All language subtitles for Columbo.S03E03.Candidate.For.Crime.DVDRip.XviD

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Original subtitles

COLUMBO

CANDIDATO AO CRIME

A nível local dei-lhe trabalho, durante 3 anos.

Como Senador dos Estados Unidos,

vou dar-lhe trabalho a dobrar e a um nível nacional.

Estão a ameaçar a minha vida e eu estou a ameaçar a deles.

- Rick Stevens, UPI. - Sim?

O senhor pediu ontem protecção policial contra os criminosos.

Deixe-me esclarecer.

Estou aqui para dizer às autoridades competentes que recebi as ameaças.

Aceitei esta protecção com relutância,

e apenas por insistência de indivíduos preocupados.

Isso não é uma atitude um pouco arrogante?

Penso que ninguém, muito menos uma autoridade pública,

que tenha recebido cartas ameaçadoras...

Não, não me vou deixar intimidar por estas ameaças.

Vou continuar a campanha.

Mas irá limitar as suas aparições públicas?

Nem por sombras.

Acho que qualquer candidato para um cargo público,

que se comprometeu, como eu,

a erradicar o crime organizado e toda a corrupção,

é melhor que tenha uma dedicação sem limites

e coragem para se aguentar sozinho.

Sendo a sua única protecção a coragem das suas convicções,

independentemente do risco pessoal. É isto que eu penso.

Thomas Jefferson não o teria dito melhor.

Com a eleição a menos de uma semana, Nelson Hayward,

candidato ao senado dos Estados Unidos,

numa corrida para preencher o lugar do falecido Harrold Linch,

terá protecção policial 24 horas por dia,

em consequências das alegadas ameaças de morte.

Acho que arrebatei a eleição do teu namorado.

Agora percebo porque o Nelson te acha repugnante.

Não devias ter desligado isso.

Estou à espera de um boletim a qualquer momento.

Como por exemplo?

Como: "Candidato ao Senado tem usado a sua casa de praia

para entreter a secretária da sua mulher."

O Nelson não é feliz no casamento.

Não te pedi para vires aqui para discutir o casamento dele,

vieste aqui para discutir o caso que ele tem contigo.

- Não tens nada a ver com isso. - Deixa-o.

Já não era sem tempo! Gomez, e aquele patrocínio?

Deixa-o agora, Linda. Ainda hoje.

Mas estou apaixonada por ele.

Se estivesses não arriscarias as hipóteses dele.

Ouve, Gomez, queremos esse patrocínio até amanhã às 12h.

Guarda esse discurso lamechas para os 300 paspalhos que controlas.

Se gostares de... espera um minuto.

Usa a cabeça.

Ele vai aparecer a qualquer momento rodeado de polícias e jornalistas.

Pelo menos vai-te embora.

Tu trabalhas para a mulher do candidato, não para o candidato.

Eu vou-me embora. Mas não me vou afastar,

a menos que o Nelson me diga para fazê-lo.

Já devias saber que o Nelson faz o que eu lhe digo para fazer.

Mas quero ouvir da boca dele. Ele que me telefone.

Boa noite. Sou o Sargento e vou ficar de vigia ao seu carro.

Vou estar aqui se precisar de alguma coisa.

Obrigado, Sargento.

Como é que correu?

Apareceu nas 3 estações. Foi o maior truque que já vi.

Essa treta da ameaça de morte, puxa mesmo pela simpatia.

Como me sai?

Teria sido melhor sem a referência aos teus tomates.

É preciso ter humildade, Nelson. Humildade. Servo do Povo.

Se além de falar por ti, também pudesse pensar por ti,

faria de ti Presidente em vez de Senador.

Falei com o Gomez sobre aquele patrocínio mas não deu em nada.

Vamos fazer o seguinte:

Fala com uns miúdos de Chicago, dá-lhes dinheiro,

eles que dêem uma volta à oposição.

Diz-lhes que é da acção de campanha.

Aqui está o teu discurso para amanhã de manhã.

Fizeram um trabalho fantástico e eu melhorei-o.

Lê-o palavra por palavra e não acrescentes nada, por favor.

- De quem é este batom? - Da Linda, pedi que passasse aqui.

- Advinha porquê? - Para que ela saia da minha vida.

- Adivinhaste. - Afasta-te da minha vida privada.

- Não tens vida privada. - Estou a avisar-te.

Não, eu é que te aviso. Esforcei-me demais para te pôr onde estás hoje,

para me arriscar a desperdiçar tudo.

O que afecta a tua vida política, afecta-me a mim.

- A Linda Johnson compromete-nos. - Harry, preciso dela.

Não precisas de mais ninguém além de mim.

Podes livrar-te de qualquer pessoa menos de mim, Nelson,

porque eu sei onde estão enterrados os corpos.

Eu enterrei-os por ti. É por isso que estou a tomar esta decisão.

Ela fica de fora. Não apenas até à eleição.

Vais ser um Senador casado e feliz. A Linda acabou.

Não me deixas outra opção. Como de costume.

Vou telefonar-lhe.

Linda, sou eu. Querida, precisava de te ver.

Não, aqui não. Na tua casa.

Dá-me 30 minutos. Adeus.

Pelo amor de Deus, Nelson. Vais com uma escolta policial até casa dela?

Queres uma notícia da secretária da minha mulher

com uma overdose de soporíferos?

Deixa-me ser eu a dizer-lhe. Pessoalmente, delicadamente.

E aquele polícia ali fora?

- Sargento? - Diga, por favor.

- Será que posso falar consigo? - Claro.

Não muitas pessoas sabem que eu fumo charutos.

Isto pode parecer trivial para si,

mas infelizmente os charutos dão uma má imagem política, por assim dizer.

- O velho cliché da sala com fumo. - Eu percebo.

Mas há muitos jornalistas na entrada,

poderia ir comprar-me uma caixa?

Não há problema.

Mas acho que não o devia deixar sem guarda.

Acho que eu e o Sr. Stone podemos aguentá-los durante uns minutos.

Claro, Sr. Hayward.

- Ele é o único? - Não, há mais na garagem.

- Dá-me o teu casaco. - Porquê?

- Isto é muito importante para mim. - Isto é uma loucura.

Fiz tudo o que querias. Pelo menos deixa-me fazer isto.

Pega no carro, vai à casa de praia, deixa-o lá e apanha um táxi.

Sr. Hayward? Sr. Hayward?

Espere!

Juanita?

Juanita?

Juanita?

Juanita?

- Surpresa! - Surpresa!

- Parabéns! - Parabéns!

- Não acredito. - São maravilhosos.

Devias ter visto a tua cara!

Ele estava a usar o meu chapéu, e o meu casaco

e arrancou da garagem a toda a velocidade no meu carro.

Tanto quanto sei, ainda devem estar a perseguir o pobre Harry.

Imaginem, toda esta troca para poder estar com a mulher.

E que grande troca.

Quando concorreres para um lugar, vais ver a privacidade que tens.

Não querida. Por aqui. Não, no aniversário da Viki.

Não temos qualquer polícia, nem lá fora na casa.

- Obrigada, Harry. - Aqui tens, querida.

Obrigada a todos.

E quanto aos meus amigos, prometo, na altura propícia,

expulsar-vos a todos. Com toda a popa e circunstância.

E porque são nossos amigos, e em honra da ocasião,

dêem-me um momento.

Ele vai buscar a tua prenda.

Polícia. Só para dizer que nós cumprimos as nossas promessas.

Não se preocupem com o Nelson Hayward.

Podem encontrar o que resta dele na garagem da sua casa de praia.

Senhoras e senhores,

um Brandy de 1893, como digestivo.

Estava a guardá-lo para brindar à minha eleição no Senado,

mas acho que isso não me daria mais prazer do que estou a ter agora.

- Um brinde à Victoria. - À Victoria.

- Parabéns! - Parabéns!

O Tenente é italiano,

eu sou italiano, o tenor é italiano.

O senhor é um polícia, eu sou um dentista.

Columbo é um Tenente. Nenhum de nós pertence à Máfia.

Conhece algum italiano da Máfia?

Há italianos da Máfia na sua família?

Há italianos da Máfia na polícia?

Quando falam dos italianos,

pensam em polícias, dentistas, tenores?

Nem no papa! O papa é italiano, não é?

Eles pensam: "Mafioso"!

"Mafioso"! "Mafioso"!

Obrigado, doutor.

- Beba um pouco. - Está bem.

Aqui está o raio-X.

- O que é? - Tanta pena.

Tanta pena, o quê?

O que é tanta?

- O que está dizer? - Não sei o que está a dizer.

Se é tanta pena, porque tem dó

ou tanta pena porque são muitos?

É mesmo pena. Dois dentes do siso têm de ser tirados

e o molar podemos salvar com um temporário.

Interrompemos a nossa emissão para um boletim noticioso.

Recebemos uma informação não confirmada que Nelson Hayward,

candidato a Senador dos Estados Unidos, da Califórnia,

foi baleado e morto na garagem da sua casa de praia.

Sabemos que Hayward fugiu à escolta policial,

mesmo depois de inúmeras ameaças de morte.

Ainda não há detidos, mas vamos continuar a actualizar as notícias.

- O Nelson Hayward. - Vão tentar culpar a Máfia.

- Não os deixe, Tenente. - Vi-o há pouco.

Tenho de telefonar à minha mulher. Tenho de me ir embora.

Não vai a lado nenhum. Tem de pôr um temporário nesse molar.

Está bem, doutor, mas despache-se. O Nelson Hayward.

Vou dizer-lhe mais.

O Tenente é um polícia italiano

e independentemente de quem for considerado culpado,

vão continuar a achar que foi a Máfia.

E que os está a encobrir.

- Vá, doutor. - Abra a boca.

Siga o meu conselho, Tenente,

mude de nome...

e não mastigue nada duro.

Venha cá.

Estamos sempre desejosos que isto acabe depressa.

Candidato para o Senado dos Estados Unidos.

Aqui tem, Tenente.

Não faz diferença se é branco ou negro,

tira-te o fôlego.

Posso ajudá-lo, Tenente?

O candeeiro da rua está partido.

Aposto que foram os miúdos que fizeram isso.

Lembro-me que era o que costumávamos fazer.

Atirar pedras aos candeeiros da rua.

Além dos itens que mencionei anteriormente,

temos uma carteira, as chaves, a arma e um lenço.

Estes estavam nos bolsos das calças...

- Boa noite, Comissário. - Está atrasado, Tenente.

Nos bolsos do Hayward, ou seja, nos bolsos do casaco do Hayward,

também havia um pacote de pastilhas, da mesma marca, e um lenço.

Isto é compreensível, porque as calças eram do sujeito

e o casaco é do Hayward.

- Foi só o que encontrámos. - Obrigado.

Tenente Columbo, fique, quero falar consigo.

- Charlie?

- Sim, Comissário? - O que diz o médico legista?

- Do que estava ele a falar? - Quem?

- O detective que aqui estava? - Não sei, não estava a ouvir.

A causa da morte foram 3 tiros...

...dois situados na zona do peito... - Desculpe, eu volto já.

...mas o terceiro atravessou o crânio.

Houve mais tiros?

Temos as câmaras, mas ainda não tivemos sorte.

Desculpe, o que quis dizer há pouco

com o que estava no casaco do Hayward e nas calças.

Nunca disse que as calças eram do Hayward.

A carteira e as chaves estavam nas calças do Stone.

- Quem é o Stone? - Está a brincar?

- Não. - Stone é a vítima.

Não é o Hayward?

Não, isso é o que pensávamos...

- Não é o Hayward? - Não.

Que alívio!

Acabei de descobrir que não era o Hayward.

Já telefonei à minha mulher para lhe dar a notícia. Adora o Hayward.

Não queria que ela ouvisse apenas na televisão.

É melhor voltar a ligar-lhe.

Ainda bem que não estava em casa! Quem é o Stone?

Stone era o director de campanha. Um caso de identidades trocadas.

Vamos precisar das impressões digitais.

Os rapazes estão à procura na garagem, mas sem sucesso.

- Alguém viu algo invulgar? - Não.

Conseguimos estabelecer a hora exacta da morte?

Às 21h30. Um relógio partido no pulso da vítima indicou a hora.

- O médico confirmou? - Sim, diz que está certo.

Dá-nos uma confirmação amanhã ao meio-dia.

Ao meio-dia? É muito tarde. Diga-lhe que tem de ser ainda esta noite.

Talvez tenha de fazer uma declaração oficial na imprensa, amanhã.

- Que horas são? - 22 horas.

É o que eu tenho também.

Temos de ter a certeza.

Desculpe, eu volto já.

Antes que me esqueça... onde vai ele agora?

Posso ver isso?

Tenente, quero que oiça isto.

O assassino estava à espera, fora da garagem.

Quando viu o carro do Hayward, sem segurança,

aproveitou-se, seguiu-o até aqui e matou-o.

Deve ter sido isso que aconteceu, porque tentei seguir o carro,

mas perdi-o pouco depois, no cruzamento.

Parecia que ia para casa, mas estava enganado.

Deve ter sido isso,

porque foi a única vez que o Hayward ou alguém que se fez passar por ele,

nos saiu debaixo de olho.

A primeira e única vez que isso acontece e aparece morto.

- Quem foi o primeiro a chegar? - O Miller.

...ainda não o conseguimos localizar.

- O que a imprensa sabe? - Só que o Stone está morto.

Desculpe, eu volto já.

- Miller? - Sim?

- Foste o primeiro a chegar? - Sim.

- A luz estava acesa? - Não.

- Onde está o interruptor? - Não sei, Tenente. Desculpe.

Tenente, quero que oiça isto.

Diga-lhe que volto já.

Só quero ver uma coisa.

Estive a ver o relógio deste tipo,

deixe-me só ver a camisa.

Sabão?

Sapatos.

- Tenente? Onde está ele? - Vou já, Comissário.

Está bem.

Está sempre a desaparecer. Onde estava?

Podem trazer-me o meu carro? Tenente...

Se a vítima fosse o Hayward, eu mesmo dirigiria esta investigação.

Mas não foi. Agora estou mais preocupado com o futuro do Hayward.

Não quero que nada lhe aconteça, por isso vou apostar na sua segurança.

O seu trabalho é encontrar este lunático, quem quer que seja.

- Claro. - É o meu carro?

Tenente Columbo,

encontrámos o Hayward. Estava em casa.

Demorou muito para o encontrarem em casa.

Telefonámos antes, mas a empregada dizia que ele não estava lá.

Mas telefonei agora e falei com a mulher.

- Ele está lá, numa festa. - Ele sabe disto?

Não, calculei que quisesse fazer a visita oficial.

- Sim, penso que é melhor. - Com licença.

Com licença.

- Posso ajudá-lo? - Tenente Columbo.

Gostaria de falar com o Sr. Hayward.

Não precisa de se preocupar, ele está seguro. Obrigada.

Sim, eu sei.

Mas isto é importante. Gostaria de falar com ele.

Eu sei que é importante, mas estamos a dar uma festa privada,

são os meus anos.

Porque não vai lá atrás e come uma fatia de bolo?

Eu arranjo-lhe um café e uma fatia de bolo.

Eu agradeço, mas...

Não seja tão carrancudo, coma uma fatia de bolo, está delicioso.

Minha senhora, peço desculpa, mas isto não pode esperar.

Está bem, não pode esperar.

- Como se chama? - Columbo.

Tenente Columbo.

Com licença.

Tenente Columbo, da polícia. Não podia esperar.

Tenente, apanhou-me na minha toca.

Peço desculpa interromper a festa.

De modo algum. Sou eu quem tem de pedir desculpas.

Fugir aos seus colegas daquela forma, peço desculpa.

Mas são os anos da minha esposa e eu tinha planeado esta festa.

Telefono para o gabinete do Comissário

a desculpar-me e a safar os outros polícias.

Porque não toma uma bebida e fica à vontade?

Este problema de segurança está a chegar aos extremos.

Desculpe, Sr. Hayward, será que posso falar consigo em privado?

É bastante sério.

Parece que se trata de outra coisa.

Acho que nos vai dizer que eu e o Stone somos fugitivos à polícia.

Nada disso.

Com licença, querida.

- Sou dos homicídios. - Veio cedo demais, Tenente.

- Ainda não me apanharam. - Pois não e estamos gratos.

- Mas houve um homicídio. - Houve um homicídio?

O Sr. Stone, o seu director de campanha, está morto.

Harry Stone está morto?

- Viki? - O que foi?

- O Harry Stone está morto. - O Harry?

Mas como? Onde?

Na sua casa de praia. Na garagem. Foi baleado e morreu.

Não, é impossível.

Não acredito.

Como é possível? Eu estive com ele esta tarde.

Perante as circunstâncias, espero que compreendam.

- Claro que sim. - Vou-me só despedir.

Agradeço a todos por terem vindo. Obrigada pelos presentes e tudo mais.

Ele tinha a sua roupa vestida e estava a conduzir o seu carro.

Alguém pensou que ele era o senhor e matou-o.

Eu preguei uma partida estúpida e agora o Harry está...

O senhor sabia que ele ia para a sua casa de praia?

Sim, disse-lhe para ele passar lá a noite.

Tudo o que lhe posso dizer é que vamos apanhar o culpado.

Não era apenas um director de campanha,

era... um grande amigo.

Sei que este não é o momento,

mas tenho de lhe fazer umas perguntas...

Por favor, deixe-me em paz.

- Adeus, querida. - Estamos aqui se precisares.

- Telefono-te amanhã. - Está bem.

Se houver alguma coisa que possamos fazer...

- Desculpe, tem uma caneta? - Sim, claro.

Para o meu relatório,

pode dizer-me a que horas começou a festa?

Ele disse-nos para estarmos todos lá fora às 20h30,

para quando ele chegasse a casa fizéssemos a surpresa.

Foi por volta das 20h30.

Ele chegou às 20h30 e nós entrámos também. É tudo.

Boa noite, Luce. Boa noite, George.

Quem quer que o tenha ameaçado,

sabe que não conseguiu matá-lo. Por isso,

vamos ter um agente destacado aqui à sua porta.

- Só para garantir... - Está bem.

Senhor, a sua caneta.

Não me digas que por o Harry ter sido assassinado

hoje dormes em casa.

Não, esqueci-me. Está um polícia à porta.

Não podes sair hoje, pois não?

Não vamos discutir hoje. Hoje não.

Não, não vamos discutir.

Por respeito ao pobre Harry.

Além disso, não queria ver outro teatro.

A tua demonstração de dor é extraordinária.

Apesar de tudo, passei muitos anos com ele.

- Verdade. - Vamo-nos deitar.

Isso é um convite social?

Ou uma cortesia profissional?

- Gostava que não bebesses tanto. - É o que sei fazer melhor.

Afinal de contas, não precisas de uma parceira estável.

Vamos Viki, está a ficar tarde. Vamo-nos deitar.

- Por vezes assustas-me. - Do que está a falar?

- Da cena que fizeste. - Qual cena?

- A tua dor pelo Harry estar morto. - Fiquei chocado.

É isso que me assusta. Foste tão convincente.

Eu sei como o detestavas.

É o jogo político que tenho jogado.

Passado um tempo, reagimos da forma como as pessoas esperam,

não como realmente sentimos.

E talvez estivesse mesmo sentido, afinal aquele tiro era para mim.

Desculpa, é que às vezes parece que estás a jogar esse jogo comigo.

E se eu pedisse o divorcio agora?

Antes da eleição?

Ficaríamos os dois melhores, não era?

Ouve, Viki, acredita que tenho pena do que se passou entre nós,

não há mais nenhuma mulher na minha vida, mas sim quero ser senador.

Mas não te quero perder nunca. Não quero isso.

Gostava que acreditasses em mim.

Querido.

Tenho uma tournée por agora.

Não queres vir comigo?

Fazemos a campanha juntos, como nos velhos tempos.

Não consigo. Detesto aquelas multidões.

Não detestas nada. E eles adoram-te.

- Não gosto, não. - Vá lá.

E vou ter de ficar sozinha no hotel.

Não, não tens de ficar sozinha.

Sabes que tens sempre trabalho para fazer.

Leva aquela secretária que o Harry te arranjou. Como se chama?

- Linda? - Sim, trá-la também.

- Prazer em vê-los. - Obrigado.

- Fico contente por estar aqui. - Obrigado.

São maravilhosos! Muito obrigado. Obrigado.

Sargento, certifique-se que a minha menina chega a casa bem.

- Nós trataremos disso. - Obrigado, Sargento.

Linda, Mn. Johnson, tire uma cópia do meu itinerário e leve-o.

- Adeus, querida. Vejo-te em casa. - Adeus.

- Adeus. Obrigado. - Por favor.

Sim, claro. Como está? Prazer em vê-lo.

Como está? Prazer em vê-lo. Muito obrigado, de novo.

São maravilhosos. Não sei como vos agradecer.

Muito obrigado. Muitíssimo obrigado.

Vamos ganhar, vamos ganhar.

- Tenente, prazer em vê-lo. - Vi as sondagens, está muito bem.

Obrigado. Vai votar nesta, certo?

Eu voto sempre, é sagrado.

Nós sentamo-nos à mesa, discutimos e votamos.

Já se decidiram pelo candidato nesta eleição?

Não precisa de se preocupar com a minha mulher,

- ela é louca por si. - E o Tenente?

Eu ainda estou indeciso.

Temos que o ajudar a decidir.

Queria falar comigo sobre alguma coisa em especial?

Não, pode esperar para quando quiser.

Óptimo. Obrigado.

Tem algo de novo sobre o caso do Stone?

Não, nada de concreto.

Tem um fósforo?

Não estejas nervosa, a porta está trancada.

- Eu sei, mas... - Tive saudades tuas.

Não é fácil com a tua mulher ao pé.

Eu sei que tem sido muito difícil para ti, para mim também.

Alguém pode perceber o que se passa.

Tenho o pessoal muito ocupado.

- Eu preocupo-me contigo. - Porquê?

- Com o homicídio. - Estou bem protegido. Até demais.

- Mas continuo preocupada. - Isso é bom.

O Harry estava certo numa coisa,

não te devia ver mais até à eleição.

E são apenas uns dias.

- Para o Sr. Hayward. - Eu assino.

- Tenho de entregar pessoalmente. - Está em conferência, pode demorar.

Eu levo isso. Obrigada.

Vou já ter consigo, Tenente. O que temos mais?

O almoço às 12h com o juiz, a audiência foi adiada para as 15h

e uma reunião com o pessoal às 17h.

Já me arrependi de ter perguntado. Vamos, Tenente. Entre.

O que há de novo sobre o crime?

Telefonei para a esquadra e para uma autoridade em Fresno,

o que está a ser feito?

Sente-se, por favor.

- Até agora não temos nada. - Isso é mau.

- Pelo menos oficialmente. - E não oficial?

Não oficial, também não temos nada.

- Não percebo. - O departamento não tem.

Eu, pessoalmente, e isso é muito pouco oficial,

- quero que perceba. - Pode dizer do que se trata?

Sim.

Posso escrever aqui?

- Não na fotografia, nas costas? - Onde quiser.

Tem muitos destes?

Detesto desperdício.

- É uma característica familiar. - O que quiser.

Tenente, por favor, diga o que quer depressa.

O meu irmão tem 38 e ainda está na secundária.

Isto é embaraçoso. Quando tenho um lápis, não é o certo.

- Posso usar esse marcador? - Claro que sim.

Peço desculpa, Tenente. É um homem muito simpático,

mas espero não depender de si para nada urgente.

- Isso é o que a minha mulher diz. - Tenho a certeza que sim.

- Vamos ao que interessa. - Certo.

Não sei se isto é muito importante,

mas é melhor dizer já.

Esta é a rua em frente à sua garagem, esta é a sua garagem,

aqui foi onde o corpo foi encontrado. Não sei se é importante ou não,

- mas acho que devíamos investigar... - Sim, tenente, mas...

De acordo com a teoria do assassino contratado,

e todos na esquadra estão convencidos que sim.

- A teoria do assassino contratado? - Sim.

Que o assassino estava à espera à porta do hotel,

viu o Sr. Stone a sair com o carro, quando não havia polícias,

percebeu as vantagens dessa oportunidade,

segui-o até à sua casa de praia e disparou.

O que me tem andado a incomodar...

o senhor costumava mandar pedras aos candeeiros quando era mais novo?

- Sim. - Deve ter sido isso que aconteceu.

Os miúdos partiram o candeeiro aqui.

- Os miúdos partiram o candeeiro? - Sim.

Não percebo como o assassino teve luz suficiente

para ver o Sr. Stone às escuras, para disparar contra ele.

Podia ter usado os faróis. Não é uma resposta lógica?

Foi o que eu pensei.

Mas esta estrada é muito estreita, tem 8,5 metros.

Fui à "Motorvehicles", tirei alguns modelos,

Espero não me ter esquecido deles.

Aqui estão.

Para que consiga ver algo que está claro na minha mente.

Este é o Sr. Stone no seu carro. Vem por aqui, entra na garagem.

O assassino vem, pára e ilumina a garagem com os faróis.

O problema é que está a bloquear a estrada.

No meio de um tiroteio,

um cidadão chega aqui, o que vai ele dizer?

É muito arriscado.

Mas os assassinos contratados são loucos.

Sabe-se lá o que fariam. Só demora uns segundos matar alguém.

Não é que ele tenha estado a bloquear a estrada durante muito tempo.

Não é ideal para uma fuga rápida. Mas, talvez...

Mas continuo sem perceber como ele conseguiu iluminar alguma coisa.

Se ele parasse aqui, lembre-se que tem aquele carro muito grande,

os faróis dele, reflectiriam mesmo na mala do seu carro.

Por isso, o local onde o Sr. Stone foi morto, continuava ás escuras.

- Já testou isto, Tenente? - Sim, já lá estivemos com carros.

E está a dizer que não há mais nenhum ângulo

em que o assassino possa ter parado

para iluminar o local onde o Stone foi morto?

Sim, há mais uma possibilidade.

Claro que há.

Com licença. Se ele parasse assim,

o farol direito apontaria para a mala do meu carro, não dando luz útil.

Mas o farol esquerdo, teria caminho livre para iluminar o local

onde o Harry Stone foi morto. Agora diga-me que não é possível.

Sim, é possível. É concebível.

Mas é como apanhar raios com uma garrafa.

É difícil o carro fazer este ângulo exacto.

- Mas é possível? - Sim, é possível.

É possível,

mas assim os tiros não viriam do lado direito da garagem.

Sabe, de acordo com a balística,

o assassino estava aqui nesta zona,

e os tiros foram dados nesta direcção.

Se o carro ficasse na posição que o senhor sugeriu,

O culpado ter-se-ia inclinado do lugar do condutor e disparado daqui.

Os tiros teriam sido dados nesta direcção.

Isso é contraditório ao relatório da balística.

Muito interessante,

muito interessante.

Estou a ver.

Não acha que o assassino o seguiu.

E que... Uma ideia.

Suponhamos que ele não o seguiu.

Suponhamos que ele já estava na casa de praia.

- À espera. - À espera de quê?

De me matar. De pegar numa arma e matar-me.

Com toda a segurança à volta?

Se ele não seguiu o Sr. Stone,

como sabia que a polícia não iria lá?

Bem pensado. Não pensei nisso.

Então o que acha disto tudo?

Nada de conclusivo.

Mas talvez a teoria do assassino contratado esteja errada.

Talvez isto não seja um caso de identidades trocadas,

talvez o assassino...

- quisesse mesmo matar o Sr. Harry. - O que está a dizer?

Isso é absurdo.

Alguém me faz ameaças de morte,

e um homem a usar o meu chapéu, o meu casaco, a conduzir o meu carro,

estaciona na minha garagem e é morto a tiro.

E ainda me diz que não é um caso de identidades trocadas?

- Não acredito. - Pensei que fosse ficar aliviado.

- Mas eu... - Quer dizer...

Pensei que ficasse feliz por saber que ele não o queria matar a si.

Não é uma questão de alívio,

é uma questão de tentar compreender

racionalmente o que aconteceu.

Claro que sim.

Tenho de admitir que se fosse eu ficaria aliviado.

Acho que já ocupei muito do seu tempo.

Peço desculpa. Deixe-me pôr isto de volta.

Gosto de deixar as coisas como as encontrei.

O marcador.

Não é engraçado como as pessoas reagem perante os acontecimentos?

Não estava a falar de si. Estava a falar da Menina Johnson.

Desculpe?

Da Mn. Johnson, que entrou aqui para vir buscar o seu itinerário.

Ouvi quando estava sentado lá fora.

Ela entrou para o vir buscar e deixou-o cá.

Aqui está ele, com o nome dela, em cima da sua secretária.

Juntei alguns pontos ao itinerário. Talvez se tenha esquecido.

Numa coisa está certo, Tenente. Estas campanhas são muito stressantes.

Claro que têm.

Só mais uma coisa. Tem mais um minuto?

- Claro que sim. - É só mais uma coisinha.

Importasse de fechar a porta?

São quase 57 quilómetros do hotel até à sua casa de praia.

- Penso que sim. - Isto se for directo.

- Senão ainda demora mais. - Claro.

O que me incomoda, é que eu mesmo fiz a viagem,

e não puxei pelo motor, a velocidade normal.

A noite estava calma, nem apanhei trânsito.

Não houve "pára arranca".

Pode chegar ao que interessa?

Demorou uma hora e um quarto para o motor arrefecer,

mas o Sr. Stone morreu, segundo o seu relógio, às 21h20.

Eu cheguei ao local às 22h, 43 minutos depois,

e quando pus a mão no capô do carro, estava frio.

Não havia qualquer calor. Em apenas 43 minutos.

- E a sua conclusão? - Não tenho conclusão.

Só achei estranho e pensei em partilhar consigo.

Muito obrigado.

Sr. Hayward, esqueci-me de lhe dizer,

vou ser destacado seu segurança.

Tenente, não o quero afastar das suas obrigações.

tenho a certeza que estou bem protegido.

Não tem nada a ver com os rapazes, eles são excelentes.

É que o dia antes da eleição consideramos crucial,

- em termos de segurança. - Compreendo.

Tenente, vai ser um conforto saber que está por perto.

Obrigado. Posso fazer-lhe uma pergunta pessoal?

- Sim. - Não tem nada a ver com o caso.

- Quanto pagou pelo casaco? - Não me lembro bem...

- Não é esse. É o outro. - O outro?

Só um momento.

- Este que acabou de chegar. - 2 mil dólares, acho eu.

- Só o casaco. - É o preço, 2 mil dólares.

- Sem as calças. - Foi feito à medida.

Pensei duas vezes quando mandei fazer este casaco.

É idêntico aquele que o Harry tinha vestido quando foi morto.

Sim, eu reparei. Onde se arranja um casaco assim?

No meu alfaiate, em Beverly Hills.

Tenente, está a pensarem renovar o guarda-fatos?

Não, não.

De vez em quando penso em comprar um casaco novo.

Mas não há pressa. Este casaco ainda tem muitos anos pela frente.

- Parece muito funcional. - Obrigado.

Tenente, se não há mais nada.

É que tenho uma ocasião especial, no sábado à noite, era só para saber.

Compreendo. Adeus.

Sim, muito obrigado.

Vai partir para o Mónaco amanhã? Com a família?

Boa viagem. Vemo-nos depois. Adeus.

- Podemos ajudá-lo? - Sim, procuro um casaco.

Alguma coisa em particular?

Sim, mas não vejo casacos aqui.

A nossa roupa é feita à medida.

Mas pensei que tivessem um modelo.

- Alguma coisa que pudesse ver. - O que queria exactamente?

- Um casaco desportivo. - Algum material em especial?

- Algo macio... - Caxemira?

- Pode ser. - Flanela?

- Isso é macio? - Pêlo de camelo. É bom.

- Macio. É macio? - Sim, é macio.

- Alguma cor em especial? - Castanho.

- Há muitos tons de castanho. - Castanho claro.

Para o castanho claro temos o creme...

- Sim, claro, nessa área. - Caramelo.

- Sim. - Caramelo. Castanho claro.

- Algo entre isto e isto. - Deixe-me mostrar-lhe uma coisa.

Este material é o que chamamos areia de Marrocos.

- É muito bom. - Não, não tem linhas.

Sim, disse claro e bege. Será este?

É muito áspero.

E que tal este?

- É este mesmo. - É muito macio.

É lindo.

Deixe-me fazer-lhe uma pergunta.

Se eu tivesse um casaco feito deste tecido, servir-me-ia?

- Nós temos os melhores alfaiates. - Não quero dizer...

- Estamos neste ramo... - Não estou a dizer se me servia.

- Se ficava bem no meu estilo. - Se serviria a sua personalidade.

- Sim. Claro. - De certeza?

Tenho a certeza que ficaria muito contente.

- Vou ter um compromisso... - Um compromisso, esplêndido.

A minha mulher quer dar um jantar de reunião.

Esse tipo de coisa.

- Quero estar bem. - Para a sua mulher. Muito bem.

- Acha que vai ficar bem? - Tenho a certeza.

- Mário. - Está bem.

Vou levar um desses.

Vai tê-lo pronto no sábado?

Temo... que isso não podemos fazer.

Os nossos clientes têm de nos dar pelo menos 10 dias,

depois da primeira prova.

- 10 dias? - Peço desculpa.

- São precisos 10 dias? - Temo que sim.

Estava com receio disso, mas...

Quem me enviou aqui foi um amigo meu, o Sr. Nelson Hayward.

Ele deu-me o seu nome

e pensei que me pudesse apressar o trabalho.

Ele disse-me que tinha sido um entregue hoje.

- Eu vi-o. - Disse Sr. Nelson Hayward?

- Sim. - Sim. Mário.

Lembro-me que foi feita hoje uma entrega. Tenho a certeza.

Mas se bem me lembro,

a primeira prova do casaco foi...

...no dia 16.

Foi assim há tanto tempo?

- Importasse que veja? - Claro.

Há 10 dias.

Isso é um problema.

A festa é sábado à noite.

Posso sugerir lojas de roupa.

Claro, muito obrigado.

Obrigada.

É com grande prazer,

que dedicamos este centro recreativo:

A "Sociedade de Relações Humanas da Califórnia"

pode estar orgulhosa das suas conquistas e ajudar a manter

e a criar novas instalações sociais e recreativas.

Obrigada.

Muito Obrigada. É muito gentil.

Olá.

Peço desculpa. Com licença.

Peço desculpa. Com licença.

Não, muito obrigado.

Nós não fomos apresentados oficialmente, sou da polícia.

Tenente Columbo, estou a investigar a morte do Sr. Stone.

A Sra. Hayward vai estar livre dentro de alguns minutos.

Na realidade, gostaria de lhe dar uma palavra.

- Fazes isto, por favor? - Claro.

Não sei nada sobre o caso. Com licença.

Mn. Johnson?

- É esse o seu nome? - Sim.

Ficaria surpreendida como as pessoas podem ser úteis.

A menina é a secretária da Sra. Hayward?

Exactamente.

Podia falar-me dos preparativos do Sr. Hayward

para a festa surpresa da Sra. Hayward?

- Não fui eu que fiz os preparativos. - Não?

- Que engraçado. - Porquê?

A minha mulher é muito organizada, ela é que trata da nossa vida social,

Eu nunca tenho horas para nada.

Por isso pensei que uma pessoa tão ocupada como o Sr. Hayward

tivesse alguém para lhe tratar destas coisas.

Então talvez deva perguntar isso à secretária do Sr. Hayward.

Com licença.

E perguntei, ela não sabia nada.

E o que quer que eu faça?

O Sr. Hayward tem jeito para estas coisas?

Festas de aniversário, ocasiões românticas?

Não conheço muito bem o Sr. Hayward, mas sei que é muito dedicado.

Poderia ter sido o Sr. Hayward a fazer os preparativos?

- Eu não sei mesmo, tenente. - Teria sido o Sr. Stone?

Que diferença faz? Não sei.

Não faz diferença nenhuma. Por si.

Mas se descobrir quem fez os preparativos,

não fico tão perturbado por outra coisa.

Que coisa?

O facto do Sr. Stone não saber de nenhuma festa.

O Sr. Stone não sabia que havia uma festa?

- Não. - Como sabe isso?

Vi a sua agenda.

Talvez tenha sido um esquecimento.

O Sr. Stone era muito eficiente.

As minhas notas dizem que desde o inicio da campanha até agora,

manteve sempre um registo de todos os eventos a que Hayward participava.

Sabia sempre onde contactá-lo. De noite ou de dia.

Nem uma palavra sobre a festa.

- Eles não eram próximos socialmente. - Porquê?

- Eram homens diferentes. - De que forma?

O Sr. Stone era muito rude e agressivo.

- Conhecia bem o Sr. Stone? - Nem por isso.

Estava a pensar quem a teria contratado.

Quem me contratou foi o Sr. Hayward,

era voluntária, durante as primárias.

Percebo porquê, ele é um homem muito bonito.

Sim, gosto dele. Gosto dele pelo o que ele representa, tenente.

Um homem de grande coragem e integridade.

Tenho a certeza que foi isso que a atraiu nele. Como candidato.

Se me permite, gostava de dizer que é muito boa rapariga

e que o Sr. Hayward tem muita sorte em tê-la como apoiante.

- Obrigada. - Muito obrigado.

- Sr. Agente, podia ajudar-me? - Encoste ali.

- Não, queria saber... - Encoste ali, por favor.

Obrigado.

- Sabe onde é Richwood Drive? - Não, não conheço este bairro.

Posso ver a sua carta de condução?

Também trabalho na Polícia. Na L. A. P. D., Tenente Columbo.

- Tem alguma identificação, tenente? - Sim.

Está sempre no bolso errado.

Este não é um carro do departamento, pois não?

- Não, este é meu. - Vou ter de verificar o seu carro.

- Tudo bem. - Posso ver a carta de condução?

Sim

- Ainda tem a mesma morada? - Sim.

Só recebi um aviso para a revisão à dois meses atrás.

Só vai demorar uns minutos.

Experimente as luzes, o pisca e abre o capô?

- É o tenente Columbo, da L. A. P. D. - Olá, tenente.

Sabe onde é o Richwood Drive?

Richwood? A três quarteirões, vire à esquerda

e ande mais um quilómetro até ver uma placa.

- Não tem nada que enganar. - Obrigado.

Pode ligar os pára-brisas?

Estavam a trabalhar bem ainda ontem.

Deve ter sido na lavagem.

Assine aqui, Tenente.

Está tudo bem?

O pisca direito está avariado, um dos máximos está fundido

e a chaufagem está a deitar água.

Um dos pára-brisas também não está a funcionar.

- Tem duas semanas para reparar. - Muito obrigado.

Já pensou em comprar outro carro?

Tenho outro carro, é a minha mulher que conduz.

Não é nada de especial, só para transporte.

Obrigado pelas indicações.

- O carro já está pronto. - Óptimo.

Muito obrigado pelo camião.

Ajudou-me muito. Poupou-me tempo.

- Está aqui isto para ti. - A sua conta está aqui.

São 6525 dólares.

Isto tudo.

Não foram tanto as peças, foi mais o tempo que demorou.

Não é fácil trabalhar num carro naquelas condições.

- Aceita cheque? - Não tem cartão de crédito?

Eu sou da polícia.

Tenente Columbo.

- Está a trabalhar infiltrado? - Não, sou mal pago.

- E o cheque? Aceita? - Claro, aceito.

Pensei que tivesse trazido o livro de cheques.

Devo tê-lo deixado em casa.

- Posso preencher um vale? - Sim, por aqui.

Aqui tem.

Está a investigar aquele homicídio da semana passada na casa de praia?

- Sim. - Que sorte a minha.

Na noite em que acontece alguma coisa, eu não estou cá.

O que quer dizer?

Naquela noite ficámos sem gasolina. Fechámos por volta das 8.

Fecharam?

Traga um fato e uma gravata nova.

Sapatos e meias pretas.

- Sr. Hayward? - Sim?

- Posso falar consigo? - Com licença.

O polícia que esteve na sede de campanha esta manhã,

apareceu na inauguração esta tarde.

- O que queria ele? - Ele põe-me nervosa.

O que queria ele?

Queria saber porque o Harry Stone não sabia da festa da tua mulher.

- O que é que quer dizer? - Nada, está a tentar ganhar fama.

Não é preciso ficares nervosa, querida.

O importante é que não fiques perturbada.

- Não deixes que ele te perturbe. - Está bem.

- Senhores... - Sr. Hayward?

O que quer, tenente?

Nada, só estou à procura do chefe da segurança.

Ele disse-me que estava aqui.

Vou trabalhar no turno das 20h. Estou ansioso por começar.

Eu vi-o na cozinha.

Muito obrigado.

Sr. Hayward?

Surgiram umas coisas que gostava de discutir consigo.

Mas não quero incomodá-lo. Já percebi que está muito ocupado.

Pelo contrário. Não há melhor que agora.

Em que posso ajudá-lo?

Os senhores vão andando e esperem no pátio. Já lá vou ter.

- Não quero ser incómodo. - De modo nenhum.

Tem o programa de TV com que se preocupar.

Não, vamos esclarecer uma coisa.

O senhor acha que estou relutante em falar consigo. Mas está enganado.

Falo consigo quantas vezes quiser, por quanto tempo quiser,

sobre o que quiser.

Muito bem.

- Uma das coisas que me incomoda... - Porque não nos sentamos?

- Sente-se, fique à vontade. - Muito obrigado.

- Uma das coisas que me incomoda... - Quer uma bebida?

- Arranjo-lhe uma bebida. - Não, muito obrigado.

Está a fazer sentir-me tão importante que me esqueci do ia dizer.

Deixe-me começar por dizer o quanto gosto do seu casaco.

Gosto muito. Importa-se?

- Suave como manteiga. - Pele de camelo.

Acredita que a primeira coisa que fiz esta manhã,

depois de sair da sua sede de campanha,

foi ir ao seu alfaiate?

Tenho a certeza que ficou encantado. Ele adora um desafio.

- O que quer dizer? - Nada, foi uma pequena piada.

Para me fazer um fato? Não é assim tão difícil.

Só as pernas. Passa-se aqui qualquer coisa.

Mas os casacos é só tirar dos manequins e assentam como uma luva.

Mas não fui lá pelo corte,

fui pelo material. E sabe que mais?

É isto que me incomoda,

este tipo demora dez dias para fazer um casaco.

- E precisa de um até... - Sábado.

- Que pena. - Mas não é isso que me incomoda.

- O meu problema... - Vou arranjar uma bebida para mim.

- De certeza que não quer uma? - Sim, de certeza.

Estava a dizer que o seu problema é?

Estava a dizer que o meu problema

é que o casaco que tem vestido foi entregue hoje,

o que significa que o teve de encomendar há 10 dias.

Mas o senhor só deu o casaco ao Sr. Stone há quatro dias atrás.

E não percebo como sabia seis dias antes

que ia precisar de um casaco novo.

Peço desculpa, Sr. Hayward. O câmara quer ver alguns ângulos.

Tenente, examinou o casaco velho?

Pessoalmente? Não, senhor.

Porque se tivesse ido ver o casaco,

sabia que as mangas estavam a começar a desfiar,

e tinha uma queimadura de cigarro na manga esquerda.

Foi por isso, que há 10 dias atrás, encomendei um novo casaco.

- O que queria? - O realizador quer vê-lo.

- Está satisfeito sobre o casaco? - Sim, senhor.

- Podemos andar e falar? Importa-se? - Não.

Há outra coisa que me preocupa.

Só um momento, não me quero esquecer disto.

A outra coisa, é um puzzle. Não vejo resposta para esta.

- Talvez o possa ajudar. - Esperemos que sim.

Para seu bem ou para o meu?

- Está de bom humor. - Gosto de ganhar.

Como estava a dizer, não vejo nenhuma resposta.

Fui à sua casa de praia, esta tarde,

saí da sua garagem e desci a rua a 110 km/h.

Passados três minutos parei e não havia nada.

Não há bar, nem restaurante, nem estação de serviço.

Nem sequer uma casa privada. Nada.

Só campo, estrada e pássaros.

- O que procurava? - Um telefone.

- Um telefone? - Sim.

O relógio partido do Sr. Stone marcou a hora da morte às 21h20.

A chamada que a polícia recebeu

foi feita exactamente às 21h33.

De onde telefonou o assassino?

É a isso que não consigo responder.

O telefone público mais perto

está a sete minutos de distância e na bomba de gasolina.

Não sei mesmo. E considerei todas as possibilidades.

- Tem a certeza. - Tudo o que me lembrei.

Diga-me uma coisa, tenente:

sabia que o Sr. Stone tinha o relógio adiantado cinco minutos,

para nunca chegar atrasado a uma reunião?

- Sabia isso? - Não, não sabia.

Toda a gente sabia disso.

A hora da morte não deve ser 21h20, mas sim 21h15.

Disse que demora 7 minutos a chegar à bomba de gasolina.

Não foi isso que disse?

21h15 e 7 minutos dá 21h22.

Fica com tempo para trocar dinheiro, acender um cigarro e telefonar.

- Isso responde à sua pergunta? - Não.

A bomba ficou sem gasolina e fechou mais cedo, às 20h.

Sr. Hayward, temos que fazer um teste de voz, por favor.

Acho que já o retive demasiado tempo. Falamos mais daqui a pouco.

E o telefone da casa? O assassino podia ter telefonado lá de casa.

As chaves da minha casa estavam junto com as do carro.

O telefonema foi feito da baixa. O telefone da sua casa é no alto.

Eu falei com a companhia telefónica. Não há registo de chamadas.

Chegue aqui por favor, Sr. Hayward. Tenho de lhe dar as posições.

Está aqui a sua marca.

Quer que vá direito à câmara

ou quer que fale a partir daqui?

Presumo que o telefone da bomba de gasolina fosse lá dentro.

Sim, é lá dentro.

Vamos fazê-lo andar até à câmara.

Claro.

Maquilhagem.

- Desaperte a gravata. - Está bem assim.

Boa tarde.

Boa tarde.

- Tem um minuto? - Sim.

- Conhecia o Stone há quanto tempo? - Há já muito tempo. Porquê?

- Ele vestia sempre aquelas roupas? - Que roupas?

A imagem está boa, não está?

Estes eram os seus sapatos. Pesados. Olhe para a sola!

Está bom, obrigado.

O Harry era mesmo assim. Não ligava muito à moda.

Não há pele italiana para ele.

Uma qualidade para ele é a durabilidade.

Se não era mais nada era a durabilidade.

Foi isso que me chamou a atenção.

É a mesma coisa com o fato. Confirmei com o vendedor

e ele disse-me que é assim que vendem os seus produtos.

É a sua principal característica. Nunca se desgastam.

O Harry era mesmo assim.

Vamos filmar. Silêncio, por favor.

Vamos fazer um take.

Campanha Hayward. Cena 3A. Take 1.

- Silêncio. - Sr. Hayward, acção!

Boa tarde, eu sou o Nelson Hayward.

Uma das grandes preocupações na nossa nação, neste estado é o crime.

Muitos de nós...

Porque pergunta?

Foi uma coisa que me perturbou.

O relógio...

...não liga com a roupa.

- Como assim? - Este é o relógio dele.

É um relógio muito fininho. Fácil de partir.

Não liga com os sapatos. Azeite e Água. Está a perceber?

Tem razão. Porque...

É melhor sairmos daqui antes que fiquemos em sarilhos.

Está bem. Vamos para ali.

Se for eleito para Senador dos Estados Unidos,

proponho nova legislação mais dura, contra o crime.

O crime nas ruas é hoje uma dura realidade.

E não vai parar até que o criminoso sinta que os tribunais funcionam...

- Não entendo. - Nem eu. Mas é interessante.

Sabe que eu fui a uma joalharia

e comprei estes sapatos e o fato.

E disse para o vendedor:

"Estes são artigos muito duradouros.

Agora imagine que o dono destes sapatos,

queria a mesma qualidade para o relógio.

Que tipo de relógio compraria?"

- Sabe que ele tinha uma resposta? - E qual foi?

Tenho-a aqui mesmo.

Olhe para este relógio. Não vai acreditar nisto.

Pretendo preservar o direito destas vítimas...

É inquebrável. Independentemente do que se faça.

Ainda está a trabalhar.

Tem razão.

Não sei o que significa, mas tem razão.

O Harry compraria um relógio desses.

- Que coisa engraçada. - Ai, sim?

Vou fazer-lhe uma pergunta, que vai ser perturbadora.

- Mas vou fazê-la de qualquer forma. - Pode fazer.

...para o criminoso andar à solta.

Quero que os cidadãos respeitadores da lei deste país,

possam andar nas ruas sem medo.

Sou Nelson Hayward e conto com o vosso apoio. Obrigado.

Corta. Vamos fazer outro.

Foi muito bom, Sr. Hayward, mas perdeu a concentração a meio.

Está a olhar muito para onde está a sua esposa.

Vamos repetir, já a seguir e depressa.

Nelson.

Nelson, temos uma oportunidade.

Um dos rapazes das notícias tem informações para nós. São dinamite.

Podemos ter um relatório dentro de uma hora.

Só um momento.

Só um momento.

Aquele detective queria saber se na noite da festa,

tu saíste da sala entre as 21h15 e 21h30. Porque quer saber isso?

Não sei, querida. Não sei o que ele anda a tramar.

- Ele é um detective de homicídios. - Eu sei.

- Não é um detective qualquer. - Eu sei, mas acalma-te.

Ele queria saber se te davas bem com o Harry.

Não lhe prestes atenção.

Ele disse que não era um homicídio político.

Que quem quer que tenha matado o Harry.

Estou no pico de uma carreira política.

Estou sobre enorme pressão, alguém me anda a tentar matar.

Isso é um facto, não é? Não sei o que a polícia anda a tramar.

O Harry foi morto a conduzir o meu carro,

com a minha roupa, na minha garagem.

Tenho de aparecer morto na rua para acreditarem?

É difícil suportar tudo isto.

Não dificultes mais ainda.

Vai ficar tudo bem, querida.

Eu certifico-me disso.

Sou o Larry Burell, da sede de campanha de Hayward,

candidato a uma eleição especial para Senador dos Estados Unidos.

As urnas abriram hoje às 7 horas da manhã, aqui em L. A.

E o nosso especialista

prevê 72% de comparência dos votantes.

Excepcionalmente alta para um ano de não eleições.

Há um ambiente de grande ansiedade, aqui na sede de Hayward.

As últimas sondagens mostram-no com uma vantagem de 8%.

Continuaremos a levar até si

todas as actualizações sobre este dia.

E a partir das 17h começaremos a discutir alguns resultados,

com as últimas sondagens.

Larry Burrell, em directo da sede de campanha de Hayward.

Mande entrar a Mn. Johnson, por favor.

Bom dia, querido.

- Este foi de boa sorte. - E bem vou precisar.

- Passa-se alguma coisa? - Dia de eleição.

- O que se passa? - Nada que tenhas de te preocupar.

Mas passa-se alguma coisa. Conta-me, por favor.

Anda ver isto aqui.

- Oh, não. - Calma, querida.

Antes do Harry morrer havia a possibilidade de serem ameaças vãs.

- Mas agora não. Onde o encontraste? - Na minha secretária, esta manhã.

- Ainda não disseste à polícia? - Não, Linda. Tenho medo.

- Mas acho que devias. - Não, não entendes?

A polícia não vai ajudar.

O Tenente Colombo acha que as ameaças são falsas

- só para angariar votos de simpatia. - O quê?

Nunca vão acreditar que não fui eu que pus isto aqui.

Se outra pessoa o achasse.

A polícia nunca vai acreditar em mim.

- Eu achei-o. - É melhor que fiques de fora.

Não vou ficar à espera que sejas assassinado como o Harry.

Peça ao Sargento para chegar aqui.

- Sr. Hayward, uma pergunta. - Chega de discursos.

- Está nas mãos dos cidadãos. - Não é política, é sobre as ameaças.

Tem algum comentário a fazer?

Estou preocupado com a segurança de todos os outros.

Eu estou bem seguro.

Tem planos especiais para hoje?

Ficar pela suite umas horas e depois eu e a Sra. Hayward vamos votar.

Não estou assim tão confiante.

Se ganharmos por dois votos, já sabemos de quem são.

- Chefe, onde está o Columbo? - Na sala de imprensa.

Tenente.

Tenente, o Sr. Hayward está na suite.

- Sargento, sargento! - Sim, tenente?

Avise-me quando ele estiver sozinho.

Não, nós não o deixaremos sozinho.

Não, estou a dizer se ele for à casa de banho ou tomar duche.

Está bem.

Do registo de L. A.,

sabemos que 42% dos eleitores já votaram.

O que é um numero muito invulgar, para este hora, nesta altura.

Parece que vamos a caminho de um recorde.

S. Diego também regista

um total elevado de 36% de eleitores.

O mau tempo em S. Francisco e outras regiões no norte do país,

mantiveram a sua contagem baixa,

apenas 26% dos eleitores

compareceram até agora em S. Francisco e Alameda County.

Os números em Orange County parecem ser excepcionalmente altos,

onde apenas 15% dos eleitores já apresentaram o seu voto.

- O que tem na pasta? - O Sr. Hayward pediu-me para trazer.

- O que tem lá dentro? - Não sei.

- Pode abri-la, por favor. - Vamos ver o que tem dentro.

O Sr. Hayward é um homem procurado.

Tudo e todos têm de ser revistados antes de entrar.

- Mn. Dass. Peço desculpa. - Não há problema.

Ainda bem que estão a ter tanto cuidado.

Segundo as mais recentes sondagens,

o voto dos jovens não vai ter grande importância, nesta votação

Ambos os candidatos apelaram muito aos jovens,

mas em geral, há uma grande apatia

com esta eleição nas universidades.

Estamos a receber mais informações do registo em S. Francisco.

Aumentaram o seu número de eleitores dramaticamente

e estão agora com...

Sr. Hayward, uma senhora trouxe isto do seu escritório.

- Ela está a ser revista. - A Mn. Johnson?

Não há excepções, Sr. Hayward. O senhor concordou.

Está bem. Importam-se que vá para ali fazer umas chamadas particulares?

Claro não.

Davidson e Hayward foram considerados pelos entrevistados

candidatos muito próximos em Los Angeles,

o que pode ser um facto decisivo, nesta eleição.

Não há forma de alguém conseguir chegar lá fora na próxima semana.

- Gostava que ficasse aqui. - Claro.

... mais de duas regiões. em Orange County.

Acabo de saber...

... que duas ficaram para Davidson.

48% dos votos expressos,

em Los Angeles e Beverly Hills.

Está tudo seguro.

E a West Belly apresentou uma contagem de 51%.

Estou? Sim. Tenente?

O Sargento Vernon.

- Sim? - O candidato está sozinho no quarto.

Tinha algumas chamadas pessoais para fazer.

Está bem.

Mn. Johnson, importasse de levar isto para o escritório e pô-la no cofre?

Sim.

- Peço desculpa pela revista. - Não há problema.

- Vai juntar-se a nós mais logo? - Sim.

- Terei todo o gosto. - Obrigado.

- Olá, Linda. - Olá.

Sra. Hayward, vai precisar de mim esta tarde?

Não, mas tenho a certeza que o Nelson vai.

Obrigado.

Presumo que vamos votar juntos.

Claro que sim. Agora mesmo.

Columbo.

Vamos sair agora com o candidato e a esposa para votar.

Boa Sorte!

Fomos agora informados que os resultados devem estar a sair,

mas lembro-vos que não são resultados finais...

Peço desculpa pela revista.

Não me tinha importado tanto se tivesse sido o senhor a fazê-la.

- Victoria. - Olá.

Que óptimo dia. Olá querido.

Está bem?

Ali fora.

Mn. Johnson, venha cá.

Diga a todos que estou bem.

Silêncio. Está tudo sob controlo.

Sentei-me para fazer um telefonema, quando encostei a cabeça ao telefone,

ele disparou ali de fora. Só consegui ver uma sombra.

Põe dois homens na outra sala.

Vamos fazer uma busca ao hotel. Não deixes ninguém sair.

Deve ter sido um homem mosca para ter passado por nós.

Não sei como conseguiu chegar ali.

Não acredita que esteve mais alguém aqui na sala?

- Não quis insinuar... - É isso mesmo que está a insinuar.

Estou farto que a polícia duvide de mim.

Se eu tivesse disparado, não estaria ainda uma arma na sala?

Ou comigo? Ou encontrada, largada na rua?

Porque não procura? Procure uma arma.

Eu insisto. Comece por mim.

Com todos os meus amigos, a minha mulher.

- Deixem passar. - Sou eu, sargento.

Tenente, alguém acabou de tentar alvejar o Sr. Hayward.

Eu ouvi. Eu disse ao Ross para não fazer o perímetro ao hotel,

porque quem disparou a arma ainda está nesta sala.

- O quê? - Do que esta ele a falar?

Está tudo bem. Ele refere-se a mim.

- A ti? - Não é verdade?

- Sim. - Tal como pensei.

Exactamente o que pensei que me fosse dizer.

Fui eu que disparei?

Tenente Columbo, há alguma arma nesta sala?

Não posso dizer que sim.

Consegue ver que não está nenhuma arma na sala?

- Sim. - Deixe-me mostrar-lhe uma coisa.

- Isto é um buraco no vidro? - Sim.

Diria que foi disparado no ângulo

- para atingir a vítima na cabeça? - Sim.

Diria que, falhando,

a trajectória da bala faria o buraco na parede?

Se esta bala, for da mesma arma que matou Harry Stone,

admite que os tiros foram dados

- pela mesma pessoa? - Sim.

Então, só lhe resta tirar a bala da parede

e levá-la até à balística para comparação.

Não,

eu já tirei a bala da parede.

E a balística já verificou que veio da mesma arma.

Aqui está a bala.

Aqui está o relatório da balística.

Não há bala nenhuma na parede. A bala está aqui mesmo.

No meu lenço.

Aqui está ela.

Quando disse ao sargento, esta tarde

que ia fazer alguns telefonemas,

eu estava na sala de imprensa,

este quarto é o 615 e a sala é 616.

Quando liga daqui, acende lá,

porque instalou um sistema de três linhas.

Então fiquei a olhar para o telefone, à espera que acendesse...

como está acesso agora.

Estive à espera que aquele botão acendesse.

Nunca acendeu.

Não sabia o que estava aqui a fazer.

Sabia que não estava a fazer nenhuma chamada.

E fiquei curioso. Quando foi votar com a sua mulher,

aproveitei e dei uma vista de olhos.

Encontrei aquele buraco no vidro e o outro na parede.

Tirei a bala daquele buraco,

três horas antes de o senhor dizer que alguém o atingiu,

há três minutos atrás.

Está preso.

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