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Original subtitles

é Bom dia, Bom dia a todos!

Eu chamo-me Nuno Monteiro e sou colaborador do Standard de Angola.

Hoje tenho o privilégio de falar

entrevistar um colega meu, Fásio Mussá,

que é o economista chefe do Standard Bank de Angola.

Para Angola, Moçambique e República Democrática do Congo.

Bom dia Fausio. Bem vindo.

Obrigadíssimo por teres aceito o convite.

Eu gosto de estar aqui e é um prazer poder termos esta conversa.

Sei que sim.

É um enorme privilégio receber sempre

Obrigadissimo

Fáusio, eu

aproveito a tua presença em Angola

para, enfim fazer te aqui algumas perguntas.

Perguntas que enfim, fazem todo o sentido

e que nos ajudam a perceber um pouco mais

sobre a economia do nosso país.

Portanto, então começando, eu faria te já a primeira pergunta

que está relacionada com o seguinte.

Portanto, este ano tem sido particularmente difícil para Angola.

Como é que tu avalias o desempenho económico do país?

é assim, é uma pergunta

aparentemente simples,

mas pode te gerar uma resposta muito complexa.

E eu quero usar este momento para

se calhar partilhar a minha resposta usando alguns indicadores,

indicadores, dos anos e

se calhar a contextualizar a nossa situação.

Era bom que nós pudéssemos falar um pouco,

talvez sobre o Produto Interno Bruto.

que mede o nível de produção desta economia,

o crescimento do PIB em 2023

foi de 1%

okay

e este ano, no primeiro semestre, a economia angolana cresceu

acima de 4%.

Então, pelos números do PIB,

nota se claramente uma recuperação do crescimento económico, certo.

Agora,

como é que

isso aparentemente

contrasta com esta tua afirmação inicial

É um ano difícil

e entretanto a economia está a crescer a um ritmo acelerado

que parece que está difícil, com contradições.

Parece uma contradição, mas de facto,

se calhar importa

referir que este crescimento do PIB

tem como principal motor,

eu diria,

uma recuperação

do crescimento da produção do petróleo do sector petrolífero.

No ano passado, em Março de 2023,

Angola experimentou uma produção abaixo de 1 milhão de barris por dia.

Foi uma queda brusca na produção e reflectia essencialmente

um programa de manutenção,

um poço de petróleo que causou esta redução da produção.

Depois desse episódio de março, a produção petrolífera estabilizou

em torno dos 1.1 milhão de barris por dia entre 1.1 e 1.2.

E, obviamente, quando nós comparamos o desempenho

do primeiro semestre deste ano com o desempenho do primeiro

semestre do ano passado, esse efeito de base é muito pronunciado.

Só para

ilustrar, no primeiro trimestre de 2024,

a produção do sector petrolífero cresceu mais de 7% ao ano.

Esse crescimento desacelerou já no segundo

no segundo trimestre para o ano como um todo, a nossa previsão

é de um crescimento em torno dos 3,9% da economia petrolífera.

Certo.

Vimos também que, no segundo trimestre, o sector que mais contribuiu

para o crescimento do PIB foi o Sector Diamantifero.

Então, se o PIB está a ser suportado

essencialmente por estes dois sectores, que a indústria extrativa,

de facto o PIB sugere que

a que há um progresso na economia,

mas a economia enfrenta ainda ainda uma inflação muito alta.

Nós temos uma inflação acima de 29%.

Tivemos alguns meses com inflação acima de 30%.

E, de facto, mesmo que a economia esteja a crescer,

a inflação corrói o poder de compra.

Por isso não podemos dizer que é um ano difícil para as famílias,

porque grande parte do seu rendimento é corroído pelo efeito da inflação

para as empresas,

porque muitas delas não conseguem,

não conseguem ter acesso a moeda externa que precisam para importar

matéria prima, para importar equipamentos

e, obviamente, para o próprio Estado, Porque

a pressão do serviço de dívida nas contas públicas ainda é elevado.

Nós tivemos em 2023 um rácio de serviço de dívida que é capital, mais juros,

e isso permite, se calhar

criar algum espaço para crescer, para a economia crescer

e algum espaço para o Estado

intervir de forma mais positiva na economia.

Ok, posto tudo isto, Fáusio

perspetivas para 2025 ?

não me parecem as mais animadoras.

Depois de portanto, enfim teres dito, acabaste de dizer

2025

a incapacidades

que as pessoas foram perdendo e continua a perder.

Perdão em termos de poder de compra efectivo, nota-se

e porque é obviamente que estamos a terminar o corrente

ano, portanto, como é que será no próximo ano as coisas vão se manter?

Vai haver melhorias, portanto. Enfim.

Quais são as perspetivas?

Uma vez mais eu creio que é uma boa questão.

Nós queremos perceber quais são as perspetivas,

sobretudo porque a Angola depende muito ainda do petróleo

e sabemos que o petróleo contribui

com cerca de 95% para exportações do país.

95% das exportações de Angola são do sector petrolífero,

petróleo, gás e produtos refinados.

E para o próximo ano

prevê se uma desaceleração, ou seja,

um preço do petróleo a nível mundial mais baixo.

Este ano,

a média tem sido em torno dos 81,80 $ 81 $ o barril

para o próximo ano, é bem provável

que o preço do petróleo seja mais baixo

e Angola acaba por ser uma economia

que está muito sujeita a volatilidade do preço do petróleo.

Esta semana que eu estou em Luanda

e várias pessoas não têm perguntado

o que é que o Governo podia fazer para reduzir esta volatilidade.

Obviamente que

a diversificação económica é o único caminho sustentável

para fazer com que Angola seja menos

vulnerável a qualquer flutuação do preço do petróleo.

Então, se nós temos esta perspetiva de

do preço mais baixo para o próximo ano

é de esperar que haja um impacto nas exportações angolanas.

Se não se nós perspetivam um grande aumento do volume

de produção,

então se o preço cai, as exportações

podem ser mais baixas do que nós temos este ano,

o que significa que

provavelmente haveria alguma pressão na receita do Estado.

O Estado mantendo uma dependência muito forte no sector petrolífero.

Nós vimos no orçamento do Estado para o próximo ano que

o petróleo contribui.

O sector petrolífero contribui com cerca de pouco mais de metade

para a receita total.

Este ano, o rácio deverá situar

se em torno dos 60% da receita do Estado.

Provém do sector petrolífero.

No próximo ano, prevê se que este rácio se fixe

em torno dos 55% 50 55%,

o que significa que

potencialmente vai ser

um ano em que a economia cresce a um ritmo mais lento.

Porquê?

Porque se o PIB, a produção

petrolífera estabiliza em torno dos atuais níveis, a,

então o

crescimento do PIB petrolífero vai ser mais lento.

Ok, Por um lado.

Por outro lado, o Orçamento do Estado indica que o governo

quer avançar com a reforma

do preço dos combustíveis.

Ou seja, prevê se uma promoção ao longo do próximo ano

do subsídio aos combustíveis.

Isso significa que

haverá alguma pressão para a inflação se manter alta,

Fáusio

ainda sobre este tema

dos principais recursos

da nossa economia, que são petróleo e os diamantes,

e como tu referiste e bem, portanto a indústria extrativa.

Ou seja, vai ser um bocado complicado

para aquelas economias, como é o caso da nossa economia.

A economia angolana, que depende fortemente

destes dois recursos naturais

ter um crescimento,

porque, e corrijam me se estiver errado, pelo menos

aquilo que o que

o que eu vislumbro em termos globais é

uma diminuição,

ou melhor, uma redução do acesso a estes recursos, portanto.

Ou seja, fala se muito da economia verde

deixar de ser uma economia alternativa e passar a ser,

portanto, uma economia

basilar em muitas economias, principalmente nas economias

mais mais desenvolvidas.

Portanto, isto vai ser mau, por exemplo, para aqueles países

como Angola, que dependem essencialmente destes recursos fósseis.

Portanto,

o que é que nós temos que fazer?

Fala se muito

e de alguns anos a esta parte, fala se muito na diversificação da economia.

Mas em termos práticos, o que tem que se fazer, portanto, seja

para isso acontecer e passar a ser uma realidade objetiva,

um imperativo categórico com o que é que tem que se fazer para

que, de facto nós possamos ter uma economia diversificada

e que não

dependa essencialmente destes dois recursos?

Portanto, qual é o upgrade que nós temos que fazer?

Portanto, há aqui uma conjugação de vários fatores.

Não é economia a política ou a sociedade ou social como um todo.

Tem que haver aqui uma conjugação quase que harmoniosa destes fatores.

Nós sim.

Eu penso que tu tocas num assunto extremamente importante

e nós temos estado a discutir isto ao longo desta semana, que é o tema

do investimento

e o seu impacto no crescimento económico.

É exatamente

o que se tem que fazer.

Tem que se investir,

investir, como investir? Onde

o governo tem estado

a sugerir que o modelo de crescimento

desta economia tem que ser um sector privado forte,

com o Estado a reduzir o seu papel

para meramente um papel de regulamentar.

Então, um elemento nessa direção

será, sem dúvida algum, avanço.

No programa de privatizações.

Temos tido algumas privatizações este ano.

Neste momento em que estamos a falar que temos na Bolívia,

30% do capital da Bolívia

vai ser privatizado.

Já observamos num mês passado a privatização da empresa

nacional de seguros.

Temos bancos a serem privatizados, temos empresas do sector

das telecomunicações.

Então o Estado pretende ser um promotor dessa economia

mais diversificada, onde se abre

espaço para o sector privado investir e contribuir para o crescimento.

Esse é um aspecto.

O outro aspeto tem a ver com

o investimento que o próprio Estado pretende fazer.

Quando nós olhamos para o Orçamento Geral do Estado para 2025,

a proposta contempla

um aumento

da despesa de investimento em termos nominais.

A despesa de investimento aumenta em 72%.

É um aumento substancial.

Estamos a falar,

considerando a nossa provisão cambial.

Estamos a falar de uma despesa de investimento

pouco acima de 6 bilhões $.

Muito poucos países nesta região

conseguem fazer uma despesa de investimento nessa magnitude

e isto pode ter um impacto positivo na economia,

sobretudo se ajudar a promover

mais diversificação económica.

Agora eu penso que

é preciso ou vai ser preciso calibrar

esta reforma

do subsídio aos combustíveis

com uma maior despesa social.

Há muitos sectores que vão se tornar mais vulneráveis

e o impacto vai ser do ponto de vista social, vai ser um vai ser grande

para certas camadas da sociedade,

o que significa que devia haver um aumento de transferências

para as famílias mais vulneráveis.

Devia haver alguns programas.

Pode ser que esta despesa de investimento do Estado gerem algum emprego.

Se isto resultar em mais obras em construção

e infraestruturas em vários sectores também, como nos transportes.

Há uma aposta muito grande no corredor do Lobito,

mas também há uma aposta nacional para

continuar com um plano de investimento nos municípios.

Isso pode gerar emprego local, pode gerar emprego regional para ajudar

a, digamos, reduzir o impacto negativo

do alto custo da reforma dos combustíveis.

Portanto, este é um aspecto, mas se calhar para

para deixar aqui

alguma

algum conforto

seria de esperar

que Angola nos próximos anos

mantenha um ritmo acelerado de reformas,

porque esta economia, durante muitos anos

funcionou com um estado muito forte

e sabemos que Angola tem uma janela de oportunidade

para continuar a explorar o petróleo.

Esta janela muitos países falam em termos,

em termos de tempo, estamos a falar, enquanto muitos países falam de atingir

emissões líquidas de gases com efeito de estufa zero

até 2060, alguns países têm um objetivo mais ambicioso.

2055.

Então estamos a falar no limite

20, 25, 30, 35 anos,

até que, de facto,

haja um consumo muito mais reduzido do petróleo.

E Angola.

ciente disso, lançou este ano, lançou para discussão pública

já o

Plano Diretor do sector do Gás Natural,

onde existem claramente

vantagens

do ponto de vista de aumentar a produção de gás,

gerar

mais energia

a partir do gás e menos a partir do diesel,

que em princípio

tem efeitos menos negativos para o ambiente.

Existe toda uma economia

do gás que pode resultar na produção de fertilizantes

e esse é um sector e a agricultura é um sector importante para Angola.

O governo tem estado a investir na agricultura

e tem estado a incentivar o sector privado a participar cada vez mais.

Portanto,

parece haver algum.

Parece haver coerência em um conjunto de projetos

que, se forem bem sucedidos, podem ajudar Angola a diversificar

um pouco mais a sua economia nos próximos tempos.

Agora, o que eu penso que tem que acontecer é

este foco nas reformas.

Tem que ser constante.

Mas nós ouvimos recentemente em Washington, nas reuniões anuais

com do Banco Mundial, do FMI,

de um comentário do governo de Angola que indicava

que possivelmente haveria um programa com o FMI.

Esse programa teria a vantagem de ajudar

a trazer financiamento para Angola em condições

mais acessíveis do que os empréstimos comerciais.

Mas teria também a vantagem de ajudar a trazer

mais apoio técnico para a implementação de um conjunto de reformas.

Nós sabemos que o país quer avançar com reformas para

estabelecer metas de inflação.

Sabemos que do lado fiscal, há ainda muitas áreas de reforma

para ajudar a tornar a máquina fiscal mais eficiente.

E assim,

existem vários planos num mundo perfeito,

não, o próprio Estado, definindo certas metas, nós temos que

para a Estratégia Nacional de Desenvolvimento até 2027,

onde o governo se propõe atingir um conjunto de objetivos,

sabemos que temos uma visão de mais longo prazo, que é Angola 2050, certo?

E todos estes programas têm tem certas metas.

Agora, um tema que nós discutimos muito

esta semana também foi É importante que o Estado continua a investir.

É importante que o sector privado continua a investir em Angola

e esse investimento aumenta a capacidade produtiva.

Mas a tão importante como o investimento,

é importante fortalecer instituições

e este tem sido tem sido um tema importante Este ano.

Em outubro, foi no mês passado,

um grupo de três economistas.

Exactamente.

Ganhou o Prémio Nobel da Economia, sobretudo por defender que

as instituições podem ter um papel chave para sustentar

a prosperidade das nações e

eu ia precisamente tocar neste ponto

como é que,

passado décadas e décadas, portanto, ainda ainda estamos a falar

sobre o mesmo tema?

Portanto, inclusive estes três economistas,

um grego e dois britânicos

que trabalham nos Estados Unidos da América

dois não, é mais um turco

É exactamente exatamente

um turco e dois britânicos, todos eles nos Estados Unidos da América.

Não podia deixar de ser de outra forma.

Portanto, diga se,

e continuamos precisamente a falar sobre isto.

Ou seja, é um ponto assente.

Não é, que até um leigo, pelo menos notado algum

bom senso, poderá chegar a esta conclusão?

Não é para qualquer país prosperar, para qualquer economia prosperar.

As instituições têm que ser sólidas, têm que ser transparentes, têm que ser

fortes.

Pois,

se calhar importava

perceber o que é que nós queremos dizer com prosperidade.

Porque quando nós falamos de economia, nós falamos de crescimento económico.

Mas tem havido

alguns outros indicadores que têm que ser considerados

para se entender o que é prosperidade.

Então

o índice Desenvolvimento Humano se calhar é um bom indicador.

Parece saber quais são as economias prósperas

e quais são as economias que estão ainda

ficaram para trás, digamos.

E ali

este índice mede não só o Produto Interno Bruto

ou o rendimento dos países, mas mede também o acesso à educação,

exatamente o nível de escolaridade, o acesso à saúde

e o nível de infraestruturas que os países oferecem.

E claramente

países com o maior índice de desenvolvimento humano.

São países que têm instituições mais robustas.

E quando falamos de instituições, estamos a falar

de que estamos a falar essencialmente de regras.

Por exemplo, se eu sou um investidor

e eu quero saber

que instituições é que existem

para que eu sinta como o investimento está protegido,

quais são os direitos de propriedade,

como é que são geridos de direitos de propriedade e também

como é que opera a concorrência,

como é que opera o sistema legal.

Será que se houver uma disputa comercial

eu vou ser protegido?

Se os intereses serão salvaguardo,

o meu negócio vai ser protegido, o meu investimento vai ser protegido.

Portanto, estas são as instituições que geram,

por um lado, conforto, segurança, proteção.

Por outro lado, um aspeto importante da humanidade.

é liberdade é exatamente as pessoas querem se sentir livres

e seguras em qualquer lugar.

E algumas

economias avançaram muito mais nessas instituições

que garantem segurança e liberdade para os seus cidadãos.

E o que estes economistas concluem é que, de facto,

as economias com instituições mais robustas geram mais prosperidade.

Não é por acaso que acabam por ter um PIB per capita mais alto.

Exatamente. Não é por acaso que

têm um crescimento económico

mais robusto

e apresentam,

mesmo que ainda persistam desigualdades sociais.

Mas a garantia dos níveis básicos

de saúde, educação

e infraestrutura estão praticamente garantidas.

Estão garantidos.

Então

este economistas conseguiram,

se calhar tirar

ajudar a reduzir aquele mito de de que o país foi colonizado.

Não tem hipótese de de progredir, de prosperidade.

Não souberam se uma fatalidade

está condenada ao insucesso, pois se houver, dá mais errado.

Se houver políticas corretas, se houver fortalecimento das instituições

e todo este esforço de melhorar a economia por via das instituições,

acompanhado por investimento, por apoio ao sector privado,

isto gera prosperidade, riqueza e se calhar é por isso que

este tipo de

trabalhos têm sido premiados.

Porque são trabalhos que olham

para uma população mais humana para além do óbvio,

olham para a componente mais humana e olham para a situação da desigualdade.

As sociedades onde as desigualdades sociais

são mais reduzidas

tendem a ser mais prósperas.

A pobreza

tende a ser a diminuir o tempo.

É exactamente e nós

Obviamente que Angola é um país

que tem níveis de pobreza muito, muito elevados.

vamos perceber agora

com dados estatísticos mais atualizados,

como é que Angola tem tem evoluído,

mas mesmo perto de metade da população angolana vive na pobreza

e e as desigualdades sociais são muito, muito, muito grande,

de modo que

existe toda.

Eu diria que a teoria económica está inundada

de casos de sucesso e de casos de falha

e muitos instrumentos

foram testados o suficiente para os governos

perceberem que sem reformas não se consegue chegar a lado nenhum.

Sem investimento nas pessoas vai ser muito difícil

atingir objetivos de desenvolvimento

e sem um sector privado vibrante,

é difícil transformar a economia.

É difícil produzir um crescimento

que gere menos dependência na indústria extrativa,

certo?

Então, no meu, sei que há muitos assuntos para discutir.

Sim, vamos ter que fazer uma conversa, uma próxima,

uma próxima

Fáusio

Eu não tenho palavras para agradecer, exprimir

De facto e são autênticas lições

sempre que eu estou contigo e acredito que é comum a praticamente

todas as pessoas que interagem contigo.

Recebemos verdadeiras lições, mais do que lições de economia de humanismo.

Eu acho que é muito importante.

É um sinal claro.

É a atribuição do Prémio Nobel a estes três indivíduos, três economistas.

que procuram ou têm procurado

na minha opinião, e corrijam me se estiver errada, sim.

Contudo, humanizar não é a economia,

porque por norma é desconstruir, não é

todos aqueles as equações e as percentagens.

É tudo muito complicado para as pessoas,

não é o que as pessoas querem é de facto.

E como é que isto se traduz, em termos práticos,

uma melhoria de vida das pessoas, não é?

E eu acho que é cada vez mais importante e isto

é trazer economia

para as pessoas, mas numa vertente mais humanizada, mais humanista.

Portanto, desmistificar aqui uma série de conceitos

e tu consegues fazer com ninguém, portanto,

e isso é fantástico, portanto, Então eu, em meu nome

e em nome do Standard Bank Angola, uma vez mais gostaria de agradecer

e desejar te muitas felicidades, muito sucesso

pela tua vida profissional que é fantástica.

É também e obviamente pela tua vida pessoal.

Obrigado.

É sempre um prazer estar aqui em Angola.

Sou sempre bem tratado. Ainda bem.

E olha, fiz muitos amigos,

tenho feito muitos amigos ao longo ao longo destes destes anos.

Obviamente que o trabalho deste economista

é muito difícil, porque a matemática explica algumas variáveis, certo?

A matemática explica qual é o impacto do investimento no PIB,

qual o impacto do consumo no PIB.

Mas depois existe um delta

no modelo e esse delta

representa todos os outros fatores que não estão explícitos no modelo.

E se calhar, quando estes economistas falam de instituições,

falam de algo que de facto é

eles conseguem provar que de facto tem impacto no crescimento económico,

mas que nem sempre se consegue matematicamente

colocar isso no que e

nos modelos.

Obviamente que hoje cada vez mais robustos

e existe muito trabalho, inclusive quantitativo, para mostrar

o poder das instituições de, ao longo do tempo, o poder da evolução.

Dizer matematicamente pode se fazer isso,

mas é uma matemática que procura harmonizar

o comportamento, tanto

o comportamento da economia, considerando que o principal agente

são as pessoas

e as pessoas, sendo humanas, têm liberdade,

têm gostos, tem preferência e tudo isto tem que ser captado para

Para explicar a alguns fenómenos sociais e económicos.

Por isso é que dizemos cair com a economia,

tanto como é uma ciência e também uma arte.

Mas obrigado e isso é que agradeço.

E uma vez mais, obrigado.

é Bom dia, Bom dia a todos!

Eu chamo-me Nuno Monteiro e sou colaborador do Standard de Angola.

Hoje tenho o privilégio de falar

entrevistar um colega meu, Fásio Mussá,

que é o economista chefe do Standard Bank de Angola.

Para Angola, Moçambique e República Democrática do Congo.

Bom dia Fausio. Bem vindo.

Obrigadíssimo por teres aceito o convite.

Eu gosto de estar aqui e é um prazer poder termos esta conversa.

Sei que sim.

É um enorme privilégio receber sempre

Obrigadissimo

Fáusio, eu

aproveito a tua presença em Angola

para, enfim fazer te aqui algumas perguntas.

Perguntas que enfim, fazem todo o sentido

e que nos ajudam a perceber um pouco mais

sobre a economia do nosso país.

Portanto, então começando, eu faria te já a primeira pergunta

que está relacionada com o seguinte.

Portanto, este ano tem sido particularmente difícil para Angola.

Como é que tu avalias o desempenho económico do país?

é assim, é uma pergunta

aparentemente simples,

mas pode te gerar uma resposta muito complexa.

E eu quero usar este momento para

se calhar partilhar a minha resposta usando alguns indicadores,

indicadores, dos anos e

se calhar a contextualizar a nossa situação.

Era bom que nós pudéssemos falar um pouco,

talvez sobre o Produto Interno Bruto.

que mede o nível de produção desta economia,

o crescimento do PIB em 2023

foi de 1%

okay

e este ano, no primeiro semestre, a economia angolana cresceu

acima de 4%.

Então, pelos números do PIB,

nota se claramente uma recuperação do crescimento económico, certo.

Agora,

como é que

isso aparentemente

contrasta com esta tua afirmação inicial

É um ano difícil

e entretanto a economia está a crescer a um ritmo acelerado

que parece que está difícil, com contradições.

Parece uma contradição, mas de facto,

se calhar importa

referir que este crescimento do PIB

tem como principal motor,

eu diria,

uma recuperação

do crescimento da produção do petróleo do sector petrolífero.

No ano passado, em Março de 2023,

Angola experimentou uma produção abaixo de 1 milhão de barris por dia.

Foi uma queda brusca na produção e reflectia essencialmente

um programa de manutenção,

um poço de petróleo que causou esta redução da produção.

Depois desse episódio de março, a produção petrolífera estabilizou

em torno dos 1.1 milhão de barris por dia entre 1.1 e 1.2.

E, obviamente, quando nós comparamos o desempenho

do primeiro semestre deste ano com o desempenho do primeiro

semestre do ano passado, esse efeito de base é muito pronunciado.

Só para

ilustrar, no primeiro trimestre de 2024,

a produção do sector petrolífero cresceu mais de 7% ao ano.

Esse crescimento desacelerou já no segundo

no segundo trimestre para o ano como um todo, a nossa previsão

é de um crescimento em torno dos 3,9% da economia petrolífera.

Certo.

Vimos também que, no segundo trimestre, o sector que mais contribuiu

para o crescimento do PIB foi o Sector Diamantifero.

Então, se o PIB está a ser suportado

essencialmente por estes dois sectores, que a indústria extrativa,

de facto o PIB sugere que

a que há um progresso na economia,

mas a economia enfrenta ainda ainda uma inflação muito alta.

Nós temos uma inflação acima de 29%.

Tivemos alguns meses com inflação acima de 30%.

E, de facto, mesmo que a economia esteja a crescer,

a inflação corrói o poder de compra.

Por isso não podemos dizer que é um ano difícil para as famílias,

porque grande parte do seu rendimento é corroído pelo efeito da inflação

para as empresas,

porque muitas delas não conseguem,

não conseguem ter acesso a moeda externa que precisam para importar

matéria prima, para importar equipamentos

e, obviamente, para o próprio Estado, Porque

a pressão do serviço de dívida nas contas públicas ainda é elevado.

Nós tivemos em 2023 um rácio de serviço de dívida que é capital, mais juros,

e isso permite, se calhar

criar algum espaço para crescer, para a economia crescer

e algum espaço para o Estado

intervir de forma mais positiva na economia.

Ok, posto tudo isto, Fáusio

perspetivas para 2025 ?

não me parecem as mais animadoras.

Depois de portanto, enfim teres dito, acabaste de dizer

2025

a incapacidades

que as pessoas foram perdendo e continua a perder.

Perdão em termos de poder de compra efectivo, nota-se

e porque é obviamente que estamos a terminar o corrente

ano, portanto, como é que será no próximo ano as coisas vão se manter?

Vai haver melhorias, portanto. Enfim.

Quais são as perspetivas?

Uma vez mais eu creio que é uma boa questão.

Nós queremos perceber quais são as perspetivas,

sobretudo porque a Angola depende muito ainda do petróleo

e sabemos que o petróleo contribui

com cerca de 95% para exportações do país.

95% das exportações de Angola são do sector petrolífero,

petróleo, gás e produtos refinados.

E para o próximo ano

prevê se uma desaceleração, ou seja,

um preço do petróleo a nível mundial mais baixo.

Este ano,

a média tem sido em torno dos 81,80 $ 81 $ o barril

para o próximo ano, é bem provável

que o preço do petróleo seja mais baixo

e Angola acaba por ser uma economia

que está muito sujeita a volatilidade do preço do petróleo.

Esta semana que eu estou em Luanda

e várias pessoas não têm perguntado

o que é que o Governo podia fazer para reduzir esta volatilidade.

Obviamente que

a diversificação económica é o único caminho sustentável

para fazer com que Angola seja menos

vulnerável a qualquer flutuação do preço do petróleo.

Então, se nós temos esta perspetiva de

do preço mais baixo para o próximo ano

é de esperar que haja um impacto nas exportações angolanas.

Se não se nós perspetivam um grande aumento do volume

de produção,

então se o preço cai, as exportações

podem ser mais baixas do que nós temos este ano,

o que significa que

provavelmente haveria alguma pressão na receita do Estado.

O Estado mantendo uma dependência muito forte no sector petrolífero.

Nós vimos no orçamento do Estado para o próximo ano que

o petróleo contribui.

O sector petrolífero contribui com cerca de pouco mais de metade

para a receita total.

Este ano, o rácio deverá situar

se em torno dos 60% da receita do Estado.

Provém do sector petrolífero.

No próximo ano, prevê se que este rácio se fixe

em torno dos 55% 50 55%,

o que significa que

potencialmente vai ser

um ano em que a economia cresce a um ritmo mais lento.

Porquê?

Porque se o PIB, a produção

petrolífera estabiliza em torno dos atuais níveis, a,

então o

crescimento do PIB petrolífero vai ser mais lento.

Ok, Por um lado.

Por outro lado, o Orçamento do Estado indica que o governo

quer avançar com a reforma

do preço dos combustíveis.

Ou seja, prevê se uma promoção ao longo do próximo ano

do subsídio aos combustíveis.

Isso significa que

haverá alguma pressão para a inflação se manter alta,

Fáusio

ainda sobre este tema

dos principais recursos

da nossa economia, que são petróleo e os diamantes,

e como tu referiste e bem, portanto a indústria extrativa.

Ou seja, vai ser um bocado complicado

para aquelas economias, como é o caso da nossa economia.

A economia angolana, que depende fortemente

destes dois recursos naturais

ter um crescimento,

porque, e corrijam me se estiver errado, pelo menos

aquilo que o que

o que eu vislumbro em termos globais é

uma diminuição,

ou melhor, uma redução do acesso a estes recursos, portanto.

Ou seja, fala se muito da economia verde

deixar de ser uma economia alternativa e passar a ser,

portanto, uma economia

basilar em muitas economias, principalmente nas economias

mais mais desenvolvidas.

Portanto, isto vai ser mau, por exemplo, para aqueles países

como Angola, que dependem essencialmente destes recursos fósseis.

Portanto,

o que é que nós temos que fazer?

Fala se muito

e de alguns anos a esta parte, fala se muito na diversificação da economia.

Mas em termos práticos, o que tem que se fazer, portanto, seja

para isso acontecer e passar a ser uma realidade objetiva,

um imperativo categórico com o que é que tem que se fazer para

que, de facto nós possamos ter uma economia diversificada

e que não

dependa essencialmente destes dois recursos?

Portanto, qual é o upgrade que nós temos que fazer?

Portanto, há aqui uma conjugação de vários fatores.

Não é economia a política ou a sociedade ou social como um todo.

Tem que haver aqui uma conjugação quase que harmoniosa destes fatores.

Nós sim.

Eu penso que tu tocas num assunto extremamente importante

e nós temos estado a discutir isto ao longo desta semana, que é o tema

do investimento

e o seu impacto no crescimento económico.

É exatamente

o que se tem que fazer.

Tem que se investir,

investir, como investir? Onde

o governo tem estado

a sugerir que o modelo de crescimento

desta economia tem que ser um sector privado forte,

com o Estado a reduzir o seu papel

para meramente um papel de regulamentar.

Então, um elemento nessa direção

será, sem dúvida algum, avanço.

No programa de privatizações.

Temos tido algumas privatizações este ano.

Neste momento em que estamos a falar que temos na Bolívia,

30% do capital da Bolívia

vai ser privatizado.

Já observamos num mês passado a privatização da empresa

nacional de seguros.

Temos bancos a serem privatizados, temos empresas do sector

das telecomunicações.

Então o Estado pretende ser um promotor dessa economia

mais diversificada, onde se abre

espaço para o sector privado investir e contribuir para o crescimento.

Esse é um aspecto.

O outro aspeto tem a ver com

o investimento que o próprio Estado pretende fazer.

Quando nós olhamos para o Orçamento Geral do Estado para 2025,

a proposta contempla

um aumento

da despesa de investimento em termos nominais.

A despesa de investimento aumenta em 72%.

É um aumento substancial.

Estamos a falar,

considerando a nossa provisão cambial.

Estamos a falar de uma despesa de investimento

pouco acima de 6 bilhões $.

Muito poucos países nesta região

conseguem fazer uma despesa de investimento nessa magnitude

e isto pode ter um impacto positivo na economia,

sobretudo se ajudar a promover

mais diversificação económica.

Agora eu penso que

é preciso ou vai ser preciso calibrar

esta reforma

do subsídio aos combustíveis

com uma maior despesa social.

Há muitos sectores que vão se tornar mais vulneráveis

e o impacto vai ser do ponto de vista social, vai ser um vai ser grande

para certas camadas da sociedade,

o que significa que devia haver um aumento de transferências

para as famílias mais vulneráveis.

Devia haver alguns programas.

Pode ser que esta despesa de investimento do Estado gerem algum emprego.

Se isto resultar em mais obras em construção

e infraestruturas em vários sectores também, como nos transportes.

Há uma aposta muito grande no corredor do Lobito,

mas também há uma aposta nacional para

continuar com um plano de investimento nos municípios.

Isso pode gerar emprego local, pode gerar emprego regional para ajudar

a, digamos, reduzir o impacto negativo

do alto custo da reforma dos combustíveis.

Portanto, este é um aspecto, mas se calhar para

para deixar aqui

alguma

algum conforto

seria de esperar

que Angola nos próximos anos

mantenha um ritmo acelerado de reformas,

porque esta economia, durante muitos anos

funcionou com um estado muito forte

e sabemos que Angola tem uma janela de oportunidade

para continuar a explorar o petróleo.

Esta janela muitos países falam em termos,

em termos de tempo, estamos a falar, enquanto muitos países falam de atingir

emissões líquidas de gases com efeito de estufa zero

até 2060, alguns países têm um objetivo mais ambicioso.

2055.

Então estamos a falar no limite

20, 25, 30, 35 anos,

até que, de facto,

haja um consumo muito mais reduzido do petróleo.

E Angola.

ciente disso, lançou este ano, lançou para discussão pública

já o

Plano Diretor do sector do Gás Natural,

onde existem claramente

vantagens

do ponto de vista de aumentar a produção de gás,

gerar

mais energia

a partir do gás e menos a partir do diesel,

que em princípio

tem efeitos menos negativos para o ambiente.

Existe toda uma economia

do gás que pode resultar na produção de fertilizantes

e esse é um sector e a agricultura é um sector importante para Angola.

O governo tem estado a investir na agricultura

e tem estado a incentivar o sector privado a participar cada vez mais.

Portanto,

parece haver algum.

Parece haver coerência em um conjunto de projetos

que, se forem bem sucedidos, podem ajudar Angola a diversificar

um pouco mais a sua economia nos próximos tempos.

Agora, o que eu penso que tem que acontecer é

este foco nas reformas.

Tem que ser constante.

Mas nós ouvimos recentemente em Washington, nas reuniões anuais

com do Banco Mundial, do FMI,

de um comentário do governo de Angola que indicava

que possivelmente haveria um programa com o FMI.

Esse programa teria a vantagem de ajudar

a trazer financiamento para Angola em condições

mais acessíveis do que os empréstimos comerciais.

Mas teria também a vantagem de ajudar a trazer

mais apoio técnico para a implementação de um conjunto de reformas.

Nós sabemos que o país quer avançar com reformas para

estabelecer metas de inflação.

Sabemos que do lado fiscal, há ainda muitas áreas de reforma

para ajudar a tornar a máquina fiscal mais eficiente.

E assim,

existem vários planos num mundo perfeito,

não, o próprio Estado, definindo certas metas, nós temos que

para a Estratégia Nacional de Desenvolvimento até 2027,

onde o governo se propõe atingir um conjunto de objetivos,

sabemos que temos uma visão de mais longo prazo, que é Angola 2050, certo?

E todos estes programas têm tem certas metas.

Agora, um tema que nós discutimos muito

esta semana também foi É importante que o Estado continua a investir.

É importante que o sector privado continua a investir em Angola

e esse investimento aumenta a capacidade produtiva.

Mas a tão importante como o investimento,

é importante fortalecer instituições

e este tem sido tem sido um tema importante Este ano.

Em outubro, foi no mês passado,

um grupo de três economistas.

Exactamente.

Ganhou o Prémio Nobel da Economia, sobretudo por defender que

as instituições podem ter um papel chave para sustentar

a prosperidade das nações e

eu ia precisamente tocar neste ponto

como é que,

passado décadas e décadas, portanto, ainda ainda estamos a falar

sobre o mesmo tema?

Portanto, inclusive estes três economistas,

um grego e dois britânicos

que trabalham nos Estados Unidos da América

dois não, é mais um turco

É exactamente exatamente

um turco e dois britânicos, todos eles nos Estados Unidos da América.

Não podia deixar de ser de outra forma.

Portanto, diga se,

e continuamos precisamente a falar sobre isto.

Ou seja, é um ponto assente.

Não é, que até um leigo, pelo menos notado algum

bom senso, poderá chegar a esta conclusão?

Não é para qualquer país prosperar, para qualquer economia prosperar.

As instituições têm que ser sólidas, têm que ser transparentes, têm que ser

fortes.

Pois,

se calhar importava

perceber o que é que nós queremos dizer com prosperidade.

Porque quando nós falamos de economia, nós falamos de crescimento económico.

Mas tem havido

alguns outros indicadores que têm que ser considerados

para se entender o que é prosperidade.

Então

o índice Desenvolvimento Humano se calhar é um bom indicador.

Parece saber quais são as economias prósperas

e quais são as economias que estão ainda

ficaram para trás, digamos.

E ali

este índice mede não só o Produto Interno Bruto

ou o rendimento dos países, mas mede também o acesso à educação,

exatamente o nível de escolaridade, o acesso à saúde

e o nível de infraestruturas que os países oferecem.

E claramente

países com o maior índice de desenvolvimento humano.

São países que têm instituições mais robustas.

E quando falamos de instituições, estamos a falar

de que estamos a falar essencialmente de regras.

Por exemplo, se eu sou um investidor

e eu quero saber

que instituições é que existem

para que eu sinta como o investimento está protegido,

quais são os direitos de propriedade,

como é que são geridos de direitos de propriedade e também

como é que opera a concorrência,

como é que opera o sistema legal.

Será que se houver uma disputa comercial

eu vou ser protegido?

Se os intereses serão salvaguardo,

o meu negócio vai ser protegido, o meu investimento vai ser protegido.

Portanto, estas são as instituições que geram,

por um lado, conforto, segurança, proteção.

Por outro lado, um aspeto importante da humanidade.

é liberdade é exatamente as pessoas querem se sentir livres

e seguras em qualquer lugar.

E algumas

economias avançaram muito mais nessas instituições

que garantem segurança e liberdade para os seus cidadãos.

E o que estes economistas concluem é que, de facto,

as economias com instituições mais robustas geram mais prosperidade.

Não é por acaso que acabam por ter um PIB per capita mais alto.

Exatamente. Não é por acaso que

têm um crescimento económico

mais robusto

e apresentam,

mesmo que ainda persistam desigualdades sociais.

Mas a garantia dos níveis básicos

de saúde, educação

e infraestrutura estão praticamente garantidas.

Estão garantidos.

Então

este economistas conseguiram,

se calhar tirar

ajudar a reduzir aquele mito de de que o país foi colonizado.

Não tem hipótese de de progredir, de prosperidade.

Não souberam se uma fatalidade

está condenada ao insucesso, pois se houver, dá mais errado.

Se houver políticas corretas, se houver fortalecimento das instituições

e todo este esforço de melhorar a economia por via das instituições,

acompanhado por investimento, por apoio ao sector privado,

isto gera prosperidade, riqueza e se calhar é por isso que

este tipo de

trabalhos têm sido premiados.

Porque são trabalhos que olham

para uma população mais humana para além do óbvio,

olham para a componente mais humana e olham para a situação da desigualdade.

As sociedades onde as desigualdades sociais

são mais reduzidas

tendem a ser mais prósperas.

A pobreza

tende a ser a diminuir o tempo.

É exactamente e nós

Obviamente que Angola é um país

que tem níveis de pobreza muito, muito elevados.

vamos perceber agora

com dados estatísticos mais atualizados,

como é que Angola tem tem evoluído,

mas mesmo perto de metade da população angolana vive na pobreza

e e as desigualdades sociais são muito, muito, muito grande,

de modo que

existe toda.

Eu diria que a teoria económica está inundada

de casos de sucesso e de casos de falha

e muitos instrumentos

foram testados o suficiente para os governos

perceberem que sem reformas não se consegue chegar a lado nenhum.

Sem investimento nas pessoas vai ser muito difícil

atingir objetivos de desenvolvimento

e sem um sector privado vibrante,

é difícil transformar a economia.

É difícil produzir um crescimento

que gere menos dependência na indústria extrativa,

certo?

Então, no meu, sei que há muitos assuntos para discutir.

Sim, vamos ter que fazer uma conversa, uma próxima,

uma próxima

Fáusio

Eu não tenho palavras para agradecer, exprimir

De facto e são autênticas lições

sempre que eu estou contigo e acredito que é comum a praticamente

todas as pessoas que interagem contigo.

Recebemos verdadeiras lições, mais do que lições de economia de humanismo.

Eu acho que é muito importante.

É um sinal claro.

É a atribuição do Prémio Nobel a estes três indivíduos, três economistas.

que procuram ou têm procurado

na minha opinião, e corrijam me se estiver errada, sim.

Contudo, humanizar não é a economia,

porque por norma é desconstruir, não é

todos aqueles as equações e as percentagens.

É tudo muito complicado para as pessoas,

não é o que as pessoas querem é de facto.

E como é que isto se traduz, em termos práticos,

uma melhoria de vida das pessoas, não é?

E eu acho que é cada vez mais importante e isto

é trazer economia

para as pessoas, mas numa vertente mais humanizada, mais humanista.

Portanto, desmistificar aqui uma série de conceitos

e tu consegues fazer com ninguém, portanto,

e isso é fantástico, portanto, Então eu, em meu nome

e em nome do Standard Bank Angola, uma vez mais gostaria de agradecer

e desejar te muitas felicidades, muito sucesso

pela tua vida profissional que é fantástica.

É também e obviamente pela tua vida pessoal.

Obrigado.

É sempre um prazer estar aqui em Angola.

Sou sempre bem tratado. Ainda bem.

E olha, fiz muitos amigos,

tenho feito muitos amigos ao longo ao longo destes destes anos.

Obviamente que o trabalho deste economista

é muito difícil, porque a matemática explica algumas variáveis, certo?

A matemática explica qual é o impacto do investimento no PIB,

qual o impacto do consumo no PIB.

Mas depois existe um delta

no modelo e esse delta

representa todos os outros fatores que não estão explícitos no modelo.

E se calhar, quando estes economistas falam de instituições,

falam de algo que de facto é

eles conseguem provar que de facto tem impacto no crescimento económico,

mas que nem sempre se consegue matematicamente

colocar isso no que e

nos modelos.

Obviamente que hoje cada vez mais robustos

e existe muito trabalho, inclusive quantitativo, para mostrar

o poder das instituições de, ao longo do tempo, o poder da evolução.

Dizer matematicamente pode se fazer isso,

mas é uma matemática que procura harmonizar

o comportamento, tanto

o comportamento da economia, considerando que o principal agente

são as pessoas

e as pessoas, sendo humanas, têm liberdade,

têm gostos, tem preferência e tudo isto tem que ser captado para

Para explicar a alguns fenómenos sociais e económicos.

Por isso é que dizemos cair com a economia,

tanto como é uma ciência e também uma arte.

Mas obrigado e isso é que agradeço.

E uma vez mais, obrigado.

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