All language subtitles for Causa Própria S01 E02 - Episode 2

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American) Download
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Uma, duas...

Três, quatro...

Quatro pegadas.

Aqui André.

André...

Então e os outros?

Passa para este lado. Vem dar comida aos patos.

Encontra o miúdo.

Onde é que puseste os sapatos, rapazito?

Maria.

André Gomes,17 anos. Estudante.

Natural de Lisboa. Mudou-se para cá há dois anos.

Porquê?

Os pais trabalharam numa multinacional durante muito tempo.

Fizeram fortuna.

Agora são donos de uma marca de produtos biológicos.

Produtos biológicos...

Quiseram mudar de vida.

Não estavam cá na noite do crime. O miúdo estava sozinho.

Estavam no Norte a comprar tijolo compacto, tijolo-burro.

- Vão ter de provar isso. - Confirmei.

Os pais passaram a noite num hotel no Porto.

E a casa deles é perto?

É uma moradia enorme, ali para o lado dos moinhos.

- Há lá cada maluco. Posso usar? - Força.

De tantos lugares para se irem enfiar, vieram-se enfiar neste buraco, não é?

- Podia ser pior. - Se o diz.

O que é que é isso?

São tatuagens.

Pensei que fosse sujo.

Bom, então o que é que temos aqui exactamente?

Múltiplas lesões pelo corpo, tórax, cabeça, pernas, pescoço.

A morte terá sido neste golpe.

Objecto perfurante. Dois centímetros de profundidade,

jugular externa e jugular interna adentro, e foi o fim.

Foi moído à pancada e depois...

Faca?

Não, alguma coisa mais larga.

Ou muito pouco afiada,1,5mm de espessura.

Mas ainda não encontraram a arma do crime?

Estamos à procura por toda a parte.

Até no fundo do lago.

Também não temos hora do crime. O médico legista ainda está

às contas com o rigor mortis e com os bichinhos.

E... por debaixo das calças?

Sem vestígios aparentes nem de sémen, nem de sangue, nem abrasuras.

Vamos interrogar toda a gente.

- Colegas, amigos, todos. - Claro que sim.

Sabem que no Velho Oeste,

a civilização chegava com o caminho de ferro.

Numa terriola como esta.

Passámos das sacholadas entre vizinhos,

para o mano que dormia com a mana, para isto.

É o progresso.

Agora a questão é saber se estão à altura. Obrigado.

Se estão à altura, ou precisam que eu peça ajuda a Lisboa.

Fico a aguardar.

Estamos todos abalados.

Nunca pensámos que algo assim pudesse acontecer.

Pois, ninguém pensa. Como é que era o André?

Era um miúdo muito esperto. Apanhava tudo à primeira.

Daqueles bons alunos que nem sequer se esforçam.

Apanham tudo no ar.

- Inteligente, portanto. - Sim.

Mas tinha algum problema?

Os problemas de quem acaba de chegar a uma nova escola.

Era mais solitário, fora da matilha.

E...

E?

Como dizer...

Era um jovem...

Exuberante...

Exuberante?

Na forma como falava, como vestia.

Ele não fazia por passar despercebido, entende?

Não.

- Ele... - Ele era homossexual, é isso?

Isso... Acho que sim...

Sabe que isso não é motivo para embaraço, não sabe Professor Chaves?

Sim, eu sei.

Isso valia-lhe muitos inimigos na escola?

Nada de mais.

Umas bocas, talvez.

- Pelo menos não nas minhas aulas. - E nas aulas dos seus colegas?

Alguma vez soube de alguma coisa?

Não. Que eu saiba, nada.

Ok.

Vamos precisar de falar com a turma dele.

Agora?

Sim.

É uma pequena conversa. Há algum problema?

Nesse caso...

Queríamos pedir-vos ajuda.

Caso vocês se lembrem de alguma coisa, alguma informação.

Algo estranho, alguma briga em que ele se tenha metido.

Enfim, o mais ínfimo detalhe pode ser muito importante,

para nós percebermos o quese passou com o vosso amigo.

Ok?

Nós vamos obviamente falar com cada um de vocês individualmente,

mas para já, fiquem com o nosso contacto

para caso se lembrem de alguma situação mais específica.

Está bom?

Antes de irmos...

Quem é que daqui da turma era assim mais próximo do André?

Não é preciso serem amigos do peito, basta terem ido a casa dele, uma vez.

Ok.

Alguém tem o telefone dele?

David, não tinhas o número dele?

Quer dizer, tinha, mas foi por causa de um trabalho de fil

Ok.

Mas ouça, se quiser o número,

basta pedir à professora se posso usar o meu telemóvel.

Não é preciso, nós já temos. Era só para saber.

Obrigado a todos.E qualquer coisa liguem.

- Obrigado. Bons estudos. - Boa tarde.

Claramente ninguém gostava do rapazito.

Um miúdo sem amigos.

Isto não vai ser fácil.

Mas olha...

- Quem é que compreende este século XXI? - O algoritmo.

Há mais de 10 anos que não se passava nada disto por aqui.

Esta terra pode não ser grande coisa, mas é pacífica.

É pacífica até demais.

Olha, olha.

- A menina da cidade quer confusão? - Eu quero.

Alguma. Para ver senão adormeço a trabalhar.

Oh Mário. Anda cá ver isto.

Na província é só gente boa.

Liga ao médico legista, diz-lhe para se apressar.

Vou buscar um passarão.

Explique-nos lá tudo outra vez, que nós não estamos a perceber nada.

O quê?

O que me estava a explicar, mas mal.

Sabe o que é? O senhor tem um dom.

Há um mistério. O senhor fala e nós ficamos cada vez mais confusos.

Você só fala assim comigo por causa do resto da minha vida.

Mas eu já estava à espera.

É sempre assim. Sempre.

O seu cadastro é outro assunto. E porque mentiu sobre ele, ainda outro.

Mas já lá vamos.

Disse-nos que esteve de serviço no jardim toda a noite, ce

Toda a noite, toda.

Ouça lá.

Eu estive no Linhó.

Pinheiro da Cruz, Vale de Judeus, Paço de Ferreira.

Todas as prisões do país, conheço-as melhor que a palma da minha mão.

Leiria quando era puto!

Mas o que eu tinha que pagar já paguei há muito tempo.

Pela saúde da minha santa mãezinha, eu não fiz nada!

Sr. Cordas, por favor, vá lá. Nós já estamos sem paciência, esta bem?

Eu trabalho a noite toda para ganhar uma miséria.

Sim, já sabemos.

Vamos por partes.

Ontem, disse-nos na sua declaração que...

fez as rondas às 2h, às 4he às 6h da manhã.

E foi na das 6h da manhã que descobriu o corpo, naquele estado, certo?

Certo.

Assim, ali, no lago. Às 6h da manhã.

Portanto, às 4h da manhã quando passou no local do crime, não estava lá ninguém.

Local do crime? Mas qual local do crime?

Que eu saiba o local do crime só é local do crime

depois do crime ter acontecido, não?

- Às 4h da manhã não estava lá nada? - Não, não estava lá ninguém.

Foi por volta 6h, 6h30, 7h.

Sei lá!

Eu vi o canteiro pisado, aproximei-me, apontei a lanterna e vi o rapazinho, ali!

Não ouvi mais nada, não vi mais nada.

6h, 6h30, sei lá. Nasceu o sol, porra!

Sabe qual é o problema?

O problema é que nós recebemos isto aqui.

Isto é um relatório do Instituto de Medicina Legal.

Que diz... Onde é que está...

Múltiplas contusões.

Golpe profundo na jugular.

Aqui, não sei quê. Ah! Cá está!

Hora provável do óbito:

1h da manhã.

Não é estranho?

Então se o rapazito morreu à 1h da manhã,

e o senhor passou lá às 2h e às 4h e não estava lá ninguém...

Onde é que andaria o morto?

Queres ver que é ele que anda a roubar patos?

Isso não pode estar certo. Isso está errado.

Sabe que os bichinhos que nos comem o corpo, são muito pon

mais do que eu, do que o inspector Mário, e muito mais pontuais do que o Sr. Cordas.

Ser pontual significa não chegar antes nem depois da hora.

Já chega, não?

Explique-nos lá tudo do início.

E fale-nos também do mistério do seu cadastro e porque mentiu sobre ele.

Roubo, sequestro, tentativa de violação,

homicídio na forma tentada, assalto à mão armada,

furto qualificado, arrombamento,

receptação de artigos roubados, falsificação de documentos

e a passagem por vários estabelecimentos prisionais do paí

Vários?

Não.

Todos. Papei-os a todos.

E vocês ainda me perguntam porque é que eu falsifiquei a minha identidade?

Por causa disto mesmo que está a acontecer.

Uma pessoa diz a verdade e ninguém acredita.

Quem é que ia dar emprego ao Manitas de Lata?

Isto está a ficar muito complicado para si, sabia?

Vai falar ou não?

Eu passei a noite...

Eu passei a noite no Mourita, a falar com uma senhorita.

Nem sequer fui trabalhar.

Podem confirmar com ela. Ela conhece-me.

- O Manitas de Lata e a Senhorita. - É verdade, juro pela minha saúde.

E também bebi, é verdade. Sim, bebi e de que maneira, porra.

Apanhei uma bebedeira...

Não me lembro de nada. Quando acordei,

estava no jardim, ao lado do rapaz.

Conte-nos lá tudo do início, outra vez.

Já verificaste o telemóvel do miúdo?

Já, nada fora do normal. Tem mensagens dos amigos da escola.

Tem mensagens dos pais.

- E nas coisas da internet? - Nada.

Descarregava uns videos. Ouvia música.

Ah, e fazia compras com o cartão do pai.

- Enganava os pais? - Não!

- Mandava vir roupa. - Pela internet?

Sim.

Ok.

- De Londres, de Xangai. - Boa.

Se não fosse eu, ainda andavas às voltas com o aparelho.

Não percebo nada disso, nem quero.

Pareces um velho a falar.

Ai velho?

Então olha, para a próxima vez fazemos assim.

Fica o velho a tratar da internet

e falas tu ao telefone com a mãe do defunto, boa?

Então mas não se chamava "Mourita"?

Mourita é o dono. Zé Mourita.

Isto é uma instituição.

Se este bar fechasse, acabava-se o crime cá na terra.

Não...

Não me digas que há gente má por aqui.

Má, mesmo má, só gente de fora, como tu.

Não me lembro. O que é que eu posso fazer? Já foi há muito tempo.

Minha senhora, nem há dois dias foi.

Ah, muito me diz, mas eu aqui passo bem dois dias sem ver o sol.

Foi o que me calhou na vida.

- Como é que ele se chama? - Cordas.

Sr. Cordas, é o guarda do jardim.

Ah, já sei. Esteve aqui, sim.

Tem a certeza que ele esteve aqui?

Quer dizer, primeiro esteve ali umas boas horas a beber

e a ver o show das fufinhas,

depois veio para aqui conversar.

E depois, enfim...

Ali para trás...

- Está tudo bem, Simone? - Sim, chefe. Estou quase pronta.

Não quer oferecer bebidas às visitas?

Ai, eu é que ofereço?

O mundo está todo virado ao contrário ou quê?

Nós não vamos beber, estamos em serviço, está bem?

Temos que nos despachar, que isto daqui a nada vai abrir.

Então o Sr. Cordas...

Dá-nos licença?

Ou é preciso ir buscar um mandado de busca?

Esteja à vontade!

- Está tudo em ordem? - Está tudo bem, faça favor.

Essa sua colega nem parece ser da polícia!

Se algum dia precisar de trabalho...

Não ligue menina, que ele é parvo. Eu é que me deixei enganar...

Onde é que eu ia?

O Sr. Cordas esteve aqui.

Entrou e saiu a que horas?

Então, ele deve ter chegado por volta da meia-noite.

Ora, nós fechamos às 4h...

5h, 5h e picos.

Depende se há patrulha da GNR

e vêm em missão ou só tomar um drink.

O Manitas de Lata saiu um bocadinho antes, com tantas horas em cima...

- Já estava despachado. - Claro, compreendo.

Portanto, o que me está a dizer é que ele esteve aqui mais ou menos...

aproximadamente entre a meia-noite e as 5h, é isso?

Sim.

Não nos está a mentir? Nós não estamos atrás de si, Sra. Simone.

Eu sou lá Simone! Eu sou Fátima. Fátima de Jesus.

Tudo bem, Dona Fátima, e este rapaz, veja lá, conhece-o?

É quase uma criança.

Não.

Não. Este não. Só outros.

Só outros? Está-me a dizer que há outros rapazes dessa idade,

que vêm para qui há noite? Fazer o quê?

Ora essa, o que é que se faz aqui, minha filha?

Está-me a dizer que vêm para aqui rapazes da escola passar a noite?

Este estabelecimento estreava meia cidade.

Infelizmente, a nova geração já não se sabe comportar.

Bebem muito, tomam coisas, drogas para isto e para aquilo.

Como é que se diz? A juventude é desperdiçada nos jovens

e nós é que os aturamos.

Brincadeiras parvas.

Obrigado.

Bora?

Oh senhores!

Olha agora é que a Simone se lembrou melhor.

O urinol.

Ficou ali num canto, que é cá um pivete a mijo.

- Carteira. - Dentro do urinol, imagine!

Mas viu de quem é?

Não sei...

Quer dizer, não tinha dinheiro, não lhe tocámos...

Certo.

Não é esse rapaz que eu nunca vi?

É, sim...

Não me parece que ela estivesse a mentir.

Talvez.

E o que o guarda diz faz sentido, mas então para que é que ele mentiu?

Com o cadastro que tem, teve medo de ser acusado de homícidio.

Ou de perder o emprego.

Apesar de tudo, é o guarda do jardim.

Quando o miúdo foi assassinado, ele em vez de estar no posto dele,

estava para aqui a embebedar-se.

Agora...

Se o André não esteve aqui

e a carteira dele apareceu no urinol, uma coisa é certa:

o assassino passou pelo Mourita.

Olha lá...

Chegou agora por email. Alguém acabou de enviar.

Bom dia.

David não é?

Desculpa lá o atraso. Que isto nesta terra...

A esta hora é um trânsito que não se pode!

Sabes-me dizer porque éque as pessoas aqui,

até para ir à bica, para ir ao café do lado levam o carro?

Não sei.

Não sabes tu, nem sabe ninguém!

Por isso é que eu ando de bicicleta.

- Tens bicicleta? - Tenho mota.

Mota é bom. Inspectora Maria.

Olá David, obrigada por teres vindo.

Desculpa lá o atraso, é que andamos a tratar de várias coi

Eu queria pôr a gravar, dás-me a tua autorização?

É só para registo nosso.

Sim.

Eu sou o Inspector Mário, Inspectora Maria. Somos da Polícia Judiciária, mas...

Quero que fique claro, isto não é uma intimação, nem nada que o valha,

tu não és suspeito de nada, ok?

Como pediram para vir, eu só achei que...

Exactamente. Nós achámos que podíamos precisar da tua ajud

Na verdade percebemos que eras uma das pessoas mais próxim

Por isso é que pensámos que nos podias ajudar.

Tu estavas a fazer um...

... um trabalho escolar com o André, é isso?

Estávamos a começar...

O professor de Filosofia é que fez os grupos.

Grupos de dois?

De dois ou mais.

Acho que havia grupos maiores, só eu e o...

Só nós é que ficámos os dois.

E ficaram só os dois porquê?

Mais ninguém quis ficar no vosso grupo?

Não, acho que não é isso.

Eu também não percebi muito bem, mas o professor pediu-me e pronto.

O André, pelo que nós percebemos quando fomos à escola,

não fazia lá grandes amizades.

Achas que se pode dizer que era uma pessoa fechada?

Fechada como?

Fechada sobre si própria, como se costuma dizer.

Não, acho que não.

Ele falava bastante. Bastante.

E era muito bom aluno, não era?

Nós vimos as notas dele desde a primária.

Tu também tens cara de ser bom aluno.

Nós sobre as tuas notas não sabemos nada!

Isso um problema teu com a tua mãe, ok?

Olha, tal como na Filosofia, às vezes as coisas não fazem muita lógica,

os conceitos não fazem lógica nenhuma até os entendermos, certo?

Pronto, num crime também é assim.

Atrás daquele pano, estão uma data de informações sobre a morte do teu amigo.

Informações que parecem não ter lógica, até as entendermos, percebes?

Para as entendermos melhor, precisamos da tua ajuda.

E para isso eu tenho de te mostrar uma coisa, mas aviso-te que pode impressionar.

Posso?

Sim...

Sabias disto?

Não, não sabia.

Faz lembrar um quadro antigo.

São Sebastião Mártir. Conheces?

Não.

Foram os teus colegas que fizeram isto?

Não sei.

O André sofria de bullying na escola?

Não sei.

Nunca viste marcas, feridas, nódoas negras?

Não.

Tu sabes o que é que é bullying, David?

Claro que sei. Todas as escolas têm.

E também te fazem a ti?

Não foi só ao André, pois não? Também te fizeram a ti.

David, o teu amigo foi assassinado de uma maneira horrível

Vais-nos ajudar a apanhar quem fez isto, não vais?

É que provavelmente é quem tirou estas fotografias.

Ouça, é claro que ajudo, mas eu não sei mesmo.

Aliás, o último contacto que eu tive sequer com ele foi naquela mesma manhã.

E ainda por cima, nós só trocámos mensagens.

Nós sabemos.

"Age de tal forma que a máxima da tua vontade

possa ser erigida em parágrafo de uma legislação universal

"Imperativo categórico." Isto foi o que tu escreveste.

Imperativo categórico...

Soa a algo que tem mesmo de ser, não é?

- E ele respondeu... - "Kant estava muito à frente."

"O Kant estava muito à frente."

Nós ouvimos cada estupidez na nossa profissão

até dá gosto ouvir dois miúdos a falar assim.

Dois putos cheios de futuro.

Ou melhor...

Um...

Quem é que são os maus?

- Quem é que vos fez mal? - Ouça, eu não sei.

Eu não sei mesmo, ok? A mim nunca me aconteceu nada!

Ok, tudo bem. Mudando de assunto.

Tu já alguma vez foste... tu conheces o Bar do Mourita?

Toda a gente conhece.

Mas só de nome. Nunca lá entrei.

- Sim, mas tens amigos que lá vão? - Eu não sei, honestamente.

Ok.

Sabes onde é que foram tiradas estas fotografias?

Eu só vim porque me pediram para ajudar.

Sim, claro.

Só te estou a pedir para fazeres mais este último esforço.

Será que consegues reconhecer este lugar, ou esta árvore..

Vê lá bem.

Acho que é no meio do jardim.

Onde?

Acho que é aqui.

Há lá uma árvore parecida com esta.

Aqui? Posso fazer uma cruzinha?

Obrigado.

Qualquer coisa mais, liga-nos.

Está bem?

- Olá. - Bom dia.

Bom dia.

Obrigado pela tua ajuda, David.

Vamos?

Então e o que é que tu achas?

Acho que o miúdo está cheio de medo.

Está a proteger os agressores, e os agressores são os assassinos.

É isso que eu acho.

- Gosto tanto de ti. - E eu de ti, amor.

E se...

Nós...

Os dois...

Faltássemos às aulas?

Queria tanto, mas não posso. Tenho um teste de Francês.

Teste de Francês.Bonjour, bonjour.

Afinal o que é que os polícias te queriam?

Eles pediram-me para ajudá-los.

Estou a conhecer as pessoas. A reunir informações.

Uma espécie de agente infiltrado. Tipo um 007.

E isso não é perigoso?

É o Procurador.

Vou por em alta voz.

Boa tarde, fala Inspector Mário.

Já prenderam alguém? Quando é que prendem? O guarda?

O guarda tem um álibi, Sr. Procurador.

O álibi de um bêbedo dado por uma prostituta.

Um bêbedo que tem uma série de condenações que aquilo nunca mais acaba.

Certo, mas parece que desta vez ele estava mesmo a dizer a

Para mim, quando eles mentem uma vez, mentem sempre.

O guarda mentiu por receio.

Sabia que não podiaestar no bar àquela hora.

A investigação está a seguir um outro rumo.

Temos indícios de bullying sobre a vítima.

- Temos fotos. - Como é que as têm?

Mandaram-nos um email. Saiu de um IP anónimo.

Havia muitas pegadas no local, como lhe disse.

E um corpo a quem foi roubado os ténis.

Certo, mas a investigação está a avançar.

Encontrámos a carteira da vítima no bar de alterne, no Mou

O assassino seja ele quem for, passou por lá, na noite do

Então mas isso não é o sítio onde o guarda diz que passou

Mas querem mais indícios? Vamos prendê-lo.

Sr. Procurador, o guarda estava no bar à hora do crime.

Então e não há impressões digitais na carteira?

Infelizmente não. Estava alagada em urina.

E quem é que vos entregou a carteira?

Sr. Inspector?

A prostituta que forneceu o álibi do guarda.

Ah, claro. Não, tinha que ser!

Sr. Procurador, mostre-me o artigo do Código Penal

que descredibilize o testemunho

de uma mulher só porque é prostituta, e eu juro-lhe que mudo já de opinião.

Sr. Inspector, mas vocês são assim tão inocentes?

Este homicídio está a provocar alarme social.

Existe um assassino a passear debaixo das nossas janelas.

Violadores a espreitaremas nossas filhas.

E não tarda nada, vai-me cair tudo em cima.

Claro, e prender um homem inocente vai mudar isso tudo!

Sr. Inspector, não se exalte. Não me levante a voz!

Se vocês não avançam com esta investigação depressa,

eu vou ter que ligar para Lisboae pedir que vos substitua

Vocês ainda nem encontraram a arma do crime, pois não?

Sr. Inspector?

Sr. Inspector?

Estou?

Estou?

Ai! Só me saem é...

Tantas pegadas.

Já temos os moldes. Agora é esperar.

Acho que é por aqui.

Maria...

Saco de provas.

Local do crime...

Aqui.

Quanto é que apostas que aquele sangue é do miúdo?

Bestas.

O David sabia exatamente onde é que isto era.

Quem fez mal ao André, deve-lhe ter feito o mesmo.

Diz-me que sou eu que estou a ficar velho.

Que não é o mal que está a descer à Terra.

Mário, o que é que há naqueles edifícios?

Ali era a escola.

Era, agora já não sei o que é que é.

Maria...

Maria, bora.

Maria.

Olha-me bem para isto...

Isto não tem mais de dois dias.

Dois dias? Como é que sabes?

O chefe índio ainda tem os seus segredos.

Polícia!

Polícia!

Pare!

Pare!

Espere aí!

Deixa estar.

Olha o Catequeses.

Estás cansado...

Queres uma aguinha?

Entrem, entrem.

É a Inspectora Maria.

Este é o Jaime.

E tu é Catequeses?

- Querem comer alguma coisa? - Eu depois explico.

Só tenho tostas mistas e tostas simples.

Vai, 5 euros em como não metes aqui.

- Não meto? - Ah pois não metes não!

- Não me rompa o pano, menina. - Estou a tentar.

Estava a ver que não apareciam. Estava para vos ligar.

Estava à nossa espera? Diga lá porquê.

É como nos filmes. São todos iguais.

Como assim?

Há os que se lixam e os outros que se safam.

Esse pobre rapaz não se safou.

E há sempre um outro infeliz que cá fica para ser chateado pela polícia.

O rapazito esteve cá nessa noite e o infeliz sou eu.

Espera lá,

o André, a vítima, esteve aqui, naquela noite?

Esteve.

- Saiu daqui a que horas? - Saiu, não.

Saíram.

Eram vários.

Quem eram os outros? Conhecia-os?

Uns rapazolas que vinham aí às vezes jogar snooker.

Três ou quatro.

- Nomes. - Não sei os nomes.

Mas punham-se a beber.

De qualquer modo, nessa noite, aquilo foi rápido.

Eles chegaram,

viram o rapazito,

começaram a meter-se com ele.

Ele também...

Ele também o quê?

Pegava nesse taco de uma maneira...

Assim, 'tá a perceber?

Com aquelas mãozinhas delicadas e magrinhas.

Olhe...

A menina parece mais homem a pegar nesse taco do que ele, acredite.

Isso não é um elogio.

Conte-me lá o que é que aconteceu?

Eles já tinham bebido.

Rodearam-no, começaram a insultá-lo.

Ele aguentou-se bem,

mas quando pôde pôs-se em fuga.

- E eles? - Foram atrás dele.

- Atrás como? - Foram atrás.

- A tosta estava boa? - Já comi melhor.

Não foi aqui, de certeza.

Ainda sabes latim, Catequeses?

"E pluribus unum."

Olha lá, usa lá mas é o teu latim para dares uma descrição completa dos rapazes.

Esses miúdos hoje em dia são todos iguais.

Casaco assim, cabelo assado, sapatos de ténis.

Mas de uma coisa lembro-me.

Ele foi muito insultado, e até empurrado pelos outros.

Já ouviu falar do Youtube?

- Porno? - Não.

Os adolescentes têm a mania de filmar as cenas de agressões e de empurrões.

Não os viu filmar?

Não, nada.

Mas se eu quisesse ver essas cenas ia era ver as minhas gravações.

Eu filmo sempre tudo.

Da abertura ao fecho.

Comigo não fazem farinha.

Há uma coisa que eu ainda não estou a perceber...

Só uma?

Porque é que o homem dos bilhares te chamou de Catequeses.

Ah isso...

Eras o menino bonito do Senhor Padre, é isso?

Gostava de praticar o bem.

Aliás ainda gosto. Alguma coisa contra?

Nada.

Além disso tinha outros motivos para frequentar a igreja.

Motivos pouco religiosos.

Vamos lá...

Uma, duas, três, quatro pegadas.

Uma vítima, três agressores.

- E estão três miúdos no vídeo. - Vamos buscá-los?

Não, ainda não. Ainda não está.

Estou sim, boa tarde.

Sim, eu sei que ainda estão fechados. A Dona Simone está?

É por motivos profissionais, mas da minha profissão.

Sou da Polícia Judiciária.

A Dona Simone está?

Pode-me dizer onde a posso encontrar?

Mas ele diz que tinha dinheiro, que era um homem de posses.

Que me pagava uma bilha de gás. Estava muito frio, sabe...

Ele lá fez o que tinha a fazer, e eu...

Preparo-me para ir andando, que isto é mesmo assim, não é?

Foi então, que ele de repente começa:

"Só vais embora quando eu quiser!"

À força bruta prende-me à cama

com uma corrente pela perna,

e começa:

- "És tão bonita." - Tu és muito bonita.

És muito bonita!

O senhor agora não fala.

Pode continuar.

E eu disse: "Oh senhor solte-me..."

"Solte-me. Se me deixar agora ir embora, eu prometo que não conto a ninguém."

"Isso é que era bom!"

"Vou-te meter num saco preto daqueles..."

"e largar-te aí num sítio sem tu saberes aonde!"

E olhe, isto foi a noite toda.

Foi a noite toda nisto.

Depois de manhã, quando acordei, nem sabia bem onde é que estava.

Descalça...

Com uma camisola de alças, umas calças de pijama sem nada por baixo.

Olho para a frente e estava este homem,

sentado na cadeira, especado a olhar para mim.

"És tão bonita."

Por sorte, dou com um cordelinho que tinha uma chave ao pé da janela das grades.

Estavam todos malucos!

- Silêncio! - Falamos depois.

Pode continuar.

Olhe, não sei como alcancei a chavinha.

Com ela consegui abrir o cadeado que me ligava a corrente à cama,

atiro-me ao martelo que estava caído no meio do chão,

vou directa à fechadura da porta!

Pimba, pimba, pimba! Arrebento com aquilo que é mesmo assim.

Olhe, abalei dali para fora a correr,

a arrastar as correntes parecia um fantasma no meio da rua

A Dona Celeste temeu pela sua vida?

Então não temi, Sra. Dra.?

Eu pensei que ele me ia matar.

Mas apesar de tudo, a senhora não apresentou queixa.

Porque é que não o fez?

Olhe, eu pensei muito...

E eu resolvi...

Eu resolvi perdoar-lhe.

Eu acho que no fundo o homem só fez o que fez,

porque no fundo, gostou de mim.

Achou-me bonita.

Eu não ouço muito disso.

Percebo...

Mas tratando-se de um crime público terá de ser julgado.

- Olha para eles, de cervejola na mão. - Estavam lá no Mourita?

Estavam. Estavam a festejar.

Diz que tinham ido à caça.

À caça? Tem a certeza?

Sim.

Compraram-me uma garrafa das boas,

e depois estavam a brindar à caça aos patos.

E eu bebi com eles, porque isto é mesmo assim, não é?

Claro, e este aqui também lá estava?

Ui! Este era o pior de todos. O dono do mundo!

Veja lá esta.

É o rapazinho da carteira, não é?

O morto do jardim. Foram eles que lhe tiraram a carteira, não é?

Pobrezinho, tão bonito. Podia ser o meu filho.

O teu filho? Tu tens um filho, Fátima?

Eu sei lá, se calhar tenho!

Obrigada, Dona Fátima. Depois falamos se for preciso.

Obrigado por tudo. Obrigado às duas.

Tudo tem o seu tempo determinado,

e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de plantar

e tempo de arrancar o que se plantou.

Há tempo de matar...

E tempo de curar.

Há tempo de buscar, e tempo de perder.

Há tempo de guardar, e tempo de lançar fora.

É, por assim dizer, um funeral atípico, tendo em conta o alarme, o medo,

a estupefacção que o brutal homicídio do jovem André,

teve nesta comunidade e no país.

Não há amigos, não há colegas da escola presentes,

mas enfim, como temos vindo a frisar, foi desejo expresso pelos pais

que a cerimónia fosse privada.

Não vais pôr o grilo? Ou ligar a sirene?

Há um funeral, não vale apena estar a dar espectáculo.

Definição de Imperativo Categórico:

"Age de tal forma que a máxima da tua vontade seja erigida

em parágrafo de uma legislação universal."

O grande mérito de Kant era, por assim dizer,

separar o processo do conhecimento e a ciência

da especulação de outra ordem.

Isto é, seja esta ética,

moral,

religiosa,

ou até mesmo metafísica.

Isto é, uma reflexão não deve...

Uma reflexão não deve perturbar a outra.

Como dizia, um crime envolto em mistério em que sobram as

A polícia fecha-se em copas, mas sabemos que já há movime

em curso para apanhar o culpado.

Já dizia Kant: "A lei moral em mim

e o céu estrelado por cima de mim."

O Mal Radical era...

para Kant por exemplo,

uma pessoa, em benefício próprio,

não hesita em enganar,

perturbar,

prejudicar,

e esmagar os seus semelhantes levando-os mesmo à...

À morte e à destruição e...

Esta parte era do André.

Desculpa, tens razão.

Acha que...

Sim, vai à janela, vai à janela apanhar ar!

Olha, olha!

A polícia está a prender o Tozé e os amigos.

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.