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Original subtitles

O NETINHO DO PAPAI

- Ellie, rápido, temos cinco minutos. - Já vou descer.

Direi algumas palavras sobre o que me aconteceu o ano passado.

As mulheres não compreendem, acham que é fácil para os homens, mas estão erradas.

Os homens possuem um mecanismo muito delicado e sensível.

Se os tratam bem, mimam e cuidam, podem durar anos...

mas se há obstáculos...

Os homens sabem que o que é isso. Trabalham muitos anos para...

construir a casa e a família, e chega um dia em que, pela primeira vez...

tem uma sensação de que se está ganhando o jogo, os negócios...

vão bem, as crianças estão criadas, casadas ou terminando os estudos...

ou as duas coisas. E você deseja se divertir e pensa em tudo o que...

faria na sua vida s apenas tivesse tempo.

Iria pescar, iria caçar, poderia até escalar o Everest. De qualquer forma...

você está no topo do mundo. Sente como se fosse a mistura de Don Juan e Colombo.

E é neste momento que eles escolhem para te chatear.

Lembro que faz um ano hoje. Peguei o trem, estava atrasado como de costume.

Era um dia bonito, não peguei o ônibus e voltei andando para casa.

Era um daqueles dias de maio em que tudo parece renascer.

Eu estava cheio de vigor. Eu pensava em como eu era um...

homem de sorte. Com uma casa boa, paga, 3 filhos, todos pagos...

e uma esposa bonita.

- Ellie! Olá, meninos. - Olá, papai.

- Ellie, cheguei. - Já vou!

Ellie estava radiante aquela tarde. Parecia flutuar no ar.

- O que aconteceu? Está tarde. - Com este tempo, vim andando.

- Stan... - Quê? Não posso beijar minha mulher?

- Não vai se trocar, vamos sair já. - Por que? Onde vamos?

Kay e Buckley nos convidaram para jantar. Kay disse que...

- tinha uma boa notícia. - Buckley teria colocado...

as sacolas dele em grandes lojas?

Não acho que seja isso. Acho que é algo bem mais importante.

Mas se são milhares de dólares. O que poderia ser mais importante?

Algo... Me solta... Pega meu casaco, querido?

- Tchau, Tommy, tchau, Ben. - Tchau, mãe.

Kay disse que lamenta que não pôde chamá-los, os pais do Buckley iam vir.

A Kay que vai cozinhar? É melhor vocês levarem bicarbonato.

Tommy, suas piadas ficam cada vez mais engraçadas.

Delilah, arrume a louça antes de ir ao cinema...

Não precisa lavar agora, senão vai perder o filme...

- Stanley, o que você tem? - É a primavera.

Deve ser.

Seguimos uma rotina, Ellie. Não que seja ruim, mas precisamos sair dela.

- Você sabia que é muito bonita? - Stanley...

Uma mulher muito bonita! O problema é que nunca te vejo. Chego em casa...

e você me diz se eu vi o rasgo do carpete ou se quero arrumar o vazamento.

- Ah, desculpe-me. - Não digo que é a culpada, acho que...

devíamos esquecer essas coisas e viajar. Por que não? Somos livres como o ar.

Como quando nos casamos. Antes da Kay nascer, só que...

agora não estamos quebrados. Poderíamos ir à Europa.

Acho melhor a gente ver o que a Kay tem para dizer.

Honolulu! Que acha de Honolulu? O lugar ideal. Que acha?

- Veremos... - Claro, a praia de Waykiki...

o luar em Waykiki, flores, amores...

Amanhã vou ligar pra agência de viagens para saber sobre o barco.

- Mãe! - Oi, querida!

Lá estava ela, minha Kay, meu coração. Não podia acreditar que estava casada.

Ela ainda parecia uma criança, para mim, brincando de casinha.

- Como está? Se sente bem? - Se ela se sente bem, olhe pra ela.

- Nunca esteve mais bonita. - Obrigada, pai.

- Como ele te trata? - Bem! Você sente minha falta?

Nem me fale.

Eu estava de bom humor, até olhava meu genro com olhos amigáveis.

Não digo que ele era o ideal, mas estava me acostumando a ele.

Pai Banks, como está? Fico feliz em te ver, como vai?

- O chapéu. - Obrigado. Será que...

poderia para com isso de "pai Banks"? Me chame de Stanley.

- Certo, Stan. - Stan não, Stanley.

- Certo, Stanley. - Que tal jogar golfe no domingo?

- Está marcado. - Que bom te ver de novo.

- Olá, Herbert, como vai? - Mais ou menos.

Mais ou menos? Você parece ótimo. Doris, como vai?

- Como vai? - O que tem de errado com o velho?

É a primavera, sempre o derruba.

- Para mim, ela dá energia. - Suponho que vocês receberam...

o mesmo recado que nós, sobre uma notícia importante.

Buckley, diga, todos já estamos aqui.

- Já sei o que é. Grande notícia. - Sim, creio que sim.

Buckley, você disse a eles e não nos disse?

Não, eu adivinhei. Por fim, assinou o contrato?

Não, Buckley, não é aquele contrato?

- Milhares de dólares! - E nós achando que seria...

- um bebê. - Estava rezando por um bebê.

- E era isso. - Mas é isso que é. É um bebê!

Um bebê?

É maravilhoso!

Nunca vi tanta excitação. Kay passava de mãe em mão como uma jarra.

- Que notícia, minha filha! - Buckley queria ter um ar...

de modéstia, mas na realidade tinha um aspecto de perfeita estupidez.

- Ellie! - Sorri e tentei entrar no alvoroço.

Mas no meio do mel tinha uma mosca. Não podia encontrá-la, mas estava lá.

A melhor notícia que tenho em anos. O que achou, vovô?

Vovô. Esta era a mosca.

Vovô. Primeiro ele rouba minha filha e agora ele faz de mim um avô.

Queria que ela fosse no Arnold, ele foi médico dela desde pequena...

mas acho que esse médico está bem. Meu Deus! Novembro, não tem...

muito tempo e tem muitas coisas para fazer. Ben! Tommy!

- Por que está chamado eles? - Quero contar pra eles.

Ben, Tommy, acordem! Tommy, Ben, não me escutam, meninos?

- Tem algo errado? O que foi? - O que aconteceu?

Uma notícia emocionante. Kay vai ter um bebê.

- Agora? - Não, bobo, em novembro.

- Pobre Buckley! - Por que diz isso? Não diria...

se estivesse lá, ele estava cheio de orgulho e quando dissemos...

como ficamos contente com tudo, ele ficou tão lindo e envergonhado...

- Ele não estava lindo, Stanley? - A coisa mais linda que já vi.

Ah, bom... Vocês homens são todos iguais. Boa noite, desculpas por ter te acordado.

- Ben, volte aos seus livros. - Boa noite.

E... Não precisa anunciar no rádio.

- A senhora Dixon, por favor. - Telefonar a esta hora, Ellie?

Diga que telefone à senhora Banks quando chegar, tenho uma...

notícia importante. Rudy não me perdoaria por não contar a ela.

Acho que vou fazer o chá de bebê no sábado.

- Pode chamar seus amigos. - Você precisa mesmo anunciar isso?

- Afinal, não é assunto nosso. - O que foi, Stanley? Parece que...

- você não gostou disso. - Não gostei.

Por que, Stanley? Por que?

Vou te dizer. Primeiro não tem lugar para um bebê naquele apartamento pequeno.

- Mas... - Segundo, eles não têm dinheiro.

Bebês custam dinheiro e mais ainda quando crescem.

Onde acha que vão conseguir dinheiro? Perguntei ao Buckley se ele...

conseguiu o contrato e ele me respondeu que não. Ele se preocupou?

Não, ele só ficou lá, lindo. E esse cara vai ser pai.

Vou te falar algo. Se acham que vou pagar por isso, estão enganados.

Faz pouco tempo que acabei de pagar pelo casamento.

- Mas, Stan... - Acho que deveriam esperar.

- Esperar... Pelo quê? - Por sete ou oito anos.

O que eles sabem de crianças? A Kay ainda é uma. Sai do colégio...

se casa com o primeiro que aparece e agora tem um bebê.

Stanley Banks, me escuta. Eu deixei o colégio para me casar com você.

Lembra? E lembra quando nos casamos? Claro, foi quatro de setembro.

- O que isso tem a ver? - E lembra quando nasceu a Kay?

- 21 de junho. - Exato. Enquanto minhas colegas...

estavam se formando, eu estava em casa tendo um bebê.

Não é isso...

Stanley, sei que não têm dinheiro e que o apartamento é pequeno, mas...

não importa. O importante é que vamos ter um neto.

- É como colher um dividendo. - É como colher um dividendo?

Sim, algo que chega sem que você peça... Sem nenhuma das...

responsabilidades, nenhum trabalho que as crianças dão.

Tudo que você tem que fazer é amá-lo.

Alô? Rudy? Tenho as notícias mais maravilhosas.

Eu vou ser avó!

Sim, não é sublime? Estamos emocionados.

Sim, Kay nos disse hoje.

A Ellie não parecia se preocupar, talvez as mulheres sejam diferentes,

mas quando eu pensava que seria avô...

o homem que ia se divertir! Todo um mundo me esperava!

E do nada, avô. Pensava em todos os avôs que conhecia, mas...

eram homens muito velhos, os resmungões da esquina.

Aquele cliente cuja diversão era deserdar as pessoas.

As múmias do clube, que precisavam ser auscultados para saber se estavam vivos.

Eu não pertencia àquele lugar. Não precisava de naftalina.

Tinha apenas começado a viver.

A única coisa era que estava um pouco fora de forma.

Passei a tarde seguinte na academia.

Está ótimo, obrigado.

- Obrigada. - De nada.

Aquela noite me sentia valendo um milhão.

Mas na manhã seguinte, não valia nem cem.

Stanley, Buckley está aqui para o jogo de golfe.

O que foi? O que você tem?

- Deixa eu te ajudar. - Não, não!

- O que dói? - Tudo.

Que você fez? O que aconteceu? Vou chamar o médico agora.

Não quero nenhum médico.

- Mas pode ser apendicite. - Eu não tenho mais apêndice.

- Vou chamar o Buckley. - Se não quero ver o médico...

- quero ver menos ainda o Buckley. - Acho que ele pode ajudar.

Ele já não fez o suficiente? Só preciso de um banho quente.

Bem. Vou chamar o Buckley e já volto.

Na semana seguinte, Ellie organizou o chá de bebê,

uma forma de assalto que não é contra a lei.

Kay, aqui tem um que ainda não foi aberto!

Stanley, fico feliz que chegou em casa a tempo de ver...

os presentes que trouxeram. Todos foram muito amáveis e trouxeram algo.

- Bem, o que eles podiam fazer? - Stanley, faz parecer pouco.

- Vem, Kay está... - Não, isso não é para homens.

Oi, pai! Onde vai? Tem que ver o que ganhei.

- Bem, volto depois, Ellie. - Quando terminar, quero discutir...

- uma coisa importante com você. - Não, filha, não sei nada disso.

Bonito, mas preciso ir...

Não. Fale com o Buckley. Ali está ele.

Buckley parecia um náufrago que se afunda pela terceira última vez...

mas decidi deixá-lo ali.

Bem, o que queria, querida?

É que...

queria falar com você antes que os Dunstan cheguem.

Você sabe que estou preocupada de como ficaríamos aqui nesta casa...

quando Ben for pra faculdade no outono.

- Eu tive uma ideia maravilhosa. - Qual?

Kay e Buckley podiam vir morar aqui conosco.

- Está louca, Ellie? - Mas seria tão simples.

Faríamos um cômodo para eles no antigo quarto da Kay...

e colocaríamos uma porta para um quarto conjugado, o do Ben.

E colocamos Tommy no quarto de hóspedes, e fazemos uma porta...

para o banheiro. E o quarto dele seria para o bebê...

ao lado do nosso quarto, com uma porta para...

- quando o bebê chorasse... - Isso seria ótimo... Ellie, não!

Não custaria muito. Já consultei.

O lugar é apropriado para o bebê, se eles quiserem sair...

ou viajar por alguns dias, não precisariam se preocupar.

- Ellie, sei que está ansiosa para ficar com o bebê...

mas devo dizer não. Já passei por isso, alimentá-lo de madrugada...

cólicas, sarampo e tudo mais. Não quero passar por isso de novo.

- Ainda mais por um bebê de outro. - Não seria assim, Stanley, seria...

- divertido ter um bebê aqui. - Você pode visitar o bebê lá...

Vai estar lavado e passado. Mas aqui não virá, e pronto!

- Aquele apartamento é pequeno. - Então que comprem uma casa.

- Eles não têm dinheiro pra isso. - Deviam ter pensado nisso antes.

Não entendo como pode ser tão duro com uma pobre e inocente bebê.

Mãe, pai, chegaram os pais do Buckley, podem atender?

- Tenho que me despedir das meninas. - Claro.

Vamos, Stanley.

Doris.

- Como está, Ellie? - Não perderia isso por nada...

Olá, como vai o vovô?

- O que foi? - Estou dolorido por causa dos exercícios.

Exercícios? Você é louco. Olhe para mim. Firme como uma rocha.

Sempre digo que o único exercício sensato é cercar os homens que...

fazem exercício.

Este bebê é a melhor coisa que podia acontecer ao Herbert.

- Ele está tão cheio de vida. - Direi à Delilah para trazer o chá.

Não, não. Sente-se, Ellie.

Perdoe-me, querida, tenho algo que quero mostrar para vocês.

Kay, Buckley, venham aqui. Venham ver seu presente.

Tire isso daqui, Stan. Precisamos de espaço.

É uma planta. Me dá essa cadeira.

Uma planta para o futuro. Uma planta para a felicidade.

Stan, segure esse lado e você, Ellie, segura o outro.

- E agora, filhos, deem uma olhada. - O que é isto?

- É seu novo lar. - Lar?

- O que quer dizer? - Vou dizer, eu estava olhando...

nossa casa outro dia e tive uma inspiração: toda a ala oeste é...

ideal para vocês. Então chamei meu arquiteto e disse-lhe o que queria.

Vou mostrar: o próprio estúdio de vocês, a sala de estar, a sala de jantar...

aqui, a cozinha, a lavanderia. E aqui, o quarto do bebê...

o quarto da babá e o quarto principal. Tudo com a maior comodidade.

Ellie estava tendo um ataque de nervos. Via o bebê escapar de suas mãos.

E a sala de estar terá oito por sete. É suficientemente grande?

E o melhor de tudo é que vocês terão duas babás a seu serviço.

Certo, o que acharam?

- Esplêndido, não é, Buckley? - Sim, papai, é muito bom!

- Vou trazer o chá. - Claro que não há nada definitivo.

É só para dar uma ideia geral do que podem fazer.

Mas se gostam mais da entrada por aqui, podemos arrumar.

- Ellie. O que foi? - É sua culpa. Isso não aconteceria...

- se deixasse eles virem para cá. - Não te entendo, você está mais...

excitada pela chegada deste bebê do que esteve pela dos nossos.

Você não entende. Kay precisa de mim agora mais do que nunca.

Eu ia aliviar tanta coisa para ela. Ajudaria com as comprar...

- com as roupinhas, com o quarto... - Certo, se significa tanto para você...

Tarde demais. Eles vão morar com os Dunstan. Nunca os verei.

- Oh, Ellie, não seja boba. - É o que a Doris Dunstan disse...

este bebê é a melhor coisa que poderia ter acontecido ao Herbert.

Eles vão se apoderar do bebê de corpo e alma.

- Ellie, isto é ridículo, você age... - Deixe-me.

É tão amável e maravilhoso. Nunca poderemos agradecer o bastante...

mas é melhor assim, só teríamos atrapalhado vocês.

Lamento que tenha tido esse trabalho e esse gasto, papai. Devíamos ter dito antes.

- E já compraram? - Praticamente, depositamos no domingo.

- Entendo. - O que é, Kay? Têm uma casa?

Eu não sabia que você tinha condições de comprar.

- Sim, o banco aceitou uma hipoteca. - Uma hipoteca!?

Qual é o problema de uma hipoteca? Eu tive uma há uns anos.

Vamos falar sobre a casa, Kay, onde é?

- É num bairro novo e é linda, né? - Sim.

Tem o tamanho certo para podermos cuidar dela e tem um pequeno jardim...

para o bebê... E Bob e Lis compraram a casa vizinha.

- Está mobiliada? - Não, mas podemos comprar...

Não, não deve mover um dedo, não deve fazer nada...

- vou me encarregar disso... - Bom...

Ellie estava de volta.

Nas semanas seguintes, eu ia à nova casa buscar a Ellie...

ela fazia hora extra.

- Olá, papai. - Olá, filha.

- Bem, como está? - Maravilhosa, venha ver...

- Você está ótima. - Obrigada, papai.

- Não, não entre, fica ao ar livre. - Já estou bem.

- O que foi? - Ah, o cheiro da tinta.

O cheiro ainda está forte. Fica com ela até o Buckley chegar.

- Ele chegará logo. - Vamos sentar à sombra.

Me sinto tão culpada. A mamãe trabalha tanto...

Bobagem, isso é o que a mantém viva. Onde nos sentamos?

- Que tal ali? - Perfeito.

- O que acha da casa, papai? - Acho ela boa.

Os Hart a adoravam, acho que não se mudariam se não fosse pequena para eles.

Isto deve ser do filho deles, vou enviar-lhes.

Papai, como você se sentiu quando teve seu primeiro filho?

Mudou alguma coisa entre a mamãe e você?

- Quero dizer, como você se sentiu? - Me senti bem.

- Quero dizer, de verdade? - Ah, estava bem.

Um pouco rejeitada no começo, sua mãe me mimou durante um ano...

e de repente você chegou e roubou as atenções.

- Você deve ter me odiado. - Não, também não foi pra tanto.

Acho que o pior momento foi a primeira noite que te levamos para casa.

Lembro que te levamos para casa, demos a comida às seis e te colocamos para dormir.

Depois fomos uma dúzia de vezes ver como você estava. Se estava quieta...

temíamos que havia morrido, se chorava queríamos saber por que.

Aquela noite não pude dormir pensando... No que tínhamos nos metido!?

Éramos felizes, livres como o ar...

e agora estávamos aprisionados. Presos a 40 cm de pessoa chorona.

- Todos os pais se sentem assim? - Não saberia dizer.

Lembro que no dia seguinte você acordou com o sol, gritando.

Sua mãe foi esquentar sua mamadeira e eu fui tentar de acalmar.

Eu pus meu dedo na sua mão e você agarrou... Agarrou com tanta força.

Desde aquele momento, você me conquistou.

Espero que aconteça o mesmo ao Buckley.

Deve dourar a pílula um pouco. Faça-o sentir que ainda é parte da família.

Obrigada, papai.

- Chegou. Olá, querido! - Como está?

- Olá, como está? - Bem, obrigada.

- Que maravilhas fizeram hoje? - Vai ver amanhã, agora a leve...

- ou se atrasarão para a festa. - Mas mamãe, Buckley quer...

Não se preocupem, seu pai e eu trancaremos a casa. Se divirtam.

- Está bem, tchau. - Tchau, papai.

Stan, vem aqui, quero te mostrar uma coisa. O que acha desse verde?

Não é um tom ótimo? Vamos usá-lo aqui, no salão, em vários lugares.

Acho que fará a casa parecer maior, como as cortinas. Foram uma barganha.

Dentro do orçamento deles. Olhe. Tem o bastante para as janelas.

Este é para o quarto. O preço foi ótimo, bem dentro do orçamento...

Foi tudo maravilhoso, só tem uma coisa errada...

Não fiz nada no quarto do bebê. Tenho vontade de chorar.

- Qual é o problema? - Herbert está fazendo.

Ele ficou tão chateado de que eles não morariam juntos e disse que...

o mínimo que podiam fazer é deixá-lo mobiliar o quarto do bebê. Ele vai dar...

cama, moisés, biombo, armário, provavelmente tudo em ouro de lei.

- E o que nós vamos dar ao bebê? - Stan...

Por que está tão surpresa? Achou que ia deixar o bebê sem presente?

Sim, tem algo, hoje eu vi uma coisa que seria um presente maravilhoso.

Se coloca na janela para manter o ar puro e a temperatura adequada.

- Sério? - É bonito, moderno, um pouco caro.

- Como se chama isso? - Não sei, mas ocupa pouco espaço...

- Onde viu? - No centro da cidade.

Ele regula aqui, controla o ar e a temperatura o tempo todo.

Não entra pó, fuligem, pólen. Ótimo. A ideia foi da Ellen, queria poder...

ter comprado uma pro Tommy, ele não teria problema nas adenoides.

Sim, maravilhoso. Veja aqui, quero te mostrar, você liga aqui e deixa...

perto do berço e pode sair e fechar a porta. Se o bebê chorar ou mesmo se...

tiver qualquer alteração na respiração, você escuta em qualquer lugar da casa.

- Sim, eles vão gostar. - E aqui tem um conjunto de...

banheira e trocador. Do tamanho certinho.

- E o que é isso, Herbert? - É para o bebê se acostumar.

- Ele irá estudar lá um dia. - Ah, ele vai?

Sim, na verdade, já o matriculei para o curso de 1973.

- Estudei em Darmouth. - Também é boa.

Agora, olhe essa banheira, veja a altura dela.

Também é boa!?

Boa!? Ganhamos de vocês no futebol em 1947, 1948, 1949...

e os vencemos por cinco anos consecutivos no hóquei...

e nossa equipe de boxe é a melhor que já se viu na história!

Querido, Ellie acaba de fazer café.

Boa... É a observação mais engraçada que você poderia fazer.

- Escuta, Stanley... - E da última vez que...

Bem, o que achou do quartinho do bebê? Não é uma graça?

- Sim, sim. - E o melhor é que ele vai usar...

tudo quando for maior, como as estantes. Agora vai guardar seus brinquedos...

mas depois pode guardar suas raquetes de tênis.

Ellie tinha razão, eles se apoderaram do bebê antes dele nascer.

Obrigada, querida.

Não é um belo disco, pai? Doris me deu de presente.

- O álbum inteiro. - Eu lembro que escutava música clássica...

quando esperava o Buckley. Acho que por isso ele assobia bem.

- Você já escutou ele assobiar? - Não, não ouvi.

- Então deve pedir a ele algum dia. - Sim, vou. Certamente que vou.

A propósito, filho, como vai se chamar esse bebê?

Estamos discutindo bastante isso.

Nós reviramos listas telefônicas, dicionários, livros infantis...

Encontramos alguns nomes que nós dois gostamos.

Sentem-se. Sentem-se.

Se for menino, pensamos em Andrew.

- Andrew? Por que Andrew? - Bem, tem Andrew Jackson e Andrew...

- Nordell, meu médico. - E nós gostamos do nome Andrew.

- E também gostamos de Jonathan. - Não, Jonathan não.

Também pensamos em Michael. É um nome bonito.

Ah, não... Eu estudei com um Michael e ele cheirava mal.

Mas, Ellie, só porque seu Michael cheirava, não quer dizer que todos Michaels cheiram.

Sabe que nome eu adoro? Desde que li Mulherzinhas...

Lawrence Loy, lembram como ele era gentil?

Que tal Timothy? É bonito. Gosta do nome Timothy, Kay?

- Bem, eu... - Ellie, eles deixaram claro que...

já discutiram esse assunto, por que sugerir mais nomes?

E o que escolheram são ótimos. Jonathan, Michael, Andrew, são...

- todos nomes maravilhosos. - Mas têm que pensar se o nome...

combina com o sobrenome. Andrew Dunstan não soa muito bem.

Stanley, eles ainda não decidiram nada, precisam da nossa ajuda.

Posso interromper? Acho que estão errados. Devem usar um nome da família.

Tem razão. O primeiro neto deve ter o nome do avô paterno, não é?

Não foi isso que eu quis dizer. Estava pensando no meu bisavô Malcolm.

Ou, talvez, o tio Wilbert.

Bem se estamos falando de nome de família, que tal Stanley?

Stanley Dunstan, isso deve satisfazer a todos.

- Bem, nós pensamos nisso. - Não, não...

- Um Stanley na família é suficiente. - Tem razão. Que tal Cornelius?

Também é um nome da família. Também tem Gregory, Dexter, David...

Também tem nomes maravilhosos na minha família. Milo e Fennington.

Fennington, esse é bom, seria um nome bonito.

Só falamos de nome de menino. E se for menina? Tem que ter nomes para menina.

Não se preocupe. Os Dunstan sempre têm meninos.

Não estou preocupada. Quero que seja menina. Eu gosto de meninas.

- Onde vai, querida? - Pensei em lavar a louça. - Não, eu lavo.

- Mãe, deixa eu lavar a louça. - Já trabalhou muito, precisa descansar.

- Acho que trabalhar um pouco faz bem. - Acho que deveria ter uma empregada.

Sempre achei que ela deveria ver nosso médico da família.

Nós também queríamos que ela fosse no nosso médico.

Qual é o problema com meu médico? Ele é ótimo, maravilhoso.

Ele me disse para não ligar... Ninguém parece se dar conta de que...

esse filho é meu. Meu e do Buckley. O que pensam... Do jeito que falam...

Pois saibam que terei meu bebê do jeito que eu quiser.

Bem, agora que conseguimos deixá-la histérica, que tal irmos para casa?

- Vou pegar as coisas. - Vamos.

- Obrigado! - Papai?

- Nós já vamos para casa, querida. - Por favor, entre, papai.

Entre, eu levo isto.

Papai, foi terrível, horrível! Nunca me perdoarão.

Ah, querida, nós merecíamos muito mais que isso.

Não é você, você nunca interfere. Mas os outros, os pais de Buckley e...

a mamãe! Eu estou fazendo muito, eu estou fazendo pouco...

Ela quer uma menina, eles querem um menino. De um jeito ou de outro...

- alguém ficará desapontado. - É, o que você tem que fazer é...

ter gêmeos, um de cada sexo.

Se não fosse por você, papai. É o único com bom senso.

Não, não sou melhor que os outros. Mas já te digo que não vai se repetir.

Não voltaremos a te perturbar assim. Pode acreditar.

- Obrigada, pai. - Descansa, a partir de agora...

- as coisas serão do seu jeito. - Não vai permitir que perturbem o...

- doutor Nordell, né? - O que quer dizer?

Os Dunstan queriam ir ao hospital para falar com ele, não vai deixar, né?

Claro que não, que bobagem, é seu médico, você confia nele, tem fé...

ninguém tem direito de destruir essa confiança.

Obrigada, pai, não é culpa deles na verdade.

Só acho que eles não compreendem o novo jeito de ver as coisas, porque, afinal...

é como disse o doutor Nordell, o nascimento é algo natural, glorioso.

E você quer estar consciente o tempo todo para não perder nada disso.

Ele acredita que uma mulher precisa estar consciente da maravilha...

que lhe está acontecendo. E mais uma coisa, ele acredita que a mãe...

não deve ser separada do bebê no segundo seguinte ao nascimento.

Ela deve levá-lo consigo até seu quarto e mantê-lo ao seu lado.

Dormir juntos no mesmo quarto do hospital.

- É uma novidade, né? - Não é novidade, as primitivas...

faziam assim. O doutor Nordell esteve no Pacífico e disse que as mulheres...

de lá nunca se separam dos bebês. Carregam eles nas costas nos...

dois primeiros anos de vida e disse que é ótimo para o bebê.

Disse que se dependesse dele, todas as mães fariam isso.

Carregariam os bebês nas costas enquanto fazem trabalhos domésticos...

e quando ele tiver fome, gira ele para frente, dá de mamar...

e depois gira ele para trás de novo. Disse que assim o bebê adquire...

um maravilhoso senso de segurança.

Querida, você... Você está segura que esse médico...?

- Pai, você vai começar também? - Não, não...

Doutor Nordell é maravilhoso! Uma eminência! É... maravilhoso!

- Querida, estou certo que ele é. - Obrigada, papai.

- Agora dorme e descansa. - Está bem.

- Boa noite, papai. - Boa noite, querida.

O doutor Nordell já irá atendê-los, sentem-se.

Obrigado.

Não gosto disso aqui. Achei que ontem nós decidimos com os Dunstan...

que não nos envolveríamos mais nos assuntos deles.

Não deixarei que minha filha passe dois anos com a cria nas costas.

Acho que isso é metafóricos, não é para levar ao pé da letra.

Quero ter certeza.

- Bom dia. - Bom dia.

Estou feliz que tenham vindo, agora conheço a família toda.

O senhor e a senhora Dunstan vieram essa manhã.

- Vieram? - Bem preocupados, pensavam que Kay...

estava trabalhando muito, mas acho que os convenci de que ela está bem.

- A filha de vocês é maravilhosa. - Obrigado.

- Perdão... Sente-se, senhora Banks. - Obrigada.

- Bem, em que posso servi-los? - Na verdade, minha mulher também...

estava um pouco preocupada, sabe como são as mães, e é sua única filha...

então pensei que seria melhor trazê-la para conversar com o senhor.

Muito sensato. O que te preocupa, senhora Banks?

- Na verdade, eu, eu... - Na verdade, é a coisa toda, não?

Quero dizer, toda essa coisa de natural.

Só quero que ela não tenha medo.

O medo da dor pode produzir dor. Mas se ela entende todo o processo...

Se confia em mim, se sabe que estarei ao seu lado para ajudá-la em tudo...

e tem fé em mim, ganhará muito, não acha?

- Sim. - Depois do parto...

com o bebê ao seu lado, quero convencer as mães a voltarem...

a cuidar de seus filhos, que lhes deem de mamar, que os banhem, que...

fiquem com eles e não com uma babá. Sei que isso dará muito trabalho a...

sua filha, mas a recompensa é grande, tanto para o bebê como para Kay.

Vê, Ellie, toda preocupação para nada.

Obrigado, doutor. Muito gentil de sua parte nos dar seu tempo.

Sou eu que agradeço, se vocês estão comigo, tudo será bem mais fácil.

Certamente estamos com você.

- Muito obrigada. - Tem nossa confiança.

- Vamos, Ellie, o doutor tem trabalho. - Adeus.

Durante um ou dois meses tudo foi tranquilo, muito tranquilo.

Deveria saber que era a calma que precede a tempestade.

Ellie, atende, é o telefone.

Alô? Alô?

Buckley!

Mas Buckley, sabe que horas são? 2h45.

- Perdão, não percebi. Kay está aí? - Kay? Claro que não!

Por que estaria? Oh...

Buckley, vou atender lá embaixo, não desligue.

Alô? O que quer dizer com isso?

Pensei que se ela estivesse aí, eu poderia pegá-la, se estivesse aí.

- Quando ela saiu? Que horas saiu? - Não sei, saí por umas horas...

- voltei agora pouco. - O que foi, brigaram?

- Vocês brigaram? - Sim, uma discussão.

- Se acontecer algo, eu me mataria. - Não se preocupe, me encarrego disso.

Você a procurou? Ela levou alguma coisa?

A caixa de chapéu, guarda-chuva, bolsa, escova de dentes e...

Não se preocupe, se ela levou a escova, não pensa em jogar no rio.

Ligou pra mais alguém?

Então devia ligar.

Já vou aí.

- Notícias? - Não.

- Ligou para as amigas dela? - Todas em que consegui pensar.

E aos hotéis. Não posso esperar mais, vou ligar para a polícia.

Não, espera, ainda não. Talvez possamos pensar em algo.

- Ela levou o carro? - Não.

Passa algum ônibus aqui esta hora?

- Não. - Alguma amiga que poderia buscá-la?

- Perguntei a todas. - Então deve ser um táxi, número?

Fair View 6... Fair View 6-1-9-0-8.

Mas é inútil, me disseram que só dariam informações à polícia.

Disseram que fazem isso porque muitas mulheres querem deixar seus maridos.

Ela levou bastante dinheiro?

Acho que não. Eu lhe dou dinheiro, mas ela gasta.

- É a primeira vez que ela te deixa? - O que quer dizer com isso?

Vamos, filho, também sou casado, ela nunca fez isso antes?

Não, ela me trancou pra fora algumas vezes, mas foi só.

Ouça, sei que é contra o regulamento, mas eu apreciaria sua ajuda.

Vocês receberam uma chama esta noite da Rua Adams, 324?

Escuta, já te disse que é contra o regulamento.

Entenda, não sou um marido... Sou um pai.

Ela está grávida e sabe como elas ficam nestas condições.

Se você ficasse comovido, eu te agradeceria.

Bem...

- Sim, houve uma ligação. - Aonde a levaram?

Obrigado, muito obrigado. Não esqueceremos.

- Aonde ela foi? - Pra casa.

Pra casa? Como pode ser? Aqui é a casa dela.

Desculpe, quis dizer minha casa. Vamos.

- Esperarei aqui. - Você quer que ela volte ou não?

- Sim. - Então deve ir buscá-la.

É a primeira lei do casamento, não espere que uma esposa com...

amor próprio volte para a casa sozinha.

Acho que não quer contar por que brigaram.

- Prefiro não dizer, se não se importa. - Certo.

Não sei se sabe, mas sua filha tem um temperamento terrível.

- Desculpe. - E se comporta como uma criança.

Deve amadurecer. Deve entender que não pode ir à sua casa toda vez...

que acontecer algo que ela não gosta.

E o que quer que eu faça? Arrume a mudança?

- Olá, papai. - Olá.

Se você esqueceu a chave, por que não tocou a campainha?

Não queria acordar você e a mamãe.

Só precisava de ar fresco.

Bem, você tomou bastante já, vamos.

Primeiro, quero que saiba uma coisa. Deixei o Buckley. Para sempre.

Quero que diga à mamãe, para ela não se alterar. É inútil. Acabou.

- Prefiro não falar disso. - Está bem, faremos sua vontade...

e agora venha, vou preparar seu antigo quarto.

Papai, por que tinha que terminar assim? Tudo estava tão bem...

Eu era feliz e todos eram tão amáveis comigo.

Mas demora muito, se prolonga demais. Estou feia agora... Desajeitada.

Querida, não sabe que tem uma beleza agora que nunca teve antes?

Sei como estou. Pesada, pateta. Não consigo fazer nada...

do que eu costumava fazer.

Agora que eu preciso mais dele, eu perco, ele não me ama mais.

Não deve pensar isso, ele te ama mais do que nunca. Está preocupado.

Ele acaba de me dizer que se te acontecer algo, ele se mataria.

- O que quer dizer? Ele te ligou? - Está aí dentro agora.

- Suponho que tenha te contado tudo... - Nada, só que discutiram.

Discutimos? Que maravilha. Sabe o que é de verdade?

Há outra. Ele encontrou outra. Ele sai toda noite e me diz que...

vai trabalhar, mas não é verdade. Liguei para lá e ele não estava.

Se apaixonou por outra.

Querida, não, por favor, não chore.

Falaremos disso amanhã, agora precisa descansar.

Vou mandá-lo embora.

Ela está com sono, não falaria com ela no estado em que se encontra.

- Ela falou por que brigamos? - Sim.

Quero dizer uma coisa. Não é verdade, nenhuma palavra.

Tenho trabalhado à noite. Afinal, vamos ter um bebê e eu quero dar...

Ela disse que telefonou duas vezes e ninguém atendeu.

Acredita, deve ter sido quando saí para tomar um café...

falei para ela isso várias vezes, ela não acredita em mim.

Deveria ter bom senso e não discutir com ela, sabe que não está fora de si.

Eu também...

Até pensei que outro podia ligar... mas se ela não quer acreditar...

que trabalho como um escravo...

toda noite para ela e o bebê, se não acreditam em mim...

então, não importa, acabou de qualquer forma. Terminou!

Acalme-se, discutiremos isso amanhã, depois de dormir um pouco.

Certo, não tenho mais nada a dizer. Posso telefonar para um táxi?

Vou te levar para casa, assim que levar Kay ao quarto.

Obrigado, prefiro pegar um táxi.

Como quiser.

- Ele está chamando um táxi. - Suponho que tenha negado tudo.

- Me contou a versão dele. - E você não acreditou, né?

- Querida, só sei que ele te ama. - Não, não é verdade...

não me ama e não se importa se estou viva. Não devia ter me casado.

É um pouco tarde para isso. Vamos, querida, deve descansar, vamos!

Desculpe-me se interrompo, o telefone não funciona.

Que absurdo! Não funciona?

Alô? Alô, operadora?

Leve-o para casa, papai, posso me arrumar sozinha.

Não deve carregar peso, você sabe. Eu levo as malas para cima.

Não precisamos de sua ajuda, não é, pai?

- Não, eu levo. - Não tem um quarto aqui embaixo...

- para eu usar? - Tem um divã na sala...

se quiser dormir lá, vai achar um pouco duro.

Sabe que não deve ficar subindo e descendo escadas. Ela deve beber...

oito copos de água por dia, ela esquece, então se puder lembrá-la.

- Vou tentar. - E o exercício. O doutor Nordell quer...

que ela ande duas ou três horas diárias, divididas pela manhã e pela tarde...

Geralmente, passeamos pela noite. Deve dormir às nove e meia.

Vou tentar lembrar de tudo.

E os comprimidos de cálcio, você os trouxe, Kay?

- Não, me esqueci. - Vou para casa buscar.

- Não pode trazer de manhã? - Dou ao seu pai quando me levar...

- E os sapatos. - Não, deixa.

Sabe que não consegue fazer sozinha.

Buckley, o que está acontecendo conosco?

Não sabe? Vamos ter um filho.

Stanley, Stanley!

Hora de levantar.

Acorda, dorminhoco.

Com os dias passando sem que acontecesse nada, aumentava a tensão.

Buckley vigiava Kay como se ela fosse uma bomba relógio.

É nossa.

Que foi, Kay? O que aconteceu?

Que distraída! Tinha uma carta de copas o tempo todo. Não sei no que pensava.

Chegou novembro e o grande acontecimento se aproximava...

estávamos com o coração na mão.

- É o telefone? - Não, querido.

Bem, vou tomar um ar.

Stanley.

Já que vai lá, quer levar isso para Kay?

Kay? Quem disse que vou lá?

Nunca pude enganar a Ellie, mas esperava que pudesse enganar a Kay.

- Stanley! - Olá! Olá!

- Olá, papai. - Oi, não está uma noite bonita?

Bem estrelado! A mamãe me mandou te dar isto.

- Obrigada. - Pode abrir, não se preocupe conosco.

- Deixa eu guardar seu casaco. - Não, pode deixar.

- Ao menos, deixa eu te ajudar. - Certo.

Que bom que veio hoje. Ela está meio deprimida.

- Aconteceu algo? - Ela está nervosa. Fale com ela.

- Oh, é uma graça. - O que é?

É um mantinha linda, não é linda?

Vai deixar todo mundo boquiaberto quando sair do hospital.

Vou colocar na mala.

Kay, agora que seu pai está aqui, vou comprar cigarros.

- Não vai embora já, não é? - Não, vou ficar um pouco.

Não vou demorar, fique até eu voltar.

- Você está ótima. - Eu me sinto bem, mas o Buckley...

queria que você falasse com ele, está tão nervoso.

- E por que está nervoso? - Ele tem medo que algo dê errado.

Não devia pensar nisso. Não posso dizer que será fácil pra você...

Mas sei que quando chega a hora, as mães parecem ter uma coragem...

- e uma energia inesperada. - Espero que sim! Espero que sim!

E se algo sair errado, os médicos e os cientistas trabalharam...

centenas de anos para que você e seu filho estejam seguros.

Nada vai dar errado. Você sabe disso, não é?

Eu sei.

Papai, quero que seja logo.

Vai ser logo.

Tenho certeza de que quando tiver seu bebê nos braços, tudo valerá a pena.

Como sou boba. É como a primeira vez que me levou ao dentista.

Todas noite deixávamos nossas roupar prontas para colocá-las rapidamente...

como se fôssemos parte de uma brigada de incêndio...

para sair correndo ao toque do alarme.

Pode ser a qualquer momento agora, né?

Acho que sim, mas pode demorar umas duas ou três semanas.

Não posso viver assim mais duas ou três semanas.

- Alô? - Desculpe-me por acordá-los, mas...

acabei de trazer a Kay ao hospital. Não sei de nada, está com o médico.

Estamos indo!

Stanley, não faça isso, tem que se vestir direito, não sabemos quanto...

tempo ficaremos lá. Colocou o barbeador no bolso?

- Barbeador? - Sim, o barbeador elétrico...

assim poderá se barbear em qualquer lugar. E uma camisa limpa.

Quer acordar o Tommy? E vamos telegrafar ao Ben...

podemos ligar pra ele. Tenho que dizer a Delilah que prepare...

um bom café da manhã, caso o bebê nasça...

- Por que demorou tanto? - Estava me vestindo...

tive que pegar meu casaco. Eu vou dirigir.

- Não, não, eu vou. - Se não formos rápido, ele vai nascer.

Ele vai nascer e não vamos chegar lá, se você dirigir.

Não corre tanto, Ellie, estamos na zona urbana.

Ellie, diminua um pouco.

- Ellie, pelo amor de Deus! - Eu tinha a preferência.

- Olha para a rua - Arruma essa gravata.

Ellie, gasolina!

Vamos, encoste aqui, deixa eu dirigir, vamos.

- Stanley! Tenha cuidado. - Não podemos passar, um trem!

Tente relaxar, está me deixando nervosa.

Sabe o que fez? Você infringiu todas as regras de trânsito.

Andou na contramão, passou o sinal vermelho, ultrapassou a velocidade...

Eu sei, mas isso é uma emergência.

Pela primeira vez na vida, eu desejava a presença de um policial.

Estaciona, Stanley.

Mas o que é isso? O que aconteceu?

Não aconteceu nada. Foi um alarme falso.

Desculpe-nos por fazê-los vir até aqui.

- Não foi nada. - Boa noite, querida.

- Boa noite. - Desculpa.

O carro cinza que está aí é de vocês?

- Sim, senhor. - Tem algo errado, policial?

Sim, ele está estacionado em frente ao hidrante.

Depois de uma semana, a tensão era maior que minhas forças...

decidi tomar remédio para dormir.

- Alô, já vamos. O quê? - Ele já está aqui, é um menino!

Chegou há meia hora. Kay está bem, o médico disse que está tudo certo.

Maravilhoso! Maravilhoso!

Dê-lhe um abraço de nossa parte.

Ellie, lembre-me de te dizer algo pela manhã, certo?

Dizer o quê, Stanley? Stanley, acorda.

Dizer algo sobre a Kay? Stanley!

- É um menino. - Stanley, é maravilhoso.

Eu me perguntava se eles estavam loucos ou eu estava.

Ele me parecia um velho Matusalém. Só faltava o chapéu coco.

- Tchau, garoto. - Tchau, amiguinho, até breve.

- Viu como ele sorria? - Um encanto! Achou ele parecido com quem?

- É igualzinho à Kay. - Igual à Kay?

Está errada, Ellie, é um Dunstan completo.

- Como se chama? - Quer dizer o nome dele?

Acho que os pais pensavam em colocar Herbert, não é?

- Sim, talvez - Herbert, não é maravilhoso?

Espero que não se importe. Já que é o avô materno não...

Não, claro que não. Na verdade, acho que Herbert lhe cai bem.

Sim, eu também.

Ele parecia mais bonito quando Kay o levou para casa.

- Perfeito. - Olhe, já viu alguma coisa...

tão bonita? Já tiraram uma fotografia dessa preciosidade!

- Quando será o batizado? - Em uns seis meses.

Queremos esperar o padre Gatsworthy. Papai, vem tirar uma foto com o bebê.

- Oh, não... - Todos já tiramos uma.

- Ah, vamos papai, só uma. - Senta aqui. O que acha? Está bem?

- Tudo pelo bebê. - Segure-o.

Não, não me dê o bebê, sente-se ao meu lado.

- Vamos, sorria para seu avô. - Vejam, é inútil...

Rápido, só para tirar a foto.

- Vire-o para a câmera. - Vamos, assim...

Não... É... Veja...

Pegue-o, por favor. Pegue-o.

- O que foi, meu amor? - Stanley, o que fez ao bebê?

Mas que pergunta! Não fiz nada.

Ele deve estar cansado, devemos ir.

Por falar nisso, fiz isso para você. É um histórico fotográfico do bebê.

Desde o nascimento. Olhe, veja isto. Espere, olhe esse aqui...

e aqui... Não é incrível? Ele muda todo dia!

- Não para mim. - Vamos, Herbert?

Aqui, guarda e mostre aos amigos.

- Adeus, querida. - Adeus, Doris.

Adeus, Stanley, e cuida bem de nosso grande garoto.

- Vamos, Doris. - Vamos.

- Que tal uma grande dose. - Papai?

- Sim, querida? - Venha, ele está calmo.

Não, é inútil, entenda, não...

Papai, ele não chorou por sua causa, tinha tanta gente que se assustou.

Vamos.

Bom menino, vai sorrir.

Vem. Tudo está bem agora. O bebê não está com medo.

Não é, meu amor? E agora tem um homem bom aqui e você vai dar...

um grande sorriso, porque é um bom menino. Veja quem está aqui.

Quem é este homem? Quem é? É seu avô?

Oh, querido, é uma criança terrível.

- Que aconteceu? - Nada, só olhou para mim.

Estranho, é tão alegre. O médico disse que nunca tinha visto um bebê tão alegre.

Com certeza.

E não é porque é um homem, ele sorri bastante com o Herbert.

Papai!

- Bem, vamos, Ellie. - Pai! Queremos nos desculpar.

Lamentamos ter sido antipáticos. Agora, diz que nos perdoa.

- Vem. - Bem.

- Vamos, querido, sorria para seu avô. - Não chore, querido, ele já foi.

Sabe, acho que é sua gravata. Se tirasse a gravata...

Não vou tirar a gravata. Ela é bonita e eu gosto.

Foi presente do Tommy e não vou tirar só porque ele não gosta.

Stanley, que jeito de falar, ele é um bebê, um bebê inocente.

- Ele não sabe o que o perturba. - Ele não é tão inocente.

É um indivíduo com gostos e desgostos. E, como tal...

respeito seus direitos. Também me reservo o direito de ter...

meus gostos e desgostos.

Daquele momento em diante, me distanciei dele.

Nossa relação era apenas viva e deixe viver.

Até que, um fim de semana, 6 meses despois.

- Aqui é a casa dos Banks? - Sim, mas...

- Olá, obrigada. - De nada.

- Bom dia, senhor Banks. - Até amanhã.

Meu temores se concretizavam. Ele invadiu a santidade de meu lar.

- Olá, papai. - Olá, Kay.

Você tem um visitante. Tudo bem? Não se importa?

- Não, estou encantado, encantado. - Que bom, papai.

É que começaram mal. Pensei que deixando-o aqui uns dois dias...

- Sozinho? - Não estarei aqui, vou para Boston.

Buckley tem que ir ver o senhor Welford...

gerente de abastecimento e quer que eu o acompanhe. Disse que não podia...

deixar o bebê, mas a mamãe disse que era pra eu ir, que ela cuidava.

Papai, sei que vai amá-lo, assim que o conhecer melhor.

É estranho... Ah, meu táxi, tenho que correr.

Se ele se comportar mal, tem permissão para repreendê-lo.

- Adeus, adeus, mamãe! - Tchau...

Stanley, é você?

- Sim, sou eu. - Que coisa maravilhosa!

- Achei que esse dia nunca chegaria. - Sim... A Kay me disse.

Venha vê-lo! Rápido!

Está um pouco desorganizado.

Bem, onde está? Não quero pisar nele.

Na gaveta da sua cômoda, ali.

Mas o que é isso? Isso só se usa em ocasiões especiais!

O que está fazendo com isso? Mas... Onde vamos parar?

- Veja isto. - O que fez, Stanley?

- Ele estava usando meu lenço. - Está bem, estava limpo...

não foi nada, não é, querido?

Ele tinha que estar nessa gaveta, com todas as minhas camisas?

Eu tirei as camisas, coloquei ali, pode colocar de volta agora.

Que lindo! É maravilhoso ter um bebê nos meus braços de novo.

Que é o menino mais bonito do mundo?

- Olha estas camisas. - Quem vai dormir nessa cama boa?

Mas... Ele vai dormir neste quarto?

- Não, no quarto do Tommy. - E onde o Tommy vai?

No quarto do Ben. Quero tê-lo perto caso ele chore. É um bom menino...

mas pode estranhar a casa e sem a mãe nem o pai, mas será bonzinho.

Lamento não poder ir à casa dos Dixon, mas você irá de qualquer forma.

Telefonei ao Rudy e disse que ia sozinho.

- Eu também não vou. - Ah, não, Stan.

Não irei sem você, são seus amigos.

Isso é ridículo. Não tem nada para jantar, só um pouco de cordeiro frio.

- Onde está Delilah? - Arrumando o quarto da Kay.

- Quem vai dormir lá? - Você.

- Ah, não... - É o único quarto onde você...

não escutará o bebê e eu prometi à Kay que você não seria incomodado.

- Tudo pronto, senhora. - Sim. Delilah, pode esterilizar isto?

- Use o caldeirão. - Não precisa me dizer. Eu lembro.

Senhor Banks, não é maravilhoso ter um bebê na casa outra vez?

Maravilhoso. Maravilhoso! Magnífico.

Durante toda a semana, desejei a chegada do domingo.

Sem despertador, sem trem para pegar, sem escritório...

Nada para interromper o sono.

Não resisti em trazê-lo aqui, ele é tão lindo.

- Que horas são? - Seis.

- Seis? - Bem, volte a dormir, querido.

Fala "tchau". Tchau.

Não.

Domingo à tarde, tinha planejado jogar uma partida de golfe...

mas Ellie pensou que o bebê e eu devíamos ficar juntos.

Quarenta e cinco minutos depois, ele finalmente dormiu.

Aqui está sua bola!

- Vou te pegar. - Meninos, aqui.

Agora, parem, vamos.

Anda, vamos jogar...

Eram crianças simpáticas, eu estava me divertindo.

- Muito bem, meninos. Adeus! - Fica, senhor.

Foi um bom jogo.

Não sabia se devia contar à Ellie. Ela provavelmente pensaria que...

eu estava louco, jogar bola com um monte de crianças.

Aonde vai com meu...?

Perdão.

De repente, me ocorreu que talvez Ellie o tenha pegado.

Não vim de trem, peguei o avião. Fiquei com saudades do bebê.

Onde ele está? Não deveria estar em casa?

Não se preocupe, está com seu pai, está seguro. Deveria ter visto...

Para o departamento de polícia. Rápido!

Olá, alguém aqui? Tem alguém?

Policial, alguém sabe de um bebê? Eu perdi um bebê.

- O bebê é seu? - Não, é meu neto.

- Onde o perdeu? - No parque, estava no carrinho...

deixei por um segundo e, quando voltei, tinha desaparecido.

- Disse que o deixou por um segundo? - Talvez um minuto ou cinco.

Umas crianças estavam jogando futebol, eu fiquei olhando, me empolguei...

- Esqueceu seu neto? - Sim, por um momento...

Que maravilha! Lhe dão um bebê para tomar conta e você esquece.

O que acontece? Tem falta de memória?

Calma, isso não é jeito de falar. Não me ouviu que eu perdi um bebê?

Por que não faz algo?

Dê a notícia na televisão, descreva o bebê, tem cinco meses, não... Seis.

Estava usando um... Bem, coisas que bebê usam, um gorrinho, acho.

- E de que cor são os olhos? - Marrons, azuis, não sei...

- Mas tem certeza que é um menino? - Sim, mas por favor, não te culpo...

me diga, já falei para mim mesmo. Minha filha está em casa esperando...

pelo bebê, não sei o que fazer. Estou ficando louco, farei o que...

puder, colocarei uma recompensa. Se você quiser me ajudar.

Por acaso, encontramos seu bebê.

- Graças a Deus. - Mas não foram cinco minutos...

- foi quase meia hora. - Sim, senhor. Está aqui?

Um momento. Qual é o número de sua filha? Preciso de confirmação.

Não, por favor, não faça, eu imploro. Não poderia encarar minha filha.

Prometo que farei qualquer coisa se me entregar o menino. Levarei direto...

- para casa, sem distrações, prometo. - Falarei com os meus homens.

Eles gostaram do bebê. Se soubessem que você não o trata bem...

não sairia daqui vivo.

Certo, homens, vieram buscá-lo.

Temia o momento em que ele me veria. Sabia que se começasse a chorar...

eu ficaria mal. E rezei: "que não chore, que não chore"...

"só desta vez, que não chore".

Vamos, filho, vamos para casa.

Vamos. Bem...

Que menino! Este é meu menino!

Desde aquele momento, me conquistou.

O dia do batismo chegou afinal. O bebê era o centro de um...

pequeno mundo reunido para este acontecimento solene.

Eu não podia deixar de pensar que cometíamos um crime ao dar...

o nome Herbert a uma pobre criatura indefesa.

"Deixem vir a mim as crianças; pois delas é o Reino dos Céus."

É engraçado que me irritava a ideia de seu nascimento...

quando a Kay nos anunciou. Lembro-me de ficar furioso...

com os dois por me transformarem em avô.

Parecia que era o fim da minha vida, e agora não imaginava a vida sem ele.

"A graça de Deus, nosso senhor, esteja com ele, agora e sempre."

Havia chegado o grande momento. Todos prendíamos a respiração...

Como ele se comportaria?

Se assustaria quando o padre Gatsworthy o pegasse? Choraria?

Não... Para ele, o padre era apenas outra cara para explorar.

- Nomeie essa criança? - Stanley Banks.

"Stanley Banks, eu te batizo em nome do Pai, do Filho...

e do Espírito Santo. Amém."

"Recebemos esta criança no rebanho de Cristo..."

Stanley Banks, meu neto, meu primeiro neto.

Legenda: Melina Sincronização: Piacente

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