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NOVO COLOSSO
Muito bem, meus pequenos herpet�logos.
Vamos rever.
De sangue frio ou quente?
Frio.
- Cobertas de... - Escamas.
Existem em todos os continentes exceto...
Na Ant�rtida.
Voc�s s�o brilhantes!
As cobras est�o cansadas. Devolvam-nas �s casas.
Voltemos aos manuais.
Ou�o o teu cora��o a bater.
N�o tenhas medo. Sei que �s uma cobra boa.
O ataque ao autocarro escolar tirou a vida aos meus amigos,
tirou a minha vis�o...
... mas eu sobrevivi.
O meu pai quis manter isso em segredo.
Mandou-me da R�ssia para a Am�rica, para um col�gio interno para cegos.
Achou que eu estaria a salvo l�.
A minha tia veria como eu estava e ele juntar-se-ia a mim logo que pudesse.
At� l�, ansiava por todos os domingos � noite.
Gostaste?
Eu descobria-te no meio de um milh�o de violinos,
ainda que tocasses s� uma nota...
Talvez tr�s notas. Mas n�o mais.
Que tal a comida esta semana?
N�o tor�as o nariz!
Pedirei � tia para te levar vatrushka.
Eu disse � minha amiga que estaria contigo em breve.
Em breve. Prometo.
Eu preciso de ter cuidado...
... de encontrar uma nova casa onde estaremos seguros
� como jogar �s escondidas. Agora, estamos escondidos.
Podes continuar escondida um pouco mais?
Por ti, sei que posso fazer qualquer coisa.
Podes fazer qualquer coisa.
Ouve com aten��o.
Ningu�m pode saber quem �s.
Tens de parar de falar russo at� nos vermos outra vez.
- Compreendes? - Sim.
Tenho um �ltimo pedido.
Toca.
Ele era a minha t�bua de salva��o.
E eu era a dele.
Todos os domingos, salv�vamo-nos um ao outro.
Mud�vamos as nossas identidades e plane�vamos o futuro.
Eu tinha fugido ao Voi e ele tamb�m o faria.
Juntos, enganar�amos toda a gente.
Mas um dia, fui chamada ao gabinete da diretora.
Nina, a tua tia
est� aqui porque aconteceu algo ao teu pai.
Lamento muito.
- Ninachka. - Tia.
Houve um acidente,
um acidente horr�vel.
O teu pai morreu.
Ele n�o morreu.
- Est� a esconder-se do Voi. - Ninachka...
A tua tia veio buscar-te para viveres com ela.
N�o posso falar russo.
N�o posso ir com ela!
Desculpa, Nina. Tens de ir para casa.
Mas n�o tenho uma casa at� ele vir e construirmos uma!
Desculpa, querida, sei que tem sido bom estares aqui.
Eu achava que o meu pai estava escondido,
mas a minha tia cria que ele tinha morrido
e ambas as nossas vidas tinham mudado para pior.
Desde que eu estivesse na escola e ela cuidasse de mim,
o meu pai garantia que o dinheiro, mais do que a minha tia j� tinha visto,
flu�a para a conta dela.
Para as minhas propinas, para os cuidados dela.
Mas isso agora tinha acabado.
O dinheiro que restava na conta
n�o chegava para os encargos de educar uma crian�a cega.
Chama-se Nina. � minha sobrinha.
Porra, � cega?
S� decente. O pai dela, meu cunhado,
um grande homem, acabou de morrer.
Na altura, eu estava mesmo s�.
Pela primeira vez, a minha cegueira parecia uma pris�o.
Era frio onde eu dormia.
Raramente falava com algu�m...
... exceto os beb�s, que vinham e iam.
Acredite, essa foto n�o lhe faz justi�a.
Lindo. Como pode a m�e n�o o querer?
� jovem, estudante universit�ria.
N�o, ele estava destinado a voc�s.
Temos tanta sorte.
Nunca pens�mos, nesta altura, num beb�.
- Temos o quarto dele todo pronto. - Claro. Trouxeram o dinheiro?
Sim, o Abel trouxe-o.
Pass�mos o dia no carro.
- Posso ir � casa de banho? - Sim.
� l� em cima.
� a primeira porta, n�o tem nada que enganar.
Como te chamas, querida?
Podes falar comigo.
Chamo-me Nancy.
Chamo-me Nina.
A tua m�e vive aqui?
N�o, ela morreu.
Que raio � isto?
Sabe porque estou aqui? Sou sobrevivente de cancro.
Nina?
Eu disse-lhe que podia.
Chega, Nina. Pede � Tamara que te ajude com os trabalhos de casa.
Ela disse que est�s atrasada.
N�o pod�amos levar os dois?
Nance! Isto... Eu...
Abel, esta crian�a � especial.
Precisa de mais do que isto.
Imagino que seja muito dif�cil.
Pois �.
Ambos os pais faleceram.
N�s pagamos-lhe.
Seria melhor levarem o beb�.
Escolhemo-la a ela.
Se a querem, n�o vos posso impedir.
Podem sustent�-la melhor do que eu pude.
S� que ningu�m deve saber.
Ningu�m saberia de qualquer maneira.
Mudamos-lhe o nome. Um novo come�o.
Tornamo-la numa rapariga americana.
- Queres vir viver connosco? - Sim, gostava.
Os teus olhos s�o azuis como o c�u da pradaria.
Prairie. � o que te vou chamar.
C� vamos n�s, Prairie!
- Cuidado, Abel! - Ela n�o se vai partir.
- Cuidado! - Pois n�o?
- N�o. - N�o? N�o te ou�o.
- N�o. - N�o te ou�o.
- N�o! - N�o te ou�o!
N�o!
Pronto!
Esta � a tua nova casa.
Prairie, descal�amo-nos aqui.
Deixa-me ajudar-te.
Pronto, posso levantar este p�?
E aquele p�.
- Que tal? - Bem.
Toca nos ramos e nas folhas dela.
Est�s a trepar a uma �rvore!
"'N�o sabes o que s�o estes feij�es', disse o homem ao Jo�o.
'Se os plantares durante a noite, de manh� eles ter�o...
... crescido at� ao c�u.
E se isso n�o for verdade, podes levar a tua vaca de volta.'"
Pronto, passemos � pr�xima.
Ela est� a dormir.
Ela j� faz isto h� algumas semanas.
Estou a film�-lo para podermos mostrar ao m�dico.
Ela precisa de um m�dico, Nancy.
Querida! Prairie, larga. Nina!
A Prairie acredita que o pai est� vivo
e oculta em sonhos mensagens sobre onde o encontrar.
Ela tamb�m cr� que os sonhos s�o premoni��es
e que a M�fia russa anda atr�s dela.
As crian�as contam hist�rias exageradas.
Eu mesma as contava.
Sim, mas as dela s�o hist�rias de grandeza que ela cr� serem a realidade.
Mitos que a tornam especial.
Ent�o, o que est� a dizer, exatamente?
A Prairie exibe sinais precoces de doen�a mental grave.
N�o sabem o historial de doen�as mentais dos pais biol�gicos, pois n�o?
N�o.
Mas estou certa de que, ap�s ela estar uns tempos connosco,
vai ser... - A nova estabilidade � essencial, sim,
mas a melhor forma de a apoiar, senhora, � com a mistura certa de medica��o.
Mas como � que a medica��o a far� melhorar?
N�o a posso medicar. � uma crian�a!
- O que ela precisa � de amor. - Est� bem, deixem-me ser claro.
Se n�o for tratada, ela piora.
As crian�as cegas s�o extraordinariamente imaginativas,
mas isto � diferente, percebem?
Trata-se de uma psicose.
Com licen�a, vou buscar umas amostras. Volto j�.
Porque temos amigos e familiares longe daqui que te querem ver.
Al�m disso, acho que uma boa m�e deve ter uma foto da filhinha dela.
- Est�s pronta? - Sim.
Um, dois, tr�s.
C� vamos n�s.
Prairie, querida...
... toma um destes.
Vais sentir-te melhor. Pronto, isso mesmo.
Toma um pouco de �gua.
Linda menina. Sentes-te melhor?
Pronto, o que � que isso vos parece?
�timo. Est� bem.
O colarinho dele est� bem?
Est� muito bem.
Estou a come�ar a suar.
As luzes s�o quentes, pe�o desculpa.
Isto vai ser uma maravilha, os av�s n�o costumam trazer os netos.
Ela � a nossa filha.
Meti a pata na po�a. Desculpem.
Pronto, relaxem. Parecem bem.
Prairie, querida. Em dire��o � minha voz.
Em dire��o ao som da minha voz. Isso mesmo.
Fui medicada durante 13 anos.
Fiquei entorpecida por dentro.
Mas n�o parou as minhas premoni��es.
Nina!
Pap�.
J� acordaste, querida?
Sim, estou bem. J� acordei!
Deixa-me ver na luz.
Esta altura do ano � sempre dif�cil para ti.
Espera.
N�o vamos dizer ao teu pai.
O medicamento entorpecia-me.
Mas n�o impedia os sonhos.
Eles continuaram a surgir, durante anos.
Porque eram mensagens do meu pai,
a lembrar-me de que estava vivo.
Que estava � minha espera, que chamava por mim.
Talvez sonhasses com ele porque tinhas saudades dele.
Os sonhos normais n�o fazem sangrar o nariz.
As premoni��es eram poderosas, porque eu podia ver.
Vinte e uma velas de cera, o meu anivers�rio.
Era quando nos dev�amos encontrar.
O rosto de uma giganta, rodeada de �gua.
S� h� um s�tio onde isso podia ser.
Fiz um plano para ir at� l�.
Espera a�. Partiste, sem mais nada?
V� l�, ela n�o se limitou a fugir.
Certo?
Fugi.
Sabia que o meu pai estava � minha espera,
e que a Nancy e o Abel nunca compreenderiam.
Uma mi�da que conheci na escola ia para Chicago.
Consegui que me desse uma boleia at� � esta��o dos Greyhound.
E de l�...
... desapareci.
O NOVO COLOSSO
Menina, estamos fechados.
Tenho de lhe pedir para ir para o ferry.
N�o posso, estou � espera de uma pessoa.
Ser� que o viu?
Ele � alto, loiro. O cabelo dele pode estar grisalho agora,
ou um pouco grisalho.
N�o, desculpe.
Mas, menina...
... tem de ir para o ferry.
Hoje fiz 21 anos.
Parab�ns.
Perguntei-me o dia todo o que dizia acerca dela.
Pode ler-ma?
Sim. Mas depois tem de ir para o ferry.
Tem de se ir embora.
"Aqui, nos nossos port�es banhados pelo mar e dourados pelo sol,
erguer-se-� uma mulher poderosa com uma tocha,
cuja chama � o rel�mpago aprisionado
e o seu nome M�e dos Exilados.
Do farol da sua m�o brilha um acolhedor abra�o universal,
os olhos suaves comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades g�meas.
'Mantenham antigas terras, a sua pompa hist�rica!' gritam os l�bios silenciosos.
'Dai-me os vossos fatigados, os vossos pobres,
as vossas massas ansiosas por respirar liberdade,
o miser�vel refugo das vossas costas apinhadas.
Mandai-me estes, os sem-abrigo, os arremessados pelas tempestades.
Ergo o meu farol junto ao portal dourado!'"
Eu devia ter ido para casa...
... mas estava desolada e envergonhada.
Demasiado orgulhosa.
N�o queria desistir, ent�o concebi um �ltimo plano.
Se n�o podia ver o meu pai, talvez ele me pudesse ouvir.
Tocaria o meu violino no metro at� que ele sa�sse do comboio,
ouvisse a minha can��o e viesse.
E sabem? O meu plano funcionou.
Mas n�o foi o meu pai quem me encontrou.
Foi outro homem.
O homem que mudaria a minha vida.
Adeus, French. At� amanh�.
Certo.
J� n�o o faz�amos h� uns tempos.
Agora podemos.
Os teus olhos...
... est�o a brilhar.
Queres o pequeno-almo�o na cama?
Claro que quero.
O que foi?
Fui fazer uma caminhada.
Eu e a tua m�e pod�amos ir contigo.
Sozinha. �s vezes, eu...
�s vezes, s� preciso de estar sozinha.
Da �ltima vez que sa�ste sozinha, voltaste com mordidelas de c�o.
Depois, a quest�o com a professora do Steve Winchell,
e agora escondes coisas de n�s.
Eu sei que me tentam manter segura.
E sei que vos desiludi. Eu...
... envergonhei-vos.
Desculpem, mas n�o posso...
N�o posso viver sempre fechada nesta casa.
O m�dico de St. Louis tinha raz�o, trouxemos-te para casa cedo de mais.
Talvez precises de tempo sob tratamento m�dico.
- N�o digas isso. - Profissionais.
Por favor, eu...
Pe�o desculpa por vos ter assustado.
Por favor, n�o me mandem para longe.
Se falares com aquele terapeuta de trauma,
o do FBI, o que est� sempre a telefonar.
Precisas de algu�m com experi�ncia.
- Se o fizer, posso caminhar � noite? - Prairie...
Sozinha. S� para limpar a cabe�a, n�o para...
N�o � seguro, Prairie.
Uma hora.
Ela pode caminhar durante uma hora. Certo?
Talvez ela precise de um espa�o aberto, Nance.
Adrian.
Aqui tens, amigo. Come. Vamos l�.
Vamos. �ltima colherada.
Tens de ir escovar os dentes, est� bem?
J� escovei.
N�o escovaste nada. A tua escova estava seca.
Pronto.
- Est�s bem? - O qu�?
Est�s bem? Est� tudo bem?
O meu cu tresanda, mas sim.
�timo. Pediremos ao m�dico para te examinar isso.
Pronto. Vamos. �ltima colherada.
Anda, isso mesmo. Tens de ir para a paragem de autocarro, est� bem?
� DE 1995
DA R�SSIA
Quem �s?
Como vai isso?
- Sr. Harris? - Ol�, Alfonso.
Daqui Kevin Harris da Funda��o Knightsman.
Ol�, prazer em conhec�-lo. Bem, por telefone.
Estamos muito impressionados, Alfonso.
Atletismo, notas, participa��o comunit�ria.
E o seu ensaio sobre as abelhas.
Fenomenal.
Abelhas?
Engano meu. Escreveu sobre aprender a reanima��o cardiopulmonar. Desculpe.
Seja como for, ador�mo-lo e queremos oferecer-lhe a bolsa.
Que tal a sensa��o?
Isso �...
� o que gostamos de ouvir.
A sua abuela vai ficar muito feliz.
Na verdade, ele tem de voltar para a aula, Sr. Harris.
Para manter as notas.
Aprofundaremos em breve.
Isto significa muito para mim. Obrigado.
Bem-vindo � fam�lia Knightsman, Alfonso. Tenha um bom dia.
Conseguiste.
O importante � que conseguiste.
Tudo bem. � muito para processar.
Preciso de fazer alguma coisa? Escrever-lhes uma carta, ou assim?
Envia um e-mail e aceita.
H� tamb�m um jantar, sempre estranho.
E, claro, tens de estudar a tempo inteiro, respeitar a cl�usula de car�ter.
- O que significa isso? - N�o fa�as nada estranho.
N�o te metas em sarilhos com a Pol�cia. Vai correr bem.
Meu, escreves "Voi" com um "y" ou um "i"? N�o consigo encontrar nada.
Talvez seja com letras russas. Abre a tua mente.
Ol�. Eu...
... recebi a tua mensagem. O autocarro � lixado, n�o �?
Sim. Fodido.
Posso sentar-me aqui?
- Podes ajudar-nos a pesquisar merdas? - Sim, claro.
Ajuda a descobrir merdas.
Pois, ainda n�o descobri nada sobre a Nina Azarov.
Ela era mi�da. Talvez o pai tenha apagado
para n�o a poderem localizar.
Vou pesquisar "mina de Azarov".
Ela disse que o pai tinha uma mina, certo?
Sim, boa ideia.
- Est� a tentar livrar-te de Asheville? - Nem pensar.
Eles ainda n�o vieram. N�o significa que n�o venham.
Pensas falar com os teus pais?
O que � Asheville?
� um campo de treino ou uma escola militar. Para mi�dos maus.
Est�s sequer a tentar descobrir algo?
Tenta merdas em russo.
Ouve, enviaste-me aquele Snapchat?
- Sim. - N�o quero ver isso.
Estamos a estudar a hist�ria dela.
Nada at� agora, exceto o autocarro.
- Que � muito importante. - Pois.
Vais l� estar logo � noite, certo?
Aquele tipo julga-se o melhor, n�o �?
� um idiota de merda se n�o voltar.
Vem sentar-te, querido.
A maman tem dores de cabe�a.
Passa-se alguma coisa?
N�o. Na verdade, tenho boas not�cias.
Not�cias mesmo boas.
Recebi a chamada hoje, daquela funda��o.
E consegui a bolsa.
Posso ir para qualquer escola do Michigan, de borla.
Por isso, n�o tens de te preocupar com nada.
Nada, maman. Nem sequer um c�ntimo.
Ent�o, j� n�o vais para Harvard?
N�o recebi nenhuma resposta deles.
Mas isto � uma alternativa, muito boa.
S� quero o melhor para ti, querido.
Conseguiremos viver sem ti.
Com muita dificuldade, mas conseguiremos.
Posso conduzir e podemos ir juntos aos jogos de basebol do Carlos.
Sabes que n�o posso ir a essas coisas no meu estado.
Se achas que tens uma doen�a, deixa-me levar-te ao m�dico.
V�s?
O que vou fazer sem ti sempre a preocupares-te comigo?
� o que estou dizer. Sabes, estarei perto.
No Michigan.
Estou orgulhosa de ti.
E tu mereces tudo do mundo...
... e mais.
Merci, maman.
Fazes-me um favor, minha estrela?
Podes ir buscar leite?
De manh�, n�o consigo beber o meu caf� sem ele.
Sim. Com certeza.
Ouve l�, French!
Ol�.
Sim, pareceu-me ver-te ali.
Quando est� frio, gosto de coisas geladas.
Porreiro.
Vais levar leite? Isso � estranho.
N�o, n�o vou.
Preocupa-te que estares em casa com ela te afete a ida para a faculdade?
Sim, na verdade, acabei de receber uma bolsa integral.
Se algu�m a receberia, serias tu.
Os meus pais querem que eu seja como tu.
- A s�rio? - Sim.
Primeiro, queriam que eu fosse como a Christine Yee, mas...
H� alguma cl�usula de car�ter para a bolsa?
Quero dizer, sei que t�m uma para a Mabel Allen.
Percebes destas merdas.
Sim, � do g�nero...
... eles pensam que as pessoas como n�s passar�o a ser criminosas
a menos que o pro�bam especificamente.
Tens de ler.
Sim. Se me apanharem numa casa com tr�fico de drogas acabou-se, sabes?
� diferente para algu�m como o Steve.
Est� a lixar a vida dele.
Eu estou a tentar n�o cair no erro de lixar a minha vida...
Se � que isso faz sentido.
N�o, faz sentido.
� s�...
N�o est�s curioso por saber como termina?
O qu�, a hist�ria dela?
N�o, n�o me interessa.
A hist�ria dela, mas...
N�s.
Quero dizer, n�o achas que ela nos escolheu por algum motivo?
Tipo, o Steve talvez seja um assassino, o Jesse n�o se interessa pela vida,
a menina Broderick-Allen � estranha e triste
e eu sou, enfim...
N�o preciso de ajuda.
- Eu sei, n�o estava... - Fa�o tudo sozinho.
Eu sei. Eu...
Pois �. Tenho de levar isto de volta sem estar congelado. Portanto...
Est� bem.
Cara�as.
Buck!
Anda, vamos.
Isso � porreiro.
Ontem � noite, fiquei com frieiras.
Se vamos continuar a fazer isto, n�o o podem fazer aqui.
O que tens que ver com isso?
Simplesmente, n�o podem.
Pessoal, o OA disse que s� temos uma hora.
- N�o percamos tempo. - Como queiras.
Mas o teu fornecimento tamb�m � reduzido, Buck.
Incluindo a testosterona.
Posso dizer-vos o que fiz de errado.
N�o comia quando tinha fome.
N�o dormia quando estava cansada.
N�o me aquecia quando tinha frio. Isso enfraqueceu-me.
Mas o maior erro que cometi foi acreditar
que se eu lan�asse uma rede linda...
... s� apanharia coisas lindas.
A sua m�sica �...
... russa, n�o �?
O senhor � russo?
Eu? N�o. Sou americano. Hap...
... � o meu nome. Dr. Hunter Aloysius Percy,
por isso, Hap para abreviar.
- Posso ajud�-la com alguma coisa? - N�o.
Posso perguntar-lhe uma coisa?
Desculpe, estou atrasada. Tenho de ir.
Tocou sempre assim t�o bem? Ou aconteceu-lhe alguma coisa?
Exato. Aconteceu-lhe algo
e depois p�de tocar desse modo transcendente.
Desculpe. Teve uma EQM?
N�o sei o que isso �.
Uma experi�ncia de quase-morte. Morreu?
E voltou a viver?
- D�-se bem com lim�o? - Sim.
Pronto. C� vamos n�s.
Pegue nisto, encoste � boca e sorva a ostra
como se sugasse a �gua do mar de uma concha.
Tamb�m detestei a primeira.
Pode trazer batatas fritas?
Demoramos a habituar-nos a tudo o que � bom neste mundo.
Lembro-me do meu primeiro caf� na faculdade. Eu quis vomitar.
No fim do curso de Medicina, n�o conseguia sair da cama sem um duplo.
� muita escola para quem a detestava.
S� n�o compreendia
porque n�o devia fazer as perguntas que n�o tinham resposta.
S�o as perguntas mais interessantes. O que � a consci�ncia?
Para onde vai ela depois deste local?
Mas voc� sabe. Certo? Quero dizer, quando estava...
Deixe-me fazer-lhe uma pergunta. Quando voltou depois de morrer, foi...
Sentiu que foi uma escolha?
- Experienciou-o como uma escolha? - Sim.
Chamou-lhe uma experi�ncia de quase-morte?
- Sim. - Teve alguma?
Tome, ketchup na posi��o da meia-noite,
mostarda na das quatro horas, maionese na das oito.
E as coisas boas, est� bem?
Se tive alguma EQM? N�o.
N�o a tive, mas eu...
� praticamente tudo em que... � tudo em que penso.
Em que a minha vida se baseia.
Eu era anestesista das Urg�ncias, e da primeira vez que ouvi
que um doente teve uma paragem card�aca, achei...
... que quase ouvi algo.
Alguma coisa...
N�o sei. Algo.
Enchi-me de coragem e perguntei aos m�dicos.
Eles disseram: "Todos pensam que sentem algo."
N�o, eu ouvi um sopro...
... de algo a sair do corpo
e o sopro disso a regressar.
Mas se eles regressaram, isso significa que foram algures.
Para onde foram?
Pod�amos provar isso.
Fiz o que faria qualquer cientista sensato.
Sa� das Urg�ncias e comecei o que se tornou
numa vida de estudo de sobreviventes de EQM.
Ent�o, conhece pessoas como eu.
Sim.
Neste momento, estou a fazer um estudo com tr�s pessoas como voc�.
Uma delas � particularmente como voc�.
Ela regressou com capacidades especiais, jeito para a m�sica.
E o que � isso?
Ouvido absoluto no caso dela, mas conheci outras que...
As pessoas regressam
com capacidades matem�ticas, art�sticas ou lingu�sticas.
�...
N�o � isso que as torna espantosas.
O que vos torna incr�veis...
... � o facto de terem viajado para fora deste...
... coma...
... em que todos estamos.
Percebe?
Desde que sa� da R�ssia, s� penso
todos os dias em encontrar o meu pai.
E ele era a �nica pessoa que nunca me fazia sentir demente ou...
N�o, claro que n�o.
Nunca devia ter sido medicada.
Nunca.
Porqu�? Porque tem sonhos v�vidos? Isso � de loucos.
Desculpe, � t�o estranho ouvir que...
... sou estranha, mas que o senhor gosta disso.
O estranho � bom.
Quero dizer, h� algures um tipo pateticamente vulgar
que veste uma camisa com isso � frente: "O estranho � bom."
Tenho de me ir embora.
Pode trazer-me a conta, por favor?
Tenho de viajar para casa esta noite e voltar ao trabalho.
Acho que tenho algo de que talvez goste.
� como que um ramo do meu trabalho.
Ontem eu estava c�, vendi uma patente numa confer�ncia e...
- Posso mostrar-lhe uma coisa? - Sim.
Sim? Est� bem.
Aqui tem.
Pronto, vamos afastar estas coisas.
Como disse, uma grande parte tem que ver com tentar ouvir o sopro, est� bem?
Vou apenas meter isto aqui.
Pronto, est� metido?
Est� bem?
Muito bem, agora...
Ligue-o em baixo.
Isto pode tornar um cora��o aud�vel a cerca de 150 metros.
Apenas pressiono isto?
- Aquele! Algu�m est� a mover-se. - Sim.
Talvez mais jovem? Tipo uma crian�a?
Sem d�vida.
O batimento card�aco � mais �nico do que a impress�o digital.
Experimente isto.
Sim.
� como o senhor soa.
� como eu soo.
Leve-me consigo.
Estude-me.
Tem a certeza?
Quanto tempo?
N�o h� ventos frontais. Por isso, s� algumas horas.
Apoie as m�os a� na janela.
Puxe-o, deslize-o para baixo e para tr�s at� um trinco no meio.
�timo, isso mesmo. Levante-o, vire e para tr�s.
Para cima e para tr�s, at� ao fim. Empurre a janela.
Empurre, vamos l�.
Pronto, cheg�mos.
Ainda bem que deixei o aquecimento ligado. O que teria pensado de mim
se entrasse numa casa gelada?
H� uma cama l� em baixo no laborat�rio, espero que sirva.
Est� t�o silencioso.
N�o h� estradas perto?
Isso, e h� vidro isolante em todas as janelas.
Os invernos aqui s�o brutais.
Um copo de �gua.
Posso usar o telefone?
S� para ligar aos meus pais e dizer que estou bem?
Sim, com certeza.
V�, deixe-me levar isto.
E h� uma cadeira mesmo atr�s de si agora. Pronto.
- Quer ajuda para discar? - N�o.
Est� bem.
S� toca. Eles devem estar na outra linha.
Ligamos-lhes amanh�.
N�o queremos que se preocupem.
Ent�o, foi um dia longo para si. Deve estar cansada.
- Posso lev�-la para baixo? - Sim.
Est� bem.
S�o duas escadas.
As primeiras s�o as f�ceis.
H� um corrim�o � sua esquerda.
Pronto, agarrou?
Depois v�m outras, de caracol.
Aqui, est� a meio do caminho para baixo.
- Eu levo a sua mala. - Desculpe.
Cheira a rocha.
Xisto argiloso.
Aqui.
Eu mesmo constru� este laborat�rio.
Pronto, vem a� um grande degrau.
� �gua a correr?
Sim. � uma fonte natural. Deixei-a ficar.
Nunca � o mesmo rio duas vezes, como dizem.
E... Continue, c� estamos n�s.
Pronto.
H� uma cama tr�s passos � sua frente. Vire-se.
Pronto.
� um elemento valios�ssimo, Prairie.
Tenho tanta sorte em conhec�-la e estar a trabalhar consigo.
Obrigada.
Descanse.
Boa noite.
Hap?
Pronto.
Deixa-me explicar-te isto. Ouves a tua mente a dizer:
"Isto n�o est� a acontecer."
Est�.
"Isto � um sonho."
Est�s completamente acordada.
"Algu�m ir� encontrar-me."
"Porque estou enjaulada?"
Vais descobrir em breve.
Sabe isto. Pode demorar um pouco at� ele te vir buscar.
Enquanto pensas em todos os passos que te conduziram aqui,
acabar�s por perceber que a culpa n�o � de ningu�m sen�o tua.
Os teus pensamentos v�o tentar deitar-te abaixo. N�o os deixes.
Vais encontrar a tua liberdade.
No sono.
Nos teus sonhos.
� como nos mantemos s�os.
Como te chamas?
Prairie.
Prairie.
Eu chamo-me...
Homer.
Tradu��o: Ana Paula Moreira
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
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