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Legenda ripada por: ddonato Movimento Cinema Livre
Revis�o e sincronia: mawricio58
A MORTE CANSADA (1921)
Escrito e Dirigido por Fritz Lang
OS PERSONAGENS
Em Algum Tempo e em Algum Lugar.
Louve o Senhor!
PRIMEIRO VERSO
Para uma aldeia, em um vale, sem tempo, como em um sonho...
vieram dois jovens, cantando alegremente o eterno amor.
Mas, assim como a prosperidade deixa o outono e voa...
no sopro breve do inverno,
nas tranquilas encruzilhadas do vilarejo...
espera, em sil�ncio, por eles... A Morte...
Uma pequena cidade perdida no passado...
Todas as noites, os dignit�rios locais re�nem-se...
no "Golden Unicorn Inn" para beber.
Sua Excel�ncia, o Prefeito.
Sua Alteza, o Reverendo.
Sua Sabedoria, o M�dico.
Sua Precis�o, o Tabeli�o.
E o novo Professor...
A antiga e s�bia est�tua geralmente ouvia as not�cias locais...
mas ultimamente os dignit�rios tinham somente um assunto nas conversas.
O estranho. E mais uma vez, somente o estranho.
Um dia, o Coveiro se aproximou do estranho,
que pediu o caminho para a cidade.
Ele lhe parecia estranhamente familiar...
embora nunca tivessem se encontrado.
A quem pertence a terra junto ao cemit�rio?
O Conselho da cidade a reservou para aumentar o cemit�rio.
Dificilmente acredito que o Conselho da cidade..
deixar� no futuro, anex�-la ao cemit�rio.
Por que diabos voc� est� t�o disposto a t�-la?
Para plantar um jardim para mim mesmo...
pois viajei muito e estou cansado.
Perto do cemit�rio?
Na reuni�o do Conselho,
houve um debate acalorado sobre o pedido do estranho,
mas o ouro oferecido pelo estranho era muito tentador.
A oferta do estranho foi aceita por unanimidade...
e o anexo do cemit�rio foi arrendado a ele por 99 anos.
Mas a satisfa��o do aumento dos cofres municipais n�o foi total...
porque o estranho ergueu um muro em torno de sua terra...
como uma barreira entre ele e todos os outros.
Vejam, senhores!
Andei em volta do muro mas n�o encontrei nenhuma porta ou passagem!
Senhores, voc�s se esfor�aram em v�o!
S� eu conhe�o o port�o que abre este muro!
E � verdade que, at� hoje,
ningu�m encontrou a passagem deste misterioso muro?
� nossa tradi��o...
que todo jovem casal tome sua primeira bebida no "Unic�rnio"...
de nosso c�lice nupcial...
e seus rostos certamente mostrar�o que s�o queridos!
Com licen�a, voc�s sabem onde foi o meu noivo?
Minha jovem, seu noivo saiu com o estranho...
que estava sentado � sua mesa.
SEGUNDO VERSO
Ela procurou por seu amor em todos os becos...
e perambulou at� o outro lado da cidade.
Ali, � luz da lua, est� o antigo muro do cemit�rio.
At� os pressentimentos da morte est�o correndo por suas veias.
O sino toca, o vigia chora.
O amor luta com a morte e cren�as.
Ou�am o que digo, boa gente:
Por dez vezes o sino tocou!
Tenham cuidado com a aguardente e o vinho...
ou terminar�o no reino do diabo!
Existem ervas que atraem poderes misteriosos...
sob a m�gica luz da lua cheia
N�o-me-toques e o selo de Salom�o,
Semente-de-lobo e cent�urea-menor.
Ningu�m sabe disso melhor que o velho farmac�utico.
O velho farmac�utico viu suas propriedades,
no tempo em que era um garotinho, quando prendeu seu nariz...
nos destiladores de seu pai e cheirou os potes.
Mas hoje, pela primeira vez,
se viu com uma jovem mo�a!
Pobre crian�a, est� tremendo de febre!
Deixe-me preparar um ch� quente e nutritivo,
que certamente voc� se sentir� melhor!
Can��o de Salom�o 8:6.
Use-me como uma inscri��o em vosso cora��o. Como uma inscri��o em vosso bra�o.
O amor � mais forte que a morte. A paix�o � mais cruel que a sepultura.
Incendeia como uma chama. Mais feroz que qualquer labareda.
O amor � mais forte que a morte.
Escutem o que digo, boa gente! Onze badaladas...
O que est� procurando aqui em meu reino, crian�a?
Eu n�o lhe convoquei!
Quero ir onde meu amado est�!
Onde est� aquele que voc� roubou de mim?
Eu n�o o roubei. A hora dele chegou.
Aqui voc� v� as vidas dos homens.
Elas se acendem e queimam por um tempo...
e se apagam quando Deus decide.
Acredite, minha tarefa � pesada. � uma maldi��o.
Estou cansado de ver os sofrimentos do homem...
e ouvir o �dio por obedecer a Deus.
Oh, Morte, n�o h� um jeito de reacender...
uma chama apagada?
N�o h� um meio de super�-lo?
Eu acredito: O Amor � mais forte que a Morte!
Seu amor � mais forte que a Morte? Quer lutar comigo, que sou eterno?
Eu a aben�oaria se voc� pudesse me vencer!
Olhe para estas luzes tremeluzindo.
Coloco em suas m�os a chance de salv�-las!
Se conseguir, mesmo que uma s� delas...
lhe darei a vida de seu amado!
TERCEIRO VERSO
A HIST�RIA DA PRIMEIRA LUZ
Na cidade dos fi�is.
Levantem-se, fi�is, para rezar!
O M�s Sagrado do Ramad�.
Deus, Deus, Allah Muhammad, Allah!
Zobeide, a irm� do Califa.
O Franco.
N�o h� Deus sen�o Al�, e Muhammad � seu profeta!
Est� louco? Quer nos destruir?
Eu n�o a vi desde que come�ou o Ramad�.
Noite ap�s noite espero pelo mensageiro...
que vai me chamar para seus bra�os novamente.
Mas tudo em v�o.
Esta noite devo enviar Anesha!
Mas agora eu lhe imploro, deixe o santu�rio...
ou estar� arruinado!
Um Franco! Um Infiel! Um Giaur!
Um incr�dulo profanou o santu�rio!!
Voltem!
N�o sujem este solo sagrado com o sangue de um incr�dulo!
O Califa.
Zobeide? Minha irm�?
N�o sabemos onde o Franco est� se escondendo...
mas escute bem o meu conselho, � Califa.
Por que cuido do destino de um Giaur?
Queria apenas poupar esse lugar santo...
da contamina��o de seu sangue!
Ent�o ficar� satisfeito ao ouvir...
que o profanador n�o escapar� � puni��o.
Estamos em seu caminho...
e coloquei guardas ao redor da cidade.
Qualquer tentativa de fuga...
certamente o trar� as minhas m�os.
Deve ir at� ele, Anesha...
traga-o para mim pelo caminho secreto.
S� aqui ele estar� seguro.
Ningu�m ir� procur�-lo no pal�cio de quem o est� perseguindo!
El Mot, o jardineiro.
Venha ao entardecer para o caminho secreto.
Minha senhora o esconder� no Pal�cio...
at� que o furor se acalme!
Em volta do Pal�cio da Princesa Zobeide...
permitida a entrada de qualquer um, menos a sa�da.
A Noite
Venha comigo, para que eu possa escond�-lo...
at� que a vigil�ncia dos perseguidores termine.
O Califa!
O que � isso?
Provavelmente est�o ca�ando um c�o sarnento.
Sua ordem foi cumprida, Mestre!
A noite � linda, minha irm�.
Estou com vontade de ficar l� fora no telhado do Pal�cio.
N�o ir� me acompanhar?
Quem est� cavando nosso jardim t�o tarde da noite?
El Mot, o Jardineiro, quer lhe fazer uma surpresa.
QUARTO VERSO
A HIST�RIA DA SEGUNDA LUZ
Carnaval.
Monna Fiametta.
Giovanfrancesco.
Girolamo.
Estou contente de ver seu sorriso,
minha bela noiva!
Qu�o perto da morte as pessoas muitas vezes est�o sem suspeitar.
Eles acreditam que a eternidade � deles...
e nem mesmo duram as rosas que plantam.
Messer Giovanfrancesco � considerado muito suspeito...
pelo Conselho dos 14.
Dificilmente ver� o pr�ximo amanhecer!
N�o � por acaso que sou o melhor espadachim no Conselho dos 14!
E quando o Carnaval esquentar o sangue das pessoas...
n�o ser� dif�cil entrar em brigas, �s vezes fatais.
Sei que me odeia, Monna Fiametta...
e at� a hora de nosso casamento que amaldi�oa em v�o,
voc� est� livre para fazer isso.
Ent�o, espero que voc� tenha um sorriso...
e uma rosa para mim, e n�o a algu�m...
que estar� morto e enterrado.
Uma briga de galo
Cartas.
Leve esta carta a Messer Girolamo.
Diga que estou lhe enviando com meu mais belo sorriso.
Leve esta carta a Messer Giovanfrancesco o mais r�pido poss�vel.
Mas em segredo. Ningu�m deve saber.
Especialmente o Messer Girolamo.
Chame o mouro!
Eu, Monna Fiametta, quero que seja meu convidado esta noite.
Acredito que temos muito a dizer um ao outro.
Venha quando o rel�gio marcar dez horas. Minha ama o guiar�.
Madonna Fiametta lhe enviou esta carta com seu mais belo sorriso.
Voc� talvez tenha uma segunda carta para entregar tamb�m?
Tenho um inimigo, Mouro, que convidei para vir aqui esta noite.
Ele n�o deve deixar esta casa vivo. Entendeu?
Querido, fuja! O conselho dos 14 deseja sua morte,
e Girolamo ser� seu executor.
Evite qualquer briga!
Fuja sem demora e n�o volte para casa at� eu chamar.
A morte que ele lhe reservou,
devo d�-la hoje � noite ao pr�prio Girolamo.
Beijo seus olhos e seu cora��o! Fiametta.
Devo atra�-lo ao lugar onde voc� estar�.
E quando ele virar as costas para voc�...
Madonna Fiametta lhe enviou isto.
E esta carta...
Eu, Monna Fiametta, quero que seja meu convidado esta noite.
Acredito que temos muito a dizer um ao outro.
Venha quando o rel�gio marcar dez horas... minha ama o guiar�.
...e um aviso!
Nenhuma palavra, nenhum sussurro,
se voc� d� valor � sua vida e � honra de Monna Fiametta!
O que quer que aconte�a, mantenha-se em sil�ncio!
Dez horas.
Carnaval!
Agora!
QUINTO VERSO
A HIST�RIA DA TERCEIRA LUZ
O respeit�vel A Hi,
o principal mago do Imp�rio...
recebeu uma carta muito perturbadora.
�, tu, altamente respeit�vel, �, tu, mais que milenar.
�, tu, luminar da sabedoria, �, tu, joia preciosa!
Amanh� � meu anivers�rio e ordenei...
que houvesse grande alegria por todo o Imp�rio da China.
No meu anivers�rio, desejo que voc�, p�rola de todos os m�gicos,
espante o t�dio imperial com truques de m�gica nunca antes vistos...
vindos da riqueza de seu ilustre esp�rito!
Com am�veis sauda��es, Djin Schucan Wang, Imperador.
P.S. Se voc� me aborrecer, ao contr�rio das expectativas, � Vener�vel,
serei for�ado, com o mais profundo pesar, a decapit�-lo!
O Superior.
Tiao Tsien! Liang!
Traga a minha varinha m�gica...
aquela de jade!
Em seguida o Honor�vel A Hi...
comunicou-lhes a causa de seu tormento!
Vamos embora!
O Filho dos C�us!
O Arqueiro do imperador.
Filho dos C�us, perdoe a lama repulsiva no corpo sob seus p�s.
A Hi n�o est� em nenhuma das estradas que possam ser vistas.
�, Filho dos C�us,
perdoe este miser�vel sob teus p�s!
N�o h� sinal de A Hi em nenhum dos rios.
A Hi.
Agora, rapidamente, prossiga com sua feiti�aria!
Abracadabra... Gordura de bruxa... Tr�s vezes gato preto!
Nobre Filho dos C�us!
Para proteg�-lo de seus inimigos para sempre,
eu me permiti presente�-lo com um ex�rcito organizado!
Sa�dem o vener�vel Filho dos C�us!
Eu estreme�o quando penso em quanto isto vai custar!
Meu querido A Hi, seu presente � belo,
mas ela, que me presenteou, � mais bela ainda!
Devo ficar com ela tamb�m!
� Filho do C�u, permita-me dar-te,
no lugar deste presente totalmente inadequado...
um cavalo m�gico, �nico em todo o mundo.
Meu querido A Hi, estou muito satisfeito com voc�!
Ficarei com o cavalo... e com a garota tamb�m!
�, tu, Grande Vener�vel, isto � imposs�vel!
N�o posso apresentar minha m�gica sem a garota!
� isso? Voc� n�o pode? Deixe-me mostrar como voc� pode!
Ou sim...
...ou...
�, Filho dos C�us, vossa eloqu�ncia � encantadora!
Levem-no ao mais alto santu�rio!
Amanh� de manh� ele deve ser decapitado!
Voc� deve faz�-la submissa a mim, A Hi.
Caso contr�rio... Bem, voc� sabe!
Voc� vai me ajudar, n�o vai?
Seja sensato, Tiao Tsien! O que o pobre Liang pode oferecer?
Mas o Imperador...
D�-me de volta minha varinha m�gica!
Seu... seu... seu terr�vel e horroroso cacto!
A fuga.
Os perseguidores.
Devemos ir a p� agora, Liang.
A estrada � muito estreita!
Meu peda�o de jade da varinha m�gica de A Hi...
foi diminuindo todas as vezes que usei seu poder!
Vamos! Vamos!
Eles est�o se aproximando!
Dem�nios do fogo, bloqueiem o caminho deles com chamas!
A Noite
Pegue o cavalo m�gico de A Hi e traga os dois para mim,
vivos ou mortos!
O cavalo m�gico.
SEXTO VERSO
Invicto, a Morte venceu a batalha.
Mas ele ainda coloca a �ltima chance de mudar o destino,
e, gentilmente, ele observa seu empenho.
"Que o Senhor te permita ganhar a vida do teu amado!
Que Ele os re�na a Ele por sua paix�o e sofrimento! "
Voc� entende agora, minha filha,
porque estou t�o cansado da minha tarefa?
Eu sou eternamente invenc�vel.
Retorne � vida... e viva!
D� a vida de meu amado de volta para mim!
Uma �ltima chance!
Traga-me, dentro de uma hora...
outra vida que ainda n�o terminou.
Uma com anos... ou dias... ou horas pela frente.
E eu lhe devolverei a vida de seu amado.
O rel�gio bateu 11.
Tome cuidado com o fogo e a luz. N�o deve vir nenhum mal esta noite.
Louve a Deus, o Senhor!
A Morte tirou meu amado de mim.
Quero segui-lo!
Velho senhor, voc� aproveitou a vida por tanto tempo!
O que mais ela poderia lhe oferecer?
D�-me sua vida!
Deixe-me ter os poucos dias que ainda lhe restam.
Ajude-me a salvar a vida do meu amado.
Nem um dia... Nem uma hora... Nem um instante!
O mendigo!
Mendigo, voc� procura o fim de todo o seu sofrimento?
D�-me sua vida.
Nem um dia... Nem uma hora... Nem um instante!
O Hospital
A m�e est� passando bem e o beb� � saud�vel,
mas o jovem rapaz que trouxeram hoje � noite...
faleceu logo depois das dez.
Meu Deus! O pobre rapaz. T�o jovem e, mesmo assim, morreu!
Mesmo assim ficar�amos felizes em n�o ter que acordar mais uma vez,
mas a morte se recusa a chegar.
Se voc�s est�o t�o cansados de suas vidas...
quem de voc�s, a dar� para mim por compaix�o?
Esta foi a �ltima!
Meu beb�!
Outra vida, que ainda n�o expirou.
N�o pude venc�-lo a este pre�o.
Agora leve minha vida tamb�m...
pois sem meu amado, ela n�o significa mais nada para mim!
Levarei-a para ele, aquele a quem ama!
Quem entrega sua vida, deve ganh�-la.
Ou�am o que digo, boa gente! Por doze vezes o sino tocou.
Defendam-se dos fantasmas e esp�ritos.
Para que nenhum mal aflija vossas almas amedrontadas!
FIM
Legenda ripada por: ddonato Movimento Cinema Livre
Revis�o e sincronia: mawricio58
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