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Original subtitles

NORTE e SUL Volume 1

Fico contente por te ver tão animada.

Deves estar a sentir-te melhor.

Não estou doente, muito obrigada.

Foi só uma ligeira febre-dos-pântanos, mas agora estou bem.

Muito bem. Bem o suficiente para ir andar a cavalo com o Forbes LaMotte.

O teu casamento é já daqui a semanas.

Pensava que passarias todo o teu tempo com o James.

Afinal, é com ele que vais casar.

Só porque estou a dar-lhe a honra de entrar para a nossa família,

não quer dizer que tenha de passar os meus últimos dias de liberdade com ele.

Até parece que o casamento é uma prisão.

Não vai ser assim comigo e com o Billy.

O Billy Hazard é igual a todos os outros.

Sua tola. Acreditas nas mentiras que ele te escreve nas cartas dele,

sobre o quanto te ama e como quer casar contigo?

Ele também me disse a mesma coisa, outrora.

Só odeias o Billy porque ele agora quer-me a mim e não a ti.

Isso não é verdade, Brett. Estou a tentar proteger-te.

Afinal, és minha irmã.

Então tenta compreender que amo o Billy...

...e que vamos casar brevemente.

Claro que vão.

E vamos ter uma família grande e uma dúzia de filhos.

São mais doze do que eu vou ter.

Vê lá é se ele casa contigo...

...primeiro.

Se consegue ouvir-me, Mrs. LaMotte,

quero que saiba que estou aqui para ajudá-la.

Está segura. O seu marido está aqui. Está muito preocupado.

Farei tudo o que eu puder, mas tem de fazer o que eu disser.

Sim.

Tem que se obrigar a comer.

Fiz tudo o que podia para tentar convencê-la, doutor,

mas ela recusa-se, não é, querida?

Tentarei comer...

...alguma coisa...

...se o doutor me mandar.

Óptimo. Tem de seguir o meu tratamento à risca.

Muito descanso, chá quente e comida sólida quando lhe apetecer,

mas, mais acima de tudo, tem de beber o meu tónico de aipo todos os dias.

Certifica-se de que ela toma o medicamento?

Eu próprio lho darei à colher.

-E este quarto tem que ser arejado. -Com certeza.

Enquanto delirava, ela não deixou que ninguém entrasse para o limpar.

Vai recuperar, minha querida.

Nem acredito. Ela quase se matou à fome.

Após uma semana, a sua mulher habituar-se-á ao tónico de aipo.

Então, pode substituí-lo pela outra fórmula.

A que contém o láudano?

Sim. Pelo que descreveu do comportamento dela,

antes do colapso nervoso,

considero o tratamento altamente necessário.

Quem me dera que houvesse outra forma,

mas não sei de mais nada que lhe acalme os nervos.

Temo o que ela possa fazer a si mesma, se eu não tomar conta dela.

Claro. Compreenda que haverá sintomas:

fadiga, envelhecimento precoce, tudo devido a causas naturais,

ao stress e à tensão do dia-a-dia.

Mrs. LaMotte não precisa de saber que está a tomar láudano.

Só mais uma pergunta, doutor.

Durante quanto tempo pode este tratamento durar?

Indefinidamente,

mas receio que, depois de um tempo, ela não conseguirá viver sem ele.

Obrigado, doutor.

Tenha um bom dia, doutor.

Madeline.

Madeline.

Orry, que bom voltar a ver-te.

O que se passa? Mudaste de ideias quanto a ires-te embora?

Esperei por ti na capela, todos os dias.

Sei que é perigoso eu vir aqui, mas tinha de vir ver se estás bem.

Vai ter comigo amanhã. Tenho de saber o que se passa.

Lamento. É difícil de mais.

-Mad... -Orry.

Justin, vim falar sobre o casamento da Ashton.

É para a semana e como ainda não responderam...

Peço desculpa.

Tenho esperado para ver se a Madeline melhora para podermos ir.

Há alguma coisa que eu possa fazer?

Não, ela está a ser tratada por um médico.

Ele diz que não é nada de grave, apenas uma deficiência no sangue.

Uma daquelas maleitas misteriosas de que as mulheres padecem.

Acho melhor voltares lá para dentro, minha querida.

Já estás cá fora há muito tempo.

Esperamos que ambos possam estar no casamento.

-É de domingo a oito. -Vamos tentar ir.

Madeline, despede-te do Orry.

Adeus, Orry.

Senhoras e senhores, não se mexam, por favor.

Mil e um, 1002, 1003, 1004, 1005.

Obrigado.

Dão-me licença um segundo, minhas encantadoras senhoras?

Madeline.

Madeline?

Ainda bem que vieste.

Desculpa?

Por que me afastaste? Gostava que me dissesses o que foi que eu fiz.

Viste o meu marido?

Tenho que o encontrar.

Fala comigo. Deixa-me ajudar-te.

Não é preciso.

Então, deixa-me ver-te outra vez. Só mais uma vez.

Não, isso é impossível.

Madeline, não vou desistir.

Por favor, deixa-me em paz.

É claro que o James me falou do seu interesse pela política,

mas ser chamado para ajudar no movimento de secessão...

...bem, não fazia ideia de que ia casar com alguém tão poderoso e importante.

Enquanto mulher dele, só espero conseguir estar à altura de tal honra.

Fará uma excelente primeira dama da República da Carolina do Sul.

-Concordas, Brett? -Claro, se é isso que queres.

O que quero é a felicidade do James.

Se conseguirmos que os outros estados também se separem,

podes ser eleito presidente de algo muito maior.

A 1 ª coisa a fazer seria acabar com os malditos abolicionistas do Norte.

Como aquela Hazard.

Talvez se tenha esquecido que os Hazard são nossos amigos.

Receio que me tenha esquecido de te dizer

que a Brett tem convivido com o irmão da Virgilia, o Billy.

Tencionamos casar.

Então, aceite as minhas desculpas...

...e o meu profundo pesar.

Não é o anel mais bonito que já viram?

Quando o Sol brilha, ele...

Juro que nunca vi nada mais bonito.

Forbes, pensava que já te tinhas ido embora.

-E sem te despedires de mim. -Vim para dar as minhas felicitações

e acompanhar-te até ao teu marido.

O James parece não conseguir escapar aos seus aliados políticos.

Posso?

Será que o teu marido teria a generosidade

de me deixar acompanhar-te até ao teu quarto?

Isto é, se sentisses uma súbita dor de cabeça?

Seria indelicado da minha parte deixar os nossos convidados.

Uma vez disseste que, mesmo casada com o James, ainda me desejarias.

-Isso ainda é verdade? -Nunca digo nada que não seja.

Mas há uma coisa que eu quero em troca.

-O que quiseres. -Envolve a minha irmã e o Billy.

Que crime.

A Brett querer casar com aquele ianque, quando podia ter-me a mim.

Eu teria casado com o Billy, se não fosse pela minha maninha...

...e o facto de ele nos ter apanhado na doca do algodão.

Ele nunca disse nada sobre isso, pois não?

Não, mas não significa que não venha a dizer.

O James pediria o divórcio sem hesitar, se descobrisse...

...e matava-te.

Podemos livrar-nos daquele ianque e ficar sem preocupações...

...se me ajudares.

O que está essa tua cabecinha demoníaca a pensar?

Noutra altura, conto-te.

Recuso-me a falar de negócios, no dia do meu casamento.

James.

James.

James.

Não.

-Estás bem? -Tens de falar nisso?

-Estou tão embaraçada. -Não tens por que estar.

Esta é a tua primeira vez. É natural.

Não fazia ideia que seria tão...

...desconfortante.

Vais aprender a gostar de fazer amor, prometo.

Não estás desapontado com a minha falta de experiência, pois não?

Pelo contrário. Não iria querer que fosse de outra forma.

Guardei-me para ti, James.

Mas tens que aprender a ser gentil comigo

e deixar-me habituar-me aos deveres de esposa.

Só peço um pouco de paciência e compreensão.

Tentarei que seja mais fácil para ti.

Não há motivos para pressas. Temos muito tempo para...isso.

Temos a vida toda diante de nós, James.

Sim, claro, mas não temos de esperar tanto tempo, pois não?

A nossa vida toda, James, meu querido. Lembra-te disso.

Agora, dorme. Vá lá. Boa noite.

É como se eu não estivesse casada.

Ter que me mudar para cá, enquanto o meu marido está em Nova Orleães.

Se o James pensava que eu ia ficar fechada naquela casinha miserável,

sem ter ninguém com quem falar senão os escravos, enganou-se.

-Orry, leva-me a Nova Orleães. -O quê?

-Está fora de questão. -Porquê?

Quero passar tempo com o meu marido. Nem tivemos uma lua-de-mel decente.

O movimento de secessão é mais importante para o James, pelos vistos.

É importante para os dois. Eu partilho as opiniões dele.

Então, devias perceber o perigo daquilo que o teu marido defende,

para a Carolina do Sul e para o resto dos estados.

Ele está a atiçar um fogo que pode ficar descontrolado.

Talvez seja isso que seja preciso para pessoas como tu se juntarem a nós.

O que é preciso fazer

para que compreendam que precisamos da indústria do Norte para sobreviver?

Uma separação dos estados apenas implicará a queda do Sul.

E a escravatura? Estás disposto a abrir mão disso?

Não me parece. Não ficaria bem.

Tu lá nos campos, ao lado da Mãe e da Brett.

Tens razão. Pertences ao lado do teu marido.

Então, levas-me a Nova Orleães?

Não. Vais ter de esperar por ele na plantação dele. Não nesta.

NESSA MESMA NOITE

Não nos esqueçamos, amigos,

que lutámos contra a tirania para fundar esta nação.

-Exacto. -Sim.

Vamos deixar que o Governo federal mande no estado da Carolina do Sul?

Não.

Vamos deixar que mande em algum estado soberano?

-Não. -Não, meus amigos,

porque os estados têm direitos,

direitos que nos foram conferidos pela Constituição dos Estados Unidos.

-Exacto. -Sim.

E se o Governo federal não reconhecer esses direitos,

defendo que devemos formar o nosso próprio país.

-Foi um belo discurso. -Pois foi.

O seu discurso foi um sucesso estrondoso.

O público levantou-se tantas vezes que perdi a conta.

Considero-me afortunado por o ter ouvido expressar as suas opiniões...

-...e nossas, tão eloquentemente. -Obrigado, Major Bent.

Ainda bem que concorda connosco e não com Mr. Jefferson Davis.

Muitos de nós, militares, somos contra as políticas cobardes de Davis.

Mas dou-lhe crédito pelo heroísmo do passado.

Pois, do ''passado''. Agora, ele só quer a paz, como se ela pudesse existir.

Se a União for dissolvida

e ficarmos sob a liderança de Davis, não me juntarei a nenhum exército.

Como sulista, jamais seria capaz de lutar contra a minha pátria,

mas também não poderia apoiar Jefferson Davis.

Isso seria uma grande perda para o Sul, Major Bent,

portanto, não podemos deixar que Mr. Davis fique numa posição

que nos custe os serviços de homens como o senhor.

Boa noite, senhores. Espero não vos ter feito esperar.

-As suas meninas valem a espera. -Gosto de pensar que sim.

A Otille estará disponível em meia hora. Talvez prefira outra.

Para mim, a Otille é a única que vale a espera.

Estes senhores são meus convidados esta noite, Madame Conti.

Senhores, escolham.

Agora, se me dão licença,

a Mary Lou é nova no ofício

e não sabe como se desenvencilhar...

...o que não é bom para o negócio.

É um homem generoso.

Um homem na minha posição gosta de cuidar dos amigos.

Este é o Orry Main?

-Sim. Conhece-lo? -Muito bem.

Estivemos os dois em West Point. Combatemos na Guerra do México.

Aliás, ele foi condecorado por valentia em Churubusco, sob o meu comando.

-É a fotografia do seu casamento? -É com orgulho que digo que sim.

A minha bela mulher é irmã do Orry Main.

Ela é realmente muito bonita. É um homem de sorte.

E quem é esta senhora? Lembro-me de já a ter visto.

Madeline LaMotte, uma amiga da família.

Que estranho. Não reconheço o nome,

mas a cara não me é estranha.

Claro, tal beleza não é fácil de esquecer.

Hei-de me lembrar...

...de onde conheço essa cara.

Mas por agora...

...dou-lhe os meus parabéns pela sua bela noiva.

Obrigado, major.

-É a Suzanne novamente? -Sim, obrigado.

Já que tenho de esperar pela Otille,

porque não partilhamos uma garrafa de champanhe, na sua sala?

Tenho um súbito desejo de voltar a ver essa divisão.

Paul, traga uma garrafa do melhor champanhe que temos.

Sempre gostou desse quadro, major.

É verdade.

Não me disse que ela trabalhava para si?

Ela era ainda mais bonita que a Otille, e mais cara.

À sua.

O seu amor pela beleza é só excedido pelo seu amor ao dinheiro.

É verdade.

O que aconteceu a essa mulher?

Morreu, já há bastante tempo.

Ela era-me muito especial.

Senti-me só, quando ela se foi embora...

...mas ela amava-o...

...e nada pude fazer.

Quem é que ela amava?

Um cliente...

...com gostos menos exóticos que os seus. Porquê tanta curiosidade?

Porque a mulher nesse quadro...

...faz-me lembrar...

...alguém que outrora amei e perdi.

A senhora e eu partilhamos uma recordação dolorosa.

Por favor...

...fale-me dela.

Bem...

Ele chamava-se Nicholas Fabray.

Era respeitado. Era um homem muito rico.

Quando a Laurette me disse que ele lhe pedira em casamento,

não pude deixar de me rir.

Eu disse-lhe que ele não tinha de casar com ela, para dormir com ela.

Ele já tinha pagado por esse privilégio.

E chegaram a casar?

Sim.

Tiveram um bebé, uma menina.

O parto...

...foi muito difícil.

Ela morreu pouco tempo depois.

O que aconteceu à criança?

O Fabray deixou a cidade, pouco depois da Laurette morrer,

e levou a filha.

Foi melhor assim.

Demasiadas pessoas sabiam o que a mãe dela era.

O que tinha sido, quer você dizer.

Era.

Um quarto negra. Filha de branco e mestiço.

-Então a criança tem sangue negro. -A Laurette nunca foi isso para mim.

É realmente uma história trágica.

Um triste fim para a mulher que inspirou um quadro tão bonito.

Sabe onde está a criança, hoje?

Já deve ser uma mulher.

Só espero que ela tenha guardado o seu segredo.

-Se alguma vez se soubesse... -Esteja descansada...

...que comigo está seguro, garanto-lhe.

Bem, a Otille já deve estar disponível.

O Billy tem pouco tempo de licença.

Não vamos desencontrar-nos, pois não?

Não, Brett.

Ainda nem chegámos a Belvedere.

Só vamos ver o Billy quando apanharmos o comboio em Filadélfia.

-Estou um bocadinho ansiosa. -Não me digas.

Compreendo como te sentes.

Estou ansioso por dar ao George a parte dele dos lucros da fiação.

Vai ser maravilhoso voltar a ver o George e a Constance.

Vai, sim.

Obrigada por me teres deixado vir.

A viagem é mais agradável com companhia,

como tu tão astutamente apontaste lá em casa.

O comboio vai chegar à estação dentro de cinco minutos.

Desculpe.

Vamos mudar de comboio e temos muita bagagem.

Pode encontrar-nos um bagageiro na estação?

Não sei. Deviam ter trazido os vossos escravos para vos ajudar.

Fiz-lhe uma pergunta civilizada.

Vou chamar o carregador.

O que se passa com esta gente?

Só nos temos deparado com gente como ele, desde que partimos.

Serei eu? Estarei a fazer alguma coisa errada?

Estás a falar com pronúncia sulista.

Estamos em Maryland. Ainda nem saímos do Sul.

Há aqui mais ianques que sulistas.

Tudo mudou, Orry, desde que visitámos os Hazard.

Sinto-o.

Já não somos bem-vindos.

E ainda queres casar com o Billy?

Tanto quanto tu queres continuar amigo do George.

Quero isso, sim...

...mas será que é possível?

Oitenta mil dólares.

Nem acredito, Orry.

Mal posso esperar para contar ao Stanley.

Ele disse-me que a fiação ia ser um autêntico desastre.

-Como a viagem de comboio para cá. -Descontrai-te.

Encontraste um bando de pessoas ignorantes no comboio.

Sabes que não somos todos assim.

Bem, alguns de nós, somos.

A propósito, a minha irmã está cá.

-A Virgilia está cá? -Temporariamente.

Ela só vem a casa quando precisa. Para pedir dinheiro.

Obrigado.

E mantimentos.

Para a causa.

Ela está com péssimo aspecto.

Ela...

Ela ainda está a viver em Filadélfia?

Queres saber se ela ainda está casada com o Grady?

Acho que sim, embora ela não nos tenha dito nada.

-Deve ser muito difícil para vocês. -Foi terrível para a minha mãe.

Acho que ela nunca superará o casamento da Virgilia com um negro.

E tu?

Até podia aceitar o casamento da Virgilia,

se soubesse por que ela o fez.

Mas chega de falar nisso. Como está o Charles?

Continua no Texas a lutar contra os índios?

Não, isso já lá vai. Atravessou o Rio Grande

e anda atrás de um bandido mexicano chamado Cortina.

Graças a Deus que há uma pessoa nas nossas duas famílias

que sabe contra quem está a lutar e porquê.

Com licença, querido. Desculpem interromper, mas...

...preciso da opinião de um homem.

-Gostam? -É lindo.

Nunca estiveste tão bonita.

-Obrigada, Orry. -O George comprou-mo. É de Paris.

Vou usá-lo no primeiro baile de beneficência de Lehigh Station.

Um Charles Worth original.

Não é demasiado irlandês, pois não?

-É lindo. -Fica-te deslumbrante, querida.

Obrigada. Sei que é demasiado sofisticado para o evento...

...angariar fundos para uma nova escola, mas não me importo.

O George comprou-mo e eu adoro-o.

Virgilia, aviso-te. Só desta vez, guarda a tua opinião nefasta para ti mesma.

-Sai-me da frente. -Vais só aborrecê-los.

Virgilia, que surpresa.

Olá, Brett.

-Olá, Orry. -Virgilia.

Não sabia que estava cá.

Não admira. Sou o melhor segredo guardado desta família.

Sabias que o George tentou trancar-me no sótão,

mas eu fugi porque encontrei uma janelinha minúscula pela qual saí.

Virgilia, por favor.

Ficarão todos contentes por saber que amanhã cedo parto para Chambersburg.

É isso mesmo. Para ajudar na obra do grande John Brown.

-Já ouviram falar nele? -Quem não ouviu?

Ele e os cinco filhos chacinaram donos de escravos no Kansas.

-Ele não passa de um assassino. -Eu sabia que diria algo do género.

Dizer mal de quem se atreve a pôr fim à escravatura.

Não devias ter deixado que ela ficasse.

Virgilia, prometeste-me.

É a planear massacres que vão ajudá-lo?

John Brown é o novo messias.

Um dia, ele liderará os vossos escravos numa grande revolução

e quem se intrometer, morrerá em sangue e fogo, e você será o primeiro.

-Vamos embora. Anda, Brett. -Não, Orry. Espere, por favor.

És sangue do meu sangue, mas desta vez foste longe de mais.

-Quero-te fora desta casa. -Não, Mãe. Eles que saiam.

Eles não querem ouvir a verdade.

Isso é demasiado para um sulista aguentar.

A verdade?

Nem sequer sabe o significado da palavra,

e eu estou farto de levar com as culpas

por todo o mal que alguma vez foi feito no Sul.

Não vou ficar aqui a ouvir as mentiras de uma mulher nojenta, perversa...

-Orry, chega. -...e louca.

Herdades de reprodução de negros... Onde vai buscar essas fantasias?

Às suas novelas rascas?

Pensar nisso excita-a? Foi por isso que casou com o Grady?

-Para descobrir por si mesma? -Já te disse para parares.

É um homem malévolo e o mal vê mal em tudo.

Mas você e a sua laia têm os dias contados.

Avisei-o de que este dia chegaria e chegou.

Cale-me essa boca. Vá ter com o seu marido preto, onde pertence.

Acho que é necessário um pedido de desculpas.

Desta vez, não as aceito.

Desta vez, és tu que pedirás desculpa a todos nós.

Estás a tomar o partido dela?

Não gosto das palavras dela nem dos modos...

...mas a minha irmã está no lado certo.

Então, não temos mais nada para dizer um ao outro.

Tens razão. Não temos.

Tem a gentileza de enviar a nossa bagagem para o Manor House Hotel.

Partiremos para casa, de manhã. Vamos, Brett.

Seria capaz de jurar que ele provocou deliberadamente a Virgilia

para embaraçar a nossa família.

Nem mais uma palavra, Isabel. Nem mais uma.

Não acredito no que ele fez.

Como pôde ir embora sem pedir desculpa pelo que disse?

Deviam ambos ter pedido desculpa,

bem como a Virgilia.

Sobretudo a Virgilia.

És tu que insistes que a deixemos entrar, quando ela aparece à porta.

Tenho tanta pena dela, George.

A família não aceita o casamento dela.

De certeza que é um casamento e não uma afirmação política?

Acho que ela ama mesmo o Grady.

Tal como tu me amas a mim.

Quero acreditar nisso.

É fácil culpar a Virgilia por tudo,

mas isso não muda a diferença entre as minhas crenças e as do Orry.

Anda cá, querido.

O Orry Main é o teu melhor amigo. Ambos puseram essa amizade em risco

discutindo sobre o que está mal neste país...

...e sabem que isso não resolveu nada.

Eu sei, mas os meus sentimentos são tão fortes quanto os dele.

Não estou a defender os métodos da Virgilia ou de John Brown,

mas não acredito que um homem deve ser mantido em cativeiro

simplesmente porque a pele é negra.

Como posso ser contra tudo o que o Orry representa...

...e ainda ser amigo dele?

DOIS DIAS DEPOIS

-Amo-te. -Também te amo.

Deseja-me sorte.

Orry.

Quero agradecer-lhe por deixar a Brett ver-me.

Sei que não foi fácil para si.

-Ela contou-lhe o que aconteceu? -Sim.

Não tem nada a ver comigo e com a Brett.

Não, Billy. Discordo.

Queremos casar.

Não pode não dar o seu consentimento devido ao que aconteceu.

Não, claro que não, mas continuo incerto quanto ao vosso casamento,

pelas mesmas razões que levaram ao desentendimento com o teu irmão.

Quer que esperemos até os problemas deste país estarem resolvidos?

Pode ser uma boa ideia.

E se decidirmos casar, mesmo sem o seu consentimento?

Não acredito que a minha irmã vá contra os desejos da família dela.

Mas, claro, és livre para lhe perguntar.

Obrigado. É o que tenciono fazer.

Com licença.

Vamos.

Não te preocupes. Arranjaremos uma solução.

-Eu escrevo-te. -Está bem.

Adeus.

Todos a bordo, por favor.

Vamos.

-Virgilia, o que fazes aqui? -Vou voltar para onde pertenço.

-O quê? -Todos a bordo.

A vida é minha. Devia ser eu a decidir, não tu.

Agora estás a falar como a Ashton.

Se tencionas desafiar-me, diz-me logo.

Não, não farei isso.

Pelo menos, não enquanto ainda houver hipóteses de mudares de ideias.

Travem e venham cá.

Vamos. Vejam se saem todos do comboio.

Fiquem aí.

Têm de sair do comboio.

-Onde estamos? -Fomos desviados.

Estamos em Harper's Ferry. Despachem-se. Já mataram um homem.

Vamos.

Vamos lá a despachar.

Vamos fazer-vos dançar ao som de outra música, esclavagistas.

Estamos aqui para libertar os escravos da Virgínia.

Exijo saber porque estamos detidos.

Mais um passo e não retomará viagem, esclavagista.

Larga a arma, Oliver.

Não temos conflito com esta gente.

-Deduzo que é o líder. -Sou.

Aconselho-o a usar um tom mais respeitoso ao falar connosco.

Têm a honra de estar a falar com o Capitão Smith,

comandante-chefe do Governo provisional dos Estados Unidos.

Estas pessoas são elementos do meu pessoal.

Fala como se estivéssemos em guerra.

E estamos em guerra.

Eu e os meus homens viemos do Kansas

para nos certificarmos de que a Justiça prevalecerá

e para assegurar a liberdade dos negros deste estado.

O que nos vão fazer?

Não queremos fazer-vos mal,

mas a milícia tem de estar convencida da nossa determinação

de libertar os escravos deste estado.

Quando pedirem tréguas,

então negociaremos a vossa libertação.

Mas aviso-vos...

...um passo contra os meus homens ou eu...

...disparamos para matar.

Muito bem, esclavagistas.

-Para dentro da estação. -Ouviram-no.

Vamos lá a andar, senhoras. Entrem.

Vamos a despachar.

Ele é magnífico, não é?

-Virgilia. -Segui o seu conselho, Mr. Main.

Ia voltar para o meu ''marido preto'',

mas o Grady e os soldados valentes dele encontraram-me primeiro.

-Corre grande perigo aqui. -Fique onde está.

Temos ordens para matar quem causar problemas.

E com certeza que pode adivinhar quem emitiu essas ordens.

Ele pode chamar-se Capitão Smith, mas sabemos quem ele é.

Falámos sobre o homem que salvaria este país

e estou feliz por o Orry ter finalmente conhecido o grande John Brown.

Grady, tem de a levar daqui. Oiçam-me.

Não quero ouvir nada vindo de si.

Vá ter com os outros...

...antes que eu o mate.

Largue a arma, Grady,

e leve a Virgilia daqui.

Não recebo ordens...

...de trastes como você.

Esses tempos já lá vão.

Milhares de...

...escravos...

...tal como eu já fui...

...virão ter connosco aqui.

Foi o que o capitão disse.

Se alguém tentar impedir-nos,

o sangue deles vai ser derramado nas ruas.

É isso mesmo. Sangue vai ser derramado.

Grady, não percebe?

Não podem ganhar.

O sangue será o vosso.

-Então, derramarei o seu primeiro. -Não.

Grady, não.

Deixa-o.

Priam.

Sim, Mr. Orry.

Nunca esperou voltar a ver-me, pois não?

Priam.

Eu era escravo do pai dele,

mas o Mr. Orry libertou-me.

Se não fosse ele, eu já estaria morto há dez anos.

Priam, agora estás connosco.

És um homem livre e não lhe deves nada.

A liberdade no Norte não é o que eu esperava.

A maioria das pessoas não trata os negros melhor.

Juntei-me ao capitão, porque não tinha para onde mais ir.

Fiquei farto de fugir e esconder-me.

É melhor lutar como um homem e morrer como um.

Capitão.

Capitão.

A milícia vem a caminho. Há também locais armados.

Voltem a pôr esta gente no comboio. Temos de partir.

-E os reféns? -Levem-nos para fora da cidade.

Não temos muito tempo.

Voltem a pôr as pessoas no comboio.

Ouviram-no. Mexam-se.

Soltem-me.

Virgilia, tens de voltar a entrar no comboio. Isto não é lugar para ti.

Não. Não me vou embora.

-É demasiado perigoso. -Amo-te. Quero estar contigo.

Não, Virgilia.

Tens que me deixar ir.

Tirem os troncos daí.

Já não temos muito tempo.

Vamos lá. Despachem-se.

Trabalhem.

Vão ali para cima.

Grady.

Grady. É melhor fugires.

A milícia está quase a chegar.

Tens que te esconder. Depois, venho buscar-te.

-Não, quero ficar e lutar. -Virgilia, por favor.

Por favor, minha senhora. Temos que ir.

Estão ali alguns dos renegados.

Preparar.

Apontar. Disparar.

Para baixo.

Segundo pelotão, avançar.

Preparar. Apontar.

Disparar.

Primeiro pelotão, avançar.

Matem aquele homem.

Eu mostro-vos que sou capaz de lutar.

-Virgilia. -Preparar. Apontar.

Disparar.

Grady.

Segundo pelotão, avançar.

Ao menos...

...fui um homem livre...

...durante algum tempo.

Não, Grady, não vais morrer.

Virgilia.

Lembra-te sempre que eu...

...te amo.

Não.

Assassinos.

-São todos uns assassinos. -Vamos.

Não toquem no meu marido.

Prefiro ver-vos apodrecer no Inferno.

Acham que ele está morto, não é?

Pois ele não está morto.

Está livre.

-Vamos. -Grady.

-Vamos, minha senhora. -Grady.

Grady.

Grady.

Não deviam tê-lo enforcado.

JOHN BROWN EXECUTADO EM CHARLES TOWN, VIRGÍNIA

Vivo, não passava de um louco. Agora, transformaram-no num mártir.

O Emerson até o chama de santo.

Tenho pesadelos sobre essa noite em Harper's Ferry.

Mas, por muito mau que tivesse sido...

-...tenho pena daqueles homens. -Pena?

Não percebes onde ele foi buscar o apoio para o ataque dele?

Aos abolicionistas do Norte. Deram-lhe dinheiro para armar os escravos.

Os Marines encontraram centenas de armas numa herdade onde ele ficava.

Armas para os escravos que esperava que se juntassem a ele?

O Sul tolera muitas coisas,

mas não que os Ianques dêem armas aos negros para matarem brancos.

Agora, até os sulistas que não têm escravos se revoltarão contra o Norte.

Estás a falar numa guerra.

Entre nós...

...e pessoas que nos são queridas.

Receio que não haja como fugir a ela, agora.

Que estupidez.

VAMOS ABOLIR A ESCRAVATURA

JOHN BROWN É UM SANTO

Parem.

MORTE AO SUL

Vamos lá.

Olá, Virgilia.

Congressista Greene.

Já passou muito tempo desde a noite que discursou em Filadélfia.

O que quer aqui?

Vim tirá-la daqui.

Já foi tudo tratado.

Não compreendo.

-Está livre, minha querida. -Não.

Não. Houve uma revolta em Harper's Ferry.

Quero ir a julgamento pela minha participação.

No que diz respeito ao mundo, a Virgilia não participou.

Isso não é verdade.

Os seus inimigos não lhe vão dar a tribuna de um julgamento.

Têm agora consciência

de que foi um erro fatal condenarem e executarem John Brown.

Virgilia, por favor.

Eles também ouvem as vozes pelas janelas.

Não querem outro mártir, muito menos uma mulher.

Virgilia.

Não pode ajudar a causa

ou a si mesma, ficando aqui.

Venha comigo.

Por favor.

Como sabia onde me encontrar?

Nunca me conheceu pelo nome que eu agora uso.

Admito que o tornou difícil.

Ouvi dizer que tinha ido viver com um ex-escravo chamado Grady

e que o ajudou a fugir da Carolina do Sul.

Depois, perdi-lhe o rasto.

A maioria das pessoas perdeu.

Depois li um relato

do ataque em Harper's Ferry.

O nome Garrison Grady aparecia na lista dos mortos.

Não sabia se era o mesmo Grady.

O primeiro nome é invulgar para um negro.

Ele assumiu o nome de Garrison, o grande abolicionista de Boston.

Também pensei nisso,

por isso, fiz algumas perguntas

sobre a mulher que foi interrogada, mas não detida, na Virgínia.

Depois, soube que uma Mrs. Grady

estava detida em Washington, incomunicável.

Foi então que a encontrei no...

...asilo.

Puseram-me aqui para todos pensarem que estou louca.

E está?

O que acha?

Presumo que usou o nome Mrs. Grady para poupar o embaraço à sua família.

À minha família?

A esses hipócritas?

Não, meu caro congressista.

Por favor...

...chame-me Sam.

Se assim preferir, Sam.

Eu não queria que a minha família soubesse onde estava,

não para os poupar ao embaraço,

mas para os impedir,

sobretudo ao meu irmão George, de interferir.

Queria o meu dia em tribunal.

Compreendo isso.

Mas a razão para me chamar ''Mrs.''...

...é porque é isso que sou...

...e com muito orgulho.

Está a dizer que casou, de facto...

Ou seja...

A Virgilia e o Grady trocaram votos matrimoniais?

Amávamo-nos.

Ele era um homem muito bom.

Não duvido.

Morreu por uma boa causa, por uma causa nobre.

A morte dele será vingada.

Muitas pessoas no Norte já estão a exigi-lo,

por todos os heróis de Harper's Ferry.

Pois eu não sou uma delas.

Então, por que se deu ao trabalho de me tirar do asilo?

Minha querida Virgilia.

Talvez se lembre que, há alguns anos, expressei o meu...

...interesse por si.

Sim, lembro-me.

Quando fiz o meu primeiro discurso, teve a gentileza de me felicitar.

Felicitei-a por mais do que o discurso, se bem se lembra.

E também me lembro de lhe recordar o seu estado civil.

Isso mudou?

Não.

Continuo tão casado como sempre.

-Mas não lhe peço que esqueça isso. -Ainda bem.

Sam...

...posso nunca conseguir ultrapassar a morte do Grady,

mas se alguma vez voltar a pensar noutro homem,

teria de pensar noutro casamento.

Não seja tão rápida a estabelecer as condições, minha querida.

Como assim?

Acha que perdi valor, poder de negociação, por casar com o Grady?

Não, não é isso.

O que quis dizer é que o homem com quem ficar

deve ser um homem que possa satisfazer...

...as suas necessidades.

Até pode ser casado.

Até posso ser eu.

Não pedi a sua ajuda.

Mas talvez um dia peça

e eu estarei em posição para a ajudar.

Estou a tornar-me, rapidamente, um dos homens mais poderosos do Congresso

e, normalmente, consigo o que quero.

Compreendo.

Estou-lhe grata pela ajuda desta noite.

Deixe-se estar sentado.

Prefiro sair sozinha.

E se, por acaso, voltar a precisar da sua ajuda...

...agradeço-lhe por me ter revelado as suas condições antecipadamente.

Ponham o Abe na Casa Branca.

-O Abe é o maior. -Abraham Lincoln para presidente.

VOTEM NO HONESTO ABE

LINCOLN E LIBERDADE

Estás a pensar outra vez no Orry, não estás?

Sabes, George, vocês são de mais.

São homens adultos, melhores amigos,

mas quando discutem, nenhum de vocês dá o braço a torcer.

Quanto mais tempo passa, mais difícil é.

Eu sei, Constance.

Ver isto fez-me lembrar outra vez o México.

Meu Deus, fomos alguma vez tão novos?

Olha para este, a sorrir.

Diz-me, que motivos tem ele para sorrir?

Ele sabe que Lincoln vai ser eleito.

Então, a próxima vez que esse rapaz marchar, vai ser para uma guerra.

Mas não queres que Lincoln seja presidente?

Sou a favor de uma vitória republicana, Constance,

mas se ele ganhar as eleições, perdemos o Sul. Já o deixaram claro.

Mas nós somos contra o Sul. Ajudámos centenas de escravos a fugir.

Sim, mas tudo o que faço é contrário a tudo o que o Orry representa.

É isso que faz com que seja tão difícil para mim ir ter com ele,

e, se entrarmos em guerra, o que está mal entre nós nunca se remediará.

O Orry será meu inimigo.

A guerra implica matar, Constance, matar os nossos inimigos.

Não devíamos estar a pensar na morte, George.

Devíamos era estar a pensar na vida, sobretudo hoje.

George.

Recebi uma notícia muito boa do Dr. McLain, hoje.

Constance.

Tinha medo de te dizer. Já tivemos tantas desilusões.

Mas desta vez é verdade?

Vamos ter um bebé, na Primavera.

Amo-te.

E eu amo-te a ti.

E é isso que nos vai fazer ultrapassar tudo isto.

SOLIDARIEDADE

Temos de lembrar às pessoas que Gerritt Smith apoiava John Brown.

Acha que isso é boa ideia, Mrs. Grady?

Só quis dizer que...

-...internar-se num asilo... -Porque tinha medo...

...de ser assassinado por um esclavagista do Sul.

Não acreditam que Mr. Smith derrotará aquele hipócrita de Illinois?

Claro que acreditamos, Mrs. Grady. Lincoln tem de ser derrotado.

-E Smith é o homem para o fazer. -Lincoln é um cobarde.

Quer permitir que a escravatura continue onde já existe.

Isso vai contra tudo pelo qual o Grady morreu.

Eu sei, Mrs. Grady,

mas o Gerritt Smith não vai esquecer isso.

Não deixarei que ninguém se esqueça.

Vamos acabar o que começámos em Harper's Ferry.

-Onde estiveste? -Só me atrasei uns minutos.

Onde está o meu tónico? Dá-mo.

Tenho de o dosear.

Onde está a Maum Sally? Ela não me teria feito esperar. Preciso dela.

A Maum Sally? Ela...

Ela morreu, Miss Madeline. Não se lembra?

Fazem bem.

Os nossos rapazes estão a sair de West Point aos montes.

Quanto tempo falta para a guerra?

Qual é o teu palpite?

Menos que um ano.

Estou a planear formar um regimento pessoal...

...que tenciono oferecer a...

Boa tarde, querida.

Queres um refresco?

Não, obrigada.

Não quero.

Continua a ser uma mulher lindíssima.

Um pouco pálida, para o meu gosto,

mas a alteração do estado de espírito dela é extraordinária.

Ela parece tão mais calma, de há um ano para cá.

Sim. Sou um homem de sorte.

Agora, que notícias há? O que estão a dizer em Charleston?

O que queres?

Pensei que a casa tivesse desabado.

Dá tempo ao tempo, Brett.

Uma casa dividida...

...não se mantém de pé.

E nem eu.

Não te disse para não vires aqui?

Orry, não podes evitar-me para sempre.

Sabes sobre o que quero falar contigo.

Não quero falar no Billy Hazard...

...nem em nenhum Hazard.

Todo esse assunto desagrada-me

e, portanto, é um assunto encerrado.

Não.

Esperei por um momento em que estivesses sóbrio...

...e compreensivo,

como o irmão que costumavas ser.

Agora, não sei se isso alguma vez acontecerá e não posso esperar mais.

Recebi uma carta do Billy.

Ele vem a Charleston.

O quê?

Foi destacado para Fort Moultrie.

Apresentar-se-á em Sullivan's Island em Novembro.

Podemos casar-nos depois disso.

-Proíbo-o. -Orry.

Quero paz nesta família e quero a tua aprovação,

mas agora já nem sei se isso importa.

O que queres dizer com isso?

Acho que já não estás qualificado para tomar decisões por mim.

Aliás, nem por ti.

O George Hazard foi o único verdadeiro amigo que tiveste.

Desde que discutiste com ele

que tens estado zangado com o mundo.

Isolaste-te, bebes sozinho e nunca sorris.

Tenho pena de ti, mas não deixarei que estragues a minha vida também.

Então, tencionas casar com o Billy Hazard

e esquecer a tua família?

Família?

A Mãe está do meu lado.

E o Charles continua a ser o melhor amigo do Billy, mesmo no Texas.

É a tua bênção que eu quero.

Brett, se Lincoln for eleito, entraremos em guerra com os ianques. Com todos.

Se queres casar com um agora, és uma tola.

Prefiro ser tola ao que tu és: alguém que não se importa.

Brett...

...eu importo-me.

Então, por que não compreendes o que sentimos?

É porque nunca te deixaste ser humano o suficiente para te apaixonares?

Se eu amo...

...ou não amo...

...não é da tua conta.

Tenho pena de ti. Tens medo de deixar que uma mulher signifique algo para ti.

Brett, lamento. Lamento.

Talvez até lamentes,

mas não interessa.

Não interessa mesmo nada.

Mr. Orry, Mr. Orry.

Mr. Orry.

Miss Brett...

Foi-se embora. Foi para Charleston.

-Charleston? A meio da noite? -Sim, senhor.

Miss Brett levou quatro baús.

E o Cuffey levou-a.

-Ela ia para um hotel? -Não, senhor.

Disse que ia ficar com Miss Ashton, digo, com a Mrs. Huntoon.

Miss Brett disse que não sabe quando volta.

Jed, arruma isto e abre as janelas.

Apoiem a secessão. Comprem uma fita para o vosso chapéu.

Uma fita aqui, senhor. Para o chapéu ou para a lapela.

Eis o gorila que os ianques querem pôr na Casa Branca.

Salvem o modo de vida sulista. Comprem uma fita para a lapela.

Um Dia Depois

Óptimo, já acordaste.

Agora, já.

Não é o chapéu mais amoroso que já viste?

Estás a ver isto? Isto torna-o um chapéu da secessão. Não é amoroso?

É lindo, Ashton.

Excepto o nome.

Estou de saída, mas mando trazerem-te um café.

Já passa muito do meio-dia. Não volto antes do jantar.

Então, podemos falar esta noite?

Sobre o Billy e o casamento.

Sim, acho que devemos.

Querida, sabes que podes ficar aqui o tempo que quiseres,

no que me diz respeito, mas...

...ainda bem que o James está em Columbia a organizar uma convenção.

Porquê?

Para termos tempo de inventar uma história.

Não podemos dizer-lhe que vieste só para casar com o Billy Hazard.

Acho que a última vez que eles se viram,

o Billy esmurrou o James e chamou-lhe cabeça de abóbora filho da...

...qualquer coisa.

Lamento, Ashton.

Se calhar não devia ter vindo ter contigo.

Não digas disparates.

O James é um cabeça de abóbora.

Mas não te preocupes. Eu trato dele e do nosso mano mais velho, o Orry.

Minha querida Ashton.

Pensaremos nalguma forma de o Billy se sentir bem-vindo,

apesar do que algumas pessoas daqui

dizem da escumalha ianque de Fort Moultrie.

O Billy e eu sabemos o que nos espera,

em ambas as partes do país,

mas amamo-nos, por isso, não vamos deixar que isso importe.

É a tua vida, maninha.

Não é só a minha.

Esperamos que o nosso casamento reúna as nossas duas famílias.

Ashton.

Já não gostas do Billy, pois não?

Não, isso foi só uma paixoneta tola.

Tenho o casamento que preciso para chegar onde quero.

E em breve também tu estarás casada. Bem, agora tenho que ir.

Nunca vi Charleston com tanta excitação.

Confesso que até eu mal me aguento.

Tive de me conter para não esbofetear aquela cara idiota.

Imagina ela sequer pensar em casar com aquele ianque.

Mas, claro, fingi ser compreensiva.

Sim?

Naturalmente, para ter os dois onde quero, quando chegar a altura.

A altura do quê?

De ajustar contas.

Forbes LaMotte, não te esqueceste, pois não?

Prometeste que me ajudavas a ajustar contas com a Brett e o Billy Hazard.

Sabes que essa é a única razão para eu vir até aqui.

A única razão?

Bem, talvez não a única razão.

És uma amante fabuloso, Forbes.

Ao contrário do James.

Mesmo que eu queira dormir com ele, ele ou está ocupado, cansado ou fora.

Acho que ele aplica toda a energia à política.

Querida.

O James Huntoon não sabe o que tem.

Ou se sabe, não sabe o que fazer com isso.

Não falemos mais nele nem na Brett...

...nem naquele ianque...

Não sejas apressado.

Quero saber o que estás disposto a fazer.

Não é evidente, querida?

Refiro-me a impedir a Brett de casar com o Billy Hazard...

...e o ianque de contar ao James sobre tu e eu na doca do algodão.

Bem...

Não me importo de matar o Hazard

nem nenhum outro ianque.

Mas se ele foi destacado para aquele forte ianque

e aquele imbecil do Lincoln foi eleito, vai haver guerra.

Os ianques no porto vão ser os primeiros a morrer,

portanto, qual é a preocupação?

Não gosto de deixar algo tão pessoal para ser resolvido por uma guerrinha.

Posso também deixá-la casar com ele e depois matá-lo.

Depois, eu teria uma viúva rica

e seria rico, independentemente do desfecho da guerra.

Mesmo depois de ela te ter trocado por ele?

Não tens orgulho, Forbes?

Pelos vistos, não.

Deixo o orgulho...

...e as ideias...

...contigo.

Diz-me só o que queres e eu faço-o...

...como sempre.

E se os Ianques querem eleger o Lincoln...

...que se danem todos.

Podemos governar-nos a nós próprios melhor que um lenhador provinciano.

Os ianques querem libertar os nossos escravos.

Pois, eles que venham cá tentar fazê-lo.

Damos-lhes uma recepção sulista que nunca mais esquecerão.

-Tenente Hazard. -Às suas ordens.

Tenente Mead, este é o Tenente Snyder.

Estamos aqui para lhe fornecer uma escolta segura até Fort Moultrie.

Começa a parecer que estou em solo estrangeiro.

Há locais mais seguros para oficiais do Norte, hoje em dia.

Nunca pensei que a situação estivesse tão má.

É isso que a secessão significa, meus amigos.

Que mantenhamos o que é nosso.

A nossa honra...

...o nosso orgulho...

...e os nossos escravos.

Queremos os nossos escravos.

Os ianques que venham até cá.

Se Abe Lincoln não gostar, pode voltar para a África, de onde veio.

Estão prontos para lutar e o Lincoln ainda nem foi eleito.

Temos de aguentar o forte, aconteça o que acontecer.

É melhor voltarmos.

Estava a pensar em tirar uma licença curta para visitar a minha noiva.

Ela está muito perto daqui, na East Battery.

Como cheguei mais cedo, era para lá que eu ia.

A sua noiva está em Charleston?

-Sim, senhor. -Devia mandá-la já para casa.

-Esta é a casa dela. -Ela é sulista?

É, sim senhor, e vamos casar aqui, assim que tivermos oportunidade.

Isso é outro problema, tenente.

Quanto a ver a sua noiva agora, receio que esteja fora de questão.

Legendagem: SDI Media Group

:: Ressincronização ferneiva ::

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