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Original subtitles

DESCONHECIDOS

Ol�.

Ol�.

Vi-te a olhar para mim da rua.

J� te vi v�rias vezes a passar de cabe�a baixa.

Um dia, o alarme h� de ser a s�rio.

Somos praticamente os �nicos aqui. Acreditas?

Ainda n�o t�m seguran�as.

Sou o Harry.

Adam.

Como � que te aguentas?

Com qu�?

Ouve.

Tanto sil�ncio.

Londres � ali fora, mas n�o conseguimos ouvir nada.

Ponho m�sica, sim, mas � pior quando acaba.

At� tenho um daqueles aparelhos de ru�do branco.

Mas parece algu�m no canto a cochichar sobre mim.

Nem conseguimos abrir as janelas, mas tamb�m

n�o querem ningu�m a saltar.

� mau para o neg�cio, sabes.

Corpos mutilados no bet�o. Quem ia querer viver aqui?

Um copo?

� japon�s.

Dizem que � o melhor do mundo, mas n�o sei porqu�, portanto...

- N�o, obrigado. - Est� bem.

E se entrar na mesma?

Se n�o for para um copo,

para qualquer outra coisa que queiras.

Acho que n�o � boa ideia.

Intimido-te?

N�o.

N�o temos de fazer nada se n�o for o teu tipo.

H� vampiros � minha porta.

CASA NOS SUB�RBIOS

Esta � a linha sul para East Grinstead.

Com paragem em Clapham Junction, East Croydon, Sanderstead,

Riddlesdown, Upper Warlingham, Oxted e East Grinstead.

Mam�!

M�e!

Ol�.

Ol�.

Comprei uma coisa forte para uma noite como esta.

N�o, obrigado.

Vamos?

Para onde?

Para casa.

Ela vai ficar encantada por te ver.

Adivinha quem encontrei a vaguear no parque.

� ele?

Sim, � mesmo ele.

Olha para os olhos.

Sim, �s tu.

Ol�.

Ol�.

N�o fiques a� especado. Entra l�.

Ent�o, onde vives agora?

N�o � por aqui de certeza.

- Estou em Londres. - Que chique!

- Em que zona? - Vives sozinho?

Compraste casa?

Sim, � s� um apartamento.

O que � que eu te disse? O que foi?

Que ele ia ter uma vida boa, n�o foi?

N�o pode ser barato viver l� no meio do fumo.

- O que fazes? - Sou escritor.

- E o que foi que eu disse? - N�o.

N�o sou especialmente rico nem nada. Nem por isso.

Sempre soube que serias criativo.

Que tipo de escritor �s tu?

Sabes como adoro Stephen King. Carrie, Cujo, Esta��es Diferentes.

N�o sou um escritor a s�rio.

Escrevo gui�es.

Para filmes.

Televis�o. Quando tem de ser.

Um escritor.

Credo, isto � t�o interessante.

Se conhecesse os vizinhos, ia a correr contar.

Sempre disse que os escritores sabem menos da realidade

que quase toda a gente.

O que � que tu sabes?

Mal sabes as letras manuscritas.

� verdade, mas...

Escritor.

O nosso filho.

Estamos muito contentes por te ver t�o bem.

Sim.

Chega de conversa da treta.

O nosso filho voltou para casa.

O que est�s a p�r?

J� v�s.

Lembras-te do teu carrinho vermelho?

Adorava-lo e querias lev�-lo para a estrada principal

e conduzi-lo ao lado dos outros.

� a minha primeira mem�ria.

Foi um Ford Granada que lhe bateu, n�o foi?

N�o, foi...

Era verde-musgo.

Lembras-te disso?

Projetou-te como um boneco de trapos.

Subiste t�o alto. Nunca me vou esquecer.

Mas ficaste bem.

Ficaste bem, s� com umas n�doas negras.

Todos acharam exagero quando te levei ao hospital.

E aquela Bonfire Night em que te passaste?

Lembras-te dessa noite?

Que idade tinhas? Seis?

N�o, era mais velho.

Quando foi o fogo de artif�cio,

o mi�do desatou aos berros. Tive de o levar para casa.

- Levaste? - Sim.

Adormeceste-me ao colo.

N�o me lembro.

Estavas mesmo aflito.

Estavas mesmo angustiado, e eu a tentar...

... n�s a tentar que gostasses do fogo de artif�cio e tu n�o...

Sempre foste sens�vel, n�o foi?

Talvez.

Ainda tens medo de fogo de artif�cio?

N�o!

Sabes quem tu pareces?

- Pareces a minha m�e. - Pois parece.

- N�o �? Reparaste? - Parece, sim.

Disseste alguma coisa antes.

Quando disseste que n�o eras um escritor a s�rio.

- Diz outra vez. - V� l�.

N�o me fa�am dizer.

V�, diz l�.

Diz outra vez.

Como a av� ou como eu?

N�o, como tu dizes.

Como tu dizes.

� t�o bom voltar a ver-te.

N�o sab�amos se aconteceria.

Aqui est�s tu.

Aqui estou eu.

Volta em breve.

Um de n�s h� de estar.

Por favor.

Sim, eu volto.

�timo.

- Vamos para dentro. - Boa noite.

- Boa noite, amor. - Boa noite, filho.

Boa noite.

- Ol�. - Ol�.

Pe�o muita desculpa pela outra noite.

N�o faz mal.

N�o te preocupes.

- Adeus. - Adeus.

Eu gosto de whisky,

se quiseres beber um copo ou...

Ol�.

Ol�.

Ol�.

Ol�.

- Queres entrar? - Claro.

Bebes alguma coisa?

Sim. O que � que tens?

Tenho vodca e alguma cerveja.

Tenho erva, se preferires.

Sim, erva � melhor.

Larguei o �lcool.

Gostas de viver aqui?

Acho que gosto mais quando vem gente.

Se vier gente.

Tens amigos perto?

N�o, nem por isso.

E tu?

N�o, nem por isso.

A maioria saiu de Londres.

Querem ter jardins para os filhos,

estar perto dos av�s para eles cuidarem dos mi�dos.

Suponho que tamb�m n�o quiseste sair.

N�o.

O que vou eu fazer em Dorking?

N�o � para gente como eu.

S� para confirmar, �s queer, n�o �s?

- Sim. - Ainda bem.

Ou gay. Queer, n�o estou...

N�o me habituo a dizer que sou queer.

Sempre foi um insulto.

Talvez por isso odiamos tanto o "gay".

Sempre foi...

"O teu cabelo � gay" ou "este sof� � gay"...

"Os teus t�nis s�o gay", "a tua mochila � gay".

Sabes?

Queer parece educado, de certo modo, apesar de ser como...

Sei l�, � como se toda a parte dos broches ficasse de fora.

Sim.

Suponho que n�o andes com ningu�m.

Nunca te vejo com ningu�m.

N�o.

Est�s sozinho muita vez?

Se estou sozinho muita vez?

Acho que sim.

- E tu? - Sim.

Mas n�o por falta de tentar.

E se eu te beijar?

Est� bem.

Desculpa.

- Est�s bem? - N�o. Sim...

S� n�o fazia...

N�o fa�o isto h� muito. Tenho de me lembrar de respirar.

- N�o faz mal. - Sim.

Est�s bem?

Sim.

Este �s tu?

Receio que sim.

Eras giro.

Detesto as minhas fotos.

Era gordinho.

Certo, mas...

Quando �s gordo, n�o te perguntam porque n�o tens namorada.

De certeza que ter�amos sido amigos.

Baldava-me ao futebol para espiar os rapazes.

� o teu pai?

Sim.

� bonito.

Sim.

Ando a tentar escrever sobre eles.

� o teu trabalho?

Sim.

Como est� a correr?

Est� a ser estranho.

N�o vejo muito o meu pai.

Tu v�s os teus?

N�o, eles morreram.

Pouco antes dos meus 12 anos.

Os dois?

Sim. Num acidente de carro.

N�o � a morte mais original.

Sinto muito.

Obrigado, mas j� foi h� muito.

Acho que n�o importa.

Bem...

Gostava de voltar a ver-te.

Est� bem.

Podia passar a noite se tu...

E que tal uma ideia melhor...

Hoje n�o. Sim?

N�o, gostava de voltar a ver-te. S� que...

N�o precisas de explicar.

Est� bem?

Est� bem.

Obrigado.

Querido, voltaste.

Claro que voltei.

Credo, est�s encharcado.

V� l�, tira isso tudo.

N�o me vou despir.

N�o sejas tonto, sou s� eu. V�, levanta os bra�os.

Ponho-as na m�quina de secar.

Hoje s� estou eu. N�o faz mal?

- Claro que n�o. - �timo.

Quero saber tanta coisa. Quero ouvir tudo.

Vai l�, andar de cima. Troca-te.

Meu Deus, que emocionante!

Suponho que j� nada te sirva.

N�o.

Mas trouxe umas coisas do teu pai.

- Est� bem. - Olha.

V�, tira estas tamb�m e ponho-as a secar com o resto.

Despes isso, Adam?

Sinceramente.

Credo, olha para ti.

O que �?

Eras s� um menino.

E agora n�o �s.

N�o.

Pareces completamente diferente, mas �s tu.

Pensei que fosses mais peludo.

Como o pai.

Desculpa.

Gosto de um peito peludo.

Est� bem.

C�us, sabes quem tu me lembras?

Quem?

�s igualzinho ao meu pai.

A s�rio?

Ou como eu o recordo do meu tempo de mi�da.

C�us, n�o � de loucos?

� como ver os dois exatamente ao mesmo tempo.

Fiz a tua comida favorita. Bem, espero que ainda seja.

Vou s� p�r a chaleira ao lume e depois podes contar-me tudo.

Uma del�cia.

�timo.

O pai disse-me para n�o perguntar, e n�o vejo alian�a,

portanto, n�o deves ser casado,

mas tens namorada?

Imagino-a de cabelo castanho, n�o muito magra.

Inteligente, claro.

Ent�o?

Ent�o o qu�?

Tens?

N�o tenho namorada. N�o.

� uma pena.

N�o tenho namorada porque n�o gosto de mi�das.

De mulheres.

Isso quer dizer o qu�?

Quer dizer...

Sou gay.

Assim como homossexual?

Como isso, sim.

- A s�rio? - Sim.

Desde quando?

Desde h� muito tempo.

Quanto tempo?

Desde sempre.

N�o pareces gay.

N�o sei bem o que isso significa.

Significa o que significa. Tu sabes.

Aposto que agora est�s contente por n�o conheceres os vizinhos.

Admito que estou um pouco admirada.

N�o sei bem o que sinto sobre isso.

O qu�? Nunca pensaste nessa possibilidade?

Claro que n�o.

Qual � o pai que quer pensar nisso?

Que eu conhe�a, nenhum.

Eu estou muito bem com isso.

Mas n�o te tratam mal?

N�o.

As coisas agora s�o diferentes.

N�o te tratam mal?

Pelo menos, abertamente.

Toda a gente sabe?

Falas abertamente disso?

Sei l�, no meio da rua ou no supermercado?

Bem, depende da rua.

Sim, toda a gente sabe e aceita.

Bem, n�o queres casar e ter filhos?

Eu posso ter filhos.

Os homens podem casar. As mulheres tamb�m.

Uns com os outros?

- Sim. - Porqu�?

Como assim "porqu�"?

N�o � o mesmo que n�o querer abdicar de nada?

E tu queres casar e ter filhos?

N�o sei. N�o foi poss�vel durante tanto tempo.

Achei que n�o valia o esfor�o de querer casar e ter filhos.

Est� frio.

- Est�s bem? - �tima.

De certeza?

Acho que nunca soube o que se passava

nessa tua cabecinha estranha.

E estavas sempre a fugir. Lembras-te?

Sim.

Houve uma vez em que foste at� � esta��o de comboios,

mas tinhas perdido o dinheiro para o bilhete.

- Lembras-te disso? - Sim.

Era a nota de cinco libras da av�.

Sim, era isso.

Aonde esperavas ir?

N�o sei.

A Londres, acho eu.

Londres?

Credo.

Houve aquela vez em que chegaste ao fundo do jardim,

mas cortaste o polegar numa garrafa de leite velha

e voltaste de cabe�a baixa, cheio de sangue na camisa.

E n�o paravas de bater na janela para entrar.

Sim.

C� est� ela.

Mesmo.

Dizem que � uma vida muito solit�ria.

J� n�o se diz isso.

Ent�o, n�o est�s sozinho?

Se estou, n�o � por ser gay.

Nem por isso.

Nem por isso.

Meu Deus, e aquela doen�a horr�vel?

Vi a publicidade na televis�o

com as campas. � para me preocupar?

N�o. Credo.

Agora � tudo diferente.

� tudo diferente.

Bem, acho que n�o poderia saber.

A tua roupa j� deve estar seca.

Podes levar as panquecas se quiseres. N�o as vou comer.

O que se passa?

Estou bem.

Sinto s� uns arrepios.

Est�s quente.

Sim.

Fui s�...

Fui apanhado na chuva.

E se te preparar um banho quente?

A minha av� diz que um banho quente resolve tudo.

N�o gosto de banhos.

Vai passear. Quem n�o gosta de banhos?

N�o precisas de ter vergonha de mim.

� mais f�cil dizer que fazer.

Queres que eu feche os olhos?

- Sim, por favor. - Est� bem.

Est� melhor?

Sim.

Pensei em ti toda a semana.

Em ver uma s�rie da treta contigo numa sexta � noite.

Comer take-away no teu sof�.

Ver epis�dios antigos de Top of the Pops de antes de eu nascer.

Tamb�m pensei noutra coisa.

Pensei em te foder.

- Ai sim? - Sim.

Ou tu a mim. N�o me importa qual.

Apetece-te?

Sim.

N�o faz mal se n�o apetecer. N�o temos de gostar todos.

N�o me apeteceu durante muito tempo

por raz�es �bvias.

Raz�es �bvias?

Pensei que, se fodesse algu�m, morria.

Provavelmente, � muito dif�cil para ti imaginar, n�o �?

Um bocadinho.

V� l�.

No outro dia, disseste que vias pouco o teu pai.

Sim.

E a tua m�e?

Igual.

Porqu�?

Sabem que �s queer?

Sim, claro.

Aceitam bem?

Sim.

Aceitam.

S�o muito conservadores.

Provavelmente, aceitam menos do que fazem crer.

Mas habituaram-se, mais ou menos,

se n�o falarmos muito nisso.

Pode dizer-se que...

... passei lentamente para a margem.

Ou fui logo para a margem, quase.

Para l� da margem.

Isso quer dizer o qu�?

Que estou � margem da fam�lia.

A minha irm� e os filhos

e o meu irm�o mais velho, que casou h� pouco,

t�m todos um lugar central.

N�o faz mal.

N�o faz mal porqu�?

Porque...

... n�o vou muito a casa.

Ficas triste com isso?

N�o, acho que � inevit�vel.

Porqu�?

Sempre me senti um estranho na minha pr�pria fam�lia.

E assumir-me s� veio dar nome � diferen�a que sempre existiu.

Portanto, no fim,

n�o � culpa de ningu�m.

O que foi?

Tem piada...

As coisas est�o melhores, claro que sim.

Mas n�o � preciso muito para te fazer sentir assim,

como te sentiste, t�o vulner�vel.

Ainda estou quente?

S� um bocadinho.

Queres passar a noite?

De certeza que j� n�o demora.

Tudo bem.

S� queria falar com ela.

Eu sei que sim.

Este era o preferido do teu av�.

Na altura, n�o gostava muito,

mas fui gostando com o tempo.

Se queres ver a tua m�e zangada,

� partir-lhe aquela porcaria.

V� l�, rapaz. Senta-te.

Ent�o, ela contou-te?

Tinha medo que n�o voltasses.

Mas sabes como � a m�e.

N�o fiques muito desapontado com ela.

N�o fico.

S� precisa de reorganizar as ideias

e todas as hist�rias que inventou.

Logo h� de perceber que n�o � nada com ela.

Ent�o e tu?

O que � que eu tenho?

O que achas?

Bem, n�o foi coisa que me espantasse.

Sempre soube que eras um pouco florzinha.

N�o conseguias lan�ar uma bola, por mais que te ensinasse.

- Credo. - De maneira nenhuma.

N�o eras capaz.

Fazes-me parecer um clich� horr�vel.

- Consegues lan�ar? - Nem uma.

Ora a� est�.

Gostavas que eu tivesse sabido?

N�o sei.

Ouvia-te chorar no quarto depois das aulas.

Os rapazes agrediam-te?

N�o s� os rapazes.

Faziam o qu�?

Chamavam-me menina,

ignoravam-me, n�o queriam jogar comigo, enfiavam-me a cabe�a na sanita,

espetavam-me pioneses na cara.

Valha-me Deus.

Pois, sabes como �,

os mi�dos s�o cru�is, n�o �?

Porque n�o ias ao meu quarto, se me ouvias chorar?

Porque n�o me contaste o que se passava na escola?

Responde tu primeiro.

S� sincero.

N�o queria imaginar-te como um mi�do

que � gozado pelos outros.

E sabia que, se andasse na tua escola,

tamb�m teria gozado contigo.

Provavelmente, tamb�m sempre achei isso.

Deve ter sido por isso que n�o te contei.

Bem...

Sabes, quando ela me contou,

fez-me pensar em todas as piadas que faz�amos...

Imit�vamos o teu professor de Ingl�s

quando passava a abanar a m�ozinha.

Dizias-me para n�o cruzar as pernas

como uma mulher, vezes sem conta.

Dizia?

Sim...

Ainda penso nisso sempre que cruzo as pernas.

Tamb�m tenho boas mem�rias.

Espero que sim. Raio...

Espero que tenhas.

Lembro-me que adoravas decorar a �rvore.

Eras louco por aquilo todos os anos.

E deixavas-me sempre...

- ... p�r a fada no topo. - Pois era.

Desculpa nunca ter ido ao teu quarto quando choravas.

N�o faz mal, a s�rio.

Na verdade, faz, n�o �?

Pai, eu percebo.

Foi h� tanto tempo. Para!

Posso abra�ar-te agora?

Sim, por favor.

Tu est�s bem, filho.

Est�s bem.

Depois disto,

quero sair.

Tu...

... e eu, juntos.

Para o mundo.

Queres beber o qu�?

Uma cerveja.

Obrigado.

Com licen�a.

Com licen�a.

Com licen�a.

Tinha saudades de sentir isto.

N�o te ou�o.

Dan�as?

Se estiver bem desgra�ado.

Ent�o, vamos desgra�ar-nos bem.

Anda.

Onde arranjaste isto?

Achei na carteira.

Sei l� h� quanto tempo l� estava.

Acho que � cetamina.

A s�rio?

Alguma vez tomaste?

N�o.

Cuidas de mim?

Vou dar o meu melhor.

Tu cuidas de mim.

Tudo pode acontecer. Nos pr�ximos 30 minutos,

vamos ter boa m�sica.

Aqui, temos a segunda entrada mais alta da semana.

No n�mero quatro, The Pet Shop Boys e "You Were Always on My Mind".

- Ol�. - Adam?

O que se passa?

Est�s muito quente.

Ele est� muito quente.

O qu�?

Toma l�.

Anda.

Aperta um bocadinho.

Talvez n�o te tenha abra�ado

Naqueles momentos de solid�o

E acho que nunca te disse

Estou t�o feliz por seres meu

Se te fiz sentir em segundo

Desculpa ter sido cega

Estiveste sempre no meu pensamento

Estiveste sempre no meu pensamento

Diz-me

Diz-me que o teu amor n�o morreu

D�-me

Mais uma hip�tese de te fazer feliz

Feliz

Juntem-se.

Est�o prontos? Vou carregar.

Vai disparar.

- Feliz Natal. - Feliz Natal.

- Vamos l�! - Feliz Natal.

- Feliz Natal! - Vai...

Isto � real?

Parece real?

Sim.

Ent�o, a� tens.

Mas por quanto tempo?

N�o consigo responder.

Acho que n�o decidimos quando acaba.

N�o v�o sair, pois n�o?

Aonde hav�amos de ir?

A casa dos Walsh.

A casa dos Walsh?

A casa dos Walsh.

N�o, espera.

Promete-me que n�o v�o sair agora.

Prometo.

Estamos s� a dormir aqui ao lado.

Prometo.

Est� bem?

Vai dormir.

Oh, n�o.

O que �, querido?

N�o consigo dormir.

Queres entrar?

- Posso? - Claro que sim.

O cheiro ainda � o mesmo.

Entravas aqui todas as noites a dizer que n�o conseguias dormir.

Sempre com medo de alguma coisa.

Assassinos a entrar em casa ou raiva

ou a guerra nuclear.

As pessoas ainda t�m raiva?

N�o.

Estava desesperada para te ver crescer e ter uma boa noite de sono.

Lamento.

Lamentas o qu�?

Eu � que lamento.

Devia ter saboreado cada vez que me irritaste.

Para onde foste?

Tu sabes, depois.

Fui viver com a av�.

Ela levou-me para Dublin.

Sim, calculei.

Porque n�o ficaste com a fam�lia do pai? Com a av� May?

Disseram que estava muito desgostosa.

Com qu�?

Tinha perdido o filho.

Mas a minha m�e estava bem com a perda da �nica filha?

N�o.

Ela n�o estava bem.

S� n�o acredito que ela p�de cuidar de ti e eu n�o.

Algum deles ainda � vivo?

N�o.

Acho que n�o podiam ser.

E como te deste l� com a minha m�e?

Conseguiste integrar-te melhor na escola?

Tive o cuidado de o fazer.

Detesto n�o termos estado presentes quando precisavas mais de n�s.

E detesto ainda mais n�o ter estado realmente presente antes.

Isso n�o � verdade.

Por favor, estava longe de ser M�e do Ano.

Mas gosto de pensar que teria melhorado com o tempo.

Se tivesse tido tempo.

Quando era adolescente

ou at� mais tarde, na casa dos vinte,

costumava planear tudo.

Como assim?

O que pod�amos ter feito juntos.

Com todos os pormenores. Idas ao Whitgift Centre,

anivers�rios,

viagens a Londres,

ao Planet�rio, �s Masmorras de Londres.

Sempre quis l� ir.

Eu sei.

Houve feriados em que poder�amos ter ido.

Cheg�mos a ir � Disneyland?

Cheg�mos.

Quando tinha 14 anos.

N�o parava de chover.

E fecharam a Space Mountain.

E discutimos todos os dias.

Porque � que discutimos?

Era o que toda a gente fazia com os pais.

Discutiam e implicavam

e fingiam que arruinavam a vida uns dos outros.

Fizemos as pazes?

N�o, n�o era preciso.

Est�vamos juntos...

... portanto, n�o importava.

Est�s bem?

N�o.

Est�s bem, filho.

Tu est�s bem.

Que est�s tu a fazer aqui? N�o devias estar aqui.

M�e!

Tu est�s bem.

Tu est�s bem.

- Que dia � hoje? - Domingo.

Porque � que...

Como... Porque � que ainda � domingo?

N�o paravas de gritar pelos teus pais vezes sem conta no clube.

E ent�o...

N�o sabia o que fazer,

portanto, trouxe-te para aqui e fiquei contigo at� adormeceres.

Parecias t�o assustado.

E estou.

Ei, anda c�.

Anda c�.

Est� tudo bem.

Estou aqui, est� tudo bem.

Tu est�s bem.

Estava a dormir na cama deles na noite em que sa�ram.

Era para ter ido com eles.

Para uma bebida de Natal em casa dos Walsh.

Por volta da meia-noite,

bateram dois pol�cias � porta, um homem e uma mulher.

Ele tinha uns olhos lindos e af�veis

e uma barba curta escura e forte.

Parecia quase desenhada.

O carro derrapou no gelo negro.

Tinham bebido os dois...

O meu pai teve morte imediata, mas a minha m�e foi levada

para o Saint Mary's em Croydon e morreu dias depois.

Chegaste a v�-la?

Como assim? Para me despedir?

Sim.

N�o.

A minha av� achou que seria muito traumatizante.

Ela foi projetada pelo para-brisas e perdeu um olho,

portanto, estava muito desfigurada.

Credo.

Pois.

Fui procurar esse olho.

N�o sei porqu�.

N�o queria que mais ningu�m o encontrasse.

Achei que estaria � beira da estrada.

A olhar para mim. "Ol�."

Mas encontrei um pedacinho

do vidro do para-brisas.

Na minha ideia, tinha sangue, mas talvez n�o seja verdade.

A enfermeira disse que ela acordou mesmo antes de morrer.

Devia estar t�o confusa. Mal conseguia ver...

O meu pai n�o estava l�, eu tamb�m n�o.

N�o consigo imaginar sequer como te sentiste.

A solid�o que deve ter sido.

Sim, mas sempre me senti sozinho,

mesmo antes.

Aquilo era um sentimento novo.

Assim como...

... um terror

de que iria estar sempre sozinho.

E ent�o, � medida que cresci, esse sentimento

consolidou-se.

� um n� aqui, constantemente.

E depois a perda deles

confundiu-se com tudo o resto

de ser gay

e de me sentir como...

... se o futuro n�o importasse.

Faz algum sentido?

Sim.

Sei como pode ser f�cil deixarmos de gostar de n�s.

Sim.

Sim.

Adam.

Vens comigo?

Aonde?

Deixa-me mostrar-te.

De quem � esta casa?

Dos meus pais.

Sim.

Quem vive c� agora?

Est� tudo bem.

N�o te preocupes.

Ol�?

Adam.

Ol�?

- Onde est�o eles? - Quem?

Ol�?

Quem?

Os meus pais.

� a nossa casa, a nossa cozinha.

� o nosso papel de parede, a nossa mesa

onde com�amos Fish and Chips todas as sextas

para a minha m�e fingir que ainda �ramos cat�licos.

Adam, quero ir para casa. Deixa-me levar-te.

- � a minha casa. - N�o, j� foi.

- M�e? - J� n�o �. Adam!

- Pai? - Adam, ouve. Deixa-me levar-te.

- Olha para mim. - Vai tu para casa.

Vai tu. Eu n�o vou.

Onde est�o eles?

Onde est�o eles?

M�e?

- Adam. - Pai?

Est�s a v�-los?

Deixem-me entrar.

Por favor.

Por favor, deixem-me entrar.

Por favor, deixem-me entrar.

- Eu acho... - Sim. Agora, tem de parar.

Tem de seguir em frente. N�o pode continuar a vir aqui.

N�o estamos a deix�-lo seguir com a sua vida.

Acho que estamos a ajudar.

- N�o estamos. - Acho muito cedo.

N�o � normal.

Porque n�o nos deixaram entrar?

Onde est� ele? O Harry est� c�?

N�o.

Mas vimo-lo.

Mas queria que o conhecessem.

Eu sei, mas acho que n�o funciona assim.

Mas parecia bonito.

� ele o teu...

... amigo especial?

Queres dizer meu namorado?

Podes dizer.

Bem, � o teu namorado?

N�o sei.

Est�s apaixonado por ele?

Porque � que � t�o estranho?

N�o sei, nunca estive apaixonado, portanto...

Nem por isso.

Ent�o, isto...

N�o sei se � isto.

Querido.

Bem,

sem d�vida que parece gostar muito de ti,

na minha pouco humilde opini�o.

Gostavas de estar apaixonado por ele?

Sim?

- Filho, acho que temos de... - N�o.

N�o digas.

- Por favor, n�o digas. - N�o, tem de ser.

Tem de ser.

Eu e a tua m�e

achamos melhor n�o nos visitares mais.

Est� bem.

Vais continuar a vir, eu sei que sim.

E vemos o que isso que te est� a fazer.

N�o est� a fazer-me nada.

Est� sim.

N�o te deixa seguir em frente.

Est� bem, venho menos vezes.

Venho uma vez por ano.

Pelo Natal.

V� l�, rapaz.

Devias saber que n�o ia durar para sempre.

N�o estou a pedir que dure para sempre.

Estou s�...

Ainda n�o foi suficiente.

N�o foi suficiente nem perto.

Eu sei, mas nunca podia ser, pois n�o?

Ei, ouve.

Tenho uma ideia.

E que tal...

Que tal irmos ao nosso lugar preferido do mundo inteiro?

De certeza que ainda est� aberto.

A melhor coisa a seguir � Disneyland.

E tamb�m muito mais barato.

O que achas?

Pode trazer o "especial de fam�lia", por favor?

� muita comida.

N�o faz mal.

At� n�o tenho muita fome.

- Eu tamb�m n�o. - N�o.

Quero perguntar-te uma coisa.

- Credo, n�o perguntes... - Vou perguntar.

- Foi r�pida? - Eu disse para n�o perguntares.

Tu queres saber.

E se foi lenta e horrivelmente dolorosa?

- Mas que diferen�a faz? - Faz muita.

Foi r�pida.

- Foi? - Sim.

Para os dois?

N�o pareces seguro. N�o mintas.

Foi r�pida.

Foi muito r�pida.

Est� bem.

Sim.

Mas � um al�vio, n�o �? Mais ou menos.

Andava a bailar-me na cabe�a.

O que achas que devemos dizer?

N�o sei se tenho muito que dizer.

N�o sei. Talvez o Adam, sendo mais velho, tenha algo a dizer-nos a n�s.

Talvez n�o dev�ssemos dizer nada.

Talvez.

Mas devo dizer que fic�mos muito orgulhosos por te conhecer, filho.

N�o fiz nada digno de orgulho.

- Fui conseguindo safar-me. - Mas passaste por...

... horas dif�ceis, de certeza,

e ainda aqui est�s.

� disso que nos orgulhamos.

Sim.

Pai?

Fiquem.

Fiquem mais um pouco.

N�o pode ser, filho.

Amo-te, querido.

Amas?

�s vezes, n�o tinha a certeza.

Mesmo que tiv�ssemos problemas, fico feliz por estarmos juntos no fim.

Eu tamb�m.

Agora...

Sei que nunca fui bom a diz�-lo.

N�o me sa�am as palavras.

Mas amo-te muito.

De certo modo, ainda mais agora que te conhe�o.

� importante que acredites em mim.

Acredito.

E amo-te muito...

Pai.

Pai...

Ouviste, pai?

Adam, est�s a�?

N�o consigo ver-te. Porqu�?

Estou aqui, m�e.

C� est�s tu.

Consigo sentir-te.

A tua pele � maravilhosa e quente.

Agora, ouve.

Promete-me

que vais tentar com este Harry.

Sim.

Teria gostado dele. Tenho a certeza.

Pode precisar de algum carinho.

Tem uma express�o t�o triste.

- Est�s a ouvir? - Sim.

Sim, estou a ouvir.

Ainda bem.

Espero que se fa�am um pouco mais felizes um ao outro.

Um rapaz t�o bondoso e meigo.

- Bom apetite. - Obrigado.

Harry?

O que est�s a fazer aqui em baixo?

Vim � tua procura.

Est�s aqui porqu�?

Despedi-me deles, por isso, vim ter contigo.

- Est� tudo bem. - Mas n�o est�, pois n�o?

Estava t�o assustado nessa noite. S� precisava de n�o estar s�.

Eu sei.

Desculpa.

Tive demasiado medo

de te deixar entrar.

Estou ali dentro, n�o estou?

- Vamos s� l� para cima. - N�o, n�o, n�o.

S� preciso que me digas, est� bem?

Porque consigo cheirar.

Sinto o sabor na garganta.

Como � que ningu�m me encontrou?

Onde estavam os meus pais?

- Eu encontrei-te. - Eu sei...

Mas n�o quero que me vejas daquela maneira ali, Adam.

Tu n�o est�s ali dentro.

N�o est�s ali dentro.

Est�s aqui.

Est�s aqui.

Est�s aqui.

Comigo.

Vamos s� l� para cima.

Eu vi-a, sabes.

A tua m�e.

O teu pai tamb�m, na casa.

Eles tamb�m te viram.

Viram?

O meu pai diz que �s bonito.

Teriam gostado de ti.

Os dois.

Que bom.

Chegaste a dizer o que querias?

N�o sei, mas pude estar com eles.

Foi bom estarem todos juntos.

Sim.

Tenho medo.

Eu sei.

Mas eu estou aqui contigo.

N�o deixes isto voltar a ficar confuso.

Est� bem, v� l�.

Est� bem.

Tanto sil�ncio.

Nunca suportei o sil�ncio deste s�tio.

P�es um disco a tocar?

- Gostavas de ouvir o qu�? - Escolhe tu.

"Eu protejo-te dos vil�es,

"afasto os vampiros da tua porta."

BASEADO NO ROMANCE "DESCONHECIDOS" DE TAICHI YAMADA

Tradu��o NOS Audiovisuais por Edite Raposo

FIM

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