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1789 DC
Ela está pronta.
Tornou-se mais poderosa ao provar o teu sangue sagrado.
Gota a gota.
Gole a gole.
Ano após ano.
Durante 175 ciclos do sol.
Ela não vai arder.
E tu voltarás a caminhar sobre a Terra.
O que fazemos agora?
Isto não teria acontecido, Richter Belmont,
se não lhes tivesses dito aonde íamos.
Era fácil prever que vínhamos para Paris.
Pensávamos que a Drolta estava morta, que tu a tinhas matado.
Há que preparar a cidade para o horror que se avizinha.
Podíamos falar com a Convenção Nacional ou a Comuna Revolucionária de Paris.
Eu trato disso.
Procurem ninhos de vampiros.
Quando a Erzsebet atacar, não queremos que se abram frentes dentro da cidade.
Se encontrarem ninhos, destruam-nos.
Porque não vamos contigo?
Já te disse o que têm de fazer.
Tenho de repetir?
Ele está zangado com ele próprio. Não é contigo.
Os teus antepassados continuam a gritar?
Não.
Estão aqui,
mas estão silenciosos.
Ainda bem que os meus antepassados não tentam falar comigo.
Se forem como o Juste, são insuportáveis.
Sei que sou um Belmont e o que isso significa desde…
… desde que aprendi a falar.
Combater o mal, servir algum tipo de bem maior.
Mas depois vi o Olrox a matar a minha mãe
e compreendi a dura realidade.
A minha mãe morreu completamente em vão.
Na verdade, ela morreu porque tentei ajudá-la.
Ela teve de me proteger e foi por isso que morreu.
Toda a minha vida, desde então, disse a mim mesmo que foi para eu viver.
Como se eu fosse o bem maior.
Que idiota.
A minha mãe também morreu a proteger-me.
Isso não significa que a culpa foi minha.
Richter.
Vampiros.
Não!
Sei quem tu és.
Velho Coiote.
Mefistófeles, ou outro nome qualquer.
Conheço as tuas promessas e sei como são tentadoras.
E dar-me-ia jeito ter um patrono poderoso.
Mas isto não pertence a este mundo.
E tu também não.
Estás a tentar conjurar alguma coisa?
Ou estás só a olhar para o abismo?
Sei que achas que fiz algo terrível ao matar o meu próprio pai.
És uma feiticeira muito poderosa, Maria.
Sobretudo sendo tão jovem.
Mas a tua magia tem uma origem antiga
que talvez não compreendas totalmente.
Porque tu sabes tudo sobre fogo e gelo.
Ele merecia morrer.
Maria, tem cuidado.
Sabe bem ter tanto poder.
Controlar forças tão poderosas.
Ter poder sobre a vida e a morte.
Não devia saber bem, Maria.
O mundo pode ser um sítio sombrio, cheio de horror.
Mas se te renderes às trevas,
de que serve viver?
Nenhum de nós conta muito.
Todos nós acabaremos por ser esquecidos.
Mas estarmos aqui tem algo de milagroso.
Para ver este mundo.
Respirar o seu ar.
Sentir o cheiro da floresta à noite.
Sentir o sol na nossa pele.
Se ainda conseguirmos fazer isso…
… há uma razão para viver.
E talvez haja ainda mais razão para viver para sempre.
Ele tem razão. Isto foi diferente.
Matar o meu pai.
Foi um assassínio.
Nunca voltarei a ser quem era.
Mas posso ficar contigo para sempre.
Afasta-te dela, Tera.
A vida é minha. Eu escolho o que faço com ela.
Para, Maria!
Manda-o para trás.
Querida, manda-o para trás.
Eu não quero isto.
E também não é o que tu queres.
Amo-te, Maria.
Do fundo do coração.
Só quero estar perto de ti.
Mas, para te reencontrares,
não poderá ser comigo.
Aonde vais?
Adeus, minha querida.
Também tenho de me reencontrar.
Cuida dela.
Mãe.
Mãe!
Por favor, não me abandones!
Por favor!
Por favor, não me abandones!
Quero lá saber se choram pelo merdoso do mestre da forja.
A Drolta está quase a chegar e há de lidar com eles.
Este palácio aborrece-me.
Desejo ser venerada.
Mas não aqui.
Que raio de sítio é este?
Pode ser uma armadilha.
Nunca estive num sítio tão assustador.
Tens medo?
Tu tens?
Não tens de te preocupar. Eu protejo-te.
Está a haver uma guerra.
E se deixássemos outras pessoas tratarem disso por agora?
Não. Há uma guerra.
Temos de combater nela.
… nem está no caminho dos pecadores.
Antes tem o seu prazer na lei do Senhor.
Será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas.
Vou-me embora.
Vais para onde?
Para casa.
Ela verá isto como uma traição, claro,
e um dia quererá vingar-se.
O Novo Mundo é vasto.
Temos sempre para onde ir.
Devias ficar aqui e lutar.
Eu sei quando uma guerra está perdida.
O meu povo conheceu um esplendor que te deixaria estonteado.
Grandes cidades, palácios vastos,
templos magníficos em honra dos nossos deuses aterradores.
Na primeira vez que vimos os cristãos espanhóis, rimo-nos.
Como haveriam de nos ameaçar?
Mas lembro-me do momento em que soube.
Nos incêndios que destruíram Tenochtitlán,
eu soube que era o fim.
E os nossos deuses aterradores seriam incapazes de nos salvar.
Talvez os vossos deuses fossem o problema.
Quando os espanhóis vos conquistaram, ainda eras humano?
Sim.
Um deles fez de mim um vampiro.
Outra coisa que trouxeram com eles do Velho Mundo.
Vem comigo.
E passar a vida a fugir dela?
Não.
Então, toma cuidado na batalha que se avizinha.
Se tens uma alma, Olrox,
e talvez tenhas,
espero que encontre a paz.
Em tempos, quando cheguei a Paris,
vermes como vocês sabiam quem eu era.
Paris era mais suja.
Ainda mais suja.
Só os vampiros com gosto pela aventura se alimentavam nas ruelas.
A maioria deles preferia a segurança dos palácios.
Claro, vocês acham que encontraram um propósito.
Um chamamento.
Uma deusa.
Mas ela é só uma arrivista com gosto por carne jovem.
A razão e o interesse público iniciaram a revolução.
A intriga e a ambição interromperam-na.
A maioria deseja o bem,
mas desconhece os meios para atingir esse fim
e os obstáculos que a afastam dele.
Todos os inimigos da Constituição usam o nome e a linguagem do patriotismo
para espalhar o erro, a discórdia e os falsos princípios.
É assim que a opinião pública é…
… incitada.
Lamento interromper o discurso fascinante, Monsieur Robespierre,
mas esta cidade vai ser atacada por um exército de vampiros.
Vampiros e demónios, na verdade.
Posso ajudá-lo a preparar-se para lutar.
Porque cantas?
Porque sou livre a cantar.
Tal como todos os que quiserem ouvir.
Mas nós não somos livres.
E se continuares a cantar, eles cortam-te a língua.
Então, devíamos cantar todos juntos
e cortar-lhes as cabeças.
O vosso Abade, como sabem,
está morto.
Foi morto por uma revolucionária.
O vosso Abade comparou-me à Joana d'Arc,
mas eu não sou como ela.
Ela foi derrotada e queimada como uma bruxa.
Vou queimar todos os vossos inimigos,
todos os vossos opressores.
Vou reduzi-los todos a cinzas.
Eu sou aquela que empunha a faca.
Filha e exterminadora do Sol.
Eu sou aquela que dança sobre o sangue!
Passou tanto tempo, deusa grandiosa.
Tanto tempo.
Mas, por fim, podes reencarnar.
Quem me dera saber o que os espíritos querem de mim.
É pena que não te digam.
A tua mãe está lá?
Ou a minha?
Pode estar?
Sim, penso que sim.
Todos os espíritos.
As nossas mães também.
Como era ela, a tua mãe?
Corajosa, dedicada.
Carinhosa.
Ensinou-me a lutar.
Ensinou-me tudo.
Absolutamente tudo o que sei.
É uma coincidência estranha.
Ambos tivemos de ver as nossas mães a ser mortas.
Sei que não somos iguais.
Não consigo imaginar o que passaste.
O mundo está a mudar tão depressa.
Nós, os Belmont, pertencemos ao passado.
Talvez já não haja lugar para nós.
Eu sei que há um lugar no mundo para ti.
Uma parte de todos nós está sempre lá.
Quando falo com a Cecile, a minha mestra,
encontro-a no mundo dos espíritos.
Podemos fazê-lo porque uma parte de nós já lá está.
E se Sekhmet também estiver?
Conhecemos o ba e o ka, o sangue e o coração da múmia.
E se parte de Sekhmet estiver no mundo dos espíritos?
Uma terceira alma.
Claro.
Querem que eu vá ao mundo dos espíritos e encontre a alma de Sekhmet.
Sim.
É isso que eles querem.
Legendas: José Cordovil
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