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BATEM À PORTA
PORTA ABRE
VASCO:Então ?
Nestas imagens, notam-se mais hematomas no pescoço.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE SIRENES
#
São compatíveis com o estrangulamento.
#
O médico-legista também acha, mas esperamos pela autópsia.
#
O que eu quero agora saber
é se já estava morta quando foi atirada à água.
Porque estava na praia àquela hora e com quem.
Esta miúda não saía à noite.
Das duas uma, ou foi obrigada a ir para a praia
ou estava com alguém de confiança.
#
Como é que correu com a Júlia ?
#
Correu bem, porquê ?
#
Não é a mesma desde que a filha morreu e com o vosso passado...
Mas estás a questionar o meu profissionalismo ?
#
#
#
#
#
Não me vais perguntar se eu sabia sobre elas ?
Eu sabia.
Não te disse nada, achava que era só uma fase.
Há quanto tempo é que estavam juntas ?
A Luísa mudou-se para cá há cerca de dois anos e foi nessa altura.
Ela falava abertamente contigo sobre o namoro ?
LEONOR:Não.
Mas eu sabia e...
Não quis pressioná-la porque estava tão feliz ao início.
Ela estava feliz.
Mas não podias imaginar o que ia acontecer.
Não te culpes.
LEONOR:Eu sempre imaginei que podia protegê-la de tudo.
E agora não há nada que eu possa fazer...
Sei bem o que isso é.
Desculpa.
Desculpa, Júlia. Eu sei que sabes.
Eu não sei como ela vai ultrapassar isto.
Ju, não sei mesmo.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
#
#
PEDRO:"O que fizeste ontem à noite ?"
JOÃO:"Estive com os meus amigos e à meia-noite estava em casa."
PEDRO:- "O que fizeram ?" JOÃO:- "Estivemos por aí."
PEDRO:- "Não é resposta." JOÃO:- "Pronto, no jardim."
- "Pode ser ? Está bom ?" PEDRO:- "Não foram à praia ?"
JOÃO:"Não. Porquê ? Foi aí que a mataram ?"
PEDRO:- "Viste a Luísa ontem ?" JOÃO:- "Não."
PEDRO:"Ligo aos teus pais e dizem que estavas em casa à meia-noite ?"
JOÃO:"Pensei que tinham dito
"que não precisavam de falar com os meus pais.
"Posso bazar quando eu quiser, não é ?"
JÚLIA:"Se saíres daqui agora,
"nós deixamos de poder ajudar."
PEDRO DESLIGA GRAVADOR
#
#
#
#
#
#
#
#
Os meus pais ligaram.
Querem saber como vai ser o funeral.
Não quero lá ninguém.
Como queiras.
Isto é um pesadelo.
Não.
Não é um pesadelo.
É a realidade.
SUSPIRA
CARRO APROXIMA-SE
# TEMA INSTRUMENTAL CALMO
PORTA FECHA
BATEM NA PORTA
(...)
O que se passa ?
- Leonor, o que aconteceu ? - Ajuda-me.
A Sara...
- O que aconteceu ? - A Sara...
O que aconteceu ?
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
#
#
OPERADORA: "O número para o qual ligou não está atribuído."
#
#
Obrigada.
Como é que ela está ?
Estável.
Mas os golpes foram profundos e perdeu muito sangue.
Felizmente, foi encontrada a tempo.
E agora ?
A Leonor está lá dentro com ela.
Mas a Sara foi medicada.
Não acorda tão cedo.
SIRENE
(...)
Porque não vais para casa descansar ?
Eu levo-te.
Não queria deixá-las aqui sozinhas.
Voltas de manhã. Não estás aqui a fazer nada.
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
ONDAS REBENTAM
(...)
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
#
#
#
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
Ontem, às 8h30 da manhã,
uma patrulha da Polícia Marítima que fazia a ronda
encontrou um corpo na praia.
A ocorrência foi comunicada à Unidade de Homicídios da PJ.
Está neste momento a investigar o caso.
A rapariga encontrada chamava-se Luísa Silva.
Tinha 17 anos.
Enquanto esperamos pelo relatório da autópsia,
queria fazer um apelo e pedir a todas as pessoas
que possam ter alguma informação sobre este caso
para entrarem em contacto connosco.
Neste momento, por insignificantes que as informações possam parecer,
são, como é óbvio, essenciais.
RITA PULVERIZA SPRAY
BATEM À PORTA Entra.
A porta estava aberta.
Não estavas em casa, calculei que tivesses vindo trabalhar.
Fiquei preocupada com a tua mensagem. De que querias falar ?
Estive a noite toda acordada a pensar nos padrões e lembrei-me.
MARIA:- O quê ? - Soubeste quem fez queixa de ti ?
Não, mas...
Pode ter sido qualquer pessoa.
Até pode ter sido uma denúncia anónima.
Não. Eu não acredito nisso.
No meu caso, até acho que sei quem foi.
Se descobrirmos essa pessoa,
pode ser que ela tenha o contacto da assistente social.
Quem achas que denunciou ?
Acho que foi o pai da minha filha.
Ligaram da funerária.
Querem saber o que queremos fazer.
Se a queremos cremar ou enterrar.
Anabela.
O que foi ?
Temos de decidir.
VOZ HOMEM ALTIFALANTE
Então ? Como é que ela se está a aguentar ?
Mal.
JÚLIA:E tu ?
Estou preocupada.
A Polícia ainda vai querer interrogá-la ?
Leonor, acredito que sim.
Ela não sabe de nada.
Tenho medo que se a pressionarem muito, ela volte a tentar.
Que ela volte a tentar matar-se, percebes ?
Não tenhas medo. Eu vou lá estar.
Eu vou estar presente no interrogatório.
Não vou deixar que nada aconteça.
- O que é que o médico disse ? - Vai ter alta esta tarde.
Mas vai ter de continuar a ser seguida pela Psiquiatria.
Está bem.
É tão fácil falar quando não sabemos, não é ?
Desculpa...
... todas as coisas que eu disse quando a Margarida morreu.
Nunca ninguém sabe exatamente o que dizer e...
É normal.
- A morte de um filho... - Se acontece algo à Sara,
eu não consigo continuar a viver.
Eu não consigo mesmo. Ela é tudo o que eu tenho.
LEONOR CHORA
Há chamadas efetuadas para o mesmo número. O 248 é quem ?
A Sara.
A Luísa recebeu uma chamada dela por volta das 20h30.
Ligou várias vezes para ela e ninguém atendeu.
Por volta das 00h15,
ligou para esse número assinalado a vermelho.
A chamada durou menos de um minuto e foi feita da praia.
Este número é de quem ?
Da Leonor. A mãe da Sara.
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
Mais alguma coisa ?
Tal como todos os outros miúdos da escola,
não fazia muitas chamadas. Ligava para a mãe e para a Sara.
Mas há uma altura em que ela recebeu um pico de telefonemas.
Todos números completamente diferentes
e todos de curta duração.
#
Alguns são miúdos que interrogaste na escola
e outros ainda estamos a tentar identificar.
#
E a operadora já vos deu acesso às mensagens ou não ?
- Sim, estão na outra pasta. - Isto ?
#
Os miúdos conseguem ser mesmo mauzinhos.
#
Devem ter sido enviadas quando divulgaram as fotos com a Sara.
Foi o que eu achei.
#
- E conversas entre as duas ? - Centenas.
Estou a rever tudo e ainda nem vou a meio.
O resto da equipa está a ver as redes sociais e o WhatsApp.
Qual foi a última localização do telemóvel ?
A última vez que a antena o apanhou foi na praia.
Já pedi para efetuarem buscas outra vez nessa zona,
mas se o atiraram ao mar vai ser impossível reavê-lo.
BATEM À PORTA
Entre.
- É a autópsia ? MULHER:- Sim, chegou agora.
Obrigado.
#
#
#
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
#
Onde é que ele está ?
- Não te queres sentar ? - Não, quero saber do seu filho.
Ainda fumas ? Arranja-me um cigarro.
Tive de deixar de fumar há dois anos.
Enfisema pulmonar.
MÁRIO TOSSE
(...)
Eu sei que não queres saber.
Mereço que não te importes comigo.
Eu sabia o que ele te fazia e nunca tentei ajudar.
Mas tu eras igual a ele.
Uns agarrados, os dois.
Roubaram tudo e desapareceram.
Só voltavam quando o dinheiro da droga acabava. Mereciam-se.
Eu pedi-lhe ajuda uma vez.
Fechou-me a porta na cara depois de dizer que estava grávida
e que o seu filho me batia.
As pessoas da minha idade não sabem tudo.
Errámos muito.
Eu devia ter-te deixado entrar.
Mas ainda bem que não o fiz.
Pareces muito melhor.
Já não tens aquela cara.
Vi-te há uns tempos com a bebé.
Parecias muito feliz.
Como está a minha neta ?
Se dependesse de vocês, tinha morrido antes de nascer.
A minha filha não tem pai nem avô.
Nesse caso, porque queres saber do Paulo ?
Isso é entre mim e ele. Onde é que ele está ?
Não é difícil saber onde ele está.
Onde param todos os agarrados ?
Bom, tenho de voltar, antes que toque para a saída.
Se fores inteligente, não vais atrás dele.
O Paulo deu cabo da mãe dele, deu cabo de mim.
Quase que dava cabo de ti.
Não voltes a cair duas vezes no mesmo erro.
BATEM À PORTA
- Sim ? - Posso ?
Sim. O que aconteceu ?
Chegou a autópsia da Luísa.
A morte aconteceu entre a meia-noite e as duas da manhã.
A marca no pescoço dela é horizontal
com profundidade uniforme abaixo da cartilagem.
Nas fotos dá para ver as escoriações.
Fizeram tanta força que partiram os ossos do pescoço.
E a morte aconteceu antes de ter sido atirada à água.
Tem também marcas nos braços de ter sido arrastada pelo areal.
E um ombro deslocado.
Não há vestígios de álcool nem de químicos no sangue.
JÚLIA HESITA
Sinais de violação ?
Sem sémen, trauma anal, vaginal,
rasgos, queimaduras, nada.
Mais alguma coisa ?
Encontraram pequenas partículas de pele debaixo das unhas.
Significa que ela se debateu.
Mas não teve hipótese, deve ter sido demasiado rápido.
Essas partículas são suficientes para um teste de ADN ?
Seguiram para laboratório, mas duvido.
A amostra é demasiado pequena.
E a água salgada provavelmente comprometeu-a.
O atacante é homem ou mulher ?
A autópsia não conseguiu determinar isso.
Não vieste até aqui só por causa do relatório, pois não ?
Não.
Tenho de falar contigo sobre a Sara.
- Porquê ? - Temos várias chamadas
da Luísa para a Sara na noite do crime.
E uma chamada dela para a Leonor.
Ontem, quando falámos com elas, não mencionaram isso.
Pedro, a Sara tentou suicidar-se esta madrugada.
Pode ser admissão de culpa.
Pode estar só em sofrimento, um ato de desespero.
É muito cedo para falar com ela.
Isso é a tua opinião pessoal ou profissional ?
O que queres dizer com isso ?
Quero garantir que a opinião seria igual não sendo a filha da Leonor.
Tudo bem, se não confias na minha opinião profissional,
recomendo que fales com o psiquiatra que a acompanha.
TELEMÓVEL VIBRA Não é isso que estou a dizer.
Encontraram várias impressões digitais
nas evidências que estavam na fogueira junto à praia.
Temos duas correspondências.
São de quem ?
PASSOS APROXIMAM-SE
LEONOR:Trouxe-te chá, filha.
Estive a pensar e acho que...
Devíamos falar com os teus médicos.
Podemos pedir para darem baixa por mais tempo.
Eu falo com a escola, despeço-me e vamos embora.
Podemos ir para casa dos teus avós.
Acho que eles iam gostar.
Começávamos tudo do zero.
O que te parece ?
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE
#
CAMPAINHA TOCA
#
Vou ver quem é.
Tenta descansar um bocadinho.
Eu já volto, está bem ?
#
TOSSE
(...) RISOS
# TEMA INSTRUMENTAL DRAMÁTICO
# GEMIDOS
#
Onde está o Paulo ?
# GRITOS
# (...)
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
PORTA ABRE
PORTA FECHA
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...)
Lamento, Sara, tenho de fazer perguntas
sobre a noite da morte da Luísa.
Encontrámos esta fogueira perto da praia onde ela morreu.
Mandámos analisar estas beatas e garrafas.
Conseguimos identificar duas impressões digitais.
As tuas são uma delas.
Estiveste a beber naquela noite ?
(...)
Não adianta ficares calada ou mentir.
As impressões digitais provam que estiveste lá.
(...)
Sabemos que havia um grupo. Quero o nome de toda a gente.
(...)
Sara.
(...)
Sara.
É natural que ao passares por uma dor tão profunda
como a que estás a viver, tenhas vontade de desistir.
(...)
Quando a minha filha morreu, tive vontade de desaparecer.
Foi a tua mãe que me levou lá para casa.
Passei semanas fechada num quarto por me sentir culpada.
Não tinha atendido o telefone, não tinha ouvido as mensagens.
Não sabia que consumia droga
e muito menos esperava que fosse morrer de overdose.
(...)
Desculpa.
(...)
Eu também me sinto culpada.
(...)
Porquê ?
(...)
Por estar viva e ela não.
(...)
A Luísa ligou-me naquela noite várias vezes
e eu nunca atendi.
(...)
Podia tê-la ajudado.
(...)
Mas discutiram ? Zangaram-se por algum motivo ?
(...)
Não sei.
(...)
A autópsia diz que morreu entre a meia-noite e as duas.
O que estavas a fazer nessa altura ?
(...)
Estava em casa.
PEDRO:Encontrámos as tuas impressões digitais na praia !
Eu não estive na praia, eu estive em casa.
O que fizeste entre a meia-noite e as duas ?!
- Já respondeu a isso. - Tens alguém que confirme ?
(...)
A minha mãe.
(...)
O que fizeste entre a meia-noite e as duas da manhã ?!
Ela já respondeu a essa questão.
(...)
Muito bem. Então, estiveste em casa.
O que estiveste a fazer em casa a essa hora ?
(...)
Nada.
(...)
A Luísa tentou ligar-te e não atendeste, certo ?
(...)
Mas ela depois ligou para a tua mãe, sabias ?
(...)
O que queria ? Não atendeste e a tua mãe não te chamou ?
Não.
A tua mãe sabia que vocês eram namoradas ?
(...)
Quando é que lhe contaste ?
Não lhe contei.
Mas ela sabia. As mães sabem sempre tudo.
E os pais da Luísa sabiam ?
Como é que reagiram ?
(...)
Ouve, Sara.
Sei que estás a fazer o que a tua mãe ou o advogado pediram.
Mas tens noção de que isso te vai prejudicar imensamente ?
(...)
O que aconteceu naquela noite ?!
- O que fizeste naquela noite ? - Podes permanecer em silêncio.
PEDRO:Ela deixou de gostar de ti ? Quis terminar a relação ?
- Por isso, cortaste os pulsos ! - Chega !
Eu aceitei colaborar com a Polícia.
A minha opinião como profissional é que este interrogatório
deve acabar agora !
ARRASTA CADEIRA
Terminamos o interrogatório.
É possível que tenhamos de falar contigo outra vez, Sara.
Leva-a para a minha sala. Falo com a mãe dela sem ti.
Vamos embora.
Vamos embora. Vem comigo.
Vem comigo.
(...)
PORTA ABRE
PORTA FECHA
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
(...) PASSOS APROXIMAM-SE
GRAVADOR LIGA
RELÓGIO TIQUETAQUEIA
Podes explicar porque não disseste que a Luísa esteve com a Sara ?
(...)
Tive medo que a considerassem suspeita.
PORTA ABRE
GRITOS
Estás diferente.
RITA: A quem fizeste queixa de mim ?
Não falei com ninguém.
Se me querias estragar a vida, parabéns.
Conseguiste outra vez.
Agora para com essa merda e diz-me a verdade.
Estás cheia de coragem. Antigamente não eras assim.
Estás com medo de mim ? Tens nojo ? Tens nojo ?!
Levaram a nossa filha !
Eu não sei onde ela está.
Percebes o que isso quer dizer ?
PAULO TOSSE
Paulo.
Se alguma vez na vida te importaste com ela,
diz-me com quem é que falaste.
Sabia que ias voltar. Eu e tu somos iguais.
RITA:Não penses que me conheces.
Responde ao que te perguntei. Com quem é que falaste ?
Vejo nos teus olhos desde que entraste
que só pensas no bem que te ia saber uma dose. Estás a fingir.
Porque é que não admites ?!
Lembras-te de como era bom ?
Só eu e tu, os dois juntos.
Lembras-te da tua primeira vez ? Experimentaste comigo.
Não foi bom não sentir nada ?
Esquecer todas as merdas que estavam na tua cabeça.
Não gostavas de voltar a sentir isso ?
Paulo, por favor.
Responde-me.
- Com quem é que falaste ? - Não falei com ninguém !
Tu sabes que queres isto, não sabes ?!
# TEMA INSTRUMENTAL TRISTE ABRE GAVETA
#
# FECHA GAVETA
# ABRE GAVETA
#
O que estás a fazer ?
#
Ela vai precisar de roupa.
#
O que achas que as pessoas pensam se descobrirem tudo ?
#
Ela está morta.
O que é que isso interessa ?
#
#
#
JÚLIA:Desculpa.
Ele não devia ter mostrado as fotografias.
Eu lamento.
SARA HIPERVENTILA
É natural que não te lembres de tudo o que aconteceu.
Em situações de trauma,
o nosso cérebro tem a capacidade de se proteger.
As nossas memórias ficam recalcadas.
(...)
Eu lembro-me.
A minha mãe é que me disse para eu não falar.
(...)
A tua mãe só está a tentar proteger-te.
Mas sabes que podes falar sempre comigo, não sabes ?
Nunca me falaste da Luísa
nas nossas sessões.
A terapia era para falar do que me fazia mal.
A Luísa só me fazia bem.
JÚLIA:Como é que ela é ?
A Luísa ?
Sim.
Especial.
JÚLIA:Especial como ?
Eu acho que ela não sabia.
Mas sempre que eu estava ao pé dela...
Fazia com que eu me esquecesse de tudo.
Quando ela sorria...
Fazia tudo parecer mais fácil.
Ela ligava-me todas as noites antes de eu adormecer.
Às vezes,
ficávamos ao telefone durante horas.
A noite toda sem desligar.
Isso acalmava-me.
Ela sentia-se segura.
Tomávamos conta uma da outra.
SARA CHORA
Ontem à noite, fiquei à espera da chamada dela.
Foi aí que percebi que ela não me vai ligar mais.
E eu...
Eu quis desistir.
(...)
(...)
Os pais dela acham que eu sou culpada.
Os pais dela estão só muito tristes.
Acabaram de perder uma filha.
Eles não conheciam a Luísa.
Não faziam ideia da vida dela.
O que ela sentia...
Do medo que ela tinha do pai.
Do pai ? Porquê ?
# TEMA INSTRUMENTAL SUSPENSE
O pai dela viu uma fotografia nossa.
Obrigou-a a contar-lhe tudo.
#
Quando ela chegou a minha casa,
tinha sangue a escorrer pelo nariz
e uma marca no braço de ter sido agarrada à força.
Fui eu quem cuidou dela.
#
O pai da Luísa bateu-lhe por saber que eram namoradas ?
#
#
Adaptação e Legendagem RTP - Conteúdos Adaptados
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