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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
Jessie?
Jess, estás bem? Calma.
Estás só a sonhar.
Havia uma coisa, era escura
e atacava-me.
É só um sonho.
Estou louca, Bea?
- Achas que estou louca, não é? - Não, não acho.
Sinceramente.
Volta a dormir. Sim?
Está tudo bem.
Bea.
Acorda. Bea.
Bea, acorda.
Parabéns!
Estás tão perto de mim.
Queres um chá?
O que estás a fazer?
Comprei-te um presente.
O dinheiro estava apertado este ano, mas não resisti.
Já tenho 17 anos.
Não temos de fazer a cena do presente invisível.
Que cena da prenda invisível?
Pronto. Tudo bem.
O que é?
É óbvio para todos que anseias encontrar um namorado.
- Não o quero encontrar. - É um perfume francês.
Só dois borrifos, fazem qualquer homem querer fazer amor contigo.
- Quase doce de mais, se tanto. - Eu não...
Não anseio por um namorado, apenas...
- Não tenho tempo para homens. - Meu Deus, Bea!
Tens 17 anos. Na tua idade, devias ter asneiras até aos joelhos.
Aos tornozelos, pelo menos.
Onde estão as asneiras? Não as vejo.
Para de dizer "asneiras". Meu Deus!
É o meu aniversário e proíbo a palavra "asneiras".
É o que quero como presente.
Também não ficas com o perfume.
Espera aí.
O Billy e o Spike?
CAPÍTULO 1: UMA AMEAÇA EM LONDRES
Billy, não devíamos estar aqui.
Sou bonito de mais para estar aqui.
Destaco-me de longe. A minha beleza faz de mim um alvo.
Não olhes para ninguém.
Porque dirias isso?
Agora, só olho para as pessoas. Não o consigo evitar.
Sim! Boa!
Billy.
Vamo-nos embora.
William Chisup contra Tam Bibby!
- Então, vai, toma. - Nele!
Billy.
Acho que te devias virar.
Spike!
Relaxa, sim?
Já o vi.
Não me importa o tamanho...
Merda!
Apanha-a!
Um presente do Marquês de Bath, Vossa Alteza.
Parabéns, senhor.
Chávenas.
Estou feliz por o meu gosto por faiança
ser do conhecimento de Sua Senhoria.
Daimler, decidi o que gostaria da minha mãe para o meu aniversário.
Desejo sair do palácio.
Receio que Sua Majestade não permita isso.
Após ter torcido o seu tornozelo,
o Dr. Clark aconselhou-o a mover-se o mínimo possível.
Para não haver lesões duradouras.
Diga à minha mãe que desejo...
...que preciso de sair do palácio.
Só por um dia.
É o meu aniversário e só desejo isso.
Quando pedi para sair, queria ver a cidade.
A cidade é um lugar difícil, senhor.
Não é para quem tem uma...
...constituição delicada.
Podia tê-lo derrotado.
Billy, ele podia fazer merdas maiores do que tu.
- Prometeste-me não lutar mais. - Nunca te prometi nada.
Veste uma camisa!
- Porquê? - Porque...
...te vais constipar e, constipado,
és ainda mais irritante.
Não é que o fizesse por mim, pois não?
Ela sempre foi... estranha, Bea,
mas isto é outra coisa.
Ela precisa de ajuda. E os médicos custam dinheiro.
A Hudson encurralou-me ontem. Não pagamos a renda há dois meses.
Se não arranjarmos dinheiro, rua.
É quase inverno. Morreríamos de frio.
Sei que não gostamos de falar sobre isto,
mas e um reformatório?
O que disseste?
Só tento ajudar...
Não me fales do reformatório, Spike.
Não o conheces. Não estiveste lá como o resto de nós.
Bea.
Vá lá, Bea.
Já passámos por coisas piores.
É como disseste, sobrevivemos ao reformatório, por amor de Deus!
Lembras-te da senhora das enguias?
Ninguém devia viver a menos de um metro de uma enguia.
Ainda sonho com isso.
Que estou a tomar banho e uma enguia dela está lá comigo.
- De repente, encontra o caminho... - Pronto. Já percebemos.
O Spike quer dizer que ultrapassámos isso.
Não a posso perder.
É a única família que tenho.
Ela não é a única família que tens.
Também somos tua família, certo?
Vá lá.
Está bem.
Como arranjamos dinheiro?
Pessoal, ela foi-se embora.
- Sabias que criava monstros... - Algo chegou a Londres.
Esta é a hora dele.
Algo chegou a Londres, miúda. Uma escuridão entrou nesta cidade.
Jess!
Onde está? A coisa escura? Foi-se embora?
O que fazia parada na estrada, menina?
Devia tê-la punido.
Esqueça isso. Porque ia tão veloz? Podia tê-la matado.
Jovem, como se atreve a falar assim com os seus superiores?
Meus superiores?
- Meus superiores? - Sim! Diz-lhe.
Só porque anda numa carruagem e usa fatos,
não o torna meu superior, nem de ninguém.
- Agora, ouça... - Não, ouça você, seu cretino!
Pode estar habituado a intimidar pessoas e fazê-las beijar-lhe o cu,
mas ninguém me fala com desprezo.
Volte para a carruagem e pire-se para o sítio de onde veio.
Vá, ponha-se a andar!
Sim!
Cretino chique.
Está tudo bem.
Há duas semanas que ela tem estes sonhos.
Disse que foi com sonhos que a minha mãe começou.
Lembro-me de me dizer.
- Perto do fim, disse que... - Bea.
O que aconteceu à vossa mãe não acontecerá à Jessie.
Fazes ligações que não existem.
ALICE COOK, MÃE DEDICADA DE BEATRICE E JESSICA - SAUDOSA
A campa dela é a única que nunca tem flores porquê?
Ninguém a amava, além de mim e da Jessie.
Decerto não é verdade.
E se eu roubasse flores de outra campa e as pusesse na da minha mãe?
Eu diria parabéns.
Vais oficialmente para o Inferno.
A minha porta está sempre aberta.
O que vou fazer, mãe?
Irmã?
Não é preciso ter medo.
Sou médico.
Aproxime-se mais e precisará de um.
Eu e o meu sócio
temos-te visto do nosso apartamento na Baker Street.
Queremos algo de ti.
Tenho dinheiro.
Quero um quarto.
Diga ao Hudson para pôr na minha conta.
Senta-te.
O que acontecer neste quarto ficará entre nós.
Entendido?
Eu e o meu sócio gerimos uma pequena agência de detetives.
Os escritórios são aqui na Baker Street, 221B.
Contudo...
...somos homens respeitáveis
e, como tal, não temos acesso às zonas
mais desonrosas de Londres.
Precisamos que nos encontres informações.
Se tiveres sucesso, receberás uma compensação generosa.
Estou a ouvir.
E dizem que não há milagres.
Quatro bebés recém-nascidos foram roubados.
Não sabemos se estão vivos ou mortos.
O último foi ontem à noite.
Um bebé em Bayswater foi tirado de um quarto trancado.
Janelas trancadas por dentro.
O berço num lado do quarto,
a irmã mais velha a dormir numa cama no outro.
A mãe estava acordada lá em baixo durante o desaparecimento.
Confirmou que ninguém saiu nem entrou na casa.
Achámos isto debaixo do berço.
A polícia nada faz porquê?
Desde o desaparecimento, a filha não voltou para casa.
Algo está errado.
Contudo, como eu disse,
não temos tempo para localizar adolescentes errantes.
É aí que tu e os teus amigos entram.
A filha chama-se Susan Shipley. Repete-mo.
Susan Shipley.
Se queres o dinheiro...
...encontra-a e descobre o que ela sabe.
Que ideia estúpida!
Um homem segue-te e pede-te que ajudes a encontrar alguém
envolvido num rapto?
- São detetives particulares. - Disse-te ele.
A miúda viu-o levar o bebé.
Agora, quer liquidá-la.
Achamo-la e perguntamos o que sabe.
- Só isso. Dinheiro fácil. - É?
Que eu saiba, há quatro milhões de pessoas em Londres.
- É como procurar uma... - Achei-a!
Mora por cima de um sapateiro na Brookwater Street, em Clerkenwell.
Como a encontraste?
Conheces o Pete McGregor, o tipo da linha de pesca?
Devia-me um favor, achei o cão dele no Clapham Common.
Viveu em Bayswater, perguntei-lhe:
- Conheces a Susan Shipley? - Ele disse: "Não.
Em Bayswater, só conheço a minha tia Aggie."
Não achaste o cão do Pete McGregor.
Roubaste-o quando tentavas impressionar a miúda que adorava animais.
O importante é que ele recuperou o cão. Está bem?
Enfim. A casa da tia Aggie cheira a mijo e biscoitos.
Teve-me duas horas lá, a dar palha.
Entrou um matulão que ela disse ser o jardineiro.
- Mas seguramente davam quecas. - Spike!
Vai direto ao assunto.
Sim. Então...
"Ele procura uma miúda chamada Susan Shipley."
"A que o Luke Porter corteja?"
E disseram-me que o Luke Porter é membro da Salaman's Bathhouse, em Shoreditch.
Para o fazer sair, entrei nos balneários, ruidoso, tipo...
Sim, amigo!
Durmo com uma miúda daqui. Ela é linda.
Chama-se Susan Shipley.
Ele sai do duche e está completamente nu.
A vara dele bate por todo o lado.
É muito impróprio.
Amigo.
Calma. Eu procurava a Sue. Pode estar em apuros.
- Sim? - "Ela não quer ser encontrada, vadio."
Já ouviste falar da Edna Skiffins?
A Edna Skiffins apanhou dez anos de prisão por obstruir uma investigação.
Queres acabar como ela?
Quem em nome de Jesus Cristo de Nazaré é a Edna Skiffins?
Inventei-a, certo?
- E funcionou? - Sim.
Isto é verdade?
Meus amigos, estão a olhar para a Mna. Susan Shipley, de Bayswater.
Não tenho de falar convosco. Não são da polícia.
Não, não somos.
A polícia já não procura a sua irmã.
Não querem saber de famílias como a sua.
Está a mentir.
Claro que a procuram.
Só a procuram os tipos que nos pediram para falar consigo.
Ajude-os a encontrá-la, Susan.
Diga-nos o que sabe.
Naquela noite...
...em que a Laura desapareceu...
...saí à socapa e deixei a janela aberta.
Eu não estava a pensar.
Quando voltei,
a Laura desaparecera.
Fechei a janela porque sabia que a mãe se zangaria.
A culpa não foi sua, Sue.
Ela não se evaporou. Foi tirada pela janela.
O quê, do terceiro piso?
Nem com um escadote se chega lá.
Há outra coisa.
Pensei que podia ter sonhado, mas durante...
...cinco noites seguidas, ouvi...
...raspar e grasnar junto à janela.
Parecia...
O quê?
Meu Deus!
O que foi aquilo?
- Está bem? - Estou bem.
Estão a voltar. Fujam!
Rápido!
- Está encravada! - Billy, vá lá!
Consegui.
Estás bem, Abelha?
Bea?
Billy?
Ainda bem que te encontrei.
Desde que te vi no outro dia,
não parei...
...bem...
...de pensar em ti.
E tens pensado em quê, exatamente?
Que tal eu mostrar-te?
Eu sabia que uma excursão o deixaria cansado, senhor.
Mas, em muitos aspetos, ainda bem que saímos do palácio.
Viu o tipo de pessoas lá fora.
De facto, vi.
Compreende, Vossa Majestade,
que não o mantenho aqui porque me dá prazer.
Faço-o porque tem hemofilia.
Se se magoar, pode ter consequências extremamente terríveis.
Não devo ser incomodado por um tempo.
Sob nenhuma circunstância.
Boa tarde, senhor.
Tem aqui um belo estabelecimento.
Mas, na verdade, procuro outro bar, o Duck and Quiver?
Mas enquanto estou cá, uma cerveja, por favor.
Isto chega para pagar?
Sim.
É a quantia exata.
Parece precisar de uma ajudinha, jovem.
Sim, na verdade, preciso mesmo.
É que sou novo na cidade.
- Céus! - Meio-dinheiro só para ver.
Dois dinheiros se quiser que eu o alivie.
Receio ter havido um terrível mal-entendido.
Bem-vindo a Londres!
O que queres? A rapariga falou?
Em que raio nos envolveu?
Os olhos dela foram arrancados da cara por aves.
Acalma-te.
Ela disse-te algo antes de morrer?
Chamava-se Susan.
Não quer saber, pois não?
Nem dela, nem dos bebés.
Só lhe interessa resolver o caso
e receber a comissão da polícia.
Seja como for, não importa. Saímos.
Fizemos o que nos pediu.
Esperam ser pagos?
Pelo quê, exatamente?
Tem de me pagar.
Pague-me ou, juro por Deus, que volto
e parto as janelas desta espelunca a que chama lar.
E acusas-me de estar nisto pelo dinheiro.
Uma rapariga morreu e quatro bebés desapareceram.
Agora, encontra-me informações úteis
e receberás as tuas 30 moedas de prata.
Ou os teus amigos e a tua irmã não precisam de dinheiro?
Ótimo. Agora, fica aí.
Não te mexas desse sítio.
Ora bem, a polícia deu-nos isto.
É a informação sobre os outros bebés desaparecidos.
Porquê nós?
- Porque nos escolheu para ajudar? - São da rua.
"Somos da rua." Ouvi-o da última vez.
Topo as tretas quando as ouço.
- Fazia das pessoas monstros. - ...buraco no lado do universo.
Algo chegou a Londres. Uma escuridão entrou nesta cidade.
O que fazes aqui, Jess?
Não gosto de ficar presa na cave.
Como disseste, são só pesadelos, certo?
Sei que é chato, mas porque não descansas...
Já te disse porquê. Para de me dizer o que fazer.
Posso ajudar-te com algo?
Bonita pena.
É uma pena de corvo, certo?
Como sabes?
Se a virares contra a luz,
verás que tem uma cor iridescente azul.
As da família Corvus têm um brilho mais verdejante.
Posso perguntar onde a adquiriste?
Encontrei-a. Na rua.
Sem querer causar ofensa,
acho isso extremamente improvável.
E, explica lá, porque achas isso?
O Corvus corax encontra-se sobretudo a norte e oeste de Inglaterra.
E na Escócia.
É muito improvável que haja crueldades selvagens aqui em Londres.
É o substantivo coletivo.
- Um substantivo coletivo é... - Sei o que é.
Claro. Desculpa.
Chamo-me Leop...
Apenas Leo.
Bem, "Apenas Leo", sabes assustadoramente muito sobre aves.
Leio muitos livros.
Na verdade, é tudo o que faço.
O que estás a ler?
Nós...
Não sei.
Na verdade, não sei o que estou a ler.
- Parece intrigante. - Sim, é certamente isso.
Eu e os meus amigos estamos envolvidos numa investigação.
Que tipo de investigação?
Quatro bebés desapareceram.
Céus!
Isso é horrível.
Posso?
Não sei se eu seria muito útil,
mas talvez outra perspetiva possa ajudar?
- Interessante. - Sim.
Os quatro bebés são meninas, todas levadas em datas consecutivas.
Interessante.
Salta à vista que todas parecem ter nascido no mesmo dia.
Além disso, dadas as moradas, provavelmente nasceram no mesmo hospital.
O St. Mary, perto de Paddington.
Se encontrarem as outras bebés nascidas naquele dia, naquele hospital,
talvez impeçam que aconteça de novo.
A Câmara de Marylebone guarda as certidões.
É ao virar da esquina na Gloucester Place.
Eu... Isso ajudou?
Podia acompanhar-te à Câmara Municipal, se quisesses.
O que és?
Desculpa?
Como assim?
Quem é ele?
Quem?
O Leo.
Apenas um rapaz.
Trabalha para o tio, em Kings Cross.
- Faz-lhe entregas. - Gosto dele.
É apetecível.
Eu não.
- Odeias gente chique. - Não odeio nada.
Pareces um racista contra gente chique.
Eles não têm culpa de ser chiques. Como não temos culpa de ser comuns.
Não odeio gente chique.
Vai repetindo isso. Torna-o muito mais credível.
Quem se importa quem é?
É inteligente.
Muito inteligente.
E se nos ajudar com o caso, não me interessa qual é a história dele.
Posso ajudar-vos?
Senhora, já ouviu falar de uma mulher chamada Edna Skiffins?
Edna Skiffins. Por onde começo...
Pessoal!
Pessoal.
Encontrei o registo dos nascimentos do St. Mary.
Seis meninas nasceram lá a 2 de outubro.
Quatro desapareceram e uma faleceu após nascer.
A última vive em Persimmon Mews, 18.
Então, temos de ir para lá.
Beatrice...
...preciso de dizer algo.
Tenho de apresentar a tese de que é improvável
isto ser um fenómeno natural.
Há um design humano em jogo.
O que diz ele, Bea?
Ele diz que alguém controla as aves.
Pessoal.
Eu não vou.
Pensem no que fazem. Uma rapariga morreu.
Não só isso.
Os olhos foram arrancados da cara dela!
E querem brincar aos polícias?
Se fossem inteligentes, iam-se embora.
Tudo bem.
Jessie, volta para a cave com ele.
O quê? Não, vou convosco. Quero ajudar.
Não, não vais. Vai descansar um pouco.
Não me podes prender
por te preocupar que algo me possa acontecer.
Diz-lhe, Billy.
Ela tem razão, Jess.
- Esta noite pode ser perigosa. - Não te pedimos, estamos a dizer-te.
Estás a dizer-me?
Não és minha mãe, Bea. Porque não posso ir?
- Porque... - Porque o quê?
Porque estás uma desgraça, Jessie! Estás a cair aos bocados.
E sim.
Estou preocupada contigo.
Estamos todos.
Meteste-te à frente de um cavalo, Jessie.
Tens sorte de estar viva.
Não quero que te magoes. Eu...
Não posso arriscar.
Não posso arriscar a perder-te também.
Achas-me louca como a mãe.
Todos vocês acham.
Sou só um fardo para vocês, não sou?
Só alguém de quem têm de cuidar.
Jessie.
Não.
Jess!
Ninguém diz que és louca. Ninguém diz isso.
Ouviste? Estão todos a passar-se...
É aqui. Persimmon Mews, 18.
A bebé estará a dormir.
Por isso, troca pelo engodo e sai de lá.
Isto devia parecer um bebé?
Temos recursos limitados.
- É uma idiotice. - É bom.
Não.
Devias estar a dormir.
Está bem.
Olha...
Vou ter de pegar em ti.
Por favor, não chores.
Chiu, querida! A mamã está a ir! Vou já!
Não consigo abrir a porta!
Dave, vem cá acima!
Dave, não consigo entrar!
Não.
Ele tem-na!
É só um sonho. Não me pode magoar.
Jessie?
Jessie!
É ele.
Entregue já a bebé ou dou-lhe uma tareia.
Esta bebé é minha.
Ela é minha!
Não.
Não.
Jessie! Acorda!
Por favor, respira.
Olá.
Está tudo bem.
Não sou um assassino nem nada do género.
Sei que isto é extremamente estranho,
mas prometo-te que estás a salvo aqui.
E prometo-te que não sou um assassino.
- Repito, não o sou. - Pare de o dizer!
Está bem.
Onde estou?
Tecnicamente, não estás aqui, só a tua mente é que está.
Onde estou?
Estás no Louisiana.
- Porque pensou que a bebé era dele? - É louco.
Não, é fácil de mais pensar que as pessoas são loucas.
Está a escapar-nos algo que...
Ele perdeu a bebé dele.
Perdeu a filhinha.
Anda à procura dela. Não para até a encontrar.
Até ele...
A sexta bebé.
A que faleceu no dia em que nasceu. Mostra-me os pormenores.
Lenore Hilton. A mãe é Angela Hilton. Profissão: operária.
O pai é Arthur Hilton. Profissão...
Ornitólogo-chefe, Zoo de Londres.
Apanhámos o sacana.
Juro que sou teu amigo.
E, agora, corrige-me se estiver errado,
precisas de todos os amigos que conseguires.
Onde estavas ainda agora?
Antes de te trazer para aqui?
Estava num pesadelo.
Tenho pesadelos em que fico presa nuns túneis do Inferno.
E havia uma coisa escura com uma máscara e...
Não podes ficar aqui muito mais. Não temos muito tempo.
Os teus amigos procuram um homem que controla as aves, certo?
É do mundo vivo, um homem normal.
Este homem obteve grandes poderes
e preciso que me descubras onde ele os obteve.
Fazes-me isso, Jessica?
Como?
Se lhe tocares no braço, assim...
...entrarás na mente dele.
Não!
Não posso.
Estás a acordar.
- Como acordei. - Não quero isto.
Se quiseres que os pesadelos parem, tens de te lembrar
que o que julgavas ser loucura...
...é poder.
Temos de encontrar os outros.
Aqui está.
O maior aviário da Europa.
Abutres, corvos, sabia que tinham de vir de algures.
Isto é ele.
Tem de ser ele.
Onde estão as aves?
A roubar bebés?
Vieram buscar as minhas bebés.
Não deviam ter vindo.
E, agora, vou ter de vos magoar.
Querem que não encontre a minha bebé.
A sua bebé morreu, Arthur.
Ela morreu no hospital, no dia em que nasceu.
Não.
Alguém a levou e eles trocaram-na!
O que faz ele?
Tenho sido muito subtil no meu método.
Porque não todas as aves de Londres?
Porque não todas as aves de Inglaterra?
Fechem as portas!
Irei encontrá-la nem que tenha de tirar todas as bebés de Londres!
Jess!
Vai!
- Tenho de ir ter com ele, Bea. - Como assim? Porquê?
Não tenho tempo para explicar. Tenho de lhe tocar.
- Quê? Não! - Por favor, Bea.
Desta vez, tens de confiar em mim.
Jess!
O que se passa?
Onde estamos?
Estamos nas suas memórias, Arthur.
Do dia em que a sua filha faleceu.
Não.
Ela não está morta.
Alguém a levou.
Veja.
Onde está a bebé?
A minha filhinha, quero vê-la.
Receio que não seja possível.
Já levámos o corpo para a morgue.
- É a minha filha! Quero vê-la! - Não.
Era muito doloroso para se lembrar, então, forçou-se a esquecer.
Só me queria despedir.
Deviam tê-lo deixado.
Lamento muito.
Arthur, preciso de ver como obteve os seus poderes.
Angie?
Estás cá, meu amor?
Preciso de ajuda.
Ajuda-me a encontrar a nossa bebé.
Nunca acreditei que resultasse.
Eu apenas precisava de fazer algo.
E algo aconteceu.
Eu conseguia sentir um poder a crescer.
Sentia-me a mudar.
Sentia-o a correr através de mim.
De onde veio?
Não sei.
Lamento.
Lamento muito.
Olá, linda.
Jessie...
...o que fizeste?
Já podemos ir para casa?
Leo?
Não há sinal do rapaz chique?
Ou os teus amigos e a tua irmã não precisam de dinheiro?
Abelha?
Abra a porta!
Sei que está aí!
Não te deixo... fazer isto outra vez!
Para!
Então, não voltes!
Maldito sejas, nunca mais voltes aqui!
Como entraste aqui?
A porta estava aberta.
Deves ter vindo pelo teu dinheiro.
Ficarás feliz em saber
que as bebés regressaram às casas delas.
O Arthur Hilton passará o resto da vida no Bedlam.
Por sorte, a lei britânica não é au fait com o sobrenatural.
Ele balançaria numa forca.
Como soube que a rapariga com quem ando é minha irmã?
Diga-me,
ou nunca mais verá nenhum de nós.
E acho que precisa de nós, da minha irmã.
A tua irmã tem um dom.
Vê coisas que as pessoas normais não veem.
Como soube que ela é dotada?
Quando se luta sempre contra demónios,
aprende-se a reconhecer um anjo.
Está tudo bem?
Sim. Vim receber o dinheiro.
Algo chegou a Londres, miúda.
Uma escuridão entrou nesta cidade.
Conheceste o horror nestes últimos dias?
Não sabes o que é ter medo.
Não te afastes.
Isto é só o começo.
EM MEMÓRIA DE BRIAN NICKELS
Legendas: Ana Paula Moreira
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