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O CORSÁRIO NEGRO

Legendas: João Ahrens Teixeira

São 10 horas, foi ordenado o recolher.

Cidadãos de Guaiqui não saiam de casa.

Parece que o novo vice-rei não brinca.

- Ei, viva! - Viva, como vais?

Não come, D. Pedro?

Temos um óptimo arroz de coelho.

Não tenho dúvidas, mas não me posso dar a esse luxo.

Pois! O vosso alcaide, porque não o trocam?

Fá-lo-emos! Por causa desse malvado estou outra vez sem fome.

- Viste? E tu que querias um alcaide! - Ainda bem que não temos um.

Vamos, D. Pedro, assim ofende-me! Paga-me depois, quando puder.

Nunca, Manuela. Um fidalgo não deve estar em divida com uma dama.

Então aceite uma bebida de nós, cavalheiro.

Para um cavalheiro é uma honra em estar em divida com outro cavalheiro.

Com muita honra, amigo.

- Enche. - À vossa.

Devereis acertar contas com esse vosso alcaide.

Pois!

Um dia ou outro vou-lhe cortar as orelhas.

- Assim é que se fala. - Bravo!

O problema é que sou bom demais.

Passa-me o jarro do vinho.

És surdo? Passa-me o jarro de vinho.

Mexes-te ou não?

Desculpe amigo, mas... o meu pai é surdo mudo.

Vou levá-lo ao ao Santuário de S. Firmino a pedir-lhe as preces.

Faz bem amigo. S. Firmino é um grande santo.

Falaram de S. Firmino. S. Firmino não serve de nada.

S. Tiago de Compostela. Esse sim que é um Santo.

Leva lá o teu pai, amigo.

Obrigado, mas Compostela é em Espanha.

Não tenho dinheiro para ir, é muito longe.

Deixa-me tratar disso. A bordo tratamos de tudo.

- Não... - Anda, vem com os nossos homens!

Eles arranjam-te lugar.

- Não... - Não tenhas medo!

- Já disse que não... - Vem, anda... que esperas?

Pára, Steeven!

Ei, Martin!

Quem está por baixo?

Quem poderia ser? É o Stella.

- Acaba com aquilo! - Eu trato disso, Manuela.

Não...não... estava só a brincar...

Seu grande palhaçote...

Já te ensino a não perturbares uma dama protegida pelo Duque de Samoa.

Vou-te cortar as orelhas.

Pára!

Calma, Sr. Duque.

Não se intrometa, cavalheiro. Uma dama foi incomodada por estes malvados.

Tenciono puni-los de um modo xemplar.

Portanto não é assunto seu.

Vós não punireis ninguém.

E afaste esse espeto.

Como ousa chamar de espeto à minha espada?

Esta é uma lâmina de Toledo, temperada nas águas de Guadal Quibir.

A única digna de mim...

que sou o melhor esgrimista do novo mundo. Em guarda!

Afastem-se palhaços!

- Belo! Vejo que o sabe fazer. - E isto não é nada!

- Não sois Espanhol! - Se é por isto, vós também não.

Sim pode parecer... porque o meu pai... o Duque de Aguilar,

pôs à minha disposição o melhor mestre de esgrima Italiano.

- Não era o Duque de Samoa? - Quem?

O vosso pai!

Bem... se vocês o diz.

Nunca ouviu falar da estocada de Cartosso?

Vagamente...

É natural, é um golpe secreto, quem o recebe não poderá contar como se o executa.

- Interessante... - Quereis tentar?

Porque não?

O que se passa, cavalheiros?

Não sabeis que já passou do toque de recolher?

Venham comigo!

Como ousa?

Que história é esta?

Um fidalgo não se pode divertir com um amigo, sem que os seus cacifes o venham procurar?

- E vós quem sois? - Quem sou eu?

Sou D. Pedro Mendoza.

Filho do Duque de Mendoza...

Conde de Valverde... e Lacuna.

Senhor de Badajoz, o grande de Espanha!

Desculpe excelência, não sabia...

E faz bem, em continuar a não saber.

Estou incógnito...

- E estes Srs? - São todos meus amigos.

- E esta destruição? - Destruição?

Mas que destruição? Nada de importante D. Alonzo.

Se precisam de fazer este distúrbio, o negócio é seu.

E vocês movam-se! Que esperam?

Haveis esquecido o Duque de Aguilar, amigo.

- Quem é? - Há pouco era seu pai.

Uma ajudinha, pelos nossos estragos, Sra.

Mas isto chega para toda a pousada.

Estávamos melhor na pousada, capitão. A cidade de noite está muito vigiada.

Temos é que sair daqui.

Se aquele alcaide não for um imbecil, depressa perceberá o que aquele tipo lhe disse.

Eles ficaram de guarda.

Temos de encontrar um modo de sair.

- Talvez pelo mar. - O porto também está barricado.

Calma...

São um pouco impulsivos, os seus homens. Indício de má consciência.

Porque me seguiu?

Talvez por curiosidade da peregrinação do surdo mudo.

A propósito, é Alemão?

Esquimó!

Esquimó, e o que faz nas caraíbas?

Veio para curar uma pneumonia.

E vós o que quereis?

Digamos que eu também não gosto dos ares da cidade.

Mas os portões estão fechados.

Mas para sair daqui o duque de Zamosa, não teria dificuldade, se tivesse...

Quem vem lá?

Boas noites, cavalheiros.

Podemos confiar nele?

Vamos.

Boas noites.

Volte mais vezes com peças destas, para o deixar passar, Sr. Duque.

Não, não concordo consigo.

Acho uma exibição ridícula, inútil.

E de mau gosto.

As execuções deviam ser feitas nas minas, não aqui.

Mesmo que seja para dar um exemplo aos nativos, como você diz.

E depois, duvido do valor educativo da forca.

O chicote é muito mais eficiente...

e um indígena chicoteado pode voltar a trabalhar.

Um enforcado não, e precisamos pensar nos interesses do Rei.

É aquilo que fazemos.

O carregamento de ouro deste ano foi o dobro do ano passado.

No entanto, ainda não chega.

A guerra na Europa já dura há muito tempo, e o exército fica muito caro.

Por isso terei de assegurar os interesses de Sua Majestade,

que os fornecimentos de ouro, jamais faltarão nos seus cofres.

É só isto?

E para onde vamos?

Bem, vens ou não?

Esperem! Também vou.

Um navio! Um navio!

É o "Fúria", o meu navio.

Então sois o Capitão Blackie.

Queria oferecer-lhe uma coisa melhor que um bote.

Força nesses remos, homens. Ainda esta noite quero estar em Tortuga.

Aqueles estão loucos, hein?

- Olá, Skull... - Olá!

- Lusac - Bem vindo.

- Longbart... - Viva!

Com licença...

- Quem é? - Um informador.

- Trazes boas noticias? - Não. Miseráveis.

O Santa Maria está no porto de "Guayaqui".

Ponte dupla e 48 canhões.

Mas não é tudo.

- Há também fragatas a escoltá-lo. - Quantas?

Três. De 36 canhões.

À vossa saúde.

Que festejais?

O capitão Monbart é um homem prudente.

Quando chegou no seu novo "Vicherée", ficou ao largo em "Guayaqui".

Mas empreendeu uma façanha gloriosa.

Capturou um galeão desarmado, na costa de "Yucatan".

Vai para o inferno, Delissar.

O teu barco nunca teria apanhado aquele Galeão.

Para não falar do velhadas do Scali.

Que o diabo te coma! O meu navio é o melhor das Caraíbas.

O teu navio? Talvez nem com vento de popa consiga andar.

Mas o meu "Devon" conseguiu andar com vento de 7 a 4 nós de bolina.

Para podê-lo passar entre Sanquin e o cabo Ventoso.

Para poder-lhe cortar o caminho.

Nunca outro navio conseguiu fazer isso.

Foi mesmo uma boa caçada.

Pelo indiscutível gosto de chatear uma vintena de marujos Espanhóis...

visto que o galeão não trazia carga a bordo.

Tens inveja porque capturei uma jóia de luxo.

Mas nem sabes quem ela é.

Isso não me importa nada.

Nada?

E quem é que vai pagar o resgate?

A ninguém. Vou obtê-lo aqui mesmo.

Serás mesmo tu a pagá-lo a peso de ouro...

se te conheço bem.

- Eu? - Sim, tu mesmo!

Espera e verás!

Porque o irrita? Logo agora que devíamos estar todos de acordo.

- Porque devemos estar de acordo? - É indispensável se quisermos atacar o comboio.

Nenhum de nós o pode fazer sózinho.

É melhor não pensar nisso. Eles são fortes demais.

E depois conhece o lema dos piratas...

Cada um por si... e o diabo por todos.

Para trás. Deixem passar.

Larga-me...

Que pensas que estás a fazer, sacana?

Não conhecem a lei?

Se a comprarem fazem o que quiserem.

Mas primeiro tereis de pagar em dublos de ouro.

Segundo a lei dos irmãos piratas.

Por agora, ponham isto na cabeça...

ver mas não tocar. É esta a lei.

Vejam bem, suas ratazanas.

Limpem os olhos! Vejam bem!

Pelas leis antigas dos piratas...

vou leiloar os meus presentes.

São duas damas de grande valor...

Se as quereis arriscar para vosso negócio...

ou as quereis para vosso serviço.

Isabella...

Jovem, bela, saudável...

um brinquedo digno de um rei...

Ver e não tocar. É a lei...

Carmen...

Jovem, bela, saudável... a melhor companheira para um pirata.

Fá-la vender depressa.

São as melhores de todo o porto...

Quanto oferecem por todo o lote?

100 dublos...

150...

- 200... - Isto é falar!

- 250. - 300.

400 dublos.

- 500 dublos. - Bravo, Nico! Bravo.

3000.

Desde quando uma mulher vale tanto?

4000.

- 5.000 dublos. - 6.000.

7.000.

8.000.

9.000.

10.000.

11.000.

12.000.

13.000.

13.500.

15.000.

Levem-nas para bordo.

Bem vinda a bordo.

Aquele é o seu camarote. Fique à vontade.

Sou uma dama de Castela, Sr. Corsário. Sabe-lo bem...

E então?

Prefiro a morte à desonra.

Não tenha ilusões...

para mim... é semplesmente um negócio.

Se espera que lhe diga quem sou...

Não interessa... eu já o sei.

Sois Isabella de Mendonza y Lacuna.

A mulher do vice-rei.

Devia tê-lo imaginado...

Podei-vos fechar, se quiserdes.

Não se preocupe, senhorita. Somos piratas respeitadores.

Todos os que comprámos, estão contentes entre nós.

Não somos como aquele bisonte de Mombart, que se diverte a enforcar pessoas.

Tem medo?

Não acredita em mim?

Tem medo de mim?

Quer que lhe faça um pouco de companhia?

Talvez tenhmos a pago um pouco demais.

Tenhamos?

Não somos sócios?

Recorda-se do nosso acordo? Você entra com o dinheiro, eu com as ideias.

Recolher remos!

Levantar remos!

Vá despachem-se.

Todos juntos, idiotas. Vamos!

Segurem a escada.

Larguem a escada.

Esperamos ao largo.

Cambada de inúteis! Amanhã duas horas de exercício para todos.

É um desertor da marinha Britânica, mas é-me muito útil, aquele bronco do diabo.

A que devo a visita?

Vamos à sala de comando.

Tenho que falar contigo.

Do que se trata?

- Disto! - E o que é?

Metade do preço da rapariga, para sermos sócios.

Sócio do quê?

Do negócio! Ponho 7.500 dublos.

Mais algumas informações.

De que género?

Por exemplo, sei quem é.

Isso eu também sei. Chegaste tarde.

É Dona Isabella Mendoza. A mulher do vice-rei.

Disse-te aquele tipo, não?

Mas não é isso que importa.

Já te perguntaste porque ela viajava sózinha num galeão desarmado?

- Talvez... - E sabes porquê?

Não.

E tu?

Também não.

Mas posso sabê-lo fácilmente por ti.

Tu fascinas uma mulher, Blackie...

mas eu não.

Sai deste navio, Skull.

Pensa Blackie. Nós os dois devemos estar de acordo.

Tens o dinheiro e mais um cérebro aqui.

Basta-me o meu.

Vais-te arrepender, Blackie.

Visto que sou só um negócio...

falemos de negócios, Sr. Corsário.

Negócios... sempre negócios.

Qual é a pressa?

Suponho que queira recuperar o que pagou por mim...

Que diria a 30.000 dublos?

Porque falar de dinheiro?

Que interessa que sejam 15.000 ou 30.000 dublos?

Há coisas bem mais importantes.

Preparem os canhões!

Fuzis prontos a disparar!

Posição de combate!

Se gostas tanto de berrar estas tolices porque desertaste da marinha Inglesa?

Canhões para fora... Às ordens!

Maldito foragido! Se queres luta, vou-te dar nos calcanhares.

Seu covardolas! Prepara-te para lutar!

Vou mostrar-lhe, àquele casanova. Desprezou-me, vê o que lhe vou fazer...

só porque ele sabia quem era aquela malvada!

Se é por isso, também o Skull sabia.

Capitão, Lusac está a fazer-se ao largo.

Maldito idiota! Assim dará o alarme.

Quando me vais libertar?

Quer deixar-me?

Não quero deixá-lo, mas...

Tem pressa? Para onde devemos ir?

O "Fúria" está à sua disposição.

Foste muito carinhoso Blackie, mas agora exageras...

estás muito curioso.

Que me diz? Uma dama tem os seus próprios segredos?

Capitão!...Capitão!

O navio Erobus, está a pôr os canhões de fora!

E o "Eclaire" fez-se ao largo.

Veja!

Desfraldem as velas!

Moco, prepara a largar âncora.

Shane, para o leme.

Blackie! Estás a ouvir-me?

O conselho dos capitães decidiu que o leilão foi ilegal!

Tens cinco minutos para desembarcar a mulher!

Então... que respondes?

Chegaram depressa a acordo.

Enfolem as velas!

Moco, liberta a âncora!

Rápido, antes que se afastem de alcance!

Preparar para...

Disparem malvados, que o diabo vos leve!

Que esperam, que eles fujam!

Que esperam para disparar seus sacanas!

Apontem como deve ser!

Malditos canalhas, que o diabo vos leve!

E tu, o que lhes ensinaste?

- Faço-os em marmotas... - Rebento-lhes com a cabeça!

Faço-os em escravelhos, seus sacanas!

A ti também!

Aqueles dois, já não nos darão problemas.

Agora pensemos em ir a Lusac.

Preparar embarcação... para pers...

- Que estás a fazer, imbecil? - A segui-los...

Agora não, já levam muito avanço.

Mas o Lusac já se fez ao largo. Vai apanhá-lo!

O Lusac? Não me faças rir!

Ouçam todos...

há um prémio de 1.000 dublos para quem derrubar o mastro daquele navio.

Dois quartos à direita, até nova ordem mantém-no assim.

Não é altura de mandar ao fundo, aquele idiota do Lusac.

Basta-me mantê-lo à distância.

Martin, explica isso ao Stiller.

Anda.

Vês?

Tu...

Fogo!

Stiller!

Perfeito! Bom tiro!

Todos em posição de combate!

Prontos a...

Que te disse eu?

Para onde dirijo?

Não nos resta mais nada senão libertá-la.

Como libertá-la? Mas...

E o resgate?

Não te preocupes, D. Pedro. Os negócios primeiro que tudo.

Direito para a "Baía dos Pescadores".

Se quiser pode conferir o valor, tudo quanto pediu.

- Um resgate! Depois de... - Pedi-o pela sua honra, Isabella.

- Em minha honra? - Claro.

Que pensaria o seu marido...

se a libertasse por nada?

50.000 dublos em moedas de 10.

50.000 dublos?

Com que então...

"O que são 15.000 ou 30.000 dublos", hein?

Absolutamente. 50.000 é muito melhor.

Pagar-me-às pirata!

Não descansarei até te ver enforcado na Praça de Guayaqui!

E quando a ti... lava pratos, faminto.

Vou-te mandar arrancar a pele!

Conta com isso!

Porque choras?

Na verdade... não sei.

Cretina! Ao menos agora sabes!

Moco, as velas estão prontas?

Sim, capitão.

Não te aborreças, vamos dividir?

25.000 a cada um?

Não, precisamos de tirar as despesas.

15.000.

Certo! Então...

Depois há a parte da tripulação.

Quanto?

Bem... mais uns 15.000.

Então são 10.000 a cada um?

Um momento.

Que dirias a um novo negócio?

Os vossos 10.000 dublos contra metade da minha parte no próximo golpe.

E do que se trata?

Logo saberá.

Shane. Faz com que fiquemos perto de Guayaqui.

Então, D. Pedro? Sim ou não?

Decida depressa.

Eu invisto.

Espere aqui.

Despachem-se!

Graças a Deus, Isabella...

Confesso que estava muito ansioso...

- Por mim ou por eles? - Naturalmente por si...

Mas se soubessem o motivo da sua viagem, seria muito mau.

- Sou uma dama, sei ser discreta. - Não duvido disso, mas...

algum dos marinheiros, podia ter falado.

Impossível, porque os piratas mataram todos.

Verdade? Então teve muita sorte.

Venha, deve estar extenuada pelas emoções.

Ela em breve sairá. Precisamos saber onde vai.

Fique tranquilo, Capitão. Não a perderei de vista.

- Chegou o vinho, rapazes. - Tudo bem?

Aqui têm!

À vossa!

D. Pedro. Como está?

Vejo que o vosso alcaide, finalmente fez-lhe justiça.

Quem?

O alcaide!

Não, esse não tem nada a ver...

Tenho um negócio em mãos, que se correr bem...

Esquecerá esta miserável pousada.

- Mas este é o meu trabalho! - Isso que importa...

É muito melhor ser uma dama.

Deveis cuidar de mim, Manuela.

Sou um cavalheiro, quando...

Bem vindo, cavalheiro.

Não esperava vê-lo, ainda tenho de lhe agradecer...

Vejo que se está a tratar bem.

Com aquele negócio que temos em mão.

O carregamento do ouro já começou.

A caravana virá a Porto Sea. A quantia parece excecional.

Os meus 10.000 dublos foram bem investidos.

E há escoltas?

Estão a chegar. São duas.

Duas? Não deviam ser três?

Sim, mas a da Vitória ninguém sabe dela.

Mas que importa isso, assim é melhor, não?

Veja, senhorita...

Chegou agora de Espanha.

Porque não a compra... dá para uma mantilha.

É muito bonita...

Martin! Estás louco?

Se alguém te reconhece...

Quem? Não podia estar sem te ver. Anda!

Mas tinhas de vir aqui mesmo, à Praça Central?

E porque não? Tenho um negócio em vista que nos fará ricos.

- A nós? - Claro!

Mas preciso da tua ajuda.

Eu não poso fazer nada. E depois, que devia fazer?

É uma coisa de nada, garanto-te. E depois seremos felizes.

Levo-te daqui, e compro-te o vestido mais bonito do mundo.

Verdade, e dizes que é uma coisa de nada?

Duvidas de mim?

Então diz-me, o que devo fazer?

Anda, vem!

Agora, vou explicar-te.

Afastem-se! Permissão de Sua Majestade.

Afastem-se. Saiam da passagem.

Malvado! Vou-te ensinar a respeitares o Duque de Zamosa!

Vou cortar-te as orelhas!

Mas enlouqueceste?

Rápido! Prendam-nos!

Não os deixem fugir!

Por aqui!

Mexam-se, depressa. Não há nada para ver!

Posso saber o que te passou pela cabeça?

Areia?

O Santa Maria carrega areia!

Então quer dizer...

Que investi os meus 10.000 dublos, num carregamento de areia!

A carga foi efectuada no tempo estabelecido.

Veio a propósito minha querida.

No final de contas o "Victória" pode partir sem mim.

Pelo contrário. Decidi que o acompanhasse.

Já não confia em mim, para acompanhar a carga?

Nada disso...

Haveis agido com prudência e habilidade em circunstâncias adversas.

Mas considero a minha presença na corte, indispensável neste momento.

Que pensava, ficar aqui por toda a vida?

Seria estúpido efetuar este enorme envio de ouro, sem obter nada em troca.

Não lhe agradaria mais no reino da Sicilia?

Claro que conto muito com este ouro.

Mas acima de tudo com a sua influência na corte.

Portanto...

Que prende aqui, nesta terra de selvagens?

Nada.

Só me desagrada deixar em suspenso as contas com aquele pirata.

Assim parece que vai ficar a rir...

ou talvez... não!

Bem, depois de tudo, é melhor assim.

Farei pendurar aquele homem, e prender a Carmen numa prisão.

Espero poder oferecer-lhe em breve, o enforcamento...

do vosso pirata.

Está bem, D. Pedro. Retire a sua parte do negócio.

Se me retirar do negócio da areia, dá-me os 10.000 dublos?

- 5.000. - 5.000, e porquê?

É uma penalidade!

Uma penalidade...

Esá bem! Sempre é melhor que nada.

Negócio fechado.

Porque abandonaste o teu posto?

Encontrei um modo de seres informado sem ficar de guarda.

E o palácio tem muitas saídas. É impossível vigiar todas.

- Isso é verdade! - E vós que sabeis disso?

Conheço o palácio, e também as saídas.

Como hóspede?

Não própriamente...

Derivado às dificuldades económicas, fui obrigado a aceitar o cargo de...

- Adido de porcelanas... - Adido de porcelanas?

Lava pratos, se preferis.

Não te rias, cretino.

- Belo guarda que me saíste! - Porquê?

- Bem vindo. - Olhem quem está aqui...

O Duque de não sei quê...

O Marquês de Vais à Pesca...

Sabe que quase me enganou?

- Quase? - Sim, porque agora prendo-te.

- A sério? - Sim. A ti e a todos os outros.

Esteja à vontade.

Vêm mais por aqui!

Para a porta...

Não, por aqui não se passa.

- Venham por aqui! - Vamos, Moco.

Por ali, vai!

Despachem-se!

Cuidado!

Venham!

Entrem!

Anda! Vamos.

- O Capitão? - Esperem.

- Rende-te! - Estais preso!

Não podemos fazer nada.

A guarda, hein? Até mesmo nós estamos presos.

Não sou assim tão parva... A cantina tem outra saída.

Obrigado, Manuela. Vamos, não percamos tempo.

Em nome do Vice-rei, abram!

Não temam, não conseguirão abri-la.

Por agora escondam-se na minha casa, depois à noite podem ir.

Esconder-nos, e o capitão?

Tu já fizestes asneiras suficientes, por hoje.

Eu sei, e é por isso mesmo...

Tencionas ir buscá-lo?

- Não! - Então fica quieto.

- E vós tendes alguma ideia? - Talvez!

Conheço a cidade, conheço o palácio, e como podemos entrar.

Como sois sensível, não pensava que se arreliasse tanto por 50.000 dublos, Isabella.

Quero dizer, D. Isabella.

Mais dez!

Isabella, porque é que perde tanto tempo com esse tipo?

Podemos saber dele qualquer coisa de interessante.

Interessante, mas o quê?

Que o D. Alonso é um imbecíl, e que os outros fugiram e nem ele sabe para onde?

No entanto...

Se o jovem for obstinado, há métodos mais eficazes que o chicote...

Por exemplo...

O garrote!

Mas eu não estou obstinado em falar, Exa.

Estou disposto a dizer tudo.

Mesmo tudo, Exa.

E o que me poderá dizer, jovem?

Este homem não pode dizer nada.

E como não?

Você mesmo o disse! Que poderá saber?

Exatamente! Então não percamos mais tempo.

A não ser que tenha outros motivos para lhe dar um tratamento especial?

Que motivos?

Não sei, poderá ser um daqueles que a maltratou quando esteve prisioneira.

Não, nem me lembro de o ter visto.

Então se as coisas são assim, enforcamo-lo e não se fala mais.

Isso parece-me um exagero. Bastava mandá-lo uns anos para as minas.

Até pode não ser um pirata, depois de tudo.

Pelo que sabemos, só foi preso por resistência à guarda.

Como queiras, Isabella! Mas por amor de Deus, despacha-te!

Já devíamos ter partido há 1 hora.

Despachem-se, mandriões! A lenha está a acabar...

Se fôssemos como vocês, íamos para a cama em jejum.

- Porque é que o jantar está atrasado? - Por culpa deles.

Por culpa deles?

Olhem quem cá está...

Desta vez não me escapas!

Por aqui!

- Vamos sigam-me! - Stiller!

Fujam, ajudem!

Capitão, onde estais?

Capitão, estais aqui?

Moco...

- Estás bem? - Tu vigia a porta.

Já era sem tempo!

Para a próxima vez, passamos aqui primeiro.

É um bom salto, hein?

Rápido!

Em nome do Vice-rei, abram!

Está bom!

Diz-lhes que vou já.

- Avé Maria, cheia de graça... - Vá lá, coragem!

Vamos, Stiller!

Força, o último golpe.

Estão ali!

Depressa, fujamos!

- Comporta-te como um homem educado. - Ei beleza, eu sou um homem educado!

São todos educados.

- Mais uma vez, obrigado, Manuela. - Vá lá, leva-me lá a fazer-me uma dama.

Perdoe-me Manuela, mas não poderá voltar a Guayaqui.

Depois de tudo, deu no mesmo. Aquilo não era um bom negócio.

- Mas era um negócio. - O que quer dizer?

Que fez mal em confiar em mim...

Agora só te posso oferecer muito pouco.

O meu negócio corre mal, agora que a Isabella se retirou.

Com este navio nunca iremos conseguir apanhá-la.

- Mas ela não partiu de barco. - Como?

- Ouvi dizer que partiu de carruagem... - Para onde?

Não sei.

Martin, não percas nenhum vento...

Quero chegar ao "Fúria" o mais depressa possivel.

Parem. A D. Isabella está cansada!

Ali em frente há uma aldeia índia.

Passaremos lá a noite.

Shane! Que se passa, estão a dormir?

Não fazem nada, Capitão!

Uma sábia decisão, Capitão Blackie.

Devo-lhe dizer que o meu desejo seria enforcá-lo.

Já o teria feito, se não fosse a caridade do Capitão Skull.

Esta gente é minha. Foi o acordo.

São todos seus, disponha.

Onde está a minha tripulação?

No porão.

Mas não se preocupe. Já não precisará deles.

Vamos.

Que pena, tinha-me divertido mais em enforcá-lo já.

Também eu.

Gostava de saber o que vai na cabeça do Skull.

Voltemos aos nossos navios. Não temos tempo a perder.

Vamos!

Que maravilha... deveres-me a vida.

Qual é a ideia?

Negócios. Que notícias tens de Guayaqui. Estiveste lá, não foi?

Ainda estou disposto a fazer sociedade.

Aqueles dois génios tramaram um bom plano.

Levar o navio Espanhol ao porto, os seus canhões pouco valerão.

Pobre do "Fúria".

Está destinado a ser o isco e distrair a atenção do forte Espanhol durante o desembarque.

Pode até ser um bom plano.

Mas qualquer coisa não me convence.

E então, concordas?

Vais dar-me as tuas informações?

Em troca de quê?

Da tua vida e dos teus companheiros.

E também por aquelas duas beldades.

E a minha tripulação?

Esses estão no "Fúria", jamais!

Então nada a fazer.

Ah sim... acho que falarás na mesma.

Eu tenho os meus métodos.

Sabes isso, não?

Mantém os outros afastados. Quero vê-los bem antes de começar.

- Sim. - Tu...

Prepara as armas. Amanhã teremos muito que fazer.

Em silêncio!

Traz-me as raparigas.

É mais fácil que falem, espero...

Para onde nos levam?

- Agora ouve-me, beleza... - Sim?

Diz-me tu, meu amor!

Avé Maria...

Estás com medo?

Não, do quê?

Só estou preocupada com o meu vestido...

Foi isto que me prometeste?

Não... mas tens de confiar em mim, Carmen.

Claro que sim! E quem está melhor do que eu?

Rápido!

Que estás a ver?

Tripulação ao convés!

Levanta-te, mandriões acordem! Vamos mexam-se!

Despachem-se, querem que vos traga a emenda do bom dia?

Ou acordo-vos ao bofetão!

Vamos, mexam-se!

Tripulação ao convés!

Tripulação ao convés...

Aquele nunca fecha a matraca.

- Temos de ir... - Precisamos de ir ao convés.

- A rota, capitão? - Segue o "Fúria".

Que esperamos para o abordar?

- Tens pressa? - Claro!

Aqui, procurei em todo o lado. Os dublos ainda devem de estar no "Fúria".

Esta geringonsa nunca o apanhará.

Espera aí...

E então os meus dublos?

Vamos fazer um negócio.

Os teus 5.000 dublos, contra 1/4 da minha parte.

Que significa tanta generosidade?

Não faz ideia onde o Vice-rei escondeu o ouro, não é isso?

Negócio fechado! 5.000 dublos contra 3/4 da tua parte.

- 3/4? - A penalidade, não?

Porquê?

Porque sei onde ele escondeu o navio com o ouro.

Como assim?

Porque sei ouvir e recordar!

Está bem.

Combinado.

Então, onde está escondido o "Victória"?

Lembra-se do que disse o Monbart?

Conseguiu evitar o vento e passar entre San Juan e o Cabo do Oriente.

Para cortar o caminho ao galeão de Isabella.

Portanto, ele ía para a baía de San Juan.

O encontro é ali.

Bravo, D. Pedro! Se o "Victória" estiver lá, terá 3/4 da minha parte.

Alarme, piratas!

Veja, Capitão!

Vem do Sul! Fá-lo-emos em pedaços.

Preparem-se para disparar.

- Onde está o Skull? - Deixa lá o Skull.Vamos!

Fogo!

Fogo!

Os piratas...

Fechem o portão!

Rápido, salta!

Em frente!

Deitem-nos borda fora!

Ajudem!

Moco! Direito ao "Fúria", para o abordarmos.

Não há tempo a perder.

Viu? Fizemo-lo mesmo sem aquele imbecil do Skull.

Um a menos a dividir.

O nosso ouro espera-nos. Vamos!

Quietos, velhacos!

Tira este!

Vá!

Abram!

O capitão!

- Capitão! - Onde está o cofre com os dublos?

Quem é que quer saber do cofre com os dublos?

Rápido! O "Fúria" está quase a explodir!

Todos a bordo do "Ergo"!

Areia! É tudo areia!

- Palerma! - Palerma!

50.000 dublos para os peixes! Que pena!

Não eram só teus, não?

Sim, é verdade. Já me tinha esquecido.

Os meus estão no "Victória", na baia de San Juan.

Para 300-6, e mantém o curso.

- Mas com essa rota não vamos a San Juan. - Tens razão!

- Vamos para Golfo de Campetri. - Que vamos fazer a Campetri?

Devíamos ir para a baía de...

Como queira. Mas nesse caso vendo a minha parte por um dublo.

Negócio fechado.

Chicoteiem um pouco estes malditos cavalos.

Estamos a perder muito tempo...

- Martin! Navegar a todo o vento. - Gambiarras acima.

Esticar as bolinas!

Moco, toma atenção!

As velas enfolam.

Por acaso... tenciona atacar uma fragata, com esta banheirola?

O meu "Ergos" é o melhor navio de todas as Caraíbas!

Nós também tínhamos uma fragata de 36 canhões, se este imbecil não tivesse...

preferido ficar com a sua banheira e sacrificar o "Fúria".

- Vá lá! Queres comparar com o meu... - Cala-te, Skull...

Ou acabas no mar.

Por agora pensemos em alcançar o "Victória", antes que se faça ao largo.

Segui-lo com este ferro de engomar, seria inútil.

Esta lentidão é desesperada!

Pára!

Cinco nós e três quartos!

Nunca o conseguiremos.

- Martin! - Sim, capitão?

Atira ao mar tudo o que não serve... incluindo os canhões.

Não, isso não!

Até os canhões, e como faremos sem eles?

Disseste tu que éramos mais fracos, tanto faz não termos nada.

Devemos etar perto.

- Este foi o último. - Agora o que fazemos sem canhões?

- O capitão sabe o que faz. - Tens razão!

Devias ter-me dado primeiro uma cutilada...

Também o "Ergos" foi sacrificado, não é?.

As velas já estão preparadas.

Vamos, não os façamos esperar.

Velas à vista, na proa direita!

Segue bem o vento, para lhe cortarmos o caminho.

Sim, Capitão, assim faremos.

Sim, mas... e depois?

Só pode ser ele. Só ele pode ser tão audaz.

Ele, quem?

O vosso pirata.

Dois quartos à direita!

Um momento!

- Que quer fazer, capitão? - Evitá-los. Não parece caso de o enfrentarmos.

Sábia solução...

Mas contudo é necessário enforcar aquele pirata.

Devo isso à minha mulher.

E talvez a mim mesmo!

Preparar para baixar as velas!

- Shane! - Às ordens.

Foi por tua culpa que o "Fúria" foi capturado.

- Ficarás no leme. - Sim, capitão!

É justo!

Justo o catano!

Eu e só tenho o direito de levar o meu "Ergos" à última abordagem.

Concordo!

Parece que querem que os façamos em bocados.

Fogo!

Fogo!

Fogo!

Atingimos-os de ponta a ponta. Ninguém deve ter ficado vivo.

Nessa eventual hipótese, enforcaremos os cadáveres dos nossos piratas.

Quando se faz um promessa a uma dama, devemos fazê-lo como deve de ser.

Como queira, Exa.

Tripulação às amuras. Preparem os ganchos.

Ao assalto!

Viva!

Levem-na para baixo, rápido!

Não está mal para um lava pratos, hein? Que me diz?

Tenho ordens para a pôr em segurança.

Não tenha medo, somos bons piratas.

Só por curiosidade, que se passou entre ti e a minha mulher?

Absolutamente nada.

Nada, hein?

Três vezes doze são trinta e seis... vezes dois dá setenta e dois...

Estou a contar os barris, finalmente estamos ricos!

- Onde está Isabella? - Aí dentro.

Já que me vai ficar caro...

ao menos podes dizer-me como adivinhaste onde estava o "Victória"?

É simples.

O golfo de Campetri é o único caminho com acesso às minas.

Equivoquei-me.

No entanto a minha parte é boa, não?

Quanto é que me calha?

- Quere-la agora? - Ora pois não?

Um dublo?

Não se esqueceu do nosso último acordo...

Negócios são negócios.

Receio que o subestimei, Capitão.

Houve uma altura em que me chamavas Blackie...

É verdade!

Mas desde então, sucederam muitas coisas.

- Sabe quanto ouro há neste navio? - Espero que muito.

Cerca de 30 milhões de reais, talvez mais.

Não pensava que fosse tanto.

É tanto que pode alterar o rumo de uma guerra.

Mas para uma pessoa só, é demasiado.

- Tenho que pagar a uma tripulação. - Uma tripulação!

O homem que levasse este ouro a Espanha, não só seria rico...

- mas teria honras inimagináveis. - Por exemplo?

- O título de Duque... - Bom...

O posto de Grande Almirante...

E talvez...

Talvez...

Talvez até eu.

Pensa Blackie, verás que seremos felizes.

É pena...

Olhe Isabella, ambos queremos o ouro e não queremos dividi-lo.

- Não quero o ouro. - Eu sei.

Quer o teu Rei. No entanto o meu Rei também o quer.

O Rei de Inglaterra.

O pobrezinho precisa tanto dele, para poder armar um navio de um corsário.

Que queres fazer? Somos dois pelintras!

Chega!

Anima-te... o dinheiro não é tudo.

Poderemos sempre abrir uma nova pousada.

Tens razão!

Não é tudo!

E este não vale nada.

Que dizes em fazer um negócio?

O teu dublo contra metade da minha parte, no próximo golpe?

Eu faço-o.

Mas tem cuidado, Capitão. Eu sou mais esperta!

Não tenho dúvidas, Manuela.

O que quiseste dizer?

Que a partir de hoje os negócios de casa, faço-os eu.

Todos aos lugares de trabalho! Voltemos a casa!

Sim, Capitão.

Rota de 25%, e mantê-lo assim por 3.000 milhas!

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