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Deusa de dez mil nomes.
Senhora da Vida,
Senhora do Terror,
Viajante dos Desertos,
Caminhante dos Ermos.
1425 DC
Se for preciso, voltamos a tentar.
Tal como foi no início dos tempos,
quando a fornalha do sopro dela criou o deserto,
assim seja agora.
Vem, Sekhmet.
Vem, noite sem fim.
Enche os nossos corações de alegria.
É preciso ter força para ser o seu recetáculo sagrado.
Consegues senti-la?
Consegues sentir a deusa em ti?
Outra vez não.
Não os podias ter salvado.
Não travo só batalhas que possa ganhar.
- Então, és tolo. - Não.
Só não sou um animal.
Porque não voltas para o teu lugar?
Também já vi o suficiente, Olrox.
Já sei que vale a pena morrer por algumas coisas.
E por outras não.
Fizeste isto para mim.
Eu olhava para isto quando não conseguia dormir
e imaginava os pássaros a voar.
Contava histórias a mim mesma sobre os sítios aonde iam
e imaginava que eles voltavam sempre.
Temos sorte
quando as coisas que amamos voltam para nós.
O sol está a pôr-se depressa.
Parece-te mais sossegado?
E há um cheiro no ar.
Ferro.
Carne.
Sangue.
A Guarda Nacional.
Todos!
Quem pode ter feito isto? Vampiros?
Não à luz do dia.
Vão levá-los para a abadia.
A Erzsebet terá um novo exército de criaturas da noite amanhã.
Graças a ele.
Tenho um novo apreço por esta engenhoca.
Nasci três vezes.
À segunda vez, uma vampira.
E à terceira…
… uma coisa nova e gloriosa.
- Annette. - Annette.
Annette.
Annette.
Annette.
Annette.
Annette.
Annette!
Annette.
Está tudo bem. Foi só um sonho.
Aquilo também são sonhos?
Isto é obra da Erzsebet.
Mas estamos a milhas de Machecoul.
Ela tem seguidores por todo o lado.
Continua a remar.
Vais deixá-los para trás?
- Não temos tempo para distrações. - Mas há pessoas naquela aldeia.
Serão mortos se não os ajudarmos.
Ela tem razão.
- Não podemos deixá-los assim. - Se salvarmos todos os aldeões aflitos,
a Erzsebet reinará sobre o país antes de a podermos travar.
Richter.
Socorro!
Vão por ali. Ficarão em segurança.
Corram!
Nunca te disseram para não atormentares a comida?
A mim também não.
Acho que os matei a todos.
Assim não podem avisar a Erzsebet.
O que foi?
Ontem, enquanto lutávamos com vampiros…
… posso ter revelado o nosso destino.
- Estava só… - Armado em bom.
Como de costume.
Desculpa. Foi estúpido. Não pensei.
Não, não pensaste. Não pensas.
Não há nada a fazer, Alucard. Vamos mas é embora.
Ouve…
Obrigado.
Tu eras uma capitã do Exército Revolucionário.
Sim.
E agora sou…
Sou uma coisa nova e gloriosa.
Tu eras o quê?
Desde que era miúdo,
eu só sonhava com a ópera.
Quando cantava, as pessoas adoravam-me.
Assobiavam, aplaudiam e atiravam-me moedas aos pés.
Vestia sedas parisienses.
Bebia champanhe.
Mas o mundo é sombrio e cruel
e cheio de monstros.
E eu não consegui aceitar isso.
Também pensavas assim, capitã.
Foi por isso que te juntaste ao Exército Revolucionário.
Sim.
Para livrar o mundo dos monstros.
Mas eis-nos aqui.
Maria.
Maria!
São diferentes quando estou zangada.
Conjuro-os de outro sítio?
Ou modifico-os de alguma forma?
Talvez esteja a criar monstros.
Como o meu pai.
Tudo isto aconteceu por minha culpa, por ter voltado à abadia.
- A culpa é minha… - Nada disto é culpa tua.
Eu tinha o dever de te proteger e voltaria a fazê-lo mil vezes.
Foi aqui que te ensinei a chamar criaturas de outros mundos.
A usar a tua magia.
Lembras-te do que te disse?
Ensinei-te que a magia é subtil como uma lâmina
e tem dois gumes.
Que pode ser usada para sobreviver ou matar.
Talvez eu já saiba tudo sobre sobreviver.
O Alucard vai a caminho de Paris.
Partirei em breve, Vossa Magnificência.
Vou deixar os vermes em choque.
Em breve, Sekhmet será refeita.
E eu ficarei completa.
Vejam, está à espera de uma recompensa.
Terei todo o prazer.
Ajoelha-te.
Salve, Guardiã da Luz,
Mãe dos Mortos.
Olrox.
Mais uma vez, dou por mim a perguntar-me onde estiveste.
A admirar a brutalidade
com que massacraste o Exército Revolucionário.
O que fez ele?
Estava a fazer uma demonstração sentida da sua lealdade.
E ocorre-me, Olrox,
que tu não fizeste tal coisa.
Como bem sabe, admiro-a e venero-a, deusa.
Sacrificámos tudo o que tínhamos para servir Erzsebet.
O que sacrificaste tu, Olrox?
Por que morrerias?
Ou por quem?
Só por si.
Se tens amor por mim, Olrox…
… podes exibi-lo na tua cara.
Os nossos homens morreram todos.
No entanto, nós estamos aqui.
O que fazes aqui, Mizrak?
Estou aqui para lhe dizer que não é tarde demais.
Para lhe lembrar que, mesmo na última hora,
o ladrão arrependeu-se e foi perdoado.
Como me arrependeria?
Desfaria as criaturas da noite?
Voltaria a comprar a minha alma?
Ela mata-me se lhe desobedecer.
O homem que conheci nunca teve medo de morrer.
Não me questionarias se tivesses visto o que eu vi no outro lado.
Se o ouvisses, às vezes, no crepúsculo.
Risos silenciosos.
O Inferno.
À espera.
A sussurrar o teu nome.
Disse-me que valeria a pena
porque planeava usar as criaturas da noite para matar a Erzsebet.
Porque não faz isso agora?
Porque já vi que ela consegue esmagá-los com a palma da mão.
Lutou para libertar o mundo das mãos dos revolucionários
só para o entregar a ela.
Pensei que podia usar as armas do Inferno para lutar pelo Céu.
Quando a Erzsebet engolir o sol e mergulhar o mundo nas trevas,
descobriremos que eles foram os mais sortudos de nós.
Os que não viveram para ver isso.
A primeira vez que toquei no Outro Mundo foi como rasgar a malha da realidade.
Lembro-me do medo que tive do que poderia trazer de lá.
Senti esse medo muitas vezes.
Tem estado a limitar-te.
Consigo senti-las.
Coisas estranhas do outro lado.
Criaturas que querem sair.
O que torna algo um monstro?
Nunca o controlarás se o temeres.
Para o controlar como os meus pássaros, tenho de invocar parte da sua natureza.
Ser mais como ele.
Poderoso. Predatório.
Mortal.
Maria, sai da frente!
Quem és tu?
O que fazes aqui?
Estou a tentar salvar a tua filha de ti!
Não, por favor! Ela não é como eles.
Mostra-me uma ratazana diferente de qualquer outra.
Vi centenas de vampiros na minha vida e são todos iguais.
Desculpa.
Juste…
Não te quero matar.
O que é aquilo?
A Guarda Nacional.
Fico com náuseas só de olhar para eles,
sabendo que ele fez isto.
Transformou-os em criaturas da noite. Ele tem de ser travado.
Aquilo também é uma criatura da noite?
A Drolta.
Como é possível?
Onde está a Maria?
Não!
Ela vai para a abadia.
Juste, vai atrás dela.
Não chego lá a tempo de a salvar.
- Salvá-la de quê? - Do que está prestes a fazer.
Ela vai matar o pai.
Olhe bem para isto.
Estamos tão perto.
De tudo o que sempre quisemos.
Estarei de volta ao pôr do sol.
Paris é sempre assim?
Consigo sentir a tensão.
Algo vai acontecer.
Acho que é o rei.
Já não é.
Que Louis é este? Perdi a conta.
Chamam-lhe Louis, o Último.
Sou a favor de decapitar vampiros aristocratas,
pessoas que são mesmo más, mas isto não é ir longe demais?
Como és capaz de dizer isso?
Não me parece completamente justo.
Eu apoio a revolução, mas ele não era um homem mau.
Até a Maria diz que não era um rei particularmente mau.
E todas estas famílias antigas…
Os Bourbon. Os Belmont.
Sim, deves achá-los muito vulgares, já que és descendente de deuses.
Não interessa se os reis são bons ou maus.
Ninguém consegue reinar inocentemente. Este é o preço.
É assim que deixamos entrar a mudança.
Pela janela da viúva.
Não me digas que também és monárquico.
Sou realista. Mas também sou muito velho.
Não digo que não nos preocupemos quando vivemos durante séculos,
mas reparamos nos padrões depois de algumas revoltas.
Começam com esperança e acabam em banhos de sangue.
Ou começam com banhos de sangue
e acabam em banhos de sangue.
Annette. O que se passa?
Annette.
Annette?
Legendas: José Cordovil
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