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MOSFILM
Uma produção do MOSFILM, 1946 Estúdio premiado com a Ordem de Lenin
A FLOR DE PEDRA Conto do Ural
Roteiro P. BAZHOV / I. KELLER
Direção A. Ptushko
Direção de fotografia F. Provorov
Direção de arte M. Bogdanov / G. Myasnikov
Figurino O. Kruchinina
Arquiteto Kh. Uger
Segundo diretor A. Slobodnik
Assistente de direção K. Beran
Música L. Shvarts
Som B. Volsky / E. Formanyok
Assistente de montagem M. Kuzmina
Assistente de direção de fotografia R. Shtal
Elenco: Mestre Danila - V. Druzhnikov
Senhora da Montanha de Cobre Tamara Makarova
Prokopich M. Troyanovsky
Katya E. Derevschikova
Vovô Slyshko A. Kelberer
Severyan M. Yanshin
Patrão N. Temyakov
Senhora A. Petukhova
Velho mestre N. Orlov
Vikhorikha L. Deykun
Efimka S. Zaytsev
Danila - menino V. Kravchenko
Produção G. Kuznetsov
- Ei! Quem está aí?
Quem está passeando por uma propriedade do Estado uma hora dessas?
Com que direito? Hein?
- Somos nós, crianças da fábrica. - Nós...
Falem direito, respondam.
- Desculpe, vovô. - Viemos ouvir contos.
Ouvir contos? Vocês inventam cada uma...
Só sei o conto da Galinha Ryaba
e seu ovo de ouro, e outros que as velhinhas contam para os bebês.
Acho que vocês já são grandes para essas histórias.
Não sei contar contos. Antes sabia alguns, mas já esqueci.
Mas sei da vida dos meus antepassados, isso eu lembro.
Mas não são contos. Chamo de histórias e narrativas.
Algumas delas não é qualquer um que pode saber.
É preciso ter cuidado.
Meninada, vocês são como passarinhos...
Gritaram e correram de um lado para o outro o dia todo, não foi?
Cansaram os braços e as pernas e agora querem exercitar os ouvidos?
Tudo bem.
Contarei sobre Danila, o lapidador de jóias,
sobre sua noiva Katya
e a Senhora da Montanha de Cobre.
É um novo conto, vovô?
Shhhh, não interrompa!
Quem sabe não vou contar a história da sua bisavó
e você dizendo que é um simples conto!
Ouça bem e preste atenção...
veja como eram as meninas nos velhos tempos.
Bem... ouçam.
Trabalhava na nossa fábrica um mestre.
Ele se chamava Prokopich.
Era o melhor lapidário de malaquita.
Ninguém conhecia melhor que ele a alma dessa pedra.
Mas a velhice estava se aproximando
e Prokopich começou a ficar doente.
Você sabe muito sobre pedras, Prokopich...
mas quem entende das ervas e seus poderes sou eu:
qual é boa para dores, qual é boa para lesões...
Beba, Prokopich. Para baixar a febre.
Aquele malvado de novo...
Parece que você tem visita.
Severyan Kondratich, o próprio.
Você é desumano!
Um dia seu castigo vai chegar!
Cale a boca, bruxa velha!
A Senhora da Montanha de Cobre te espera há muito tempo.
Vou te mandar para a Sibéria pelas suas feitiçarias!
Quando vai terminar o candelabro?
Seu atraso está me matando.
Terminarei quando tiver forças.
O patrão não é nosso irmão, não quer saber de desculpas.
Tem que fazer o que ele manda!
Sim... você ficou velho, Prokopich.
A qualquer momento enterraremos você.
E aí quem vai trabalhar com a malaquita?
Já sei! Vou pedir a Efim
que encontre e te mande uns garotos espertos.
Ensine-os a trabalhar com malaquita.
Eles têm que aprender tudo nos mínimos detalhes.
Mas Prokopich,
ou porque era egoísta em relação à sua habilidade,
ou por algum outro motivo, ensinava muito mal.
Batia nos aprendizes e punia-os o tempo todo.
A pedra, assim como as pessoas, tem alma.
Nem todo mundo consegue entender.
Aí me trouxeram uns meninos impossíveis! O que eles poderiam entender?
Por que me olham com essas caras, hein?
Saia daqui!
Cabeça oca! Não fique me olhando, olhe para a pedra!
Olhe para a pedra! Aprenda a entendê-la!
Quem eu vou ensinar agora, Severyan Kondratich?
A mim mesmo, só se for...
Danila, o que você vai fazer da vida?
Desse jeito não vai servir para nada.
E as minhas costas velhas vão apanhar por sua causa.
Você sabe como é Severyan Kondratich,
se acontecer alguma coisa ele não terá piedade.
O que tanto você pensa?
Eu mesmo não sei, vovô.
Acho que sobre nada.
Estava olhando uma flor.
Um inseto rastejava sobre suas folhas.
Era azul,
mas um pouco amarelo debaixo das asas.
- Lindo! - Você é bobo, Danila?
Por acaso é seu trabalho observar os insetos?
Sua função é orientar as vacas, para que não se percam
e não sejam atacadas pelos lobos.
E você aí olhando insetos.
Venha aqui.
Oriente as vacas enquanto tiro uma soneca na cabana.
E não olhe para onde não deve!
Junto! Vamos!
Toque a corneta para mim, querido Danila.
Toque, querido Danila!
Será que a Senhora da Montanha de Cobre está brincando comigo?
Prokopich já tentou ensinar todos os meninos.
Mas o resultado é só um:
bate neles
depois manda-os embora.
E insiste em dizer que nenhum deles serve.
Minha vontade é de dar uma
baita surra nesse velho!
Não podemos. Ele é o primeiro mestre.
Precisamos dele, e corre o risco de matá-lo.
Acha que consegue com um só golpe?
Com um só acho que não, mas...
depois de uma dúzia não vai levantar mais.
Aparentemente Prokopich
não quer ensinar seus segredos.
Tenha piedade, pai querido! A culpa foi minha!
- O que aconteceu? - Perdemos o controle!
Os lobos atacaram suas vacas, Severyan Kondratich!
O quê?! Efim.
Açoite-os!
Não toque no vovô! Foi minha culpa.
- Eu as perdi. - Vai chegar a sua vez também!
Tenha piedade, pai querido! A culpa foi minha, eu as perdi!
Vejam só...
um defensor.
Vou te mostrar como se deve cuidar dos bens do patrão!
Efim! Pegue o garoto!
Seu tirano malvado!
Vai matar o menino...
Vai matar...
Vou te ensinar a ficar em silêncio. Fale de novo!
Fale! Fale!
Meu Deus...
Meu Deus...
- Continuo? Ou já é suficiente? - O menino está vivo?
Ele é forte... o que faço com ele?
Olhem só... que resistente...
Já sei para onde mandá-lo...
caso sobreviva.
O que está fazendo? Quem falou que podia pegar a peça?
O que está olhando?
Na minha opinião, vovô, deveria fazer a borda do outro lado.
Veja, o desenho natural está aqui, e você vai cortá-lo.
Quem é você? É o mestre? Não sabe de nada e fica julgando?
- Por acaso entende alguma coisa? - Entendo sim...
o fato é que estragou esta pedra.
Quem estragou?
Seu mal educado! Criticando o primeiro mestre? Te mato!
Vai ver só!
Não vai sair dessa vivo!
Saia da minha casa agora mesmo!
Ei, moleque!
Está ouvindo?
Desça daí.
Ficou surdo?
- Não vou descer. Você ameaçou me matar. - Não tenha medo, não vou encostar em você.
- Sério, vovô? Promete? - Prometo.
Venha, novo mestre. Mostre como acha que tem que ser o desenho.
Por aqui seria melhor fazer o desenho da borda mais estreito.
Estreito! Não entende nada mesmo..
- Mais estreito! - Já entendi, mais estreito!
Eu sei que tem que ser estreito...
Olhe só, que bom conselheiro.
Falar qualquer um consegue.
- Seguindo o desenho natural, aqui... - Tudo bem, chega! Vamos dormir.
Deite aí no banco.
Moleque danado!
Ainda nem cresceu
e já aconselha seu mestre.
Que olhos afiados!
Acho que sai coisa boa daí.
Durma, menino esperto!
Durma...
Prokopich não tinha filhos.
E Danila conquistou o coração dele.
Para ser sincero ele o tratava como seu filho.
Quando pequeno não deixava ele trabalhar.
Tinha pena do garoto.
Obviamente porque...
o trabalho com malaquita,
libera muita poeira, é um veneno.
E o tempo foi passando...
Certa vez o patrão foi visitar o ateliê.
Dormiu bem, minha querida?
Muito mal.
Quero voltar para São Petersburgo.
Vamos voltar logo?
Assim que cumprirmos a determinação do governo.
Ordenem a esses camponeses que terminem rápido.
Querida, nossos fornos não são capazes de produzir tão rápido.
Então vamos ficar aqui até o inverno por causa de uns fornos?
Eles que deixem de preguiça e trabalhem mais.
Querida...
esses fornos são feitos para operar dentro de determinados limites.
Quem projetou foi algum estúpido!
Esses homens cuidam bem mal dos seus patrões.
Ah, querido Prokop.
Aproxime-se.
Então, querido Prokop, me deixe explicar de forma mais clara...
Em Paris visitei um marquês, um patrão.
E ele me mostrou uma caixa de joias finamente trabalhada.
Então me gabei dizendo que tenho uma ainda melhor!
O marquês ficou ofendido, e apostou meio milhão de francos
que não existe uma caixa melhor que a dele.
Dei minha palavra de que no outono levaria a minha para compararmos.
Então, querido Prokop...
faça para mim uma caixa de joias melhor que a do marquês!
Uma caixa da qual seja impossível tirar os olhos!
Se cumprir, não vou te esquecer com a minha benevolência senhorial.
Mas se não cumprir vai responder por isso.
- Entendeu? - Entendi, meu pai.
Prokopich trabalhava dia e noite.
Esquecia de comer e dormir, não pensava em mais nada.
Só fazia uma coisa: lapidar a caixa para o patrão.
Mas a peça não estava ficando boa...
Ou já estava ficando muito velho e seus olhos já não eram os mesmos,
ou as mãos tinham ficado fracas.
O desenho simplesmente não saía caprichado.
Prokopich já tinha desperdiçado vários fragmentos de malaquita
e não saía nada.
O patrão chega no domingo.
Vai terminar, não vai?
- Vou terminar. - Cuidado!
Caso contrário vai ter que responder!
- Quem é esse menino? - É meu filho.
Será que é aquele moleque, Danila?
- Onde você esteve? - Na floresta.
Na floresta. Por quê?
- Apanhando pássaros. - O quê?!
É assim que aprende o ofício, seu bastardo?
Severyan Kondratich, fui eu que pedi para apanhar os pássaros na floresta.
Com o canto deles se trabalha melhor, a casa fica mais alegre.
Está mimando muito o rapaz.
Tome tento!
Vou te açoitar com tanta força
que vai lembrar até o dia da sua morte, entendeu?
- Entendi, Severyan Kondratich. - Pois bem.
E não esqueçam que o patrão virá no domingo.
Só faltam dois dias...
e tem tanto trabalho!
Meu Deus...
Faltam dois dias...
e a caixa... a caixa...
Patrão, não me castigue, tenha piedade deste velho!
Calma, vovô!
Sou eu, Danila.
Estou ansiosa para ver a caixa de joias.
Já vamos ver, querida.
O Marquês de Champor vai ver só!
- Onde você vai, vovô? - Vamos fugir, Danila! É o patrão!
- Calma vovô, ele não vai fazer nada. - Me deixe ir.
Onde está o meu mestre, hein?
- Ele está doente. - Doente?
Mas por que está doente?
E a caixa? Já está pronta?
Patrão, tenha misericórdia, não consegui terminar o trabalho.
Estou muito velho...
E como vou para Paris no outono?
Serei ridicularizado pelo marquês.
- Vou te açoitar! - Patrão!
Patrão, o vovô não está bem. Por isso não sabe o que está falando.
A caixa está pronta!
Pronta?
Lá está, na bancada ao lado da janela.
O que deu em você, hein, velho?
Esse trabalho não é meu, patrão.
Não fui eu que fiz isso.
- É trabalho de outro mestre. - Não é seu? É de quem então?
Eu não sei...
- Não tinha lagarto nenhum na caixa! - Fique quieto, velho!
- Faça o que quiser comigo, mas não fui eu. - Mas quem foi? Quem foi?
Foi ele.
Quero que ele faça um vaso...
com a borda entalhada,
e folhas na base
e que o cálice
seja como uma flor.
Claro que ele fará, minha querida.
Com certeza ele fará, minha querida.
Ouviu como é o vaso que tem que fazer?
- Ouvi. - E então?
Vou fazer.
E tome isso, pela caixa.
Compre uns docinhos.
Agora o marquês terá que me pagar meio milhão!
A brisa, minha brisa
Traga a primavera
Leve o meu amor
Até meu doce amado
Até meu doce amado
Sussurre para o meu amado
Como vivo, o que faço
E na primavera verdejante
E no branco inverno
E no branco inverno
Danila, querido!
Katya!
- Me daria uma dessas flores? - Escolha a que você quer.
Escolheu a melhor!
- Onde você a achou? - No Morro da Serpente.
- Não perca, hein? - Não vou perder.
Danila, foi você quem fez a caixa que encomendaram para Prokopich?
- Sim. - Agora está fazendo o vaso para a patroa.
- Estou sim. - E o que fará para mim?
- Não vou te esquecer. - Será?
- Claro que não. - Danila, querido...
Katya...
Você virá à represa domingo?
Ouvir os pássaros cantarem?
Despedir-se de um amanhecer e esperar o outro?
Traga a flor inteira.
Com certeza.
Danila, querido, está cansado, não é?
Não consigo dormir pensando no vaso.
Por que está se esforçando tanto?
Quero fazê-lo de tal modo que,
tanto eu quanto todos, possamos perceber o verdadeiro poder
da própria pedra.
Mas quem vai vê-lo na mansão do patrão?
Só os próprios donos e os empregados.
A pedra tem vida muito longa.
Neste século não o verão, mas em tempos vindouros, com certeza.
Não precisa enxergar tão para frente.
Mas a vida é mais divertida desse jeito.
As pessoas vivem pouco tempo, e murcham.
Mas o pensamento delas se eterniza nos objetos...
- talvez para sempre. - Que ideias complexas, Danila!
Desse jeito sua noiva vai acabar se casando com outro.
Katya?
Não vai não.
Ela também é como eu,
gosta de ouvir os pássaros...
e esperar pelo amanhecer.
Minha flor...
linda...
Olha só, nem apagou a vela.
Só pensa na sua obra... em mais nada.
Isso sim é um mestre.
Muito melhor que qualquer um de nós.
Um mestre assim é uma honra para toda a comunidade.
Minha linda relva
Meu mundo verde...
- Vejam o que ele criou! - Que trabalho lindo!
Trabalho há 40 anos com essa pedra. Já fiz muitos vasos de todos os tipos
mas nunca consegui fazer nada igual, nem vi outros fazerem.
- Danila, você é um mestre! - Tem olhos afiados e mãos talentosas.
Se continuar assim ninguém consegue acompanhá-lo.
- Vovô, o que achou? - Achei o seguinte,
- é um trabalho de alto nível! - Sim...
Por favor, queridos convidados, venham para a mesa!
Meu bolo já está pronto!
- Sirvam-se, por favor. - Por favor, venham comer.
Danila, como conseguiu fazer
cortes tão delicados e não quebrou nenhuma parte da pedra?
Por isso não saiu da casa o verão todo...
Esqueceu completamente de mim.
Esqueci?
Você não notou que é a sua flor?
Verdade, é a minha!
Danila, querido! Então lembrava de mim dia e noite?
- E eu pensando que tivesse me esquecido. - Lembrava, Katya. Lembrava.
- Mas a flor está longe da perfeição... - Danila, estamos te esperando!
Pela conclusão do trabalho!
Deus queira que você se supere a cada trabalho.
Ao Mestre Danila!
Assim são nossos talentos! Na nossa fábrica têm de tudo!
Aqui estão os grandes artífices da pedra. Onde mais pode encontrar outros assim?
- A flor parece viva! - O triste é exatamente isso, parece...
- mas não tem a beleza viva. - Mas uma pedra é uma pedra.
Não tem como fazê-la viva.
Eu quero fazê-la mais que viva.
Extrair toda a beleza de uma flor viva...
e mostrá-la na pedra,
- de modo que nunca murche. - Oh! filho, não vá por esse caminho,
pode cair nas mãos da Senhora da Montanha de Cobre e dos seus mestres.
- Que mestres, vovô? - Os mestres que vivem na montanha dela.
Eles entenderam a beleza da pedra depois que viram a flor de pedra.
Flor de pedra?
- E como ela é? - Eu não sei.
Não podemos vê-la.
Quem olha uma única vez esquece completamente a vida real.
Como eu gostaria de ver...
Como assim, Danila, querido? Não quer permanecer no mundo real?
Está deixando o rapaz confuso com suas histórias, vovô.
Ele já é perturbado e você o deixa mais confuso ainda.
- Não existe flor de pedra nenhuma. - A flor de pedra existe! Existe sim!
Eu a procurei quando era jovem
mas me cortaram as asas.
Vovô já está ficando confuso.
Cante, Ignat Savelich. Você é bom nisso.
Não é por acaso que sua filha Katya é a melhor cantora da fábrica. Puxou o pai!
Hoje as galinhas cantam como galos
Ah, la-la-la, como galos
Hoje as esposas mandam nos maridos
Ah, la-la-la, nos maridos
Hoje as galinhas cantam como galos
Ah, la-la-la, como galos
Hoje as esposas mandam nos maridos
Ah, la-la-la, nos maridos
Você é muito esperto, Danila, querido!
Fez um vaso para a Senhora, mas pensando em mim.
- Foi muito lindo isso. - Mas você nem notou.
Nem imaginei, por isso não reconheci.
- Agora ficou claro. - Quando eu te contei.
E é só o seu primeiro trabalho. Com o tempo vai se aperfeiçoar.
Vai demorar...
Acho que não chego lá sem a flor de pedra...
Como assim, Danila, querido?! Aquele velho está louco, bêbado.
E você dando ouvido às suas tolices.
Está trabalhando demais.
Seus olhos estão cansados.
Meu mestre dos olhos sábios!
Vai ver só! Depois que casarmos vou cuidar bem de você.
Seu curral está vazio.
Vamos comprar uma vaca.
A Senhora com certeza vai te pagar pelo vaso, não vai?
Uma vaca? Sim...
Compraremos.
Katya, vamos cantar! Papai está te chamando.
Quer ir, Danila, querido? Ou quer ficar aqui mais um pouco?
Além disso, talvez tenha bebido demais e inventou essa história da flor de pedra.
Danila, querido, acha que pode observar a beleza feminina de graça?
Para olhar tem que pagar.
Chegue mais perto, vamos conversar um pouco.
Não tenha medo.
Eu não tenho medo.
Então, Mestre Danila, não conseguiu fazer o vaso igual à flor da Katya?
Não consegui.
Venha comigo, querido Danila, vou te mostrar a minha flor de pedra.
Mas onde está ela?
Quando cair a primeira neve venha até o Morro da Serpente.
O que há com você, querido?
Parece que viu um defunto!
Ah, Katya...
Estou intrigado,
tenho uma imagem na minha cabeça... mas não consigo entender.
Vamos caminhar um pouco.
Vai ser bom respirar um pouco de ar puro.
Acho que eu também estou ficando confusa.
Deve ser porque está muito abafado lá dentro.
Acho que foi naquele vale
Num extenso prado
Na relva macia
De cores vivas
Meninas passeavam
Faziam coroas de flores
E as colocavam sobre a relva
Pode fazer um caldo ou uma infusão para ele beber?
Vai deixar de pensar besteiras assim que casar.
Os mestres ficam se perguntando o que mais ele quer.
Ninguém nunca fez um vaso melhor, e mesmo assim não está feliz.
Não se importa com a moça, não é? Quanto mais ela vai ter que esperar?
Espere...
Estou a ponto de quebrar o vaso e vem me falar em casamento.
- Conversei com Katya, ela vai esperar. - O vaso está pronto, é hora de entregar!
Não tem como ficar melhor do que já está!
É verdade, não sou capaz de fazer melhor...
Não consigo descobrir o poder da pedra.
Realmente é hora de me casar.
Minha Katya não aguenta mais esperar
e para mim também não está fácil.
Hoje as galinhas cantam como galos
Ah, la-la-la, como galos
Hoje as esposas mandam nos maridos
Ah, la-la-la, nos maridos
Chagamos bem arrumados, sem termos sido convidados.
Por favor nos recebam sem desdém.
O que está feito, está feito, selado com pão e sal.
Para todo o sempre. Amém.
Oh! noiva, estás diante de quem?
Oh! linda noiva,
Estás diante de quem?
Minha linda, diante de quem?
Para quem olhas?
Linda, linda
Noiva linda, para quem olhas?
Minha linda...
Estás diante de quem? Para quem olhas?
Linda, linda
Noiva linda, para quem olhas?
Minha linda...
Sirvam-se, casamenteiros! Sirvam-se, queridos convidados!
Sirvam-se, queridos, pela glória de Deus, pelo amor eterno e infinito!
E quem é o nosso herói E quem é o nosso líder
Oh! rosa, minha rosa Videira verdejante
Danila é o nosso herói. Danila é o nosso líder.
Oh! rosa, minha rosa Videira verdejante
Por que as moças te amam? Por que as moças te honram?
Elas se curvam diante de ti Pelas suas palavras ternas
Cozinheiras lindas, coloquem na mesa tudo que está no forno!
Se falta algo, providenciem imediatamente!
Minha mãe querida Por que me fizeste tão linda
Minha Kalinka-malinka Fruto do meu jardim, minha framboesa
Minha Kalinka-malinka Fruto do meu jardim, minha framboesa
Que bom que o noivado
coincidiu com a festa da Senhora da Montanha de Cobre.
Hoje à meia-noite vai desabrochar a flor da pedra.
Venha até o Morro da Serpente.
Esperarei por você, querido Danila.
Pai e mãe!
Abençoem o jovem príncipe e a jovem princesa!
Danila!
Danila!
Danila!
Danila!
Venha, querido Danila.
A flor da pedra só floresce uma vez por ano.
Você veio!
Quebrou o vaso da flor da Katya?
Quebrei.
Mostre sua flor da pedra!
Mostrar é fácil...
depois vai lamentar ter visto.
Não vai me deixar voltar?
Por que não deixaria?
O caminho está livre, você é que não vai querer me deixar.
- Me mostre, não tenho escolha! - Mas e sua noiva, Katerina?
Sem a flor não há vida para mim.
Então, vamos lá, mestre Danila.
Veja, Danila. Aqui está minha riqueza!
Vamos continuar.
Aqui é o meu lugar preferido.
Vamos sentar e conversar um pouco.
Quem sabe não chegamos a um acordo?
Viu só o meu dote?
- O que me diz agora sobre o casamento? - Eu não vim para isso.
Mostre para mim a flor de pedra!
- E se eu mostrar, vai me amar? - Não posso, prometi meu amor a outra.
Então é assim.
Vamos lá, mestre Danila!
Agora vou fazer o melhor vaso,
que ninguém nunca viu!
E Katya permaneceu solteira.
Nem casou ainda e já é viúva...
Danila está vivo!
Está vivo!
Será que ele foi com ela?
É impossível encontrá-los agora.
Nenhuma notícia de Danila?
Minha filha, eu estava com uma sensação...
um pressentimento ruim.
Encontraram alguém morto na praia.
Os carpinteiros o enterraram.
Estão dizendo que é o nosso querido Danila.
É fofoca, conversa fiada.
Eu perguntei, ninguém viu direito.
Acho melhor eu vir morar com você, papai.
- Vou cuidar de você. - Minha filha!
Mas e seu pai e sua mãe?
Você também é como família para mim.
É pai adotivo do meu Danila.
Obrigado, Katya,
por se preocupar com... este velho.
Meus olhos já não conseguem distinguir as pedras.
Papai, me ensine o básico.
Do que está falando? Trabalhar malaquita não é para as moças!
Nunca ouvi falar disso.
Veja só...
estão por aqui de novo.
Com essas canções estão te chamando para sair.
Anda, vai dar uma volta...
Por que eu deveria ir?
Continua esperando Danila...
E o que mais me resta?
O homem sumiu faz um tempão mas continua esperando.
Ninguém viu ele morto.
E para mim sempre esteve vivo.
Não sinto prazer no meu trabalho.
As pessoas não vão ver.
Já acabei, papai!
Olha só... que rápida!
Lapide mais uma placa
e eu vou deitar, descansar um pouco.
Gostaria que meu Danila visse,
que um novo mestre trabalha aqui agora.
Sentado no lugar que era seu e de Prokopich.
Levante-se, papai. Os bolinhos já estão prontos.
Levante-se, papai!
Estou doente, Katya.
Vou até a velha Vikhorikha buscar um chá de ervas.
- Vou morrer em breve. - Nem diga uma coisa dessas, papai!
Como você vai se virar sozinha?
Agora você...
vai precisar casar.
Meu Danila vai voltar.
Não, Katya.
Ele não volta mais.
Danila, querido, só você entende a beleza das minhas pedras.
Seu trabalho me alegra.
Terminei o vaso.
Me deixe ir! Lhe serei muito grato, para sempre.
Lembrou de Katya de novo?
Estou pensando nela dia e noite.
Nunca mais verá sua Katya!
Nunca mais!
Não está precisando de placas de malaquita?
Não está vendo quantas eu já tenho?
Está fazendo trabalho de homem, é?
Bem, deixe eu ver o que tem aí.
Onde você roubou isso?
Que direito você tem de falar isso de alguém que nem conhece?
Veja, se não for cego!
Como eu poderia roubar tantas placas com o mesmo desenho? Vamos, diga!
Que desenho incomum.
Aqui está, linda, seu dinheiro!
Se fizer mais dessas pode trazer, nunca vou recusar!
Olha só quanto ele me pagou!
E disse que sempre vai comprar de mim.
Justamente o que eu estava procurando!
Vou cortar bem, e poderei fazer muitas placas!
Será que é meu Danila que está falando comigo?
Meu vento querido
Junte toda sua força
Leve meu amor
Até o meu querido Danila
Até o meu...
Por que está andando pela minha floresta?
O que você quer? Está procurando pedras boas?
Pois pegue o que quiser e saia daqui rápido!
Eu não quero suas pedras mortas!
Me devolva meu Danila vivo!
Acha que tem direito de roubar os noivos das outras?
- Sabe com quem está falando? - Não sou cega, estou vendo!
Mas não tenho medo de você, minha rival no amor!
Não tenho mesmo!
Não importa quanta riqueza tenha, é em mim que Danila pensa.
Então tente. Encontre o seu Danila.
Para sempre serás meu mestre.
Sua força e poder são enormes.
Mas o amor é mais forte que você!
De um jeito ou de outro vou sair daqui!
Pois vá.
Por que não foi embora ainda, Danila, querido?
De qualquer jeito não vou me casar com você.
Mas eu te amo, meu Danila!
Não gosta nem um pouco de mim?
Não posso negar que você é linda.
Mas gosto mais de Katya, ela continua no meu coração.
Mas Katya já te esqueceu.
Nunca vou acreditar nisso!
Então é assim...
Danila!
Danila!
Danila!
- Katya. - Danila.
Muito bem, Danila!
Não trocou sua Katya por uma mulher de pedra.
Minha riqueza não o deixou cego.
Eu estava te testando.
Leve seu mestre, Katerina.
Por sua prova de fidelidade aqui está meu presente para você...
minha caixa de joias favorita.
E para você, Danila, pela firmeza que demonstrou,
deixarei tudo o que viu e aprendeu na sua memória.
Desculpe se te ofendi no calor do momento.
Que vai acontecer com pedra...
Danila, não conta a ninguém onde você esteve.
Nem contem sobre as minhas riquezas.
Até um determinado momento ninguém deve acessá-las.
Agora podem ir.
Tradução e legendas CPC-UMES Filmes
FIM
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