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Os MARRETAS - ELECTRIC MAYHEM
Cantem! Cantem! Cantem!
Senhoras e senhores, há anos que o público em todo o universo
está ansioso por um vislumbre do processo criativo
de Dr. Dentes e os Electric Mayhem.
E hoje, pela primeira vez,
dou-vos o que... Vão apenas entrar. Está bem.
Certo, certo, talvez se perguntem
porque vem uma equipa de filmagem ao vosso local sagrado.
Não, não sei se devemos começar o refrão em sol.
Bem, tentemos em "lua".
Achei que, já que estão finalmente a produzir canções,
podíamos captar a magia dos Mayhem num rockumentário épico, não?
Quem vai interpretar-me?
Tu. Sim, interpretas-te a ti mesmo. É a melhor parte.
Tudo o que têm de fazer é trazer o amor e a magia
que são os Electric Mayhem.
O mundo precisa de mais amor, sobretudo agora.
E até o JJ concorda que esta banda é puro amor.
Espera. Desculpa, disseste que o J...
Tudo bem, meus manos? Calma.
Mau!
Animal, amigo, olha para mim, sim? O JJ é bom, não é mau.
Sim, sim, o JJ é fixe, o JJ é amigo.
"Amigo"?
Sim, eu também estou confuso. Agora, o JJ está a ajudar-nos?
Após ele conseguir que a Penny nos desse mais tempo,
nós decidimos tomar um café e...
Espera, um encontro?
- O que foi? - Nada.
No passado, tínhamos grandes reuniões de brainstorming
e retomámos exatamente onde parámos.
E bum! Nós tivemos uma grande ideia.
O Dr. Dentes e os Electric Mayhem
são imortalizados por terem o seu próprio documentário de rock and roll,
tal como os Beatles fizeram com...
- Para trás (get back)! - Está bem.
"Get Back" é o nome do documentário dos Beatles e é um sucesso. E sabem?
Contratámos uma estrela da realização para nos ajudar a começar.
Alguém disse realizador de uma estrela?
Apresento-vos o Kevin Smith. Está bem.
- Realizou "Clerks", "Clerks II". -"Clerks III."
Antes de dizerem algo, saibam que ele fez muito mais
que comédias desbocadas.
Ele fez filmes de ação, terror, sátira política...
E lá o que era "Yoga Hosers".
Toma lá! Vai buscar!
Dr. Dentes, ainda sabes mandar bocas. Bolas, eu tive tantas saudades vossas...
- Manosci! - Dá cá um abraço.
Manosci.
Claro que vocês se conhecem.
Sim, ele é o nosso Mano Pesci, o nosso Manoey Ramone,
o nosso Manoseph Gordon-Levitt. Somos amigos.
Não gostariam de me conhecer nos tempos antigos.
Eu era um quadrado de Nova Jérsia até conhecer os Mayhem.
De certeza.
Agora, após passar a vida a fazer filmes para adultos severamente criticados,
estou finalmente pronto para abraçar o entretenimento familiar.
Quero fazer um filme sobre toda a alegria e amor
trazidos a este mundo pela minha banda preferida.
Os Commodores.
Não os Commodores. Eu falo dos Mayhem!
- De vocês! - Muito bem.
Ouçam-me com muita atenção.
- Veem esta câmara? - Sim.
Não olhem para esta câmara.
Não, não, não, não.
Sim, eu quero que ajam naturalmente.
Isso é crucial, está bem? Visaremos um objetivo, vamos lá.
- E, ação! - Vamos só agir naturalmente.
Como os Beatles, o Dr. Dentes e os Electric Mayhem
convidaram o mundo a testemunhar o seu harmonioso processo de fazer música.
Foi-lhes imposto um prazo à toa para criar tensão e aumentar a parada.
Eles têm OITO dias para filmar.
PRAZO ALEATÓRIO
Ação!
SR. BAIXISTA
Boa.
Chá de ervas?
O Elvis Presley devia interpretar-me neste filme.
Zoot, amigo, o Elvis já morreu.
O quê? Quando?
Sim. Estou a curtir esse riff, meu.
Junta-lhe emoção, chefão.
- Cá vamos nós! - Ignorem-me.
Eu ficarei aqui, a tricotar.
Nem saberão que estou aqui.
Ela não é fantástica?
Sim, ela é sem dúvida fantástica.
Obrigada por preparares todos para a câmara, Han.
Estás a brincar? Eu adoro ser a equipa do glamour.
E, ao sentar pessoas na minha cadeira de maquilhagem, ouço grandes mexericos.
Por falar nisso, revela coisas sobre ti e o JJ.
Não há nada a revelar. Só tenho tempo para terminar este álbum.
E filmar o documentário.
E agendar a banda no Hollywood Bowl.
Estás a usar a vida profissional ocupada
como desculpa para ignorares a amorosa.
Socorro, preciso de alguém!
Eu vou salvá-lo.
- Ouve lá, Moop. -"Moog."
Eu sei, certo?
Eu estive a pensar. O teu conhecimento de tudo dos Mayhem
pode mesmo ajudar este documentário a ser a festa de amor que a Nora quer.
Pois. Não. Sim. O que... Tudo para ajudar a Nora.
Ótimo. O que tens sobre o Animal que seja divertido?
Estás a falar a sério? Pois, não...
Primeiro, o Animal raramente toma banho. Ele diz sempre: "Demasiado molhado."
Bom material. É ótimo.
O Animal adora coelhinhos.
- Coelhinhos? - Sim.
- Certo, isso vai funcionar. - Para o quê?
Para impedir que o Animal dê cabo da minha onda com a Nora. Obrigado, amigo.
Esperem. O que acabou de acontecer? Podes voltar a pôr isso, por favor?
Não.
O que achas disto, Dentes?
Sabes, assim. O que achaste?
Pois.
Se sugeres que tiremos cinco minutos,
- eu concordo. -É bom e confortável.
Olhem só, é o meu principal man...
...imal.
Eu sei. JJ mau.
Mas, talvez, coelhinho bom?
- Coelhinho! - Sim, exato, isso mesmo.
Ora, se o Coelhinho é bom, talvez o JJ também seja bom?
- O homem do coelhinho é bom. - Muito bem.
- Sabia que o conquistarias. - Sim.
O quê?
Que tal o James Brown? Ele interpretar-me-ia bem.
Zoot, acho que o tipo já morreu.
O quê? Quando?
Aqui está o que eu tentei tocar para ti ontem.
Sim.
Sim.
Vai uma tosta de queijo?
- Tosta de queijo? - Moog, Moog, Moog.
- O que estás a fazer? - Não vais a sítio nenhum. Senta-te.
Sim, está bem.
Enquanto eu trato destas olheiras abomináveis,
fala-me da tua adorável paixoneta pela minha irmã.
O quê? Não.
- Como sabes? - A equipa do glamour sabe tudo.
Então, sabes que não posso competir com o JJ.
Ele usou os meus conhecimentos de Mayhead contra mim.
O amor é um jogo sem regras, Moog.
Ou seja, qualquer um pode ganhar. Até mesmo tu.
Pois, mas eu não faço jogos.
- A minha cena é só ser amável. - Como vai isso para ti?
Muito mal.
Então, muda-a.
Espera, porque queres ajudar-me?
Eu apoio a Equipa Moog.
- Obrigado. - Mas não podes ser tu mesmo.
Então, não apoias a Equipa Moog?
Eu estou só a dizer que tens de o fazer à maneira do JJ.
Faz o jogo desonesto dele, mas melhor.
Ignorem-me. A música mexeu comigo.
E eu proponho tirarmos outros cinco minutos.
- Olá, Lips! Meu amigo. - Olá, Nobu.
Ouve, preciso da tua ajuda para melhorar este documentário.
Talvez com alguma estrela.
Pois, já esperava isso.
Pareces conhecer toda a gente.
Por acaso tens um dos Beatles na tua marcação rápida?
Sim, somos amigos dos B... Vejamos, eu tenho...
Certo, tudo bem. Eu espero mesmo que tenha sido um "sim".
"Love, love me do."
Homem do coelhinho?
Sim, eu sou o homem do coelhinho.
E achei que o teu amiguinho coelho precisava de companhia.
Um coelhinho, dois coelhinhos.
Dois coelhinhos.
Não! Os meus sapatos!
Bolas! Peço imensas desculpas. Por favor, deixa-me compensar-te.
Tudo bem, custam 800 dólares.
O quê? Não! Não com dinheiro.
Eu posso ajudar com mais conhecimentos de Mayhead.
Não é preciso. Agora, o Animal é meu mano.
Não, ajudar com a Nora. Certo? Ela quer que o filme seja uma festa de amor, certo?
Eu sei exatamente como podes realizar isso.
Certo, se ajudar a Nora.
Então, pergunta ao Dr. Dentes e aos Electric Mayhem
como arranjaram o nome Dr. Dentes e os Electric Mayhem.
- Certo. Está bem, fixe. - Está bem?
- Obrigado. Meu, temos de sair. - Claro.
- Está bem. - Temos de sair.
Agora, só ajudas a concorrência para impressionar a minha irmã?
-É assim que "fazes o jogo"? - Não, não, não, não.
É como o ganho.
Eu sei quem devia interpretar-me.
O Frank Sinatra?
Também já morreu.
O quê? Quando?
Ouçam, se estão a fazer uma pausa,
que tal nos contarem a história épica de como arranjaram o vosso nome?
- Há uma... - Há uma...
Não há nenhuma história aí.
- Claro que há. - Claro que contam.
Coelhinho! Coelhinho!
Quando começámos, chamávamo-nos
"Banda Divertida dos Bons Tempos de Supersorrisos Felizes".
"BDDBTDSF" para abreviar.
Curiosamente, isso também era longo.
Bela história, boas memórias, fim.
Fim? Nem sequer chegaram à parte boa.
Eles conheceram-me.
Era a primeira vez que a banda tocava no Whiskey a Go Go.
Sim, estávamos a abrir para o número de abertura.
Meu, esquece o...
Foi quando vi no palco a minha Grande Azeitona do Dente de Ouro
e senti um ardor no fundo da minha alma e no meu couro cabeludo.
O meu cabelo pegou fogo.
O nosso ambicioso show de luzes laser avariou e queimou pessoas à sorte.
E, quando os escombros foram removidos e recuperei os sentidos,
dei à banda um contrato de gravação.
E um nome novo e melhorado,
Dr. Dentes e os Electric Mayhem.
E eu dei-lhe o meu feedback sincero, que é:
"Porque está o Dentes à frente?"
E eu dei-lhe a minha resposta:
"Porque eu assim o disse."
E eu cedi.
- Tentem isso num tribunal. - O Lips tem razão.
Sabem, foram duros connosco naquela história da origem.
A sério, pessoal?
Há anos que concordámos totalmente em nunca discutir a questão do nome
e reprimir o sentimento, como fazem as pessoas sãs.
É exatamente isso. Olha, não importa como nos chamamos,
no fim, todos sabemos que esta banda não tem nenhum líder.
É fácil dizeres, dado que estás sempre à frente, meu!
- Então! - Pessoal, ouçam...
Até o logótipo é a tua boca grande!
- A tua boca grande! - Vamos lá... O que acabou de acontecer?
E é a tua coisinha que está sempre...
Eu vou...
Eu estou a falar contigo!
Estão a discutir.
A banda que nunca discute está a discutir.
- O que fizeste? - Nada.
Perguntei-lhes como arranjaram o nome.
Pois. Não, essa história traz sempre à tona o que há de pior neles.
Meu, eu gostaria que me tivesses perguntado primeiro.
- E fi-lo. - Eu trato disto, JJ. Já fizeste que baste.
Nora. Nor...
Bem jogado, amigo.
Sabes, não que isso importe, mas estás a meter-te onde não deves.
Ai estou?
Porque não te poupas à humilhação e abrandas o ritmo?
Senão o quê?
Senão descalçamos as luvas.
Bem, é demasiado tarde,
- porque já descalcei as minhas. - Sim?
Sim, e a minha pele é macia.
Que bazófia estranha, mas está bem. Vamos a isso.
Coelhinho!
Coelhinho! Volta, coelhinho!
Um coelhinho, dois coelhinhos.
Coelhinho? O quê?
Os coelhinhos fazem mais coelhinhos!
Os coelhinhos fazem cócegas.
Agora, eu exijo que o nome da banda seja mudado!
Isto é uma atrocidade pessoal e profissional em todos os níveis.
- De certeza. - Veem?
Por favor.
- Todos sabemos do que isto se trata. - O quê?
Estás com inveja por eu ter uma camisola que me cobre o pescoço.
E se eu estiver?
Bem, então, verei se a Penny te pode fazer uma!
Eu ficaria muito grato!
Não tens de quê!
- Bem, obrigado! - Obrigado!
- De nada! - De nada!
Obrigado!
De nada!
Espera, Floyd. Aonde vais?
Como o próprio vencedor inesperado, George Harrison,
vou voltar para casa num protesto educado.
Esta é a tua casa.
Saiam do meu caminho!
Floyd, volta!
Olá, sou a Susanna.
O Lips disse que precisavam de uma Bangle para um documentário musical?
Ena! Susanna Hoffs.
Surpresa!
Meu, eu pedi os Beatles.
- Ela é das Bangles. - Sim.
Ou seja, eu queria o Ringo ou o Paul.
Na boa. Eu faria qualquer coisa pelo Lips.
Ele ensinou-me a andar como uma egípcia.
Foi divertido nos anos 80.
Procuramos quem interprete o Zoot. Queres fazer uma audição?
- Parece divertido. - Vamos ler umas deixas.
Aqui está o guião, Zoot.
Que guião?
É um documentário, está bem? E tu já és o Zoot.
Estamos a fazer um documentário?
Como assim?
- Nada que ver com isso. -É fácil dizeres.
Ainda discutem o nome da banda?
Não, foi apenas uma entrada para questões mais profundas e pessoais da banda.
Chamaram à Penny "intrusa" e ao meu chapéu "repulsivo". Nada disso é verdade.
Chamaram-me "prima-dona" e "forreta".
É meio verdade.
Chamaram-me "caprichosa" e "volúvel". Ambas verdade.
Chamaram-me "crisântemo".
Às vezes, um homem tem de se ver ao espelho, Lips.
O quê?
Não tenho tempo para aturar isto.
Vou ligar ao meu cabeleireiro. Vocês não sabem nada.
Parem, sim? Esta discussão está a assustar o nosso realizador.
Conhecem os filmes que ele fez, logo, isso diz muito.
Pronto, tudo bem. Eu suponho que,
no espírito da "harmofinidade" da banda, nós cessamos fogo.
E voltamos a trabalhar nesta canção de amor sobre a Penny.
- Voltemos... - Meu amigo!
Compus esta canção sobre a Janice.
- A Janice? - Sim.
Creio que estás profundamente desconcertado.
Eu estou muito concertado!
Diz-lhe, querida. Diz-lhe para quem compus esta canção.
Na verdade, eu compus esta canção de amor sobre mim.
Não podes compor uma sobre ti mesma!
Vai contra as leis da natureza!
Estou numa jornada de autocura, logo, posso compor sobre quem eu quiser.
Então, vou compor a minha canção de amor sobre o meu outro amor verdadeiro.
Sopa!
Sopa sopa-pi-popa Como eu adoro a minha sopa
Sopa, não me faças o sobrolho franzir Mas vocês estão sempre a desiludir
São um grupo prejudicial Logo, fico-me pela minha sopa bestial
Sopa sopa-pi-popa A minha sopa
Sim, ainda é um trabalho em curso,
mas acho que ilustra o quanto eu adoro sopa.
Parece menos uma canção de amor sobre sopa e mais um ataque rancoroso contra nós.
Não importa. Sabem porquê? Não precisamos de canções sobre sopa.
Então, o que achas de um bom chowder fumegante?
Não é uma sopa e tu sabes disso! Diz-lhe, Janice.
Porque te importa o que eu penso?
A verdade é que nunca gostei de qualquer cozinha baseada em tigelas.
Olá, cheguei.
És a Nora?
A Paula Abdul? Ena pá! O que se passa aqui?
O Lips disse que me queriam como atriz convidada
e eu devo-lhe muito porque me apresentou ao Skat Kat.
Muito bem.
Certíssimo. Mas peço imensas desculpas. Parece haver uma confusão. De novo.
Sim, Lips, pedi-te um Paul, não Paula.
Paula, lamento imenso, mas, sim, não fiques feliz, está bem?
Olá! P Abby D, porque estás de pé?
- Floyd, dá cá um abraço. - Sim.
Como estás, querido?
Melhor que nunca. Acabei de compor uma canção de amor centrada em sopa quente
por puro despeito para me vingar da Janice.
E está a funcionar totalmente.
Ouve, precisas de coreografia?
Sem dúvida! Vamos fazê-la!
Nora? Temos uma situação aqui atrás.
Céus! Não, não, não. Não, não, não, esse é meu.
Olá, tudo bem, pessoal?
Sou o Zoot.
É como me ver ao espelho.
Na verdade, sou eu, o Morgan Freeman.
O papel é teu, Marvin.
Bom, tudo isso está errado.
Peço imensas desculpas, Sr. Freeman,
mas não há nenhum papel porque já temos um Zoot.
Onde?
Tu. És o Zoot.
É por isso que vou estudar todos os movimentos e maneirismos dele.
Eu gostaria de saber como é estar no teu lugar.
Toma. Vamos perguntar ao Jimmy.
Não é assim tão mau.
Este pode muito bem ser o papel de uma vida.
Ouve, viemos fazer a audição para o Zoot.
Não vamos atribuir o papel do Zoot.
Ótimo. Perdi mais um papel para o Freeman.
Não há nenhum papel, está bem? Porque o Zoot é o Zoot.
E não há nada que possam fazer para eu mudar de ideias.
Eu posso fazer isto.
Está bem.
Não, não, não. Não. Isso é caro.
Isso é... Meu Deus!
Dança a colher de sopa, dança a colher de sopa. E mistura
- e mistura. - Para. Para.
Onde estão os passos nítidos e limpos? Mais uma vez.
Cinco, seis, sete, oito.
- Dança a colher de sopa, dança-a. - Sim.
- E mistura. - Ouçam! Chega.
Bom, têm todos de sair.
Sim, a Paula Abdul, o Morgan Freeman, todos os Zoots.
Levem todos um coelhinho e vão-se embora.
- Foi uma honra. - Sim.
Tu não, Zoot verdadeiro. Tu ficas.
Quem? Eu?
Isto é mesmo um desastre.
Nem acredito que deixei isto acontecer.
- Quanto a isso. Olha, eu posso explicar. - Moog.
Não, não, estou farto do jogo.
Sou o culpado de tudo.
- O quê? - Eu tenho de admitir.
Trabalhar no documentário, dar os coelhinhos ao Animal
e até tentar comprar a editora, foi tudo uma desculpa
para chegar a ti.
Porquê?
Olha, quando acabaste tudo comigo,
disseste que era por eu ser um falhado
obcecado por videojogos e desempregado.
É por isso que trabalhei sem parar para construir o meu negócio
e aumentar a minha fortuna, o que me levou a melhorar o físico,
a depilar a laser o meu corpo e a ter aulas de linguagem gestual.
Então, estás a dizer que te tornaste assim por mim?
Não.
Tornei-me assim por nós.
Eu...
Ouve, podemos cortar, por favor?
Cortar? Estás doida? Isto é material do bom.
Como? Nada disto tem que ver com a banda.
Ouve, concordámos em fazer um documentário sobre o amor,
e é isso que estou a filmar aqui. Tu a perseguires a tua Amy.
O quê? A minha quê?
Vá lá, este tipo é claramente a tua Amy.
A quem te arrependes de ter largado e que escapou.
A sério? Arrependes-te disso?
Bom, porque se tornou isto sobre mim, de repente?
Isto deveria ser sobre a banda, certo?
E o amor deles uns pelos outros.
Este é o amor que o mundo precisa de ver, não eu.
Ena, estás a desviar totalmente.
Sim. Talvez.
Tenho estado tão obcecada com a carreira que, quando se trata da vida amorosa,
nem sei por onde começar, Janice, está bem?
É isso que queres ouvir?
Tu não estás sozinha. O amor é difícil para a maioria das pessoas.
Mas nós não somos a maioria das pessoas.
O doutor tem razão.
Desculpem eu ter-me zangado devido ao nome da banda.
Por mim, tudo bem.
Mas não por mim.
Por este meio, aproveito este momento.
De hoje em diante,
sou, é, somos e seremos aqueles que são conhecidos como
apenas os Electric Mayhem.
És um homem generoso com um chapéu lindo.
Obrigado, doutor.
Sempre, meu irmão.
Mas, acima de tudo,
obrigada, Nora, por usares a tua desolação absoluta
para trazer a nossa união total.
De nada, acho eu.
E, corta! Sim!
Pessoal do programa, acho que conseguimos.
Conseguimos o quê? Isto não foi uma festa de amor, foi um caos total.
Nem conseguimos que um Beatle passasse por cá.
Nora, queríamos mostrar ao mundo o que o amor realmente é, estou certo?
O amor é caos e é paixão. E é confuso.
E pode ser muito complicado.
Não precisam de um Beatle para mostrar ao mundo o que sentem uns pelos outros.
Já mostraram.
Bem, quem diria?
O Silent Bob diz coisas sábias no fim do filme.
Sabes que mais? Tens razão.
Nós realmente não precisamos do Paul McCartney.
Bem, acho que tudo o que resta agora é um grande final.
Sim? O que tens em mente?
PRAZO À TOA!
Parece que a equipa do glamour sabe mesmo tudo.
Sim, até parece que ouves.
Foi preciso uma equipa de filmagem inteira e um realizador famoso
para me fazer parar de me esconder e viver um pouco.
- Nós fazemos uma boa equipa. - Eu sabia que faríamos.
Escuta, quanto às coisas que eu disse antes...
Não. Para.
Significa muito que tenhas parado com todos os jogos e mostrado como és.
Dizes que eu não tinha de depilar a laser o meu corpo?
Ouve.
Se te serve de alguma coisa, ainda sou da Equipa Moog.
Bom, então, qual é o próximo passo?
Sinceramente, acho que o teu único passo é apenas
deixar estar.
Cá vem para a senhora adorável.
- Eis uma para o Ax Man. - Obrigado.
- Eis uma para o Toot. - Dá-me.
- Uma para o Zoot. - Isto é ótimo.
Boa. Então, Craig, mete uma objetiva 24 na câmara A.
Que tal aqui? Dá-nos uma panorâmica.
Objetiva de 75 mm na câmara B
e dá-me um grande plano do Animal durante o tempo todo.
Precioso!
Cuidado com os rins.
Ora, ora, do Shire para a Cabana, o Sir Peter Jackson está aqui.
Há quanto tempo, PJ.
Sabe, já não o víamos desde aquela noite em Wellington,
quando conhecemos os Feebles.
Sim, foi uma má noite.
Dois estão sob proteção de testemunhas. Os outros estão presos.
Então, porque está o Sir Peter Jackson aqui?
Bem, o Lips viu o meu documentário "Get Back".
Ganhei alguns prémios.
Basicamente, o meu documentário tornou os Beatles conhecidos.
E o Lips disse-me que vocês vão ser maiores que os Beatles.
Sr. Peter Jackson?
Basta "Sir Peter".
Sr. Sir Peter Jackson, nós já fizemos o nosso filme.
Lamento, Janice, mas eu não faço filmes.
Faço trilogias.
Tudo o que têm de fazer é ser naturais. Não olhem para a câmara.
Mostrem-me o vosso talento.
- Sim. Está bem. - Nós podemos fazer isso.
Sim, exatamente! Eu sinto-o.
E, ação!
Cá vamos nós.
Agora, tirem-me uma.
Tradução: Ana Paula Moreira
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