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Original subtitles

UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX

Todos os anos, durante apenas alguns meses,

a água doce flui para o Delta do Okavango…

criando o lar perfeito…

para uma pequena família de elefantes.

E um parquinho para seus dois novos filhotes.

Bosigo…

e sua prima,

Metsi.

Bosigo e Metsi estão só começando seu caso de amor com a água.

A partir de agora,

suas vidas serão definidas por isso.

Essa molécula preciosa…

entregue à Terra…

pelas forças surpreendentes em ação no nosso Universo.

Ela transformou esse planeta…

em um oásis…

para a vida.

UM MUNDO DE ÁGUA

DELTA DO OKAVANGO, BOTSUANA

O verão chegou.

E o que era o paraíso

não é mais.

A água doce que inundou o delta…

só dura alguns meses,

e os charcos estão desaparecendo.

Rapidamente.

Isso significa só uma coisa

para os milhares de elefantes que vivem aqui:

é hora de seguir em frente.

Essa é a única casa que Metsi e Bosigo conhecem.

Mas, em algumas semanas, toda a água vai desaparecer.

Então, eles precisam deixar o delta com o resto da família.

Uma manada de fêmeas,

irmãs, tias e primas.

Liderada pela avó,

a grande matriarca, Pula.

Elas embarcarão numa jornada com milhares de outras famílias.

Passando pelo deserto.

Em busca de água.

Nos próximos oito meses,

elas migrarão de charco para charco…

e caminharão por antigas trilhas de elefantes

usando o conhecimento da matriarca Pula,

transmitido a ela através de gerações.

A caminhada colocará todas as vidas em risco.

E elas precisarão de todos os seus sentidos para enfrentar os perigos.

Fazer essa viagem não é uma escolha.

Sem água, eles morrerão.

Mesmo no nosso planeta azul,

a água doce é escassa.

E, se procurarmos além das margens de nosso planeta…

é ainda mais rara.

Até o deserto mais árido da Terra

não é nada comparado ao resto do nosso sistema solar.

No frio do espaço sideral…

SATURNO

…a única água na superfície é o gelo.

Como as luas congeladas de Saturno…

onde fontes de gelo jorram por quilômetros no espaço.

Mais perto do Sol, em Marte,

a água é eliminada por ventos solares selvagens.

E em Vênus,

ela simplesmente ferve.

Existe apenas um mundo que conhecemos

que tem o presente de ter água líquida em sua superfície.

Um ponto azul claro.

Nossa casa.

Onde, nesse momento,

a água está levando uma família numa missão de sobrevivência.

Somente um mês após deixarem o delta,

restam apenas parcas poças lamacentas…

que ficam cada vez menores e mais espalhadas a cada dia.

Pula está usando sua memória altamente afinada

para levar sua família a um charco.

Ela consegue se lembrar da rota exata

mesmo décadas depois.

Foi um longo dia de marcha,

e todos estão desesperados por água.

Assim como todos os outros 130 mil elefantes que vivem em Botsuana.

A estação seca atrai manadas que vêm de longe…

até esse charco.

Todos competindo pelo mesmo escasso recurso.

Os adultos ensinam aos mais novos truques de sobrevivência,

como deslizar a tromba numa piscina lamacenta para conseguir água mais fresca.

E como usar água barrenta como protetor solar refrescante.

A pele enrugada é perfeita para reter a água e se refrescar.

Mas Metsi e Bosigo também estão aprendendo…

que piscinas de lama não servem só para matarem a sede.

São parques aquáticos também.

Com tantos elefantes sedentos,

o charco foi drenado.

A família de Pula precisa continuar…

e tentar chegar ao próximo charco

antes que o sol escaldante o seque.

Essa batalha entre sol e terra árida

existe desde que nosso mundo nasceu.

Quando o nosso planeta azul era tudo menos azul.

Quatro bilhões e meio de anos atrás…

a Terra estava em sua infância.

Era uma bola de fogo de rocha derretida.

Destinada a se tornar um mundo seco e estéril.

Mas, a milhões de quilômetros, nas regiões mais frias do sistema solar…

cristais de água se formavam

na superfície de partículas de poeira.

Com o tempo, esses grãos de poeira se agruparam formando asteroides.

Milhões e milhões deles.

E formaram o cinturão de asteroides.

Uma vasta extensão de rochas geladas.

No entanto, estavam tentadoramente fora do alcance da Terra.

Felizmente, por sorte,

um gigante estava em movimento.

JÚPITER 4,5 BILHÕES DE ANOS ATRÁS

O jovem Júpiter.

Um monstro de planeta.

Forças dentro de seu turbulento sistema solar interno

o puxavam lentamente em direção ao Sol.

Uma trajetória de voo que o colocou em rota de colisão

com o cinturão de asteroides.

Conforme ele passava pelos asteroides…

sua enorme força gravitacional arremessava rochas em todas as direções.

E, ainda assim, de todo esse caos e destruição,

veio o presente cósmico supremo.

Rochas geladas e ricas em água

foram lançadas em direção à Terra.

Trazendo a promessa de vida um passo mais perto.

Ao longo de bilhões de anos,

os asteroides foram entrelaçados à malha da Terra enquanto ela se formava.

Apanhadas na turbulência causada por Júpiter

e empurradas para as profundezas da Terra pelos asteroides,

as moléculas de água não tiveram uma jornada fácil para chegar aqui.

Elas ainda tinham um longo caminho para percorrer.

Aprisionadas por milhões de anos,

presas no núcleo derretido da Terra…

esperando por outro milagre…

para serem libertadas.

Hoje, grande parte da água da Terra ainda está no subsolo.

Então, os elefantes desenvolveram habilidades especiais para encontrá-la.

Até as piscinas lamacentas estão vazias.

Este período de estiagem virou uma seca total.

Mas Pula tem um superpoder.

Sua incrível tromba,

repleta de milhões de receptores sensoriais…

pode sentir o cheiro da água a quilômetros de distância…

e indicar suas fontes bem abaixo da superfície.

Mas é preciso cavar.

Metsi não é grande escavadora.

Mas Bosigo tem talento.

E Metsi consegue um assento no bar.

Esses poucos goles não vão contentá-los.

Mas, se a água não tivesse ficado presa na terra,

não haveria nada para beber.

Não haveria elefantes.

E nenhum tipo de vida.

Após a água ter sido entregue aqui por asteroides

e consumida pela Terra…

ficou presa na rocha em forma de cristais…

nas profundezas do planeta.

Ficou enterrada por milhões de anos,

sob um vasto mar de magma.

Até que, lentamente, a Terra esfriou.

E sua superfície endureceu formando uma crosta espessa.

Até que, finalmente, o interior borbulhante irrompeu.

Enormes vulcões

lançaram gás e vapor por quilômetros no céu.

Enfim as moléculas de água

foram liberadas.

E formaram as primeiras nuvens…

que cresceram e se formaram durante milhões de anos,

ficando carregadas de água.

Até que a temperatura caiu o suficiente…

para a primeira gota de chuva…

se formar e cair.

O que se seguiu foi um dilúvio…

que durou milhares de anos.

Poças se transformaram em rios.

Lagos

se tornaram mares.

E grandes oceanos inundaram a superfície da Terra.

E aqui, a água deu origem a algo mágico.

A primeira vida.

Dessas primeiras células

surgiram todos os seres vivos.

A água é o ingrediente fundamental

de cada célula, de cada criatura na Terra.

E hoje…

a manada ainda carrega essa água ancestral dentro dela.

Ela transporta nutrientes e oxigênio.

Impulsiona cada batimento cardíaco.

E guia cada respiração.

A vida evoluiu por causa da água.

E é por isso que nenhuma vida sobrevive sem ela.

Em Botsuana,

a seca só piora.

O mundo dos elefantes está em chamas.

A manada consegue escapar da floresta em chamas…

mas dá de cara com uma nova ameaça.

Nessa seca, todos sofrem…

de fome e sede.

Para os leões, bebês elefantes satisfazem as duas coisas.

Os adultos se reúnem em torno de Metsi e Bosigo.

É o suficiente para afastar a ameaça.

Mas os leões são criaturas pacientes.

E a manada ainda tem que atravessar um impiedoso deserto…

antes do próximo charco.

Eles precisam de uma tábua de salvação.

E a Terra fornece isso

nos lugares mais inusitados.

A acácia é um sinal de esperança.

E um refúgio para criaturas de todos os tipos.

Suas longas raízes chegam mais fundo que qualquer elefante é capaz de cavar.

Levando água até seus galhos…

e folhas.

É água suficiente para que possam continuar.

Mas especialmente vital para a mãe de Metsi…

que ainda amamenta seu bebê.

Mas isso é muito mais do que só um oásis local.

É o elo vital no ciclo eterno da água.

A árvore de acácia conecta o solo e o céu.

Respirando oxigênio e vapor no ar.

Alimentando nuvens e impulsionando a jornada da água ao redor do planeta.

Desde que a chuva

alimentou os primeiros brotos verdes…

e deu vida à primeira árvore…

as plantas tornaram o nosso planeta habitável.

Trazendo vida ao que um dia foi uma bola de pedra estéril.

Mas os presentes que nosso Universo nos deu

também podem ser tomados de volta.

Há muito tempo,

havia outro planeta cuja superfície estava coberta de água em estado líquido.

MARTE 3,5 BILHÕES DE ANOS ATRÁS

Um mundo de água, igual ao nosso.

As mesmas forças que levaram água para a Terra

também levaram para Marte.

Com uma atmosfera existente,

as nuvens se formaram.

Chuvas caíram.

Rios fluíram.

E um oceano surgiu em sua superfície.

Era um mundo de possibilidades.

Havia potencial para abrigar vida.

Mas não durou muito.

Porque, não muito longe dali, havia uma furiosa fornalha nuclear.

O nosso Sol.

Ele libera correntes de partículas de alta energia tão poderosas e mortais…

que podem devastar planetas.

Esse vento solar atravessa o espaço…

a quatrocentos quilômetros por segundo.

E isso destruiu a atmosfera de Marte,

acabando com as moléculas de água.

Pouco a pouco,

ao longo de milhões de anos,

a camada de proteção do planeta foi destruída pela ira do Sol.

Até que seu oceano evaporou…

e sua água se perdeu no espaço.

Marte se transformou em uma sombra desolada e congelada do que um dia foi.

Consumido por tempestades de poeira.

Qualquer chance de uma vida complexa

se foi para sempre.

Esta poderia ter sido a nossa história também.

Mas, de alguma forma, na Terra,

água e vida encontraram uma maneira de se agarrar.

Em Botsuana,

após duzentos dias sob sol escaldante…

não há qualquer vestígio de água.

Ventos violentos transformam a terra árida em uma tempestade de poeira.

E a luta dos elefantes não passou despercebida.

À luz do dia, os adultos conseguem proteger seus filhotes.

Mas, quando a noite cai…

a história é outra.

Os leões são mestres do caos e da confusão.

Eles escolhem o alvo mais vulnerável.

Trabalhando em bando.

Até que não haja mais para onde correr.

Sem a manada como proteção,

os leões dominam suas presas.

A seca e a interminável busca por comida e água

custaram a vida de Bosigo.

Elefantes formam laços emocionais profundos.

Toda a família lamenta a morte de Bosigo.

A manada se reúne para confortar Metsi…

que sente mais que todos.

A interminável luta pela sobrevivência acontece todos os anos.

Em todo Okavango…

em todo nosso planeta…

e além.

Mas, nessa batalha pela sobrevivência,

a Terra teve muita sorte…

com um guardião secreto que a protege.

Em suas profundezas…

a furiosa fornalha derretida do planeta queima e se agita…

gerando um poderoso campo magnético

que se estende do coração do planeta

até sessenta e cinco mil quilômetros em direção ao Sol.

Um campo de força vital que defende a Terra…

dos mesmos violentos ventos solares

que varreram a água de Marte…

derrotando-os antes que atinjam nossa atmosfera.

Protegendo nossa água essencial.

Abraçando cada gota

perto do nosso planeta.

É isso que torna o nosso ponto azul claro diferente de tudo.

Um lugar onde a vida pode prosperar.

Trazendo alívio aos elefantes.

Garantindo que as chuvas retornem todo ano sem falhar.

Ao longe, nuvens de chuva estão se formando.

Os elefantes conseguem detectar a baixa frequência de um trovão

a duzentos e quarenta quilômetros de distância.

E isso quer dizer que é hora de regressar a Okavango.

Desde os planaltos de Angola,

a água vai tecendo o caminho por Botsuana.

Para rejuvenescer o delta…

com o beijo da vida.

Cada passo que aproxima a manada de casa…

é a continuação de uma odisseia cósmica muito maior.

De pequenas moléculas pegando carona na poeira além de Júpiter…

até a sobrevivência ao calor avassalador da antiga Terra.

Aprisionada no núcleo do planeta…

e então libertada para semear a semente da vida.

Cada gota de água tem uma história incrível para contar.

Cada molécula é um elo em uma cadeia contínua,

percorrendo dezenas de milhares de anos.

Pelo ar…

oceanos…

rochas…

e elefantes.

Depois de oito meses

e centenas de quilômetros,

Metsi e sua família finalmente

chegam às águas vivificantes do delta.

Já passou da hora de beber…

e brincar.

E então, beber mais um pouco.

E mostrar ao mais novo membro da família…

como eles fazem as coisas no delta.

Metsi e seu novo primo bebê

são os últimos de uma longa linhagem

que se beneficiam da chegada milagrosa da água

a este planeta.

Eles estarão conectados para sempre ao Universo,

que deu ao nosso planeta esse ingrediente mágico

e nos deu a capacidade de preservá-lo

e valorizá-lo.

No próximo episódio de Enigmas do Universo, concluiremos…

com a força que une tudo o que vimos até agora.

O grande escultor do cosmos:

a gravidade.

A força de atração que construiu nosso planeta.

E vamos juntar dois pinguins no Polo Sul da Terra.

Mas quando a gravidade começou a exercer sua influência?

Como ela cria a ordem

e o caos?

E por que isso torna o nosso planeta perfeito para a vida…

e para o amor?

Legendas: Rubens Martins

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