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Bear Grylls e equipe recebem ajuda quando há risco de vida
como exigido pelas regras de segurança.
Situações são criadas para que Bear
mostre técnicas de sobrevivência.
Sempre procure ajuda profissional.
Sou Bear Grylls.
E vou mostrar o que fazer para sair vivo
de um dos lugares mais perigosos da Terra.
Tenho que passar por uma semana de desafios
em lugares em que ninguém duraria um dia
sem os conhecimentos corretos em sobrevivência.
Desta vez eu estarei nos pântanos do "Deep South" dos EUA.
Onde terei que me aventurar por terrenos temerosos.
Lutar por comida...
encontrando perigos nas profundezas do pântano.
E ficar cara a cara
com alguns dos mais perigosos animais silvestres do planeta.
Algo acabou de bater em mim bem forte.
Legendas: FSGmed Tcholdz
Legendas: Fanuelbenne Ivekiø
UNITED4EVER united4everteam@gmail.com
À PROVA DE TUDO SO5EO2 Deep South
O "Deep South" engloba os maiores pântanos nos EUA.
São milhões de quilômetros quadrados de pura vida selvagem
no limite da civilização.
A fronteira entre o homem e a natureza.
Onde se encontra um dos piores climas no planeta.
Aqui é o terreno dos furacões.
Este lugar já enfrentou condições climáticas extremas do planeta.
Como tornados, tempestades elétricas e furacões como o Katrina.
Quando o Katrina atravessou por aqui, em 2005,
soprava ventos de 280km/h, com maremotos de até 10m
e trazendo morte e destruição em escala incomparável.
Tenho alguns instrumentos básicos de sobrevivência
e a minha equipe de filmagem virá comigo.
Irei mostrar como sobreviver
nesta região em que passou o Katrina, vamos lá!
Não posso aterrissar nos pântanos,
então o piloto irá me deixar num canal de águas profundas.
Assim que encostar na água, eu desembarco.
Cair na água nesta velocidade é perigoso.
Caia da maneira errada e irá quebrar braços, pernas ou coisa pior.
Não vou querer ficar por muito tempo neste rio,
tenho que chegar até a margem.
Os rios de águas profundas abrigam os maiores perigos nos pântanos.
O piloto mencionou que há mais de 2 milhões de aligátores neste pântano,
incluindo o maior já registrado, com quase 6,5m.
Por isso quero sair o quanto antes deste rio.
Em 2006, na Flórida, 3 pessoas foram mortas por aligátores
em apenas alguns dias.
Deverei ficar alerta e concentrado.
Há uma quietude muito estranha neste lugar.
É impressionante o quanto seus ouvidos ficam sensíveis.
Dá para ouvir cada galho quebrando.
Quando não se tem muita certeza do que há por debaixo da superfície.
Assim como aligátores,
estes pântanos são o lar de mais de uma dúzia de cobras venenosas,
tartarugas carnívoras agressivas
que podem chegar a pesar mais de 100kg
e peixes pré-históricos de até 3m.
Algo acabou de bater em mim bem forte.
Já posso dizer que o negócio aqui será aceitar
que existem...
coisas na água...
e seguir em frente.
Tenho que tentar sobrepujar meus medos iniciais
e continuar andando.
Mas o pântano é o terreno mais difícil de se progredir.
Águas profundas, barro lamacento
e perigos imprevisíveis estão por toda parte.
A primeira coisa que vou querer é uma espécie de bastão
para me ajudar a mover-me por aqui.
Está tudo bem aí?
É por isso que temos que arranjar um bastão!
O leito do pântano está cheio de buracos
e nunca se sabe o que pode estar espreitando lá de baixo.
Vou quebrar este galho usando essa forquilha de raízes aqui.
O bastão ajudará a mover-se,
proverá proteção aos ataques de aligátores
e poderá até servir de arma quando não sabe o que te espera.
Você viu isso?
Acabei de ver um enorme Ratão-do-banhado.
Ele se escondeu por aqui, debaixo desta árvore.
Eles são um dos maiores roedores do mundo.
Parecem muito com...
um castor, com uma longa...
cauda e dentes grandes e alaranjados.
Os Ratões-do-banhado são comestíveis mas são perigosos.
Chegam a atacar animais muito maiores do que eles mesmos.
Tomem cuidado, ele é ligeiro, afastem-se um pouco.
Ele está bem escondido ali no fundo.
Vamos deixá-lo em paz.
O Pântano está repleto de vida selvagem,
O que significa que há muita comida por aqui.
Você tem que saber a diferença daquilo que é comestível
para aquilo que irá matá-lo.
Uma cobra!
Uma pequena cobra d'água.
Esta não é venenosa mas o pântano está repleto
de bocas-de-algodão e cobras-corais, ambas mortais.
Esta cobra aqui se alimenta de peixes,
não é venenosa e é realmente boa para se comer.
Boa para se comer crua.
Livre-se da cabeça.
A carne de cobra está repleta de nutrientes.
Mas com essa cobra isto não é tudo que irá conseguir.
Deve tomar muito cuidado ao comer muitas destas cobras
sem as cozinhá-las.
Porque essencialmente
as suas entranhas
estão repletas de
peixes em decomposição
e você não irá querer isto dentro da sua boca.
Mas esta parte aqui está boa.
É uma cobra a menos pra nos preocupar! Vamos continuar.
Achar alimento aqui pode ser mais fácil do que achar uma rota de fuga.
Há 2 anos um homem se perdeu por aqui
quando o seu bote ficou encalhado.
Ele não tinha alimento, nem água
e finalmente foi encontrado 6 dias depois
exausto, desidratado e quase morto.
Ele só saiu para comprar um maço de cigarros,
e sem perceber já estava a alguns quilômetros da civilização.
É engraçado perceber que quanto mais raso fica
este pântano se torna mais fedorento.
E, veja só, se eu colocar isto na lama,
ela libera essas bolhas, que são de metano,
proveniente da vegetação apodrecida por ali debaixo.
Veja, é por sobre isto que estamos andando aqui.
Cheira como se
várias pessoas num quarto pequeno após terem comido muito feijão.
Há 1,5 milhão de aligátores por aqui.
Eles preferem as águas rasas e lamacentas.
E é só uma questão de tempo até encontrá-los.
Veja, é um filhote de aligátor, afaste-se.
Olhe só para ele.
Não ficou muito feliz.
Viram? É assim que ele pega suas presas.
Ainda bem que há esta árvore entre nós.
Ele bate com a cauda e ao mesmo tempo movimenta a cabeça.
É um verdadeiro guerreiro.
Mantenha uma certa distância.
É melhor manter os olhos nele enquanto nos afastamos.
No ano passado o Estado liberou mais de 60 mil aligátores nos pântanos
para encorajar a caça.
Evitá-los aqui não será trabalho fácil.
Ele está bem concentrado.
Estou me aventurando pelo terreno dos furacões no "Deep South".
Todos os anos esta área é arrasada pela natureza
e as tempestades podem deixar surpresas pelo caminho.
Um assento solto no meio do nada.
Vamos olhar em volta.
Na verdade tem algo mais por aqui, também.
É um velho aquecedor de água doméstico.
Provavelmente veio parar aqui por meio de um enorme maremoto.
Deve lembrar que este lugar é palco de furacões enormes,
com ventos de 220km/h, o nível da água sobe a 7-8m
e é assim que encontramos estas coisas ao acaso, no meio do nada.
Estes traços de civilização são um bom sinal,
este pode ser o caminho para fora daqui.
Quanto mais pessoas vierem aos pântanos,
mais encontros com aligátores vão acontecer.
Este aqui é o seu habitat.
Eles podem ficar espreitando próximos a superfície,
escondidos pelo lamaçal, você dificilmente iria percebê-los.
Poderá estar em cima deles antes de percebê-los.
Na verdade sua melhor arma são os seus ouvidos.
Apenas escute.
Quando algo se mover por aqui, você poderá ouvir.
A caça predatória já quase dizimou a população de aligátores.
Mas desde a década de 70 o número chegou a aumentar 10 vezes.
Há 1,5 milhão deles nestes pântanos.
Sem dúvida há algo se movendo a uns 50m a frente.
Vamos nos mover de forma silenciosa.
A caça é encorajada aqui.
A cada os caçadores matam 30 mil aligátores selvagens
por causa da pele e carne. E eu quero essa carne.
Acho que tem algo se mexendo por ali. Vamos dar a volta.
Os ataques de aligátores a humanos
têm aumentado drasticamente nos EUA.
Na última década houve mais mortes do que nos 30 anos anteriores.
Com tantos aligátores por aqui, o contato é inevitável.
Mas há formas de se lidar com eles, caso seja necessário.
Venha por aqui, eles já nos viu agora.
Venha, devagar, com firmeza.
Um mordida deste bicho iria arrancar meu braço como um galho podre.
Este tem um bom tamanho, provavelmente uns 2m.
Um aligátor deste tamanho já está completamente maduro,
porém ainda continuará crescendo.
E assim que atacam, o instinto deles é de encurralar até a morte.
Este aqui é um páreo duro de 2m de puro músculo.
E não subestime o quão poderoso esses animais são.
Este bicho é mais forte e sem dúvida mais rápido do que eu.
Você não pode correr deles,
eles chegam a disparar em velocidades de até 55km/h.
E a esta pequena distância não há como escapar.
Veja os olhos dele mirando
diretamente para mim.
Ele está bem concentrado.
Não há muita coisa para ele temer nestes pântanos,
por isso ele não está se afastando de mim.
Não há como voltar atrás agora.
Devo fazer isto da forma mais rápida e indolor possível.
Quero subjugá-lo no chão, prender sua mandíbula e então segurar firme.
Tenho que conseguir fazer isso rapidamente.
Nossa, este cara é força pura!
Agora tenho que manter a boca fechada.
Toda a força da mandíbula é usada para fechar, nem tanto para abrir.
A forma mais eficiente para matá-lo.
é lacerar a medula espinhal atrás da cabeça.
Já cortei a sua medula espinhal.
E a morte é instantânea!
Certo, vou tirar a pele e cozinhá-lo mais tarde.
Este aligátor será muito útil para mim.
Mas antes devo achar um local para acampar.
Há um bom local, mais alto, logo ali na frente.
Quero chegar lá,
será um bom lugar para montar acampamento.
Nossa, aqui é bem mais fundo do que eu imaginava.
As marés, a chuva e as tempestades
podem fazer o nível da água subir vários metros em apenas horas.
Então é importante montar acampamento
no terreno mais elevado que puder.
De fato isto aqui irá funcionar muito bem.
Vou usar isto aqui como uma plataforma para poder me deitar.
Há muita barba de velho, também.
O que não achei foram espécies de cipós por aqui.
Mas tenho uma idéia do que posso usar.
O couro do aligátor é uma das peles de animais mais resistentes.
O que a faz um excelente material para se trabalhar.
Se eu conseguir cortar tiras desta pele,
isto será a corda mais forte que se poderá conseguir.
Será ideal para amarrar meu acampamento bem firme.
A escuridão chega rápido nos pântanos.
preciso construir este acampamento depressa.
Por isto construo uma simples cama suspensa só o que tenho ao redor.
Vários galhos de cipreste caídos, trazidos por ventos de furacões.
Esta é a plataforma sobre a qual vou me deitar
e o que posso fazer é usar toda essa barba de velho desta árvore.
Se esta coisa estivesse no chão deveríamos tomar cuidado,
poderiam estar cheias de insetos que iriam te morder até a morte.
Mas nas árvores, como estes, estão bons, secos e macios.
E servem muito bem para uma cama.
Vamos fazer um teste nisto aqui.
Ficou muito bom.
Posso colocar alguns destes galhos por cima
para fazer um telhado também.
Tempestades tropicais
trazem uma quantidade enorme de chuva para esta área.
Às vezes até 2,5cm por hora.
Num clima destes, proteção contra a chuva é essencial.
Estas folhas de palmeiras são exatamente o que preciso.
Bem, já consegui terminar.
Estou acima do chão, está muito bom e macio.
Tenho proteção contra a chuva.
A próxima coisa que preciso é uma fogueira.
Ouviram isto? Estão vendo lá adiante?
É um Ratão-do-Banhado,
Um daqueles se escondeu na árvore e não consegui fazer sair.
Um roedor típico.
Aqueles grandes dentes parecidos com os de castores.
Dão um bom prato.
Mas tenho muita comida com esse aligátor.
Vamos acender logo esta fogueira.
Quando o sol se põe, a temperatura aqui cai rapidamente.
E à noite as temperaturas chegam a ser congelantes.
Fazer fogo no pântano,
um local basicamente alagado,
já posso prever que não será fácil.
Mas esta barba de velho está bem seca.
Ainda bem que achei ela naquela árvore.
Vejam só, eu sempre me surpreendo.
Após horas andando pelas águas
você deve tentar se secar o máximo que puder,
especialmente os seus pés.
O perigo de não secar os seus pés
é acabar ficando com "pé-de-trincheira",
ou, neste caso "pé-de-pântano".
É quando seus pés começam a congelar,
perdendo a mobilidade,
eventualmente ficam infeccionados
e isto torna praticamente impossível caminhar.
É assim que as pessoas morrem em lugares como esse.
Quando estiver cansado e faminto,
a carne do aligátor é uma das melhores fontes de energia
e nutrientes que poderá conseguir.
Esta é uma das melhores partes da carne de aligátor
na lateral da cauda.
É onde realmente está a força.
Olhem só isso, magrinha. Vai ficar uma delícia!
A carne de aligátor tem baixo teor de colesterol.
Comparado à carne de gado, tem metade do valor de gorduras.
Acho que este pedaço já deve estar pronto.
Deixe-me provar.
Após um dia exaustivo nos pântanos,
é ótimo ficar seco e aquecido com uma carne magra para se alimentar.
Delicioso!
O bom é que não vai faltar disto por aqui.
O aligátor me forneceu bastante alimento
e sustentação para meu abrigo.
Mas também poderá evitar com que eu contraia a Febre do Nilo do Oeste,
uma doença mortal causada pela mosquito dos pântanos.
Uma coisa que os índios locais costumavam fazer
para manter os mosquitos afastados era usar gordura de aligátor.
Veja só aqui, há camadas grossas de gordura acima da carne.
E você pode esfregar isto aqui na sua pele.
E apesar de não cheirar muito bem irá manter os mosquitos bem longe.
E, rapaz, há muita abundância deles por aqui!
Não estou com muitas esperanças de uma boa noite de sono.
Os pântanos são locais bastante assustadores.
À noite há tantos barulhos.
Os predadores que vivem aqui costumam caçar durante a noite.
E parece que só consigo ouvir isso agora.
Este lugar nunca dorme. E, no momento, nem eu.
Vai ser uma longa noite.
Acabei de passar a noite nos pântanos no "Deep South"
Este lugar nunca adormece.
Não consegui dormir muito mas ao menos não houve tempestades.
Os ventos dos furacões arrasaram com muitas árvores por aqui,
e quando possível eu as uso para ficar longe das águas mais profundas
onde os aligátores maiores podem estar espreitando.
Olhem só lá adiante. Vejam.
Vamos lá dar uma olhada.
Parece que há mais sinais de civilização.
E pode haver algo lá que poderá me ajudar.
Parece uma cabana de acampamento.
Mas, olhem só, está bem destruída agora.
Deve ter sido destruída em um dos furacões.
Mas ainda há madeira que pode ser usada aqui.
Se a sua vida dependesse disso.
Vou usar algumas dessas
para criar uma jangada e atravessar o rio.
Porque é nos rios grandes como este
que você irá encontrar os aligátores grandes.
Estas águas profundas são habitat de aligátores de até 6m de comprimento.
Você não iria querer encarar um desses monstros,
por isso eu vou tentar manter-me fora da água.
Ali há uma boca-de-algodão. Venha ver.
Fique parado, veja, está se movendo por ali.
É bem sinuosa, já passou para o lado de lá.
Lá vai ela, estão vendo?
Este lugar é cheio de perigos escondidos.
E a boca-de-algodão é uma das raras cobras
que de fato virão para cima de você.
Ela já se foi.
Por ser uma boca-de-algodão, fico mais aliviado.
Esta cabana não oferece mais utilidade para ninguém
mas para mim é uma mina de ouro.
Irá me prover com todo o material que preciso
para construir uma bela jangada.
Pode parecer uma sucata velha mas se souber o que está fazendo
estas coisas podem se tornar verdadeiros salva-vidas.
Isto aqui vai funcionar muito bem
como base de sustentação para esta jangada.
Vou usar isto aqui.
Deixarei estas madeiras atravessadas ao longo daqui.
Então só precisarei
de um assoalho para por no topo.
E será o suficiente para me manter fora da água
e ajudar-me a flutuar pelo rio.
A cabana está cheia de pregos velhos e enferrujados.
Eu posso usá-los para fixar minha embarcação.
Mas é muito fácil se machucar com um deles
e infeccionaria em questão de horas neste pântano fétido.
Devo me apressar, porque o clima está mudando para pior.
Já começaram as trovoadas. Também começou a chuviscar.
E os mosquitos já estão à toda.
É a pior hora do dia nos pântanos.
Tenho que terminar isso logo
e atravessar o rio, sem virar comida.
Vamos dar uma testada.
Vamos torcer para que flutue.
Preciso que dê certo, pois não tenho muito tempo para atravessar o rio
e há uma tempestade a caminho.
Mas isto é perigoso.
E quando se trata de grandes aligátores e grandes rios,
você tem que fazer tudo da forma certa.
Não, não, não. Está afundando. Preciso de mais.
Eu não quero afundar bem no meio do rio dos aligátores.
Precisa de mais madeira.
Devo me apressar se quiser fazer uma nova tentativa.
O clima está piorando a cada minuto.
Preciso atravessar agora mesmo.
Não quero ficar na água numa tempestade com raios,
já que há perigo real de ser atingido.
Vamos a nossa segunda tentativa.
Isto vai ser loucura!
Minha jangada ainda não está flutuando o suficiente
e o clima está dificultando ainda mais.
Não tenho escolha a não ser esperar.
Eventualmente a calmaria volta aos pântanos.
Agora é a minha chance de atravessar.
Coloquei mais madeira aqui para que flutue.
O problema é que há muita madeira
e o tronco está pesado demais,
mas vamos fazer uma tentativa.
Agora é a hora do "Vamos ver"!
Na terceira vez eu tive sorte.
Esperei na tempestade, refiz o design da jangada.
Agora basta remar para atravessar.
Isto está funcionando muito bem.
Nenhum aligátor vai querer morder a embarcação,
há vários pregos nela.
Sobrevivência consiste em contornar os problemas e nunca desistir.
Como dizem no exército: improvisar, adaptar e superar.
Pode até não ter ficado muita bonita,
mas ela me ajudou a atravessar sem ser devorado.
E, pelas minhas contas, isto faz dela uma bela jangada.
No meu próximo desafio, eu vou pescar.
À maneira sulista!
Este é um baita... um baita peixe-gato.
Estou nos pântanos do "Deep South",
e por aqui eu permaneço a maior parte do tempo na água.
Mas não é o tipo de água que vou querer beber.
Porém se pode obter água limpa se souber onde procurar.
Uma das coisas mais difíceis nos pântanos é conseguir
achar água para beber.
Mas você pode usar estas plantas aqui.
Assim que se livrar desses terríveis espinhos.
Vejam só, ela parte desta forma, parecido com aipo.
Mas você pode mastigar isto aqui,
tem bastante líquido limpo e potável dentro dela.
Vou arrancar o resto dela para ir mastigando.
O pântano se constitui basicamente de água parada.
Mas se mistura com uns pequenos rios chamados de afluentes.
E se estiver com fome e souber o que está fazendo
este pode ser um bom lugar para encontrar peixes.
O que se deve procurar nestas árvores,
onde as grandes raízes e galhos submersos.
pode servir de tocas.
É lá que estão as sementes dos roedores, em tocas-esconderijos.
Acho que há um por aqui.
Estes buracos costumam ser as tocas dos peixes-gato.
Peixes grandes e fortes que são difíceis de se achar,
mas são muito bons de comer.
Eles são predadores que podem crescer até 2m e pesar quase 50kg.
Se escondem nos buracos o dia inteiro
esperando por peixes menores passarem.
E então abocanhá-los com seus dentes vorazes.
O que estou tentando fazer
é usar a minha mão
e meus dedos
como uma isca e anzol.
Como se eu fosse uma presa para o peixe.
O peixe-gato abocanha a sua presa e a arrasta para o seu buraco.
Quero que ele abocanhe a minha mão e aí irei arrastá-lo para fora.
É bastante arriscado,
já que as tocas dos peixes-gato são tomados por tartarugas carnívoras.
Elas podem chegar a mais de 100kg
e arrancar a sua mão numa mordida só.
Ai! Tem algo ali embaixo.
Todos os meus instintos estão gritando para eu tirar a mão de lá.
Mas eu quero esse peixe.
Nossa, esse é um baita... um baita peixe-gato.
Dêem só uma olhada.
Vejam só. Ele pegou a minha...
Venham, eu vou mostrar.
Ele abocanhou meu dedo lá para dentro da sua boca.
O que vou fazer é segurar as suas guelras.
E com isto aqui é que devo tomar cuidado,
a barbatana maior e essas menores aqui.
Encoste nela e levará uma ferroada.
As espinhas nas barbatanas dorsais e peitorais
podem causar feridas graves além de conterem um veneno poderoso
que causam dores extremas.
Esses caras se agarram à presa como a própria vida.
Caramba, ele machucou bastante meus dedos.
Aqui deve haver uns 10kg de peixe!
Vamos ver se conseguimos abri-lo.
Um peixe-gato deste tamanho é uma bela pesca
e há quantidades enormes de carne nele.
E a melhor parte é esta ao redor da sua coluna.
E toda esta carne é ótima para ser comida crua.
Aqui a carne apodrece muito rápido,
não vale a pena arriscar uma infecção alimentar,
então vou comer o que puder agora e deixar o resto.
Mas há um preço a pagar pela minha pescaria.
Uma dessas espinhas me fisgou.
Está começando a arder bastante.
Uma coisa que pode fazer para amenizar
é usar amônia.
Como a amônia da sua urina.
Estou envergonhado... agora sim.
A amônia da urina neutraliza o veneno e ajuda a aliviar a dor.
E agora estou pronto para ir.
Vamos continuar.
Por aqui, não só os animais que querem devorar você,
até mesmo o pântano vai tentar te engolir inteiro!
Consegui sair do pântano mais profundo
e estou indo para terrenos mais altos.
Mas justo quando penso que está ficando mais fácil,
a caminhada fica bem mais difíceis.
Nada neste pântano é fácil.
Este deve ser um dos lugares mais úmidos,
fedorentos
e infernais em que já estive.
Vamos continuar tentando sair de toda esta Milha Amarelada.
Milha amarelada é comum em área alagadiças.
Crescem em abundância e suas folhas são afiadas,
fazendo a caminhada por ela ser exaustiva e dolorosa.
Estou tentando usar
este bastão para aplainar
a Milha amarelada e fazer uma rota através dela.
Há muita umidade e vegetação alta
e este é um verdadeiro território das cobras.
Tomara que não tenha nenhuma aqui.
Estou tentando aplainar isto aqui.
Seja bem cauteloso.
Com a temperatura 10ºC mais quente aqui
a desidratação e intermação são perigos reais.
Então quero sair daqui rapidamente.
Caramba, agradeço aos Deuses por sair dali.
Aqui a vegetação já está menos densa.
É um grande alívio estar fora daquela Milha,
mas neste lugar você deve tomar cuidado com o que deseja.
Aqui se pode estar seco em um minuto e de volta ao lamaçal no outro.
Parece ser um terreno mais fácil, mas as aparências podem enganar.
Há algo de estranho neste lodo e não parece de forma alguma seguro.
Tenham bastante cuidado por onde pisam por aqui.
Um passo em falso e você já era.
Aqui não é mesmo um terreno firme, é vegetação flutuante.
Um pequena camada de que se estende por sobre a superfície da água.
E não há como saber a profundidade desta água.
Isto aqui é pura loucura!
Sério, é como um trampolim gigante e perigoso.
Se você afundar nisso, estará em apuros.
Há inúmeras raízes submersas que irão se entrelaçar na sua cabeça
e te impedir de voltar à superfície.
Cara, isto é horrível!
Deixe-me sair daqui.
Há uma quantidade enorme de ervas daninhas e escuridão,
é bem amedrontador.
Vamos por este caminho.
Devo me dirigir para onde estão as árvores, em terreno seco.
Mas não há rota fácil para fora deste leito de águas.
É uma verdadeira luta tentar não afundar por diversas vezes.
Finalmente estou fora da vegetação flutuante
e tenho terreno firme sob meus pés.
É muito bom estar fora de toda aquela água.
Mas mesmo isto tudo aqui, em terreno seco, é trabalho duro.
A vegetação é densa e só consigo enxergar poucos metros adiante.
É muito difícil conseguir manter qualquer senso de direção.
Vejam!
Lá no alto, parece um velho barco de pesca.
Vamos dar uma olhada.
Inacreditável! No meio do nada!
Este barco está bem distante de casa.
Uma embarcação assim é usada para pescar camarões
em grandes lagos e próximo ao litoral.
Mas seus dias de pesca estão, obviamente, acabados.
Isto deve ter sido despejado aqui pelo furacão Katrina.
Imaginem a força da água para jogar este...
barco de pesca...
no meio do nada.
Esta é a maneira de chegar vivo em terra firme.
É a primeira vez que posso ver algo que não seja
pântano, água ou árvores.
Estes mastros são a coisa mais alta em quilômetros por aqui.
Este barco é a vantagem perfeita que precisava.
Parece que há mais terreno aberto por lá.
Aquele é o caminho que devo me dirigir.
Vamos descendo...
À medida que a minha aventura nos pântanos continua,
encontram sinais de civilização.
Mas isto não significa estar seguro.
Vamos tomar cuidado por onde pisamos por aqui.
Estou nos alagados do "Deep South",
seguindo a trilha de destruição de furacões
que está me levando para fora dos pântanos.
Olhem para toda a devastação que estes furacões causam.
Mas pelo menos agora este é um terreno aberto.
O Katrina trouxe uma tromba d'água de 10m por aqui
matando a maior parte da vegetação
e espalhando estilhaços por toda parte.
Seguirei a trilha de destruição do furacão para fora do pântano.
Agora com visibilidade,
posso seguir adiante, direto ao meu ponto de extração.
Há um helicóptero por aqui em algum lugar que irá me pegar,
então quero achar um terreno mais alto onde estarei mais visível.
E de onde eu possa sinalizar.
Olhem só isso.
Por aqui pode, muito bem, ser minha saída.
Esta água é bastante rasa,
há menos chances de me deparar com aligátores pelo caminho,
valendo a pena atravessar.
A casa pode estar avariada pelas tempestades,
mas ainda está de pé.
E o telhado é o "terreno alto" de que preciso.
Cara, este lugar foi totalmente devastado.
Esta enorme casa um dia já esteve em cima dessas estacas.
Acabou sendo arrastada.
Não há sinal de ninguém aqui.
Isto aqui já foi o lar de alguém.
Milhares de casas como esta foram destruídas pelo Katrina.
Sendo, então, tomadas pela vida selvagem.
Ei, olhem, há uma boca-de-algodão aqui.
Que belo vizinho se mudou para cá!
Cuidado no que pisam por aqui.
As avarias da tempestade foram tantas
que muitas casa se tornaram inabitáveis.
Tudo está em ruínas.
Após o Katrina,
muitas famílias ficaram presas em inundações,
tendo que se refugiar nos lugares mais altos possíveis.
O telhado parece bom o suficiente. Vejamos se consigo subir lá em cima.
E os pontos mais altos aqui são os telhados.
Para milhares de vítimas do Katrina
o telhado era o único local seguro a se estar.
Longe das águas pantanosas e de sua vida selvagem,
que frequentemente era trazida até as suas casas.
E também o melhor lugar para serem avistados, localizados e resgatados.
E será da mesma maneira comigo.
No telhado eu me torno visível por quilômetros
e o helicóptero me avistou.
Ele me avistou.
Então faça o sinal internacional de atenção, um grande "Y".
Significa "Sim" (Yes), eu preciso de ajuda!
A um salto da casa, tenho uma chance para conseguir,
e se perdê-la, será uma bela queda.
Sobrevivi aos desafios dos pântanos, cobras e aligátores.
E, para mim, a aventura no "Deep South" chegou ao fim.
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