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# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE PASSOS APROXIMAM-SE
PEDRO:- Obrigado por esperares. - Foste longe demais.
#
Já estiveste em interrogatórios antes, não já ?
Isso não justifica o que fizeste.
Mostraste-lhe as fotografias. Isso foi horrível.
É o meu trabalho.
Às vezes, para obteres respostas, tens de provocar choque. Tu sabes.
#
Como correu com a Leonor ?
Não acrescentou grande coisa.
Perguntei da chamada
e disse que a Luísa queria falar com a Sara.
Já era tarde, pediu para ligar no dia seguinte.
Omitiu a informação porque tinha receio que duvidássemos da filha.
Garantiu-me que não sabia que ela tinha estado na praia com a Luísa.
Assim que voltou a casa não voltou a sair.
- Está bem. - A Sara disse-te alguma coisa ?
Disse.
Que o pai da Luísa batia na filha.
Que a deixou a sangrar do nariz e que a magoou no braço.
#
Faz sentido.
Faz sentido com o quê ?
#
Estava à espera do relatório médico.
Queria saber se havia
assuntos recorrentes ou acidentes estranhos.
#
A confirmação da Sara faz-me querer questionar o pai rapidamente.
BATEM À PORTA PORTA ABRE
O que foi ?
PEDRO LIGA GRAVADOR
Mariana.
O meu colega disse que nos querias contar algo.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
Eu menti quando falaram comigo na escola.
Vi a Luísa naquela noite.
Onde ?
Na praia.
# TEMA INSTRUMENTAL INTENSO
#
#
#
#
PASSOS APROXIMAM-SE
LEONOR:Filha.
Anda comigo.
Por favor.
(...)
Vá lá.
Anda lá, filha. Por favor.
Anda.
Com quem estavas ? Preciso dos nomes.
PEDRO FOLHEIA
Mariana.
O Inspetor só precisa de falar com eles.
TIQUETAQUE
Ninguém precisa de saber que estiveste connosco.
(...)
Com quem estavas na praia ?
(...)
O Pedro, o Rafa,
a Sofia e o João.
(...)
E o que estavam a fazer na praia a essa hora ?
(...)
Fizemos uma fogueira. Estávamos a fumar e a beber.
Entretanto elas apareceram.
Elas quem ?
A Sara e a Luísa.
Ficaram a discutir e nós fomos logo embora.
O João deu-me boleia.
Nós andamos.
Ele deixou-me em casa e foi-se embora.
Liguei-lhe logo a seguir para o telemóvel
porque me esqueci da mala no carro dele,
mas estava desligado.
(...)
Mais tarde a mãe dele ligou-me.
Disse-me que ele ainda não tinha chegado.
Queria saber se eu sabia dele.
(...)
A que horas foi essa chamada ?
Eram quase duas da manhã.
(...)
(...) PEDRO ESCREVE
Há mais uma coisa.
TIQUETAQUE
Eu sei quem pôs as fotografias da Sara e da Luísa online.
Foi o João.
Como é que ele teve acesso a essas fotografias ?
(...)
Foi numa aula de Educação Física. Eu fui ao balneário...
Vi o telemóvel da Luísa...
Vi as mensagens dela no WhatsApp e decidi levar o telemóvel dela.
(...)
Encontrei-me com o João, ele viu e pôs tudo online.
(...) PEDRO ESCREVE
Nós não gostávamos delas, mas eu não queria que ninguém morresse.
Era só uma brincadeira.
Eu não pensei que ele fosse tão longe.
(...)
PEDRO FECHA CANETA
A primeira vez que te trouxe aqui tínhamos acabado de nos mudar.
Quando tu nasceste salvaste-me, sabias ?
Eu estava tão triste.
Queria ter um filho e não conseguia.
Foste um milagre.
O meu milagre.
Nada vai mudar isso, ouviste ?
A minha vida não faria sentido sem ti.
Porque é que não me disseste que a Luísa te ligou ?
O que é que ela queria ?
Saber se tinhas chegado a casa.
Disse-me que não estavas a atender.
Deu a entender que tinham acabado tudo.
Não pediu para falar comigo ?
Não.
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
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# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE PASSOS APROXIMAM-SE
# (...)
GRILOS CRICRILAM
(...)
A Polícia ligou.
(...)
Vou ser interrogado amanhã.
(...)
(...)
Haja o que houver, não lhes podes contar nada.
Eu sei.
Eu sei.
(...)
(...)
PORTA ABRE
CHAVES TILINTAM
Sim ?
É da Polícia Judiciária ?
O meu nome é Rita Rodrigues.
Preciso de falar com um inspetor, acho que se chama Vasco.
Eu espero.
Obrigada.
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
# CHAMADA EM ESPERA
# (...)
# (...)
(...) RITA CHORA
(...) (...)
(...) (...)
VASCO:"Vasco Dias, boa noite."
(...) (...)
Eu preciso de ajuda.
Eu preciso de ajuda, por favor.
(...) (...)
"Peço desculpa. Com quem estou a falar ?"
Eu sei que disse que não podia ajudar.
(...) (...)
Senão vou cometer um grande erro.
(...) (...)
Eu vou cometer um grande erro se eu não tiver ninguém.
Preciso de alguém que me diga que a vou encontrar, por favor.
Eu preciso de ajuda.
"Eu peço que tenha calma. Pode dizer-me o seu nome ?"
Sou Rita.
Rita Rodrigues.
Fui ter consigo esta semana.
A minha filha...
Ela foi levada por uma assistente social,
eu não sei...
Eu não sei onde ela está.
(...) (...)
"Sra. Rita.
"Lamento muito, mas o ideal é contactar os serviços sociais.
"Esperar pelo tribunal..."
É por causa das drogas, não é ?
É por causa das drogas ?
Mas eu já não sou assim. Eu prometo.
Eu já não sou assim.
"Sra. Rita, recomendo que desligue esta chamada.
"Se me chamarem para testemunhar sou obrigado a relatar a conversa
"e a dizer que não me parece estar num estado normal."
Não adianta mudar, pois não ?
Nada do que eu vá fazer
me vai tirar esta merda deste rótulo que me deram, não é ?
"Boa noite, Sra. Rita."
VASCO DESLIGA CHAMADA
#
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# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
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# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
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# BATEM À PORTA
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
- Bom dia. - Olá, bom dia.
- O que aconteceu ? - Olha, já leste ?
Dizem muito mal do trabalho da Polícia.
Mal liguei a televisão já estava em todos os canais.
Coitados dos pais.
E tu ? Como estás ?
Há meses que não passavas tanto tempo com o Pedro.
Sempre gostei dele.
Hoje ainda passas na associação ?
- Passo, durante a tarde. - Tens de fazer um atendimento.
Talvez seja melhor marcar para amanhã.
Só porque não sei quanto tempo o Pedro precisa de mim hoje.
Não tem muitas pistas, pois não ?
Eu estou só a acompanhar os interrogatórios dos miúdos.
Não tenho acesso ao processo todo.
Não gosto nada que estejas sozinha no meio do nada.
- É onde me sinto bem. - Não tens medo ?
De quê ?
Da solidão.
PEDRO CLICA EM CANETA
(...)
(...)
Pelo menos dez pessoas dizem que viram a miúda
em sítios diferentes, de madrugada,
depois da hora a que o médico-legista disse que morreu.
Como eu previa, os maluquinhos das teorias da conspiração
começaram a aparecer. - Não percas mais tempo com isso.
Há mais que fazer.
Tu vais ficar a olhar para estas imagens eternamente
à espera de uma resposta milagrosa ?
Há aqui alguma coisa que não está a bater certo.
Eu é que ainda não percebi o quê.
Olha, o que fazes logo à noite ?
A Mafalda vai com os miúdos a casa do pai. Vamos beber um copo.
Depois do turno vamos ver o jogo.
Pagas tu.
Precisas de mim para os interrogatórios ?
- Para o do Henrique, certo ? - Sim, sim.
Vou ver como está a análise das redes sociais dela.
PEDRO CLICA EM CANETA
JÚLIA:Já sabes como isto funciona.
O Inspetor só precisa que lhe digas onde estiveste
entre a meia-noite e as duas na noite da morte da Luísa.
TIQUETAQUE
PEDRO:Sabemos que divulgaste as fotos. É bom que fales.
Suponho que tenhas uma boa razão para tudo.
Se falares connosco,
se explicares onde estiveste e o que aconteceu, podes sair.
Imagino que seja o que mais queres neste momento.
(...)
Podemos começar por falar na Luísa ?
(...)
O que tem ?
- O que é que ela te fez ? - Nada.
Ela mudou-se para cá há uns dois anos ?
- Sei lá. Deve ter sido. JÚLIA:- Nunca foram amigos ?
- Namorados ? - Não, não.
Porque a escolheste como alvo ?
JÚLIA:Não era ela, pois não ?
A pessoa que querias magoar.
Na verdade, era a Sara. Porquê ?
Ela mudou.
Estás a falar do facto de ela gostar de raparigas ?
(...)
- Por isso, divulgaste as fotos ? - Sim.
JÚLIA:Sentiste-te mal quando começaram a ser gozadas ?
- Porquê ? JÚLIA:- Se gostamos de alguém
sentimo-nos mal ao saber que está a ser magoada.
Mesmo que ela não queira nada connosco.
- O que elas faziam era errado. JÚLIA:- Era ?
- Era. - Errado gostarem uma da outra ?
(...)
Vá lá, João.
Quero ajudar-te, mas precisas de começar a falar.
Não tenho nada para dizer, vão fazer o quê ?
Vão prender-me por causa de umas fotografias ?
(...)
João, não sei se já percebeste, mas a tua situação é complicada.
É a terceira vez que me mentes.
Na primeira, não sabias quem divulgou as fotos.
Na segunda, não as viste na praia.
Na terceira, disseste que chegaste a casa à meia-noite.
Sabemos que não chegaste a casa à meia-noite.
Tenho uma testemunha que te põe no local do crime com a vítima.
(...)
Estou farto de perder tempo contigo.
(...)
Vais parar de mentir ?
- Já disse que não fui eu. PEDRO:- Já ?
- Já. - Muito. E o que não disseste ?
Onde estavas ?
Em casa.
(...)
Sabes quem confirmou o que a testemunha disse ?
(...)
A tua mãe.
Quando chegaste a casa passava das três da manhã.
(...)
Não há nada mais grave do que uma acusação por homicídio.
O que nos estás a esconder é mais grave do que isso ?
Oiçam.
Não fui eu.
(...)
Onde é que estiveste àquela hora ?
(...)
Quem vos disse isso ?
- O que interessa ? - E se essa pessoa está a mentir ?
JÚLIA:- Ninguém te acusou. - Ele acha que fui eu !
- Não foste ? - Não fui, otário !
Baixa a voz. Prendo-te por desobediência. Segunda vez.
(...)
JÚLIA:Porque não confias nas pessoas ?
Porque hei de confiar em vocês se não acreditam em mim ?
Eu acredito.
Ninguém te está a culpar de nada.
Nós só queremos saber a verdade.
(...)
PORTA ABRE
Queres almoçar ?
Encomendei piza.
Anda lá. Não me deixes a almoçar sozinha, por favor.
LEONOR SUSPIRA
Ontem, quando estiveste fora, falei com os teus avós.
Ficaram contentes por irmos viver com eles.
Ao início vamos ter de dividir um quarto.
Mas vai ser só ao início.
Só até eu encontrar uma casa para nós.
Para arrendar.
(...)
Também falei com o senhorio.
Ele deixa-nos sair no final do mês.
Ele entende a nossa situação.
Tão depressa ?
E a escola ?
Filha...
Também vou pedir baixa até ao fim do ano letivo
e para o ano candidato-me a uma escola perto dos avós.
Não comes ?
Tens de comer, filha.
O que foi ?
Eu não quero ir.
- É para o teu bem. - Porquê ?
Se ficares aqui não te deixam em paz.
Eu posso até mudar de escola se quiseres.
Mas eu não quero sair da cidade.
PEDRO CLICA NA CANETA
(...)
Acreditas nele ?
PEDRO:O Vasco foi buscar as imagens.
Acredito quando as vir.
(...)
PEDRO FOLHEIA
És muito duro nos interrogatórios.
Deixas as pessoas desconfortáveis.
É natural que elas não falem.
Não costumavas ser assim quando trabalhávamos juntos.
Não foste a única que mudou.
Eu sei que estás sob uma grande pressão.
Não precisas de encontrar um culpado à força.
A única coisa que quero encontrar é justiça.
É o meu trabalho.
Às vezes falas e parece que nem me conheces.
PASSOS APROXIMAM-SE
- Então ? - Então.
As câmaras do parque de estacionamento estavam funcionais.
Querem ver ?
Avança isto.
VASCO:Aqui, é ele.
A esta hora a Luísa já estava morta.
- Porque é que nos mentiu ? - Nunca tiveste 18 anos ?
Está com outra miúda. Não quis ser apanhado.
Parece estúpido, mas na idade deles
as mentiras tomam proporções gigantes.
Manda o puto embora. Não foi ele.
Importas-te que não fique no interrogatório do Henrique ?
A Mafalda está retida no trabalho e pediu para ir buscar os putos.
- Vai lá. Eu falo com ele sozinho. - Obrigado.
PEDRO SUSPIRA
# TEMA INSTRUMENTAL DRAMÁTICO
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PORTA RANGE
MÁRIO:Não faças isso, Rita.
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Ele não tem remédio, mas tu tens a tua filha.
Não podes desistir dela.
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Ela precisa de ti.
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PASSOS APROXIMAM-SE
- Já terminaram ? - Por hoje.
Mas se o Pedro precisar de mim ele liga-me.
Hoje está calmo. Porque não vais para casa descansar ?
TELEMÓVEL VIBRA Tenho relatórios para entregar na Polícia.
(...) Devia ir lá dentro acabá-los.
(...) Desculpa.
Sim ?
Mas o que se passa ?
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
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# BATEM À PORTA
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Júlia, ajuda-me, por favor.
Calma. O que aconteceu ?
Deixei-a no quarto por instantes. Quando voltei, já não estava lá.
- Há quanto tempo desapareceu ? - Não sei. Liguei-te...
- Assim que percebi. - Não passou assim tanto tempo.
Nós vamos encontrá-la. Olha para mim, tem calma.
E se tenta matar-se outra vez ?
Para com isso. Não adianta pensar no que pode acontecer.
Só temos de encontrá-la.
Há algum lugar que seja importante para ela ?
- Não sei. - Especial para ela e para a Luísa.
#
- Sim. - Vamos até lá.
Eu levo o meu carro. Vamos.
#
Como soube que eu estava lá ?
Não sabia.
Duas vezes por semana vou ver o Paulo.
Levo-lhe comida.
Vejo aqueles olhos...
Vazios...
Tento encontrar os olhos do meu filho.
Uns olhos brilhantes.
Quando chegava a casa a correr,
dava-me um beijo a mim e à mãe dele.
Pedia sempre se podia ir brincar.
Pergunto-me... Para onde é que ele foi ?
Para onde é que ele desapareceu ?
É por causa desse Paulo que eu continuo a ir lá.
É a ele que me agarro.
Sempre que chego àquele quarto, antes de entrar...
Tenho sempre esperança de o voltar a encontrar.
Já tentei...
... muitas vezes impedi-lo de se drogar.
Ele nunca largou a seringa.
Mas tu largaste.
Tu largaste, Rita.
Tu não és como ele.
Pois não, sou pior.
Nem sequer consigo seguir em frente.
Não estás sozinha.
Eu sei... Tu olhas para mim...
Só vês o pai do monstro que te estragou a vida.
Mas eu sou avô dela.
Se precisares da minha ajuda, vou estar aqui para vos ajudar.
Eu falhei muito.
No passado.
Mas as pessoas aprendem com os erros.
Ao longo dos últimos anos eu tenho aprendido muito.
Deixa-me ajudar-te.
Eu nunca pensei querer voltar àquilo.
Mas não adianta fingir, não é ?
Eu sou uma viciada.
Vou ser sempre uma viciada.
Se calhar a Matilde está melhor sem mim.
Nenhuma filha está bem longe da mãe
quando a mãe a ama como tu amas a Matilde.
Que tipo de mãe sou eu que pensa que mal você saia daqui
vou para lá para me poder injetar ?
Uma mãe desesperada que precisa de ajuda.
Não te vou deixar sozinha esta noite.
Não. Vamos ficar aqui.
Vais contar-me tudo o que se passa.
Vamos tentar perceber como podemos trazer a Matilde para casa.
TIQUETAQUE
(...)
(...)
Confirmas que estás a falar connosco de livre vontade ?
Que abdicas da presença de um advogado ?
(...)
Preciso de um advogado ?
(...)
Diz-me tu, Henrique. Precisas de um advogado ?
(HESITANTE)Não...
(...)
Interrogatório de Henrique Silva.
(...) # TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
Sabes porque estás aqui ?
Não sei.
(...) #
(...) #
(...) #
(CONFUSO)Não estou a perceber o que é isto.
(...) #
É o historial médico da Luísa.
(...) #
O relatório do médico-legista confirma lesões antigas também.
(...) #
(...) #
Podes explicar-me
porque é que a partir do momento em que a tua filha tem namorada,
de repente, ela começa a ir parar ao hospital ?
(...) #
(...) #
Eu acabei de deitar as cinzas da minha filha ao mar.
Tu, como me conheces, és capaz de me acusar de lhe bater ?
Agora ?!
Eu não te conheço. E tenho uma testemunha.
Afirma que lhe bateste ao ponto de ela sangrar do nariz.
De ficar com uma nódoa negra gigante no braço.
(...) #
- Diz-me a verdade, Henrique. - Não a querem, querem culpados.
Porque lhe bateste ?
(...) #
(...) #
Foi depois de descobrir aquilo.
Aquilo o quê ?
De ela gostar daquela miúda...
Que namoravam.
(...) #
Que eu perdi a cabeça.
Como reagias se fosse tua filha ?
Quem faz as perguntas sou eu, não és tu, entendido ?
(...) #
Sabes qual é a questão ? O que está aqui em causa ?
Estás a acusar o pai de uma vítima de um homicídio cruel
porque não fazes o teu trabalho ! - Agradeço que baixes o tom.
Não consegues encontrar um culpado !
(...) #
Admites que lhe batias, certo ?
(...) #
Foi uma vez.
(...) #
- E as outras lesões ? - Não sei, não fui eu.
(...) #
Batias na tua filha porque ela era feliz ?
Foi só daquela vez.
Não é isso que o relatório médico dela diz.
Os hospitais cometem erros.
(...) #
Sabes que as coisas não funcionam assim.
Pedro, vá lá.
Todos os pais batem nos filhos quando é preciso.
Faz parte.
(...) #
O que é que tu fizeste, Henrique ?
(...) #
Naquela noite,
quando chegaste a casa, tinhas bebido uns copitos a mais ?
Reparaste que a Luísa não estava lá.
Ficaste irritado, foste à praia à procura dela.
Encontraste-a com a Sara.
(...) #
Esperaste até a Sara se ir embora.
Foste ter com a tua filha, discutiram.
Perdeste o controlo e mataste-a ?
(...) #
Foi isso ?
(...) #
Henrique.
Sabes que se confessares pode ser atenuante, certo ?
(...) #
- Não és o primeiro nem último... - Não digo mais nada
sem falar antes com o meu advogado.
(...) #
Adaptação e Legendagem RTP - Conteúdos Adaptados
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