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Tenente, recebi uma carta do Tony. Ele está perfeitamente bem, a sério.
Qual é o valor do resgate que pedem na carta, minha senhora?
Devo dizer que os procedimentos de investigação do Tenente
são bem diferentes dos meus.
Isso abona muito a seu favor, Sargento Wilson.
Estou?
- Sra. Goodland? - Sim.
Sra. Tony Goodland?
- Quem fala? - Isso não interessa.
Se eu fosse a si, não ia a lugar nenhum.
O seu marido meteu-se em confusões.
O quê? De que é que está a falar?
Fique por aí, minha senhora. Se ele pagar, não há problema.
Se ele não o fizer, voltaremos a contactá-la.
Contactar-me? Mas o que é isto?
Tony?
Tony?
Estou?
Quem?
A Sra. Tony Goodland.
E, se o meu marido aí estiver, Menina West,
eu gostaria de falar com ele, por favor.
Mas porque haveria de... Quer dizer, o que é que a faz pensar...
Eu sei o que você quer dizer. E você sabe o que eu quero dizer.
- Ele está aí ou não? - É claro que não está.
Trabalhei, em determinada altura, para o Tony,
para o Sr. Goodland, como recepcionista, Sra. Goodland.
Só isso.
Conheço bem as suas habilidades no escritório.
Diga-me só onde o Tony está.
Mas eu não sei onde ele está. A sério, Sra. Goodland...
Jarvis? Estou à procura do Tony.
Ah, Catherine, querida!
À procura do Tony, é? Mas que agradável surpresa para ele.
Mas diz-me, minha querida, já ligaste para a tua casa?
Eu estou em casa!
Uma surpresa dupla!
Jarvis, escute. Não estou com disposição para joguinhos.
Recebi um estranho telefonema há poucos minutos e...
A sério? Um dos teus amiguinhos?
Caramba, Jarvis! É capaz de me ouvir?
Parece bem mortífero, não é?
Digo-te uma coisa, Cathy, porque não esperas uma hora
e, se até lá o Tony não voltar para casa, chamas as autoridades?
Sim, é claro, a Polícia.
Bêbados e maridos errantes são a especialidade deles, segundo creio.
De nada, minha querida.
E, Cathy, presumindo que está tudo bem com o Tony,
foi um prazer ouvir-te tão preocupada, minha querida.
O torpedo está lançado e a seguir o seu percurso normal.
Porque tem de falar com ela como se ela fosse uma espécie de...
E não é?
Já lhe disse para se deixar disso.
Quanto a ti, diria que continuas a ser um crente.
Porque é que insistes em amar uma esposa
que gasta todo o teu dinheiro com um instrutor de esqui?
Eu próprio também já andei a comer por fora.
Em auto-defesa, meu rapaz.
É claro que és vergonhosamente fraco
e demasiado correcto para entrar em competição
com a tua Catarina, a Grande.
Tio Jarvis, estou a avisá-lo. Não quero ouvir mais nada...
É bom que isto tudo resulte. É bom que resulte, só isso.
E vai resultar, fui eu quem o planeou.
E agora vamos concluir a primeira fase. Está bem, sobrinho?
Não, espere lá. E se a Cathy voltar a ligar?
Vai ouvir o sinal de ocupado.
O GOLPE
Pensei que te tinha dito para ouvires as chamadas da Polícia.
E estive a ouvir. Acabei de o desligar.
Então volta a ligá-lo.
Uma colisão entre três carros na esquina da Sepulveda com a...
Como é amanhã à noite?
Faço o primeiro telefonema para a Cathy
entre a meia-noite e a meia-noite e meia.
- De onde? - Da cabine que fica aqui em baixo.
E o segundo telefonema?
Vinte minutos depois, do mesmo telefone.
Para si, para a estação de serviço de Wilshire.
Óptimo.
Vai ser como se fosse Dia das Bruxas, a usar isto.
Não te esqueças de calçar isto.
Não queremos um idiota qualquer a tentar identificar as pegadas.
Onde está a carta?
Está aqui. Copiei-a do seu rascunho.
- Palavra por palavra? - Sim.
- E quanto às impressões digitais? - Só minhas.
Tanto na carta como no envelope.
- Anthony Goodland, de 31 anos... - Ouça!
... a conduzir um carro desportivo amarelo com jantes cromadas,
com a matrícula ZZ0324.
Atenção a todos os carros patrulha, contactem se o localizarem.
Estamos lançados.
E agora, querido sobrinho, passemos à segunda fase.
Jarvis, não podemos apenas esconder o Jaguar?
Aquilo custou-me uma pipa de massa.
Custou-te 300 mil dólares?
- Desliga as luzes. - Eu sei.
Atrasa o relógio do painel de instrumentos para as 12h18.
Fecha as janelas.
- O travão de mão está solto? - Sim.
- Vidros para cima, pneus em baixo. - Dás-me licença?
Não fiques aí especado. Empurra.
Vá lá.
O fim de um dia perfeito.
Ouça lá, não me viu a fazer sinal?
- Sou polícia. - Certo, é polícia.
Pode recuar um pouco e estacionar ao fundo da colina?
- Sr. Agente, não está a perceber. - Tenente!
Tenente! Não se preocupe com o seu carro. O agente vai levá-lo por si.
- Sr. Agente, agora mesmo. - Tenente?
- Por aqui. - Obrigado.
Muito obrigado.
Dá-me licença?
O ponto de descida do veículo é já ali.
Vai reparar nas marcas de pneus, é claro.
Isto é o outro conjunto de marcas de pneus?
Não, senhor. O segundo conjunto é este aqui.
Trata-se de um veículo maior e mais pesado.
É claro que não preciso de lhe dizer isso, senhor.
Não, por favor, pode dizer-me.
O veículo mais pequeno é o veículo que caiu no desfiladeiro.
Vou mostrar-lhe o caminho mais rápido até lá abaixo.
- Tenente? - É um pouco íngreme.
Sim. Senhor?
Mas digo-lhe que é mesmo o caminho mais rápido até cá abaixo.
Sim, de longe.
Obrigado.
É este o carro.
"O veículo em causa é um Jaguar, registado em nome do indivíduo
"que foi dado como desaparecido ontem à noite: Anthony Goodland.
"Homem, caucasiano, residente no nº 11 de Hightower Road.
"Foi descoberto há cerca de uma hora por dois jovens a caminho da escola."
Quer os nomes deles, Tenente?
O quê? De quem? Desculpe?
Dos jovens. Tenho aqui os nomes deles, quando precisar deles.
- Sim, muito bem. Bom trabalho. - Sim, senhor.
"As análises efectuadas ao solo debaixo do veículo em causa
"revelam resíduos de orvalho, o que indica que o veículo em causa
"está aqui desde ontem à noite.
"Tal é demonstrado pelo relógio electrónico do veículo em causa,
"que parou de funcionar às 12h18.
"Há um buraco de bala na janela do lado do condutor,
"mas não há sangue, o que indica, à partida, que a bala falhou.
"A bala encontra-se alojada nas costas do lugar do passageiro.
"Luzes, ignição, travão de mão, tudo desligado."
Estou certo de que não preciso de lhe dizer o que isto significa.
Significa? Sim, pode dizer-me.
Eu reconstruo assim a situação:
o Sr. Goodland foi parado pela bala que está agora a ver
e forçado a sair do carro, que foi depois empurrado para a encosta.
Para ocultar o facto de ter sido agarrado por uma ou várias pessoas.
É o que está a pensar, senhor?
Estava a pensar se me poderia dizer o seu nome.
Peço imensa desculpa, senhor. Detective Sargento Frederick Wilson.
Por favor, perdoe a minha falta de educação.
Não faz mal.
Um ano de experiência no Departamento de Homicídios,
dois anos na Escola da Polícia em Berkeley,
regresso ao Departamento de Homicídios desta cidade a 6 de Julho.
É um agente muito eficiente. Isso vê-se claramente.
Obrigado, senhor.
Tenho autorização do Capitão Ritchie para trabalhar ao seu lado, senhor.
Vai trabalhar comigo?
Espero que isso seja aceitável para si, senhor.
O Capitão Ritchie disse que estava quase a tornar-se
uma lenda no departamento.
- O Capitão Ritchie disse isso? - Disse, sim.
- Tem um canivete? - Tenho.
- Pode segurar-me nisto? - Com certeza, senhor.
- Porque terá ele dito isso? - Desculpe?
- O Capitão Ritchie disse isso? - Sobre si?
Várias vezes, senhor.
Porque será que ele disse isso? Obrigado.
Quero que leve isto para ser analisado o mais rápido possível.
Sim, senhor.
Este tipo tem mulher? Ela já foi informada?
Sugeri que esperassem até o senhor fazer o relatório preliminar.
Muito bem. Sargento, será que pode ficar por aqui
à procura de mais provas físicas, algo que nos possa ajudar.
- Pode fazer isso? - É claro, senhor.
Obrigado.
- Tenente? - Sim?
Espero que não se importe que o Capitão Ritchie
me tenha posto a trabalhar consigo.
Só queria dizer que sei que a decisão foi tomada sem o consultar...
Não, Frederick. Está tudo bem.
O Capitão Ritchie é um óptimo administrador
e estou certo de que queria que eu contactasse com técnicas modernas.
Estou grato por isso.
Acho que vou pelo caminho mais longo.
- Tenente? - Sim?
- O seu casaco. - Muito obrigado.
Eu levo-o. Obrigado.
Devo admitir, Catherine, que o nosso raptor, seja ele quem for,
sabe arriscar bem alto. Exigiu um resgate de 300 mil dólares!
Aposto que há semanas, de vez em quando,
em que nem mesmo tu gastas essa quantia.
Você nunca pára, Jarvis?
Ainda assim, pondo de lado o nosso afecto mútuo,
deves compreender que estou numa situação tal
que não posso contribuir com a mais ínfima das gotas
para dentro deste enorme balde.
Apesar de eu não ser um fraco com uma mulher gastadora.
Cale-se, Jarvis.
- Sra. Goodland? - Sim.
Polícia, minha senhora. Sou o Tenente Columbo.
- Sim? - Posso entrar?
Já disse à sua gente tudo aquilo que sei, Tenente.
Em triplicado. Agora, se me dá licença, tenho visitas.
Minha senhora?
Desta vez sou eu quem tem uma coisa para lhe dizer.
Entre.
- Este é o Tenente... - Columbo.
Como está, senhor?
Este é o Jarvis Goodland, tio do Tony.
Ouvi-o a dizer que tinha alguma coisa para nos contar?
Sim, senhor. Lamento, Sra. Goodland,
encontrámos o carro do seu marido há cerca de uma hora.
Estava num desfiladeiro, junto a Middlecross Road.
Ficou bastante danificado. É uma grande queda daquele sítio.
O que é ainda pior é que encontrámos
um buraco de bala na janela do lado do condutor.
Já sabia disto?
Não.
Bem, parece-me que se aparecesse alguém a dizer à minha mulher
que tinham encontrado o meu carro no fundo de um desfiladeiro
com um buraco de bala, acho que ela quereria saber
se eu estava no carro, se estava ferido,
se estava vivo, se estava morto... - Tem toda a razão, Tenente.
Nós sabemos mesmo grande parte daquilo que nos está a contar.
Jarvis!
É sempre melhor dizer a verdade, minha querida,
principalmente à Polícia. - Jarvis! Quer deixar-me...
Tenente, recebi uma carta do Tony. Ele está perfeitamente bem, a sério.
Qual é o valor do resgate que pedem na carta, minha senhora?
- Você já sabia! - Não, não...
Isso é um cinzeiro?
É só que as cartas para as esposas e familiares
a dizer para não chamar a Polícia normalmente envolvem um rapto
e, pela forma como mal me deixou entrar em casa,
ali mesmo à porta...
Faço estas pequenas deduções que não consigo evitar, minha senhora.
- Posso ver a carta, por favor? - Não pode.
Para além do facto de dizer expressamente para não dar
nenhuma informação à Polícia...
Sra. Goodland, não farei nada
que ponha em causa a segurança do seu marido,
mas isto é um crime, é um assunto de Polícia.
Já a enviei por um mensageiro ao Sr. Jameson, do Banco Golden West.
Ele vai verificar a caligrafia do Tony e fazer o que for preciso.
Catherine, acho que é melhor colaborares mais do que isso.
A carta pede 300 mil dólares em notas pequenas e desmarcadas.
300 mil dólares? Isso é muito dinheiro. Quer dizer...
Importa-se que lhe pergunte se tem acesso a...
É claro que eu não o tenho, mas o Tony tem fundos de investimento.
- Numa emergência como esta... - Ah, os fundos de investimento.
Foi por isso que me chamaste cá.
Bem, Jarvis, eu sabia que você não me ajudaria a levantar o dinheiro
de outra forma.
Lamento, mas não estou a perceber isso dos fundos.
É que eu sou co-administrador, juntamente com o banco,
de uns fundos de investimento em que o pai do Tony aplicou dinheiro.
E tu, Catherine, devias saber melhor que ninguém que ele o fez de forma
a proteger o Tony dos seus próprios maus hábitos,
e de esposas gananciosas.
Também sei, porque o Sr. Jameson mo disse ao telefone,
que existe uma cláusula de emergência
para problemas como este. - Sim, isso há.
Então pode levantar o dinheiro? Quer dizer, pode mexer na aplicação?
Mas que grande sorte.
Podemos, se o banco verificar a carta.
E se eu decidir votar a favor do Tony.
Não vale a pena olhares para mim dessa maneira.
O sangue é mais espesso do que os martinis.
Vou já falar com o Jameson.
Senhor?
Vai ter cuidado com as impressões digitais, não vai?
Quer dizer, nós podemos ajudar na verificação.
E que tal se eu mandar lá um dos rapazes do laboratório?
Porque não faz isso?
Encantador, não é?
O quê?
Bem, toda a gente fica nervosa numa situação como esta.
É perfeitamente compreensível.
Sra. Goodland, acredite que eu
compreendo a sua preocupação em relação ao seu marido
e fique descansada que não faremos nada para interferir,
apenas para ajudar.
Ouvi a porta da frente a fechar. Pensei que estavas sozinha.
Quem é você? Outro polícia?
- Sim, o Tenente Columbo. - Ken Nichols, um amigo da família.
Como está, senhor?
Estás com um ar cansado. Vai lá para cima descansar.
Deixa que eu fico de guarda.
Preparo-lhe uma bebida ou qualquer coisa assim.
- Não, ele já estava de saída. - Sim, já estava de saída.
Sra. Goodland, siga as instruções que lhe deram na carta
e nós manter-nos-emos afastados até à libertação do seu marido.
Não se preocupe, vai correr tudo bem.
- Tenente? - Sim?
Estou muito assustada por causa do Tony
e farei qualquer coisa pela segurança dele,
mas temos vidas separadas
e não me interessa o que possa estar a pensar neste momento.
Tenha um bom dia.
Peço desculpa. Espero não o ter assustado.
Um dos seus empregados, acho que era o jardineiro,
disse que eu podia esperar aqui
e devo dizer que foi um grande prazer,
porque nunca tinha visto tantas flores tão bonitas na minha vida.
Orquídeas, Tenente.
Uma das melhores colecções do país, se mo permite acrescentar.
A minha mulher adora violetas africanas,
mas aposto que ficaria deliciada se lhe levasse uma coisa assim.
Essa espécie chama-se orquídea phalaenopsis
e vale aproximadamente 1200 dólares.
1200 dólares, já viu? Por uma flor. É difícil de acreditar.
Um tipo é capaz de ir à falência com um passatempo destes.
Está a dizer-me que cada uma destas vale 1200 dólares?
Tenente Columbo, gosto muito de falar sobre as minhas orquídeas,
mas tenho o pressentimento de que veio cá por outro motivo.
Sim, senhor, vim cá para saber como correram as coisas no banco.
- E para ver isto, calculo. - Sim, isso é muito importante.
Gostaria de ficar com ela, para futura prova.
Acho que tenho aqui um lenço. Cá está!
Força, ela não lhe morde.
O perito já verificou: as impressões digitais são do Tony
e a caligrafia é dele.
- Ele já verificou, foi? - Sim.
Então não é preciso ser tão cuidadoso.
"Cathy... obrigam-me a escrever isto...
"numa estrada de província... dispararam sobre mim...
"...empurrado para fora da estrada. Não te preocupes, não estou ferido."
Deve ter sido um alívio quando chegaram a esta parte.
Foi mesmo.
"Exigem 300 mil dólares... Nada de Polícia..."
Penso que o seu perito lhe terá contado tudo, incluindo o texto.
E contou, à maneira dele.
E também que o dinheiro vai ser disponibilizado.
Sim, isso foi uma sorte, não foi?
Além disso, o facto de o senhor aqui estar
põe em perigo a vida do meu sobrinho.
Imagine que estamos a ser vigiados.
Bem visto, senhor. Tem toda a razão.
É melhor eu ir andando.
Acho que as coisas que eu queria perguntar podem esperar até...
Pois.
Apercebi-me agora do quanto deve adorar estas flores.
Quando não foi directamente para o banco,
tendo o seu sobrinho sido raptado,
e me disseram que passou primeiro pela estufa...
Quer dizer que estou a ser seguido?
Já? Está a interferir, quando prometeu que não o ia fazer?
- Vou ligar aos seus superiores. - Não há necessidade disso, senhor.
Eles disseram-me e foram muito claros.
Devo manter-me em contacto, mas até o seu sobrinho ser libertado,
acredite que estamos afastados, muito afastados.
Não precisa de se preocupar.
Nesse caso, não tenho qualquer problema
em dizer-lhe que o meu sobrinho não vale um saco de musgo.
É um fraco dominado pela mulher que eu desprezo há vários anos.
E, se não fosse pelo facto de ser o meu único parente vivo,
ligava aos seus raptores e dizia-lhes para o matarem.
Tenente?
Os rapazes do novo turno insistem em perguntar-me
porque é que, sendo dos Homicídios
pediu para permanecer neste caso de rapto.
Não sei o que lhes dizer.
Estão zangados? Espero que não estejam zangados.
Tenente? Está a chamar.
Atende.
Estou?
Tony! Tony, onde estás?
Sim, o Jarvis está aqui.
Sim, tenho o dinheiro.
Sim, Tony, estou a ouvir.
Diz ao Jarvis para ele ir para a estação de serviço de Cal-Texas.
No número 5835 de East Wilshire.
Deve esperar lá por uma chamada na cabine pública. Percebeste?
Sim, percebi. Tony, tu estás bem?
Eles magoaram-te? Pareces tão...
Obrigaram-no a desligar.
Número 5835 de East Wilshire. Sim, acho que sei onde é a estação.
Bem, é melhor despachar isto o quanto antes.
Tem de assinar ali, Sr. Goodland. Normas do banco.
Sim, é claro.
E que tal se eu for consigo, Sr. Goodland?
- Você? - Claro. Escondia-me no carro.
Meu caro rapaz, aquilo de que menos preciso é de um herói.
Presumindo que sobrevivo, depois ligo-vos a dizer.
Mantém-no debaixo de olho, mas nada de perseguições. Entendido?
Sim, senhor.
Já não era sem tempo!
Sim, está bem.
Apanhe a Sunset até à Surf Road.
Vire em direcção a norte ao quilómetro 7.4 da Surf Road.
Tem 15 minutos para lá chegar.
Acho que ele está a parar, Tenente.
- Encoste e desligue as luzes. - Sim, senhor.
Já alguma vez tinha visto uma destas, Tenente?
Não tenho a certeza, mas parece-me familiar.
É uma máquina com objectiva nocturna.
Usam-na muito em Berkeley para o trabalho à noite.
Quer dizer que tira fotografias no escuro?
Comprei esta para mim.
Com o seu próprio dinheiro?
Queria ter o equipamento certo para o meu trabalho, senhor.
Só pode ser solteiro.
Tenente, há aqui pegadas muito claras, a ir e a vir.
Óptimo, vou mandar fazer os moldes. É melhor irmos andando.
Tenente...
Eu preferia tirar umas fotografias tridimensionais, se não se importa.
- É que deixámos de fazer moldes. - Foi?
Com as pegadas? Sim, claro.
Descobrimos que, quando o gesso incha,
fá-las parecer um tamanho ou dois acima do que são na realidade.
- A sério? - Sem dúvida.
Nesse caso, é melhor tirarmos fotografias.
Muito bem.
- O mais rápido possível, Sargento. - Sim, senhor.
- Ah, é você, Columbo. - Sim, senhor.
Espero não o ter assustado. Este é o Detective Sargento Wilson.
Você não me assustou, mas o raptor fê-lo.
Com aquela máscara e tudo.
Sinceramente, sinto que me saiu um peso de cima.
Isso é natural, Sr. Goodland, acredite.
Obrigado, meu jovem.
Estamos interessados em saber exactamente
o que aconteceu naquela colina.
O homem perguntou se me chamava Goodland, eu respondi que sim,
ele disse-me para lhe dar o dinheiro e eu dei-lhe o dinheiro.
Espero que não tenha cercado aquela mata para onde ele fugiu.
Não, senhor, nós concordámos em manter-nos fora deste assunto
até o seu sobrinho ser libertado.
Não o reconheceria se o voltasse a ver, pois não?
O tipo da colina?
Já lhe disse que ele tinha uma meia na cabeça.
Pois. Acho que também devia estar muito escuro lá.
A voz dele tinha alguma coisa de familiar?
A maneira de andar, talvez?
Tenente, tive uma noite fatigante e muito assustadora.
- Isto não pode esperar até amanhã? - Lamento, senhor.
Deve estar com a sensação de que estamos a ser indelicados.
Tenha uma noite agradável.
Presumo que isso seja humor negro. Boa noite, meu jovem.
Desculpa ter demorado tanto tempo, mas tive de me certificar
de que aquele polícia pré-histórico não nos estava a seguir.
Foi muito arriscado quando ele o mandou parar, devo dizer-lhe.
- Eu levo a mala. - Não. Eu levo.
Tenho de lhe dar os parabéns, tio Jarve.
Uma aplicação inquebrável, quebrada ao som de 300 mil notas.
Olhe só para esta maravilha de verdinhas. É lindo!
Demasiado lindo para desperdiçares a tua metade com aquela mulher.
Acontece que aquela mulher é a minha esposa e eu quero mantê-la.
Se, para isso, é preciso dinheiro, é dinheiro que ela vai ter.
Que desperdício!
Não, Tony. Não.
Chegou agora a altura de eu te explicar a terceira fase.
Columbo!
Bom dia, Sr. Goodland.
Tinha esperança de o encontrar já a pé.
O seu jardineiro disse que era possível que o encontrasse aqui.
- Há notícias sobre o Tony? - Não, senhor.
Lamento, mas não recebemos qualquer tipo de notícias.
Isso parece-me agoirento.
Ele pode aparecer a qualquer momento, senhor.
É claro que existe a possibilidade de, depois de o terem obrigado
a escrever a carta e a fazer o telefonema...
Mas nunca se sabe.
Quer dizer que podem ter esperado até o dinheiro do resgate ser pago,
e depois...
Isso é um pensamento macabro.
Nunca se sabe, mas é bom ter um pensamento positivo.
Eu gosto de ter sempre um pensamento positivo.
Foi só sobre isso que veio falar comigo?
Não, senhor. Não foi.
Tinha esperança de que me pudesse dar uma sugestão.
A minha mulher já tentou de tudo para fazer isto crescer.
Esta violeta africana.
Pensei que talvez pudesse dar-me uma sugestão.
É o exemplar mais miserável que alguma vez vi.
O único conselho que lhe dou, Columbo, é deitá-la ao lixo.
Pois.
Tinha receio de que dissesse isso.
Que é que se há-de fazer?
Já que cá estou, mais vale esclarecer umas coisinhas
de que ainda não falei.
O carro destruído do seu sobrinho, por exemplo.
Encontrámo-lo com o motor desligado, os faróis apagados e em ponto morto.
Em ponto morto?
Mas a carta dizia que ele tinha sido empurrado para fora da estrada.
Talvez tenham agarrado no Tony
e depois empurrado o carro pela encosta,
para não ficar à vista, não lhe parece?
Sim, é isso que parece. Mas só depois é que um deles
fez aquele primeiro telefonema para a Sra. Goodland.
Isso foi para que ela acreditasse na carta quando a recebesse.
É uma mulher muito difícil de convencer, Tenente.
Pergunto-me como é que eles sabiam disso. É engraçado!
E aquelas marcas de pneus. Eram realmente engraçadas.
O que é isto aqui?
É um bolbo de orquídea cattleya multicolor do Brasil.
Não me diga. A sério?
Marcas de pneus, Tenente?
- O quê? - Marcas de pneus?
Sim, também havia marcas de um carro mais pesado naquela estrada.
Mas estes jaguares andam muito depressa.
Não sei como um carro pesado o conseguiu apanhar.
Mas atiraram sobre ele, não foi o que ele disse?
Sim, foi o que a carta...
Sabe uma coisa? A trajectória daquela bala através da janela...
A bala teria de ter passado através dele.
Quer dizer, se ele ia a conduzir o carro.
Mas não lhe acertou. Não havia sangue, nada.
Só uma bala de calibre.32. alojada no banco.
Há anos que o Tony se desvia habilmente das coisas.
Muito bem, senhor. Quer isto?
O senhor também tem uma arma, não tem, Sr. Goodland?
Também é uma de calibre.32, segundo me parece.
Sim, deve estar algures por aí. Há quase um ano que não a vejo.
Foi o Tony que ma deu. Deve estar algures pela casa.
Tenente? Andou a investigar-me?
Não, senhor.
Só que encontrei um relatório de uma coisa que aconteceu há algum tempo.
Tinha-o aqui há uns instantes e agora não sei o que lhe fiz.
Tinha a ver com o facto de alguém ter entrado aqui na estufa.
- No solário. - Sim, solário, é verdade.
Tenho aqui uma conta de telefone que tenho de pagar.
Cá está.
Então, um tipo entrou aqui e você disparou sobre ele ao acaso, foi?
Columbo, você é maravilhoso. Transparente, mas maravilhoso.
Encontrou este relatório por acaso, foi?
- Bom... Não foi bem por acaso... - Já nem me lembrava disto.
Disparei, de facto, alguns tiros, mas só acertei em terra.
Fiquei mais assustado do que o gatuno.
Com todo o vidro que aqui tem e ao preço a que isso está,
ainda bem que atirou para o chão. - Está bem, eu confesso.
Mas agora tenho de trocar de roupa para ir trabalhar.
Confessa o quê, senhor?
Que tenho uma arma não registrada algures na minha casa.
Era aí que queria chegar, não era?
Não, senhor. De todo.
Se eu prendesse todas as pessoas que têm uma arma não registrada
em Los Angeles, teria metade da população na cadeia.
Então porque veio cá, Columbo?
- Céus, isto é magnífico. - Eu fiz-lhe uma pergunta.
Peço desculpa, senhor.
Adoro este jogo, jogava-o em miúdo. Esta mesa é tão bonita!
Peço desculpa, senhor. Não queria atrasá-lo.
Na minha casa, não teria espaço para uma mesa destas na cave,
mesmo que a pudesse comprar.
Tenho aqui estas fotografias.
Foram tiradas com uma objectiva especial para a noite.
É uma máquina nova, um instrumento muito sofisticado.
Gostava que lhes desse uma vista de olhos.
Uma vez que estava lá, no local do crime, por assim dizer.
De onde é que tiraram estas fotografias?
Do fundo da colina. Não mostram grande coisa.
Mas isso também é engraçado.
Não se importa, pois não?
O que é que também é engraçado?
Parece que afinal não estou assim tão enferrujado.
O engraçado é que...
...o lugar que escolheram para a entrega do resgate,
assim no cimo de uma colina,
é como se quisessem um sítio exposto, para poderem ser fotografados.
- O que é que acha? - Acho que é muito estranho.
Também eu. Acho que todo este caso é estranho.
Percebe o que eu quero dizer?
Há aquelas marcas de pneus, e o buraco da bala...
Na maioria dos casos não temos pistas nenhumas.
Esta tacada era certa.
Neste caso, tenho tantas pistas que nem sei por onde começar.
É como se as tivessem colocado lá de propósito.
Você é que é o detective. Não me venha pedir respostas.
Não posso falhar esta tacada.
Há uma coisa que eu queria perguntar-lhe, senhor.
Sabe qual é o truque deste jogo?
Está tudo no pulso. Há que manter este movimento.
O que eu lhe queria perguntar era porque é que acha
que pediram que fosse o senhor a entregar o dinheiro,
em vez da mulher?
Porque provavelmente sabiam que se a Catherine
tivesse aquela quantia de dinheiro no carro,
continuaria em frente.
Pergunto-me como é que eles saberiam disso.
Estou?
É para si, Columbo.
Disse-lhes que estaria aqui. Espero que não se importe.
Estou?
Sim, diga.
Vou para lá assim que possível.
Temos notícias muito más, senhor.
O que foi?
Encontraram o corpo do seu sobrinho. Foi assassinado.
De acordo com o médico legista,
a bala, ao que parece, atravessou directamente o coração.
Foi disparada de muito perto, como os vestígios de pólvora indicam.
Envolvimento total do corpo através de rigor mortis.
O que, como o senhor sabe, determina a altura da morte
há cerca de 10, 12 horas.
O calibre da bala ainda não foi determinado, aguardamos a autópsia.
Podem retirar o corpo. Não tem objecções, senhor?
Tudo bem. Agarrem-no. Mexam-se.
Chamem-me assim que o tiverem carregado. Eu também vou.
Quero ter o relatório da autópsia o mais rápido possível, senhor.
Tenente?
Como já deve ter reparado, há três copos, três pratos,
e três marcas diferentes de cigarros.
Isso significa que estavam aqui mais duas pessoas além da vítima.
- É óbvio. - Pois. Terrivelmente óbvio.
Sei que foi recepcionista dele durante algum tempo.
Quem lhe disse?
Bem, a mulher dele mencionou-o. Mencionou o seu nome...
Ela? Posso muito bem imaginar...
- Não ponha isso nas declarações. - Claro. Não se preocupe com isso.
Aquela é uma boa fotografia do Tony, não é?
Já sei o que está a pensar.
A secreta vida amorosa do homem assassinado.
Nós gostamos de contactar as pessoas que o conheciam,
seja em que sentido for. E, pelo que sei, vocês...
Veja se entende isto, Tenente. Não existia qualquer caso amoroso.
Não me interessa quem lhe disse o quê. Não existia mesmo.
Mas costumava vê-lo?
Menina West, não estou aqui para magoá-la.
E acredito em tudo o que me diz. Mas acho que me pode ajudar
e agradecia que colaborasse.
Porque é que ele cá vinha à noite?
A mulher dele tinha uns casos,
por isso ele vinha até cá e dizia-lhe isso.
Em parte para lhe tentar fazer ciúmes,
e em parte para lhe mostrar que não se importava
com o facto de ela ter casos.
Não se importava? Importava-se, pois. Sentava-se aqui e...
Exactamente onde você está agora, e falava.
Ele falava muito sobre dinheiro? Ultimamente?
Talvez. Estava sempre a gastar o dinheiro da pensão.
De um fundo qualquer, acho eu.
Ele falava sobre isso? Sobre esse fundo?
Como quer que eu saiba? Quando o Tony bebia...
Foi como na outra noite...
Não. Não.
- O que é que tem a outra noite? - Não, disse eu.
O Tony está morto. Porque é que as pessoas?
Menina West, acredite que é muito melhor contar-me as coisas agora
do que ter de contá-las depois, perante um júri.
- Perante o quê? - Não estou a tentar assustá-la.
E acredito em tudo o que me está a dizer.
Em relação à relação amorosa, acredito em tudo.
Acho que é uma pessoa muito honesta.
Obrigada.
O que é que se passou nessa noite?
Havia um cavalheiro por quem a mulher dele se estava a apaixonar.
Não sei quem é. O Tony disse que ele ganhava a vida a bronzear-se.
Seja o que for que isso signifique.
Depois, há umas três noites,
o Tony veio cá e disse que tudo ia correr bem.
- Porque... - Porque o quê?
Porque o cavalheiro concordara em desaparecer
e em nunca mais ver a mulher do Tony, se o Tony...
Se o Tony lhe desse 50 mil dólares.
Onde é que ele ia arranjar os 50 mil dólares? Ele disse-lhe isso?
Como quer que eu sabia? Estava a tentar servir-lhe café.
Sinceramente, não sei mais nada.
Gloria, na sua opinião,
o Tony era homem para fingir um rapto?
- Fingir o quê? - Um rapto,
para levantar o dinheiro aplicado.
Porque, se ele o fez, quem quer que o tenha ajudado a fazê-lo
pode ser o homem que o matou.
Eu disse que ele não era uma pessoa muito forte,
mas quem é?
Olhe bem para mim, estou sempre a comer hidratos de carbono.
Por favor, deixe-me em paz.
Pare de me fazer perguntas sobre o Tony.
Nunca conheci outro homem, em toda a minha vida,
que só quisesse conversar.
Compreendo. Muito obrigado.
Estou?
Estou a falar com o Sr. Goodland?
Ainda não entendi, Tenente.
- O que é que está a tentar insinuar? - Nada, minha senhora.
Mas tem sido difícil localizá-la, em diversas ocasiões.
Continua a não aprovar o meu estilo de vida, pois não?
Já lhe disse que não me interessa o que pensa.
Já não era sem tempo.
- De onde é que ele veio? - Dos Homicídios, é claro.
Agora tratam de questões morais.
Está a levantar problemas em relação aos sítios onde vou.
Não, minha senhora, isso não é verdade.
Ouça, Tenente Columbo, este barco é dela,
e fui eu que a fiz vir até cá.
Para a tirar de casa e fazê-la pensar noutra coisa.
Acho que é uma ideia fantástica.
Está um dia fantástico para velejar, quando se gosta de barcos.
É sobre a noite do assassinato. É só sobre isso que lhe quero falar.
O que é que tem, Tenente?
Bem, senhor... Qual é o seu nome próprio?
- Ken. - Ken, acontece que temos
um agente muito eficiente chamado Frederick Wilson,
que nos comunicou que o carro da Sra. Goodland desapareceu da casa
por volta da mesma altura em que o marido dela foi assassinado.
Então veio até cá para me acusar de assassinato.
Não, minha senhora. É só que...
Surgiu um dado novo e eu tenho de resolver estas coisinhas primeiro.
Eu saí. Com o Ken.
Demos um agradável e longo passeio de carro.
Pode pensar o que quiser em relação a isso.
A minha preocupação em relação ao Tony
não exigia a minha presença em casa até ao regresso dele,
com uma carga de nervos em cima.
Sim, minha senhora, sim. Foi o que eu pensei.
Sabe uma coisa, Sra. Goodland?
É uma pessoa muito invulgar. Não é hipócrita.
E eu não volto a incomodá-la com estas coisas.
Muito bem, Jerry. Vamos zarpar.
Só mais uma coisinha.
Isto vai parecer uma coisa disparatada, acho eu.
Mas vale o que vale.
Houve uma pessoa que me tentou convencer
de que você tinha um amante, Sra. Goodland, e não apenas disso.
Essa pessoa, a Gloria West, uma jovem, é esse o nome dela...
Disse que esse amante misterioso, um tipo qualquer muito bronzeado,
desapareceria e sairia da sua vida para sempre,
se o seu marido lhe desse 50 mil dólares.
Tenho a certeza de que não passa de um boato malicioso.
Provavelmente nem devia ter falado nisto,
mas vale pelo que vale.
Sr. Goodland?
- Sr. Goodland? - Ah, Menina West.
Lamento não ter podido encontrar-me consigo antes.
Disse que queria falar comigo a sós.
Sim, senhor.
Isto aqui é um pouco assustador, não é?
Não gosta de orquídeas?
São as minhas flores de peito preferidas.
Não me diga.
Ao telefone, disse qualquer coisa em relação a ter estado com o Tony.
Sim, senhor. E como é familiar dele
e foi tão educado das vezes que nos encontrámos...
Tive a visita de um detective esta tarde...
De gabardina enrugada, cara enrugada?
É ele. Um tenente.
É claro que não lhe disse tudo em relação ao Tony e a mim.
E de algumas coisas só me lembrei depois.
Que coisas, Menina West?
Eu acho que ele acha que o rapto do Tony
talvez não tenha sido um rapto de verdade.
Como assim?
Que talvez o próprio Tony o tenha simulado,
para tentar levantar algum dinheiro da aplicação financeira.
E, para falar a verdade, o Tony mencionou
que talvez conseguisse comprar-me um carro novo em breve.
E você acreditava nas promessas que ele fazia bêbedo?
Não. Não propriamente, acho eu.
Conte-me mais sobre essa teoria do Columbo.
Imagino que o meu sobrinho também se tenha assassinado.
Não. Isso foi a pessoa que ajudou o Tony, acho eu.
E agora essa pessoa também tem todo o dinheiro do resgate.
Isso parece-me um grande absurdo.
Mas diga-me, porque veio contar-me todos esses disparates?
Não é uma simples hipótese.
Porque também me lembrei de que, há muito tempo,
há mais de um ano, o Tony me disse...
Ouvi na rádio que o Tony foi morto com uma arma de calibre.32.
- Sim? - Há muito tempo, como eu disse,
o Tony disse-me que tinha uma arma desse calibre que tinha dado a alguém.
E lembrei-me agora da pessoa a quem ele me disse que a tinha dado.
- E a quem foi, Menina West? - À mulher dele.
Não vê como tudo se encaixa?
Talvez ela e o Tony tenham planeado o rapto em conjunto.
Aposto que ela nunca recebeu aquele telefonema ameaçador
de que falou à Polícia.
Depois do resgate ter sido pago, ela chamou o namorado e matou-o.
Matou o Tony, quero eu dizer, não o namorado.
Dividem o dinheiro do resgate, ela fica com a propriedade,
e ninguém fica a saber de nada. Tirando eu.
E agora eu, também. Mas porquê eu e não a Polícia?
Não sei. Não me sinto muito bem perto de polícias.
E, afinal, é o senhor o responsável pela aplicação financeira do Tony.
- Não é? - Juntamente com o banco, sim.
Ouvi na rádio que existe uma recompensa
para quem conseguir reaver o dinheiro do resgate.
Uma recompensa de 30 mil dólares. E eu vou reclamá-la.
Vou ajudar a pôr aquela mulher na prisão
e vou receber 30 mil dólares por isso.
Tenho a certeza que sim, minha querida.
E tem toda a razão quanto à Polícia,
principalmente em relação àquele tenente estúpido.
Porque não me deixa ser eu a tratar das coisas por agora?
Mas não se vai esquecer de mim, pois não?
Menina West, nunca me esquecerei de si.
Agora vá andando, que eu vou fazer alguns telefonemas.
Quando chegar a altura de dar essa informação
às autoridades competentes, eu contactá-la-ei.
Obrigada.
Sr. Goodland, vim o mais rápido que pude.
- Mal recebi a sua mensagem. - Obrigado, sargento. Obrigado.
Ouvi a sua sirene a uma grande distância.
Agradecia que entregasse esta arma aos seus peritos em balística.
Andei à procura dela esta noite e encontrei-a no cofre do meu quarto.
Não estou a entender.
É que quando eu disse ao Tenente Columbo
que tinha uma arma de calibre.32 que não via há vários meses,
ele fez imediatamente acusações de que essa poderia ser a arma
que matara o meu sobrinho.
Ofendi-me com essa suposição, Sargento.
Bem, senhor, agentes diferentes têm métodos diferentes.
Devo dizer que os procedimentos de investigação do Tenente
são bem diferentes dos meus.
Isso abona muito a seu favor, Sargento Wilson.
Muito obrigado.
Ouvi coisas que abrem uma perspectiva totalmente nova
em relação à morte do meu sobrinho.
Coisas tão incríveis que mal consigo acreditar nelas.
Vamos para a casa, está bem?
Sinto que é meu dever...
...contar estas coisas tal como as vejo.
Como é que quer o chili, Tenente? Com ou sem feijão?
Ontem à noite foi com feijão? Hoje vai ser sem.
Para variar.
Tenente, o que é que está aqui a fazer?
Acabei de pedir um prato de chili.
Dá-nos licença, por favor?
Não recebeu o meu relatório sobre as declarações do Jarvis Goodland?
Sim. Achei-o muito interessante. Muito interessante.
Aquela arma que ele entregou foi analisada pela Balística?
Sim, é claro.
Ele resolveu-nos o caso.
Tenho um mandado de busca e duas unidades aqui mesmo,
prontas a avançar.
Se revistarmos a casa da Catherine Goodland de cima a baixo,
garanto que encontraremos a arma do crime. Encontrá-la-emos.
Acha mesmo que sim?
A menos que ela já se tenha livrado dela.
Fazemos assim: vá andando. Vá andando sozinho.
Se encontrar alguma coisa, diga-me.
Se não se importa que eu assuma o comando por agora...
- De todo. - Obrigado.
Boa sorte.
Charlie! Vamos embora.
Quem era aquele?
O Wilson? É um tipo bem porreiro.
Tem sido uma grande ajuda neste caso.
Não precisava de se ter preocupado com um mandado de busca, Sargento.
Bastava ter pedido.
A pistola está mesmo aqui, onde a guardo sempre.
Importa-se de a tirar, por favor?
- Não está cá. - Isso vejo eu.
Não pode ser.
Vi-a ontem à noite e não voltei a abrir a gaveta desde então.
O que é que se passa, Sargento?
É por causa do assassinato do seu marido, Sra. Goodland.
Grover, vai chamar os homens.
Jarvis, o que é que quer?
Estava preocupado contigo, minha querida.
Já telefonaste ao teu advogado?
Sra. Goodland?
Ainda bem que aqui está. Ela pode precisar de alguém.
- Sra. Goodland, reconhece isto? - Sim, era do Tony.
- E isto? - Do Tony.
Então e isto? A mala do resgate.
Parece ser. Santo Deus, Cathy...
Não estou a perceber.
Estava debaixo de um monte de decorações de Natal, num armário.
Sra. Goodland, é o meu dever informá-la...
Só um momento. Com toda a justiça que a senhora merece,
lá porque eu disse que parece a mala do resgate,
não quer dizer que a consiga identificar claramente.
É um tipo de mala muito comum.
Mas corresponde à descrição em todos os pormenores.
Ainda assim, temos de ter a certeza.
Temos?
Senhor, se estiver cá mais alguma coisa, eu descubro.
Grover, volta lá para cima.
Com licença.
Sargento, na minha opinião, essa pistola já desapareceu há muito.
Grover, nós sabemos que um profissional
se desfaz imediatamente da arma, mas estamos a lidar com amadores.
Acho que esconderam a arma nas imediações.
- Nada. - Nada?
Então e esta zona aqui? Já viu aqui?
- Já aí vimos duas vezes, Sargento. - Então vejam outra vez.
Vá lá.
- O que foi isto? - Sapatos com saltos de metal.
É só isso. É o que faz apitar.
Há um armário de toalhas no corredor. Vá ver lá.
Esperem lá. Abriram-nos todos?
Não, senhor. Não havia necessidade.
Então vamos abri-los.
Esperem.
Grover!
Para o laboratório, já. A Balística que a compare com as balas que tem
e me ligue. Entendeu?
Não quer que fale com o Tenente Columbo?
Agora sou eu quem manda, Grover.
Se essa for a arma do crime, vou prender a Sra. Goodland.
Mexa-se.
Mas que raio está você aqui a fazer?
Estou só a matar tempo, a dar uma vista de olhos.
É possível que me torne um grande apreciador de orquídeas,
por o ter conhecido.
Vai dizer-me o que está aqui a fazer?
Isto é muito sério, senhor. O caso teve novos desenvolvimentos.
Sim, eu sei. Encontraram a arma do crime na casa da Cathy.
Vim agora de lá. As coisas estão feias para o lado dela.
Estão sim, senhor.
É por isso que estou aqui à espera do relatório do laboratório.
Contava esclarecer umas coisinhas.
Mas são três da manhã, Tenente. O que é que está aqui a fazer?
Bati neste vaso vazio e fiz cair alguma terra.
Peço desculpa pela confusão. Vou tratar de limpar isto.
Esqueça isso! O que é que veio cá fazer?
Para dizer a verdade, senhor, não contava que voltasse tão cedo.
Já me esquecia. Tem mesmo umas mãos de ouro.
Tenho o quê?
Esta violeta africana da minha mulher?
Acredita que está a nascer uma flor? Não sei o que é que fez,
mas o que quer que tenha sido, é um milagre.
Tenente, foi uma noite fatigante e eu estou bastante exausto.
Importa-se de pegar na sua violeta africana e sair daqui?
Espere lá. Estou a ouvir qualquer coisa.
Pode ser o homem de quem estou à espera.
Grover? Grover, é você?
Tenente, não entendo. Já ia a meio caminho com a Sra. Goodland,
quando nos mandaram voltar para cá.
Lamento, Sargento, não queria fazê-lo andar às voltas.
Como está, Sra. Goodland? Deve estar exausta. Quer sentar-se?
Não, eu fico em pé. Obrigada.
Deixe-me ir buscar-lhe uma cadeira. Ficará mais confortável.
Sei que esteve toda a noite a pé.
Acho que terei muito tempo para descansar na prisão, não acha?
Sargento? Esta senhora foi mesmo detida?
Entreguei o meu relatório ao Capitão Ritchie e ele foi bem claro.
- Ela será acusada assim que... - Não, Sargento, não.
- Sra. Goodland... - Maldição, Columbo.
O que é que se passa aqui?
É que estou à espera de umas coisas da esquadra e,
se esperarem um pouco... - Que tipo de coisas?
Tenente? Tenente Columbo?
- Aqui tem, Tenente. - Obrigado, Grove. Muito obrigado.
Dêem-me licença por um momento.
Pois.
Tenho aqui umas balas.
Esta é do carro destruído. Uma bala de calibre.32,
que a Balística provou ter sido disparada pela arma do crime.
Esta é do corpo da vítima. Também de calibre.32,
e que a Balística também provou ter sido disparada pela mesma arma
que disparou a primeira bala.
Já sabemos disso tudo. Diga-lhe, meu rapaz.
Ambas as balas foram disparadas pela arma que encontrámos na casa dela.
E o Sargento Grover disse que há confirmação
de que se trata da arma do crime.
Certo. Tem toda a razão.
Sargento, não quero que se sinta mal,
porque, sem si, nunca teria tido esta ideia.
Foram aquelas coisas técnicas em que é tão bom.
Sabe...
Eu nunca tinha utilizado um detector de metais antes
e foi por isso que demorei quase uma hora.
Mas sabe que estas coisas funcionam mesmo?
É espantoso!
- Está a ver isto? - O que é?
Uma terceira bala. Também de calibre.32
e que a Balística também provou ter sido disparada
pela mesma arma que disparou as duas primeiras balas.
Sr. Goodland, não sei como é que vai explicar isto.
Mas porque é que eu tenho de...
É isso mesmo.
É isso mesmo, senhor. Era o que eu estava a fazer ali há pouco.
Encontrei esta terceira bala enterrada aqui neste monte de terra.
Deve ser uma das balas que disparou contra o tipo que aqui entrou
há cerca de um ano. Você mesmo disse que só acertou em terra.
Não sei como é que vai explicar
como é que a mesma arma que disparou esta bala que estava na terra
apareceu esta noite no quarto da Sra. Goodland.
Sargento?
Pode levar o Sr. Goodland para a esquadra, por favor?
Sr. Jarvis Goodland, é meu dever informá-lo que qualquer coisa...
...que possa... Por aqui, senhor.
Sra. Goodland?
Permite-me que a leve a casa?
Obrigada, Tenente.
Só um momento.
Se me esquecer disto, a minha mulher mata-me.
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