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# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
LUÍSA:'Sara !'
Sara, podes falar comigo, por favor ?
#
#
#
Ficas aqui sozinha e não contas comigo para mais nada, ouviste ?
#
#
Foi tudo uma mentira, não foi ?
- Não digas isso. - É verdade.
Sabes o que é ou estás habituada a mentir e já não sabes ?
#
SARA:'Fala comigo !'
#
#
#
#
#
#
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
Não, obrigado.
Só quero despachar isto e ir para casa.
(...)
Duvido que seja possível, Henrique.
(...)
Quantas crianças foram ?
(...)
(...)
Quantas crianças foram ?!
Demasiadas.
(...)
Como é que vocês as escolhiam ?
(...)
Da primeira vez, foi a Bela.
Quando cheguei a casa, estava com um bebé ao colo.
O que é que eu ia fazer ?
Ajudei-a.
(...)
Ela não tinha intenção de ficar com o bebé.
Apenas queria salvá-lo de uma má mãe.
(...)
Na altura, eu conhecia um casal que queria um bebé.
Eram boas pessoas e...
E tinham tido um filho que tinha morrido.
Ele era meu paciente.
Sei que foi um risco.
Eles podiam ter contado tudo.
Mas aceitaram ficar com o menino.
(...)
A seguir, pedi transferência para ir para outro sítio.
(...)
E depois ?
(...)
Depois, percebi que ela não ia parar.
Então, decidi ajudá-la.
Encontrava as crianças no hospital ou...
Ou nos vários hospitais por onde passei.
A Bela, na altura, já não trabalhava como assistente social.
Mas apresentava-se como tal às mães, com identidade falsa.
E levava as crianças.
(...)
Era a Anabela quem tomava as decisões ?
Planeávamos tudo juntos.
Mas, atenção, só tirávamos crianças a pais negligentes.
E depois dávamos-lhes uma vida melhor.
(...)
Alguma vez receberam dinheiro por isso ?
(...)
(...)
(...)
Como é que vocês sabiam que as mães eram negligentes ?
(...)
Quem vos capacitava para isso ?
(...)
(...)
Porque a deixaste continuar, Henrique ?
Porque a amo.
Porque não suportava mais vê-la assim.
(...)
Mas vocês tinham uma filha.
- A Luísa era vossa filha ? - Sim.
(...)
Para a Anabela... Aquele primeiro bebé marcou-a para sempre.
(...)
Ela não achava justo que o nosso filho tivesse morrido
enquanto que os filhos de mães incapazes sobreviviam.
Mesmo elas não lhes ligando nenhuma.
(...)
A Luísa nunca foi...
(SUSPIRA)Infelizmente, a Luísa nunca foi suficiente.
(...)
(...) PEDRO CLICA EM CANETA
(...) (...)
(...)
A Luísa sabia disto ?
Não. Acredito que não.
(...)
E se soubesse ?
(...)
O que estariam dispostos a fazer para não vos denunciar ?
(...)
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
#
# CAMPAINHA TOCA
PORTA FECHA
Na mensagem dizias que querias falar. O que queres de nós ?
Só te quero pedir desculpa.
Sei que te magoei.
De todas as pessoas que podiam desconfiar dela,
tu eras a última que devia fazê-lo.
- Confiávamos em ti. - Achei ser o melhor para a Sara.
A minha filha não é maluca nem uma assassina.
- Ainda assim, acho que devia... - Ela vai ficar melhor.
Quando sairmos daqui.
Continuas a querer ir embora ?
É o melhor para ela.
As coisas não devem estar fáceis entre ti e ela.
A vida nunca é como nós queremos.
Não.
Há um ano, eu tinha uma filha.
Tinha um namorado, uma vida.
Agora vivo lá no meio do nada, sozinha,
com um peixe agarrado ao meu passado.
As coisas mudam.
De um momento para o outro.
- No teu caso, não escolheste. - E tu ?
Escolheste ?
Não sei se escolhi ou não.
Não tens culpa de a Sara se ter tentado suicidar.
Muito menos do que está a acontecer com a Polícia.
Sempre fiz tudo para protegê-la.
Desde o dia em que me tornei mãe dela.
Então ?
Não tem sido fácil.
Eu sei que não.
Mas acredito que as coisas estão prestes a acabar.
Leonor, por favor, não comentes com ninguém.
A Anabela e o Henrique acabaram de ser presos.
Não quer dizer que a Sara esteja livre... Seja como for.
O foco agora são os pais da Luísa.
Porque é que os prenderam ?
Uma história com...
Complicada. Roubo de crianças, bebés, tráfico.
Seja como for, alguém capaz disso é capaz de tudo.
Leonor, desculpas-me ?
PORTA ABRE
PORTA FECHA
PASSOS APROXIMAM-SE
CADEIRA ARRASTA
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...)
(...)
(...)
PEDRO LIGA GRAVADOR
O meu colega disse-me que dispensa advogado.
É verdade ?
Não preciso de ninguém que fale por mim.
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...)
Ele contou-vos tudo, não contou ?
(...)
O Henrique sempre foi contra.
Só fez o que fez por mim.
Por amor.
(...)
E a Anabela ?
Porque é que o fez ?
(...)
Por raiva.
Desprezo.
(...)
E pena.
(...)
Pena ?
Pena de quem ?
Dos pobres anjinhos
que nascem de barrigas de mães que não os merecem.
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
ANABELA EXPRESSA DESDÉM
Para onde levaram essas crianças ?
Para casa, Sr. Inspetor.
(...)
Para casa.
(...)
Para casa de pessoas que merecem
e sabem o que é ter um filho.
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
Quem lhe deu o direito de decidir isso ?
Direitos ?
Vocês.
Vocês, que não querem saber deles.
(...)
Dos filhos de ninguém que vêm a este mundo sem pedirem.
Inspetor.
Nos anos em que fui assistente social,
eu vi de tudo.
Pais, mães, que nem um cão mereciam, quanto mais um filho.
E o Estado...
O que é que o Estado alguma vez fez ?
Acha que o Estado vai fazer alguma coisa ?
ANABELA EXPRESSA DESDÉM
Não. Nunca.
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...)
Pode pôr na caixa de novo, se faz favor.
(...)
Eu, Sr. Inspetor, sempre fui uma pessoa correta.
Digna.
Sempre fiz tudo para ajudar quem precisava.
(...)
E eu...
(...)
Eu tive de parir um filho que estava morto dentro de mim.
(...)
Quando o médico o puxou daqui de dentro...
Ninguém chorou naquela sala. Ninguém.
Só eu chorei.
(...)
Peguei-o ao colo, embalei-o.
Sem nunca sentir o coração dele.
(...)
E até hoje...
(...)
Ainda sinto frio nos lábios, da única vez em que o beijei.
(...)
Achas justo, Sr. Inspetor ?
(...)
Acha justo que essas mulheres
que não merecem, que não pensam,
nada, que parem filhos só porque sim...
Acha ?!
Acha justo, Sr. Inspetor ?
(...)
E você acha que isso justifica o que vocês fizeram ?
(...)
O amor justifica tudo, Inspetor.
(...)
(DESDÉM)O amor...
O amor e o dinheiro que recebiam, certo ?
(...)
(...)
PORTA CARRO ABRE
PORTA CARRO FECHA
PORTA ABRE
RITA SUSPIRA
MÁRIO:A Polícia liga mal saiba algo.
Odeio esta espera.
Ela vai voltar para casa.
Como pode ter tanta certeza ?
Sabe-se lá o que aquela mulher fez à minha filha.
As más notícias correm depressa.
Já chegaste tão longe.
Não acreditavas que fosse possível.
Rita, tens de ter esperança.
Mário.
Obrigada.
Obrigada por não me ter deixado desistir.
E cair no fundo do poço outra vez.
Não ias cair.
És demasiado rija para isso. Não és como o meu filho.
Lamento muito.
E desculpe.
Se durante o tempo em que estive com o Paulo piorei as coisas.
Sentes-te melhor ?
Dormiste bem ?
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
Sinto-me perdida.
#
#
Sabes o que todas as mães querem para os seus filhos ?
#
Que sejam felizes.
#
Não queres ir morar com os teus avós, pois não ?
#
Não te vou obrigar.
#
Vais ficar aqui.
Onde queres. E vais ser feliz.
Tenho a certeza disso.
#
Eu sei que as coisas não têm sido fáceis.
#
Há muita coisa que podia ter feito de forma diferente.
Mas espero que saibas...
Que não há nada que eu tenha desejado mais
do que ser uma boa mãe para ti.
#
# SARA CHORA
# (...)
#
# (...)
Sim, tia ?
Não. Acabei de chegar a casa.
E por aí ?
Como correu no tribunal ?
Não retiraram a guarda ?
Como assim ? Vão insistir nas visitas ?
Mas como é que é possível ?
A miúda tem medo do pai !
Não há provas, como ?
Queres prova maior do que o pânico que ela demonstrou ?
O teste de violação revelou que havia abusos !
Desculpa lá, só não vê quem não quer !
Não fazemos nada.
Não fazemos nada ! Podíamos ter feito muito mais.
O quê ?
A miúda confiou em mim, em nós. Falhámos-lhe.
Está bem. Está bem.
Eu já me acalmo.
Beijos. Falamos depois.
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...)
(...) # TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
Ela descobriu o que vocês faziam.
Vocês livraram-se dela.
Foi, não foi ?
Eu nunca faria mal à minha filha. Nem eu, nem o Henrique.
(...) #
No entanto, ele batia-lhe.
(...) #
O Inspetor tem filhos ?
(...) #
Por vezes,
os pais perdem a cabeça e o controlo.
Erramos, somos humanos.
(...) #
Não foi tão tolerante com as mães a quem roubou os filhos.
(...) #
(...) #
(...) #
(...) #
(...) #
(...) #
Sabe onde encontrámos isso ?
(...) #
Em sua casa.
Escondido no sofá.
(...) #
A última vez que este telemóvel foi detetado foi na praia.
(...) #
Já a Luísa tinha sido assassinada.
(...) #
Portanto, ou diz como o telemóvel foi parar a sua casa
ou tanto a Anabela como o seu marido
serão indiciados como suspeitos na morte da vossa filha.
(...) #
Não fomos nós, Inspetor.
Não nos podem condenar por algo que não fizemos.
(...) #
Então, por favor, explique como foi parar a sua casa.
(...) #
Não sei...
(...) #
Como é que o telemóvel foi parar a sua casa ?!
(...) #
(...) #
(...) #
(...) #
Eu já sei quem o deixou lá.
(...) #
E também sei quem assassinou a minha filha.
(...) #
# TEMA INSTRUMENTAL CALMO
#
#
#
LEONOR:'Querida Júlia...
'Escrevo-te porque sei que se falássemos pessoalmente
'irias tentar salvar-me e não é disso que preciso.
'Nunca estive grávida.
'Nunca consegui, apesar de ser o que mais desejava.
'O meu namorado deixou-me por não aguentar a minha depressão.
'Fiquei sozinha.
'Foi nessa altura que conheci a Anabela.
'Eu era professora numa escola.
'Ela era assistente social na cidade onde eu trabalhava.
'Não éramos amigas,
'mas ela sabia que eu queria um filho.
#
'Os pais da Sara eram dois drogados.
'Ela estava muito mal quando a Anabela a trouxe.
'Amei-a desde o primeiro dia em que a vi.
'Desde então que ela é minha filha.'
#
# TEMA INSTRUMENTAL CALMO CARRO APROXIMA-SE
# TRAVÕES CHIAM
PORTAS ABREM
BATEM À PORTA
#
(...)
Já vai.
#
Onde está a tua mãe ?
- A tua mãe ? - Não está em casa.
Vamos ter de verificar, está bem ?
Vê aqui em baixo.
#
A tua mãe não está em casa ?
Está onde ?
Não sabes. Pois.
#
#
LEONOR:'Mudei-me para cá e fomos felizes.
'Até que eles chegaram
'e a Sara e a Luísa se aproximaram.
'Na manhã da morte da Luísa,
'ela ouviu a Anabela a ameaçar-me
'que ia contar à Sara que não sou mãe dela.'
'Luísa.'
#
LEONOR:'E eu a dizer-lhe que se ela fizesse isso,
'ia dizer a Polícia que ela a tinha tirado aos pais
'e vendido a mim.
'Tentei falar com ela.
'Mas a Luísa disse-me que queria contar tudo à Sara.
'Pedi-lhe tempo para ser eu a dizer a verdade.
'Foi nesse dia que as nossas vidas ficaram destruídas para sempre.'
Já disse que não podes sair sem me avisar. Onde foste ?
Larga-me.
O que aconteceu ?
Sara ? Sara ?
LEONOR BATE À PORTA
Sara, abre a porta !
Abre a porta, por favor. Abre.
Sara.
Sara, por favor. Filha, por favor, ouve.
Ouve uma coisa. Fala comigo.
Por favor, filha, fala comigo. Não podes ficar assim.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE TELEMÓVEL VIBRA
# (...)
# (...)
Sim ?
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE ONDAS REBENTAM
# (...)
# (...)
Eu não consigo.
Não vou mentir mais à Sara.
# (...)
É para o bem dela.
# (...)
O que a professora e a minha mãe fizeram não está certo.
Ela foi roubada e a Leonor não é a verdadeira mãe dela.
A Sara tem de saber.
Tu és muito nova para entender o que se passou.
Mas eu amo a minha filha.
#
Eu não duvido. Mas eu também amo a Sara.
Por isso, vou contar-lhe tudo. Lamento, professora.
# TEMA INSTRUMENTAL TENSO
#
LEONOR:'Por favor, não me julgues.
'Eu não queria matá-la.
'Mas também não queria perder a Sara.
'Se ela falasse, era isso que ia acontecer.
#
#
#
'Tenho uma coisa para te pedir.
#
'Fiz muitas coisas estúpidas para proteger este segredo.'
ANABELA:Já disse para não ligares nem apareceres aqui.
#
LEONOR:'Uma foi tentar incriminar a Anabela e o Henrique
'pelo crime que eu cometi.'
#
#
Por culpa tua, a minha vida é uma mentira.
Como consegues viver com isso ?
#
Querias uma filha, não querias ?
Eu só te fiz a vontade.
Na altura, não quiseste saber do que isso implicava.
#
- E agora ? - Agora o quê ?
Eu quero ter garantias.
Quero ter a certeza de que a minha filha
não vai descobrir nada sobre o passado dela.
#
Que a compraste...
#
Se ela descobrir,
eu conto tudo à Polícia.
Tu e o teu marido vão presos.
#
Chega.
Chega. Sai da minha casa.
#
LEONOR:Quando a Polícia descobrir o telemóvel da Luísa,
'a Anabela vai acusar-me e a Sara não vai aguentar.
'As minhas escolhas trouxeram-me até aqui.
'Sou a única responsável.
'Tenho de cumprir a minha pena.
'Promete-me...
'Que vais cuidar da Sara como se fosse tua filha.
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
'Há quem diga que o mar purifica.
#
'Espero que possa finalmente ficar em paz.
#
'Adeus, Júlia.
'Tenho a certeza de que vais fazer a coisa certa.'
#
#
#
#
#
#
#
#
#
E a Sara ? Como está ?
Aos poucos, a aprender que a vida dela mudou para sempre.
Nunca pensas no motivo pelo qual a Leonor se suicidou ?
Penso que ela adorava a filha.
Não conseguia lidar com o facto de a Sara
saber que ela não era a mãe.
Não acredito que tenha sido esse o único motivo.
O caso da Luísa vai acabar por ser arquivado.
A Anabela acha que foi a Leonor que a matou.
E tu ? Acreditas em quê ?
Que a verdade nunca é linear.
Nem a mentira.
Faz-te mal.
Tenho de ir andando.
A Sara está à minha espera.
Está bem.
Queres jantar ?
Hoje ?
Cozinhas tu ?
Às oito ?
Oito e meia, pode ser ?
Tenho de ir.
Foi ela, não foi ?
Foi a minha mãe quem a matou.
Adaptação e Legendagem RTP - Conteúdos Adaptados
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