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Original subtitles

ESPIÕES POR CONTA PRÓPRIA

- Olá. - Olá. Para que lado vai?

- Para ali. - Quer dizer que vai para sul?

- Dá-me boleia? - Foi para isso que parei.

- Venho já. - Vou ficar á espera.

Mas onde é que...

Sacana!

Doug, é fantástico. Tens um minuto?

Tenho de falar contigo. Estão a dar comigo em doido aqui.

A sério. Na cozinha é igual, ontem á noite, durante o filme...

Está de tal maneira que nem consigo dormir.

Vá onde for, dão todos comigo em doido. Que hei-de fazer?

Pois, a vida é difícil.

E chamam a isto Justiça?

Um desgraçado como eu comete um erro. Foi um acidente.

E levo prisão perpétua. Sabes o que aconteceu, certo?

Eu estava no quintal, com o guindaste...

Sim, eu sei, Tim. Eu sei o que aconteceu.

O juiz deve ter achado mal deixares cair a máquina

em cima da tua sogra. Aquilo caiu mal ao homem.

Mas pensei que fosse a minha mulher! Depois, pedi desculpa.

E ela estava demasiado esmagada para te ouvir.

Acho que tens razão. Já te disse por que estou aqui?

Acho que foi uma cilada.

- E tive um péssimo advogado. - O'Riordan á sala do director.

Acho que é para ti.

Obrigado.

Foi um prazer falar contigo.

Quando voltares, digo-te por que estou aqui.

Não, isto não é um hotel. Isto é a penitenciária estadual.

Onde é que vou arranjar duas celas de uma pessoa com casa de banho?

Estou-me nas tintas para o que o gabinete do Governador diz.

Apesar de serem bons tipos.

O melhor que arranjo é uma cela dupla sem casa de banho.

É pegar ou largar.

Como? Sim.

Esta tarde vou ter vagas e pode ficar com ela uns dias.

Estou á espera de uns com prisão perpétua este sábado.

Não sei onde os pôr. Sim?

- O O'Riordan está aqui. - Mande-o entrar. Não demoro.

Estou? Sim, não posso ajudá-lo.

Faça o melhor que puder, porque esta não é a única prisão do estado.

- Como estás, Doug? Senta-te. - Não, obrigado. Vida difícil?

Difícil? Para ti, não. A partir de agora, estás livre.

Livre? Mas ainda me faltam duas semanas.

Vêm aí uns tipos novos. Preciso da tua cela.

Tu ocupas demasiado espaço.

E a cozinha tem tido trabalho extra desde que tu chegaste!

Custas ao estado quase mais do que o programa espacial!

Não me diga.

Tu mereces, por aturares o velho Tim.

Sim, coitado do Tim. Continua a insistir que é inocente.

É pena que a sogra insista em continuar morta.

Muito bem, Doug...

Faz as malas, passa pela Administração

e desaparece daqui. - Obrigado.

Preenche-lhe isto e leva-o directamente á Administração.

- Sim, senhor. - Doug, foi um prazer.

- Obrigado. - De nada.

Já acabei o meu livro do Super-Homem. Adeus.

És muito simpático. Ainda não li este. Doug?

Sim?

Se outro iate te incomodar durante a pescaria...

...não o afundes. - Não volto a fazer isso.

Sacana. Já trato de ti.

Espera e vais ver.

Dê-me outro.

Vi o teu camião novo. É mesmo uma maravilha.

O que é aquela protecção anti mosquitos?

Eu vou a conduzir e os mosquitos sujam-me o pára-brisas todo.

Gostas de ter o teu camião sempre um brinco, não é?

É mais ou menos isso. Tenho orgulho nele. Não tenho mais nada.

Chili e café.

Eu já lidei com uns tipos duros, mas o Husky Joe... Era dos duros.

Era mesmo dos piores.

Como é que começou? Como é que o venceste?

Ele disse que eu não podia descarregar o camião,

porque estava atrasado. Disse: “São as normas.”

E eu disse: “Estou-me nas tintas para as normas.

Vou descarregar o camião e ninguém vai impedir-me.”

- E comecei a sair. - E o Husky?

Disse-me para desaparecer, ou dava cabo de mim.

Antes de ele acabar, dei a volta por trás dele,

agarrei-o pelo pescoço e dei-lhe umas peras valentes.

- Gostava de ter visto. - Depois, vieram dois amigos dele,

o Jack, the Bear e o Caterpillar Nick.

Eu conheço-os. São uns animais. Uns animais.

Atiraram-se a mim, eu afastei-os,

baixei-me para pegar na minha faca e abri-os todos.

As mulheres deles andam agora todas de preto.

- Deve ter sido uma luta e tanto! - Como muitas que já tive.

Tome. Afogue-se neles.

Dê-me outro.

Dê-nos outra cerveja. Já!

Podem esperar até eu acabar de fazer este hambúrguer.

Eu disse já. O boca-de-lixo pode esperar pelo hambúrguer.

O que é que disseste?

- Estás a falar comigo? - Estou.

Estás doido?

Já tentaste conduzir um camião com os braços engessados?

Esquece. Ele não quis dizer aquilo.

O nosso amigo pede desculpa e fica tudo bem.

Peço desculpa, uma ova! Quem te perguntou alguma coisa?

Ouve, se queres outro hambúrguer, vais precisar dos dentes.

Portanto, vai sentar-te e porta-te bem.

Achas graça?

Calma. Não quero chatices aqui ou vou ter de...

- Vamos lá rir agora. - Sim.

Lamento desiludi-los, mas quem se vai rir sou eu.

Por que não te ris? Não tem graça?

Vai acertar-me na cara, não vai?

Acabaste com eles num instante.

- Pode dizer-se que sim. - Eram lixo do pior.

Também pode dizer-se que sim.

Nem penses. Eu pago.

Tudo bem. Nunca recusei uma refeição de borla.

- São uma beleza, não são? - São.

- Para onde vais? - Para sul.

- Que tal uma boleia? - Por que não?

É uma vida dura, passar o dia todo ao volante.

- De onde és? - Manitoba.

Se quiseres descansar, tudo bem.

Obrigado.

- Onde está a chave? - Na ignição.

Certo.

- Roscoe Fraker. - Doug O'Riordan.

- Doug, vamos fazer-nos á estrada. - Vamos lá.

Telefonista?

Passe-me á bófia...

Passe-me aos pés chatos...

Passe-me aos chuis... Passe-me á Polícia.

- Vens muito para estes lados? - É a primeira vez.

Normalmente, vou para norte. Não gosto muito da paisagem.

Deixa lá. Há pior.

Aconteceu qualquer coisa. Liga o rádio.

...cuidados intensivos, com fracturas múltiplas no corpo.

Os médicos dizem que os três homens

ficarão hospitalizados durante pelo menos 90 dias.

Segundo o Dr. Bones, ortopedista,

seria mais fácil recuperar um fígado picado.

O proprietário, o primeiro a acordar e a chamar a Policia,

disse que os atacantes eram apenas dois.

É evidente que o pobre homem ainda está em estado de choque.

O xerife Cooley, encarregado do caso,

está convencido de que o gangue dos ladrões de camiões

é composto por pelo menos de z homens.

Acrescentou ainda que a busca dos criminosos

irá durar até estes estarem atrás das grades para sempre.

Vivemos num mundo terrível.

- A Polícia. - E então?

Não temos nada com que nos preocupar.

- Sim? - A porta.

Acho que vinha em excesso de velocidade.

Em excesso de velocidade? O que está a dizer, Sr. agente?

- Não passei dos 80 km/hora. - Sai daqui.

Deixe-me ver a sua carta de condução,

o registo de carga, o título de transporte,

a sua origem e o seu destino.

- Mais alguma coisa? - Por enquanto, não.

- O que queres? - Os documentos.

Quais documentos?

Registo de carga, título de transporte, seguro... Documentos.

E por que estás a pedir a mim?

Por que estou a pedir a ti? Este camião é teu, não é?

Meu?! Espera lá...

Eu limitei-me a pedir-te boleia e tu disseste: “Por que não?”

Saiam com as mãos no ar.

- Como está, Sr. agente? - Calado!

Levante-se. Levante-se e encoste-se ao camião.

Vamos lá. Encostem-se aí.

- Afaste as pernas. - Cuidado!

Eu só lhe pedi boleia, Sr. agente.

- Obrigadinho. - É surdo?

- Eu disse para se calar! - Eu não fiz nada.

Pode dizer-se que sou um vagabundo patinador.

Sim? Pois os seus dias de patinagem acabaram

durante pelo menos 15 anos.

Quinze anos? Está a brincar?

- Mãos ao alto. - Mãos ao alto!

Quinze anos, se o juiz gostar de si.

Agora, virem-se e não baixem as mãos.

Bela captura, não foi, Jim?

Andamos atrás de vocês há meses.

- Há meses? - Mãos ao alto!

Acho que há aqui um mal-entendido, Sr. agente.

É assim que lhe chama?

Nós chamamos-lhe roubo de camiões, agressão...

...danos propositados á propriedade privada,

associação criminosa...

Quietos, ou rebento com vocês. Larguem o material.

E não se virem, se sabem o que é bom para vocês.

Agora, mãos ao alto.

Mais alto!

Tu também, monte de lixo.

Queres que nos matem? Faz o que eles dizem.

Wilbert, acho melhor irmos embora.

Tens razão, Alice.

Os chuis vão para dentro do camião.

Tu, macacão, abre a porta.

O homem está a falar contigo. É melhor fazeres o que ele diz.

Comecem a andar, e continuem virados para o camião.

Desculpem. Agora são os polícias que são presos.

Vá, entrem.

Fecha a porta.

O que estás a fazer?

Não! Não disparem! Não quero morrer!

Morre!

Meu Deus. Mataram-nos!

Estás preocupado com quê? Para os polícias,

somos só dois cadáveres desaparecidos.

Se não desligares essa sirene,

vão encontrar já um dos cadáveres.

Para onde vamos?

Segue o teu caminho e eu sigo o meu.

És um solitário!

Nem suporto ver-me ao espelho.

Eu percebo-te.

Para onde queres ir?

Para o mais longe de ti possível.

Óptimo! É um excelente sítio.

Nunca lá estive. Vou contigo.

Claro que vais... por cima do meu cadáver.

Qual é o primeiro avião para Chatanooga?

- O TWA 504, daqui a 15 minutos. - Obrigado, loirinha.

Pode dizer-me qual é o próximo voo para Detroit, por favor?

É o Pan Am 106, ás 12h35.

Obrigado.

O primeiro avião daqui para fora?

O da Eastern Airlines para Miami, dentro de 10 minutos.

Não tem nada que agradecer!

Última chamada para o voo Eastern 405 para Miami.

Mr. Steinberg e Mr. Mason, por favor vão levantar os bilhete ao balcão

e vão imediatamente para a porta de embarque 14.

Mr. Steinberg e Mr. Mason, levantem os bilhetes no balcão

e dirijam-se para a porta 14.

Desculpe, quero um bilhete para...

Quero um bilhete para Miami, por favor.

Lamento, mas o voo para Miami está cheio.

Acabaram de nos chamar. Pode verificar, por favor?

Mr. Steinberg e Mr. Mason?

Sim. Sou o Steinberg e este é Mr. Mason.

Aqui tem. Primeira classe.

É melhor despacharem-se, ou ainda perdem o avião.

- Obrigado. - De nada.

- Vamos, Perry. - Sim, obrigado.

- Mr. Steinberg e Mr. Mason? - Sim, somos nós.

Por aqui, por favor.

- Aperte o cinto, por favor. - Está apertado.

- Ela está a falar deste. - Certo.

É a primeira vez que anda de avião.

Se precisar de alguma coisa, é só chamar.

Ouviste? Se precisares de alguma coisa, carregas neste botão...

- Não sou surdo. - E a hospedeira vem logo.

Mas, se precisares de vomitar, usas este saco.

Isso é um saco para o cocó dos cães.

Fecharam a porta. sinto-me encurralado.

Pois, normalmente, antes de levantar voo, fecham a porta.

Algo me diz que alguma coisa não correu bem.

Sim. O K1 vai ficar fulo.

- O que aconteceu? - Não faço ideia.

Podem vir comigo, por favor?

- Pronto. Acabou-se a festa. - Parece que sim.

Pois.

Mais um minuto, e não nos tinha apanhado.

A culpa não foi minha.

O voo de Washington chegou atrasado.

Mais alguma coisa?

- Sim, já me esquecia. - Claro.

Aqui têm a chave da pasta e a chave das algemas.

- Está bem. - Boa sorte. Boa sorte.

Só uma coisa. Posso pedir-lhes um favor?

Por favor, não ponham no relatório que cheguei atrasado.

- Está bem. Só desta vez. - Está bem.

Muito obrigado.

Vamos abri-la?

A chave.

Não me agrada.

Viste a identificação do tipo? E agente governamental.

E então? Não roubámos a mala. Foi ele que a deu.

Tens razão. Tens razão.

Em que estás a pensar?

Em desaparecer e gozar a minha sorte.

Acabaram-se todos os meus problemas, amigo.

Todos os nossos problemas.

Anda, vamos á casa de banho dividir a nossa sorte.

Senta-te.

Vens á casa de banho ou não?

Senta-te! Em Miami.

A partir daí, é cada um por si.

Onde é a casa de banho, por favor?

O mundo inteiro é uma casa de banho.

Mas acho que a que querem é ali.

Obrigado.

Idiotas! Apanharam o Mason e o Steinberg errados.

Claro que não falaram. Porque os verdadeiros estão aqui, em Miami!

Sinto o cheiro de um agente a milhas.

O aeroporto está cheio de agentes governamentais

para virem ter com eles. Avisem já o K1 . Sim.

- Deviam pôr o aviso de “Completo”. - Fora daqui.

- Vai demorar muito? - Quem sabe?

Pode despachar-se, por favor?

Há coisas na vida que não podemos despachar.

- Vamos fazer isso aqui. - Aqui?

Dividimos a meias e fica cada um por si?

Tiros!

Ninguém se mexa!

Acabou-se. Para ali. Para ali.

Encostem-nos á parede.

Vejam debaixo das portas.

Levante as mãos e deixe as calcas em baixo.

Nada de porcarias!

Quieto! Fique onde está.

Nada de gracinhas.

Encontrem-nos. Têm de estar aqui algures.

- De quem andam á procura? - Não sei.

Fiquem onde estão. Quem disparou aqueles tiros?

Ninguém disparou tiros nenhuns.

Dois miúdos meteram bombinhas no cesto dos papéis e fugiram.

- Bombinhas? - Sim, eu vi-os.

Certo. Mas ninguém se mexe enquanto a Balística não chegar.

Cuidado, chefe. Atrás da porta.

Muito bem, Kojak. Apanhou-nos. Calma.

Que tal deixar-nos ir e dividimos isto pelos três?

Sei que não vão acreditar,

mas o dinheiro veio-nos parar ás mãos por acaso.

Eu fico com isso.

Sabe como é.

- Sim, claro. - É verdade.

Desculpem os meus homens terem sido tão bruscos,

mas não podíamos levantar suspeitas.

Chamo-me Scott, Jeremy Scott.

- Olá, Jeremy. - Olá.

Olá.

Os meus parabéns. Foram excelentes.

Quando ouvi os tiros, pensei que estivessem feitos.

Confundir bombinhas com balas...

Pois.

Fazerem de pobretanas foi muito engenhoso.

Que mais podíamos fazer? Dizer quem éramos?

Não, claro que não.

Bem, dado que somos quem somos... isto é meu.

Sim, claro.

- Está calor, não está? - É verdade.

Dava tudo para ser como vocês. O vosso treino foi difícil?

Foi.

O chefe está ansioso por os conhecer. Está muito entusiasmado.

- O chefe. - Como é o chefe?

Chamamos-lhe Tigre. Pode ser um gatinho amoroso,

mas se nos apanha com os bigodes no leite dele...

mais vale acabarmos logo com a nossa vida.

A propósito. Quando fizerem o vosso relatório,

não refiram o incidente com as bombinhas.

Agradecia muito.

Se não disseres nada...

Ouviu o que ele disse.

Sim, eu compreendo.

Mas e... E o Fidel Castro?

Acordou agora. Ao meio-dia.

Que raio de revolucionário é ele?

Dorme mais que a Raquel Welch.

Esteve a jogar basquetebol ontem á noite.

Depois, desfrutou da companhia de uma mulher até ás 6 da manhã.

Como está a saúde dele?

O satélite acabou de transmitir estes dados.

- E então? - Tensão arterial, 8/13.

Ritmo cardíaco, 48 em descanso, 49 sob tensão.

Tónus muscular, excelente. Dormiu bem,

digestão regular, defeca como um bebé,

não sofre de diarreia nem de qualquer anomalia.

- Então, o Barbudo está bem. - É isso mesmo.

Bolas. Um momento. Estou?

Óptimo. Mande-os entrar. Já falo consigo.

Os agentes Mason e Steinberg.

Muito bem, Scott. Pode sair.

Apanharam o nosso homem em Havana.

É uma pena. Era um bom agente.

Bem-vindos a Miami, rapazes. - Obrigado.

Caramba...

Bom disfarce.

Quem diria que estes trapos sujos e malcheirosos

escondem dois dos nossos melhores agentes?

Dois escolhidos entre mais de dez mil candidatos.

- Tivemos sorte, só isso. - Esperamos continuar a ter.

Ninguém é piloto, escalador, mergulhador,

atirador, especialista em karaté,

pára-quedista, sabotador, atirador de facas,

especialista em armas, génio dos códigos,

da transmissão de rádio, da camuflagem,

da medicina e da química apenas por mera sorte.

E o agente Steinberg é também ventríloquo.

A sério?

E o agente Mason é um excelente lavador de pratos.

Apanharam o nosso homem no Alasca.

- É uma pena. - Que pena.

Espanta-me como um homem com o seu tamanho consegue trepar

paredes e edifícios verticais. Não percebo.

Ele é espantoso. Uma autêntica aranha.

É verdade.

Não me diga?

Digo, senhor.

- Bem, vamos? - Vamos.

- Apanharam o agente de Roma. - Vamos embora!

Esperem.

Tenente, hoje não precisamos de si.

O agente Mason vai pilotar o helicóptero.

Sim, senhor.

Acho que fico por aqui. Temos umas coisas para resolver.

Não se preocupe, Steinberg. Isso tudo pode esperar.

És doido? Não és piloto, és...

Cala-te. Por um milhão de dólares até piloto o vaivém espacial.

Muito bem, Mason, vamos.

Meu Deus, ajuda-me!

A pressão do óleo está bem?

- E o carburador? - Está.

Céus...

- Mason, vamos para Miami Beach. - Certo.

Desligue o rádio, Mason. Aqui, as paredes têm ouvidos.

- Ouviste? Têm ouvidos. - Claro.

Estão a ver aquilo ali em baixo? É Miami Beach.

Os turistas permitem àqueles bandidos

misturarem-se com os milionários honestos de férias.

O plano deles é terrível.

- Têm de os impedir. - Pode contar connosco.

Óptimo! Olhem ali para baixo.

Aquele é o melhor hotel da praia.

Têm uma suite de 2500 dólares/dia reservada em vosso nome.

Têm a planta do edifício.

Presumo que já a tenham estudado.

Conhecemos aquele hotel como a palma da nossa mão.

Claro que sim.

Como sabem, vão disfarçar-se de texanos ricos em férias.

Nós arranjamo-nos.

Estão a ver aquele vendedor de gelados ali em baixo?

É um dos nossos agentes.

Tem um cérebro que parece um computador. Não lhe escapa nada.

Podem não acreditar, mas a ideia de o pôr ali foi minha.

Foi?

Bem, vamos deitar mãos á obra.

Muito bem.

Mason, você primeiro.

Frente.

Perfil esquerdo.

Costas.

Levante os braços.

Perfil direito.

Já está. Muito bem, Steinberg.

Frente.

Esquerda.

Costas.

Estique os braços.

Perfil direito.

Pronto.

- Olá, Sam. - Olá.

São eles.

- Olá, Sam. - Olá.

Para além dos vossos talentos habituais,

pedi ao Sam para lhes preparar uns extras.

Força, Sam.

Estes frascos contêm a Poção de Eros.

É um fármaco que estimula a paixão.

Sabem tão bem como eu que, na vossa profissão,

é muito importante ter sucesso entre as mulheres.

Uma pequena borrifadela na roupa

e nenhuma mulher conseguirá resistir-lhes,

transformando-se assim numa mina de informações.

E funciona?

Espere. Não preciso disso. Experimente nele.

Um momento.

- Molly? - Sim, senhor?

- Pode chegar aqui, por favor? - É para já.

Sam.

A Molly, que vem aí agora, está connosco há 15 anos.

Parece uma pedra.

Nem sequer sabe o significado da palavra “sexo”.

É uma autêntica pedra.

Entre.

Molly, preciso de uma lista de todos os nossos operacionais.

Quero uma lista das tarefas de todos,

a cor dos olhos, o número que vestem...

...se são dextros, canhotos, que número calçam...

Molly! Molly!

- Olá! - Viva.

- Já pode ir, Molly. - Cale-se!

Por favor, Mason, diga-lhe.

- Já pode ir. - Sim.

- Obrigada. - Muito prazer.

- Adeus. - Adeus.

Adeusinho.

- O que acham, rapazes? - Sam, é um génio.

- Mostre-lhes o que tem mais, Sam. - Muito bem.

Incrível.

Se o rasgarem longitudinalmente, é um papel higiénico normal.

Em caso de emergência, até pode ser usado da forma mais tradicional.

- Mas... - Mas...?

Cortado ao contrário, torna-se altamente resistente.

Consegue puxar um camião e suportar o peso de um eléctrico.

Ou permitir a alguém sair por uma janela...

Sam, come muitos alimentos que fazem bem ao cérebro?

- E não é tudo. - Não?

Não!

Cá está. O que acham?

Não é uma maravilha?

Vejam isto.

Vejam. Que tal? Seis buzinas. Ouro.

Lindo, lindo, lindo.

Deixem-me mostrar-lhes.

Até a tinta! Até a tinta é á prova de bala!

Bom trabalho, Sam.

Além das funções normais,

acrescentámos um mecanismo de autodestruição.

Basta carregar naquele botão vermelho...

...e têm apenas 5 segundos para fugir.

Não tem banco ejector?

- Quanto é que dá? - Quase 300 km/hora.

Era o que nos faltava, sermos presos por excesso de velocidade.

Voltou a conseguir, Sam.

Está tudo perfeito. Até ao mais ínfimo pormenor.

- E o selo? - Como?

- O selo está caducado. - Caducado?

Sim. Veja.

Óptimo. Que maravilha. E quer que andemos com isto?

E se a Polícia nos manda parar? Dizemos que somos da CIA?

E gasolina?

Encheram o depósito ou temos de empurrá-lo?

Sam?

Desculpem. Foi um erro de um dos rapazes.

Não dos meus rapazes! Não dos meus rapazes! Trate disso!

- Desculpe, senhor? - Sim?

Trate disso!

As roupas estão prontas e têm aqui os documentos.

Rapazes, rapazes... Quando fizerem o relatório,

se pudessem esquecer esta questão do selo, eu agradecia muito.

Se não disseres nada...

- Está bem. - Fique descansado.

É tudo, Sam.

Muito bem. As vossas roupas estão prontas.

Aqui têm os cartões. Cartões de crédito ilimitado.

Têm American Express, Diners Club, Carte Blanche,

Master Charge e Visa. Pertencem ao clube de vela,

ao clube de golfe, ao clube de ténis, ao clube de campo,

ao clube de sexo e ao clube da Playboy .

Têm licença para caçar, pescar e matar.

Bem, acho que temos tudo.

Não, ainda falta uma coisa.

Vão ficar de boca aberta com isto.

Muito bem. Rapazes, é um milagre da tecnologia moderna.

Estão prontos? Vamos a isso.

Vamos pôr nos vossos dentes uma micro cápsula.

Com a ajuda dela e do satélite espião,

vamos poder saber onde vocês estão em qualquer lado do mundo.

Encontra-os num raio de 90 centímetros!

- Não me diga. - Digo, pois.

Não é fantástico?

É. De certeza que não cai, por exemplo, se alguém me bater?

Nem pensar. As cápsulas estão presas aos vossos dentes

e fixadas ao maxilar.

E não é tudo.

Se tentássemos tirá-las antes de serem desactivadas,

este edifício ia todo pelos ares.

Que bom.

Já viste a tua sorte?

Conheceste-me e a tua vida ganhou um novo significado.

Tens uma lata...

Eu estava lá sossegado, a comer uns hambúrgueres,

quando me aparece este boneco de olhos azuis.

Agora, tenho uma mini bomba atómica na boca

e um satélite pronto para dizer a toda a gente

onde e quando vou á casa de banho.

- Chamas a isto sorte? - O satélite incomoda-te?

Que graça! E depois, claro, temos o jogo de vídeo.

- No escritório do Tigre. - O quê?

O mapa do mundo na parede.

Quando a luzinha começa a piscar,

indica ao Tigre quem é que bateu a bota.

E é o fim.

“Mataram dois agentes nossos em Miami Beach.”

“É pena. Eram bons agentes...

...principalmente o maior.” Eu!

Estás a queixar-te de quê?

Temos um milhão de dólares na pasta e cartões de crédito.

O que são uns problemazitos comparados com isso?

Problemazitos? Estamos na linha de fogo, não percebes?

És mesmo pessimista, não és?

Talvez eles não nos matem. Talvez só nos mutilem.

Assim está melhor.

Mas, se quiseres desaparecer, pegamos no dinheiro e fugimos.

- Não. Por um milhão de dólares... - Meio milhão!

Pronto, meio milhão.

Por meio milhão de dólares, até era capaz de lutar com um gorila.

Isso é que é falar.

Vamos só pensar no quanto vamos divertir-nos esta noite.

- Queres ouvir música? - Pode ser.

Gelado 1 chama iglo. Gelado 1 chama iglo

- Estão a ouvir? - Perfeitamente.

Acabaram de chegar. São fantásticos.

- Bem-vindos a Miami Beach. - Qual é a graça?

Desculpem.

Leve o cavalo para o estábulo e dê-lhe uma boa escovadela.

Sim, senhor. E a vaca?

Chama-se Calamity Jane. Arranje-lhe um pasto,

ordenhe-a duas vezes por dia e mantenha-a longe dos touros,

ou vai ver-se connosco. - Entendido?

Sim, senhor. Acho que sim. Levem-no.

Por aqui, senhores.

Calma, rapaz. Já matei homens por menos.

Nada mau.

- Há boas bezerras por aqui. - Mas o pasto é fraco.

É disto é que eu gosto.

Já os atendo.

Por que estão todos tão contentes?

Posso ajudá-los?

Temos uma reserva para a vossa camarata de 2500 dólares.

Um momento.

Sim, Mr...

- Exactamente. - Somos nós.

Sim. Leonard!

Sim, senhor.

Leonard, acompanha estes senhores á suite real.

- Sim, senhor. - Eu levo o alforge.

Acompanhem-me.

- Vamos embora. - Empurra, Leonard.

Sim, senhor. Chegaram.

Estão vestidos como dois texanos ricos.

Muito elegantes. Sim, senhor.

Aqui é a casa de banho.

Que sanita tão gira.

Que casa de banho tão estranha.

As pessoas ricas vão á casa de banho juntas. Não sabias?

Não!

Leve esse papel higiénico daqui!

O papel higiénico?

Sim. Temos o nosso próprio papel.

- Se é o que pretendem. - É o que pretendemos.

Bem, se não precisarem de mais nada, vou andando.

Bem pensado, Lenny.

- Obrigado. - O prazer foi todo meu.

Isto é tudo nosso. Será que se lembraram das meias?

Que graça.

- Eu vou lá. - Vai lá.

O que foi?

Olá, chefe! É o Tigre.

Claro, não incomoda nada.

Sim, sim. Excelente trabalho.

Assim que estabelecermos contacto, avançamos.

Claro, não se preocupe. Vamos dar-lhes com forca.

Sim, está bem. Está bem. Obrigado, chefe.

Matem-nos.

Não se vão embora.

Desculpe, menina.

O que posso fazer por si?

O que pode fazer por mim? Muita coisa.

- Que tal um Batido de Vénus? - Parece-me lindamente.

É de beber e chorar por mais.

Sim.

Por enquanto, dê-me só um Shirley Temple.

- Com cereja? - Claro.

E talvez possamos “chorar” juntos logo á noite.

Os meus pais não me deixam sair á noite.

É pena, porque...

...não posso “petiscar” em serviço.

É da Polícia?

Mais ou menos. Sou agente secreto.

- Mas não diga a ninguém. - Claro! Está de férias?

De férias? O James Bond tira férias?

Pois eu também não.

Espero que goste.

- Está bom. - Pode atender-nos, por favor?

É só um momento.

Não me demoro. Coma a cereja. É um estoiro.

Um estoiro?

Podia ter-me magoado!

Vai!

Polícia!

- O que quer? - A sua mota de água. Obrigado.

- Sim? - Os seus hambúrgueres.

Está aberta.

Tanta coisa para meia dúzia de hambúrgueres?

Os nossos hambúrgueres são muito especiais.

Bem, comecem a servir.

Temos cebolas frescas.

E aqui, temos a alface.

Aqui, temos o tomate.

E eu sou o pão.

E eu sou o quê? A carne picada?

Exactamente.

Estão a vir pela janela!

A escada!

Está á vontade. Vamos, vamos.

Pedi-te meia cebola. Muito inteligente.

Vamos lá. Sacré Dieu !

Quem manda aqui?

Eu, senhor. Sou eu o chefe.

O que tenho de fazer para comer meia dúzia de hambúrgueres?

Hambúrgueres?

Eu trato dele.

Vamos esquecer isto. Vamos ser amigos.

Por que não?

Sim? Segurança? Sim.

Mandem os polícias para cá imediatamente.

Foram almoçar? Como assim?

Deixa ver.

Pronto, já percebi. E agora?

Cuidado. Ainda te estrangulas.

Já voltaram do almoço?

Então, mandem-nos para cá! Estão a matar-se uns aos outros.

Vamos, vamos!

Dia de Acção de Graças!

Olha, sabes...

O que queres?

Enquanto te atiravas a essa “águia”,

eu andei á bulha com uma Shirley Temple.

O que tens contra a Shirley Temple?

Nada, mas a cereja explodiu como uma bomba atómica.

- A cereja? - Sim.

- E a Shirley? - A miúda fugiu de pára-quedas,

mas fui atrás dela na mota de água e afundei-a.

Depois, fui buscá-la.

És tão simpático.

Depois de tudo isso, presumo que tenhas uma explicação.

Claro. Perguntei-lhe o nome do fornecedor das cerejas.

- És mesmo da CIA. - Ela disse que não sabia nada.

- Torturaste-a? - Sim, e ela lá falou.

Disse que uns chineses lhe prometeram umas massas

se ela desse cabo de nós.

E uns tiros se falhasse.

- Outra vez os chineses. - Como assim?

Enquanto estiveste a lutar com a tua cereja,

quatro chineses quiseram fazer de mim carne picada.

- De onde terão eles vindo? - Do tanque.

Do tanque?

Sim. Tem de ser lá.

Era lá que a rapariga deveria ir buscar o dinheiro.

Que mais descobriste?

Nada. Ela começou a chorar.

A chorar? Calculo que tenhas tido de a consolar.

- Sabes como é. - Sim, sei.

Se não descobrirmos depressa quem nos quer matar,

vamos acabar mesmo mortos.

Aqueles dois malditos são mais perigosos do que pensei.

Têm de ser abatidos, e depressa.

Cachorro Quente chama Cobra. Cachorro Quente chama Cobra.

Sim, daqui Cobra. Daqui Cobra.

Sigam-nos e matem-nos, antes que cheguem ao tanque.

Vamos. Eles vêm aí.

Lembrem-se. A ordem é para matar.

Certo.

Assim que saírem do carro, acabamos com eles.

Certo.

- Preparem-se. - Certo.

Vem um carro atrás de nós.

Calma. Há sempre um carro atrás de nós.

Olha, nós vamos atrás deles.

Além disso, o homem dos gelados ter-nos-ia avisado

se houvesse problemas.

Ele é um agente a sério, não é como tu.

Onde está o dinheiro?

- Calma. Está em segurança. - Onde?

Aqui.

Queres ouvir música?

Bolas!

- Quem me dera ter um carro assim. - Eu também.

E agora?

Calma. Vai ser canja.

Vamos ficar atentos. Aqueles tipos não estão a brincar.

Nós estamos em vantagem. Não sabem que estamos aqui.

Atenção, por favor.

Mr. Mason e Mr. Steinberg, por favor, dirijam-se às informações.

Há um telefonema para os senhores.

- Quem poderá ser? - O nosso mirone no céu.

Pois, tens razão.

Bem, vou ver o que o velhote quer. Aguenta as coisas por aqui.

Está bem, mas não te habitues a dar ordens.

Mãe, quero um refrigerante.

Está bem. Vamos comprar um.

Um copo de pipocas, médio.

Desculpe, ando á procura de um chinês.

É capaz de estar no fundo do copo.

Engraçadinho!

Sabe, Mason, os melhores truques são os mais simples.

- É tão simples quanto isso. - Onde está o Steinberg?

Ia perguntar-lhes o mesmo.

Fale, Mason, ou arrancamos-lhe os dentes um por um.

Todos, menos um. É uma bomba.

Não tente ganhar tempo com gracinhas, Mr. Mason.

Oiça bem, Super-Mulher. Apanharam o homem errado.

Não sei quem são nem o que querem...

Não brinque connosco, Mason. Sabemos tudo sobre vocês.

Desde que entraram no avião para Miami que os temos debaixo de olho.

Está admirado?

Pela última vez, Mason, onde está o Steinberg?

É aqui o balcão de informações?

Sim, é. Em que posso ajudá-lo?

Ando á procura de um amigo que veio cá atender um telefonema.

- Mr. Mason? - Sim, ele mesmo.

Ele está aqui. Entre.

- De certeza que não faz mal? - Claro que não.

- Consegue subir? - Claro.

Que bom ter aparecido. Sente-se.

Estava á tua espera lá fora.

Aposto que ele estava a chateá-los com a conversa dele.

Quando começa, nada o pára.

Sim. É um homem muito alegre.

O que foi?

- É alguma piada? - Não. Mãos ao alto, por favor.

Conseguiram escapar aos nossos atiradores, mas agora, acabou-se.

O K1 vai ficar tão orgulhoso de nós. Agora, ninguém o pára.

Charlie Chan, diz ao motorista para avançar.

Vamos embora.

O que se passa?

- Vens ou ficas? - Cuidado.

- Anda. - A Super-Mulher vai vingar-se.

- Atrás deles! - Com as armas não, idiotas!

Quem são eles?

São sarilhos.

Doug... Doug...

- Doug, tens visitas. - Adoro companhia.

Vamos!

Venham vocês cá a cima. Estou cansado.

Urgente! Todos os agentes, apresentem-se no tanque da orca!

Atenção a todos os agentes. Atenção a todos os agentes.

Apresentem-se no tanque da orca!

Para cima!

Isso mesmo!

Todos os agentes ao tanque da orca.

Contas, contas e mais contas.

O que esperavas encontrar? A morada do K1?

O crime não compensa, mas dá para a alimentação.

- Grande arma. - Ouve só:

trezentos cachorros, trezentos hambúrgueres,

seiscentos pães, sete quilos de cebolas,

dois quilos de ketchup , dois quilos de mostarda...

Não tem pickles ?

- Estou? - Fala o Cachorro Quente.

Um momento.

É o Cachorro Quente. Sim?

- Apanharam-nos? - Claro que sim.

Nesse caso, peço autorização para abandonar o posto.

Porquê?

Porque o vendedor de gelados não pára de transmitir informação.

Fica onde estás. Eu digo-te quando podes sair.

- Muito obrigado! - De nada.

- Quer um cachorro quente? - Excelente ideia.

Quero um hambúrguer, por favor.

Sim, senhor. É para já.

- E o meu hambúrguer? - Fica pronto em dois segundos.

Obrigado.

- Como quer? - Mal passado.

É a nossa especialidade.

Um momento. Eu não sei de nada.

- Cebola. - Adoro cebola.

- Quer tomate? - Por que não?

- Alface? - Só um bocadinho.

- Um bocadinho. Mostarda? - Muita mostarda.

- E ketchup ? - Muito ketchup .

Muito ketchup .

- Quer pimenta? - Como é que adivinhou?

Muita pimenta.

Pimenta...

Um hambúrguer, mal passado. Aqui tem.

- Este hambúrguer cheira mal! - Cheira mal? Impossível!

A carne é fresca. Ainda está viva!

- Sim? - Sim.

Então, experimente.

- Não! - O que se passa?

Eu sou só um sentinela. Só transmito as ordens.

- As ordens do K1? - Exacto.

E quem lhe disse que íamos para o tanque?

O Buda.

O Buda? É algum agente secreto?

Também o obrigamos a falar.

- Sim, onde é que o encontramos? - Na suite do hotel.

- E...? - Há uma câmara dentro da estátua.

- E...? - Foi o recepcionista que a pôs lá.

- E...? - Ele está em contacto com o K1.

- Percebeste tudo? - Sim.

- Algum problema? - Não. Só um.

- O que foi? - Não vai dar resultado.

- Pensa no milhão de dólares. - Vai dar resultado.

Apetecia-me pôr-me debaixo das cataratas do Niagara.

Também eu.

Vão todos para o diabo, principalmente aquele K1.

- Onde puseste a bebida? - Vou passar meia hora no duche.

Não a via.

- Queres uma bebida? - Depois do duche.

Depois, vou despejar essa garrafa e talvez despejar outra a seguir.

Estava a pensar no sujeito da Recepção.

Não te oiço. O que disseste?

Aquele tipo da Recepção. Dá para acreditar?

Vamos obrigá-lo a falar. Vais ver.

Certo. E ele vai levar-nos direitinhos ao covil daquele louco.

- Sim? - Desaparece, depressa!

Problemas?

Não, eu... eu...

Devo ter deixado o volante no escritório.

Sim. Às vezes acontece.

Não sei onde ando com a cabeça.

- Precisa de ajuda. - Se me der licença.

- Não. - Não?

- Não. - Ele já falou?

- Não. É dos duros. - Temos de o convencer.

Vamos dizer no relatório que ele foi atingido por um comboio

quando ia a tentar fugir. - Uma porcaria.

- Não, por favor, esperem. - Vai falar?

Como posso falar, se não me perguntam nada?

Quem é o K1? Onde está ele?

Querem dizer... Não faço ideia. Não posso...

Isso já nós sabemos. E mais?

Não sei quem é ele nem onde está, juro.

- Ele é que me telefona. - Tem de fazer melhor do que isso.

Mr. Spider. Mr. Spider e a mulher sabem onde ele está.

Acho que está a falar do Shifty e da Vamp. E mais?

- A Super-Mulher. - São os mais próximos dele.

Mr. Spider é chefe de segurança dele.

- E...? - O clube de tiro Buffalo Bill.

- Vão lá treinar todas as manhãs. - E mais?

Têm um carro antigo azul.

É de 1982, azul e... E a matrícula é ZSG255.

Nada mal.

Sim. Normalmente faço pontaria para o meio dos olhos.

A sério, Mr. Spider.

Não disse nada.

Idiota! Vamos!

Vamos!

Aguenta-te, Doug!

- Vem alguém a seguir-nos? - Acho que não.

Ali estão eles! São eles! Acelera!

Abranda um pouco. Deixa-os ficar ao meu alcance.

Vamos, Doug. Vamos a isto.

É o fim deles!

Fala o Spider.

Tenho o prazer de dizer que estão os dois esturricados.

- Parabéns. - Obrigado.

- Venham para cá. - Sim, vamos já.

Vamos, querida.

É o Steinberg.

Steinberg. Steinberg?

Steinberg, onde estão? Temos andado á vossa procura!

Como assim? Sabe onde é que estou.

Encontrámos forma de penetrar no gangue.

Preciso de saber onde está o Mason.

Isso é impossível. O satélite está desligado.

- O quê? - Explodiu. Não sabemos como.

- Óptimo. - Steinberg? Stein...

Com que então, estão no hotel?

Devem ter saído quando fui buscar o pistácio.

- O pistácio? - Acabou.

- Olá, senhores agentes. - Olá.

- Podemos ajudá-lo? - Preciso de uma das vossas motas.

Prefere aquela ou esta?

Não importa. Uma qualquer. Estou com pressa.

Um momento. Preciso de uma identificação.

Precisa de mais alguma coisa?

Um carro antigo, azul, com matrícula da Florida, ZSG255.

Ando á procura dele há um tempo.

Não o vimos, mas vamos lançar o alerta.

Está ali.

- Encontrou-o! - Sabe mesmo o que está a fazer.

É mesmo rápido.

- Olá. - Olá.

Por que não demoraste mais um bocado?

Estava a gostar de estar aqui.

Finalmente acabou-se a nossa sorte?

É o meu sócio, o Doug.

Olá, Doug.

Olá.

Fui eu que fiz isso.

Achei que assim dava um ar mais realista.

Bem pensado. Onde estão os nossos amigos?

Estranho. O parque está cheio, mas não está aqui ninguém.

Está a ficar cada vez mais estranho.

Quando a bexiga aperta...

Que pensamento tão profundo.

Deve ser a melhor casa de banho da cidade.

Talvez.

Esperemos que, desta vez, avancem.

Acho que não aguento esperar mais.

- Não precisam de se sentar. - Se nos derem licença...

Claro, querido. Claro.

- Adeus, querida. - Por favor, tem cuidado.

Não é emocionante?

Querido, gostávamos tanto de estar com vocês no momento da verdade.

Eu sei, querida. Vão ter de ter paciência.

- Quando voltamos a vê-los? - Amanhã ao meio-dia.

Quem me dera estar lá, para te dar a mão.

Boa sorte. Boa sorte.

- Vão dando notícias. - Adeus.

Espero que, desta vez, avancem.

Espero que sim. Estão á espera há tanto tempo.

Merecem ter sucesso. Dedicaram a vida a isto.

Homens mais fracos teriam desistido.

São homens extraordinários.

- É difícil acreditar. - Podes crer.

Não podem ter desaparecido.

Vê nas casas de banho.

Não há nada aqui.

Nada aqui.

- Não sei. - Talvez estejam na das mulheres.

Está trancada.

A parede!

Gostava de saber onde estamos.

Estamos numa casa de banho móvel.

Vamos.

Tens dedos mágicos. Tu primeiro.

Por que paraste?

Era uma espécie de elevador.

Ora esta... um barco.

É o fim da linha, meus senhores.

Espero que a vossa vinda até aqui não tenha sido um inconveniente.

- De forma alguma. - Por aqui, por favor.

Mr. Mason e Mr. Steinberg, presumo.

E presume bem.

Bem-vindos a bordo do Future, meus senhores.

- Belo barco. - Por favor, sentem-se.

Fiquem á vontade. Por favor.

- Esta banheira não é má. - É só um brinquedo.

A propósito, o que significa K1?

Nada, absolutamente nada.

K1, adoro a sonoridade. Assenta-me bem.

É um tanto misterioso, não acham? - Claro.

Os meus parabéns, meus senhores.

Não só escaparam ás minhas tentativas para os matar,

como invadiram o coração da minha organização.

Não fazia ideia de que a CIA tinha gente do vosso calibre.

Se isso o fizer sentir melhor, nós também não sabíamos.

Venham cá.

Desapareçam.

Meu senhores, decidi dar-lhes uma alternativa.

Na verdade, têm duas hipóteses.

- Que generoso. - A primeira é morrerem.

Mal posso esperar para ouvir a segunda.

A segunda hipótese é trabalharem para mim.

Não quero ser complicado,

mas, antes de passar para a oposição,

gostaríamos de conhecer os seus planos.

Num futuro não muito distante, meus senhores,

eu, K1, irei dominar o mundo.

Não acha que devia trabalhar para isso?

Não! De forma alguma! Não!

- Tem um projecto ambicioso. - Como sabem,

o vaivém espacial vai ser lançado de Cabo Canaveral

em apenas algumas horas.

Até agora, estou a perceber. E então?

Dez segundos após o lançamento,

será disparado um míssil de um dos meus submarinos atómicos

que se encontra ao largo da costa da Florida.

O míssil vai interceptar o vaivém a 11 quilómetros acima do Cabo.

A explosão será transmitida em directo para todo o mundo.

O míssil levará uma ogiva mortífera, a bomba K,

que irá interceptar o vaivém e fazê-lo explodir,

espalhando uma radiação letal por todo o planeta.

A bomba K é a arma mortífera mais formidável

já imaginada pela mente humana.

Não irá destruir os seres humanos nem os bens materiais,

mas os números serão varridos da mente.

Números? Quais números?

Todos. Cada um deles.

- Todos? - Sim.

A ideia de números irá desaparecer.

Sem eles, o mundo irá parar.

As calculadoras vão vomitar coisas indecifráveis,

as medidas irão perder todo o significado.

Será o caos.

- Achas que é um sonho? - Só se for para ti. Para mim, não.

Então, não há forma de escapar.

Ou alinhamos com ele ou morremos.

Imagina um mundo sem números,

um jogo de basebol sem pontuação.

Não consigo.

E o telefone?

Como se faz uma chamada sem um número?

Quer dizer que não vamos poder encomendar comida chinesa.

Pois. Nem dois Big Macs.

Dois? Por que não dez? Por que não cem?

Nem vamos poder gozar o milhão.

De que milhão estás a falar?

De que milhão? Como assim? Do nosso milhão!

O nosso milhão é o nosso milhão.

Um milhão de dólares é sempre um milhão de dólares.

Ou não?

- Desaparece. - Desaparece?

Alimentem-no e levem-no a dar uma volta.

Vejam, senhores. O vaivém espacial em Canaveral.

O meu submarino atómico, o Future II.

Sala de Controlos de Houston.

Ia adorar ver a cara deles.

- E agora, a maravilha suprema. - O seu dedo?

Quando acabarem a contagem decrescente para o lançamento,

o meu submarino irá iniciar a contagem decrescente dele.

Dez segundos, e depois desses dez segundos fatídicos,

vou carregar neste botão. Um gesto sublime,

que me irá colocar, a mim, K1, entre os deuses.

Bem, senhores, estão comigo ou contra mim?

Bem... Bem...

Bem, por enquanto, ainda estamos connosco.

Mas há boas hipóteses de ficarmos consigo.

Deixem-me avisá-los de que não têm muito tempo.

Têm pouco mais de um minuto.

- Sentem-se ao pé de mim. - Obrigado.

- Não toque nesse botão! - Não, senhor.

Já temos contacto com o Future II. - Fantástico!

- Houston continua a contagem. - Trinta segundos para o lançamento.

19, 18, 17, 16...

...15, 14, 1 3, 12...

Daqui Future II. Trinta segundos para lançarmos o nosso míssil.

...9, 8, 7...

...6, 5, 4...

...3, 2, 1.

Ignição.

É o último lançamento.

O nosso míssil já está pronto para o lançamento.

Perfeito. Dez segundos até ao lançamento do meu míssil.

9, 8, 7...

- 5, 6, 6, 5... - O quê?

- Cinco ou seis? - Eu ouvi sete!

Nós dois concordamos consigo.

Concordam? Três ou quatro? Tenho de saber! Quero saber!

- Ele disse quatro. - Cala-te!

- O que se passa aqui? - Carregue no botão!

- Qual botão? - Carregue no botão, neste botão!

Olhe, falhou por poucos centímetros.

Não se irrite. Toda a gente comete erros.

Toda a gente comete erros.

- Estou todo entupido. - Você é ventríloquo!

- Quem, eu? - É um maldito ventríloquo!

Foi enganado por um truque tão simples!

- É isso que ele é. Ele é... - Disseste um, e devia ser dois.

Dá-me licença. Dá-me licença?

Sim, toda. Espere!

- Não! Agarrem-no! Agarrem-no! - Estás bem?

- As senhoras primeiro. - Não, você primeiro.

Até já.

Vire-se.

É uma mulher. Não bato em mulheres.

Ouviu? Não bato em mulheres.

Doug, não fiques aí parado. Dá-lhe umas flores.

Não, ela quer que a beijes.

- A seguir, és tu. - Obrigadinho.

- Levante-se. - Que gancho.

- E agora? - Já vai ver.

Doug, vou-me embora.

Isto é por ter batido no bonitão.

Apanhem aquele maldito!

Apanhem-nos! Atrás deles!

- Tu também! Atrás deles! - Eu também!

- Onde estão? - Não sei.

Doug, larga-me. Sou eu.

Não vês que sou eu?

O tipo da esfregona sou eu. Vamos.

- Spider, anda cá. - Sim, senhor.

- Onde estão? Vá lá acima, idiota! - Estou a fazer o melhor que posso.

Finge que estás a bater-me. Eu grito a pedir ajuda.

Não sabes fingir?

Socorro!

Ele foi por aqui.

Está ali. Está ali.

Vamos embora daqui!

A tua esfregona.

Encontraram-nos? Não podem ter desaparecido.

- Vai lá para baixo! Encontrem-nos! - Os homens andam á procura...

- Onde é que eles estão? - Não os encontramos.

- Como te atreves?! - Foi aquele.

Seu sacana!

- O que se passa aí? - Eles apalparam-me!

E então? Estou-me nas tintas para o teu rabo! Céus...

O que estás a fazer?

Parem com isso!

Anda cá!

E tu também.

Cuidadinho. Vou descer.

É uma mulher e tanto. Tem um soco dos diabos.

Estou derrotado. Tenham pena de mim.

A propósito, que tal uma última viagem á casa de banho?

- Excelente ideia. - Ora, deixem-me em paz.

Abram a porta!

Fechem!

Vamos voltar para o hotel, pegar no dinheiro e desaparecer.

Fantástico, rapazes. Fantástico.

Estou muito orgulhoso de vocês.

Nem eu pensei que vocês conseguissem.

Depois de o satélite ter explodido...

- O espião foi ao ar? - Como um saco de papel.

Vou ser franco.

Quando o Steinberg ligou e pediu para o encontrar com o satélite,

fiquei muito envergonhado.

O que lá vai, lá vai. Vamos esquecer isso.

Não vou esquecer nada.

E tem razão. Tem razão, Mason.

O Steinberg fez um óptimo trabalho quando o encontrou.

- O Steinberg? - Sim.

Teve de ser. Não podia ter feito isto sem o meu parceiro.

Claro.

Bem, vamos pegar nas nossas coisas e vamos embora.

Não se preocupem. Já está tudo tratado.

Cartões de crédito, documentos, o milhão de dólares,

já foi tudo devolvido á proveniência.

- Já está tudo tratado? - Sem dúvida.

Óptimo. Óptimo.

Eu sabia. Eu sabia! E as bombas?

Agora não. Não temos tempo para nada.

Vamos ter com o Presidente.

- Com o Presidente? - Qual Presidente?

O Presidente dos Estados Unidos.

Ele convidou-os para passar o fim-de-semana em Camp David.

- Não me diga. - Digo.

Há só uma coisinha...

Estariam a fazer-me um favor pessoal

se não referissem...

...o homem dos gelados.

Se não disseres nada.

Tradução e Legendagem: Carla Feliciano / IDEIAS & LETRAS

Legendas Ripadas por: Simões / 02-08-2005

Sinconização por: Toyote

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