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A noite cai…
UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
…e revela a conexão do nosso planeta com o Universo.
Uma estrela cadente,
rocha milenar das profundezas do espaço…
caindo na Terra.
Dentro dela, os elementos químicos que construíram nosso Universo.
Por muitas gerações,
as tartarugas marinhas percorrem os oceanos,
reunindo elementos cósmicos nos alimentos que comem.
Como fizeram por centenas de milhões de anos…
cada nova geração…
recicla essa mesma poeira estelar…
para produzir a próxima.
Nascidos no Big Bang
e forjados nos corações das estrelas…
noventa elementos químicos criaram tudo.
Infinitamente reciclados e reconfigurados
ao longo de toda a história do Universo.
E agora…
usando os mesmos elementos,
cada nova tartaruga começa um ciclo de vida…
que reflete a vida das estrelas.
OS ELEMENTOS E A VIDA NO MAR
Na Grande Barreira de Corais da Austrália…
algo mágico aconteceu.
Após 50 dias sob a areia,
elementos químicos de todo o cosmos
criaram vida.
Combinando-se para formar a próxima geração de tartarugas-verdes.
Os ovos esgotaram seu suprimento de elementos vitais.
E hoje, as tartarugas bebês terão o primeiro contato com o ar.
Enquanto seus irmãos e irmãs lutam para chegar à água…
uma pequena fêmea…
é a última a nascer.
Para chegar à idade adulta,
ela precisará coletar elementos químicos do outro lado do oceano.
É uma jornada perigosa…
com percalços a todo momento.
Mas, para as tartarugas bebês,
o chamado do oceano é irresistível.
De um ninho de cem,
às vezes, só uma sobrevive.
Às vezes, nenhuma.
Apesar do risco…
a pequena fêmea sabe
que ela deve chegar à água.
Ela vê uma brecha…
e aproveita a chance.
Hoje…
ela teve sorte.
A filhote não para de nadar até que tenha deixado o recife para trás.
Passando com segurança pelos predadores que se reúnem nas águas rasas,
ela desaparecerá no grande vazio do mar aberto…
para passar a infância se alimentando de átomos.
Átomos, cujas origens remontam
à vida inteira do cosmos.
Até a época em que nosso Universo estava em sua infância.
O BIG BANG
A expansão de nada para tudo em um instante.
Nosso Universo nasceu no Big Bang.
Primeiro,
não passava de fumaça quente e densa.
Mas, à medida que se expandia…
a fumaça começou a esfriar.
E, na menor escala imaginável,
algo surpreendente começou a acontecer.
Os primeiros átomos se condensaram na névoa.
Átomos de hidrogênio.
O primeiro elemento do Universo.
No oceano,
as jovens tartarugas estão caçando.
Emergindo do oceano azul
para se alimentarem nas águas rasas do recife.
Esta é Stella.
Uma das que tiveram sorte de conseguir sair da praia e entrar no mar.
Ela tem mais de 2.000 vezes o peso que tinha ao nascer
e está crescendo rapidamente.
Alimentando-se de criaturas que encontra no mar aberto,
ela coletou um elemento mais do que qualquer outro.
O hidrogênio.
Ele compõe mais da metade de todos os átomos em tudo que ela come.
E é o elemento mais abundante em todos os seres vivos.
De peixes
a invertebrados.
Anêmonas e corais.
Os átomos de hidrogênio formados no início do Universo
foram passados de estrela para planeta,
de planeta para animal…
e de presa para predador.
O que significa para Stella
que as águas ao redor do recife são perigosas.
Os tubarões-tigre, famintos pelos mesmos átomos,
caçam tartarugas marinhas ao longo da vida adulta.
A principal defesa de Stella é sua fiel armadura.
Um osso endurecido com cálcio e fósforo.
Elementos que remontam a outro momento crucial…
na vida de nosso Universo.
13,5 BILHÕES DE ANOS ATRÁS
Nos primeiros 300 milhões de anos após o Big Bang…
não havia planetas nem estrelas.
Era a idade das trevas do Universo.
Escondidos na escuridão,
enormes tentáculos de gás hidrogênio cruzavam o cosmos.
Então, incrivelmente,
quando foram atraídos pela gravidade…
nasceram as primeiras estrelas.
Foi o amanhecer cósmico.
O momento…
em que as luzes se acenderam.
E, nas profundezas das primeiras estrelas…
um processo notável começou.
Temperaturas e pressões eram tão extremas…
que novos elementos foram criados.
Átomos de hidrogênio foram aglutinados e formaram o hélio.
Ao se fundirem, energia era liberada.
Criando uma reação em cadeia que produzia elementos cada vez mais pesados.
Incluindo aqueles essenciais à vida.
Três átomos de hélio se combinaram e formaram o carbono.
O elemento em que se baseia toda a vida.
O carbono e o hélio produziram oxigênio.
O ar que respiramos.
Átomos de oxigênio se combinaram e formaram o fósforo.
Depois, o silício e o cálcio.
Os elementos que compõem todos os seres vivos
foram criados nos corações das primeiras estrelas.
Para Stella,
alguns elementos são tão importantes…
que ela viajará grandes distâncias para encontrá-los.
ESTREITO DE TORRES
300KM DE CASA
As águas quentes e rasas entre a Austrália e Papua-Nova Guiné…
são um paraíso de ervas marinhas vibrantes.
As pradarias do oceano.
Stella viajou até aqui
para ter acesso aos seus ingredientes mágicos.
À medida que crescem,
as ervas marinhas absorvem elementos do espaço sideral
que chegaram até o fundo do oceano.
Folhagens florescentes ricas em cálcio e fósforo
fornecem à Stella precisamente os minerais de que precisa…
para desenvolver e conservar sua carapaça protetora.
Endurecendo sua armadura
para as provações que virão.
Stella passará seus anos de adolescência
vasculhando o oceano
em busca de átomos nascidos nas estrelas.
Sua jornada até a maturidade…
ocorre em paralelo à história do nosso Universo.
Porque três bilhões de anos após o Big Bang…
o Universo também chegava à maioridade.
Entrava numa fase incrivelmente ativa de formação de estrelas.
À medida que cresciam,
as estrelas se juntavam em vastas galáxias.
Como a nossa Via Láctea.
Dentro dessas galáxias,
os elementos químicos que cada estrela produziu…
foram transformados em planetas e luas.
Após bilhões de anos,
os elementos químicos amadureceram
e formaram a Terra que conhecemos hoje.
2.000KM DE CASA
Stella está totalmente crescida.
Com mais de um metro de comprimento,
ela tem uma carapaça espessa coberta de algas verdes.
Uma camuflagem ideal para cruzar os recifes de coral.
Ela agora está em sintonia com o oceano.
Átomos das estrelas…
perfeitamente adaptados à vida no mar.
Apenas um exemplo de vida na Terra…
primorosamente moldada a partir do cosmos.
Stella está pronta para a próxima fase de sua vida.
Porque ela está prestes a se tornar mãe.
Dentro de seu corpo…
ela carrega uma ninhada de 100 ovos.
A primeira de muitas que terá ao longo da vida.
Sua própria carga preciosa de poeira estelar.
Por todo o recife,
átomos estão sendo reunidos em uma nova vida.
Criando um dos mais ricos ecossistemas da Terra.
Mas nosso planeta…
é uma exceção.
No restante do sistema solar,
os mesmos elementos
criaram mundos
bem menos adequados à vida.
MERCÚRIO
Mais próximo do Sol,
Mercúrio é um planeta rico em carbono…
mas, em vez de criar vida…
430 GRAUS CÉLSIUS
…o carbono é cozido em sua crosta.
Em um mundo queimado pela luz das estrelas.
Enquanto nos confins do sistema solar,
as temperaturas congelantes de Netuno
fazem com que o carbono e o hidrogênio formem nuvens de metano.
O gás sufocante que lhe dá esse azul brilhante.
Mesmo em Marte,
um planeta com os mesmos ingredientes da Terra…
a falta de uma atmosfera rica em oxigênio
significa que a vida complexa não sobreviveria aqui.
Somente na Terra as condições são ideais.
Mesmo aqui,
a competição por elementos é acirrada.
E o perigo…
nunca está longe.
Por sorte, Stella se tornou especialista em esconde-esconde.
A salvo por enquanto…
Stella enfrenta o maior desafio de sua vida:
retornar à Grande Barreira de Corais,
à ilha onde nasceu…
para botar seus próprios ovos na areia.
Mas uma vida inteira percorrendo o oceano
significa que ela está a 2.000km de distância.
Como Stella navega para casa,
é uma das maravilhas do mundo natural.
Nas profundezas da Terra,
o núcleo do nosso planeta gera um campo magnético.
O que dá a cada lugar na superfície uma assinatura magnética única.
Quando ela foi chocada,
a assinatura da sua ilha ficou gravada no cérebro de Stella.
E, para achar o caminho de volta,
ela contará com outro elemento químico.
Um que a conecta ao núcleo do planeta.
Um elemento que só é criado quando as estrelas morrem.
Em uma área próxima da galáxia,
há dois milhões e meio de anos,
uma drástica mudança ocorreu no núcleo de uma estrela gigante.
Durante toda a sua vida, ela foi alimentada por fusão nuclear.
A energia liberada
criava elementos cada vez mais pesados.
Até que o núcleo ficou tão quente,
que começou a criar
o ferro.
O que causou uma mudança primordial.
Porque fazer ferro não libera energia.
E sim a consome.
À medida que mais metal era produzido,
mais se espalhava pelo núcleo como uma doença.
Alimentando-se do calor da estrela.
Estrangulando-a.
Sem fonte de calor para sustentá-la…
daquele momento em diante…
a estrela estava condenada.
A explosão resultante brilhou como se fossem dez bilhões de sóis.
Uma supernova que lançou poeira rica em ferro pela galáxia…
até chegar em nosso planeta.
Até mesmo hoje,
cem toneladas de poeira estelar entram na atmosfera da Terra todos os dias.
Algumas, restos da formação do sistema solar.
Algumas, vindas de supernovas distantes.
Uma ligação direta entre nosso planeta e as estrelas.
E é o ferro nessa poeira
que permite que Stella encontre seu caminho.
Porque, no fundo do cérebro dela…
acredita-se que células especializadas contenham cristais de magnetita,
um mineral rico em ferro que se alinha ao campo magnético da Terra.
Uma bússola…
apontando para a direção certa.
Permitindo que Stella encontre a impressão digital magnética
de casa.
Então, um elemento forjado em uma supernova…
vai guiá-la por quilômetros de um oceano imperturbável.
De volta à ilha…
onde ela nasceu.
Mas há outras criaturas com habilidades de localização magnética.
Os tubarões-tigre também têm.
E isso os leva de volta à mesma ilha.
Porque todo ano, por alguns meses,
milhares de tartarugas fêmeas vêm aqui para botar seus ovos.
É o maior agrupamento de tartarugas-verdes
do planeta.
E, quando eles chegam à costa,
começam a se alimentar.
Stella deve esperar o momento certo…
para achar uma brecha…
e evitar ser atacada.
Quando o perigo passa…
ela finalmente nada até a praia.
Após uma jornada épica…
Stella emerge na areia
que tocou pela última vez quando era filhote.
Os elementos que ela passou a vida coletando…
agora são entregues com segurança na areia.
A missão de Stella está completa,
e ela retorna ao oceano…
para começar a juntar poeira estelar mais uma vez.
O ciclo de sua vida…
reflete o mais grandioso ciclo de todos.
Vida e morte das estrelas.
Porque muito longe na galáxia,
as cinzas de incontáveis supernovas
se aglomeraram para formar uma nebulosa gigante.
Uma nuvem de poeira estelar de dezenas de anos-luz.
E enterradas nela existem lugares onde a próxima geração de estrelas
começa a se formar.
Chamados discos protoplanetários.
São como imensos ovos cósmicos.
Cada um maior que o nosso sistema solar.
Dentro de suas conchas de gás ionizado…
a força da gravidade puxa a poeira estelar.
E a poeira estelar dentro dos ovos de Stella…
também começa a tomar forma.
À medida que os elementos que ela coletou
vão se transformando…
em algo que começa a se parecer com uma pequena criatura.
E dentro do disco protoplanetário…
gases como hidrogênio e hélio…
alimentam uma estrela embrionária.
E o que antes era um embrião…
agora é uma pequena tartaruga…
com carapaça, nadadeiras e nariz.
Elementos recriados…
para uma vida no mar.
No disco protoplanetário,
o desenvolvimento da nova estrela também está quase completo.
Renascida das cinzas da geração anterior,
sua luz agora revela uma família de planetas em crescimento em órbita.
Novos mundos.
Mas, talvez, novas possibilidades de vida.
Sob a areia,
a mesma poeira estelar
que passou por inúmeras gerações de estrelas e tartarugas…
vai começar uma outra jornada.
Cada nova vida
está diretamente ligada à origem do Universo.
Cada nova história começa pelo final da última.
E assim, a história do nosso Universo continua
com o recurso mais precioso da Terra…
a água.
E uma família de elefantes numa missão perigosa para encontrá-la.
Uma jornada tão extraordinária…
quanto a jornada da água através da imensidão do espaço até nosso planeta.
Mas por que a Terra é o único mundo no sistema solar
cuja superfície é coberta com água líquida?
E por que é tão essencial para a vida?
Legendas: Rubens Martins
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