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- Acha que tem luzes o bastante? - É lindo!
Essa foi a previsão das 2. Estão ouvindo a KMPC 710 em Los Angeles.
"RELAX"
Apresentamos agora, o premiado "Larry King Show".
O programa ao vivo mais ouvido do rádio.
Larry King.
Conosco, Rex Reed, crítico de cinema do "New York Post".
Fale- me do seu método de trabalho, Rex.
Prefere ver o filme num cinema cheio...
ou numa sala de exibição especial?
Prefiro vê-los de dia. Não gosto de vê-los à noite.
Gosto de estar descansado. Prefiro vê-los às 10 da manhã.
Gosto de estar sozinho na cabine, mas isso raramente acontece.
Não gosto de exibições à noite, com o cinema cheio.
Quando enchem o cinema com as secretárias da produtora...
e com todos os seus primos em segundo grau...
porque querem uma plateia que grite.
São como as claques nas noites de estreia.
O que acha do que Mel Brooks disse?
"Na comédia, é preciso sempre uma plateia."
Se está só, de manhã, vendo uma comédia...
Se for engraçada, vou rir.
Não preciso do riso dos outros para me lembrar de rir.
Não respondo muito bem à histeria em massa.
Com Rex Reed, aguardamos a chamada de vocês.
- Começaremos com Cincinnati. - Bom dia, Larry.
Rex, quero lhe dizer que a sua franqueza...
é um grande alívio, e o seu humor me diverte.
Sua opinião combina com a minha.
Ela, às vezes, me mete em encrencas.
- Você se importa? - Eu me importava bastante.
É mesmo?
Hoje em dia, eu posso ir ver...
eu me permito ir ver um filme com censura livre.
Não gosto de me sentir incomodada.
Vi "O Corcel Negro" duas vezes, se é que me entende.
- Qual é a pergunta? - Sexo não é um esporte púbico.
Quando veremos filmes bons e limpos outra vez?
Tivemos alguns ultimamente. Concordo que a imaginação...
pode fazer muito mais por uma cena. Ajuda a manter uma emoção.
Muitos dos filmes que vi na minha adolescência...
eram bem mais sexy do que os de hoje.
Em "Vontade indômita", com Gary Cooper e Patricia Neal...
- Linda? ...apenas com um olhar...
Ela dizia tudo com seu rosto. Eles nem tiravam a roupa.
Está dormindo?
Talvez não devêssemos nos mudar.
- Meu Deus. O que foi agora? - É hora de fazer essas perguntas.
Vendemos a casa. Devíamos ter nos perguntado antes.
- Não posso falar? Boa noite. - Está nervoso por causa de amanhã.
Terá a promoção. Vamos mudar e ser felizes. Está bem?
A sua voz enche esse quarto de emoção.
Estou cansada, pare de se questionar.
Tomamos a decisão certa. Vamos curtir.
- Está bem. Boa noite. - Boa noite.
- Por que aquela casa? - O quê?
É muito perto. Devíamos mudar para mais longe.
- Precisamos de espaço e lá tem. - Uma casa não é só espaço.
Podíamos alugar um depósito. E ela nem tem quadra de tênis.
- Não jogamos tênis. - Se tivesse quadra, aprenderíamos.
Um dia teremos uma, e aprenderemos.
Está bem.
- Posso perguntar outra coisa? - O quê?
Por que deixamos a transportadora empacotar?
Devíamos ter feito isso. Fomos irresponsáveis.
Não acredito. Num minuto fala de uma quadra de tênis...
depois se preocupa com a embalagem.
Gostaria que fôssemos um pouco irresponsáveis.
- Como assim? - Durma, vai se sentir melhor.
Como assim, "irresponsáveis"?
- Acha que somos muito responsáveis? - Às vezes somos controlados demais.
Você acha? Somos controlados demais?
Como se compra uma casa de 450 mil dólares...
e se tem tudo, criados, se não se é controlado?
- Do que está falando? - Vou dormir na garagem.
- Não faça isso! - Por que não?
Sou responsável. Vou vigiar o carro.
Você é louco!
Louco e responsável. Uma combinação poderosa.
Não vou dormir na garagem. Não sou um animal.
- Não sou um animal! - Vem pra cama.
Desculpe.
- Mas não me xingue. - Xingar como?
Responsável não é o mesmo que chato e quadrado? Sei o que quer dizer.
Faço o que posso. E você não é tão irresponsável assim.
Veja seu emprego. Chefe de pessoal. É como num campo nazista.
Se contrata quem não gostam, é despedida.
Desculpe ter usado aquela palavra.
Depois de amanhã, tudo vai melhorar. Não acha?
Você sempre diz isso.
Eu sei. Por oito anos, tenho sido um bom empregado.
Amanhã, recebo essa promoção, e ponto final.
Terei participação na agência.
Isso me tornará genuinamente responsável.
Poderei ser irresponsável. Estarei numa posição de responsabilidade.
- Você entende? - Acho que sim.
- Boa noite. - Boa noite.
Como está?
Fico lisonjeado.
É muito.
Vamos celebrar isso com um churrasco na minha casa nova.
Claro.
Costela, peixe, não importa, qualquer coisa.
- Já fez... - O que está fazendo?
- Nada. - Pode me encontrar em 20 minutos?
Não posso escolher ladrilhos! É o dia mais importante da minha vida.
- Mas íamos escolher juntos. - Não posso.
- Você fica mais na cozinha. - A cozinha não me interessa.
- Está bem. - Ficou zangada.
- Não. Boa sorte na promoção. - Não posso pensar nisso.
Boa sorte.
Como está?
- Bom dia, Sylvia. - Bom dia.
- Oi, você é o Bob? - Bob? Não.
Desculpe.
Achei falta de educação. Tenho de desligar. Bom dia.
- Como vai? - Bem. A reunião é em 45 minutos.
- Estou nervoso. - Está ótimo.
Você também. Suspenda as ligações. Quero ficar só.
- Ligue para a concessionária. - Está bem.
- Oi. - Oi.
- E então? É bonita? - O quê?
- A cozinha. Como é? - Escolhi uma cerâmica laranja.
- Laranja? - Laranja queimada.
- Deve ser bonita. - Patty, pode fechar a porta?
- O que foi? - Vou odiar essa casa.
Do que está falando?
Depois que o empreiteiro saiu, fiquei sozinha.
Sentei no chão da sala, e fiquei tão triste.
Vi os próximos 10 anos, e comecei a tremer.
Não gosto de mais nada. Minha vida, minha casa, nada.
- Como assim? - Nada muda. Nem eu, nem David.
Tudo parou, e a vida vai passando.
Ele realmente acredita que essa promoção vai mudar tudo.
Acha isso de toda promoção, e nada muda.
- As coisas são sempre as mesmas. - Talvez mudem dessa vez.
- E se não mudarem? - Então, não mudam.
Peça o divórcio, não sei. Faça o que tem de fazer.
- Hans. Um momento, por favor. - Esperei a manhã toda.
- Obrigado. Aqui é o Hans. - David Howard.
- Como vai, Davíd? - Escute.
Estou decidindo. Acho o interior bege melhor.
E, com o marrom escuro, é a melhor combinação.
- A mais bela que temos. - Me diga de novo.
Tudo, taxas, licença, a entrega na minha garagem...
Não sei onde fica sua garagem, mas são US$ 44.420.
- Certo? - É muito dinheiro por um carro.
- Não é um carro, é uma Mercedes. - Mesmo assim, é muito dinheiro.
Então, compre um Nova.
Não há nenhum custo adicional? Não precisarei pagar mais nada?
Tem só o assento de couro.
- É mesmo? Não vem com o couro? - Não. Tem de colocar.
- Com o que vem? - Com o "Couro Mercedes".
- O que é isso? - Um vinil grosso. Lindo.
- Eu prefiro. - Ótimo.
- Um lindo estofamento plástico. - Não acha que deveria ser couro?
Se comprar o carro, boto couro nele.
- Está bem. Obrigado. - Você vem amanhã?
Tenho de pensar, falar com minha esposa. É uma grande decisão.
- Que tai na sexta? - Não posso dizer exatamente o dia.
Vai perder o carro. Celebridades querem comprá-lo.
Eu ligo pra você. Só um minuto. É o meu interfone.
Está na hora da reunião.
O Hans está na linha me pressionando. Pode me ajudar?
- Ele liga depois. Boa sorte. - Chegou a hora.
Entendo. Mas agora é impossível. Ligaremos pra você.
Um momento, por favor. Bom dia.
- Entre. Ele o espera. - Obrigado.
- Boa sorte. - Obrigado.
Este é Brad Tooley. Brad, David Howard.
Brad ingressou na agência no leste.
Era um dos cobras da Doyle Dane. Tivemos sorte.
Os dois maiores na publicidade estão aqui.
Brad adorou seu trabalho. Não foi, Brad?
Impressionante.
A campanha da Knudsen é uma das melhores que eu já vi.
Obrigado.
Brad juntou-se a nós por um motivo.
Vamos ganhar a Ford.
- Não acredito! A Ford? - Caminhões, também.
- Seremos a maior agência do mundo! - É só o começo.
Não acredito! Que semana para todos nós! Que ótimo!
Nem fale. Como vice-presidente, estarei aqui 24 horas por dia.
Não se preocupe, vou morar nesse andar.
É valioso demais para esse cargo. Vai para Nova York ajudar o Brad.
Ficarão encarregados da conta da Ford. Apresse-se...
começa em 2 semanas.
- Desculpe. Não ouvi direito. - Começa em 2 semanas.
Espere. É muita informação. Me perdi depois de "vice-presidente".
Contratei Phil Shubano.
Não pode. Não entendo. Sou o vice-presidente.
- Phil Shubano é o vice-presidente. - E eu sou o quê?
Isso é um elogio.
Pedi o melhor homem, e ele nem hesitou.
Não mesmo? Não quero ir para Nova York.
Quero o cargo que mereço, não ser transferido para outra conta.
- Não é uma conta qualquer. - É a Ford.
Eu sei que é a Ford. Mas tem que cumprir sua promessa.
- Não prometi nada. - Disse isso em almoços por anos.
Estava me preparando para o cargo.
Estou aqui há mais tempo. Oito anos.
Phil está há menos de dois.
Ele é mais o tipo executivo. Preciso de você na criação.
Então, está explicado. Por ser esperto, me mudam para outra conta.
E, sendo menos inteligente, ele fica no cargo que esperei a vida toda!
Fala como se fosse uma conta qualquer. É a Ford.
É alguma piada? Já fez isso antes. Odeio quando faz isso!
Droga, Paul. Você me pegou novamente.
- Quando é a surpresa? - Não há surpresa.
- Estou oferecendo algo importante. - Ir para Nova York?
Fale da campanha. Vai ajudar.
Temos os direitos de "New York, New York".
- Não. Agora não. - Ouça isso.
Criei isso no avião.
É assim...
Esse carrinho para cidade
- Vai fazer você viajar. - É ótimo.
- Não quero ouvir. - É um Ford.
Brad, cale a boca! Escute, quero o que mereço.
Isso é injusto! Estou aqui há muito tempo.
Por favor, faça-me vice-presidente, e farei o que quiser.
- Não pode fazer isso comigo! - Achei que ia adorar.
Se é tão bom, vá você! Eu fico aqui.
Levo você ao aeroporto.
- Não fale assim. Sou de lá. - Eu sei, e não quer voltar...
porque o roubam assim que você chega.
Não me ofenda. Nova York é uma grande cidade.
Cale a boca, Brad! A sua música é uma bosta e seu terno é horrível.
- Já chega. - Nem comecei.
Vamos fingir que foi um grande engano.
Serei vice-presidente, que é o que eu mereço...
assumo a Ford e faço um grande trabalho.
Vamos acabar com essa brincadeira.
- O cargo está preenchido. - Dane-se!
Chega! Saia daqui.
Passei o fim de semana perguntando a meus amigos o que achavam.
Todos acham que sou o melhor. Disseram para não me preocupar.
Nem ouviram quando disse que não.
E estão certos. Sou o melhor. Phil Shubano é o noivo!
Estou a seu lado, vendo o seu sonho se realizar.
Olhe, eu sei que está chateado...
e até posso entender. Vou esquecer o que disse.
Sei que não quer desperdiçar 8 anos de companhia.
Dane-se!
Não posso trabalhar com ele. Vou para o hotel.
Nem eu. David, está despedido.
Despedido? Estou despedido?
Isso é ótimo! Como ousa?
Quero meus oito anos de volta! Desperdicei minha juventude!
Estou acabado! Quero minha juventude de volta!
Vou ficar aqui até devolvê-la! E vou levar umas coisas.
- Quero seu relógio! - Chame a segurança.
- Está chamando os tiras! - Agora mesmo, na minha sala.
- Não acredito! Segurança! - Vou comer alguma coisa.
- Não acredito. - É um erro.
- Nem me conhece, careca bundão! - Basta! Droga!
- Sente-se aí! - Escute...
eu costumava rir de meus colegas que tentavam se encontrar.
E acabei aqui. Não acredito.
E o que recebo? Uma transferência! Depois de anos!
Podia conseguir isso na rua! Não vou sair sem uma recomendação!
A propósito, sua peruca não é mais segredo.
- Sim, senhor. - Acompanhe o Sr. Howard.
Não é preciso, parto alegremente.
Tudo bem. Estou indo alegremente.
Mas quero que as pessoas nesse escritório saibam o que aconteceu!
Nunca almocem com esse sujeito! Tomem cuidado! Nunca!
Ele irá falar como o futuro será bom.
Eu vi o futuro! É um careca de Nova York!
Talvez devesse falar com Cindy sobre isso. Ela sabe mais que eu.
Talvez às 3:15. Certo. Tchau.
- Peça demissão. - Pedir demissão?
- Eu pedi. Peça! - Pediu demissão?
Não, fui despedido. Dá no mesmo.
Você tinha razão. Chega de responsabilidades!
Estou livre. Eu estava cego. Era um homem morto.
Não era para levar tão ao pé da letra.
- Salvou minha vida! - Foi só uma palavra!
Estavam me masturbando!
Estavam me masturbando. Não ia a lugar nenhum.
É um caminho que não vai a lugar nenhum. Não sabia?
É uma estrada onde anda em círculos.
Falsas promessas e um relógio aos 70 anos.
Quem foi nomeado?
Não ligo mais para a vice-presidência.
Cansei de ser programado como um robô.
- Phil Shubano! - Por quê?
Sei lá! É um desqualificado filho da mãe! A vida é injusta.
Mas há um equilíbrio. Vai comprar o barco que namorei por 3 anos.
Vai naufragar e ser devorado por focas!
- Você gosta do Phil. - E daí? Pode acontecer.
Não morrerá, mas jamais voltará para casa.
- Peça demissão. Espero aqui. - Por quê? Agora não posso.
- Eu pude! - Eu sei...
mas meu chefe não está, não tenho a quem pedir.
É hora de sair. Fazer contato com os índios.
Ver as montanhas, a pradaria e todo o resto.
Vamos fazer sexo agora mesmo, bem aqui.
Tem muita gente. Vamos fazer em casa.
- Mais tarde. - Não somos espontâneos!
- Por que não? É um lugar coberto. - Mais tarde.
Não se transa na frente de certas pessoas. Vamos achar outras...
e transar na frente delas.
- Somos livres. Demita-se agora. - Me demitir?
Agora mesmo. Ótimo. Vou esperar lá fora.
Meu chefe não está. Vamos discutir isso em casa.
Estou superexcitado. Mas é real! Real!
- Em casa. - Tenho coisas a fazer.
Eu te amo muito. Última chance para uma rapidinha. Vamos!
"Rancho com três quartos, três acres e meio...
condições impecáveis, lareira, 55 mil dólares."
- É lindo. - "Casa de campo, perto de fazenda.
129 mil. Quatro quartos, 2,5 acres, com lagoa."
Uma lagoa? 49 mil dólares.
- E parece melhor que essa casa. - Espere.
"5 acres em Connecticut. 80 mil." Como pode?
Porque é lá. Nossa casa nova lá ia valer só uns 200 mil.
Pagaríamos a metade do que estamos pagando.
Veja isso.
"Acomoda duas famílias. Estábulo. 55 mil."
Olhe essa casa. Tem um sótão habitável.
- É lindo. Tem janelas. - Quando viu isso na Califórnia?
É habitável. Botamos um ventilador e um camundongo lá.
Tem um farol. Um farol de verdade. Olhe.
Meu Deus. "Dois quartos, cozinha, sala de jogos." Para quê?
Não sei. Vá lá perguntar.
Fiz isso a tarde toda. Diga o que acha.
Aqui está. É tudo que temos.
Pegamos carona na inflação. Não vai acreditar.
Compramos essa casa em 1978 por 150 mil.
Se a vendermos e não comprarmos outra...
lucraremos 140 mil.
Nunca mais veríamos esse dinheiro comprando a outra casa.
Se desistirmos, perdemos os 15 mil do depósito.
Mas é dinheiro bem gasto, prometo.
Ficamos com 125 mil. Liquidamos tudo, as ações, os bônus de seu pai.
0s dois carros valem no mínimo US$ 16.500.
Uma estimativa conservadora. Juntando tudo...
nós teremos, no mínimo, 190 mil dólares em dinheiro vivo.
- Impossível. - Estou dizendo. 190 mil dólares!
- Não acredito. - Compraremos um trailer grande...
...viveremos nele para sempre. - Quanto custará?
Adivinhe quem já verificou? "Olá, amigo."
Um trailer custa 45 mil. Um grande, completo.
9 m de comprimento, quarto, banheiro, cozinha, micro-ondas...
televisão.
É lindo! Lindo! Melhor que a casa nova, e com rodas.
Ainda ficamos com 145 mil em dinheiro!
Não dá para viver 20 anos com 145 mil...
num trailer, comendo, pintando e escrevendo?
Falávamos disso quando tínhamos 19 anos.
Falávamos em nos encontrar, mas, sem dinheiro, víamos TV.
É como em "Sem Destino". Mas é a nossa vez.
Podemos largar tudo e viver do nosso pé-de-meia!
Nunca soube de algo assim!
E se gostarmos de alguma dessas fazendas em Connecticut...
ainda teremos dinheiro para dar um sinal?
Podemos comprar o farol e o lago.
E ainda sobra dinheiro. Por que está chorando?
Podemos mesmo fazer tudo que quisermos?
Quem nos impede?
Ninguém.
ESTAMOS COM VOCÊS EM ESPÍRITO Flórida, recebi a Flórida!
Vou sentir saudades!
Senhoras e senhores, sua atenção, por favor.
Quero fazer um brinde. Aos nossos amigos...
David e Linda Howard, boa sorte.
Obrigado. "Boa sorte"? Um homem de poucas palavras.
É muito agradável estar aqui...
com vocês. Tenho uma declaração a fazer.
Embora sem destino e vagando pelo país...
nossa primeira parada será em Las Vegas, Nevada.
Eu gostaria muito, se ela me aceitar...
de casar outra vez com minha esposa adorável.
- Que ótimo. - Experimente.
Coube?
Estamos nervosos. Eu bêbado, você nervosa.
Que bom.
Uma senhora de 80 anos me ajudou a escolher.
Mas não sei se apontou para esse mesmo.
Acho que sim. Pelo menos espero.
Vamos ver se faço um brinde melhor que o do Ray.
Aos nossos amigos maravilhosos. Sentiremos saudades.
Agradecemos a amizade. Obrigado por essa festa.
E obrigado por se casar de novo comigo.
E boa sorte comigo.
E América, cuidado!
Lá vamos nós!
Querida. Venha para cá. Estamos deixando a cidade.
É um momento histórico.
Essa cozinha é ótima.
- Queijo quente. - Legal.
Micro-ondas?
- Quanto tempo levou? - 28 segundos.
- Incluindo o tostar? - Tudo. Não é ótimo?
Tosta muito bem.
Nunca comi um queijo quente igual. Uma delícia.
Adoro nossa cozinha nova.
Quanto mais longe de Los Angeles, melhor fica.
Sabe de uma coisa? Estou nervoso, mal posso esperar para casar.
Não vejo a hora. Estou emocionado.
Eu também.
Clara disse que a capela Sino Prateado é a mais bonita.
- Gosto do nome. - Chegaremos às 10:30...
nos casamos e caímos na estrada.
Las Vegas, lá vamos nós!
- Acha que tem luzes bastante? - É lindo!
Veja esses sinos. É emocionante. Eu gostei. Vamos!
- Não está cansado? - Excitado!
- Podemos fazer isso amanhã. - Estamos aqui! Vamos fazer agora!
Devemos deixar para amanhã. Estaremos mais descansados.
- Nos casaremos ao amanhecer. - Está bem.
Ótima ideia. Acamparemos sob as estrelas e voltaremos...
seremos o 1° casal do dia. Ótimo. Vamos fazer isso.
- Tem certeza de que quer acampar? - Claro. Você não quer?
Por que não temos uma lua-de-mel à moda antiga?
Ficamos na suíte nupcial do melhor hotel e celebramos.
Não queremos ficar em Las Vegas. Representa tudo que abandonamos.
Só essa noite. Será legal ter serviço de quarto...
fazer amor numa cama grande e assistir a filmes pornôs.
- Não seria legal? - Filmes pornôs?
- E o contato com os índios? - Só essa noite, e então nunca mais.
Podemos tomar banho juntos naquelas banheiras enormes.
Quer tomar banho comigo?
Não fazemos isso há muito tempo.
Isso te deixará feliz?
Você manda.
- Como vai? - Boa noite.
Minha esposa e eu abandonamos a sociedade e queremos...
- Peça um quarto. - Farei do meu jeito.
Nós íamos acampar, dormir sob as estrelas...
mas vamos nos casar de novo amanhã e queremos a melhor suíte nupcial.
Têm reserva?
Abandonamos a sociedade. Não fazemos mais reservas.
Nós fazemos. Sinto muito, mas a suíte está ocupada.
- Tentamos. - Não está ocupada.
Não está. Dê algum dinheiro a ele, e teremos a suíte.
- Quanto dou? - 50 dólares.
Dê o dinheiro pra ele.
Eu já trabalhei com computadores...
e sei que, às vezes, são complicados.
Por que não dá mais uma olhada, e quem sabe?
Eu entendo. Vou checar.
Não. Está ocupada.
- Dê mais dinheiro. - Já dei 50.
- Não posso dar todo o meu dinheiro. - Dê mais dinheiro pra ele.
- Não posso... - Só mais um pouco. Dê pra ele!
Não sou bom nisso. Não pego bons lugares em jogos.
Nunca sento nas melhores mesas, não sei como fazer isso.
- Para poupar tempo, quanto quer? - 100 dólares.
Meu Deus. Espere um minuto.
Há um engano, pagamos por uma suíte. Essa porta abre?
- É a Suíte Nupcial Júnior. - O quê?
Suíte Nupcial Júnior.
Paguei 100 dólares pela melhor suíte. Existe uma Sênior"?
- Não sei. - Dei 100 dólares.
Eu não sei.
Isso vai dar numa grande sala de estar?
Eu não sei.
Não há colchões grandes em forma de coração? Não dá pra juntar esses.
- Eu não sei. - Não sabe.
Obrigado pela ajuda.
- O que acha? - É o quarto dos filhos do Liberace.
Vou olhar o banheiro.
Corações bonitinhos.
- A banheira é grande? - Não tem banheira.
Só um pequeno chuveiro em forma de coração.
Lá se vai a fantasia da banheira. Só resta a comida e o filme pornô.
Vamos ver um show e jantar.
Vamos manter nosso plano e sair ao amanhecer.
Vou tomar um banho bem quente. Vai ser divertido.
Querida, vamos nos casar.
Querida?
Não pode entrar aqui assim.
Eu assisti a O Cavaleiro Elétrico". Um animal aceso passou por aqui.
Volte pra mim, 22. Volte pra mim.
Vamos, 22. Volte aqui, volte aqui.
- O que está fazendo? - Agora não, vá embora.
- Há quanto tempo está aqui? - Vamos pro 22.
- 12. - Quanto perdeu?
- Droga! - Quanto é isso?
- Mais uma vez. 22. - Por que está apostando no 22?
- Temos de conversar. - Volte pra mim, 22.
Ela está aqui a noite toda. E não está ganhando.
- Quanto perdeu? - Fale com ela.
- Quanto? - Fale.
- O homem disse que está perdendo. - Que homem?
- Esse atrás de você. - Estava sem sorte.
- Está com sorte agora? - Ainda não. Mas vou conseguir.
- Vai me dar azar. Pare! 22! 22! - Já está com azar.
22.
Legal! Legal! Sinto muito!
- Quanto? - 35.
- Ganhamos! - Ainda não.
- Quanto falta? - Um bocado.
- Quanto ela perdeu? - Um bocado.
- Quanto perdeu? - Um bocado. Tudo.
- Tudo! Tudo no 22 e mande ver. - Como assim?
- 22, volte pra mim. - Por que só nesse número?
- Zero, zero. - Droga!
Você perdeu. Acabou.
- Como assim, "tudo"? - 22! 22!
Não temos mais dinheiro. Pare! Não temos dinheiro!
- Ela gosta mesmo do 22, não? - Pare! Venha!
- Vou ganhar com o 22. - Não vai mais jogar.
- Bom dia. Posso ajudá-los? - Nós só... Tudo bem.
Sente-se aqui.
O que houve?
- Às 2:30, tinha ganhado 100 mil. - 100 mil dólares?
Quando começou a jogar tanto dinheiro?
Nunca vi tantas fichas na minha vida. Estavam por toda parte.
- Não tinha fichas quando cheguei. - Mas posso recuperá-las.
Pare!
Você pegou o dinheiro que estava no quarto?
Usou seus cheques?
- Os cheques de viagem? - Também.
Todo o nosso pé-de-meia?
- Quanto sobrou do pé-de-meia? - Nada.
Uns mil dólares, mais ou menos.
"Uns mil dólares, mais ou menos"!
- Meu Deus! Eu não acredito. - Escute.
- É como no "Além da Imaginação". - Nunca tinha sentido isso.
As pessoas estavam torcendo. Era como estar em outro planeta.
Eu não ligava. Não tinha problemas. Sabe o que é isso?
Por que não me disse quando casamos que era viciada em jogo?
Acha isso justo? Então eu decidiria.
É como doença venérea. Tem de contar.
- Só tinha jogado duas vezes. - Duas vezes?
Essa foi a segunda.
Eu não acredito! Eu não acredito! O que foi que eu fiz?
Por que isso aconteceu? O que foi que eu fiz?
- Não entende. - Espere. Estou revendo minha vida!
O que fiz? Temos de fazer algo. Deve haver um jeito.
Deixe-me pensar. Só me deixe pensar.
Se pegar uma cartela de bingo, eu te mato! Eu te mato!
Escute, fique aqui. Vou falar com alguém.
Acho que posso recuperar nosso dinheiro. Fique aqui.
Não se mexa. Eu já volto. Fique aqui. Fique!
- Por que me trata como um animal? - Explico depois. Quieta!
- Como está? - Queria lhe falar em particular.
Vamos lá em cima.
- Como está? - Bem.
Obrigado por me receber. Ouvi falar de você.
- Como assim? Com quem falou? - Coisas boas. Tem boa reputação.
- Dirige um grande cassino. - Obrigado. Sua esposa está melhor?
Bem melhor. Vou apresentar uma ideia.
Mas antes vou apresentar minhas credenciais.
Fui diretor de criação da Ross e McMahon.
Conhece?
Uma das maiores agências de publicidade do mundo.
Era diretor de criação. E quando tenho uma ideia...
Não sou um panaca. É o meu negócio.
Minha esposa e eu abandonamos a sociedade.
E íamos viajar pelo país em busca de nós mesmos.
Como fizeram em "Sem Destino".
- Sem o quê? - "Sem Destino", o filme.
- Não assisti. - Ótimo filme. Deveria assistir.
Minha esposa e eu vendemos tudo.
Juntamos um pé-de-meia...
e íamos viajar pelo país, em busca de nós mesmos. Vivendo.
- Perdemos nosso pé-de-meia aqui. - Sei que perdeu muito dinheiro.
O quarto e a comida são de graça. Grátis.
Não quis dizer isso. Não foi o que eu quis dizer.
Vou lhe explicar minha ideia. E, por favor, guarde segredo.
Se outro hotel souber, ele a roubará. É o meu negócio.
A jogada mais ousada da história da publicidade. Devolva meu dinheiro.
Como?
Devolva nosso dinheiro. Pense na publicidade!
O Hilton tem cartazes...
com rostos de ganhadores de caça-níqueis por toda a Los Angeles.
Funciona. As pessoas nas esquinas dizem: "Vou ficar no Hilton".
Devolva nosso dinheiro.
Não sei, estou só chutando, mas um painel podia dizer:
"O Desert Inn devolveu nosso pé-de-meia".
Isso daria ao Desert Inn... Não se associa Vegas com sentimentos.
Primeiro, as pessoas nos anúncios ganharam.
- Vocês perderam. - Mas essa é a ideia!
- Essa é a campanha. - Que campanha?
Devolveu nosso dinheiro porque analisou nossa situação...
e percebeu que abandonamos a sociedade.
Que não somos jogadores e que cometemos um erro.
E devolveu nosso dinheiro. Ficará lotado pelos próximos dez anos.
Todos vão pedir o mesmo. Dirão: "O Desert Inn devolve dinheiro".
Não os jogadores. Fique com o dinheiro deles.
Minha esposa e eu não somos jogadores. Essa é a diferença.
Nós representamos uns poucos, talvez não haja mais ninguém...
nunca mais acontecerá isso. Talvez sejamos os únicos.
Nós representamos as pessoas que se arriscaram...
e cometeram um erro. E o Desert Inn o corrigiu e nos devolveu tudo.
É uma sensação boa.
Mas todos vão querer seu dinheiro de volta.
Na campanha, mostraremos a diferença entre os ousados...
e os trouxas que vêm ver o Wayne Newton.
- Eu gosto dele. - Eu disse "Wayne Newton"?
Disse: "Trouxas que vêm ver o Wayne Newton".
Eu gosto dele. Sou um trouxa?
Foi estúpido usá-lo como argumento.
Me refiro às pessoas despreocupadas...
que vêm ver um show. E minha mulher e eu...
se nos conhecesse, acreditaria em mim.
- Você é ousado. - O que acha?
- Os cartazes não iam funcionar. - O cartaz é má ideia.
Um jingle. Uma campanha na TV. "O Desert Inn tem coração."
"O Desert Inn tem coração."
Já chega.
O cassino é a nossa maior fonte de renda.
Não é a lanchonete e nem o show. O cassino paga as contas.
Se devolvermos o dinheiro de todo mundo, não pagamos nossas contas.
- Sinto muito. É nossa política. - Me responda.
- Para que serve uma casa de caça? - Para caçar.
- E uma casa de repouso? - Para repousar.
E com o que associa o Desert Inn? Com nada, não é?
Com o jogo. As pessoas vêm aqui para jogar.
Para caçar, vão a Wisconsin. Para repousar, a New Orleans.
Para jogar, vêm a Las Vegas. Por isso é a cidade do jogo.
Vê cartazes com homens atirando em patos?
É um lugar de jogo. Não se caça patos aqui. Nem guaxinins.
Todos vêm jogar. É o que fazemos. Você é um cara legal, me fez rir.
Mas não podemos devolver dinheiro. Sinto muito.
Dê lembranças à sua esposa. Preciso ir.
- "De Ilusão Também Se Vive". - É um filme de Natal.
A Gimbel's achava que perderia mandando clientes a outras lojas.
Acabaram se dando bem. Achavam que perderiam, mas não perderam.
É a mesma situação. Não custará nada.
Devolver nosso dinheiro não é nada. Sairiam ganhando.
Errado.
Naquele filme, Papai Noel cuidou de tudo.
Havia a Macy's, a Gimbel's, mas Papai Noel cuidou de tudo.
- Não temos Papai Noel. - Arranjamos um.
- O quê? - Papai Noel!
É a campanha! Estou todo arrepiado.
No painel, nos entregando nosso pé-de-meia.
Associaremos, pela primeira vez, o Natal com Las Vegas.
"Las Vegas, um lugar para estar no Natal."
Nossa conversa acabou.
Eu não aguento. Diga alguma coisa.
Grite, saia da estrada, qualquer coisa. Só não fique tão calado.
- Estou bem. - Eu não.
Não sei como me desculpar.
Não é normal. Vai ficar doente. Se fosse você, eu ficaria furiosa.
Não pode segurar, solte sua raiva.
Estou bem.
Não posso continuar me desculpando pelo que fiz.
Falemos dos nossos sonhos, são os mesmos. Só não temos dinheiro.
Não é que não tenhamos dinheiro, nós temos algum.
- Temos 802 dólares. - É alguma coisa.
É alguma coisa.
Devíamos tentar aproveitar o resto do dia.
Estamos perto da represa Hoover.
Por que não vamos até lá?
Podíamos passear, fazer um piquenique.
Ar fresco. Não seria bom?
É o que você quer?
Está bem. Represa Hoover.
Bela represa, não?
Quem pula primeiro?
Está com fome?
- Estou faminta. - Não devia comer agora.
Por quê?
Não devemos gastar o pouco que temos comendo porcarias.
Por que não me dá metade do dinheiro...
e faça o que quiser com o resto. Me parece justo.
Justo? Justo?
Não acredito! Já chega! Fui controlado demais!
Como assim? Pegou nosso pé-de-meia e perdeu tudo no jogo!
Deu tudo para o cassino. Justo? Eu estava dormindo!
- Bote para fora. Ótimo. - Não me trate como louco!
Vamos para dentro. Não grite comigo aqui fora.
"Aqui fora"? Moramos aqui!
Acostume-se, querida! Essa será nossa casa para sempre.
É isso! Nós nos encontramos!
Nós nos encontramos no meio do nada e sem nada!
Aonde vai?
Por favor, entre.
- O que é? - Sente-se.
- O que é? - Sente-se.
Escute...
peço desculpas do fundo do meu coração. Vou compensá-lo.
- Levo seu café na cama todo dia. - Afaste-se dos mantimentos.
Eu só queria entender. Não consigo.
Eu me contive tanto tempo, que explodi.
- Conteve o quê? - Tudo.
Você não era o único insatisfeito com sua vida.
Trabalhei sete anos naquele escritório sem janelas.
Estava enlouquecendo.
Por que não me acordou e disse que tinha problemas?
Se tivesse me pedido para jogar, talvez eu tivesse dito "não".
O Desert Inn deve ter um psiquiatra de plantão além de um spa.
Alguém que nos aconselhasse. Alguém que dissesse:
"Ela tem de se livrar disso. Gaste 10 mil alugando um dirigível...
e voe por aí mostrando frases positivas."
Seria mais barato e daria o mesmo resultado.
- Por que não me acordou? - Só agora eu entendi tudo.
Parabéns, que bom que entende. Infelizmente, continuo perdido.
E não temos dinheiro para eu me tratar.
Resolveu seu problema, e só me sobraram alguns dólares.
100 mil pra você, 100 pra mim. E eu estava pior que você!
É culpa minha. Talvez não tenha explicado bem o nosso pé-de-meia.
Se não entendeu, ele é algo sagrado.
Se tivesse entendido o princípio, vou chamá-lo assim...
na 1ª de muitas explicações que eu dei...
Se vamos fazer outro, você vai ter de entender seu significado.
O pé-de-meia é um protetor, um deus, ficamos embaixo dele...
e estamos protegidos. Sem ele, desprotegidos.
Se chover, embaixo dele não nos molhamos.
Sem ele, encharcados. É o fim.
- Não entendeu, e estamos aqui. - Entendo o pé-de-meia.
Não use essa palavra.
Está proibida de usar essa palavra!
Só quem entende pode usá-la.
Nem em partes! Não diga pé", nem "meia".
Em vez de "pé", diga extremidade inferior".
E, se vai calçar meias, diga peúgas".
Puxa.
Sabe o que eu gostaria de fazer?
De lhe passar um castigo antes do almoço.
Escreva mil vezes no asfalto...
"Perdi o pé-de-meia." Vamos, diga 500 vezes.
"Perdi o pé-de-meia."
Já comecei. Me acompanhe!
"Perdi o pé-de-meia."
Cale a boca!
Não é assim que se abandona tudo.
Quando se abandona tudo, se abandona sem nada.
É mesmo? Onde leu isso? No "Guia de Las Vegas"?
Não li. Amigos me disseram. Gente que sabe.
Não conhece ninguém que saiba. Ninguém faz o que fizemos!
Em "Sem Destino", em que está baseando a sua vida...
não tinham nada! Não tinham pé-de-meia!
É claro que tinham. Um monte de cocaína!
- Não é verdade. - É.
Eles vendiam cocaína.
Espere um segundo.
Não vou ficar nesse lugar lindo discutindo um filme antigo.
Se sabe como fazer 800 dólares durarem a vida toda...
...bata à porta. - Esqueça!
- O quê? - Tudo!
A única coisa boa que aconteceu foi esquecermos de nos casar.
- E ninguém lembrou de falar nisso. - O que quer dizer?
Desse jeito, fica muito mais fácil conseguir um divórcio.
Seis semanas em Nevada, e está acabado.
- Não fala sério. - Pode apostar. Sabe por quê?
Nunca vai me deixar esquecer isso. Vai me culpar o resto da vida.
Tchau. Acabou. Sinto muito.
Não peça carona em Nevada. Não a culpo.
Mandou eu ficar bravo, e fiquei. Pare com isso.
Continua gritando.
Estou gritando porque está com a mão para fora! Pare!
Tenho meus sonhos. Encontrarei quem os entenda e recomeçarei.
Entendo seus sonhos. Abaixe o braço.
- Não faça isso. - Entre.
- Adeus. - Não entre nesse carro! Droga!
Pare!
Perdi uma mulher. Uma mulher inteira.
Sente-se onde quiser.
- Ela não quer falar com você. - É minha esposa. É entre nós dois.
Ela não quer falar com você.
Agradeça a carona e diga que é uma briga de família.
Você não me ouviu, não foi?
Vou contar até três, e você vai sumir.
Não quero que conte. Nós dois sumiremos. Vamos.
Um, dois, três.
Venha, vamos brigar.
- Não quero briga. Ele vai me matar. - Vamos. Nós dois.
Ela é minha mulher.
Obrigado por lhe dar carona.
Meu Deus!
- Você é tudo que eu odeio. - Eu acredito. Eu entendo.
- Chame a polícia! - Chamem a polícia!
Mande-o parar! Socorro! Polícia!
- Chame a polícia! - Alguém chame a polícia!
Se eu não fosse procurado, acabava com você.
- É procurado! - Quando a barra melhorar, eu volto.
E vou te matar. Você já era, cara.
- Vai morrer! - Vou morrer!
- Parou? - Você está bem?
Estou. Da próxima vez, peça a uma mulher miúda.
Vai dar tudo certo.
Não teve medo? Do que falaram?
Ele me contou sua vida.
É divorciado, foi expulso do Exército, está desempregado.
- Fugiu da prisão. - O que ele fez?
Disse que os caras já estavam mortos quando ele chegou.
Meu Deus!
Botei ele pra correr.
Tenho pena de quem tenta me alcançar.
Não tem graça.
- Ainda vai rir disso. - Não vou rir, não.
Adultos não deviam sangrar pelo nariz. Só crianças.
- Não tire sarro. - Desculpe.
Aqui é lindo, não acha?
- Aonde quer ir? - Não sei.
- Onde estamos? - Não sei. No Arizona.
- Quer ir ao Canadá? - Canadá?
- Vamos morar no Canadá. - O país?
Sabe quanto gastaríamos com gasolina?
Arizona e Novo México são nossas únicas opções.
De preferência em descida.
Gosto do Arizona.
Viajaremos até acharmos um bom lugar.
Acho que tudo isso foi uma bênção.
- Não comece. Não foi. - Foi.
Não foi uma bênção. Não sei o que foi, mas uma bênção, não foi.
Você vai ver.
- O que ouve? - Olhe.
É o inferno. Estamos no inferno.
Talvez não seja conosco.
Vai me parar para me dizer com quem é.
Nós? Nós?
É com a gente. Estou parando, estou parando.
Estou dirigindo uma baleia.
- Que cara ele tem? - Cara de mau.
Odeio mais o andar dele. Odeio.
Posso ver seus documentos?
- 0 que eu fiz? - 130 km por hora.
130? Meu velocímetro...
Sua carteira e os documentos do veículo.
Acabei de comprá-lo e sei que...
...saindo de Los Angeles... - Obrigado.
- Posso fazer uma pergunta? - Espere aí dentro, por favor.
Espere aí dentro, por favor.
Posso fazer uma pergunta, por favor?
Talvez estivesse a 110 ou 120...
mas acho impossível que estivesse a 130.
- Temos um bom radar. - Radar?
Não funciona nisso. Tem uma escada de metal.
É como uma antena. Pegamos até canais a cabo.
Temos um forno de micro-ondas. Será que não influi?
Não dá interferência?
O vendedor me disse que isso aconteceria.
Juro que disse que seria multado sem motivo.
Amigo.
- Quanto vai me custar? - 140, 150 dólares.
Não podemos pagar. É muito caro. Não temos dinheiro.
Não adianta pechinchar.
- Assistiu a Sem Destino"? - Não funciona.
- O quê? - O filme, "Sem Destino".
É incrível que pergunte isso.
É meu filme favorito. Comecei a andar de moto por causa dele.
Por que pergunta?
Meu marido baseou toda a sua vida nesse filme.
Não minha vida toda. As últimas duas semanas. Como vai?
- Fantástico. - E quando morrem no final?
- Ótimo. - Foi o máximo.
Lembra de Jack Nicholson, com o capacete?
- O papel não era para ele. - É mesmo?
Ele teve sorte.
- Lembra da cena na comunidade? - Com os mímicos?
Uma cena ótima.
Não podia nos livrar dessa vez?
Seria ótimo. É como um clube, não é?
Deem o fora.
Dennis Hopper não multaria Peter Fonda.
Nem conseguiu pegá-lo.
Você foi muito legal. Obrigado. Isso é ótimo.
- Viu "O Exterminador do Futuro"? - Não, mas ouvi falar.
- Devia ver. Se parece com ele. - Obrigado.
Cuidem-se.
Você ganhou US$ 140.
Onde estamos agora? O que diz a placa?
Safford, Arizona.
Minha perna dormiu. Vamos morar aqui.
É bom ver gente jovem aqui. Eu gosto.
Mais quatro, mais três...
e dois e um.
Para a esquerda.
Ótimo.
Querido, vamos, o café está pronto.
- Está bonita. - Bom dia.
Ontem foi incrível.
- Onde arranjou isso? - Trouxemos conosco.
- Bom. - Seu café. Quer ovos? Cereal?
Vamos economizar a comida.
- A que horas acordou? - Há horas.
Já andei por todo lado.
No fim da estrada tem um riacho.
E nossos vizinhos têm um pequeno jardim.
O médico diz que estou perdendo a vista direita.
Não ouvi.
- Estou ficando cego! - Não ouvi!
- Podíamos ter um cãozinho. - "Cãozinho"?
Temos de arrumar emprego hoje.
Vamos arrumar empregos. Ótimo. Vai ser um novo começo.
- É sério. Precisamos de dinheiro. - Ótimos empregos. Hoje.
Não temos um plano.
- Estou pronta. - E eu?
- Devemos ir juntos? - Separados.
Podemos ir a mais lugares.
Tenha cuidado. E arrume um emprego.
Hoje. Aposto que arrumo primeiro.
Quem perder dorme embaixo do trailer.
- Volte antes de escurecer. - Está bem.
Boa sorte.
Coma coisas baratas.
Tchau.
PRECISA-SE DE ENTREGADOR
FARMÁCIA
Com licença.
- Você me assustou. Bom dia. - Oi.
Estou interessado no emprego.
- Para o seu filho? - Para mim.
Para você?
Você tem carro?
- É para entregas. Precisa de carro. - Tenho um trailer.
Um trailer? Não pagaria nem a gasolina com o salário.
- Achei que forneceria o veículo. - Não fazemos isso.
Ia arrumar um estudante com uma moto.
Não creio que um homem mais velho com um trailer daria certo.
- Bem, muito obrigado. - Acho que vou mudar o aviso.
"Rapaz para entregas" fica melhor.
Deixe como está. Tudo bem.
Tem algum emprego que pague bem por aqui?
Deixe-me pensar.
- Não nessa área. - E fora dela?
Não sei de nenhum nesse país. E você?
- Eu sabia, mas agora não sei. - Sinto muito.
- Anda sem sorte? - Não ia querer ouvir.
Claro que ia.
Há uma agência de empregos a uns 800 metros nessa rua.
É um prédio pequeno, mas não há como errar. Talvez possam ajudá-lo.
Obrigado.
- Como posso ajudá-lo? - Preciso de um emprego.
Qual foi a sua experiência anterior?
Trabalhei 8 anos na Ross e McMahon.
Os últimos 4, como diretor de criação. Conhece?
Uma das maiores agências de publicidade do mundo.
Antes disso, trabalhei uns 5 anos fora da publicidade.
Nada muito importante, por cinco anos.
Trabalhei num carrinho de lanches por 7 meses...
em Pittsburgh e cozinhei.
Trabalhei num centro de assistência por 3 meses.
Não dava conselhos. O que fazia mais era atender ao telefone.
O telefone normal, não o de atendimento.
No colegial, trabalhei numa banca de frutas.
Não precisa ir tão longe. Recentemente.
Publicidade. Oito anos, Ross e McMahon.
Qual era seu salário?
80 mil dólares de base, mais a bonificação...
o que dava entre 15 e 25 mil dólares a mais...
dependendo do ano.
Geralmente uns 100 mil dólares.
100 mil dólares?
Sobre que período de tempo?
- Um ano. - Um ano?
- Qual é a graça? - Nada.
O que o traz aqui? Quer dobrar seu salário?
Vim para viver. Quero mudar minha vida.
Não conseguiu mudar sua vida com 100 mil?
O que tem para mim?
Não tenho nada agora que possa lhe interessar.
Volte em um mês.
Estou interessado. O que tem?
Com seu salário anterior, não estaria interessado.
Não me conhece. Posso adorar. O que é?
Guarda de cruzamento.
- O quê? - De cruzamento.
- Numa escola? - E onde mais?
Pensei que houvesse outros tipos.
- Qual o salário? - 100 mil dólares.
Sério, quanto é?
US$ 5,50 por hora, mais benefícios.
Que benefícios?
Transporte de ida e volta para a escola se precisar.
Tem certeza de que não tem nada aí para um executivo?
Não teria uma caixa para colarinhos brancos?
Que tipo de caixa?
Com trabalhos mais bem remunerados.
Já sei! A caixa dos 100 mil dólares!
Fico feliz que tenha se divertido. Mas quero lhe dizer uma coisa.
Fiz uma opção. Fiz uma opção.
Uma opção?
- Você assistiu a Sem Destino"? - Não, assisti a Sem Dinheiro".
- Adoro Rodney Dangerfield. - Sei quem ele é.
Oi, querido.
- Adivinhe. - Um emprego?
- Só saberei amanhã. - De quê?
Não quero dizer nada.
- Dê uma dica. - Assistente de gerência.
O gerente vai pensar bem essa noite.
Não direi mais nada para não dar azar.
- Não acredito. - E você?
- Tive umas boas dicas. - Me dê uma pista.
- Não quero que dê azar. - Eu entendo.
Tenham um bom dia.
Vamos, cara! Anda logo.
Não é pago para coçar o saco! Vamos.
- Nos ajude a atravessar, retardado! - Não me chame de retardado!
Vamos, retardado!
Agora, panaca! Vamos logo! Atravesse a gente agora!
Não temos tempo para esperar. Já estamos atrasados.
Podem se machucar. Atravessem a rua.
- Desçam da bicicleta e andem. - Nos obrigue!
Desçam e andem! Estou avisando!
Você veio do lixão?
Não me responsabilizo pela segurança de vocês.
Morra e nos poupe esse trabalho.
Idiota, cabeça de melão!
Eu também já fui criança. Deem o fora, seus...
Vamos logo, rápido!
Rápido! Vamos lá! Matem as crianças!
Saiam daqui! Saiam!
- Por favor, onde estou? - Safford, Arizona.
Meu Deus! Como chego a Los Angeles?
Sabe onde fica a 70?
Siga três quarteirões. Vê a placa?
Vire a esquerda, e chegará na 70.
Chegando na 70, pegue a 60, e chegará a Phoenix.
Deixe ver se entendi. No sinal, viro à esquerda.
O que está cheirando?
- O estofamento é de couro? - Claro, já vem assim da fábrica.
- É bonito. - É lindo.
Vou até a placa e viro à esquerda, pego a 70 e a 60...
e chego a Phoenix. Está correto?
- Gosta do carro? - E não é para gostar?
- Oi. - Oi.
- O que você é? - Guarda de cruzamento. E você?
Assistente de gerente no Der Wienerschnitzel.
Onde?
No Der Wienerschnitzel. O gerente queria pensar.
Mas disse que era meu assim que eu saí.
Era isso que estava esperando? Vende cachorro-quente?
Isso aqui é ótimo!
Quando se puxa a descarga, para onde vai?
- Quem é ele? - Skip, o gerente.
- Esse é David, meu marido. - Como vai?
É o gerente? Pensou no assunto?
Ele pensou no assunto?
- Como vai? - Me chame de Skippy.
Ela me contou o que fez.
Eu o admiro muito.
Quando for velho, talvez faça o mesmo.
Sabe o que aconteceu hoje?
Ele está cansado. Eu conto depois.
- Quero ouvir o Skip contar. - Obrigado.
Olá. Tínhamos uma máquina de fritura que não sabíamos usar...
mas o engraçado é que a usávamos do mesmo jeito.
Botávamos o óleo e tudo o mais e jogávamos as batatas.
Ficavam prontas, e a gente servia. E aí ela chegou e disse:
"Skip, essas batatas estão congeladas".
E aí olhamos na luz, e estavam mesmo.
- Tinha pedacinhos de gelo. - Comiam congeladas.
- O que queria? - Pare.
A questão é que ela viu esse pequeno detalhe no 1° dia.
Pode acreditar? Tem uma boa mulher.
- Por isso me casei com ela. - Por isso eu a contratei!
- Gostaria de falar com ela. - Vá em frente.
Venha cá.
Não me entenda mal. Essas duas semanas foram muito divertidas.
Não saiu como esperávamos...
mas, se ainda estamos juntos, vamos continuar assim.
Saber isso é ótimo e me deixa muito feliz.
Eu disse que isso era uma bênção.
Certo.
Com nossa idade e esses empregos, não faremos outro pé-de-meia...
nunca. Nunca teremos nada.
Acho que deve haver um jeito melhor de se recomeçar.
E pensei num plano que talvez possa apressar isso.
- Quero sua opinião. - É mesmo?
Estava pensando a mesma coisa.
- Estava? - Estava.
- O que é? - Qual é seu plano?
Não é bem um plano é mais uma recuada. Qual é o seu?
Ir para Nova York o mais rápido possível.
Engolir sapo? É o meu plano também.
Skippy, fora.
SECRETARIA DE TURISMO DO TEXAS
Brad!
- Como vai? - Meu Deus! Fique longe de mim!
Eu estava brincando!
DAVID HOWARD CONSEGUIU SEU EMPREGO DE VOLTA...
COM UM CORTE DE 31% EM SEU SALÁRIO...
MAS UM PLANO MÉDICO MELHOR.
LINDA TRABALHA NA BLOOMINGDALE'S...
E ESPERA SEU 1° FILHO.
PARA OS QUE TÊM CORAGEM DE PROCURAR NOVAS OPÇÕES.
QUE DEUS OS ACOMPANHE E OS GUIE POR UTAH...
ASSIM PASSARÃO LONGE DE NEVADA.
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