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1614 DC
Condessa Erzsebet Bathory.
Uma vampira.
Quem te mandou?
Ouvi dizer que cometeu muitos crimes terríveis, Condessa.
Assassinou sabe-se lá quantos rapazes e raparigas.
É a mulher mais maléfica do mundo.
Isso torna-a perfeita.
"Assassinar" é uma palavra vulgar.
E os homens que me prenderam, quantos assassinaram eles?
Eles assassinar-me-iam.
Mas amaldiçoei-os e eles têm medo.
Em vez disso, fecharam-na nesta torre para definhar e morrer,
esquecida e abandonada.
Se estás aqui para me matar, fá-lo já.
Estou aqui para fazer de si uma deusa.
Se provar ser merecedora.
Claro que mereço.
Mas o que queres dizer?
O que é um deus?
Existe tal coisa?
Refiro-me àquela diante de quem o mal treme.
Sekhmet.
Deusa da guerra.
E quem és tu?
Eu sou a sua serva fiel.
Estás bem?
Sim.
Vamos.
Os ingleses fizeram-no.
Há mais de um século, decapitaram o seu rei.
Acontece muito?
As monarquias da Europa ficarão horrorizadas.
Algumas já estavam em guerra com a França.
As outras juntar-se-ão.
O Messias Vampiro planeia liderá-las,
comandante-chefe da contrarrevolução.
E só terá a populaça para lhe resistir.
Não terão hipótese, pois não?
Não.
É para ali que nós vamos.
É onde está a múmia da Sekhmet. Penso eu.
De certeza que estás bem?
Vamos destruir aquela coisa
e dar à Sekhmet uma segunda morte.
Achas que Deus te vai salvar se rezares o suficiente?
Não.
Então, porque rezas?
Não estava a rezar por mim.
Ainda achas que Deus age através de ti?
Lamento pela tua mãe, Maria.
Não, não lamentas.
Ias deixar a Erzsebet fazer-me o mesmo.
Mas, ao início, pensavas que ela só me ia matar,
e isso também era bom.
Sabia que a tua alma ascenderia ao Céu.
Sabias? Não sou uma boa cristã.
Não venho à igreja nem rezo.
A revolução que apoio com todo o meu coração
declarou-te o seu grande inimigo.
Se as tuas crenças sobre Deus forem verdadeiras,
eu não iria para o Céu.
Maria, nunca te quis magoar.
Maria!
Eu só queria proteger o reino de Deus.
Maria!
Não é isto que a tua mãe quer.
Como sabes o que a minha mãe quer?
Ela mandou-me cá para te travar.
Porquê?
Porque és boa, Maria.
O teu poder é uma força para o bem no mundo,
não para matar velhos estúpidos.
A maior parte do que está mal no mundo é por causa de velhos estúpidos!
Meu Deus.
Pai do Céu.
Maria!
Que poder és tu
Que das profundezas
Me fizeste erguer
Contrariado e vagaroso
De um leito
De eterna
Neve?
Não vês
Como estou entorpecido
Ordeno-te.
E assombroso
Não! Ordeno-te!
Absolutamente incapaz
De suportar
O glacial
Frio
Mal consigo mexer-me
Ou respirar
Leva-a para um lugar seguro.
Estas criaturas sombrias e monstruosas,
ela devia deixá-las em paz.
Ou vão corrompê-la e destruí-la.
É isso que queres?
Deves ser o monge.
Sou o Juste Belmont, o avô do Richter.
Ela está bem?
Acabou de matar o pai.
Veio o diabo?
Não sei se foi o diabo.
Veio qualquer coisa.
Ele aceitou a morte?
Enfrentou-a com coragem?
Não.
Então, é isso que tu és.
Fazes magia de Orador.
Mas não a fizeste ao lutar com a minha mãe.
Quando o Richter recuperou a magia, disse que foi porque teve de o fazer.
Não tinhas de o fazer por mim. Eu salvava-me sozinha.
Não, não salvavas, Maria.
Fogo, gelo e vento
são apenas os elementos,
as coisas neste mundo que aprendemos a controlar.
Mas as coisas que tu conjuras vêm de um sítio que não entendemos.
Talvez a alma do teu pai tenha ido para o mesmo sítio.
Claro que não é o mesmo sítio.
Seja o que for, aqueles monstros são conjurados por desespero, Maria.
O desespero vai apodrecer-te por dentro.
És avô do Richter, não meu.
Devias meter-te na tua vida.
Vocês, monges, não têm filhos, pois não?
Pelo menos, não devem ter.
Nunca percebi essa coisa do voto de castidade, sinceramente.
Não me parece saudável.
Não ter filhos, no entanto,
isso faz todo o sentido.
Isto era um palácio?
Entregue ao povo, sim.
Leonardo.
É um quadro do Leonardo da Vinci de uma mulher que ele não suportava.
Foi ele que mo disse.
Nunca foi um dos meus favoritos.
Há alguma ordem nisto?
Ou põem as coisas em qualquer lado?
Procuramos o Antigo Egito.
Precisas de alguma coisa?
Preciso de ficar sozinha.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte,
não temerei mal algum.
Foste marcado.
Então, fizeste a tua escolha.
Sou demasiado velho e forte para ser facilmente marcado, Mizrak.
Isto vai desaparecer.
Tu também.
Vais desaparecer.
O exército da Erzsebet marchará sobre Paris em breve.
A Drolta já partiu, para matar os teus amigos.
Pensei que quererias saber.
O avô do Richter está aqui.
Se te vir, vai querer matar-te.
Não conseguirá matar-me, como a sua filha não conseguiu.
Sim, tu mataste-a.
Por vingança, dizes tu.
Mas matar é o que tu fazes.
És uma criatura sem honra.
Cada momento que passo contigo desonra-me.
Mas o que mexe com o teu coração não é repulsa ou ódio.
É o quê, então?
Saudade.
Desejo.
Amor?
Afasta-te de mim, Satanás.
Estamos à procura de um cadáver.
Está aqui. Tenho a certeza.
Mostrem-me.
O quê?
Há espíritos aqui.
Muitos espíritos.
Têm-nos seguido.
Estão a seguir-me.
Mostrem-me.
Porque não nos disseste?
Porque não sei o que eles querem. Ou se são reais.
Eles falam contigo?
Não.
Às vezes, parecem zangados.
Há espíritos aqui que parecem perdidos.
Ou sou eu que estou perdida?
O que estão a fazer agora?
Estão a tentar dizer-te alguma coisa?
Ali.
Cheira mal.
É ela.
É a Sekhmet.
Então, que fazemos agora?
Podia queimá-la,
ou podemos cortá-la em pedaços e espalhá-los aos quatro ventos.
O que vão fazer agora é entregar-ma.
Sim, Alucard.
Tu mataste-me.
Agora é a minha vez.
O Alucard não a apanhou.
Falhámos, Annette!
Voltámos a falhar.
Foda-se!
Não percebo.
Não percebo.
Querem que faça o quê?
Querem que faça o quê?
Legendas: José Cordovil
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