All language subtitles for The Irregulars - 1x05 - Chapter Five Students of the Unhallowed Arts.WebRip.pt

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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Olá!

Passa-se alguma coisa?

O que se passa?

Patricia Coleman Jones!

Venha comigo se quiser viver.

Entrem no portão.

Fechem as portas!

- Quem é? - Ajude-me com a chave.

Porque me tentam magoar?

Não sabemos. Pensamos que estão sob uma forma de hipnose. Rápido!

- Temos de ir. - John, espera!

Céus!

Temos de ir ter com o Sherlock.

Obrigada. São muito amáveis.

Estão todos, sem dúvida, cientes da série de ataques horríveis

a colegas meus no West End, esta semana.

Esta atuação é dedicada a eles.

Vem para mim

Na noite, meu querido

Não me podes provar

Que podemos vencer

As nossas mágoas

E as nossas desgraças

Os ventos de amanhã

Não vão soprar

Sherlock Holmes.

Junte-se a mim no palco.

Gostou da minha canção?

Sim.

Ótimo.

Porque preciso que me faça algo.

Preciso que tire a sua própria vida.

Sim.

- Sherlock, não! - Desculpe.

Não sei o que disse.

Pareço ter um pouco de cera nos ouvidos.

Não se mexa. Aqui está.

- Seu grande sacana! - Quando soubeste?

Não sabia. Estava a ser cauteloso.

Para com isso! Eu não vos queria pôr em perigo.

Tentava ser um bom amigo.

- Chegaste à atriz a tempo? - Ela está bem.

Pois está.

Acho que seria um pouco rude não lhes fazer a vénia.

- Hieracium snowdoniense. - O quê?

- Hieracium snowdoniense. - Sente-se.

Não.

Preciso de...

De ir à casa de banho?

Vou buscar-lhe uma arrastadeira.

A Sra. Hudson diz que o quarto está na conta, mas tem de...

CAPÍTULO 5: OS ALUNOS DAS ARTES PROFUNDAS

Obrigado por não me levares de volta ao 221B.

Foi a única coisa que disse que percebi.

Sabe quem sou?

Obrigado.

- Por me ajudares. - Vamos esclarecer algo.

Estou-me nas tintas para si.

Cuido de si porque quero informações sobre a minha mãe e a Fenda.

Como te atreves a falar-me assim?

Dou-lhe cinco minutos para acordar.

Este chá é Darjeeling.

E depois?

A asa da chávena cheira a levedura de cerveja.

Pode ter sido preparado por alguém que trabalha no bar.

Talvez a Sra. Hudson.

Compra as mercadorias por atacado

na mercearia do Saheed Anand, na Emerald Street.

Ele é bengali e o Darjeeling é de Bengala Ocidental.

Junta a isso o corpo leve médio do chá...

CHÁ ASSAM

...e o sabor suave, mas doce, e a imagem fica completa.

É Assam.

Bom dia.

O que fazes fora da cama?

Fica quieto. Deixa o teu corpo descansar.

- Como está o teu lado? - Está dorido.

Achei que as podia limpar.

Está tudo bem. Desculpa.

- Posso fazê-lo. - Quem te fez isto, Leo?

Já te disse, fi-lo a mim mesmo. Caí.

Então, porque estás sempre a olhar para a rua? Andam atrás de ti?

As pessoas do sítio onde eu estava não queriam que eu saísse.

Por isso, fugi. Não te posso dizer mais que isso.

Não podes? Ou não queres?

- Beatrice, não vou voltar... - Descansa, está bem?

Volto mais tarde.

O erro que cometi com o chá há bocado...

O Assam Superb terá vindo dos aposentos privados da Sra. Hudson.

Eu já devia saber, dado que guarda o melhor chá para si mesma

e para as visitas mais distintas.

Não costumo cometer erros, mas, quando cometo, gosto de os admitir.

Porque é tão obcecado por chá?

É que... Tens a impressão errada de mim.

A sério?

Esta manhã, passei uma hora a limpar o seu mijo do soalho.

- Que impressão queria que eu tivesse? - Não sabes quem sou.

As coisas que fiz. As pessoas que salvei.

Porque não me esclarece?

Fui o mais jovem de sempre

a ser recrutado pela Scotland Yard como consultor.

- Foi como conheceu o médico? - Não.

Eu e o John conhecemo-nos quando nos tornámos colegas de casa.

Foi arrastado para a minha primeira investigação,

o caso de Jefferson Hope.

Talvez tenhas ouvido falar dele.

Não.

Estou surpreendido. Foi amplamente relatado.

Após esse primeiro sucesso, concordámos formar uma agência juntos,

mas depois as coisas mudaram.

Como foi que o John o descreveu?

"Uma escuridão chegou a Londres."

E tal como tu e os teus amigos, tentávamos descobrir a razão.

No início, era só eu e o John, mas cedo percebi que precisávamos de ajuda.

Não é que não precisemos,

mas recrutar uma quiromante de Limehouse

não parece ser a melhor linha de ação.

O que tens contra Limehouse, John? Toda a vida está aqui.

Podias aprender umas coisas.

Além disso, segundo o Mycroft, ela tem o dom.

Precisamos dela para descobrir o que está por trás disto.

Preocupa-me trazer alguém desconhecido.

Não parece profissional. O inspetor Le Villard não o faria.

- Não faças isso. - O quê?

Sabes o quê. Sempre que faço algo que não gostas,

tu dizes: "O inspetor Le Villard não o faria."

John, não lidamos com ladrões de pérolas

nem amantes cornudos que se tentam envenenar um ao outro.

Ontem, um adulto transformou-se em rato

à nossa frente e tentou arrancar-te a cara.

Temos de descobrir de onde vêm estes monstros.

Lidamos com crimes especiais

e, como tal, temos de recrutar especialistas.

Especialistas?

Nunca aceitei um caso que não tenha resolvido,

e este não é diferente.

E quando tudo acabar, escreve sobre isso.

Assim, torno-me tão famoso

que dirão ao inspetor Le Villard:

"O Sherlock Holmes não faria isso."

Estamos nisto juntos.

Por isso, se não queres que fale com ela, então, não falo.

Esse corte fica-te bem. Faz-te parecer muito austero.

Vai-te embora.

Olá. Como te chamas?

Beatrice?

Beatrice!

Bem-vindo.

Desculpe.

A minha chefe traz as filhas para o trabalho e beberrica o dia todo no bar.

- Faça favor. - Chamo-me Sherlock Holmes.

É importante que confie em mim. Nunca tem de me mentir.

- Porque faria isso? - A miúda tinha um remoinho duplo.

Tem um remoinho duplo. Além disso, e perdoe-me por ser tão direto,

cheira vagamente a leite materno.

Estas coisas estão presentes e sugerem que é a mãe da miúda.

Mas não tem a aliança no seu dedo anelar,

o que sugere a motivação para a mentira.

- Veio por causa do homem rato. - Como sabe dele?

Não é o único que é dotado, Sr. Holmes.

Jess.

O Sherlock fala da mãe. Tens de vir ouvir.

- O que disse sobre ela? - Que era cativante.

Claro. Olha para mim e para ti.

Vou ficar aqui.

Os meus pesadelos podem indicar a Fenda, disse o Homem de Linho.

Vou esperar para adormecer. Espero entrar num.

Nos pesadelos, os túneis vão dar a uma caverna enorme.

Onde estão as coisas sombrias.

Vou voltar lá.

- Tens a certeza? - Tenho de o fazer.

Estás a ouvir? Topa-as.

O que têm?

Bill. Não és um tipo feio.

Sim, tens orelhas um tanto grandes e és um pouco troglodita.

- Quanto à personalidade, és intenso. - Pronto.

Tens de voltar à atividade. E já.

Antes que a tua pila se demita.

Vai lá.

- Olá, pessoal, sou o Billy... - Vê por onde vais.

Desculpem, eu apenas...

Desculpe.

Com licença.

Estás bem?

Sim.

Estou bem.

Estou quase a terminar. Não te mexas.

Disseste que não iria doer, seu sacana mentiroso! Merda!

Que boca suja tem esta rapariga!

A praguejar, a ser tatuada. Juntaste-te a gente errada.

Pronto! Está feita.

Vá, John. Arregaça a perna da calça e assume a posição.

- Prometo ser brando. - Ele mente.

Não devias ter de fazer coisas que aceitaste após um litro de uísque.

Passamos por muita agonia sem a infligir em nós.

Não, John! Não vais desistir disto.

Não podemos fazer tatuagens de "O Bando"

se os três não as fizermos.

Tudo bem! Fá-la!

Cá vai ele.

Não a fez, claro.

Disse que se sentia tonto e fugiu.

Parece o Watson.

Tens o mesmo sorriso que a tua mãe.

Continue com a história.

És muito amável.

Não, a sério.

Como soube que era a canção dela

que hipnotizava as pessoas?

- Foi sorte, creio eu. - Não, vá lá, Holmes.

- Diga-lhes. Vá lá. - Ansiamos saber.

- Adoraria ouvir. - Não esta noite.

Diga-nos, ou fá-lo-á o médico.

Direi, e sabem que vos irritarei ao omitir pormenores.

Muito bem. O Lorde Cuerden foi a única pessoa

do espetáculo da tarde a não cometer um crime.

Sua Senhoria é quase completamente surdo.

Fantástico. Bravo, Sr. Holmes.

Reconheci o nome de uma lista de participantes.

Ele frequenta um fornecedor de cornetas acústicas na Holly Street.

Com licença.

A Beatrice não ia ficar na casa da Anna?

- Preparámos-te o quarto de hóspedes. - Estou exausta após hoje.

Acho que vou para casa.

Está tudo bem?

Nunca te aborreces de mostrar às pessoas quão brilhante és?

De explicar as tuas ideias e o teu processo vezes sem conta?

As pessoas gostam de saber da dedução.

- Do raciocínio. - E gostas de te sentir excecional.

Elas gostam das tuas explicações por darem uma falsa sensação de ordem ao caos.

"Notei isto, significou isto,

que conduziu a isto, que só poderia significar isto."

É quase orgasmicamente linear.

Acho que estamos à beira de algo

que não tem ordem nem razão.

A tua arrogância levou-te a acreditar que és um gigante.

Quando, na realidade, és um vairão.

Apenas um vairão prestes a nadar para a imensidão do mar alto.

O medo só se apodera de quem tem coisas a perder.

O que tenho a perder?

Sherlock?

Podíamos chamar-lhe "O Caso da Mulher Fatal Cantora".

Ou "O Caso da Melodia Hipnotizante".

A chave para se conceber um bom nome de caso é a aliteração.

Tende a... Doutor!

Estava a rever alguns dos meus nomes de casos preferidos

com o agente Felts.

O que têm?

Temos "O Caso da Mulher Fatal Cantora"

ou "O Caso da Melodia Hipnotizante".

Amávamo-nos muito.

Não! Pode tê-la amado, mas não ela a si,

não depois de tudo o que lhe fez.

Lemos sobre as experiências no seu livro.

E a Hudson contou-me sobre os gritos, como a torturava.

- Não foi assim. - Então, como foi?

Fazíamos as experiências juntos. Eram rituais.

E procurávamos um método para encontrar a Fenda.

Era algo que todos fazíamos.

Os gritos dela e a doença dela deviam-se a outra coisa.

A Alice costumava...

Ela costumava ter pesadelos.

Vá lá.

Circundem.

Circundem.

- Circundem. - Circundem.

Circundem.

Jessie? Jess!

O que fazes aqui? Voltaste a ser sonâmbula?

Não sei. Eu estava na cave. Estava só...

- Tiveste um pesadelo. - Foi horrível.

Não o posso fazer de novo. Não quero.

Está tudo bem.

Acho que não tens de o fazer.

Como assim?

Os pesadelos dela eram visões como as tuas.

Parei o Sherlock para te poder vir buscar.

Tens de ouvir. Pode ser a resposta para tudo.

Já te disse que não quero.

É difícil ouvir falar da mãe,

mas também é bom. Ouvir como ela era.

Não sabes para onde vai a história.

- Claro que sei. - Não, não sabes nada!

Jess!

Vou pensar nisso.

Deixa-me em paz por um tempo.

Porque desperdiças dinheiro em cerveja?

Precisava de uma bebida.

A cave está concorrida agora.

Algo que ver com o tipo que vimos antes?

Vá lá, amigo.

Quem era ele?

- O teu pai? - Sabes que morreu na tropa.

- Foi o que disseste. - Morreu.

Vá lá, Bill.

Era um tipo chamado Vic Collins,

o dono do reformatório quando eu e as miúdas estivemos lá.

Não é um bom tipo, presumo eu.

Não.

Éramos miúdos quando estivemos no reformatório.

Ele era um adulto na primavera da vida.

Eu era apenas um garoto.

É engraçado, quando penso nisso.

O que fazia ele?

Batia-me até ficar inconsciente.

Uma vez, bateu-me tanto

que fiquei três semanas na enfermaria.

Só fui à casa de banho sem pedir.

Meu Deus, Bill!

- Porque não me contaste nada disto? - Não é importante.

Mas direi isto.

Se houver justiça, alguém o matará.

Quando estiver a vaguear para casa à noite. Quando menos esperar.

Pois. Mas quem fizesse isso, seria apanhado.

E acusavam-no de matar alguém distinto.

- Percebes o que digo? - Sim! Estou ciente disso, rapaz.

Muito bem, ótimo.

Vai buscar-me uma cerveja, sacana.

Leo, como te sentes?

- Desculpa, eu... - Por favor, eu não...

- O que foi? Estás bem? - Estou ótimo.

Não quero que me vejas assim.

Assim como?

Destroçado.

Não pareces quebrado. Porque pensarias isso?

Podes virar-te enquanto visto a camisa?

- Por favor. - Sim.

Pelo menos, tens uma boa noite.

Lembras-te? Há muito tempo, perguntei-te se dançavas.

Eu dançava.

Eu e a Jessie dançávamos para tentar arranjar dinheiro.

- Estou certo de que era maravilhoso. - Não era.

O amor do marinheiro espera pela Lua

Pela Lua prateada

Dá um passo quando eu o der.

Espera que o marinheiro Volte para casa em breve

Volte para casa em breve

O rangido de um arco no ar da meia-noite

No ar da meia-noite

E chega de espera para aquela bela donzela

Porque tens tanto medo de me deixar aproximar?

Porque temes que te veja sem uma camisa?

Ou dizer o que te aconteceu?

Não deveria ser mais fácil do que isto?

Acho que, às vezes, há demasiados demónios.

- Beatrice... - Tenho de ir. Tenho coisas a fazer.

Nesta altura, a Alice percebera que uma Fenda se abrira.

Sabia que as respostas à localização estavam nos pesadelos dela,

mas eles estavam a piorar.

Estou aqui, querida. Está tudo bem.

Pronto.

Não quero voltar a dormir.

- Não quero voltar. - Eu sei.

A questão era agora se sobreviveria aos horrores deles

o suficiente para os decifrar.

Mas não era só ela.

Os casos estavam a afetar-nos a todos.

Um dia, o Gregson trouxe-nos um caso particularmente bárbaro para examinarmos.

Não fazíamos ideia que seria o último em que trabalharíamos juntos.

Podes recusar!

- Eles arranjam quem o faça. - Sei que estás cansada.

- Cansada? - Está bem?

Não. Para.

Quando foi a última vez que não tomaste algo para acordar ou dormir?

Cada caso junta mais uma peça ao puzzle.

E estamos tão perto de encontrar a Fenda. Estás tão perto. Por favor, Alice.

Juntos, podemos salvar o mundo.

Há algo diferente neste caso, Sherlock.

- Não gosto dele. - Diferente como?

- Não sei. Algo que ver com o John... - Há algum problema aqui?

Nenhum problema.

Alice.

Ele não precisa de distrações.

A mente dele opera mais magnificamente

quando está livre de outros assuntos mais triviais.

Não quero atrapalhar a magnífica mente dele...

...pois não?

É o Sr. Lowe. Roubaram-lhe o braço esquerdo.

E na cama a seguir está o Sr. Welsh.

O braço direito. E depois aqui, temos o Sr. Bibby e o Sr. Moore.

Pernas esquerda e direita, respetivamente.

Chamamos-lhe "O Caso do Colecionador".

- Quem concebe os nomes? - Todos gostaram.

Isto aconteceu ontem à noite?

Pelos vistos, sarou tão bem que parece que nunca houve ali um membro.

Não.

Mostra-te.

Vá lá, mostra-te.

John.

John.

John.

A base é álcool.

O resto é uma mistura extraordinária de ervas e flora.

Cerefólio, ou algo da família da salsa.

Casca que acho que é de acácia, raiz de galanga, junípero.

Houve um elemento que me deixou desorientado.

Hieracium snowdoniense.

Só cresce numa encosta inacessível

de um monte no norte de Gales.

É assim que encontramos o colecionador.

As hipóteses são astronomicamente poucas...

Levas isto aos Jardins Botânicos Reais?

Descobre se sabem se alguém trouxe isto para a área metropolitana.

- Sherlock, estás esgotado. Estamos todos. - É Hieracium snowdoniense, John.

Apostaria a carreira nisso.

Tudo bem.

Nunca estive errado.

Nunca acreditei que podia estar errado.

Ainda não acredito.

Deve ter sido o cansaço.

Sou um homem de muitos talentos.

Mas a botânica, a química são a minha especialidade.

Sr. Holmes, continue a história.

Quem te deu isto? A botânica-chefe?

Sim, a Edith Dubois. E falei com outros membros da equipa dela.

Não é Hieracium snowdoniense. É estragão vulgar.

Não pode ser. Não se parece nada.

- Podes levá-la de volta e fazê-los... - Sherlock!

É um beco sem saída.

Lamento.

Mas não temos mais nada.

O local do crime, o motivo, não havia nada.

A tintura era... Era tudo.

O que...

Porque não vens ao bar comigo?

Anda. Vamos beber um copo como fazíamos.

Não, devo ficar aqui com a Alice.

Porque teve de ficar com a minha mãe?

Sei que me ouve. O que se passava com ela?

- O que não me está a contar? - Ela estava incapacitada.

- Incapacitada como? - Por favor, podes trazer-me algo?

Algo que reduza os efeitos.

Há um homem na estrada em Charing Cross. O Raymond Duck. Por favor!

Nem pense!

Vai ficar aqui, sóbrio e dizer-me o que se passava com ela!

Não! Traz-me algo!

Ou não ouvirás outra palavra minha! Nem uma!

Aonde vais, Bill?

Volta para o bar, Spike.

Não tem nada que ver contigo. Vamos mantê-lo assim.

E quando fores preso?

Bater num velho? Passarás o resto dos teus dias na prisão.

É fácil dizeres. É fácil se não estiveste lá.

Não, Spike!

- Não podes mudar o que ele te fez. - Spike!

Ele não mo fez! Tudo aquilo de que te falei.

As tareias. Partir-me o maxilar. Pôr-me no hospital.

Não era eu.

Era a Bea.

E eu não podia fazer nada para o impedir.

Não era grande.

Desculpa, Bill. Eu...

Desculpa, Bill. Eu estava...

Agora, já sou grande!

Diga-me o que se passava com a minha mãe e é seu.

Não, eu devia ficar aqui com a Alice. Como ela está...

Sherlock!

Como te sentes, querida?

Acho que preciso da parteira.

Já deves ter adivinhado.

Precisava que o dissesse.

Sherlock.

Vê-la a sofrer tanto...

Ver o trabalho de parto...

Foi o pior dia da minha vida.

Mas depois, de repente, foi o melhor.

Peço imensa desculpa.

Não quero que peça desculpa.

Não quero nada seu.

Só quero que me diga o que a minha mãe via nos pesadelos dela.

Carrascos.

Do século XVII.

Carrascos.

E triângulos.

Triângulos.

Ajuda-nos.

Triângulos.

Triângulo.

Triângulo.

Está tudo bem.

Pronto.

Temos de sair de Londres, Sherlock. Agora.

Sei que, se não o fizermos, algo terrível vai acontecer. Por favor.

- Ouve-me. - Não podemos. Temos trabalho a fazer.

Terminámos aqui.

O trabalho destroça-nos. Sei que o sentes.

Se acharmos a Fenda, só tu a podes fechar.

- Não. - Tem de ser uma Ipsissimus.

Há outras como eu. Não muitas, mas existem.

Decerto uma delas virá fechá-la.

Não sabemos isso.

Não, a Fenda já se deu a conhecer a nós.

Imagina fazê-lo. E o John escreve sobre isso.

Imagina o que as pessoas vão pensar se conseguirmos salvar o mundo todo.

Eu já devia saber.

Isto nunca foi sobre fazer a coisa certa, foi?

É sobre ti. Sobre o mito de Sherlock Holmes.

- Alice, eu... - Não. Conheço-te.

Conheço-te melhor do que ninguém.

Uma vez, disseste-me: "O medo só se apodera de quem tem algo a perder."

Agora, tens-me a mim.

Tens as miúdas.

Tens-nos a nós.

Eu e a Alice vamos para Suffolk com as miúdas.

Por quanto tempo?

O que dizes? Desistes?

Isto é tudo a Alice, não é?

Influenciou-te. Mudou-te!

É a mãe da minha filha. A minha noiva.

- Sim, mudou-me. - O que farei?

Não consigo resolver esta confusão sozinho.

Não vivo sempre contigo. Não somos casados.

Ficarás bem. Pareces sempre cair de pé.

Talvez mudes de ideia quando ouvires o que tenho a dizer.

Descobri como encontrar a Fenda.

Estive meses na Aurora Dourada, a ler, a pesquisar.

Continua.

Acho que a barreira entre o nosso mundo e o próximo

está mais fina no local de grande tráfego.

Ou seja, um local de grande morte.

Naturalmente, se ocorresse uma Fenda,

isso aconteceria onde a barreira estivesse mais vulnerável.

Concluí então que, já que a Alice vê carrascos,

talvez devêssemos procurar um cadafalso.

É incrível, John. Porque não me disseste?

Quis fazê-lo sozinho.

Queria que ficasses impressionado comigo. Queria que me visses.

Eu vejo-te, John.

Vês?

É só uma teoria.

Queria ter a certeza antes de te incomodar.

O problema é que há dezenas de locais de cadafalso em Londres.

Sim. Mas só um em forma de triângulo.

Tyburn!

O Cadafalso de Tyburn, feito em triângulo

para enforcarem mais pessoas nas vigas.

- Enforcaram lá 80 mil. - É esse.

Tem de ser esse.

Vai buscar a Alice.

Não o fará. Não lhe posso pedir. Ela não está bem.

Mas convenceu-a a ir, não foi?

Após ter prometido que terminara. Após lhe ter dito que se iam embora.

Não tive escolha.

Por favor. Dá-me o ópio.

- Preciso dele! - Termine a história, Sr. Holmes.

Não posso!

Termine-a!

Lembro-me...

Lembro-me da noite como se fosse ontem.

Éramos como vocês e os vossos amigos.

Sentia-me tão velho, tão sábio.

Mas éramos miúdos.

Vairões na imensidão do mar alto.

Inconscientes da profundidade do oceano.

Inconscientes do que se escondia na escuridão abaixo.

É aqui. Era onde estava o cadafalso.

O LOCAL DO CADAFALSO DE TYBURN

Não há nada aqui.

Ali. Nas árvores.

Sherlock.

Não tens de provar a ninguém quão brilhante és.

És brilhante como és.

Por quem és.

Agora, a Beatrice é tão tua como a Jessie.

Está bem?

Como assim?

A Fenda era apenas pequena.

Não pude ver muito dentro dela.

Como era?

Era o próprio tecido do Universo.

Alice.

Se se alargar, o mundo deformar-se-á e dobrar-se-á em si mesmo.

Os poderes, a estranheza, mostram que já começou.

- Dá-lhe a lista de encantamentos! - Não preciso dos encantamentos.

Mal ela lhe tocou...

...percebi que a levaria.

Aumentou de energia.

Ouçam-na a crepitar como gordura de porco a derreter.

- Não a tentou impedir? - Tentei.

À medida que fechava, começou a puxá-la.

Estendi a mão e agarrei-a, mas não fui forte o suficiente.

Agarra-a!

Gritei ao John para a salvar. Mas, em vez disso, ele agarrou-me.

Agarra-te, Alice!

Não, Sherlock!

E depois desapareceu.

A Alice. A Fenda.

Era como se nada tivesse estado lá.

Já ouvi o suficiente.

Deixou-nos pensar que ela se afogara.

- Que enlouquecera. - Desculpa.

E depois? Abandonou-nos às duas?

Estava mal. Fiz o que achei melhor para vocês.

Fazia o que era melhor para si.

Não passou um dia

em que não pensasse em vocês. Nas duas.

Os seus pensamentos ajudaram muito

quando estávamos no reformatório a ser espancadas, esmurradas e a cuspirem-nos!

Ajudaram imenso quando morríamos de fome

a pensar se nos venderíamos para ficar vivas.

- Quero ajudar agora! - Acha que precisamos?

Olhe à sua volta, Sr. Holmes.

Está coberto da sua própria urina e vómito.

A mãe tinha razão.

Julga-se brilhante. Vive para que os outros lhe digam isso.

A mãe era dez vezes a pessoa que você alguma vez será.

Cometi erros.

Cometi erros.

Mas a Fenda, o que aconteceu à tua mãe, a culpa não foi minha.

Estes anos todos, uma coisa perseguiu os pensamentos.

Tentei tirá-la da mente, mas continua a crescer cada vez mais e...

Quando lhe pergunto sobre isso, tem sempre uma resposta e um meio de me serenar.

- De que fala? - O John Watson é um homem

que viveu a vida toda sem nunca estar inspirado.

Como é que, de repente, foi agraciado com a visão que nos levou à Fenda?

Como?

Não, espera! Contei-te a minha história.

Por favor. Dá-me o ópio.

Não!

Não é ópio.

É apenas açúcar.

Sua cabra mentirosa! Mereces tudo o que te espera!

Não quero ver a tua cara!

Porque hesitas, rapaz?

Vieste aqui para fazer algo, não foi?

Porque não o fazes?

Vim aqui para o magoar.

Porque quererias fazer uma coisa horrível assim?

Digo-lhe porquê, Vic. Porque magoar gente é o seu passatempo.

És do reformatório, não és?

Se te magoei, provavelmente foi porque o mereceste.

Os miúdos aprendem com isso...

Pois, já não sou um miúdo, Vic. Tornei-me forte.

- E você envelheceu. - Acontece a todos nós.

Vai acontecer-te um dia.

Sim, és muito familiar.

Sempre fui bom com nomes e caras.

Como me chamo, então?

Eras muito novo quando vieste para nós, pelo que me lembro.

A tua mãe veio de Glasgow.

Ela não te queria.

Errado. A minha mãe era uma tecelã de Manchester.

Morreu ao dar-me à luz.

O meu pai entregou-me a vocês quando foi lutar pelo império.

- Morreu na Crimeia. - Sim.

É a história que as enfermeiras contavam sempre aos jovens.

- Está a mentir. - A Guerra da Crimeia terminou em 1856.

Podes ser estúpido, mas acho que sabes contar.

Ela era uma prostituta, pelo que me lembro.

Não foste o primeiro filho connosco, nem o último.

Não me conhece!

Está só a tentar influenciar-me.

Como se se lembrasse de mim entre tantos miúdos.

Se realmente me conhecesse, saberia o meu nome.

Como me chamo, Vic?

Billy.

Chamas-te Billy.

Andavas com as irmãs.

Pequeno Bill.

Choravas tanto à noite

que tinham de me acordar para que lidasse contigo.

Porque choravas?

Porque a tua mãe era uma prostituta de Glasgow que não te queria?

Ou porque o teu pai era um cliente dela que nunca saberá que existes?

Não.

Sai da minha casa, Pequeno Bill.

Ou dou-te mesmo um motivo para chorares.

Fiquei furiosa com ele.

Eu sei. Ouvia-te ao fundo da rua.

Que verdadeiro cabrão!

Desculpa, Jess.

Porque pedes desculpa?

Porque insisti que o visses.

Nunca me senti tão enojada com alguém em toda a minha vida.

Como estavas tão calma? Como te controlaste?

Não precisei.

Ele não me interessa.

- Como assim? Como? - Não sei.

Percebi que tinha alguém lá para mim quando era criança.

Alguém que me amava. E cuidava de mim.

Ainda tens.

Adoro-te, Bea.

Sei que ele é um imbecil...

...mas concordo com o Sherlock numa coisa.

O Watson sabe mais do que dá a entender.

Não me surpreenderia se estivesse por trás disto.

E vou prová-lo.

E acabar com isso.

Bea.

Não reveles a tua força odiando o Sherlock. Não vale a pena.

É só um velho destroçado que está preso nas memórias dele.

Onde está a Jessie?

Muito longe de si.

Como se sente?

Um pouco mais como eu.

Podia ter sido melhor para a tua mãe.

Mas amava-a.

Amava-a muito.

Tens de acreditar nisso.

E acredito.

Este chá...

Não é o mesmo tipo de folha que antes, é?

Não.

Já que é um novo tipo de chá e ontem foi domingo...

...a Sra. Hudson só o podia ter comprado

no Lanes Market.

Conhecendo-a como ela é, compraria o chá mais barato,

mas, para salvar a cara, teria comprado o segundo mais barato. Que é o Ceilão.

CHÁ

Ceilão. Correto.

Deve querer não a ter conhecido.

A última década da minha vida tem sido um inferno.

Mas viveria mais 100 anos disso para passar mais um momento com ela.

A vida não deverá ser indolor, Beatrice.

A alegria e o sofrimento dançam juntos pela noite dentro.

Nunca te escondas deles.

Bea? Está tudo bem?

Deixa-me ver o teu corpo.

- Beatrice... - Mostra-me.

Quero vê-lo.

Despe a camisola.

Não quero que me escondas o corpo.

É bonito para estar escondido.

Não escondes mais?

Não escondo mais.

Legendas: Ana Paula Moreira

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