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UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
O extremo norte do nosso planeta
é uma terra de extremos.
Quando o inverno se instala…
os ventos do Ártico fazem com que as temperaturas despenquem.
Até o resistente urso pardo do Alasca
precisa se refugiar.
Incapazes de suportar as temperaturas congelantes,
são forçados a embarcar numa extraordinária jornada.
Enquanto o Polo Norte se inclina para a escuridão e frio do inverno…
os ursos começam a subir
as montanhas…
para encontrar abrigo em cavernas ou tocas
cavados nas encostas íngremes.
Centenas de metros acima.
Os ursos que vivem nos confins da Terra…
têm que enfrentar os desafios mais impossíveis que cada estação traz.
Para isso,
contam com uma conexão muito especial com o Universo,
pois, na biologia de um urso, está escrito
cada momento crítico da história
de quatro bilhões e meio de anos da Terra.
Eventos de poder e destruição inimagináveis
que criaram um mundo como nenhum outro em nosso Universo.
A MUDANÇA DAS ESTAÇÕES
Esta é Luna,
uma fêmea de seis anos.
Tendo chegado à segurança de sua toca…
esta será sua casa pelos próximos seis meses.
Um lugar aconchegante
para passar o inverno
hibernando.
1º DIA DE HIBERNAÇÃO
À medida que os dias ficam mais curtos…
seu corpo responde ao ritmo do nosso planeta.
Sua frequência cardíaca começa a diminuir…
para apenas oito batimentos por minuto.
Quando ela se acomoda…
sua temperatura corporal cai.
E ela cai em um sono profundo
e cheio de sonhos.
A poderosa conexão entre o urso e o Universo…
a obriga a passar os rigorosos meses de inverno recolhida.
Completamente alheia
à longa jornada pela frente.
Porque fora da toca…
a Terra está em movimento.
1º DIA
Todo dia, o planeta gira uma vez em seu eixo.
2º DIA
3º DIA
4º DIA
5º DIA
A cada mês, a Lua completa um circuito inteiro ao redor da Terra.
À medida que os meses se passam,
a Terra e a Lua orbitam o Sol.
Durante o tempo em que ela passará dormindo,
Luna viajará 470 milhões de quilômetros.
MARÇO
Uma viagem cósmica épica
de meia volta ao redor do Sol.
E este ano,
ela tem novos companheiros de viagem.
122º DIA DE HIBERNAÇÃO
Enquanto ela dormia e acordava,
Luna deu à luz…
dois ursinhos.
Os filhotes vão comer e dormir na toca até a primavera.
Duas bocas a mais para alimentar…
está afetando o corpo de Luna.
As células de gordura sob sua pele começam a encolher
à medida que suas reservas de energia são usadas para produzir leite.
154º DIA DE HIBERNAÇÃO
Após cinco meses recolhida,
Luna perdeu mais de um quarto do seu peso corporal.
Com temperaturas externas ainda abaixo de zero…
Luna precisa que a primavera chegue urgentemente
para continuar alimentando seus filhotes recém-nascidos.
Felizmente,
a Terra tem uma peculiaridade feliz.
Está inclinada de lado.
INCLINAÇÃO 23 GRAUS
E assim, à medida que se move pelo espaço,
em diferentes épocas do ano,
diferentes partes do planeta inclinam-se em direção ao Sol,
fazendo as estações mudarem.
O que significa que, no Alasca,
algo notável está acontecendo.
Com o passar de cada dia,
o Sol fica mais alto no céu.
Transformando a paisagem com seus raios quentes.
Exatamente quando Luna e seus filhotes mais precisam.
As terminações nervosas na pele dela
detectam o calor do Sol.
Conforme os dias ficam mais longos…
células especializadas no fundo de seus olhos
sentem o pequeno aumento nos níveis de luz.
Essas mensagens secretas,
direto da nossa estrela mais próxima…
dizem à Luna que é hora de acordar da hibernação…
sinalizando a suave mudança das estações do nosso planeta.
Mas, no nosso sistema solar…
estações como as da Terra
não são nada comuns.
Nosso vizinho mais próximo, Vênus…
está muito mais perto do Sol
e é muito mais quente que a Terra.
E como esse planeta não tem inclinação,
praticamente não há estações.
As temperaturas permanecem extremamente altas o ano todo.
Mais longe,
depois da Terra…
está Marte.
MARTE
Cuja órbita faz com que sua distância do Sol
varie drasticamente ao longo do ano,
fazendo com que as estações em Marte
sejam muito mais extremas que as nossas.
-125 GRAUS CÉLSIUS
Durante o inverno, mais de um quarto da atmosfera do planeta
congela totalmente.
Enquanto no verão,
quando Marte passa mais perto do Sol,
o aumento do calor cria tempestades de poeira tão severas
que podem engolir o planeta inteiro.
Mas além de Marte…
JÚPITER
…passando por Júpiter…
SATURNO
…e por Saturno…
a três bilhões de quilômetros do Sol,
Urano tem as estações mais extremas do sistema solar.
Este planeta gira de lado.
INCLINAÇÃO 98 GRAUS
Então, enquanto orbita, o lado do verão fica de frente para o Sol…
enquanto o lado do inverno não verá a luz do dia por 42 anos.
Só a Terra
tem estações que,
mesmo nos extremos do nosso planeta,
dão uma chance à vida.
Com a chegada da primavera,
a família de Luna sai da toca.
Os filhotes agora podem aproveitar seus primeiros momentos de sol.
Mas a mudança das estações significa que devem partir numa difícil jornada.
Porque, para achar comida,
Luna deve levá-los de volta às planícies
do outro lado da montanha.
É uma escalada cansativa para pequenas pernas.
Com centenas de metros de gelo e rochas para enfrentar.
Quando chegarem ao topo,
a parte mais difícil terá terminado.
Mas a sobrevivência deles não estará garantida.
Para sobreviver ao resto do ano,
a família terá que contar
com o conhecimento instintivo de Luna
das estações que virão.
Cada uma delas…
é o resultado da jornada anual da Terra pelo espaço.
Uma jornada que começou…
antes de a Terra sequer existir.
SISTEMA SOLAR 4,6 BILHÕES DE ANOS ATRÁS
Uma época em que nosso sistema solar
era pouco mais que cinzas.
Sem Sol, sem planetas e sem luas.
Só uma vasta nuvem de gás e poeira.
Então,
em um sistema solar distante…
uma estrela explodiu.
Uma supernova
que enviou uma onda de choque pela galáxia.
No impacto, a onda de choque fez com que a nuvem se contraísse.
E começasse a girar.
À medida que girava mais rápido,
a nuvem se achatava em um disco.
Um redemoinho de gás e rocha.
No centro, sob intensa pressão…
nasceu o Sol.
Enquanto, mais ao longe, rochas colidiam umas com as outras…
e nosso planeta começava a crescer.
Até que, após 20 milhões de anos,
a Terra se formou completamente.
E continua circundando o Sol como a nuvem da qual cresceu.
Orbitando-o uma vez a cada 365 dias.
E é assim que a Terra completa seu ano.
Mas, neste ponto da história do planeta,
era um ano sem estações…
porque o caos que as criou…
ainda estava por vir.
No Alasca,
a vivacidade da primavera
deu lugar a dias preguiçosos de verão.
Os filhotes têm agora cinco meses.
E ainda estão aprendendo…
a ser ursos.
Como estão crescendo rápido,
os filhotes estão sempre com fome.
Embora possa parecer idílico…
o verão no Alasca é uma época de privações.
Sem uma refeição decente nas pradarias,
os ursos precisam se contentar com a vegetação.
O que significa que os filhotes ainda dependem do leite da mãe
como maior parte da alimentação.
Mas Luna não fez uma refeição decente desde antes da hibernação,
então, ela está sem energia.
Mas ali perto, no espaço,
a ajuda está a caminho.
Porque, hoje,
nosso planeta tem uma companheira constante.
A Lua.
Presa em órbita da Terra,
está nossa vizinha celeste mais próxima.
O maior e mais brilhante objeto
no céu noturno.
E como a Lua é muito grande e está muito próxima…
exerce uma poderosa atração gravitacional.
Forte o bastante para influenciar nosso mundo.
Ela eleva os oceanos da superfície do planeta…
criando as marés da Terra.
Em alguns dias, entre a lua cheia e a lua nova…
as marés mais baixas do verão revelam uma paisagem inteiramente nova.
Lamaçais se estendem por centenas de metros na costa.
Permitindo que ursos famintos tenham acesso a tesouros enterrados.
Na hora certa para Luna e sua jovem família.
Mas achar o que está escondido na lama
é um trabalho para os adultos.
O olfato de Luna é duas mil vezes melhor que o nosso.
Perfeito para detectar petiscos saborosos.
Amêijoas de casca mole.
Ela é tão habilidosa em abri-los
que consegue terminar quase um por minuto.
Os mariscos são um complemento bem-vindo à sua escassa dieta de verão.
Energia vital que ela pode passar para os filhotes.
Esses presentes, entregues a ela pela Lua,
a ajudarão a sustentar sua família durante o verão.
Mas a relação do urso com a Lua…
é muito, muito mais profunda.
Porque foi durante a formação da Lua que a Terra ganhou suas estações.
SISTEMA SOLAR 4,4 BILHÕES DE ANOS ATRÁS
Não muito tempo após se formar,
nosso planeta ganhou um companheiro.
Mas não era a Lua.
Era outro planeta que se formou na órbita da Terra.
Um planeta irmão chamado Theia.
Era quase do tamanho de Marte.
Uma grande bola de rocha e lava.
No começo de sua existência,
Terra e Theia viveram em harmonia.
Até que distúrbios gravitacionais no jovem sistema solar…
colocaram os dois planetas em rota de colisão.
Nesse momento…
o futuro da Terra ficou em jogo.
Theia foi aniquilada…
conforme o impacto derretia os dois mundos.
Por um instante no tempo cósmico…
nosso planeta teve duas luas.
Mas a gravidade arrastou uma delas de volta para ser consumida pela Terra.
Deixando somente a Lua que conhecemos hoje.
Esta colisão transformou nosso planeta para sempre.
INCLINAÇÃO 23 GRAUS
O impacto o inclinou para o lado,
de modo que, hoje, gira com uma inclinação de 23 graus.
À medida que se move em sua órbita,
primeiro um hemisfério,
depois o outro, inclina-se em direção ao Sol…
dando à Terra suas estações.
Com o verão chegando ao fim,
noites mais longas são um sinal
de que o inverno rigoroso do Alasca está se aproximando.
Os filhotes têm agora sete meses.
E Luna sabe que, se quiserem sobreviver ao longo sono de inverno,
a família deve aumentar suas reservas de gordura.
Mas a Lua é um lembrete constante…
de que a ajuda está a caminho.
A mil quilômetros da costa do Alasca…
outra criatura está sintonizada com o ritmo das estações da Terra.
O salmão-vermelho.
Depois de dois anos percorrendo o Oceano Pacífico…
eles atingiram a maturidade.
Agora, a mudança na duração do dia
ativa hormônios para serem liberados no sangue deles.
Sinais químicos que alteram seu comportamento.
E os chama de volta para casa
para procriarem nos rios onde nasceram.
Luna está exausta e faminta,
mas, ainda assim, ela leva seus filhotes até a beira do rio.
Porque ela sente que algo mágico está para acontecer.
Hoje,
o singular relógio das estações
será a tábua de salvação dos ursos.
A Terra alcançou uma posição central em sua jornada ao redor do Sol.
E agora a Lua eleva as marés.
Dando o empurrão final que leva o salmão aos rios.
Finalmente, os filhotes sentem o gosto do salmão pela primeira vez.
Embora um único peixe não sustente os ursos no inverno,
é a primeira refeição de verdade dos filhotes em quase oito meses de vida.
A chegada do primeiro salmão é um alívio para Luna.
Porque, por experiência própria, ela sabe
que, em breve, haverá muito mais rio acima.
Com os dias cada vez mais curtos,
os mesmos hormônios que enviaram o salmão para essa jornada,
agora os transformam drasticamente.
Suas cabeças mudam de forma.
E seus corpos ficam vermelhos brilhantes.
E, aos milhões,
sobem o rio em direção às áreas de desova.
E a última parte da história dos ursos
se encaixa.
Uma história tão antiga quanto a do próprio planeta.
A formação da Terra…
a colisão que criou a Lua…
e a relação singular de nosso planeta com sua Lua e estrela…
se combinaram
para criar um mundo como nenhum outro no Universo.
Um planeta Cachinhos Dourados.
O único lugar que conhecemos que tem condições perfeitas para a vida.
E para Luna,
quatro bilhões e meio de anos de história cósmica…
estão resumidos neste momento.
A convergência anual de salmão e urso.
E a preciosa oportunidade
de alimentar a família.
Luna e seus filhotes agora têm o que precisam para sobreviver ao inverno.
E, embora o futuro deles seja incerto em nosso planeta,
este ano, o salmão os sustentará…
enquanto nosso planeta continua nessa incansável viagem…
ao redor do Sol.
No próximo episódio de Enigmas do Universo,
o viajante dos mares
cujo ciclo de vida revela
como tudo no Universo foi feito.
Porque em cada ovo de tartaruga
há átomos do Big Bang…
forjados à medida que as estrelas morrem.
Mas como estrelas e planetas são criados?
E como os mesmos ingredientes
se transformam em coisas vivas?
Legendas: Rubens Martins
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