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� preciso ligar tr�s vezes ao tipo para atender o telefone.
Tenho not�cias de �ltima hora.
Lembras-te do c�o que atropel�mos no outro dia?
Adivinha?
Est� vivo!
O c�o est� vivo!
Atropel�mo-lo e pens�vamos que estava morto, mas n�o.
� tipo um Imortal.
Ainda bem que n�o o enterr�mos, certo?
O que � que aconteceu? Mudan�a de planos?
N�o pude fazer o jantar.
Ainda � cedo. Mandamos vir qualquer coisa?
N�o cozinhei porque ouvi vozes na cozinha.
Aqui? Na cozinha?
Sei o que ouvi.
Ouvi-as a tarde toda.
Eles estavam a falar.
A canaliza��o � velha. Podem ser os canos.
O que achas que ouviste?
Ali�s, o Walter, o vizinho, est� a remodelar a casa.
H� sempre barulho aqui.
Ele fez barulho hoje?
Ouviste-o?
N�o estejas assustada.
S�o vozes humanas.
O que � que te disseram?
Que me iam matar.
Filha da puta!
N�o devias bater a esta hora.
Para de bater!
Para de fazer barulho, palerma!
Para!
Agora vais ver, cabr�o!
Responde, raios.
Walter?
Walter.
Walter, � o Juan.
Sei que est�s a�, palerma, consigo ouvir-te.
Consigo ouvir-te! V� l�, �s tu?
Podes parar de bater na parede?
Para de bater na parede, palerma. Consigo ouvir em casa.
S�o cinco da manh�! Est�s louco?
Queres que chame a pol�cia?
Palerma!
O teu vizinho est� a bater na parede �s cinco da manh�.
N�o � o Walter.
Clara, �s tu?
�s tu quem est� a bater?
Clara?
Para, Clara!
N�o, Clara!
Clara!
Querida!
Para! Clara!
O que se passa contigo?
Para.
J� chega, para.
Clara!
O que se passa? Basta!
Para.
Basta! Para!
Para!
Clara, o que se passa?
Para, Clara!
Sr. Blumenti, queremos tir�-lo daqui.
Acreditamos em si.
Mas ter� de colaborar connosco.
Falaram com o meu advogado?
Sim, fal�mos.
Mas ele n�o acredita em n�s.
J� vi as fotografias.
Estas n�o. Nunca viu estas.
Sabemos que n�o matou a sua esposa.
N�o temos provas concretas.
Mas estamos a trabalhar nisso.
Olhe para as imagens, Sr. Blumetti.
N�o � a Clara.
Essa n�o � a sua esposa.
Em 1998, nos EUA,
houve um caso parecido com este.
Quase id�ntico.
E foi resolvido?
Temos de saber de tudo o que se lembra desse momento.
J� o disse ao procurador.
Tudo o que se lembra das �ltimas duas semanas no seu...
- No seu bairro. - Bairro.
Houve algo de invulgar?
O acidente em frente a minha casa.
N�o sei, o meu vizinho Walter
era muito chato.
Estava a fazer remodela��es a toda a hora.
Remodela��es?
O seu vizinho, Walter.
Walter Carabajal.
Estou?
Estou. Posso falar com o Dra. Albreck, por favor?
Quem fala?
Sou o Walter Carabajal.
A m�dica n�o est� dispon�vel. Quer que deixe recado?
N�o.
Tenho de falar com ela.
Tenho problemas em casa.
J� vai h� uns meses.
Primeiro, pensava que era eu,
mas est� a piorar.
� dif�cil explicar pelo telefone.
Quem lhe deu este n�mero, Sr. Carabajal?
Tenho visto uns especialistas
e muitos concordaram em dar-me este n�mero.
Receio que ter� de ligar amanh�.
Est� bem.
Eu ligo amanh� outra vez.
Pode dizer-lhe que liguei, por favor?
Por favor.
Estou?
Ol�, � o Walter Carabajal.
Preciso de ajuda, por favor.
N�o durmo h� semanas. E os medicamentos n�o fazem efeito.
Estou numa situa��o dif�cil.
Diga � doutora que vi.
J� n�o � s� barulho, pancadas ou coisas a mexerem-se.
Vi ontem. Acho que veio debaixo da cama.
A doutora n�o o pode tratar agora. N�o pode aceitar o seu caso.
Estou a pedir educadamente!
Tenho de falar com ela imediatamente.
Estou a ficar louco.
Podemos indicar-lhe outro especialista.
N�o! J� falei com todos.
E disseram que a doutora � a �nica que me pode ajudar.
Eu posso pagar.
Farei o que � preciso, apenas diga-me.
Por favor!
A doutora n�o aceita mais casos
sem analisar as coisas em pessoa.
Mas de momento n�o pode.
Como lhe posso mostrar se o que estou a passar n�o pode ser visto?
Lamento, Sr. Carabajal. N�o o podemos ajudar.
Walter!
O que se passa com a tua casa?
Porqu�?
Porqu�? Partiste-me a parede.
Sempre a bater.
Estou a fazer remodela��es.
Algumas repara��es.
Partiste-me a parede. Percebes o que te digo?
Queres provas?
Eu dou-te provas.
Quem �s tu?
Quem �s tu?
O que est�s a fazer?
N�o bebas essa �gua. Sai da minha casa.
N�o te quero ver por aqui.
Ouviste?
� para o teu bem. Sai da minha casa.
O que � que aconteceu?
- E? - Houve um acidente.
Alicia!
Alicia!
Alicia!
Liga-me se precisares de alguma coisa.
Obrigada.
Estou?
Jano, � o Funes.
Funes?
Ram�n?
Desculpa ligar a esta hora, mas...
... como podes imaginar,
� muito importante.
N�o te preocupes.
O que se passa?
H� quatro dias houve um acidente.
Uma crian�a de dez anos foi atropelada
e morreu na entrada dele.
Preciso de ti aqui, Jano.
Preciso que venhas c�.
Est� bem.
Vou enviar um carro patrulha para te ir buscar.
Chegar� numa hora.
Est� bem.
�s o �nico que me pode dizer o que se passa aqui.
Quem est� a�?
� tarde, n�o?
Desculpe?
Est�s bem?
POL�CIA
Ol�, Jano.
Est� l� dentro?
Nada te assusta, certo?
Nunca se sabe.
Vejamos.
Ele est� sentado aqui.
� o Agente Guzm�n. J� o conhece.
E o Agente Picarel. S�o de confian�a.
Estavam a fazer a patrulha de rotina,
viram a porta aberta, entraram e encontraram-na assim.
Chefe...
Esperamos l� fora?
Sim, podem ir.
Est�o assustados.
E por uma boa raz�o.
Jano,
a crian�a morreu h� quatro dias.
Eu fui ao funeral, fui ao vel�rio...
Entendes?
Ele apareceu de repente
e sentou-se aqui connosco.
� ele?
Os agentes declararam
que o viram a mexer-se.
A mim tamb�m me pareceu que o vi mexer, juro.
Tem um cheiro a podre.
Sim, tem um cheiro mau.
Acreditas que a Alicia
tenha feito isto tudo?
Olha para as m�os dele, Fuentes?
Est�o destru�das.
Ele escavou a campa durante dias.
Sabes que mais?
H� muitos casos de exuma��o de campas
feitas pelos parentes do falecido.
Algumas pessoas n�o suportam a ideia de que o filho morreu.
E h� at� quem roube os corpos.
Acho que dev�amos analisar
as roupas da m�e.
Podemos encontrar bact�rias
ou algum tipo de fauna de cad�ver.
N�o sabes. Est�s a hesitar.
Sim.
Tenho d�vidas se este � um desses casos.
Podes dar a explica��o que te dei.
N�o esperavas esta resposta de mim.
N�o.
E n�o faz mal.
Por que essa n�o � a resposta.
Mas � a que deves dar.
Conheces a m�e?
O qu�?
Eu disse: "Conheces a m�e?"
Sim, muito bem.
T�nhamos uma rela��o,
uma muito boa,
durante anos.
Ele mexeu-se.
Tinha o bra�o na mesa como est� agora?
Acho que sim.
Achas? Jano!
Tiraste fotografias?
N�o, n�o fizemos nada.
E n�o devem.
Como assim?
Isso mesmo. N�o devemos fazer nada.
O melhor a fazer � enterr�-lo outra vez.
Sim.
Enterr�-lo?
Est�s b�bado, Jano?
Deixa-me ser claro, Funes.
Acho que sabes os problemas que isto pode causar.
Acho que sabes.
Por exemplo, se o Procurador intervir,
a tua amiga ser� internada num hosp�cio.
E dado o contexto, passar� l� anos.
Vamos tentar evitar isso, est� bem?
O que � que digo aos meus?
Espasmos p�s-morte
causado por gases.
� um corpo em decomposi��o.
Temos de conseguir Valium injet�vel.
Seria melhor a tua amiga dormir
antes de lhe levarmos o filho.
N�o desligues mais as luzes.
O que se passa, mi�do?
Porque � que nos vieste visitar?
O que te trouxe aqui?
Tenho de ligar � minha irm�.
Ela tem de avisar o padre.
N�o quero que o levem, por favor.
N�o me levem o meu menino outra vez.
Desculpe, eu conhe�o-o?
Vejo que tira fotografias.
Acho que o conhe�o de algum lado.
N�o � a Mora Albreck?
Sim, Dra. Albreck.
E voc� �?
Nem acredito que a estou a conhecer em pessoa.
Sou o Mario Jano.
Prazer em conhec�-la.
Prazer.
Fui a muitas palestras suas.
Sobre eventos paranormais, meta-simbiose.
O que procura aqui? Posso ajud�-la?
Est� aqui?
Sim.
� estranho.
Carrego na campainha,
e parece que algu�m responde, mas ningu�m fala.
Ningu�m atende o telefone.
Conhece o Sr. Carabajal? Tem-lo visto ultimamente?
N�o.
N�o, a quest�o �...
Eu tamb�m n�o vivo aqui.
Isto n�o � um acaso.
Se lhe pedisse que viesse comigo,
aceitaria?
Ir� achar interessante.
Tenho a certeza.
Funes,
esta � a Dra. Albreck, uma colega, uma verdadeira especialista.
Posso falar consigo?
Sim, com licen�a.
- Ligaste-lhe? - N�o.
- N�o? - N�o, mas n�o � coincid�ncia.
N�o importa.
N�o vamos transladar o corpo hoje.
Porque n�o?
� plena luz do dia.
� complicado. As pessoas v�o ver-nos.
Est�s a dizer-me que n�o consegues controlar o cemit�rio?
- �s o superintendente. - N�o � por causa disso.
H� carros, pessoas. Ir�o ver-nos com o mi�do.
N�o o vou fazer.
Acho que esta � a alternativa correta.
- �? - Sim.
A s�rio?
Ela est� a tirar fotografias.
Sim. Ela sabe o que faz.
- Jano, ela est� a tirar fotografias. - Confia em mim.
Ela sabe o que faz. Confia em mim, por favor.
- Sabes do meu problema de sa�de? - Sim, sei.
Reformo-me em dois meses.
N�o tenho nenhuma mancha na minha carreira.
Sabes a confus�o em que me posso meter por causa disto?
- Sabes? - Ouve, Funes.
Esta � a escolha acertada.
As amigas da Alicia est�o a chegar.
V�m para beber mate e a crian�a est� na mesa.
Ouves-me, por favor?
Ainda nem dormiste.
Est�s stressado.
Tens de fazer isto...
Leva os agentes contigo
e vai ao cemit�rio resolver o problema.
Deixa que eu e a Albreck tratemos disto. Cuidaremos da Alicia.
E tira daqui o carro patrulha
antes que os vizinhos fiquem curiosos, por favor.
O que est�o a esconder?
J� viu isto?
Volto daqui a duas horas.
- Ouve. - N�o, ouve tu.
Estamos a fazer as coisas certas?
Sim. Precisamos de dois sacos de cimento.
Para qu�?
Para qu�? Queres que ele saia da campa outra vez?
Raios parta.
Este cheiro...
Cheiro a podre.
N�o.
N�o � cheiro a podre. � cheiro a algo morto.
Agora falamos a mesma linguagem.
Por favor, sente-se. Quero contar-lhe uma coisa.
Sabe...
Eu j� fui m�dico-legista. Trabalhei mais de 15 anos
com o superintendente Funes.
Fiz muitas aut�psias.
E um dia,
tive de examinar o corpo de um jovem.
De vinte anos.
Tinha 14 balas na cabe�a.
N�o tinha escolha.
Tinha de remover...
Raspei
durante cinco horas
no cr�nio daquele rapaz.
A dada altura,
ele agarrou o meu bra�o.
Apertou-me.
E abriu os olhos e olhou para mim.
Acordou.
Por acaso, pensei que era eu a passar-me.
Mas n�o era.
O mesmo aconteceu
com o corpo de um velho.
Estava morto h� dois dias.
Acordou,
olhou para mim
e falou comigo.
Eu...
... cometi o erro de ligar � fam�lia dele.
A fam�lia foi � morgue.
Pode imaginar a dor do filho dele?
Mas estas coisas acontecem.
E acontecem quando um se cruza
com coisas que n�o pertencem a este mundo.
Acredito que...
... dev�amos deix�-los ir
e dar-lhes menos import�ncia.
Ou pelo menos, dar menos import�ncia do que damos.
O velhote morto
culpou o filho pela sua morte.
Acho que li o seu livro.
A s�rio?
Estava bem encapado.
Desculpe, doutora, porque acha que estas fotografias...
S�o genu�nas.
N�o atravessei o pa�s por fotografias de origem d�bia.
N�o estou a dizer isso,
mas � uma coincid�ncia.
Talvez n�o seja.
M�e!
Entrou algu�m.
Temos de tirar o corpo daqui.
CADERNO DE COMUNICA��O
Ningu�m acreditar� no mi�do quando ele contar a hist�ria.
Nunca facilitando.
Ela ainda dorme.
Sim, mas n�o por muito tempo.
Temos de ser r�pidos.
J� resolvi o problema do cemit�rio.
Tivemos de o mudar.
Onde � que ele est�?
No congelador.
Desliga, Jano.
Merda, Jano.
Temos de o carregar com a arca.
Tens de colaborar connosco se n�o queres que isto se repita.
Felizmente, temos a aprova��o do superintendente.
Mas n�o chega.
Temos de avan�ar
e para isso, precisamos de umas autoriza��es.
Precisaremos da sua casa.
Para passar l� umas noites.
Mas tem de nos autorizar.
Para qu�?
Para investigar, Sr. Blumetti.
Tem havido uns eventos paranormais no mesmo r�dio.
E um dos vetores � a sua casa.
Os seus vizinhos j� deram autoriza��o.
S� nos falta a sua.
Obrigada, Sr. Blumetti.
O que � que isto significa?
Significa que vamos dividir-nos
em cada uma das casas que acredit�mos que os eventos estejam a ocorrer.
Felizmente, o Dr. Rosentok vai ajudar-nos.
Ele � um colega da Dra. Albreck
e j� lidou com casos parecidos nos EUA
e em todo o continente.
O que aconteceu ao meu vizinho Walter?
N�o h� novidades dele.
Ningu�m sabe dele h� muito.
Bem...
Boa sorte.
Acho que vou precisar.
Est�s...
- Assustado. - Isso mesmo.
Sim.
� normal.
N�o o nego.
Eu tamb�m n�o.
Tamb�m estou assustado.
Superintendente.
Podemos entrar sem inconvenientes.
Boa. Procuraram na casa toda?
N�o h� luz, porque cortaram-na.
Tenho contactos. Posso voltar a lig�-la.
N�o ser� necess�rio.
� melhor ter as luzes apagadas para ver o que procuramos.
Est� bem.
Claro. Compreendo.
Estaremos em contacto.
Rosentok?
Pode dizer-me o que vamos encontrar?
Barulhos.
Algumas pistas sobre o que aconteceu naquela noite
h� uns dias.
Quer dizer...
... apenas isso?
N�o precisa de passar a noite aqui se n�o quiser.
O medo �
cont....
- Contagioso. - Sim.
Tenho um problema, sabe?
Tomo anticoagulantes.
Sabe?
E ali�s,
sou praticamente surdo.
Quer dizer...
Por isso,
este n�o � o lugar para si.
Estou?
Estou!
�s tu, Albreck?
Estou.
Sim, j� te ou�o.
Posso falar com a Alicia?
Ela n�o est� aqui.
Est� na casa da irm� h� umas semanas.
Posso dar-te o n�mero de telefone.
Tens onde apontar?
Sim, diz-me.
Quatro, dois, quatro, dois,
um, seis, zero, tr�s.
Quem � que fala?
Ol�, Ali. � a Sarita.
Ouve, estou a ligar
porque o Patito veio para casa sem a mochila dele.
Ele disse que foi a� buscar uns brinquedos
e que os deixou a�.
Diz-me se a mochila dele est� a�.
Adeus.
� estranho, certo?
Alicia, preciso de falar contigo. � urgente.
Por favor, liga-me assim que ouvires isto.
� urgente.
� a Sara outra vez.
Por favor, Alicia, estou a tentar falar contigo h� dias.
O Patricio gravou algo estranho no telem�vel dele.
Gravou-o no teu quintal.
Ele trepou o muro, como sempre.
N�o sei como te dizer isto.
Estamos muito assustados.
Tens de ver este v�deo.
Est� ligado ao teu filho.
E est� ligado ao teu ex, o agente da pol�cia.
N�o sei o que fazer. Liga-me, por favor.
Vou tentar localizar-te.
� muito perturbador.
Liga-me, por favor.
Espera!
Espera!
Deixa-me ajudar-te!
A faca!
�...
- �... - Est� a chupar.
Est� a chupar-me o sangue.
H� algo...
... aqui...
... que est� a chupar...
N�o dispares!
N�o, n�o dispares!
- O qu�? - Ajuda-me!
Merda!
Funes.
As coisas est�o a ficar feias aqui.
O Rosentok est� magoado.
- Diz-lhe que estou bem. - Magoado?
Ele tem de ser visto pelo m�dico.
Albreck. Sim.
Estamos no caminho certo.
Ainda bem que ou�o isso.
Acho que estamos no nicho.
- Nicho? - O ninho.
Dentro do ninho.
Ainda bem que tamb�m ou�o isso.
Estou grata por trabalhares connosco.
Agrade�o.
Falamos mais tarde.
Devias limpar o sangue.
Ainda demora o analg�sico a fazer efeito.
Por enquanto, devias
limpar o sangue que deix�mos na casa.
Eu?
Porque � que o tenho de fazer?
N�o podemos perder tempo!
O tempo passa r�pido aqui.
PERTENCES DE PATRICIO NAVARRO
ESCOLA N�. 28 TERCEIRA CLASSE
Estou?
Jano, estou fora. Vou embora.
Est� bem, n�o faz mal.
Desculpa,
mas,
n�o sou bom nisto.
N�o faz mal, eu entendo.
Tenho de ser honesto.
Estou cheio de medo.
E sabes do meu problema.
J� vi coisas aqui
que n�o tem explica��o, pelo menos para mim.
Percebes?
- Funes. - O que foi?
Onde est�s?
Aqui. Onde poderia estar?
Mas em que parte da casa?
Na cozinha.
Jano, o que diabos se passa?
Porque est� um homem � janela. N�o �s tu?
Do que � que est�s a falar?
Tens raz�o. N�o est� na cozinha.
Est� na sala ao lado, mas...
Onde �, Jano? Diz-me.
N�o h� aqui ningu�m. Do que est�s a falar?
Sim...
Sim, � estranho.
- O que foi? - N�o sei...
Estou a v�-lo
e n�o o vejo ao mesmo tempo.
Jano?
Merda, Jano! Est�s a�?
Vou embora, Rosentok.
Estou fora. N�o aguento isto.
Chega.
Ali...
Ali em baixo.
- O que se passa em baixo? - Encontrei-o.
Est� vazio.
Sim.
Mas n�o est� vazio.
� uma quest�o de perspetiva.
H� mais de um ponto de vista.
Escurid�o e luz.
Duas realidades distintas
no mesmo espa�o-tempo.
Escurid�o e luz.
Merda! O que caralho � aquilo, Rosentok?
O que �?
Que merda! Est� a mexer-se.
Sim, doutor?
Sra. Albreck, � o que eu procurava.
Agrada-me saber que a sua viajem n�o foi em v�o.
Sempre soube que isto estava ligado ao que procurava.
Sim, �.
E agora? O que fazemos?
N�o fa�o ideia, Sra. Albreck.
Devemos registar tudo o que pudermos.
Est� bem.
Jano!
Jano!
Tira-me daqui!
Tenho vidro nos olhos.
Consegue ouvir-me, Sr. Carabajal?
Sou a Mora Albreck.
Consegue ouvir-me?
Dra. Albreck,
� o meu amigo, Jano.
Ele n�o est� bem.
- Precisa de ajuda. - Est� bem?
N�o, n�o estou.
Acalme-se. E n�o acredite em tudo o que viu hoje.
Estava dentro de um arm�rio a bater nele.
Queria que eu o ajudasse.
Parti o arm�rio
para o tirar de l�, mas n�o consegui.
- N�o consegui. - Vou repetir.
Esta noite, pode ter visto coisas que n�o s�o reais.
Este sangue,
n�o � meu.
Eu n�o me magoei.
Este sangue � do meu amigo Jano.
E h� tamb�m sangue do Rosentok.
O sangue n�o � real?
Lave as m�os.
Vamos, fa�a-o.
N�o pode ter sangue nas m�os, n�o aqui.
Estes seres gostam de sangue.
Usou �gua canalizada hoje?
Tenho de ir.
Tenho de sair daqui.
Dr. Rosentok?
Est� a�?
Temos de abandonar a investiga��o.
Est� a ouvir-me, Doutor?
Est� muito exposto.
Deve haver uma explica��o.
Algo.
Deve haver algo.
N�o h� muito.
Tenho de explicar isto a outras pessoas.
H� uma teoria.
Eu entenderei, prometo.
Estudamos planos dimensionais
que coexistem em equil�brio
e est�o organizados como segmentos das laranjas.
H� vida nos dois planos.
A �gua carrega vida microsc�pica
e esta vida pode juntar-se, criar ninho e reproduzir-se.
E pode usar os nossos corpos.
Mas n�o fa�o ideia de que seres sejam.
Ou por que nos atacam.
H� uma forma de travar isto?
O qu�?
Tudo isto de que fala.
N�o.
Tive um enfarte.
N�o sei.
Por favor, ajuda-me.
N�o podemos ficar aqui.
Tira-me daqui.
Fizeste-me passar por louca.
Fizeste-me pensar que foi tudo imagina��o minha.
Levaste o meu beb�.
E depois vi-te.
Eu vi-te.
Vi os v�deos.
Vi-te a escond�-lo.
Tentaste esconder o meu filho.
Querias escond�-lo, certo?
Porque puseste cimento na campa dele?
Responde. Porqu�?
Fi-lo por ti.
Juro.
Queria explicar-te.
Para te explicar.
Alicia, leva-me ao hospital.
Leva-me, por favor. Tira-me daqui.
Entra.
N�o o ia deixar ali.
N�o o podia deixar no cemit�rio.
N�o podia deix�-lo!
Ainda tens tempo!
Est�o a torturar-nos!
Funes!
Estou a ouvir.
Capit�o Funes, est� a�?
Estou a tentar falar consigo h� horas.
A esquadra est� uma confus�o.
A mulher veio c�, o seu amigo...
A m�e da crian�a.
Estavam desesperadamente � sua procura.
N�o tive alternativa. Tive de lhe dizer onde estava.
Ela vai ter consigo.
Fiz o melhor que pude para a impedir.
N�o atendia o telefone.
Capit�o Funes,
o presidente da c�mara esteve aqui. P�s a minha carreira em risco.
Ouviu?
Estou no bairro. � sua procura.
A sua carrinha n�o est� aqui.
Enrique,
est�s a ouvir?
Ouve com aten��o.
Sai desse lugar.
Sai da�, agora.
Merda, Enrique!
� uma ordem. Sai da� j�.
Diz-me que est�s a ouvir.
Recebido, Capit�o.
Estou � porta da casa da Alicia.
N�o vejo a sua carrinha.
O seu amigo Jano est� aqui.
N�o vejo muito bem. Ele est� ali, em frente � casa.
Est� a agir estranhamente.
- Muito estranhamente. - Enrique.
Sai j� da�. � uma ordem. Percebeste?
Percebido. Estou a sair.
Alicia!
Temos de ir, Alicia!
Sr. Blumetti.
Este � o Dr. Razoni
e o agente Guzm�n.
Quero que saiba
que isto est� a ser gravado com o seu consentimento.
E que os testemunhos dos dois lados n�o ter�o valor de prova.
No dia tr�s de outubro
deste ano �s 18h40,
Sr. Blumetti,
reconhece
estas pessoas que o visitaram h� um ano?
Sim.
Lembra-se dos nomes?
Lembra-se de falar com eles. O que lhe disseram?
Sim.
Vieram ajudar-me
porque tinham provas
do desaparecimento da minha esposa.
E o que mais?
Fizeram-me assinar uns documentos.
Sim, autoriza��es.
E o que mais?
N�o me lembro.
Estava sob o efeito de medicamentos.
Lembra-se do Inspetor Funes?
Sim, lembro.
Sim, � agente da pol�cia.
Tinha uma rela��o com a minha vizinha,
Alicia.
Alicia P�rez?
Est� bem.
Quando foi a �ltima vez que viu o Funes?
Vi-o
no dia do funeral do filho da Alicia.
H� algo mais sobre o Funes que ache relevante?
Ele disse-me que se ia reformar
e que tinha problemas de sa�de.
E mais nada.
Agente Guzm�n,
ele colabora connosco
e viu como o Funes incendiou a sua casa,
entre outras, com pessoas l� dentro.
O Inspetor Funes � um fugitivo
e acreditamos que possa estar relacionado com o caso da sua esposa.
Voltemos ao caso da sua esposa.
Foi estabelecido pelos agentes que encontraram
as impress�es digitais no sangue da sua esposa
n�o apenas na casa de banho, mas tamb�m pela casa toda.
Isto confunde o curso da investiga��o.
Ele veio consigo?
Quem?
Blumetti,
estamos a investigar coisas invulgares
pelo ponto de vista do sistema.
� ele.
Rosentok.
Sim.
N�o � o mesmo. Tem a cara queimada.
� ele.
Ele veio convosco.
Sim.
Veio com voc�s.
Traduzido por: Nuno Leite Castro
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