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UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX
Na vida de todas as criaturas da Terra…
há ecos…
de eventos que ocorreram
há muito, muito tempo.
Eventos em escalas inimagináveis…
e de uma beleza brutal…
que conectam todas as coisas vivas,
cada uma de suas ações e decisões,
cada batida de seus corações…
a maior história já contada.
Este é um conto em criação há 13,8 bilhões de anos…
que viu bilhões de estrelas
e bilhões de mundos…
viverem
e morrerem…
para criar o único planeta que conhecemos
que abriga formas de vida.
Da poeira estelar que nos formou…
aos ingredientes cósmicos que nos sustentam…
e a luz das estrelas que alimenta tudo,
esta é a história de Enigmas do Universo.
PERSEGUINDO O SOL
África Ocidental.
SERENGETI, TANZÂNIA
É onde a conexão mais vital da vida com o Universo pode ser encontrada.
E um predador muito especial…
chamado Wa Chini.
A vida para um guepardo é uma busca interminável por comida.
Por energia vital.
E este é um dos lugares mais difíceis da Terra para um predador obtê-la.
O sol escaldante afugenta quase tudo
dessas planícies desoladas.
Qualquer criatura que permaneça aqui
luta para sobreviver.
O único foco de Wa Chini…
a única coisa que a motiva…
é a fome.
Este impulso simples e primitivo
vem de uma conexão profunda que ela tem com seu entorno
que se estende além do Serengeti,
além do nosso planeta,
ao próprio Universo.
Cada célula no corpo de Wa Chini…
está ligada a um fluxo de energia ancestral…
que conecta a vida dela
ao coração de uma estrela.
Este fluxo ininterrupto atravessa a imensidão do espaço…
e remonta a 13,8 bilhões de anos.
A energia ancestral que existiu na origem de nosso Universo
alimenta tudo.
Cada planeta.
Cada estrela.
Cada vida.
Wa Chini está caçando energia…
mas não só para ela.
Mãe de dois filhotes de cinco meses,
ela está desesperada para alimentar a família faminta.
É o período da seca,
e a comida é escassa.
Ainda assim, energia é mais abundante do que nunca.
Só está escondida à vista de todos.
O maior, mais brilhante e mais quente objeto
em nosso sistema solar.
O Sol.
Enormes laços de plasma escaldante eclodem de sua superfície.
Nosso Sol produz a energia
de 4,5 trilhões de bombas atômicas por segundo…
e envia mais energia a nosso planeta em uma hora
do que o mundo inteiro consome em um ano.
Mas, por mais impressionante que esta bola de fogo gigante seja…
Wa Chini não pode se alimentar da luz do Sol.
Ela só se alimenta de coisas que correm.
Como uma gazela.
Sua pelagem malhada serve de camuflagem
e é essencial para perseguir presas.
Com poucos lugares para se esconder,
chegar mais perto não é uma opção.
Felizmente, Wa Chini tem um truque na manga.
Os guepardos são os animais terrestres mais velozes do mundo.
Eles atingem 100km/h em apenas três segundos…
mas as gazelas não ficam atrás.
Wa Chini consome muita energia…
mas não obtém nenhuma.
Um guepardo adulto sobrevive mais de uma semana sem comer.
Mas os filhotes não mais que alguns dias.
E esses dois estão ficando com muita, muita fome.
24 HORAS DESDE A ÚLTIMA REFEIÇÃO
Caçar em velocidades tão altas é extremamente esgotante.
As reservas de energia de Wa Chini estão perigosamente baixas.
Levará horas até ela ter forças para caçar de novo.
Wa Chini e seus filhotes
estão sem energia.
Animais em todo o planeta lutam a mesma batalha contínua
entre o consumo…
e o gasto de energia.
Não importa a estratégia,
seja ela rápida ou lenta…
a próxima refeição nunca está garantida.
A fome é algo que todos nós temos que superar.
30 HORAS DESDE A ÚLTIMA REFEIÇÃO
Recuperada de sua última perseguição,
Wa Chini procura sua próxima oportunidade.
Como todas as mães guepardo,
ela cuida dos filhotes sozinha.
Para manter os filhotes bem alimentados,
ela tem que caçar diariamente.
Mas ela demorou tanto para se recuperar
que agora o Sol está se pondo.
Quando a luz se esvai,
se esvai também a esperança da família por alimento.
Quando a Terra gira…
o Serengeti se afasta do Sol e entra na escuridão.
É um lembrete poderoso da conexão da vida com o Sol.
Nossa história é a história do Sol.
Há muito tempo…
nosso sistema solar era ainda mais frio e escuro do que é hoje.
4,6 BILHÕES DE ANOS ATRÁS
Ainda assim,
essas eram as condições perfeitas para o nascimento de uma estrela.
Com temperaturas próximas do zero absoluto,
a força da gravidade começou a juntar poeira e gás…
em uma gigantesca nuvem.
A nuvem entrou em colapso,
transformando-se em uma bola de gás quente.
Uma protoestrela.
Como Wa Chini, esta estrela em formação tinha uma fome atroz.
E puxou tanto gás, que jatos de matéria quente
foram propelidos de seus polos,
estendendo-se anos-luz no espaço.
A estrela bebê continuou a crescer por 30 milhões de anos.
Até que, finalmente,
ficou quente o suficiente para gerar energia por conta própria.
O nosso Sol.
Seus raios dourados agora brilham de modo constante…
por 4,6 bilhões de anos.
É apenas uma estrela em uma galáxia de bilhões.
E, ainda assim, é a mais especial.
Porque é ela quem traz luz e calor…
a este incrível e vibrante planeta.
42 HORAS DESDE A ÚLTIMA REFEIÇÃO
Todo ser vivo no Serengeti depende do Sol para ter energia.
Os filhotes de Wa Chini estão exaustos e mais do que famintos.
Eles precisam comer hoje.
Mas tudo o que Wa Chini pode oferecer esta manhã
é amor e carinho.
Nesta terra árida,
nosso Sol dá
e recebe.
É de sua energia intensa que a vida precisa.
Mas ele também tem o poder de destruir.
Não é fácil viver tão perto de um reator nuclear gigante.
Para entender a fonte deste calor insuportável,
temos que dar uma espiada no inferno…
sob as camadas externas de plasma quente borbulhante…
a 650 mil quilômetros abaixo…
em direção ao centro de nosso Sol.
O coração de nossa estrela parece ser surpreendentemente calmo…
mas, em um nível atômico, é puro caos.
Esta é a parte mais quente de nosso sistema solar.
As temperaturas aqui chegam a 15 milhões de graus centígrados…
criando condições para um evento que não acontece em nenhum outro lugar.
Átomos colidem em alta velocidade e se fundem.
Liberando energia pura.
Esse processo é chamado de fusão nuclear
e é o que faz nosso Sol brilhar.
Na verdade, é o que alimenta todas as estrelas de nosso Universo.
Esta energia liberada pelas estrelas, remonta ao início dos tempos…
quando não havia matéria,
e tudo que existia em todo o Universo era energia.
E cada pedacinho disso continua vivo em nosso Universo hoje.
Quando a luz do Sol atinge o Serengeti,
a energia que flui há 13,8 bilhões de anos
encontra o caminho até Wa Chini e seus filhotes,
e continua sua jornada pelo ambiente deles.
Nunca é criada ou destruída.
É simplesmente transformada infinitamente.
Mas Wa Chini e seus filhotes só têm acesso a essa energia de uma forma…
a carne.
E há predadores rivais por aqui…
que podem roubar não só a comida dela,
mas seus filhotes.
Se não se alimentarem logo,
eles morrerão.
É um lanchinho magro, mas, após dois dias sem comida,
é uma salvação.
Mas mais de 10% da caça dos guepardos é roubada.
Wa Chini deve defender cada pedaço de energia que captura…
porque, quando a energia é escassa,
a competição é acirrada.
A luta de Wa Chini para sobreviver e sustentar sua família se repete
dia após dia…
mês após mês.
Toda refeição…
é uma luta.
Na batalha entre usar e obter energia…
Wa Chini fica no empate.
O período da seca no Serengeti
é definido pela fome constante.
Mas a mudança está no ar.
O calor do Sol puxou toda a umidade para o céu.
E tudo que sobe,
uma hora
tem que descer.
As chuvas varrem as planícies
e colocam um fim ao período da seca.
Quando as nuvens se dissipam,
um raio de esperança aparece.
Uma única folha de grama não pode alimentar a família de Wa Chini…
mas, dentro de suas células, está a resposta para a fome deles.
Aqui, há um mundo escondido.
Acúmulos microscópicos chamados grana
se aquecem com os raios quentes do Sol.
A superfície deles é coberta por uma floresta
de minúsculas proteínas coletoras de luz
que captam energia de nossa estrela mais próxima.
Elas estão cheias de pigmentos verdes de clorofila
que absorvem os raios de luz.
Por meio da magia da fotossíntese…
a água se combina com o dióxido de carbono…
e os raios solares são transformados em açúcar.
Em questão de dias, as planícies áridas ficam verdes.
Bilhões de folhas de grama absorvem a inesgotável luz do Sol.
E a energia do Universo
se entranha na paisagem.
Só há um problema.
Os guepardos não comem grama.
Mas, longe dali, nas florestas do norte,
há criaturas que comem.
Centenas de milhares delas.
Os gnus.
Eles têm grandes bocas, lábios flexíveis e quatro estômagos
perfeitamente adaptados para comer grama.
Os enormes rebanhos vivem em constante movimento…
em busca de pasto fresco.
Para encontrar pasto, eles seguem a chuva.
Guiados, como todos nós…
pela fome.
Mas, se há uma regra no Serengeti,
é que a comida nunca vem fácil.
O rio Mara.
Lar de alguns dos maiores crocodilos do mundo.
É um grande obstáculo
na busca dos gnus por energia vital.
Ao sul,
Wa Chini dedica cada momento
vasculhando as planícies por algo comestível.
Após seis meses sobrevivendo com uma dieta escassa,
um de seus filhotes conseguiu crescer.
E está até aprendendo a caçar por conta própria.
Mas o outro filhote
não pode ser visto.
Apenas 5% dos filhotes de guepardo chegam à idade adulta.
A maioria perde a vida para hienas e leões famintos.
O futuro deste filhote está longe de ser assegurado.
Mesmo quando a energia está tentadoramente perto.
Amontoados nas margens do Mara,
os gnus não têm para onde ir, a não ser seguir adiante.
Mas alguém precisa ser o primeiro.
Um milhão e meio de gnus
fazem esta viagem todos os anos.
Aqui, a batalha entre consumir e gastar energia…
acontece em escala épica.
Para os que têm sorte e conseguem atravessar,
isso é só o começo.
Agora, eles viajarão centenas de quilômetros…
dia e noite,
por mais de dois meses…
para chegar às planícies verdes.
Wa Chini aguarda ansiosamente a chegada dos gnus,
mas há outra migração acontecendo que é determinante
para a sobrevivência dos dois animais.
É a jornada de distância e tempo insondáveis.
Sem isso, todas as criaturas do Serengeti passariam fome.
No núcleo do nosso Sol,
os átomos colidem e se fundem,
os fótons são liberados e fluem para fora.
Esses minúsculos pacotes de energia luminosa têm massa zero
e viajam à velocidade da luz.
Mas, dentro do núcleo incrivelmente denso,
eles estão restringidos, absorvidos, dispersos.
Uma viagem que normalmente levaria dois segundos,
pode levar um milhão de anos.
É uma luta torturante para escapar do Sol.
Mas, lentamente, os prótons sobem
e passam pelas camadas do Sol…
em direção à sua superfície quente…
onde podem ser finalmente libertos.
Eles irradiam em todas as direções…
como luz estelar.
Viajando 150 milhões de quilômetros em pouco mais de oito minutos.
Chegando bem a tempo…
de encontrar os gnus no final de sua jornada.
Cada folha de grama absorve
dez quatrilhões de fótons a cada segundo…
capturando energia suficiente
para alimentar esses enormes rebanhos.
Da estrela…
para a grama…
para os gnus…
a luz do Sol agora lhes dá energia para se movimentarem,
para crescerem…
e para se reproduzirem.
E, quanto mais tempo passam nas planícies comendo,
mais tempo estão disponíveis para serem comidos.
Ricos, deliciosos, cheios de energia
e, finalmente, a pouca distância.
Mas com três milhões de olhos vigiando…
Wa Chini precisa agir rápido.
Felizmente, ela é uma guepardo-fêmea.
Por fim, Wa Chini sente o gosto da luz estelar.
A cada mordida,
proteínas e gorduras impregnadas de energia cósmica
entram na corrente sanguínea de Wa Chini.
O destino são as usinas de energia celular de seu corpo:
as mitocôndrias.
Onde uma última transformação acontecerá.
Dentro de cada mitocôndria, há uma paisagem em surgimento.
Cânions de membranas ondulam em uma química complexa.
É aqui que o alimento rico em energia reage com o oxigênio
e é finalmente quebrado…
liberando a energia do Universo diretamente nas células de Wa Chini.
Alimentando cada ação e pensamento.
Cada pequeno movimento.
A jornada de estrela à célula
está completa.
A energia que uma vez iluminou o Universo
agora dá a Wa Chini e ao filhote dela o presente da vida.
Na estação verde,
a fome é só uma lembrança.
Através do Serengeti, a energia é continuamente transformada.
Passando de uma vida a outra.
Nutrindo todo o ecossistema.
O Sol é nosso maior provedor.
Tudo se alimenta de luz estelar.
O problema é:
não há nada para alimentar o Sol.
E, em cinco bilhões de anos,
ele ficará sem combustível.
Quando seu núcleo entrar em colapso,
o Sol irá se expandir…
e se tornará uma gigante vermelha…
que devorará os planetas mais próximos, Mercúrio e Vênus.
À medida que se dirigirá em direção à Terra,
a gravidade extrema destruirá a Lua em pedaços…
deixando um anel de pedra lunar ao redor da Terra.
O destino final de nosso planeta é desconhecido.
Mas haverá um último alvorecer…
antes que as camadas externas de nossa estrela explodam,
dando seu suspiro final.
Só restará brasa se apagando.
Uma anã branca,
quase do tamanho de nossa Terra,
cercada por uma vasta nuvem brilhante.
Um farol para o Universo.
Nós estávamos aqui.
Mas, no momento,
nossa estrela continua a brilhar sobre nós…
e continuará assim pelos próximos bilhões de anos.
Sua energia,
a força vital para toda a vida.
A seguir em Enigmas do Universo,
seja uma estrela ardente…
um vasto buraco negro,
ou um chimpanzé aprendendo a se virar,
tudo precisa de tempo.
Mas o que realmente sabemos sobre esta misteriosa dimensão?
Por que tudo tem um passado, presente e futuro?
E algum de nós estaria aqui…
sem o tempo?
Legendas: Rubens Martins
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