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Cônjuge: Sra. Marion Ferront, nascida Marion Chabard, não manterá
o apelido do marido
e recuperará o seu próprio apelido, Chabard.
O Sr. e a Sra. Ferront já vivem separados desde 20 de dezembro de 2002.
O Sr. Ferront mudou-se, como determinado no acordo provisório.
Liquidação dos direitos conjugais:
O Sr. e a Sra. Ferront não possuem qualquer propriedade em conjunto.
A Sra. Ferront fica com o apartamento e assume a responsabilidade da renda.
O Sr. e a Sra. Ferront concordaram com a distribuição de móveis
como indicado na lista em anexo ao acordo provisório.
Ambos declaram estar na posse das roupas, objetos pessoais,
joias e heranças.
Não há nenhum crédito conjunto ou dívidas contraídas durante o casamento.
Quanto aos filhos:
Reitera-se que os cônjuges tiveram um filho em conjunto, Nicolas Ferront,
nascido a 15 de novembro de 1999, em Paris.
Os pais decidiram exercer conjuntamente o poder parental.
Portanto, toda a decisão sobre o futuro da criança terá de ser feita em conjunto,
de acordo com a prática de diálogo mútuo.
O Nicolas viverá com a mãe.
Considerando a sua idade, o seu pai é livre para o visitar e acomodar,
cabendo a ambos decidir quando se encontram.
Não havendo melhor acordo, esse direito será o seguinte:
No 1.º, 3.º e eventual 5.º fins de semana a partir de sexta-feira à noite,
ou sábado depois das aulas, até domingo às 19 horas,
o pai tem de ir buscar e trazer de volta a criança para a mãe.
Primeira metade das férias em anos ímpares
e a segunda metade das mesmas férias em anos pares.
O Sr. Ferront pagará 300 euros de pensão de alimentos todos os meses
para a educação e cuidados do seu filho.
Os cônjuges declaram que não há disparidade significativa
no estilo de vida, então, não é necessária pensão.
De acordo com o artigo 268 do Código Civil,
ambos revogam as contribuições feitas para seguros de vida
e todas as doações feitas um ao outro durante o seu casamento.
Quanto aos impostos ainda desconhecidos para 2002,
os cônjuges concordam pagar de forma proporcional
ao rendimento tributável do casal.
Quanto ao processo de divórcio, as taxas serão divididas a meio,
tal como os honorários do advogado.
- Tem algo a acrescentar? - Não, Meritíssimo.
Pergunte aos clientes.
Senhora, concorda com o que lemos?
Sim, senhor.
Sr. Ferront?
Sim.
- Concorda? - Sim, está ótimo.
Hoje, 17 de fevereiro de 2003, declaro-vos oficialmente divorciados.
Se faz favor, poderia assinar, senhora?
Sr. Ferront.
Rubriquem as duas primeiras páginas.
Queres fechar as cortinas?
Não é preciso.
- Vens? - Sim.
Engordaste?
Usas uma toalha porque já não somos casados?
Não sei.
Desculpa.
É o meu telefone.
Sim? Sim.
Raios, queria…
Não, não posso.
Sim, correu bem.
Ligo-lhe de volta. Estou com o Gilles.
Não, estamos num café. Fique bem. Sim.
- Era a minha mãe. - Mesmo?
Almocei com ela. Queria…
- Como está ela? - Como sempre.
E com o teu pai?
- Já não se falam. - Saiu?
Não, ele continua lá.
Nunca se separarão.
Beija-me.
Porque fechas os olhos?
Não queres ver a minha cara?
Então?
Escuta, isto é ridículo.
Eu nunca deveria ter vindo aqui. Isto é inútil.
Vá lá.
Para com isso. Vamos parar.
- O que se passa? - Não quero.
Para com isso. Para!
Para!
Para!
Achas que poderia matar-me por ti?
Idiota!
Vou-me embora.
Fica. Quero falar.
Por favor.
O que querias discutir sobre o Nicolas?
As férias.
Queres que o leve?
Não trabalhas?
Posso meter férias.
Pensei mandá-lo para a minha mãe.
Perguntaste-lhe o que queria?
Não.
- Onde irias com ele? - Não sei.
Esquiar, talvez.
O Fred tem a cabana.
Não é pequeno para esquiar?
Aprendem cedo, agora.
Será bom para ele.
Quero falar com ele.
- Eu ligo-te. - Andas a sair com alguém?
Não, já te disse.
Não sentes falta?
Não.
É bom estar só.
Algum caso?
Nada sério.
Conheço?
Continuas com a Christine?
Sim.
E então, corre bem?
Também não é fácil para mim.
A sério? Não pareces mal.
Estou feliz por ter acabado.
"Feliz".
- Feliz é bom. - O que se passa?
Nada. És forte, apenas isso.
Forte como?
Não sei. Despes-te, és fodida, ficas feliz.
- Sim, vai foder noutro sítio. - Para!
Ganhaste.
Espero que ligues sobre o Nicolas.
Não ganhei nem perdi.
- Acabou, apenas isso. - Tens razão, como sempre.
Acabou. Não há mais nada.
Marion.
Não queres tentar?
Leva o lixo.
Há um homem…
Abre a garagem.
Sim, muito bem!
A mamã chegou.
- Olá! - Estamos aqui!
Olá, meus amores. Olá.
Olá.
- Tudo bem? - Sim.
Trouxe um bolo.
- Ótimo! - Fizeste tudo? Ficou bem.
- Estou um pouco farto. - Papá…
- Último esforço. - Dia duro. Estou exausta.
Tomas conta dele? Vou tomar banho.
Sim, vou refazer a maquilhagem e podes ir.
Mas estás pronta.
Vou ser rápida.
Queres mais massa?
Não. Queres sobremesa?
- Não. - Sem sobremesa?
Faz cócegas.
Quem…
Estás a embonecar-te para eles?
Estou impressionada.
- A mamã é bonita! - Sim.
Segura-o.
Estou bonita também para ele. Não é, amor? Vamos ler uma história.
Vamos.
A Pequena Sereia?
Uma tarde, enquanto fazia um avião de papel…
Está a regar plantas.
Certo? São bonitas?
Uma tarde,
enquanto fazia um avião
de papel, a porta abriu-se.
Quem é?
Léon.
Olá, cá estou. Léon! O que estão a fazer?
O que estão a fazer?
Beijam-se.
Não fechou a porta.
Estava tão feliz que não a fechou.
Chegaram.
- Boa noite! - Como estás?
Bem, e tu?
- Estás sozinho? - Ele não chegou?
Não.
Não vieram juntos?
Ele tinha algo para fazer. Pediu-me a morada.
- Espero que não cancele. - Não disse isso, ele vem.
Sim. Ele é imprevisível.
- O Gilles não chegou? - Foi tomar banho.
- Estão melhor? - Sim, falamos mais tarde.
- Bebes o quê? - Um gin, por favor.
O vestido é bonito.
Assenta-te bem. Onde compraste?
- Era da minha mãe. - A sério?
- Olá. - Olá.
- Como estás? - Bem, e tu?
Tudo bem.
- Obrigado. O Nicolas dorme? - Sim.
- Chorou? - Quase nada.
Escuta, tenho duas amigas lésbicas
que tiveram um bebé.
Fui vê-lo ao hospital.
- Tão fofo. Também quero um. - Como fizeram?
Uma colher, um amigo, a forma mais eficaz.
- Uma colher? - Sim.
O tipo é gay. Masturbou-se
e a rapariga colocou o esperma na vagina
com uma colher.
- Isso é estranho. - Desde que funcione.
Que dizes ao teu filho quando crescer?
- A verdade. - Boa sorte com isso.
Marion, és muito conservadora,
porque a colher de esperma
é o futuro. Muito melhor do que um marido.
Disparate!
Queria que a tua mulher fosse minha barriga de aluguer, mas acho
que não vai ser. - O teu namorado não vem?
Devia. Não sei o que está a fazer.
Devo ligar-lhe?
Não, ele vem.
Não acredito em monogamia.
Não é possível e…
É inútil.
- Concordas, Christophe? - Tem razão.
Porquê ser fiel? Não é natural.
Bem, para…
… haver respeito.
Confiança.
Sabes que todos os casais escondem coisas e mentem um ao outro.
E funciona.
E também… porquê resistir às tentações?
- Qual é o objetivo? Ter arrependimentos? - Não.
Sentir-se mais forte, sentir que se consegue resistir às tentações.
Marion, surpreendes-me.
E tu, Gilles, o que achas?
- Nada. - Mentiroso.
- Que queres que diga? - Mente.
Bem, sendo assim…
Nunca traí a Marion.
Traí o Christophe duas vezes.
Nada sério.
Dois casos com tipos passageiros.
Nada de mais.
- Contaste-lhe? - Claro.
Conto-lhe tudo.
Bem…
É novo, não o posso impedir.
Até agora, volta sempre.
- Não tens ciúmes? - Porquê?
Estou velho.
Fui igual nessa idade.
Serve-me. Sempre preferi uma terceira pessoa.
Acalma-me e relaxa-me.
Alguma vez me traíste?
Que queres que diga?
Não, óbvio.
Inacreditável, devo compreender as tuas infidelidades
e tenho de ser fiel.
É…
É o meu lado mediterrâneo machista.
Traí a Marion apenas uma vez.
Apenas uma.
Achas que é boa altura?
Já que estamos a revelar coisas, pensei contar a minha história.
Só os maricas podem ser infiéis?
Devem querer ouvir uma bela história de adultério.
Porque não? Tem piada.
Não sei se tem piada, mas é interessante.
Pode ser, Marion?
Claro.
Bem, talvez devêssemos ir.
Não, estou curiosa para ouvir o que ele tem a dizer.
Então, foi…
Há um ano, um ano e meio.
Em casa de amigos que não víamos desde o casamento.
Organizaram uma pequena festa na casa deles, a 30 km de Paris.
Boa atmosfera, muito amigável, cerca de 20 pessoas, música…
Pessoas muito simpáticas. Todos bêbedos.
Por volta da meia-noite, reduziram as luzes
e entendemos que, para quem quisesse,
a festa tornava-se uma orgia. - Muito bem.
- Isso é fantástico! - Surpreendente.
Até porque não éramos íntimos.
Enfim, estávamos bêbedos.
E achei divertido.
As mulheres começaram a despir-se,
deitaram-se num colchão no chão e os homens foram a seguir.
Estava organizado. Havia adereços, lubrificante,
preservativos e até coca.
E nós, sozinhos num canto, no início,
a observar, intrigados.
Então, a Marion pegou na minha mão,
apertou com muita força
e perguntei-lhe se queria.
E disseste:
"Não, mas vai em frente, se quiseres".
Eu disse que só iria se viesses comigo.
E insististe que fosse sozinho.
Querias ficar lá e assistir.
Só isso.
Uma rapariga veio ter connosco e fui.
Diante da Marion, que me observava das sombras.
Fornicaste a rapariga diante da Marion?
Sim.
Não só a rapariga.
- Havia rapazes. - Fornicaste com eles?
Sim, aproveitei.
Experimentar uma vez.
Já sei o que sente o meu irmão.
- Estás a brincar. - O que fizeste com os rapazes?
Nada especial, chupei algumas pilas,
e enrabaram-me enquanto fodia uma miúda.
Foram-te ao rabo?
Foram-te ao rabo?
Não, Marion, não é verdade.
Não me digas…
Sim, é verdade.
Vamos para a outra sala.
- Tenho de ir. - Não!
Prometi passar numa festa.
Também vais, Christophe?
Matthieu, queres que eu…
Como quiseres, será tecno,
com jovens. Não sei se vais gostar.
É exatamente o que ele gosta.
Está bem, vejo-te depois.
Ligo-te quando terminar.
Seja como for, obrigado por tudo.
- Foi muito bom. Até breve. - Até breve.
Eu telefono-te. Adeus, Marion.
- Acompanho-te à saída. - Vamos lá.
Adeus.
O Matthieu é simpático.
- Gostas mesmo dele? - Sim, é simpático, inteligente.
E sabe o que quer.
Sim, é muito fixe.
Alegra-me que gostes dele.
E dá-se bem com a Marion.
Parece que sim.
Estamos bem juntos.
Podes enxaguar os pratos antes da máquina?
O papel de alumínio?
Não sei.
Fico feliz pelo teu irmão.
Porquê?
Vê-lo apaixonado.
É raro.
É patético.
Porquê?
O rapaz não quer saber dele.
Deixou-o sozinho e foi à festa.
Não vai durar.
É inacreditável. Quando se trata do teu irmão,
és sempre pessimista.
E tu és sempre otimista.
Sê realista. Não durará uma semana.
O que sabes tu?
Não ser convencional não significa que falhe.
O importante é confiarem um no outro.
Tens a certeza?
Disse-me que não faziam sexo.
Gilles.
- O que foi? - O que estás a fazer?
Ele estava a chorar.
Vens?
Deixa-me dormir.
É um rapaz, de certeza.
- Já pensou num nome? - Sim.
Não concordamos.
Aconteceu algo mais?
Não, tirando uma pequena hemorragia, esta manhã.
Bem, é estranho.
Tem-se mexido muito?
Não, estava muito calmo.
Porquê, há algo de errado?
A placenta parece estar deslocada. Pode ser um problema no parto.
É grave?
Não, é só que,
se sangrar demasiado, temos de induzir o parto.
Sim, querida.
O que foi? Não estás no hospital?
A sério, porquê?
Sim, continuo aqui.
Vou agora mesmo. Não te preocupes, vou já.
Adeus.
Delphine, estou a terminar. Não passe mais chamadas.
Obrigado.
5 MENSAGENS NOVAS
Só chegaste agora?
Esperamos há três horas. A Marion estava histérica.
- Está bem? - Não foi fácil.
Está a descansar no quarto. Deram-lhe algo para dormir.
E o bebé?
O bebé está numa incubadora. Ele é muito pequeno.
Tiveram problemas no parto e a epidural não funcionou.
Passou pelo inferno, coitada.
Onde estavas? Deixámos-te mensagens.
Preso no trânsito.
Bem, a Marion não compreendeu.
Estava preocupada. Eu estava lá, na tua vez.
Não foi uma visão bonita. Perdeu muito sangue.
Por sorte, fizeram uma cesariana.
No meu tempo, não teria sido tão rápido e eficiente.
E sabes que perdi o primeiro filho.
Sim, sei. Já me disse.
De certeza que é este?
É muito pequeno. É o número cinco.
Não é o da esquerda?
Não, estou a dizer-te, é o número cinco.
Porquê?
Preocupado? Não gostas dele?
Sim, gosto, mas parece tão frágil.
Foi o que a parteira disse.
A placenta não funcionava
e o bebé não crescia. Por isso é tão pequeno.
Por sorte, viram a tempo, ou podia ter morrido no útero.
Disseram-me para não me preocupar.
Geralmente, crescem para uma altura e peso adequados.
Crescem naturalmente, sem problemas.
Gilles.
O que se passa? Não estás bem?
Estou bem. Só preciso de um pouco de ar.
Queres que vá contigo?
Não é preciso, obrigado.
Espero-te na sala de espera.
Sim.
Quando vieres, vemos se a Marion acordou.
Até já.
Merda!
Olá, Gilles.
Então, nasceu?
Sim. Marion está a descansar.
ALA DE MATERNIDADE EDIFÍCIO 22
Então, estás feliz?
Sim. Não o esperávamos tão cedo, mas…
Nunca sabemos quando surgirão problemas.
- A Monique está? - Na sala de espera.
Não teve um ataque?
- Desculpe? - Está tão feliz por ser avó
que deve estar histérica.
Talvez, não sei.
Enfim, está sempre.
Vou ver a minha filha e o pequeno monstro. Vens?
- Vou acabar o meu cigarro. - Os teus pais estão aqui?
Não, ainda não lhes disse.
Até já.
- É o atendedor de chamadas. - É inacreditável!
Oxalá esteja bem.
Preocupada com ele e acabas de dar à luz. Loucura!
Mãe!
- Não sabes o que o dizes. - Não fez uma cesariana.
Não me surpreende.
Quando abortei, o teu pai também não esteve lá.
Tinha coisas melhores a fazer que estar com a mulher.
Queres calar a boca?
O que se passa?
Podes deixar a tua filha em paz?
Estás a chatear-nos, sempre a dizer a mesma treta.
É culpa minha o Gilles não estar, como tu, há 30 anos?
É sempre o mesmo.
- Os homens fogem sempre. - Porra, para!
Não é o momento.
- O teu pai começou. - Cala a boca!
É só o que pedimos.
Vou-me embora. Tens de descansar.
Adeus, pai. Obrigada por teres vindo.
Vês como me fala?
Não faz mal.
Pelo menos, veio.
Não é desculpa para gritar.
Vai ter com ele.
- Achas? - Sabes que está à tua espera no carro.
Sim.
Bem.
Descansa, querida.
Estou?
- Sim? - Sou eu.
Onde estás?
Conto-te depois. É complicado.
- Estás bem? - Não, não estou.
O que se passa?
Bem, tenho dores.
Porque não vens?
Porque saíste?
Não sei. Lamento.
Escolheste o nome?
- Não, não o fiz. - O que queres?
Não sei.
E tu?
Querias Nicolas?
Sim, gosto de Nicolas.
Nicolas, então.
- Marion. - Sim?
Amo-te.
Podes ir a casa e trazer umas coisas?
Está bem.
Marion.
Há um acordo pré-nupcial?
Sim.
De acordo com o artigo 75 do código civil,
vou ler-vos os artigos 212 a 215
sobre os direitos e deveres dos cônjuges.
Artigo 212:
Os cônjuges devem ser mutuamente fiéis,
apoiar-se e proteger-se.
Artigo 213:
Ambos assegurarão a moral
e bem-estar material familiar,
e assegurarão o futuro e educação dos filhos.
Artigo 214:
A lei não dita a contribuição de cada cônjuge para o casal.
Cada um deles contribui de acordo com a sua capacidade.
Finalmente, artigo 215:
Os cônjuges concordam em viver juntos.
Menina Marion Chabard,
aceita o Sr. Gilles Ferront como seu legítimo esposo?
- Sim. - Sr. Gilles Ferront,
aceita a menina Marion Chabard como sua legítima esposa?
Sim.
Em nome da lei,
declaro-vos marido e mulher.
Parabéns!
O novo casal do meio!
- Quero-te. - Está feliz?
Sim, estou feliz.
- Estás feliz? - Sim!
- Não te consigo ouvir. - Sim!
Não me consigo despir.
És linda.
- Ajuda, não consigo tirar. - És linda.
Esquece, fazemos assim.
- Assim mesmo! - Não!
Quero tirá-lo.
Tiro-o na casa de banho.
Deixa a liga, mas tira as cuecas.
Isso é bom.
Deixei as cuecas vestidas, mas faço um striptease.
Então, já estás cansado de mim?
Gilles.
Estás a dormir?
Sim.
Boa noite, meu amor.
Assustaste-me.
Lamento, não falo francês. O que disse?
Tive medo.
É do casamento?
- Sim. - Estou no hotel, no chalé, mas…
Não durmo com o barulho.
E com o jet lag. Cheguei hoje a França.
E parto amanhã para LA.
É bom.
Importa-se que me sente?
- Não. - Não?
Quer um cigarro?
Porque não?
Obrigada.
Obrigada pelo cigarro.
- Boa noite. - Espere.
Devo ir, tenho o meu amigo
à minha espera.
Beije-me.
Não.
Amo-te.
Amo-te.
Amo-te.
- Como está? - Está boa. Anda!
Alforrecas! Espera, há uma alforreca!
- É grande. - Seu idiota!
- Boa noite. - Boa noite.
Só chego agora porque perdi o avião.
- É a Sra. Marion Chabard? - Sou.
Estávamos à sua espera. Bem-vinda ao Calypso.
- Fez uma boa viagem? - Mais ou menos.
Compreendo.
Alguém a vai levar ao seu quarto.
Aqui tem a chave.
É o quarto número 213.
É uma pessoa supersticiosa?
Não.
Sinto-me bem após o banho.
É mais fixe do que pensava.
Vês, confia em mim.
E não há muitas pessoas.
Grazie.
Pessoas que vêm cá sozinhas são estranhas.
Não, são solteiros à procura de aventura.
É horrível! Nunca viria cá sozinha.
Porque não?
- É tipo clube de encontros. - Isso é tão patético.
Não consegues evitar.
O quê?
Estás sempre a criticar tudo. Há sempre algo de errado.
Não critico. Observo.
- Está bom tempo? - Sim.
Dormi bem.
Não ouviste o barulho esta manhã?
Não, o que foi?
Não sei. Portas a bater no corredor.
- Não ouvi nada. - Queres uma torrada?
Sim.
Com licença.
Marion?
Sim?
- Não sei se… - Sr. Ferront, o que faz aqui?
Devia perguntar-lhe. Pensei que ia ao Senegal.
A minha amiga abandonou-me, por isso, reservei uma viagem aleatória.
Engraçado.
Vim com uma amiga.
Não a vimos no avião. Quando chegou?
- Perdi o avião. Cheguei ontem. - Certo.
Está aqui com alguém?
Não, estou sozinha.
Venha comer connosco.
Claro, porque não?
É estranho encontrá-lo aqui.
Nunca esperei vê-la em fato de banho.
Bem…
Até logo, no restaurante.
Até logo.
Quem era?
Uma rapariga do marketing da empresa.
É incrível vê-la aqui.
- Não sabias que estaria aqui? - Não, mal a conheço.
Tens ciúmes?
Sim, tens!
Disse-lhe para comer connosco. Está sozinha.
É simpática?
Na verdade, não sei.
Veremos.
Então, não se importa de vir aqui sozinha?
Sim, mas a minha amiga cancelou no último minuto. Devia ter ido para o Senegal.
Talvez para a próxima.
Não seria o mesmo tipo de férias.
Não ia ser uma viagem organizada.
Ia ser uma aventura.
Tal como eu teria adorado fazer.
Porque não o fez?
Não devia perguntar a mim.
- Só tínhamos uma semana. - O Gilles trabalha demais.
Eu queria partir por duas semanas e começar na Sicília, mas…
Talvez para a próxima.
A Sicília é lindíssima.
Conhece?
Sim, o meu namorado era de lá. Fomos ver a família dele.
Não gostava de lá voltar?
Ainda não.
Acabámos há quatro meses. Não estava preparada.
Lamento.
De modo algum. Não podia saber.
Seja como for, acabou.
Concentra-te! Não tivemos um jogo decente.
Não te zangues.
Tens água?
Obrigado.
Merda! Apanha-as.
… senhores. Há voluntários para virem ao palco
e experimentarem viver no inferno? Vá, não tantos, por favor.
Ali.
Giuseppe? Escolhe alguém simpático. É melhor assim.
E trá-los…
Aquela jovem.
- Não. - Venha.
Não vem?
- Sim. - Não, não quero ir.
- Vai. - Deixa, Giuseppe.
- Não, para. - O homem sentado ao lado.
Talvez esteja interessado nos prazeres do inferno.
- Eu? - Sim.
Giuseppe, levanta-o e trá-lo para aqui. Estamos a empatar.
Um aplauso para ele, porque… Venha cá!
Não se preocupe!
C e depois um I.
Gosta?
Depois, fazemos um A.
Depois, um O bem redondinho.
Estão a gostar?
Percebeu como se faz?
Bravo!
Senhoras e senhores, o primeiro passo.
Mostre a sua caneta.
Mostre a caneta ao público. Esta.
Senhoras e senhores, a caneta do francês. E que caneta boa!
Nada mal. Parabéns! O nosso amigo vai escrever "esparguete".
Espere. Vamos fazê-lo juntos.
Depois, fazemos um P.
Depois, fazemos um A.
E depois um R. Vá, um R!
Depois, fazemos um G.
E, finalmente, um E.
Muito bem. Foi muito engraçado.
- Mexe-se bem. - Obrigado.
Estou habituado. Comunicamos assim no trabalho.
Não compreendi. Não falo italiano.
- É pena. Não se preocupe, foi foleiro. - Posso imaginar que sim.
Vamos beber um copo no clube.
Eu não. Levantamo-nos cedo para a viagem à montanha, mas o Gilles…
Não se não vieres.
Muito bem, boa sorte amanhã.
- E boa noite. - Boa noite.
- Não querias tomar uma bebida? - Nem por isso.
Posso sentar-me ao teu lado?
Não, está ocupado, desculpa.
- Pensei que não querias beber. - Queres um?
Acho aquela rapariga meiga.
Quem?
A Marion.
Estás a tentar vender-ma?
Acho-a gira e simpática, só isso.
Excitar-te-ia se a possuísse?
A mim não, mas a ti, sim.
Tens razão. Quero possuí-la hoje à noite.
Sigam-me. Por aqui.
Estamos quase lá.
Está à vontade aqui.
- É o senhor. Olá. - Olá.
- Posso sentar-me? - Claro.
Não era suposto ir numa viagem?
A Valérie foi sozinha. Não tive coragem.
E queria dormir e bronzear-me.
- É bom estar aqui. É tão sossegado. - Sim.
Boa mudança do barulho do clube.
- Como estava o clube noturno? - Foi agradável. Saí bastante cedo.
Sozinha?
Porque pergunta?
Não sei.
Quando se vai a um clube sozinho é…
É mais fácil conhecer pessoas.
Certo?
Não me conhece. Eu só queria dançar.
- Já nadou? - Não.
Mas disseram-me para ter cuidado. O mar pode ser perigoso nesta praia.
- Muitas correntes. - A sério?
- Mas parece tão calmo. - Sim.
Esteve com alguém desde…
… o seu namorado? - Não, ainda não estou com disposição.
Há quanto tempo está com a Valérie?
Quatro anos.
É casado?
Porque pergunta?
Não sei. Nenhuma razão.
Não.
Pensamos nisso.
Vamos nadar?
Está bem.
Legendas: Liliana Pereira
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