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# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
Demoraste muito. O que se passou ?
#
Descobriram que lhe bati.
Só isso ?
#
Acham que a matei.
#
Vão investigar-nos aos dois, não vão ?
Não há nada para encontrarem. Queimaste tudo ontem à noite.
#
Devíamos ir embora.
A nossa vida é aqui.
Nós já vivemos em tantos sítios.
Podíamos ir embora e começar de novo noutro sítio.
Isso só nos vai tornar mais suspeitos.
Temos de continuar com a nossa vida normal.
Eu não sei se consigo, Bela.
Tens de conseguir.
#
Por mim.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
#
#
#
PÁSSAROS PIAM
(...)
(...)
- Sara ! - Espera, Leonor.
Deixa-me falar com ela primeiro.
Aqui ?
Não podemos forçá-la a ir embora.
Ela tem de querer voltar para casa.
Está completamente perdida e sente-se culpada.
Nós vamos trazê-la de volta.
Confias em mim ?
Sim.
(...)
(...)
(...)
(...)
(...)
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
A minha mãe está muito chateada ?
JÚLIA:Não.
Está só preocupada.
#
#
Não conhecia este sítio.
A Luísa gostava de vir aqui.
#
Sabes porque saí de casa e vim para cá ?
#
Para fazer de conta que estava tudo normal outra vez.
#
Vínhamos cá todas as semanas.
Eu chegava primeiro.
Ficava à espera dela.
#
#
# SARA CHORA
# (...)
A minha mãe quer levar-me para longe daqui.
- Para onde ? - Para casa dos meus avós.
#
Diz que é o melhor para mim.
Eu não quero ir.
Ela não me ouve e não percebe o que eu preciso.
De que é que tu precisas ?
#
Eu quero vê-la uma última vez.
Quero despedir-me dela.
#
Quero visitar o sítio onde a enterraram.
#
Se eu me for embora, eu nunca mais a vejo.
#
#
Sabes que naquela noite...
#
Eu desejei que ela desaparecesse.
#
Nunca a odiei tanto, nunca.
#
- Alguma coisa que fez ou disse ? - Sim.
#
Nós não devíamos ter segredos.
SUSPENSE
Quis apertar-lhe o pescoço até ela dizer o que se passava.
(...)
Porque é que ela não me disse ?
Porque é que ela me obrigou...
Porquê ?
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
MÁRIO:Queres que te vá buscar alguma coisa para comer ?
Não. Não tenho fome.
Precisas.
Amanhã temos muita coisa para fazer.
- E o seu trabalho ? - Tenho dias de férias para tirar.
Não te preocupes.
Já avisei que esta semana não vou.
É estranho isto.
- O quê ? - Você, aqui.
A ajudar-me.
Estranho é não te ter ajudado antes.
Amanhã,
vais falar com a rapariga que me disseste
e vamos ver em conjunto...
Olhar para tudo o que descobriram. Depois, vamos à Polícia.
(RI)Para quê ? Eles não querem saber.
Se tiveres provas, eles têm de fazer algo. Acredita em mim.
PASSOS APROXIMAM-SE
(...)
Os comprimidos fizeram efeito. Está a dormir.
O que é que ela te disse ?
Nada de mais.
Ela contou-te alguma coisa ?
É grave ? Estás com uma cara tão séria.
Não. Estou só muito cansada.
Não, Júlia, eu conheço-te. Por favor, não me mintas.
Leonor...
Sabes que te adoro, não sabes ?
- E que adoro a Sara. - Estás a assustar-me, Júlia.
Diz-me o que se passa !
Achas que ela era capaz de magoar alguém ?
- Como podes pensar isso ? - Não estou a pensar nada.
- Só te estou a pedir a opinião. - Por favor, sai.
Caramba, não estou a acusá-la, estou a tentar ajudar.
- A miúda está desequilibrada. - Não significa que possa matar !
As pessoas fazem coisas que nada têm a ver com a personalidade
quando são levadas ao limite. - Agradeço tudo o que fizeste.
Mas chega.
Não quero que fales mais com a Sara.
Por favor, vai-te embora.
Leonor...
PORTA ABRE
PORTA FECHA
Para mim, trocavam o treinador. Não jogam nada.
Dizias o mesmo do outro.
Era melhor do que este. Não tem fio de jogo.
Substituições tardias, não servem para nada.
VASCO EXPRESSA DESDÉM
Tenho saudades de ir ao estádio.
Andas cheio de tempo, tu.
Quando o caso acabar...
Se acabar.
Acaba, acaba.
Acabam sempre.
Depois vem outro.
Mas no intervalo dá para ir à bola.
Dá para ir à bola...
Andas muito ocupado, andas.
Como estão as coisas com a Júlia ?
É curiosidade tua ou a tua mulher pediu para perguntares ?
Ela vai querer novidades amanhã quando eu acordar ressacado.
- Tenho de lhe dar alguma coisa. - Tens de lhe dar outra coisa.
Desculpa.
Vocês estão sempre juntos. Veem-se todos os dias.
- E então ? - E então ?
Está tudo igual. Não mudou nada.
Se calhar, devias deixar de andar atrás dela.
Podia apresentar-te umas amigas divorciadas da Mafalda. Que tal ?
- Deixa. Não te preocupes. - Porquê ?
Só quero descanso e paz.
Só quer descanso e paz.
Tens o trabalho certo para isso.
Descanso e paz.
VOZES IMPERCETÍVEIS RELATO FUTEBOL
(...) (...)
LEONOR FOLHEIA
Sou eu.
Desculpa deixar esta mensagem, se calhar é...
É um disparate, mas não consigo deixar de pensar na...
Numa coisa que me disseram.
Acho que tinhas razão.
Eu é que não estava a ver bem as coisas.
Talvez porque seja demasiado próxima e...
Estive a rever as minhas notas... Acho que...
Acho que a Sara...
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
Deixa lá. Liga-me quando ouvires a mensagem.
Preciso de falar contigo. Um beijo.
JÚLIA DESLIGA CHAMADA
# TEMA INSTRUMENTAL INTENSO
#
#
# BATEM À PORTA
#
PORTA ABRE
ANABELA:Já disse para não ligares nem apareceres aqui.
#
Então ?
JÚLIA:A Sara confessou que quis apertar o pescoço à Luísa na noite.
Estive a reler as minhas notas e é claro...
As oscilações de humor, os picos de depressão,
a agressividade... Temo que tenha algo que não está diagnosticado.
Achas que isso a podia levar a matar a Luísa ?
Independentemente disso...
Eu quero que ela tenha o apoio de que precisa.
Desconfias dela, certo ?
Não me cabe a mim desconfiar de nada.
Mas a tua opinião profissional neste momento
é que deveríamos voltar a falar com ela, certo ?
Certo.
Obrigado.
Eu sei que isto custa.
Não interessa se custa ou não.
Se foi a Sara quem matou a Luísa, ela precisa de ajuda.
Para isso, tem de ser capaz de confessar.
Desculpa.
Sinto tanto a tua falta, porra.
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE JÚLIA CHORA
Já reparaste que falamos de tudo menos de nós ?
#
Nunca disse isto porque quis respeitar o teu espaço,
mas alguém tem de to dizer.
Não podias adivinhar o que se passava com a Margarida.
Eu vi-vos juntas.
Eras a melhor amiga dela, eras uma mãe incrível, sempre foste.
Eu tinha obrigação de perceber o que se passava.
Eu passei anos...
Perdi anos a tomar conta dos filhos dos outros.
E não vi o que se passava com a minha filha.
Dentro da minha casa.
#
Ela ligou-me nessa noite.
Ela ligou-me e eu não atendi.
#
Ela estava só a ser uma adolescente.
Milhares de putos consomem drogas e não morrem de "overdoses".
Como é que eu não percebi que ela consumia ?
A maior parte dos pais não percebe.
Os meus nunca perceberam que eu experimentei.
#
Se aquela noite não tivesse corrido mal, não terias percebido.
#
Se...
#
Mas correu mal.
Correu.
Por causa disso, perdi a minha filha.
#
#
Desculpa se estou a ir longe demais.
Mas gosto tanto de ti, Júlia. Não consigo ver-te assim.
Não achas que já chega ?
#
O que aconteceu foi o resultado de uma escolha da Margarida.
Ninguém podia ter evitado aquilo.
A "overdose" não foi culpa tua, não foi culpa de ninguém.
Tens de perceber isso.
#
Tens de seguir a tua vida, porra.
#
#
Vou pedir para irem chamar a Sara a casa.
#
Vejo-te daqui a uma hora, pode ser ?
#
#
#
"Olá."
RISOS
SARA:"Que lindo !"
SARA CHORA
CAMPAINHA TOCA
O meu filho era um bebé.
Nem sequer se deve lembrar de que existo.
FUNGA
Se é que ainda está vivo.
MÁRIO:Pode ter sido entregue a outra família.
Temos de ser otimistas.
Quero acreditar que sim.
MARIA FOLHEIA
Temos de arranjar forma de encontrar aquela mulher.
SUSPIRA
Era mais fácil com ajuda da Polícia.
Mas não vão fazer nada sem provas.
O trabalho deles devia ser encontrar as provas.
MÁRIO:A Matilde teve dois pediatras em tão pouco tempo ?
Estão aqui os nomes dos médicos.
RITA:Um dia, estava com febre e fui com ela às urgências.
Foi simpático comigo e disse que trabalhava numa clínica.
Que me podia fazer uma consulta sem pagar.
Eu fui lá.
MÁRIO:Não se percebe a letra.
José...
- Silva. - José Silva, sim.
Só lá fui uma vez, ela depois melhorou.
MARIA:Essa clínica ficava junto ao jardim ?
RITA:Sim, ficava.
O meu filho também foi a esse consultório.
Acho que o nome do médico era o mesmo.
SIRENES
Não vejo nada de agressivo, nem de violento.
São mensagens trocadas entre duas namoradas.
Elas chegaram.
Está bem.
Não te sintas culpada.
Eu ia chamá-las de qualquer forma.
Vamos ?
Promete só que não és muito duro com ela.
PEDRO CLICA EM CANETA
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
PEDRO:Vou ser muito honesto contigo, Sara.
Estamos numa fase em que todas as peças encaixam, menos a tua.
(...)
A mim só me interessam os factos e o que as provas indicam.
As tuas impressões digitais põem-te no local do crime.
Temos várias testemunhas que te viram com a Luísa no dia.
Tive acesso aos teus registos escolares
e tens suspensões por mau comportamento.
No dia da morte, agrediste uma rapariga.
(...)
Eu estou a dar-te uma hipótese agora...
De seres honesta.
Se tu falares, vai ajudar-te em tribunal.
A única coisa que queremos é entender o que se passou.
Só isso. Para te podermos ajudar.
(...)
SARA:- Ninguém me pode ajudar. - Porquê ?
SARA:Porque estou sozinha.
Sempre estive, até a Luísa aparecer.
(...)
Há uma coisa que gostava de perguntar.
Alguma vez ouviste uma voz dentro da tua cabeça ?
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
Isso já tinha acontecido antes ?
#
JÚLIA:Essa voz é da Luísa ?
#
Sim.
E o que é que ela te diz ?
#
(HIPERVENTILA)Ela...
SARA HIPERVENTILA
(...)Para parar...
Alguma vez sentiste
tanta raiva por uma pessoa ao ponto de a querer magoar ?
(...)
- Já quiseste magoar a Luísa ? - Sim.
Quando ?
(...)
(...)
(...)Naquela noite.
- O que lhe fizeste, Sara ? - Eu não sei.
Sara, olha para mim.
Dá-me a mão. Está tudo bem.
Lembra-te das nossas conversas sobre o controlo das emoções.
Está tudo bem. Eu estou aqui.
Está tudo bem. Não estás sozinha.
Olha para mim. Está tudo bem.
Está tudo bem. Não estás sozinha.
Eu estou aqui.
Está tudo bem.
Está tudo bem, sim ?
Não estás sozinha.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
A última vez em que estive aqui tinha a Matilde no colo.
Não penses nisso.
Vais ver que o Doutor nos vai ajudar.
SECRETÁRIA:Lamento, o Doutor não conhece nenhuma assistente social
chamada Vera Santos e não tem tempo para falar convosco.
Se calhar, o Doutor não se lembra.
Por favor, deixe-me falar com ele. Preciso mesmo de falar com ele.
Já lhe disse que o Doutor não conhece ninguém com esse nome.
RITA:Porque é que ele não quer falar comigo ?!
São só cinco minutos. Pedi cinco minutos do tempo do Sr. Doutor.
Ou ele não fala comigo porque está a esconder algo ?
SECRETÁRIA:Vou ter de pedir que saia, senão chamo a Polícia.
MÁRIO:Não vale a pena. Não podes ter problemas com a Polícia.
Vamos embora.
Lamento.
Muitos juízes considerariam que o que ouvimos é uma confissão.
E se ela for condenada ?
Doze, dezasseis anos de prisão ?
Vai acabar com a vida da miúda e da Leonor também.
Se o teu diagnóstico se comprovar, pode servir de atenuante.
Não posso fazer diagnóstico.
Sou demasiado próxima, não sou isenta.
Qualquer tribunal vai recusar o meu relatório.
Ela tem de ser vista por um especialista.
E agora ?
Vou ter de voltar a falar com ela daqui a pouco.
Vou precisar de ti.
Eu vou falar com a Leonor.
Já volto.
Não temos mais nada, Mário.
A minha última esperança era que este médico dissesse algo.
Quando chegares à minha idade, percebes que quando a vida
não te deixa seguir um caminho, tens de encontrar uma alternativa.
Era a nossa única pista !
- Temos de tentar falar com ele. - Foi o que tentámos.
- Não resultou. - Agora não interessa.
Vamos descobrir como chegar a ele e levá-lo a falar connosco.
Mário.
O que foi ?
PORTA ABRE
PORTA FECHA
CHAVES TILINTAM
Voltaste mais cedo. O que se passa ?
Sabias que o primeiro dia ia ser difícil.
Acho que nos devíamos ir embora.
Por causa do interrogatório ontem ?
Queres explicar-me porque estás tão ansioso ?
Tenho medo.
Acho que vão descobrir tudo.
PASSOS APROXIMAM-SE
Não foi ela.
É melhor preparares-te para que possa ter sido.
Sabes quem deviam estar a investigar ?
O pai dela. Ela tinha medo dele.
- Nós sabemos. - Sabem ?
Sabendo que ele lhe batia, acham que foi a minha filha ?
É porque ele é médico ?
Têm medo do Sr. Doutor, mas a filha da professora...
A Polícia segue provas e pistas.
A Sara, no último interrogatório, praticamente fez uma confissão.
A namorada dela está morta, sente-se culpada
porque a deixou sozinha. Qualquer pessoa entende, vocês não !
A tua filha morreu por não estares atenta.
Não mates a minha por não saberes fazer o teu trabalho.
Posso ir-me embora ?
Só tenho de fazer mais umas perguntas e podes ir.
LIGA GRAVADOR
POISA GRAVADOR
Há bocado, disseste que não sabias se a tinhas morto.
O que quiseste dizer com isso ?
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...)
Os comprimidos deixam-me sempre confusa.
(...)
Quais comprimidos ?
(...)
Os que me receitaram depois de eu...
Ter feito isto.
(...)
Tomaste esses comprimidos hoje ?
Antes de vires falar connosco ?
Sim.
(...)
BATEM À PORTA
PASSOS AFASTAM-SE
PORTA ABRE
PORTA FECHA Sara.
A tua mãe está lá fora à tua espera.
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
PORTA ABRE
PASSOS APROXIMAM-SE
Chega aqui fora, por favor.
PORTA FECHA
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...)
Boa tarde.
O meu colega disse-me que têm informações sobre o nosso caso.
- Sim. - Sentem-se por favor.
O que vos traz aqui ?
Há um mês, a minha filha foi levada por uma assistente social.
Disse-me que se chamava Vera Santos.
RITA:'Nunca mais a vi, nem a ela nem à minha filha.'
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
Fui a todo o lado tentar perceber o que se passava,
mas ninguém quis saber.
Nem a Polícia.
Inclusive, o seu colega aí atrás.
Mais tarde, descobri um caso igual ao meu.
E quando estávamos a cruzar as histórias,
descobrimos que os nossos filhos tinham ido ao mesmo hospital.
Foram atendidos pelo mesmo médico. Chama-se José Silva.
RITA:'Ele disse-nos a mesma coisa.
'Podíamos ir a clínica privada dele sem pagar.'
Pouco tempo depois de os nossos filhos terem ido à consulta,
desapareceram.
PEDRO:Peço desculpa.
Ainda não estou a conseguir perceber qual é a ligação
com o caso que estamos a investigar.
Por favor, deixe-a continuar.
Hoje, fomos à clínica desse médico.
RITA:'Fomos tentar falar com ele.
'Mas ele não quis falar connosco.'
Fui à Internet pesquisar o nome dele
e descobri duas coisas.
Descobri que nem toda a gente o conhece como José
e descobri também uma fotografia
onde ele aparece com esta Vera Santos.
RITA:'Ela é casada com ele.'
É aquela mulher ali.
A que têm ali no vosso quadro.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
São os pais da rapariga que apareceu morta.
#
#
VOZES IMPERCETÍVEIS
(...)
(...)
Como estás, filha ?
- Como te sentes ? - Quero ir para casa.
(...)
E agora ?
Já podem ir.
# TEMA INSTRUMENTAL CALMO
- Vamos ? JÚLIA:- Posso passar lá ?
Sei que estás chateada comigo, mas podemos conversar ?
Vamos, filha. Vamos para casa.
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
# TEMA INSTRUMENTAL INTENSO
# TEMA INSTRUMENTAL INTENSO SIRENES
# (...)
# (...)
# (...)
(...) TRAVÕES CHIAM
# (...)
BATEM NA PORTA
VASCO:Polícia Judiciária, abram a porta !
(...)
PEDRO:Sabemos que estão aí, abram a porta !
# (...)
HOMEM:Abram a porta !
# (...)
VASCO:Abram a porta !
# BATEM NA PORTA
# (...)
# (...)
FOLHEIA
LIGA GRAVADOR
São nove e três da noite.
Interrogatório do Henrique... José Henrique Silva.
BATE NA MESA
FOLHEIA CLICA EM CANETA
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
CLICA EM CANETA
Queres que comece por onde ?
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
Começa pelo início.
(...)
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
Tudo começou há 20 anos.
Eu e a Anabela estávamos casados há algum tempo,
mas não tínhamos filhos.
Tínhamos saído daqui e morávamos no Sul.
Eu tinha acabado de abrir
a minha primeira clínica e ela estagiava como assistente social.
Éramos felizes.
Ainda ficámos mais felizes
quando ela descobriu que estava grávida.
#
Como é que ela está ?
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
Foram vocês, não foram, Anabela ?
#
#
A culpa não é dela. Ela não era assim.
Era feliz.
Adorava o que fazia.
Só queria ajudar. Queria mesmo.
#
Quando é que as coisas mudaram ?
#
Na trigésima quinta semana.
Ela tinha passado o dia num bairro
e tinha andado a pé de um lado para o outro.
Nessa noite, fomos jantar fora.
Quando foi à casa de banho, descobriu que estava a sangrar.
Não havia nada que os médicos pudessem fazer.
#
Foi de parto natural.
Ela não quis que eu estivesse presente.
Mas eu ouvia os gritos.
Ele não resistiu.
#
A esta hora, o seu marido já confessou tudo.
É sempre assim, os fracos falam sempre primeiro.
O melhor que tem a fazer é contar-me a sua versão.
Porque já sabemos tudo o que vocês fizeram.
#
Foi aí que tudo começou ?
#
Preciso que respondas para que fique registado.
#
Sim, foi aí que tudo começou.
#
Queremos saber se, para além disso,
vocês foram capazes
de matar alguém do vosso próprio sangue.
#
#
Diga-me, Anabela.
Como é que tiveram a coragem ?
Como tiveram a coragem de matar a vossa própria filha ?!
Adaptação e Legendagem RTP - Conteúdos Adaptados
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