

Ele tem um patife com ele que me empurrou pelas escadas.

- Magoaste-te? - As minhas costas.

Escrevam uma queixa e entregam-ma.

Aparentemente o Incorruptivel vem jantar com a irm� esta noite.

Com a irm� � comigo tamb�m. Sou eu que pago a renda.

Sim, mas o nome Robespierre � mais famoso que o seu, certo?

- Certamente. - Sim.

Espere, temos uma coisa para dar.

O qu�?

Gostamos tanto do Incorruptivel que Philibert lhe fez uma refei��o especial.

O que �?

- Salsicha. - � completamente negra.

- Salsicha � preta e branca. - � claro.

- Fa�o-a tal como a Mama Renee. - A m�e dele.

N�o poupei no piment�o, mesmo sendo ele t�o caro.

Se fossemos saudamos pelo Incorruptivel, os amigos n�o cr�em que o conhecemos.

Irei perguntar-lhe mas n�o prometo nada.

Lolotte? Lolotte!

- Lolotte, sou eu. - Sim!

Tenho boas noticias. O tio Ignace est� c� com o seu companheiro.

- O que fazem eles aqui? - � a tua familia.

Eles s�o procurados. N�s damos-lhes abrigo, excelente!

- Vamos. - Lolotte.

� tua sa�de, meu pequeno, pequeno bastardo!

� tua sa�de!

Viste como eles olharam? Parecem mercen�rios.

E o outro roubou a minha roupa.

- N�o, fui eu que lha dei. - Mas vamos jantar com o teu irm�o.

N�o vejo o problema. Eles sofreram sob o jugo da tirania.

� algo que o Maxmilien ir� apreciar.

Contarei sua hist�ria esta noite. Amanh� tudo estar� perdoado.

Eles ser�o her�is da Rep�blica. E tu tamb�m.

Espero que sim.

Toma. � da Prune e do marido, para o teu irm�o, uma salsicha.

Sim, anda dar um beijo ao teu tio, ele est� � espera dele.

Ent�o que espere.

Vamos!

Vamos!

- N�o sejas timido e beija-o! - Achas que � f�cil?

- Seu h�lito � sufocante. - Basta, Antoine Claude!

- Bastardo. - Finalmente.

- Satisfeita? - Sim.

Adoro a familia. Mostrar afei��o � uma coisa boa.

- Que � isso na tua cara? - O que h�?

� um piolho.

- N�o lhe toques. - D� comich�o!

- N�o lhe toques. - D� comich�o!

Esse saco de lixo pegou-me isto! Arde! Arde!

Era isso que eu temia, ele apanhou piolhos nas galeras.

E eu tive que o beijar?

�gua, depressa!

N�o, Jacouillet, isso � para a sopa de legumes!

- Pele inflamada. Isso � o que, senhor? - � o inicio da morte.

Temos que achar a M�e de Deus.

Lolotte, esse tipo n�o pode ser meu tio. N�o somos nada parecidos!

15 anos de trabalhos for�ados. Tamb�m tu ficarias terrivel.

A familia nunca foi assim t�o horrivel!

O Robespierre! Anda depressa, meu beb�!

Est�o aqui todos! Couthon, homem de grande Terror.

Saint Just, arcanjo da Revolu��o.

Billaud Varenne.

Fouche, o executor de Lyon.

- Este jantar � uma honra para a casa. -Viva a Comiss�o de Sa�de P�blica!

- Ol�. - Vai funcionar, vai funcionar!

- Sa�de e Fraternidade, cidad�os. - Sa�de e Fraternidade, cidad�.

Deixem-me apresentar o Ignace, tio do Antoine Claude.

Ele passou 15 anos em trabalhos for�ados

- com o cidad�o Audaz. - Definitivamente.

- Sa�de e Fraternidade, cidad�o Audaz. - Sou Jacquouille.

- O que disse? Jacques Couille? - Sim. Esqueceu o "T" no final,

que Claude Antoine inteligentemente adicionou.

Sa�de e Fraternidade.

Se n�o soubesse que era teu tio, teria-o adivinhado.

Porqu�? N�o somos nada parecidos.

- � teu retrato vivo, principalmente os olhos. - E a testa. A tua testa baixa.

- H� parecen�a familiar, sem d�vida. - Question�vel! Isso � question�vel!

- Porque gritam eles? - Gritam assim na pris�o.

Venham brindar!

N�o te ajudarei.

Um brinde a Robespierre e � Revolu��o.

Viva a revolu��o! Viva o Robespierre!

� timido, cidad�o Audaz. N�o gosta de brindar � revolu��o?

- � sa�de de Robespierre. - Mesmo a tempo.

Ao Bespierre, cidad�os! Hurra � mais fixe!

Basta! Foi bom, n�o foi?

Marat sugeriu apresentar esses dois m�rtires � Conven��o.

Isso � complicado.

N�o, os representantes do povo v�o ficar emocionados.

Mas h� um problema. Collot, que ir� presidir amanh�

chamar� cidad�o Couille (Colh�o)?

- N�o vamos gozar. - Sou Jacquouille la Fripouille!

- N�s ouvimos. P�ra de gritar. - N�s apostamos na verdade.

N�o � isso. Os deputados v�o lembrar-se Couille...

- E v�o rir-se. - N�o te podemos chamar Couille.

Lamento, cidad�o.

- Como te queres chamar? - Sou Jacquouille!

Ele � teimoso. N�s mesmo vamos inventar um.

Bourse? Cidad�o Bourse?

- Couillu? O que acham? - Sil�ncio. Sei o nome que ele deve ter.

- Ele deve ser chamado Jacquard. - Ignace Jacquard. Esse n�o � mau.

Sim, Jacquard, que � o meu pequeno, pequeno bastardo.

- N�o gosto. Jacquard... - Placard.

Mas � mais elegante que Jacquouillet. Devias mud�-lo.

- Jacquouillet � bom. - Exacto.

- E a carne? - Est� feita! Vai a caminho.

Segura nisto.

Obrigado!

Maxmilien, finalmente!

Sa�de e Fraternidade.

Sa�de e Fraternidade., Maxmiliene. Estamos felizes por te ver.

- Sa�de e Fraternidade. - Sa�de e Fraternidade.

Seguimos o teu conselho e come�amos a comer.

Fizeram bem. Esta noite n�o quero formalidades.

Somos uma familia e permanecemos assim.

E quem s�o esses dois?

Ignace, o tio de Jacquouillet,

e o cidad�o Audaz, injustamentes enviados para trabalhos for�ados.

- A sopa est� fabulosa! - Irei apresentar-te a eles.

- Sa�de e Fraternidade., Bespierre! - Robespierre!

- Sa�de e Fraternidade. - � tua, Robespierre, grande chefe!

Perd�o? N�o sou grande chefe de ningu�m.

- O que se parece contigo � teu tio? - Sim, mas muito afastado.

- � o irm�o do teu pai! - Exacto, n�o � o meu pai.

Por isso � bastante afastado.

Est�o ao corrente sdo motim na pris�o de Issoudun?

- Issoudun n�o � a tua regi�o? - Sim, �.

Mas quando aconteceu confisquei o castelo Montmirail

- da familia do Malfete. - Vamos tirar tudo...

- Isso irritar� os aristocratas. - Foi isso que aconteceu.

- Mas que pena! - Foi necess�rio confiscar o castelo,

- quando a rebeli�o come�ou? - Sim, para os soldados terem abrigo

- para irem para a fronteira! - Uma bela tradi��o, soldados no castelo.

Eu aprovo.

Voltamos a assuntos importantes. Quantos nobres se evadiram?

- S� um punhado, um punhado. - Contaram-me que quarenta e cinco.

Sim, quarenta e cinco, � esse o n�mero correcto, est� certo.

N�o o quero incomodar com n�meros precisos.

N�o contei com mulheres nem com os velhotes.

Porqu�?

- Porqu� t�o tolerante? - N�o sei. Na verdade sei.

Pareceram-me ser inofensivos.

N�o importa que sejam mulheres ou velhotes, eles s�o simbolos.

- Claro. - Ningu�m assume o papel

- da Republica levemente. - Palavras de ouro, Maximilien.

Disseram que 16 foram capturados, executados, mas os dois lideres fugiram.

Como vai essa investiga��o?

Bom, isso... honestamente, apanhaste-me de surpresa.

Tens a descri��o dos dois lideres?

O qu�? Eu? N�o, n�o � precisa. � bastante vaga.

Os dois gaurdas ainda n�o recuperaram seus sentidos.

Tenho uma carta do inspector Verdier e ela � precisa.

Ele afirma que os dois lideres s�o estrangeiros.

Um espanhol e um ingl�s. Um gigante e um pequeno fedorento.

- Estrangeiros, ainda melhor. - Porqu� melhor?

Melhor que sejam estrangeiros. � triste se s�o franceses a trair-nos.

Duzentos dos meus homens est�o na regi�o, eles n�o v�o escapar.

Ent�o o que fazes aqui?

Est� a degustar comida e vinho ao inv�s de estar a investigar?

Mas acabei de regressar.

Aviso-te, tens 48 horas par os prender e para os executar.

Nem um minuto a mais.

- Transpiras. Est�s febril? - N�o me sinto muito bem.

Acho que apanhei uma gripe no caminho.

- Onde est� a col�nia? - Na casa-de-banho.

Casa-de-banho.

Desculpem.

Est�s a for�ar-me a jogar. Temos os dois lideres na mesa.

Acalma-te. Anda comer, e p�e a tua cara corajosa.

Este jantar deve terminar sem nenhuns problemas.

Honestamente, tenho medo. Por isso nada de truques sujos.

- R�pido! - Sim.

Bravo, bastardo, �s um her�i, confiscaste o castelo.

- Tudo � nosso agora. - Pertence � Rep�blica, compreendes?

Temos que ficar com ele. Para a familia. Ficaremos orgulhosos de ti.

Cala-te, sen�o n�o teremos nada. Incluindo as nossas cabe�as.

Cretino.

- Vens a�, Jacouillet. - Est�s melhor?

Sim.

- Maxmilien, branco ou tinto? - Leite.

- Um copo de leite? - Sim.

- N�s temos leite? - N�o.

- N�o h� leite? - Meio copo.

Ningu�m aqui bebe leite.

N�o h� leite! Isto � loucura! N�o h� leite para o Robespierre.

Isto � um esquema! Como pode uma casa n�o ter leite?

- Vai � rua, poder� haver uma vaca! - Sim! Vou para a rua � noite,

para procurar uma vaca! Absurdo! Que esc�ndalo, n�o h� leite!

Encontrarei algum leite. Acreditem em mim!

- N�o. - N�o h� leite!

- Tio, porque tens a farda da pris�o? - Para estar mais confort�vel.

Fica-lhe melhor. � mais camponesa.

Da pr�xima vez ter�s mais tempo. Danton exagerou hoje.

O corno e seu bastardo!

- Sem tempo para um discurso. - Sim.

Onde vais, acusador? Pareces confuso.

Procurar leite!

- Prune! Preciso de leite! - N�o tenho, fiz uma sobremesa.

N�o h� leite nesta barraca?

- Vai buscar algum! - Onde posso achar leite?

Bom? A vaca esteve aqui esta manh�. E agora est� a dormir!

- Vaca agora dorme! Dorme! - Sim.

E porque est� a vaca a dormir? Eu n�o acredito!

- Deputado, quer alguma coisa? - Desejar boa noite ao teu irm�o.

- Bom apetite. - Obrigado, boa noite.

- J� jantaste, Malfete? - N�o. Ainda n�o.

Mais alguma coisa, deputado? N�o? Ent�o podes subir.

Tem uma boa noite.

Atrasei-me, li o meu �ltimo poema no clube Jacobins.

- Dediquei-o a ti. Queres ouvir? - � comprido?

Dez estrofes.

- L� a primeira para termos ideia. - � �rvore da Liberdade.

Adorada �rvore, s� o simbolo das nossas esperan�as e desejos.

Floresces de tempos a tempos, cobres as vidas com a tua coroa...

Lamento, Collot, Maxmilien comeu todas as salsichas.

- N�o consigo parar de com�-las. - N�o digero bem o piment�o.

Estava picante o suficiente.

Ningu�m tem leite? Em toda Paris, n�o h� leite!

Robespierre quer algum leite, vou levar-lhe um pouco.

- Eles beberam tudo. - Comprei um jarro grande esta manh�.

Ap�s o duque sair fizemos um grande chocolate.

O duque quer que a senhora v� conhecer toda Utrecht.

Est�s a ir longe demais.

- Esse � o meu champanhe? - Posso beber uma pinga.

O Incorruptible est� l� h� 10 minutos. Come�a a ser preocupante.

O salsicha.

- � a ti que chamam Collot? - Sim, porqu�?

Isto � terrivel. A salsicha n�o me caiu bem.

Sinto muito, Maximilien.

S� cheira a tabaco! Isto est� irrespir�vel!

Se n�o fosse pela minha irm� diria que eles me queriam envenenar.

Claro. Feito.

Charlotte, conta a Maxmilien teu plano de apresentar os prisioneiros � Conven��o.

Sim. Marat teve a ideia de apresentar o tio como uma vitima da monarquia

- Fouche pensa que � uma boa ideia. - N�o penso nada. N�o tenho opini�o.

- Acham que eles sabem expressar-se? - Pergunta-lhes.

N�o temem subir � tribuna, cidad�os?

- O p�blico n�o ser� f�cil. - N�o conhe�o o medo, grande chefe.

Podemos explicar e dar-lhes algumas bofetadas.

E chutar-lhes nos tomates tal como ao tipo da limousina.

E ent�o numa bela manh�...

Vamos esticar a perna! Que nos enforquem!

Hurra � mais fixe!

Charlotte, podes deixar-nos discutir uma coisa?

Venham comigo, cidad�os. Vou servir-vos a sobremesa.

Sobremesa, isso � bom!

Hurra ao Bespierre!

Voc�s s�o irrespons�veis. N�o entendo uma palavra do que dizem.

Quando n�o entendemos palavras isso nem s�o pensamentos.

Comam isto enquanto eles discutem sobre voc�s.

S�o analfabetas.

N�o gosto da demagogia!

A Conven��o iria reprovar-te se usasses duas pessoas loucas.

�s mesmo conciso.

Robespierre � perigoso como uma serpente.

Ele ir� revelar-nos e mandar-nos decapitar.

N�o podemos partir. Amanh� ir�o aplaudir-nos!

Vais obedecer ou destripo-te.

Somos pessoas de raz�o e virtude.

Recuso-me a elicitar simpatia usando aquelas pobres almas.

Manda-os para o campo, Charlotte.

Inacredit�vel! Bati a d�zias de portas. Nada de leite.

Temos que esperar at� amanh� porque a vaca est� a dormir agora!

Esquece o leite. Tenho ca�mbras, vou para casa.

Eu tamb�m.

- Devo acompanhar-te, Saint Just? - N�o, n�o � preciso. Barnabe!

- Para casa, estou exausto. - Para a M�e de Deus ou morres!

En sil�ncio ou destripo-te!

- Nunca mais te dou nenhuma prenda. - Porqu� disses isso?

Achei o pente de tartaruga que te dei a flutuar na latrina. Desgastado.

Vi Ignace e seus c�mplices a desaparecerem na esquina da rua.

Sabes para onde eles foram?

Eram supostos de esperarem na cozinha, mas fugiram.

Bravo! Tenho 48 horas para os deter. Devias ter mantido uma guarda melhor.

- Queres minha morte, maluca? - Que tipo de tom � esse?

Esqueci-me da minha pasta, o meu discurso est� dentro dela.

- Voc�s dois est�o bem? - Sim, � claro.

- Pensei ter ouvido uma discuss�o. - N�o, nada disso.

Charlotte, n�o te preocupes com as politicas, ser� melhor

- Exacto, s�o coisas de homens. - Eu n�o disse isso, Jaquoillet!

Uma mulher � igual a um homem e tem que tomar parte em toda vida.

N�o sejas mau com a minha irm�.

Desculpa. Com esta correria, pare�o uma galinha sem cabe�a.

- N�o percas a cabe�a no futuro. - O qu�?

A minha cabe�a? Sim, � claro.

Conseguiste! O tio e seu amigo v�o ser executados na guilhotina.

De manh�, irei dar as suas descri��es � guarda nacional.

Robespierre vem a�.

O que achou da minha salsicha?

- Era vil! Comi uma ratazana! - Mas que pretensioso.

Para o fundo do po�o, Collot!

- Vem da parte de quem? - De Collot.

A M�e de Deus escuta-vos.

- M�e, imploro-te... - Cala-te!

Sinto que h� a� pessoas que vieram de uma grande dist�ncia

Do abismo.

Tu, grandalh�o, aproxima-te.

Est�s rodeado por uma roda maligna assim como o teu amigo.

De onde � que vieram?

De tempos precendetes onde Deus reinava como mestre.

Se permanecerem aqui ir�o sofrer at� morrerem.

Tu �s Godefroy, o Audaz.

Grande guerreiro de Louis, o Capetiano gordo.

Ele pede a tua ajuda! Escuta-me, � Audaz, sou Nora,

a filha de Eusebius. Louis VI est� em guerra

contra o imperador alem�o.

Montmirail, se n�o estiveres ao meu lado na altura das geadas

tuas terras ser�o confiscadas e dadas a Raoul, o Zarolho.

Gordo! � o rei, senhor. Isto � magia! Isto � magia!

- Como � que regresso? - Vai a Issoudun, � pra�a de ervas!

H� l� uma loja, a do cidad�o Eusebe.

Ele � meu descendente, Audaz, ele preparar� a po��o m�gica.

R�pido, teu corpo est� a mudar e a apodrecer,

assim como o corpo do teu parceiro.

Fica aqui, vou buscar armas e comida para a jornada.

- Voltamos para a era dos carros? - Confia em mim, patife.

- Mas a era dos carros � a melhor. - � a tua opini�o. Vai ver os cavalos.

- N�o � a minha opini�o, � verdade. - Claro, cidad�o Jacquouille.

N�o te mexas! N�o te vou deixar roubar.

- Foste picado por uma abelha? - Robespierre cortar� a tua cabe�a.

O dia est� pr�ximo. Por isso escuta, sobrinho, porque conhe�o teu futuro.

- Falaram de mim ao jantar? - Robespierre n�o gosta de ti.

Humilharam-te quando te recusaram � sua mesa.

Isso � verdade.

Um Montmirail nunca � recusado a um jantar. Por isso escuta.

Teu tempo est� pr�ximo. Casa com aquela beleza e cria um sucessor.

Mesmo que n�o escapes ao castigo capital, a tua crian�a sobreviver�

- e nosso nome permanecer�. - "Nosso" nome?

Que nome?

Sou Godefroy, o Audaz, primeiro conde de Montmirail, pela Gra�a de Louis VI.

�s meu descendente e estou comovido por nos conhecermos.

Ouve meu conselho, d� � tua bela uma crian�a. Eu volto para casa.

Alto! A carruagem do deputado!

- Deixem-na passar! - Cabe�as de carneiros!

N�o � verdade! N�o pode ser!

Em nome da Rep�blica! Revistem tudo!

Algu�m avisou-os! Podem esperar pelos Malfete.

Alto!

- Pape�s. - Permissos.

Embaixador das Provincias Unidas da Hollanda.

Sr. Cidad�o, estamos na pra�a das ervas!

Anda!

Senhor, seu nariz est� vermelho e a balan�ar.

- E est� enrugado como uma velha. - E tu tens o pesco�o de um boi.

- Por isso temos que partir j�. - N�o vou, n�o confio em ti.

- N�o confias em qu�? Diz-me. - Receio engolir essa po��o de novo.

Seu, imbecil! Olha para o teu estado reles!

Vamos morrer em dores horriveis.

Isto � horrivel! Sufoco! Leva-me contigo.

Dez gotas ap�s a refei��o.

Ap�s tr�s dias a dor de garganta desaparece.

Dissolve-o em �gua.

N�o em vinho.

Socorro! Est� tudo inchado. Vou morrer!

Perd�o, esses cidad�os precisam de mim. Poder�s pagar mais tarde.

Guardas!

- N�o os esperava t�o cedo. - A po��o!

Vejo que � urgente. Por aqui.

Guardas, a mim! R�pido! Achei os refugiados! R�pido!

Po��o!

R�pido! R�pido! Estou a sufocar. Estou a sufocar!

Pare�o um sapo!

A bebida est� pronta, s� falta o veneno de vibora.

Cala-te! � urgente! Vou coaxar! Depressa!

Mal posso esperar para voltar ao meu tempo.

Se acabar a po��o v�o partir. Essa � a minha miss�o.

Senhor, voltamos � era dos carros?

- Se n�o, prefiro morrer aqui. - Definitivamente. Acredita em mim.

- Jura, cavaleiro Godefroy. Jura! - Eu juro.

R�pido, m�gico. Vem a� soldados.

R�pido!

Disparar!

Bebe! Bebe!

Para cima!

Senhor, finalmente consigo respirar novamente!

Sim! Estamos na nossa regi�o, Jacquouille.

Conseguimos! Tens de novo um corpo forte!

- Corpo? - Estamos na era dos cavaleiros, cretino!

Quase que escutava tuas lam�rias! A guarda do castelo espera-nos.

Isto � uma grande mentira! Tu juraste e mentiste!

- Est�s condenado ao Inferno! - Jurar a um criado, isso � errado.

Afinal tu n�o �s um nobre! Vamos a andar, seu patife!

�s uma grande vergonha!

�s uma grande vergonha!

Cidad�os!

Cidad�os, onde est�o?

- �s lento, patife. - Esquece-me, sacana!

Meus guardas do castelo! A que vassalo pertence a bandeira?

- Louis confiscou o castelo! - Bem feito! �ptimo castigo!

Carros! Carros!

Carros! Carros!

Isto � mesmo �ptimo! O m�gico fez mesmo asneira!

Voltamos � era dos carros! Vamos dan�ar!

Sil�ncio! S�o soldados inimigos! Falam alem�o! Conquistaram a torre!

Alem�es? O meu bastardo foi aprisionado por alem�es!

Jacquard foi preso por alem�es!

Est�o aqui! Preferi seguir-vos.

Seu impotente! Traiste-nos! Voltamos � era dos carros! Raios!

- Vamos procurar a sra. Ginette. - Encontraremos abrigo na masmorra

Desculpe, coronel, o que se passa? Seus soldados mudam o meu quarto.

Desculpe, "Herr" Jacquard. Rommel est� a caminho da Tunisia

para inspecionar a Parede Atl�ntica. Ser� uma honra ele parar aqui.

Claro, �ptimo, mas eu tenho que viver com os servos nos est�bulos.

- Edmuntte... - Edmond, por favor, sim?

- Precisa de um castelo completo? - Para o general e companhia. Desculpa.

Coronel Wurz, sou seguidor da Europa que est� a construir com o Petain,

e confiscou meu castelo como se eu fosse um inimigo.

Aprenda a separar o joio do trigo.

Sabemos absolutamente como separar os tristes do io-io.

N�o, � trigo, n�o tristes. E joio.

Nada.

- EE-Edmuntt... - EE-Edmond.

Podes dizer ao teu filho Jacques Henri

para parar com a m�sica americana? N�s gostamos de m�sica cl�ssica.

Mozart, Bach, Beethoven.

- Temos muita boa m�sica alem�. - Sim, senhor, eu volto j�.

Esse palha�o est� a come�ar a enervar-me!

Jacques Henri!

Basta deste gramafone! Isto irrita o coronel Wurz!

Queres que nos fuzilem por causa da tua m�sica?

Pai, � jazz!

N�o podemos dan�ar?

Colaborador.

- O que disseste? - Nada... trabalhador.

Prefiro assim.

Ler!

Reconquistarei o meu castelo!

Minha armadura!

Ol�?

- Jacquouille, traz uma arma e anda! - Claro, n�o h� nada mais simples.

Raios! Perd�o! Perd�o!

O que se passa aqui? Alto! Alto!

Perd�o, senhor, caiu! Aquilo caiu!

N�o te mexas!

- Sai! - Sou inocente. Certamente, senhor.

Seu sapo, o feiticeiro foi preso por tua culpa. Estamos feitos, presos no Tempo.

- Pelo menos n�o h� mais daquela po��o! - Tem respeito, bastardo!

- N�o, n�o bata! - Fora!

Parem ou eu disparo!

- Sa�de e Fraternidade, cidad�os! - M�os para cima!

Capit�o Fran�ois! Estes estavam a espiar-nos.

- Quer que os mate? - O que faziam ali?

� o Gonzague, senhor. � Gonzague, o Covarde!

N�o � o covarde. � o filho dele. Malfete teve descendentes.

- Vem aos meus bra�os! - N�o se mexam!

Conhe�o-te. �s um Montmirail. Tu est�s a continuar a linhagem.

- Conhece os Montmirails? - N�o me pare�o com o primeiro conde?

E esta insignia n�o � a nossa?

Estranho, pareces o da pintura.

- Terrivel. Onde arranjaste isso? - Do castelo.

Escapamos pela chamin� antes dos alem�es chegarem.

Sim, os alem�es!

- Conhece a entrada para o subterraneo? - Claro, fui eu que o mandei fazer.

- S�o doidos, capit�o. Mato-os? - Certamente que n�o.

Procuravamos essa passagem secreta h� tr�s semanas.

- Vamos, os Krauts acharam-nos! - Levem-nos!

Quem s�o eles? O grandalh�o parece-se com o meu ancestral.

Falasse de ciganos que tentam unir-se � resist�ncia.

Se s�o ciganos, n�o s�o discretos. N�o chegam a lado nenhum nessas roupas.

Vamos descobrir quem eles s�o. Interrogamo-los sem miseric�rdia.

Mas assegura-te que ele nos possa levar at� ao subterr�neo.

- Agora n�o, capit�o. - Nunca � "agora".

� uma alegria voltar a um carro. Este tem um bom som. � moderno.

Fez revis�o na Renault. Trabalha como um rel�gio.

- Toma, homem, um bom cigarro. - Mercado negro? N�o posso recusar.

N�o viu um h� dois anos.

Cigarro, posso ter um? Okay?

- P�ra de gritar. Est�s doido? - Imbecil.

Okay, � doido! Okay!

- Okay � doido! - Calado a� atr�s!

Okay!

LEGENDAS BY DRAKKEN

P�ra de te apertar contra mim, Henri, estou a sufocar.

- Est�s bem, querida? - N�o.

N�o h� espa�o suficiente na sua carruagem.

Queres que eu suba at� ao motorista, minha cara?

Isso seria fant�stico, duque.

N�o que te esteja a dar ordens.

Deus! Este tempo � terrivel!

Ele estava a apertar-se contra mim, esse gordo.

Insuport�vel.

Vamos!

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