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Original subtitles

NORTE e SUL Volume 1

PLANTAÇÃO DE MONT ROYAL 1848

O meu pai já voltou?

Está lá dentro.

George, escuta...

-Ainda não percebeste... -Não quero.

Prefiro manter a tua amizade.

-O Priam pertence ao meu pai. -Não.

Não compreendo isso.

Tenho de partir de manhã, Orry.

Está bem.

Levar-te-ei ao comboio.

Isto fará parar o teu comboio.

É este?

Não, é o comboio de mercadorias de Charleston. Passa dia sim, dia não.

O comboio de passageiros local chegará dentro de 20 minutos.

Priam!

Pára!

Priam!

Priam...

Orry, não!

Não tens nada a ver com isto.

Por favor, Mr. Orry.

Por amor de Deus!

Se o levar de volta, ele vai desejar estar morto!

-Não sabes o que lhe farão! -Então, deixa-o ir.

Já te disse, ele pertence ao meu pai.

Por favor! Se não o fizeres pelo Priam, fá-lo por mim.

Estás a aproveitar-te da nossa amizade.

Estou, sim.

Está bem, Priam... Pronto, foge!

Foge antes que mude de ideias. Foge!

Foge!

Uma vida por uma vida, George. Salvaste a minha.

Ficarei do teu lado, se quiseres,

mas é melhor te mentalizares. As nossas vidas aqui são diferentes.

Têm de ser!

Não voltes a meter-te nos nossos assuntos

ou a pedir-me para ir contra os meus.

ESTAÇÃO DE LEHIGH, PENSILVÂNIA 3 SEMANAS DEPOIS

Eu, Constance, recebo-te a ti, George, para meu marido.

Eu, Constance, recebo-te a ti, George, para meu marido.

Para amar e respeitar de hoje em diante.

Para amar e respeitar de hoje em diante.

Na alegria e na tristeza.

Na riqueza e na pobreza.

Na saúde e na doença.

Na alegria e na tristeza.

Na riqueza e na pobreza.

Na saúde e na doença.

Até que a morte nos separe.

Até que a morte nos separe.

Só de pensar que teria de assistir a uma cerimónia Católica.

-É uma vergonha. -Cala-te, Isabel.

Pelo menos, tiveram o bom senso de mantê-la privada.

Como se alguém viesse...

Por favor, cala-te, Isabel.

A aliança, por favor.

Pela autoridade que me foi concedida pela Santa Igreja Católica

e pela comarca da Pensilvânia...

...declaro-os marido e mulher.

Pode beijar a noiva.

Toma.

Obrigado, Billy.

Achas que isto vai durar muito?

Não é todos os dias que se casa um irmão mais velho, Billy.

Eu sei que não.

Só gostava de estar noutro sítio.

E que sítio seria esse?

Achas que me aceitariam em West Point?

Queres ser soldado?

Tive inveja de ti e do George quando estiveram a lutar no México.

Vivemos tempos difíceis lá.

Não invejas esta perna, pois não?

Não.

Só gostava de ser soldado, nada mais.

Talvez sejas, um dia.

Constance, minha querida, se o meu William fosse vivo,

sei que teria orgulho de te receber no seio da nossa família.

Obrigada.

Têm sido todos tão simpáticos.

Já gostamos tanto de ti.

Bem, George, quero dizer uma coisa muito importante...

...a ti e ao teu irmão.

E gostaria que tu e a Isabel também ouvissem.

Está a ser muito misteriosa, Mãe.

Nem por isso. É algo que queria fazer há bastante tempo.

Venham comigo.

Miss Hazard.

Mr. Main.

Acho que a Constance foi uma noiva muito bonita.

Foi, sim.

Admira a beleza, Mr. Main?

Por acaso, admiro.

E a mente de uma mulher, Mr. Main? Também admira isso?

Ouvi dizer que os sulistas não ligam à opinião das mulheres.

Não posso falar por todos os sulistas, só por mim.

Admiro uma mulher por tudo o que é, e isso inclui as ideias dela.

A sério?

Bem, talvez gostasse de ouvir algumas minhas.

É uma grande alegria ter os meus filhos ao pé de mim.

E como o George voltou para casa, casou e assentou de vez...

...sinto que está na hora de mudar a gerência de Hazard Iron.

Mudar, Mãe?

Sim, minha querida.

Decidi que o George e o Stanley

devem ter responsabilidade igual na fundição.

O quê?

Não estava decidido que eu, como filho mais velho, geriria a fundição?

Como mais velho, ficarás com o controlo financeiro, é claro.

Mas o George terá poder de decisão idêntico em todas as questões.

Sinto que o George mereceu isto, Stanley.

E eu acho que é justo...

...para os dois.

Com certeza, Mãe.

George, estou tão feliz por ti!

Agora, acho que devíamos voltar para junto dos convidados.

Então, o que andou a fazer nos últimos anos?

Tenho trabalhado muito para a Sociedade Anti-escravatura.

Vou dar a minha primeira palestra, daqui a uma semana, em Filadélfia.

A sério?

Disseram-me que estará na cidade, nessa altura.

É verdade.

De volta para Dixie?

Exacto!

Como está tão apaixonado por mulheres e pelas ideias delas,

talvez goste de ouvir uma que tem realmente algumas ideias.

A reunião é pública, e é muito bem-vindo.

Acredite ou não, Miss Hazard...

...desde que sou amigo do seu irmão,

fiquei muito interessado no ponto de vista do Norte.

Consideraria um prazer ouvi-la a discursar.

Oh, Orry! Afinal, estás aqui!

Eu, quer dizer, nós gostaríamos de te pedir uma coisa.

É um convite para ti e para toda a tua família

para nos visitarem em Belvedere, no próximo Verão, durante mais tempo.

O nosso lago é encantador, nessa época do ano.

Parece-me maravilhoso, minha senhora.

Em nome de todos os Main, aceito com prazer.

Mãe...

...temos de avisar os arquitectos

para construirmos os aposentos dos escravos nas traseiras.

Virgilia!

-Lamento imenso. -Mãe, já sabe que o melhor a fazer

quando a Virgilia fica assim é ignorá-la.

Acho que é uma excelente oportunidade

para o padrinho fazer um brinde aos noivos.

Seria um grande prazer.

SEDE ABOLICIONISTA, FILADÉLFIA, UMA SEMANA DEPOIS

ACABEM COM A ESCRAVATURA

-Boa noite. -Deputado Greene, Pensilvânia.

Um líder do nosso movimento, Mr. Gerritt Smith.

Muito prazer. George Hazard. A minha esposa Constance.

-Encantado. -E o nosso amigo Orry Main.

-Hazard da Hazard Iron? -Exacto!

Então, deve ser da família de Miss Virgilia.

É a minha irmã. Os cavalheiros conhecem-na?

Ela é a razão da nossa presença. Deve estar muito orgulhoso dela.

Orgulhoso?

Com certeza.

Ela fez maravilhas pela nossa causa.

Uma trabalhadora incansável com uma energia enorme

para igualar a sua extraordinária beleza.

Se conseguir expressar publicamente o que ela sente no coração,

os dias da escravatura estão contados a partir desta noite.

Senhoras e senhores, bem-vindos e boa noite.

Tenho a honra de lhes apresentar...

...um homem, cujo sofrimento e vivências pessoais

simbolizam e personificam a malvada e diabólica instituição da escravatura

que a Natureza e todos os homens decentes odeiam.

Um homem, livre finalmente pela graça de Deus,

que sofreu literalmente as crueldades e as torturas dos malditos,

nas mãos dos monstros humanos que o mantiveram em cativeiro.

Mr. Frederick Douglass.

Obrigado, caros amigos.

Eu estou...

...muito contente por estar aqui.

Estou muito feliz...

...por juntar a minha voz à daqueles com que trabalhei

com o propósito de aliviar os fardos dos meus irmãos

e apressar o dia da sua emancipação.

Caros amigos, a escravatura tem de ser abolida

e a única maneira de fazê-lo

é reiterando os grandes princípios da Justiça.

Inutilmente, fala-se em rejeitá-la.

Mesmo contando esses milhões de votos, não terão eliminado o Mal.

Já aprofundou as suas raízes no coração da Nação,

e só a verdade e o amor de Deus poderá purificar esta terra.

Peço-lhes... Não, imploro-lhes...

...para analisar a operação prática do comércio de escravos da América,

mantido pelos políticos americanos e pela religião americana.

Verão homens e mulheres levados para o mercado como porcos!

Conduzidos de modo a entupir as auto-estradas da Nação!

Conduzidos por homens armados com pistola, chicote e faca do mato!

Reparem na rapariga de 1 3 anos que está a chorar. Sim, a chorar...

...quando se lembra da mãe de quem foi separada à bruta!

No leilão de escravos, os homens são examinados como cavalos.

E as mulheres são expostas, de forma cruel e vergonhosa,

para delírio dos compradores de escravos americanos.

E não se esqueçam dos soluços que emanam deste grupo...

...quando são vendidos...

...e separados para sempre.

Digam-me, caros cidadãos,

em que lugar deste mundo de Deus

conseguem encontrar um espectáculo mais perverso e chocante como este?

Bravo! Bravo!

Agora, tenho o grande prazer

de apresentar um membro novo e incansável da nossa organização,

que escolheu destemidamente o caminho do trabalho de Deus.

Apresento-lhes Miss Virgilia Hazard.

Caros amigos...

...há um aspecto da escravatura...

...tão imundo...

...tão absolutamente perverso que até os que estão neste palanque

estiveram relutantes em abordá-lo.

Confesso-lhes que tenho vergonha e indignação de estar aqui...

...uma cristã honrada a falar para uma audiência de companheiros,

forçada a falar publicamente de um pecado...

...tão vil...

...tão cruel e corrompido.

O odioso sistema do Sul

depende da perpetuação da sua mão-de-obra gratuita.

Então, senhoras e senhores, de onde vêm os novos escravos,

quando os idosos e doentes trabalham até à morte?

São espancados até à morte.

Ora! Vêm da própria escravatura.

Pois a verdadeira colheita de uma plantação do Sul

é uma colheita humana!

Sim, meus amigos, as plantações do Sul

não passam de viveiros de negros!

Ela é uma ofensa para as mulheres no movimento abolicionista.

Grandes bordéis geridos por uma aristocracia corrupta!

Homens que, por luxúria, impõem as suas paixões animalescas

sobre os corpos indefesos das mulheres e crianças que mantêm aprisionadas!

No Céu, Deus insurge-se contra estes demónios tresloucados

e todos os corações humanos decentes gritam contra este insulto moral: não!

Não!

-Não! -Não! Não!

Não! Não! Não!

Não! Não! Não!

Orry, ela não fala em nome de todos.

Não em teu nome, mas de todos os que cá estão.

Não pode sair durante o discurso de Miss Virgilia.

Receio que tenha um comboio para apanhar...

...para a Carolina do Sul. Tenho de ir criar uns negros.

Miss Hazard. Com licença...

Minha senhora...

...esteve magnifica.

Não há palavras para descrevê-lo.

Obrigada, Mr. Greene, só disse o que me vai no coração.

Disse coisas que nunca tinham sido ditas,

que precisavam de ser ditas, e a paixão do seu discurso...

...a sua apresentação física, comoveu-me profundamente.

É uma honra ouvi-lo dizer isso.

A honra foi toda nossa.

Gostaria de saber...

...se aceita jantar comigo

para continuarmos a discutir a minha reacção?

Tomei a liberdade de pedir um pequeno repasto.

Estou muito agradecida pela sua aprovação,

mas recordo-me que o senhor é um homem casado.

O meu estatuto de casado não deve ser um obstáculo...

...à causa da liberdade.

Nem é, Mr. Greene.

Mas a liberdade deve estar sempre associada à responsabilidade,

como os nossos fundadores tão adequadamente dizem.

Talvez noutra ocasião...

...quando o senhor for livre.

Miss Ha...

Madeline!

Madeline!

Madeline!

Não respondes quando te chamo?

Desculpa, Justin, estava a dormir. Não ouvi.

Ouves muito bem quando as tuas escravas gritam, não é?

Já sei do teu último acto de misericórdia.

Só faço o que posso para ajudar.

Tens uma bela reputação por estas bandas:

Madeline, a piedosa.

Madeline, o anjo das pretas prenhas.

Justin, por favor!

Não quero que a minha mulher seja a parteira das minhas escravas!

Talvez prefiras arriscar perder as crianças.

Estás preocupada com as crianças, minha querida?

Sim, também estou preocupada com as crianças.

As minhas...

...as que não me dás.

Quero um filho.

Quero um filho meu, nada mais.

Raios partam, mulher! Olha para mim quando falo contigo!

Enquanto não me deres o filho que quero,

afasta-te daquelas pegas negras, ouviste?

Espero bem que sim!

Estarei de olho em ti.

Não te esqueças.

Passei por cá cem vezes, à espera de te ver aqui.

Também tentei manter-me afastada, mas não consegui.

Não passou um dia em que não pensasse em ti.

Madeline, deixa o Justin! Podemos fugir.

-Não suporto... -Não podemos. Não podemos.

Não deixarei que ele nos impeça.

Não o conheces. Perseguir-nos-ias como escravos.

Seríamos fugitivos, não teríamos direito legal ou moral.

Não me interessa os direitos! Só me interessas tu.

Divorcia-te dele, Madeline.

Não posso. Mesmo que o sugerisse, acho...

No meu coração...

...sou casada contigo.

E sempre o serei.

FUNDIÇÃO HAZARD

-Para trás! -Rachou!

Tira-me daqui!

Afastem-se do edifício!

Wiley, leva esses homens daqui! Arranja um local para os feridos.

-Vamos! -O que aconteceu?

Há homens a morrer lá dentro!

Vou buscá-los! Trata destes homens!

Não pode entrar lá dentro! É um inferno!

Socorro!

Socorro! Estou aqui! Ajudem-me!

Socorro!

-Está bem, Mr. Hazard? -Corre até à vila...

...traz os três médicos. Volta para aqui depressa!

Sim, senhor. Já mandei o August, mas eu vou pessoalmente.

-De certeza que não estás ferido? -Porquê, Wiley? Por que explodiu?

Pressão.

As protecções de ferro forjado, de reforço... Mandei instalá-las!

Sim, senhor, mas o Mr. Stanley cancelou a ordem.

Por que cancelaste a minha ordem, Stanley?

Não tínhamos encomendas. Não podíamos suportar os custos.

Não podíamos suportar? E podemos suportar os trabalhadores mortos?

Têm famílias que dependiam de nós, Stanley.

Famílias que acabaram de ficar sem maridos ou pais.

Vou tratar já das protecções. Vou repetir a ordem.

Não tens autoridade para isso.

Não tenho o tanas! Só tens autoridade no Banco.

Vamos instalar as protecções já e pagaremos $5000 de indemnização,

apesar de ser um mísero conforto, às famílias dos falecidos.

-Que loucura! Não farei isso! -É a única coisa decente a fazer

...e fá-la-ás, Stanley! Assinarás as notas de crédito!

Senão, venho cá com 1 00 operários e deixo-os convencerem-te!

George...

...Stanley...

...acabei de vir da fundição.

-Fiquei chocada com o que vi lá. -Eu sei, Mãe.

Este novo sistema não resulta. Não podemos dividir a autoridade.

Eu sei, e vou resolver esse problema.

Aprendi muito sobre a Hazard Iron desde a morte do pai.

Não particularmente porque quisesse,

mas porque a responsabilidade que tinha pela fundição me obrigou.

Que humilhação!

Parece que não tem confiança em mim.

Lamento que pareça isso, meu querido.

-Mãe... -Ao dar-te o controlo financeiro,

permiti que impedisses o George de fazer inúmeras melhorias.

Recusaste-te a usar carvão em vez de giz,

mesmo depois do George ter provado que o carvão era mais eficaz.

Recusaste-te a comprar equipamento novo ou reparar o velho,

e, agora, esta explosão horrível. Valha-me Deus!

A culpa não foi minha.

Vou tentar mudar, Stanley. Vou dar as finanças ao George...

-...para ver como evoluem as coisas. -Mãe...

...não me pode tirar isso também.

Tu e o George continuarão a ter o mesmo poder de decisão no resto.

A minha decisão está tomada. Não quero mais conversas.

Não te compreendo.

-Por que não és mais duro com ela? -O que posso fazer? Ela já decidiu.

Podias ter-lhe feito frente e não ter deixado o George espezinhar-te.

A Mãe diz que temos poderes iguais.

A tua mãe diz que temos poderes iguais.

Só que o George tem o dinheiro, o que significa que tem o poder.

-O que podemos fazer? -Nada...

...a não ser esperar

e aguardar o momento para voltarmos à mó de cima.

-Pode demorar anos. -Porque não foste homem, agora!

Teremos a nossa oportunidade.

Recuperaremos tudo o que o teu irmão George nos roubou.

Ele e a sua pega irlandesa.

Hão-de arrepender-se.

Arrepender-se a sério.

5 ANOS DEPOIS

Caros amigos, ao entregarmos a alma de Tillet Main a Deus,

temos de recordar estas palavras:

''Na casa do meu pai, há muitas mansões.

Se assim não fosse, ter-te-ia dito.

Tenho de reservar um lugar para ti. ''

E eu sei que o Senhor reservou um lugar especial para Tillet Main.

A família dele não deve chorar.

As adoradas filhas, Brett e Ashton, têm de recordá-lo nos seus corações

e rejubilar-se por este bom homem, este pai e marido dedicado...

...estar junto ao Senhor e Salvador para todo o sempre. Ámen.

Mãe, devia dormir.

Logo durmo, Orry.

O pai preferiria que cuidasse de si.

Ainda não acredito que ele morreu.

Ele gostava muito de ti.

Eu sei.

Receio que ele nem sempre soubesse demonstrá-lo.

Meu Deus, vou sentir tanta falta dele.

Eles gostam de ti.

Não querem saber de mim. Tratam-me como um estranho.

Se não fosse o meu apelido de família, nem me teriam aqui.

Sou um estranho, eu sei disso.

Mas sangue é sangue.

Seria de esperar que honrassem isso.

Um primo é um primo,

mesmo que os pais sejam pobres.

Proporcionaram-te um lar.

Belo lar!

A velha Clarissa trata-me como uma criança.

Orry, o grande senhor, é tão distante como um rei. Deve ser como se vê.

Não me liga nenhuma.

Pertenço tanto à família como tu.

Sou como mais um dos escravos deles. Mais valia que fosse.

Talvez não gostes dessa situação.

Não, não gosto.

És a única que compreende, Semiramis.

É claro que compreendo.

Fui escrava toda a vida.

Não quer dizer que goste.

Lamento que tenha de ser assim.

É melhor voltares para casa.

Está a fazer-se tarde.

Mr. Orry.

Começou a trabalhar muito cedo hoje.

Prefiro resolver os problemas difíceis bem cedo. É por isso que vim.

A sério?

Vou dispensá-lo do seu cargo, em Mont Royal.

Receberá um mês de salário e o cavalo que escolher.

Porquê?

Nunca gostei de si nem da sua forma de trabalhar.

A sério?

E porquê? Dei sempre o meu melhor.

-O seu pai nunca se queixou. -Não sou como o meu pai.

Tenho de fazer o que parece melhor para mim.

Roubar o lugar a um homem que trabalhou como um negro...

-Não vale a pena irritar-se, Mr. Jones. -Não.

O que não se faz com trabalho árduo, nunca se fará com paleio.

Mas lembre-se, há-de chegar o dia, em que se arrependerá do que me fez.

Prometo-lhe.

Não creio.

Passe bem.

Semiramis, volta aqui!

Taberneiro, mais uma rodada.

Ora viva! O que temos aqui além de uma cambada de bêbados?

Mais três para aumentar a companhia, Salem.

Esquece, Graves, ficará com o nosso dinheiro.

Três Barbados. A medida cheia.

Não arranjo maneira de me livrar desta tribo.

O que disse, Salem?

Não é da sua conta. Não meta esse nariz de Main onde não é chamado.

Está a insultar a minha família.

A sua família?

É isso que lhes chama?

Não é isso que lhe chamam.

Também não morro de amores pelo lado da família de Mont Royal,

mas já falei com alguns escravos sobre si, Mr. Jones.

A verdade é...

...que o defendo.

Disseram que não era digno de dormir com os porcos.

Mas eu disse que era.

Uma arma. Ele está armado!

Quieto!

Vocês os três!

Saiam daqui! Toca a andar, vá lá!

Vá lá, Salem! Ouviu o que eu disse.

O xerife irá visitá-lo de manhã por causa disto.

Francamente, Charles! À luta na taberna como um lavrador vulgar!

Qual é o problema?

Não tens orgulho em ti, já para não falar em nós?

Sendo justo com o rapaz, foi o Jones que começou.

Não serve de desculpa.

Um cavalheiro não se rebaixa para lutar com um bruto como o Jones.

És uma vergonha, Charles.

Não és meu pai! Não gostas de mim, ninguém gosta!

E estou-me nas tintas para o que dizes!

Inspira.

Já deve estar suficientemente apertado, Ashton.

Como sabes? Ainda és uma criança.

Não há renda que disfarce a tábua que és. Agora, puxa!

Por que tens de falar sempre assim?

Bem, é verdade.

Além disso, os bebés são amorosos.

E tu tens uma bela pele de bebé

e usas esses cueiros amorosos,

e continuarás provavelmente a ser amorosa,

quando fores uma velha solteirona.

-O primo Charles. -Ele está a chegar.

Voltou a passar a noite fora.

Gostas dele, não gostas?

Só finjo que gosto para o pobre órfão se sentir em casa.

Fui muito simpática para ele uma vez, e sabes o que ele disse?

-O que teve a lata de me dizer? -O quê?

Disse: ''Mantém-te à distância, querida prima. Eu conheço-te.''

Quero lá saber!

Em breve, estará morto.

Morto? Que conversa é essa?

Onde pensas que ele esteve toda a noite?

A cortejar a Sue Marie Smith.

Mas ela está noiva do primo Whitney.

Claro que está, idiota!

E o primo Whitney matará o Charles por isto.

Embora ele devesse matar a Sue Marie.

Os homens dizem que os saiotes dela são muito rodados.

É claro que não sabes o que isso significa, mas eu sei.

O que pretende exactamente, Mr. Huntoon?

Procuro a aprovação do seu generoso coração.

Em suma, peço a sua gentil permissão para cortejar oficialmente a sua filha.

A minha filha?

Não, senhor. Raios! Enganei-me.

A sua irmã. A Miss Ashton, caro senhor.

Tem a certeza do que está a fazer, Huntoon?

É o meu amor que me guia.

Venero o chão que ela pisa.

Disse alguma coisa que não devia ter dito?

Bem, é tudo uma questão de perspectiva.

Pronto! Estou tão apertada como um tambor.

Quando é que tu e o James Huntoon vão anunciar o noivado?

O que te faz pensar que o faremos?

Se assim não for, por que razão está lá em baixo,

a pedir autorização ao Orry para te cortejar, se não têm intenção...

Ele tem todas as intenções, rapariga.

Sei lá o que um homem tão velho pensa!

Ele tem mais de 20.

Eis o que sinto por ele.

Não te rias. É verdade.

Não suporto aquela cara inchada, aqueles olhinhos vesgos...

...e aqueles beijos traiçoeiros.

Beijos?

Já o deixaste beijar-te?

Só uma pequena amostra do mel, minha querida, para adoçá-lo.

Mas se nem sequer gostas dele, como conseguiste?

O que é que ''gostar'' tem a ver com o caso?

Toda a gente diz que o James há-de ser muito importante.

Uma donzela nunca tem homens importantes suficientes a cortejá-la.

Oh, Ashton! Nunca consegues falar a sério?

Mas estou.

Ora! Até sou capaz de casar com o piegas do James.

Quer dizer, se descobrir alguma vantagem nisso.

Em suma, tenho a ousadia de me considerar qualificado.

Talvez altamente qualificado para me oferecer como candidato...

...à mão da sua adorável irmã.

''Oferecer-te'' é uma boa escolha de palavras.

Talvez já me tenha desprezado por alguma razão?

Não, James, não o desprezo de modo algum.

Espero que não.

Como sabe, sou o advogado mais novo da Carolina do Sul.

Sou perito em Direito Civil e um seguidor do nobre John C. Calhoun.

Desde que ele morreu, comecei a aspirar a um alto cargo político,

para que possa continuar a grande obra dele.

E há aqueles que acham que o meu objectivo não é impossível.

Com licença.

Orry, preciso de falar contigo imediatamente.

Se nos der licença...

Então, posso considerar que sou bem-vindo em Mont Royal?

Pode. Deus o acompanhe e guie. Vai precisar disso.

Obrigado. Não precisa de me acompanhar.

Desta vez, foi de mais. O teu primo Charles está numa alhada.

Tens de vir.

Por favor, diga o que pretende.

O meu nome é Mr. Smith Dawkins.

E sou o representante e parente de Mr. Whitney Smith,

que, ontem à noite, encontrou o Mr. Charles Main desta plantação

a namoriscar a noiva dele, Miss Sue Marie Smith.

Os cavalheiros discutiram e entretanto o Mr. Main

deferiu um golpe forte no Mr. Smith.

Por conseguinte, o Mr. Smith...

...exigiu satisfações.

Em consequência disso, vim cá tratar de tudo.

Vai ser o padrinho do Mr. Main?

Claro que não!

O Mr. Main é novo de mais para travar duelos. Ademais, é ilegal!

Tem idade suficiente para cometer tal ofensa de forma adulta.

E como sabe muito bem,

o duelo é uma prática comum, apesar da lei da Carolina do Sul.

Agora, se me indicar o padrinho do Mr. Main.

Melhor ainda, o próprio Mr. Main.

Teria todo o gosto, mas não sei onde ele está.

Está determinado a continuar esta farsa?

O Mr. Whitney Smith não a considera uma farsa.

-Nem considerará o seu parente. -Que se dane!

-Serei o padrinho dele. -Prometemos uma discrição total.

Não haverá testemunhas além da família.

No caso da família Smith, serão na ordem das centenas.

Tentaremos impor o limite de 1 2.

E tem de me dar uma garantia semelhante.

O local será a clareira de Six Oaks.

A hora: terça-feira de manhã, ao nascer do sol.

As armas...

...as pistolas de duelo tradicionais.

Partindo do princípio, é claro, que concorda com o estipulado.

Não concordo. Com nada, aliás.

Mas aceito.

Passe bem.

Puseste fim a esta loucura?

Onde está aquele maluco?

Um, dois, três, quatro, cinco...

...seis, sete, oito, nove, dez.

Já estás morto.

Só preciso de praticar.

Isso e perceber o que estás a praticar.

O Smith Dawkins acabou de sair daqui. Tens até terça para te salvares.

-O que tens a ver com isso? -Não quero ser mais desonrado.

-Acabei de me tornar teu padrinho. -Porquê? Não é da tua conta.

-Não tenho medo daquela florzinha... -Mas devias ter.

Ele irá matar-te certamente, tão inapto que estás.

-Ele já matou alguns homens. -Eu dou conta do recado.

Mas não consegues. Isto não é uma das tuas lutas campestres, Charles.

Trata-se de um duelo, teoricamente entre cavalheiros.

Será travado com regras. Regras severas.

És um Main, Charles. Ouviste?

És um Main.

Não quero que morras e manches o nome da família.

Se há razão para não me rebentarem os miolos, deve ser essa.

Agora, vou ensinar-te a atirar e a ganhar.

Só temos 72 horas.

Primeiro, vamos arranjar uma pistola boa. Anda, monta o teu cavalo.

...quatro, cinco, seis, sete...

...oito, nove, dez.

Não!

Estás a apressar o alvo e continuas a disparar ao lado.

Charles, o medo torna-te apressado.

E a pressa levar-te-á para a cova. Meticuloso. Sê meticuloso! Outra vez.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis...

...sete, oito, nove, dez.

Perfeito! Agora, outra vez.

Exactamente o mesmo que há pouco até ser inato.

Nós ainda podemos salvar a tua vida.

Obrigado por dizeres ''nós''.

Não comeces com lamechices. É um pouco cedo para isso.

Eu sei que estás assustado,

mas isso só te beneficia.

Aquele convencido...

...é estúpido de mais para ter medo... ainda.

Olha para ele.

Não despe o casaco.

Ele prefere a aparência à vida, e como não está preocupado,

pode não tomar o cuidado suficiente.

Tu vais tomar.

Não te esqueças, não te precipites.

Sê calmo, meticuloso e acabarás com ele.

És um Main!

Um, dois, três, quatro...

...cinco, seis, sete...

...oito, nove, dez!

Tens de...

Tens de te levantar, Whitney.

Levanta-te!

Reconhece a homenagem. Estão a aplaudir-te a ti.

-A mim? Mas aquela é a família dele. -E o homem provou ser um cobarde.

Estão a mostrar a admiração deles pela tua coragem

e pela tua generosidade por não o teres matado.

Mostraste todas as qualidades...

... de um cavaleiro da Carolina. Estou orgulhoso de ti, Charles.

Um brinde à vida!

Graças a ti.

Devo-te uma.

O tempo, a preocupação que demonstraste por mim...

Sem ti, ele ter-me-ia matado de certeza.

Provavelmente.

Mas o que fizeste, foi feito por ti.

Antes, quando eu lutava, todos reprovavam.

Orry, por que é tão diferente?

Regras, Charles.

Há um código de honra rígido e claro entre os cavalheiros

que deve ser respeitado.

Até numa luta. Principalmente numa luta.

Orry, eu quero isso.

Ser um homem honrado.

Como tu.

Achas...?

Há alguma hipótese...?

...de eu poder ir para West Point?

Nunca passarias nos exames de admissão, neste momento.

Tens inteligência, mas não tens formação.

Mas se estiveres a falar a sério...

...posso arranjar-te um professor.

Nunca falei tão seriamente na minha vida.

São simplesmente lindíssimos.

E estas são o meu maior orgulho. Levei anos a cultivá-las.

São as preferidas da Mãe.

Acho que é o jardim mais bonito que alguma vez vi.

Deve ser. A Mãe trabalhou como uma escrava.

E aqui temos as minhas roseiras trepadeiras.

Tenho tentado moldá-las em padrões.

Virgilia, minha querida, podes ir ver se o chá já está pronto?

O gato do padre é um gato activo.

-O gato do padre é um gato zangado. -O gato do padre é um gato terrível.

-O gato do padre é um gato astuto. -O gato do padre é um gato lindo.

-O gato do padre é um gato tímido. -O gato do padre é um convencido.

O gato do padre é um gato falador.

Ainda estás chateado por a Carolina do Sul querer separar-se?

Podes crer que estou! Não estás?

Acho que não vão voltar a tentar.

Se tentarem, não será como se fôssemos dois países distintos.

É exactamente assim que será.

Orry, tenho alguns vizinhos aqui que já não discutem...

...a escravatura e os direitos humanos.

Começam a odiar os sulistas.

Também ouço isso na Carolina do Sul.

Os meus vizinhos também não gostam dos ianques.

George, não é a maioria. São só os fanáticos.

Espero que tenhas razão,

porque se a Carolina do Sul se separar, muitos estados farão o mesmo.

E todos teremos de escolher um lado.

O teu Charles é um jovem extraordinário.

Já é a imagem típica de um cavalheiro sulista.

No próximo Outono, ele e o Billy irão para Point.

-Amigos como nós fomos. -E quando eles saírem de lá?

Pelo menos, pudemos lutar do mesmo lado.

Dificilmente parece possível.

Se virares o barco, também vais parar à água.

Onde vais?

Bem, talvez ainda haja esperança para o Norte e para o Sul.

Pelo menos, para aqueles dois.

E ele pisou-me, quando estávamos a dançar!

Oh, Ashton! Tenho de confessar...

Acho-o tão bonito.

O Billy?

Há-de ser.

É claro que, ao lado do Charles, quase todos parecem bonitos.

É a rapariga mais bonita que vi na minha vida.

E capaz de te meter na pior alhada.

Confia em mim e mantém-te à distância.

A Brett é a mulher ideal para ti.

Olha bem para ela.

Billy, vem cá imediatamente!

-Preciso de ti. -Vou já!

O que estás a fazer?

Bem, Billy, estou aqui...

... e estou à tua espera.

Ashton.

É para onde está o vento.

Esquece, minha linda!

Ele vai cansar-se rapidamente dos joguinhos dela.

Anda, vamos dar um passeio. Tu e eu.

A Lei do Escravo Fugitivo devia ser revista.

Mudá-la é só mais um esquema para satisfazer o Sul.

Meu Deus! Sinto-me tão perdida, quando começam a falar disto.

Então, deve informar-se, Mrs. Main.

Deus sabe que não obteremos a verdade dos nossos homens.

Foi uma tarde tão agradável, Virgilia.

A lei como está, Mrs. Main, tiraria os casos dos escravos fugitivos

dos diferentes estados e levá-los-ia para as mãos do Governo federal.

Mas isso não beneficia os fugitivos?

Parece que sim, e esse é o mal.

Pela lei, os caçadores de escravos podem entrar nos estados livres

para capturar escravos fugitivos,

apesar de esses estados garantirem a liberdade aos escravos.

É muito pior do que antes.

Os nossos deputados só tentam preservar a União.

Os nossos deputados só servem os senhores do Sul.

Já chega, Virgilia!

Estamos aqui para nos divertirmos.

Se não gostas dos Sulistas, Virgilia, por que razão...

-...nos convidaste a vir cá? -Ashton, senta-te e comporta-te!

Não, eu vou responder à rapariga.

Eu não os queria aqui, mas não fui consultada.

Mas já que aqui estão, podem aproveitar para saber a verdade.

A verdade, Miss Virgilia?

Que verdade é essa? A mesma que proferiu em Filadélfia? Como era?

-Demónios perversos sulistas? -Negue, se se atrever.

Apregoá-lo-ei aos sete ventos.

Os donos de escravos não passam de chulos!

Lamento, George, mas acho que está na hora de irmos embora.

Não, por favor.

Virgilia.

Pede já desculpa aos nossos amigos.

Os teus amigos, George.

Para mim, o modo de vida deles é hediondo e errado.

Muito bem.

Podes dizer aos teus amigos que não precisam de ir embora.

Terei todo o gosto de ficar no meu quarto até ao fim da visita,

para não ter de olhar para as caras deles nem ouvir estas malditas vozes do Sul!

Orry, e todos vocês,

por favor, não deixem que a Virgilia arruíne o nosso primeiro Verão.

Por favor, fiquem connosco.

Mãe?

Está bem. Está bem, George. Ficaremos.

Obrigado, George.

George...

...tenho estado a pensar numa coisa.

Lembras-te da primeira vez que cá estive? Visitámos a fundição...

-...e falámos de uma fiação. -Sim.

Obrigaste-me a mostrar todas as peças que fizemos para a fiação têxtil.

George, ainda acho uma boa ideia, talvez melhor do que nunca.

Como assim?

Neste momento, cada onça de algodão

tem de ser enviada para o Norte ou para Inglaterra.

Imagina se houvesse uma fiação na Carolina do Sul.

Imagina... consegues imaginar-te...

...a ser capaz de fabricar o algodão onde é plantado?

Consigo imaginar isso.

Se fôssemos sócios iguais no negócio.

Espera, George! Só estava a pedir um conselho, não dinheiro.

Eu sei, mas lembras-te da última vez que falámos sobre isto?

Disse-te que a Hazard Iron devia fabricar as peças.

Agora, posso fazer mais do que isso. Tenho algumas poupanças.

Parece um excelente investimento.

Não sei o que dizer, é muito melhor do que esperava.

Só tenho uma condição.

Sem mão-de-obra escrava.

Combinado.

''Main e Hazard. ''

Soa bem, não soa?

Quase tanto como ''Hazard e Main''.

Tens a certeza absoluta de que o George disse isso?

Uma fiação de algodão na Carolina do Sul?

Disse-lhe que era uma ideia idiota, mas...

...o dinheiro é dele.

E é a nossa salvação.

Imagina o George ser tão estúpido para investir no Sul.

Não compreendo. Como é que isso nos ajuda?

Pensa um pouco, Stanley.

O George vai investir numa região que começa a pensar como um país rival.

Ora! Ele vai perder tudo neste negócio insensato.

Que melhor maneira para provar à tua mãe

que ela cometeu um erro terrível.

E que devias ser tu a gerir a Hazard Iron?

Estão tão maduras, Billy.

Olha só para elas!

Parecem deliciosas.

Guardei-as só para ti.

Vou dar-te uma.

Foi bom, Billy? Queres mais?

Sim.

-Dou-te mais, se quiseres. -Sim.

Por que não ficas com todas? Por que não ficas com tudo?

Ashton, não!

Não podemos.

-Quer dizer, o teu irmão. -Esquece-os! Ninguém irá saber.

Ashton, não.

Eu quero, mas não.

Não posso, percebes?

Então, esquece!

-Vou para casa. -Ashton.

Não fiques zangada, por favor.

Eu gosto de ti.

Gostas de mim?

Se gostasses de mim, Billy,

não serias um maldito cavalheiro!

Eu desenrasco-me sozinha, muito obrigada.

Espero que não estejas zangada comigo.

Mas podes crer que estou!

Não te queria ofender.

Foi um Verão maravilhoso. Não tenho palavras para agradecer.

Pelo contrário, devíamos agradecer-lhes por terem vindo.

Eu e o Orry queremos que venham todos à Carolina,

assim que tiverem tempo. Insistimos muito.

Ela é muito determinada, quando toma uma decisão, Mrs. Hazard.

Portanto, tem de aceitar.

Muito bem! Em nome de todos...

-...aceito o vosso gentil convite. -Mont Royal aguarda-os.

Mais uma vez, o nosso sincero agradecimento.

-Main e Hazard? -Hazard e Main.

Cuida-te, velho amigo.

Tu também.

Até ao nosso reencontro.

Adeus!

Adeus, Orry.

Adeus!

Sua pega, sua espia!

Como te atreves a seguir-me?!

Talvez tenhas ciúmes porque ela pode dar-me o que tu não podes!

Talvez te devesse levar-te para ali e mostrar-te como faço um filho

em qualquer pega desta plantação, menos em ti.

Metes-me nojo. És nojento!

Por mim, podes ficar aí, a apodrecer!

Thisbe!

Madeline.

Calma.

Vou matá-lo.

Meu Deus, ajudai-me! Vou acabar com ele!

Não digas isso.

Nem sequer penses nisso.

Não te posso deixar voltar para ele, Madeline.

Por favor, deixa-me mandar-te para longe.

Irei ter contigo, assim que puder.

Bem vês quão perigoso ele é.

Ele encontrar-me-ia.

Matar-me-ia.

Matar-nos-ia aos dois.

-Mas se ficares... -Tem de ficar tudo como está.

Ele ainda não sabe nada sobre nós...

...e nunca poderá saber.

Por favor.

Então, este é o lugar mais seguro para nós.

Ele nunca mais voltará aqui.

Isto nunca irá mudar nada entre nós.

Nada.

Sabes aquele quarto de que já te falei,

que servia de oficina ao albardeiro?

Como disse, é teu, se quiseres.

Bem, George, precisas de saber para que vai servir.

Não te podes zangar comigo...

...e tens de me criticar, se não aprovares.

Vais abrir um bordel.

Não brinques, George.

Escuta...

...quero que Belvedere seja um elo na luta clandestina.

Se os negros livres podem ajudar, George, nós também podemos.

Tu...

Queres dar abrigo a escravos fugitivos?

Sim.

É perigoso, Con.

Estás a violar a Lei do Escravo Fugitivo.

Se fores apanhada, vais para a prisão federal...

...no mínimo.

Eu sei.

Acredita, já pensei nos riscos,

mas, George...

Vem comigo. Quero mostrar-te uma coisa.

Os maus tratos eram constantes,

mesmo sem provocação.

Tornou-se insuportável, por isso, o Abner fugiu.

Conseguiu chegar aqui, através de amigos da rede.

Veio desde Raleigh.

Estás em segurança aqui.

-Quero que saibas isso. -Obrigado.

Admiro o que estás a fazer, Joel.

Ninguém pode saber, a não ser a Mãe.

A Virgilia não é de confiança e o Billy...

É demasiado jovem, eu sei.

Nunca ninguém pode descobrir,

senão, estamos condenados.

É claro que te apoio nisto.

Obrigada.

Sabia que o farias.

-Assim que visses. -Conheces-me bem de mais.

É o Orry, não é?

É nisso que estás a pensar?

Cá estamos nós...

...sócios num negócio,

e estou a ajudar pessoas que ele considera uns criminosos.

Mas não são criminosos, George.

E alguém tem de ajudá-los.

As ideias do Orry fazem parte do legado dele.

Serão precisas gerações para mudá-las.

Quando formos a Mont Royal, daqui a duas semanas,

verás como ele foi criado, as coisas em que acredita.

Vai ser um grande choque para algumas pessoas da nossa família.

Ainda bem que a Virgilia não vai.

George, ela disse-me que queria ir.

Aliás, ela pediu-me para te falar nisso.

Bem, podes dizer-lhe que a resposta é não.

George, não podes proibi-la.

Depois do que ela fez quando os Main nos visitaram, claro que posso!

Ela parece sinceramente arrependida disso.

Ademais, toda a família foi convidada e a Virgilia diz que está incluída.

Pensou-se que ela não iria.

A Virgilia sabe disso.

O Orry é demasiado educado para impor condições.

Pensa assim, George.

Se calhar...

...só se calhar, o Stanley e a Isabel não vão, se a Virgilia for.

E isso não seria uma pena enorme?

George, posso ir?

Só não compreendo por que queres ir, Virgilia.

Odeias o Sul e todos os sulistas, pelo menos, é o que dizes.

Estás sempre a dizer que todo esse ódio se baseia na ignorância.

Estou disposta a admitir que posso estar enganada.

-Nunca saberei, se não for lá. -Levar-te para a Carolina do Sul

é como levar uma chama para uma fábrica de pólvora.

Prometo portar-me lindamente.

Aquele homem é o meu melhor amigo, Virgilia.

Nada de falar em abolicionismo, liberdade nem nada que possa ofendê-lo.

Palavra de honra!

Até juro com a mão na Bíblia, se quiseres...

Está bem. Deste-me a tua palavra de honra.

Tenho de aceitá-la. Podes ir.

-Óptimo! Vou fazer as malas. -Espera um pouco!

Vem cá!

A Bíblia está ali.

-Adeus, Mrs. Walker. -Adeus!

Legendagem: SDI Media Group

[PORTUGUESE]

:: Ressincronização ferneiva ::

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