All language subtitles for C├®sar.e.Cle├│patra.1945.480p.DVD.REMUX.MPEG2-Comando95.pt2025-01-02_07_19_49

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Original subtitles

CÉSAR E CLEÓPATRA

Por Apis, persa! Teus deuses são generosos.

-De novo. Dobro ou nada. -Basta. Não estou com sorte.

Capitão, um estranho se aproxima.

Pare aí! Quem vem lá?

-O portador de más notícias. -Que entre.

Quem és tu, que ris na casa de Cleópatra...

e nos dentes de Belzanor, o capitão da guarda?

Sou Bel Afris, descendente dos deuses.

Salve, primos.

Todos os guardas da rainha descendem dos deuses.

Menos eu. Sou persa, descendente de muitos reis.

Salve, primos. Salve, mortal.

Esteve na batalha. Bel Afris é um soldado entre soldados.

Não vai dar suas notícias primeiro às mulheres?

Não tenho notícias...

além de que seremos degolados.

Soldados, mulheres e tudo.

-Eu imaginava. -O que aconteceu?

Saibam que servi no Templo de Rá, aqui em Menfis.

Fomos à Alexandria inquirir o rei Ptolomeu...

como devíamos lidar com o romano Pompeu...

que veio derrotado por César, em Farsália.

César derrotou Pompeu?

Então romanos lutam contra romanos?

Como egípcios contra egípcios.

O que disse Ptolomeu?

César vem em perseguição de seu inimigo...

e Ptolomeu matou Pompeu.

César já chegou, pois não havíamos viajado meio dia...

quando vimos a ralé fugindo de suas legiões.

E o guarda do templo resistiu?

Fizemos o possível.

Mas César ataca onde se é mais fraco.

Sua legião é um homem com uma cabeça, mil braços...

e nenhuma religião. Lutei contra eles e sei.

-Teve medo, primo? -Não, mas fui derrotado.

Não podia ter morrido?

Não havia tempo e tudo acabou num instante.

Vim avisá-los para abrirem os portões para César.

Sua guarda está uma hora atrás de mim.

Não sobrou um guerreiro egípcio.

Pregue-o à porta.

A notícia vai se espalhar pelo palácio.

-Como salvaremos as mulheres? -Por que não matá-las?

O preço é o nosso sangue.

Deixe para os romanos. Fica mais barato.

-Sutil... Serpente! -E a rainha?

Temos de dar um jeito. Levo-a no meu cavalo.

O que houve agora?

O gato sagrado desapareceu.

Salve, Esfinge. Saudações de Júlio César.

Vaguei por muitas terras, longe de onde nasci.

E na companhia de meus iguais.

Encontrei pastagens e rebanhos, homens e cidades.

Mas nenhum César, nenhum ar nativo, nenhum irmão.

Ninguém capaz dos meus feitos e pensamentos.

No pequeno mundo, Esfinge...

meu lugar é tão alto quanto o teu aqui.

Mas eu vagueio e tu és estática.

Conquisto e tu duras.

Trabalho, e tu contemplas e espera.

Tu e eu, estranhos à raça humana.

Não somos estranhos entre nós.

Tenho conhecimento de ti e deste lugar desde que nasci.

Roma é o sonho de um louco.

Aqui é minha realidade.

Meu caminho para cá foi o caminho do destino.

Pois sou aquele de cujo gênio tu és símbolo.

Parte animal...

parte mulher e parte deus.

Não há nada de homem em mim.

Terei lido seu enigma, Esfinge?

Velho senhor!

Deuses imortais!

Velho senhor, não fuja.

Não fugir? Dizes isso a Júlio César?

Velho!

Esfinge, conjecturas em teus séculos.

Sou mais jovem que tu, embora tua voz seja de menina.

Suba aqui depressa. Os romanos vão comê-lo.

Tu és uma criança divina!

Suba depressa. Venha aqui pelo lado e dê a volta.

Quem é você?

Cleópatra, a rainha do Egito.

Rainha dos ciganos, você quer dizer.

Não seja desrespeitoso comigo.

A esfinge fará os romanos comê-lo. Venha.

Que sonho maravilhoso!

Não quero acordar.

Cuidado.

Assim. Agora sente-se.

Na outra pata.

É poderoso e nos protege, mas não me faz companhia.

Que bom que veio. Eu estava muito só.

Viu um gato branco por aí?

-Você o perdeu? -Sim. O gato sagrado.

Trouxe-o aqui para sacrificá-lo à esfinge.

Quando saímos, um gato preto o chamou. Ele fugiu.

Você acha que o gato preto era minha tataravó?

Por que não?

Nada me surpreenderia nesta noite das noites.

A avó da minha tataravó...

era uma gata preta do gato sagrado.

Meu sangue é da água do Nilo.

Por isso meus cabelos são tão ondulados.

O que faz aqui a esta hora? Mora por aqui?

Sou a rainha e vou morar no palácio de Alexandria...

após matar meu irmão que me expulsou de lá.

Quando for mais velha, farei o que quiser.

Poderei envenenar escravos, fingir para Ftatatita...

minha ama, dizendo que vou mandá-la para a fornalha.

Enquanto isso, por que não foi para a cama?

Os romanos vêm nos comer. Você também está acordado.

Moro em uma tenda e estou lá...

agora, dormindo e sonhando.

Acha que acredito que você é real, bruxinha?

Você é um velho engraçado. Gosto de você.

Isso estraga o sonho.

Por que não sonha que sou jovem?

Gostaria que fosse, mas devia ter mais medo de você.

Gosto de homens jovens...

de braços fortes e roliços, mas tenho medo.

Você é velho e enrugado.

Mas tem uma voz linda.

Gosto de ter com quem falar, mas acho-o meio louco.

É a lua que o faz falar sozinho?

Eu estava orando à Grande Esfinge.

Mas esta não é a grande...

é a filhote.

A grande é tão gigante que tem um templo entre as patas.

Os feiticeiros romanos podem nos afastar da Esfinge?

Por que tem medo dos romanos?

Eles nos comerão se nos pegarem. São bárbaros.

O chefe deles é Júlio César. Seu pai era um tigre...

e sua mãe uma montanha de fogo. Seu nariz é de elefante.

Todos têm trombas e presas, rabos e sete braços com arcos.

Eles comem carne humana.

Quer ver um romano?

Não. Não me assuste.

Não importa. Isto é um sonho.

Não é. Veja!

Como se atreve?

Queria mostrar que não está sonhando.

Uma rainha não chora.

Cleópatra, pode ver bem meu rosto?

Está muito branco por causa da lua.

É a lua que me faz mais branco que os egípcios?

Tenho nariz comprido?

É um nariz romano.

Morda-o, Esfinge!

Juro que ia sacrificar o gato branco.

Posso ensinar-lhe um meio de evitar que César a coma?

Ensine! Roubarei as jóias da coroa para você.

Farei que o Nilo banhe suas terras duas vezes ao ano.

Seus deuses temem os romanos.

A esfinge não me mordeu nem evitou que a levasse a César.

Você disse que não levaria.

César nunca come mulheres, mas meninas e gatos.

Bobinha. Você descende do gato preto.

É menina e gata.

Ele vai me comer?

Sim, a não ser que o faça crer que é uma mulher.

Então vou precisar de um feiticeiro. Você é?

Talvez, mas vai levar muito tempo.

Esta noite no palácio, você vai conhecer César.

Não me atrevo.

Não interessa seu medo, ou o quanto ele vai machucá-la.

Você tem que enfrentá-lo como uma mulher corajosa...

e uma grande rainha.

Não tenha medo.

Se sua mão ou sua voz tremer, esta noite será a morte.

Se ele achar que você pode governar...

você se sentará ao seu lado no trono.

Será a verdadeira rainha.

Não, ele vai me desprezar.

As mulheres o enganam facilmente.

Então vamos enganá-lo.

Não. Se fizer isso, ele a comerá.

Serei boa. Faço tudo que você mandar. Serei sua escrava.

-Que foi isso? -A voz de César.

Vamos fugir.

Comigo estará salva até a hora de receber César.

Leve-me ao seu palácio.

Os deuses estão zangados. Sente a terra tremer?

É o passo das legiões de César.

Vamos procurar o gato. Foi ele quem o fez virar romano.

Incorrigível!

Que lugar é este?

Fico aqui quando me permitem usar o manto e as jóias.

Mande o escravo acender as tochas.

Será que posso?

Claro. Você é a rainha.

Acenda todas as lâmpadas.

Pare!

Quem é este?

Como se atreve a acender as lâmpadas sem minha permissão?

Quem é ela?

-A governanta chefe... -Estou falando com a rainha.

É assim que seus servos conhecem seu lugar?

Mande-a sair.

Você é a rainha. Mande-a sair.

Ftatatita, querida. Precisa sair.

Não está ordenando, está implorando.

Não é a rainha. Vai ser comida. Adeus.

Não me deixe!

Um romano não fica com rainhas que temem escravos.

Não estou com medo.

Veremos quem vai ficar com medo aqui!

De joelhos! Sou criança para ousar brincar comigo? Escravo.

Você pode lhe cortar a cabeça?

Conhece seu lugar, mulher?

Rainha, não esqueça sua serva nos seus dias de grandeza.

Saia! Vá embora! Suma!

Quero alguma coisa para espancá-la!

Então a gata sabe arranhar, não?

Preciso bater em alguém.

Ele!

Toma!

Afinal sou uma rainha de verdade.

Cleópatra, a rainha!

Amo-o por me fazer rainha.

Uma rainha só ama reis.

Farei rei todo homem que me amar.

Terei muitos jovens de braços fortes.

E quando me cansar deles, vou matá-los a pancadas.

Você será sempre meu rei?

Meu bom, sábio, gentil e velho rei?

Minhas rugas.

Você será a conquista mais perigosa de César.

Havia me esquecido dele.

Vai lhe dizer que sou uma rainha, não vai?

Vamos nos esconder até César ir embora?

Se tem medo de César, não é rainha de verdade.

Ele irá encontrá-la...

nem que você se esconda sob uma pirâmide.

E aí...

Ouse temê-lo.

César se aproxima do palácio de Cleópatra.

Tome o seu lugar.

'Titatota'!

-Como chama os escravos? -Batendo palmas.

'Totatita', traga o manto da rainha...

sua coroa e as escravas. Preparem-na.

Sim, devo usar a coroa.

Para quem vai se preparar?

Para um cidadão de Roma. Rei dos reis.

Como se atreve a perguntar? Faça o que lhe foi ordenado.

Sobraram só estas duas. As outras mulheres fugiram.

Duas bastam. César sempre se veste só.

A rainha do Egito não é uma bárbara romana.

Coragem. Erga a cabeça diante do estranho.

Está tremendo?

Diga a César que sou a rainha.

Ele não me perguntará.

Conhecerá Cleópatra por seu orgulho...

coragem, majestade e beleza.

É doce ou amargo ser rainha?

Amargo.

Afaste o medo e conquistará César!

Alto!

Voem! Voem! Os romanos estão no pátio.

Estamos perdidos.

A rainha tem que receber César sozinha.

Que seja.

Minha criança. Você concordou e se morrer por isso...

honre sua palavra de rainha.

Em frente, marchar!

Agora, se tremer...

Ave César!

Ave César!

Peixe fresco. Peixe fresco.

Os romanos!

Os romanos estão chegando!

Estão chegando!

Por que está fugindo?

Meus filhos!

Os romanos não nos comerão. São civilizados.

Esperamos Rúfio, o segundo no comando.

Lembrem-se que esta é Alexandria, capital do Egito.

Comportem-se.

Sejam duros com os homens e amáveis com as mulheres.

Silêncio!

É Rúfio!

Atenção!

Meia volta à esquerda!

Vê aquele prédio? É o palácio real. César está lá.

Vou me juntar a ele.

Forme um pelotão com homens escolhidos. Fique alerta.

Esses romanos são o quê? Vieram nos assustar.

Filhos de ferreiros, moleiros.

E não somos nobres, descendentes dos deuses?

Nem sempre os deuses são bons com seus parentes pobres.

Sutil... serpente!

Vamos esperar e ficar ao lado do vencedor!

-Ptolomeu! -Cleópatra.

Ptolomeu ou Cleópatra?

O rei do Egito vai se pronunciar.

Ouçam sua palavra!

Atentai, todos vós!

Sou o primogênito de Aulete...

o flautista, vosso rei.

Minha irmã Berenice tirou-o do trono, mas...

Os deuses não tolerarão.

Sim! Os deuses não tolerarão...

Esqueci o que não tolerarão.

O rei quer dizer que os deuses punirão sua irmã.

Lembrei-me do resto.

Os deuses mandaram um estranho, Marco Antônio...

capitão da cavalaria, através do deserto...

para devolver o trono ao meu pai.

E agora...

Agora que meu pai morreu, Cleópatra quer usurpar...

o trono e reinar em meu lugar.

-Os deuses não tolerarão... -Não apoiarão.

Sim, não apoiarão tal iniquidade.

Com ajuda da feiticeira Ftatatita...

ela encantou César para mantê-la no trono do Egito.

Eu não tolerarei... não tolerarei...

o que não tolerarei agora?

O rei não tolerará que um estrangeiro ocupe o trono.

Diga ao rei, Achillas...

quantos soldados e cavaleiros seguem Júlio César.

Só duas legiões, três mil soldados...

e quase mil cavaleiros.

César se aproxima.

O rei permite a entrada do comandante romano?

O rei é o homem ou o menino?

Sou Potinus, o guardião do senhor meu rei.

Então é o rei.

Trabalho maçante para sua idade.

E este cavalheiro?

Achillas, o general do rei.

Também sou general, mas comecei velho.

Saúde e muitas vitórias, Achillas.

Se Deus quiser, César.

-Você? -Sou Teóduto, tutor do rei.

Então ensina homens a serem reis?

Isso é muita esperteza.

E este lugar?

É a câmara dos conselheiros do Tesouro.

Foi bom lembrar. Quero dinheiro.

-O tesouro do rei é pobre. -Vejo que só há uma cadeira.

Tragam uma cadeira para César.

Não, este é seu trono.

Sente-se.

Uma cadeira para César!

Sacrilégio!

Sente-se aqui, César!

Esqueci de apresentar meus amigos, Potinus.

Este é Rúfio, meu camarada em armas.

Britanus, meu secretário.

É um ilhéu do extremo ocidente.

Os impostos. Como previu, excederam.

Quero 1.600 talentos.

Impossível. Não há dinheiro no tesouro.

Os impostos não são cobrados há um ano.

Meus homens cobraram-no esta manhã, Potinus.

É impossível que César ache tempo...

para trivialidades como nossos impostos.

Impostos são o principal negócio de um conquistador.

Deve pagar.

Em compensação, resolverei a disputa do trono para você.

O assunto está em questão há um ano. Resolvo em 10 minutos.

Faça como quiser.

Tragam Cleópatra aqui antes.

Mas ela não está em Alexandria.

Acho que sim. Chamem Totatita.

Titatota!

Quem pronuncia o nome da governanta da rainha?

Ninguém consegue, Tota, só você.

E sua soberana?

A rainha quer nos favorecer com sua presença?

Tenho que me comportar como rainha?

Pode ir, Ftatatita.

César, é assim que ela sempre me trata.

Se sou rei, por que ela pode tirar tudo de mim?

Você não é rei, bebê chorão. Os romanos deviam comê-lo!

Fique aqui ao meu lado, menino.

Fique com o seu trono! Não o quero! Sente-se!

Tome o trono sempre que lhe oferecerem.

Não vai falar comigo?

Calada. Abra a boca de novo e será comida.

Não tenho medo. Uma rainha não deve ter medo.

Coma meu marido, se quiser.

Seu marido? Como?

Aquela coisinha.

César, como estranho, não conhece nossas leis.

Reis e rainhas do Egito só se casam com seu sangue real.

Cleópatra e Ptolomeu nasceram rei e consorte, irmão e irmã.

Isso é indecente!

Indecente?!

É um escândalo!

Escândalo ou não, abre-nos as portas da paz.

Farei uma proposta.

Ptolomeu e Cleópatra reinarão juntos.

Paz com honra, Potinus?

Que idéia!

Não aceitamos!

Seja honesto...

o dinheiro que nos pede é o preço de nossa liberdade.

Leve-o e deixe-nos resolver nossos negócios.

Volte ao seu país!

O Egito nos pertence! O Egito para os egípcios!

Esquecem-se de que há um exército de ocupação aqui...

deixado por Aulus Cabinius?

Agora sob meu comando.

Sou o general romano por aqui.

E egípcio também?

Isso mesmo.

Então pode fazer guerra aos egípcios em nome de Roma...

e aos romanos em nome do Egito?

Isso mesmo.

De que lado está, General?

Do lado direito e dos deuses.

E quantos homens tem?

Aparecerão quando eu precisar.

São romanos? Se não, não importa quantos sejam.

Veremos.

É inútil tentar nos lograr, Rúfio.

César já foi derrotado antes e poderá ser novamente.

O que pode fazer com 4.000 homens?

E o que você pode fazer sem dinheiro?

Voltem à sua toca.

Fora César!

Por que os deixa falar assim?

Por medo?

-O que dizem é verdade. -Não serei rainha se for.

Não irei enquanto você não for rainha.

Achillas, pegue-a enquanto está sob suas mãos.

-Tome César também. -Sim, Rúfio, por que não?

-Tente, Achillas. -Prendam César.

Paz, egípcios!

Todos vocês são prisioneiros de César.

De modo algum, senhores. Não, são hóspedes de César.

-Corte-lhes as cabeças. -Cortar a de seu irmão?

Por que não?

Ele cortaria a minha se pudesse, não é, Ptolomeu?

Cortarei quando crescer.

César, se tentar nos deter...

Ele vai conseguir. Pense bem.

Você vai pela estrada para Roma se César quiser.

E o faria, para garantir a retirada de meus soldados.

Sou responsável por suas vidas.

Sou o guardião do rei. Estou aqui por direito. E o seu?

Na bainha de Rúfio.

Talvez não possa mantê-lo ali por muito tempo.

Essa é a justiça romana?

Mas não a gratidão romana, espero.

A vida de César é tão sem importância para ele...

que esqueceu que a salvamos?

Minha vida. Só isso?

Sua vida, seus louros, seu futuro!

Tenho testemunhas, se não fosse por nós...

o exército romano de ocupação comandado por Pompeu...

teria César agora sob sua mercê!

Aproxime-se, Lucius Septimus...

e testemunhe diante de César.

Que a tribuna militar testemunhe.

Testemunhe, Lucius Septimus.

César veio ao Egito perseguindo seu inimigo.

Nós o acobertamos!

Quando o pé de Pompeu tocou a praia...

sua cabeça caiu sob minha espada.

Oferecemos-lhe uma doce vingança.

Se eu fosse vingativo, o que não tiraria de vocês...

em troca do sangue do assassinado?

Ele era meu amigo, meu genro.

Sou Júlio César ou uma fera a quem vocês atiram a cabeça...

de um soldado e ainda tenho que ser grato?

Vocês me enchem de horror.

Já viu cabeças e mãos direitas cortadas, César...

depois que venceu o rei galês.

Poupou-o com sua clemência. Isso foi vingança?

Poderia ser. Pelo menos a vingança é humana.

Não é dos deuses.

Aquelas mãos direitas cortadas e o rei galês...

estrangulado foram uma violência sábia.

Uma proteção ao reino unido, um dever de estadista.

Loucuras mais sangrentas que uma honesta vingança.

Que louco fui ao pensar que a vida de homens...

pudesse ficar à mercê de tais loucos.

Lucius Septimus, perdoe-me.

O assassino do rei galês reprovaria o de Pompeu?

Vá aonde quiser neste palácio.

Livre? O exército de renegados e tudo?

Sim, Rúfio.

Lucius Septimus pode ir com os outros ou ficar, se quiser.

Acharei um lugar em meu serviço para você.

Está em desvantagem, César. Vou embora.

Adeus.

Potinus, Achillas, venham enquanto é tempo.

Ele nos soltaria se tivesse nossas cabeças nas mãos?

César, fez muito mal.

Devo evitar que os inimigos façam mais desordem.

Não adianta falar, Britanus. Economize seu fôlego.

Clemência é muito bom, mas é para os soldados que...

terão que lutar amanhã com os homens que poupou ontem?

Dê as ordens que quiser, mas eu não farei prisioneiros.

Os inimigos ficarão no campo para não combatê-los de novo.

Agora, com licença, tirarei essa gente daqui.

Deixaram o menino só, coitado.

Venha, majestade.

Ele está me expulsando do palácio?

Se quiser ficar, será bem-vindo.

Vá. Não lhe farei mal.

Estará melhor entre amigos. Aqui está na boca do leão.

Não é do leão que tenho medo, mas do chacal!

Menino corajoso!

Bobinho, você se acha muito esperto.

Britanus, cuide do rei. Entregue-o a Potinus.

O que faremos com ela?

Fica por sua conta.

Queria que eu fosse com os outros?

É livre para ir aonde quiser.

Então não se importa?

Prefiro que fique.

Muito, muito?

Muito, muito.

Então fico porque me pediu.

Mas não quero.

É compreensível.

Totatita!

Não é Totatita. É Ftatatita.

Fatatita perdoará a língua errada de um romano.

Tota, a rainha ficará aqui no palácio.

Empregue mulheres para atendê-la.

Então sou a dona da casa da rainha?

Não. A dona sou eu.

Faça o que lhe foi mandado ou a jogarei no Nilo...

para envenenar os pobres crocodilos.

Você é muito sentimental, mas é esperto.

Se fizer o que eu mandar, logo aprenderá a governar.

Potinus!

Egito para os egípcios!

Sua água de cevada, César.

Levante-se, menina. Precisa ser banhada.

Mas tomei meu banho mensal anteontem!

-Precisa fazê-lo todo dia. -Não. Vou morrer!

É preciso. Sua vida mudou. Ainda é uma menina...

mas para os outros já é uma mulher, uma rainha.

Sim, sou rainha.

O que César fará comigo?

Antes pergunte o que você fará com ele.

Você o enfeitiçou. Tem segurança, poder.

Vou guiá-la até você poder se guiar. Não tenha medo.

Quem teme César? Ele não é grande e horrível.

É um velhinho enrugado e triste, mas muito bom.

É um mágico.

Os mágicos podem se transformar no que quiserem.

Ele não vai dormir na câmara dourada.

Trouxeram uma maca para ele dormir no estúdio.

Passou a noite trabalhando como um escravo.

Todos o obedecem como se fosse um deus.

É um deus disfarçado, pois transformou sua natureza.

É verdade.

Antes eu tinha medo de você.

Mas agora não tenho mais.

O que devo fazer agora que sou rainha?

Comece tomando banho todo dia.

Logo se acostumará.

Nunca. É muito pavoroso.

Mas se tiver que tomar banho, que seja perfumado.

Não, César odeia perfumes.

Se avermelhar os lábios, ele não a beijará.

Ele deve ser mesmo um deus.

Só um deus é tão diferente de um homem.

Cleópatra, acho que vou ter que comê-la.

Não fale comigo como se eu fosse criança.

Cresceu muito desde quando a esfinge nos apresentou.

Pensa até que sabe mais do que eu.

Isso seria tolice minha.

Está zangado comigo?

Então por que está tão pensativo?

Tenho que trabalhar.

Que tolice!

Lembre-se que agora é rei!

Eu o fiz rei. Reis não trabalham.

Quem lhe disse isso?

Meu pai foi rei e nunca trabalhou.

E perdeu o trono. Como o recuperou?

Um moço lindo com braços roliços e fortes...

veio do deserto com muitos cavaleiros...

e devolveu o trono ao meu pai. Eu tinha só 12 anos.

Queria que ele voltasse agora que sou rainha.

Eu o faria meu marido.

Pode ser.

Fui eu quem mandou o rapaz.

Conhece-o? Ele veio com você?

Queria que tivesse vindo.

Ele é muito mais jovem do que você, não é?

Um pouco.

Ele se casaria comigo se eu pedisse?

Talvez.

Mas eu não queria pedir. Você não poderia persuadi-lo...

a me pedir, sem ele saber que o quero?

Pobre menina.

Por que fala com pena de mim?

Ele ama outra?

Acho que sim.

Então não serei seu primeiro amor?

Não. Ele é muito admirado pelas mulheres.

Eu queria ser a primeira, mas se ele me amar...

farei com que mate todas as outras.

Os braços dele brilham como mármore ao sol?

Está em ótimas condições, mas come e bebe muito.

Não fale coisas vulgares sobre ele.

Eu o amo. Ele é um deus.

Como se chama?

Marco Antônio.

Que lindo nome.

Amo-o por tê-lo mandado para ajudar meu pai.

Saia e chame meu secretário.

Quero ficar e ouvi-lo falar de Marco Antônio.

Se eu não trabalhar, Potinus fechará o porto...

e a estrada para Roma será bloqueada.

Tanto faz. Não quero que você volte para Roma.

Mas quer que Marco Antônio venha.

Esqueci-me. Vá logo embora, César.

E mantenha o mar aberto para o meu Marco Antônio.

O que foi agora?

Dois camaradas nossos foram mortos no mercado.

Por quê?

Um exército romano está vindo para a Alexandria.

Exército de ocupação...

Comandado por um certo Achillas.

O povo se revoltou quando o exército passou pelos portões.

Cortei o caminho para cá.

Alegro-me por vê-lo vivo. Estamos sitiados.

Já?

Mande todos se juntarem na praia e ficar perto...

dos barcos. Cuide desse ferimento.

Rúfio!

Temos barcos no posto oeste. Queime-os.

Pegue todos os homens do porto leste e tome o farol.

Metade dos homens guardam a praia e o cais do palácio.

É o caminho para Roma.

Quanto ao resto, o Egito para os egípcios.

Só isso?

-Só. Não queimou os barcos? -Não vou perder tempo.

-Potinus quer lhe falar. -Onde está ele?

Na câmara do conselho. É insolente. Precisa de lição.

Vim trazer-lhe um ultimato.

Com a porta aberta, podia sair antes...

de declarar guerra. Agora é meu prisioneiro.

Eu, prisioneiro seu? O rei Ptolomeu com um exército...

de cem para um de sua tropa, tomou Alexandria.

Saia se puder. E diga aos seus amigos para não...

matarem mais romanos, senão meus soldados...

que não são clementes como eu, os matarão.

Avise a guarda. Potinus é nosso prisioneiro.

Traga minha armadura.

Os navios em fogo? Já? Impossível!

Mas não fui eu. Os egípcios capturaram o porto do oeste.

E o do leste? E o farol?

Posso embarcar uma legião em 5 minutos.

Faça você mesmo, se quiser mais rápido.

Paciência.

-Quem é impaciente? Você ou eu? -Apresse-os ao máximo.

Dor! Socorro!

Quem morreu?

Foi pior que a morte de 10 mil homens.

Menos irreparável para a humanidade.

Que houve?

O fogo dos navios se espalhou. Está queimando a biblioteca.

Só isso? Rúfio, Britanus dormiu.

Faz uma hora que perdi minha armadura.

César, quer passar à posteridade...

como um bárbaro ignorante do valor dos livros?

Eu também escrevo.

Lá está sendo queimada a memória da humanidade.

É vergonhoso. Deixe queimar.

Você destruiria o passado?

Construa o futuro em suas ruínas.

Não posso desperdiçar um soldado...

ou um balde de água agora. Mas pode sair livremente...

do palácio, e peça a Achillas para suas legiões o apagarem.

A posteridade o abençoará.

Vai ficar falando, enquanto a memória da humanidade arde?

Deixe Teodótus passar.

O que é isso? Mais clemência?

Deixe-o salvar a biblioteca.

Temos de respeitar a literatura.

Loucura.

Cada egípcio que prendermos...

significa dois romanos para guardá-lo.

Tinha que haver um truque de raposa atrás dessa conversa.

Tudo pronto?

Sim. Esperamos César.

Diga-lhes que César está indo.

Guardas! Fiquem a postos em seus barcos.

Eu o visto, César. Sente-se!

Isso não é decente!

Estes elmos romanos são tão bonitos!

Do que está rindo?

Você é calvo!

É por isso que usa a coroa. Para esconder!

Paz. São os louros do conquistador.

Paz a ti, ilhéu.

Esfregue a cabeça com açúcar para seu cabelo crescer.

Gosta de ser lembrada que é uma criança?

Nem gosto que lembrem que sou meia-idade.

Que lindo! Você parece ter só 50 com ele!

Não devia falar assim com César.

É verdade que quando César o pegou na praia...

estava todo pintado de azul?

O azul é a cor dos bretões de alta classe.

Na guerra pintamo-nos de azul para que, mesmo que...

o inimigo dispa de nossas roupas e nossas vidas...

não nos dispirão de nossa responsabilidade.

Deixe-me pendurar isto.

Está esplêndido!

Acabou de falar? O barco o espera. Foram para o farol.

Está afiada, Britanus?

Em Farsália estava completamente cega.

Está bem afiada. Eu mesmo a afiei.

Não vai para a batalha para ser morto, não é?

Não, nenhum homem vai.

Mas eles morrem.

O marido de minha irmã foi morto na batalha. Não deve ir.

Mande ele!

Não vá. O que vai me acontecer se você não voltar?

Está com medo?

Venha ao terraço e vai nos ver tomando o farol.

Precisa se acostumar a ver batalhas.

Então me leve. Deixe-me ir com você ao farol.

Você vai ficar aqui até eu voltar.

Muito bem, vamos.

Não vai poder ir.

Estão secando o porto com baldes. Muitos soldados.

Sua maldita clemência. Teodótus os trouxe.

Propositalmente. Foram apagar o fogo.

A biblioteca os ocupará enquanto tomamos o farol.

Que raposa!

Se tudo correr bem, voltarei à noitinha.

Adeus, meu César. Volte logo.

Quem vem aí?

Quem é você?

Sou Apolodorus, o siciliano.

Eu escolho coisas lindas para lindas rainhas.

Tapetes, para os aposentos da rainha.

Para a rainha?

Deixe essa gente de bazar passar.

Mas só deixe sair quem entrou. Nem que seja a rainha.

Passei por três sentinelas com a caravana.

Nenhuma me desafiou. Esta é a disciplina romana?

Elas não vigiam a terra, mas o mar. Quem é a trapaceira?

Mande esse romano segurar sua língua...

diante da governanta da rainha.

Esta é uma grande dama respeitada por César.

O que você está pensando?

Não pode descer, há homens aqui.

Pensei uma coisa. Quero um barco. Já!

Mas não pode!

Apolodorus, fale com a rainha!

Bela rainha, sou Apolodorus, seu servo do bazar.

Não quero tapetes. Quero um barco.

Só pode ir ao mar na barcaça real.

A realeza não está no barco, mas na rainha.

O toque de Sua Majestade no barco menor, torna-o real.

É um cavalheiro e sempre vou comprar seus tapetes. Rema?

Meus remos serão vossas asas. Barqueiro!

-Para onde, rainha? -Para o farol. Vamos!

Parem! Não podem passar!

Como se atreve? Sou a rainha.

São ordens. Não podem passar.

Ftatatita, estrangule-o.

Quieta! Leve a rainha ao palácio.

-E se eu não concordar? -Atravesso-a com esta lança.

-Ao seu serviço. -Ajudem-no!

Não preciso, majestade.

Espada contra lança ou espada contra espada?

Romano contra siciliano, maldito!

Tome!

-Atravesse a garganta do cão! -Solte-me!

Apunhale o réptil romano!

Que foi isso? Fale, soldado.

Ela é perigosa. É mais forte que três homens.

Ele ia apunhalar a rainha.

Não quero ofendê-la, mas tenho ordens de César.

Não posso deixá-la passar.

Volte ao palácio e examine os tapetes lá.

Não vou. Sou a rainha. César não fala assim comigo.

Os centuriões de César têm modos de ralé?

Cumpro meu dever. Isso me basta.

Quando um homem estúpido faz algo que o envergonha...

sempre diz que cumpre ordens.

Agradeça aos céus por não estar empalado na porta.

Esta é sua mulher?

Júpiter, não! Não que não seja bela à sua moda...

mas não é minha mulher.

Romano, sou Ftatatita, a governanta...

Não me toque. Jogo-a ao mar, nem que seja muito forte.

Veremos a quem Isis ama mais. Ftatatita ou um cão romano.

Mais dois homens aqui e que ninguém saia.

Só este homem e sua mercadoria.

Se sacar a espada, matem-no.

Vá cuidar de seus negócios.

Devia saber melhor. Caia fora.

Não torture um pobre homem.

O centurião está a postos e os soldados romanos...

são incorruptíveis. Levarei sua mensagem a César.

Esses tapetes são muito pesados?

Temos carregadores.

Como os põe no barco? Atiram-nos?

Não nos pequenos. Podem afundar.

-E naquele, por exemplo? -Muito pequeno.

Mas pode levar um tapete a César, se eu mandar?

Claro.

Mande carregar com muito cuidado.

Mais que com meu próprio corpo.

Não precisa vir.

Eu mesma escolho. Espere-me.

Sigam a senhora. Obedeçam-na!

Sigam-me. Tirem o sapato para pisar na escada real.

Vieram vigiar a mim ou aos egípcios?

Conhecemos nosso dever.

Por que não o cumprem? Olhem.

Os egípcios vão recuperar o farol, indo por terra e mar.

A caçada começou.

Centurião, reforce a plataforma do dique.

Foi uma expedição louca. Seremos derrotados.

Os egípcios não são tolos...

não derrubando a barricada e nos expulsando daqui.

É a primeira vez que me arrisco inutilmente.

Não devia ter vindo ao Egito.

Há uma hora César só pensava na vitória.

Sim, fui tolo. Infantil.

Nada disso. Tome.

-Para que é isso? -Coma.

Este é o seu problema.

Um homem da sua idade se cansa antes do almoço.

Coma, beba e examine nossas possibilidades.

Minha idade?

Sou um velho cansado.

É verdade.

Achillas está no apogeu.

E Ptolomeu é um menino.

Todo cão tem seu dia.

Tive o meu. Não me queixo.

Estas tâmaras não são más!

Isso! É uma grande guerra...

agora que nos livramos das mulheres.

Você de novo!

Fique longe. Eu lhe acerto o queixo!

Paz, romano!

Este tapete é presente de Cleópatra para César.

Dentro tem dez cálices de fino cristal...

e cem ovos do pombo sagrado.

Por sua honra, não deixe quebrar nenhum.

Coloquem no barco, com cuidado.

Esses ovos devem pesar mais de uma libra cada.

O barco é muito pequeno.

Que injúria.

Filho de uma camela!

Meu barco leva cinco homens!

Não poderia carregá-lo e a um punhado de ovos?

Dromedário, os deuses o punirão por sua inveja.

Não posso deixar isso aqui para surrá-lo.

Mas você me paga.

Paz a todos vocês.

Não corra riscos com essa carga, Apolodorus.

Não tema, venerável grotesca.

Para o barco com ele. Devagar, meus filhos, meus cães.

Não pisem nele!

Calma, senhora. Está tudo bem.

Seu bruto. Fez meu coração dar uma volta.

Tomem.

Seus famintos.

Ladrão dos pobres.

Generoso príncipe.

-Senhor do bazar. -Favorito dos deuses.

Pai dos carregadores do mercado.

Adeus, Ftatatita. Chegarei ao farol antes dos egípcios!

-Que Deus o guie. -Adeus, valoroso lanceiro!

Meu coração

Abre tuas asas

Livra-te da pesada Carga do amor

Nossos marinheiros apanharam um tesouro.

O inimigo entregou-o em nossas mãos.

Nesse saco?

Aqui estão as cartas que passaram entre os inimigos.

Agora saberemos quem são eles.

Os nomes de todos os conspiradores...

pode estar nestes papéis.

Ponha-os no fogo. Sim, no fogo.

Devo condenar os que foram meus amigos, quando provei...

que minha amizade vale mais do que a dos meus inimigos?

E a sua honra? E a honra de Roma?

Não sacrifico homens à minha honra, como vocês druidas.

Já que não vai queimá-los, eu os afogo.

Que excentricidade.

Os traidores se livrarão por um paradoxo.

Chame-me quando o ilhéu acabar a pregação.

Se eu pudesse fazê-lo encarar a vida seriamente...

como os homens de meu país.

E encaram?

Não esteve lá? Não viu?

Que bretão fala como César nas horas de frivolidade?

Qual não assiste aos ritos no bosque sagrado?

Que bretão usa roupas coloridas...

em vez de azul, como todo cidadão honrado?

São questões morais para nós.

Um dia me aposentarei e talvez usarei uma toga azul.

Por enquanto ficarei com minha frivolidade romana.

O que é isso agora?

Quem é você? Como chegou aqui?

Calma, bom homem. Não vou comê-lo.

Grande César, sou Apolodorus, siciliano, um artista.

Um artista? Um vagabundo.

Apolodorus é um grande amador, patrício.

Perdoe-me. Pensei que fosse profissional.

Bem-vindo, Apolodorus. Ao que vem?

Primeiro, entregar um presente da rainha.

-Quem? -Cleópatra, do Egito.

Não é hora de brincar. Volte e diga à rainha...

que se tudo correr bem, voltarei à noitinha.

Não posso. Ao chegar, algum idiota...

jogou um enorme saco de couro no mar.

A proa de meu barco quebrou e ele afundou.

Desculpe, Apolodorus. O idiota será repreendido.

O que trouxe? A rainha se ofenderá se eu não olhar.

Não temos tempo a perder. A rainha é uma criança.

Por isso não vamos desapontá-la.

É um precioso tapete persa. Uma beleza.

Disseram-me que aí dentro...

tem ovos de pombo e cálices de cristal.

Não ousei trazê-lo por aquela escada estreita.

Suba pelo guindaste.

Jurei cuidar dessa carga com minha própria vida.

Então suba junto.

Se a corda partir, você e os ovos se afogarão juntos.

Fala sério?

Seus modos são frívolos, pois é italiano. Mas fala sério.

E bem. Quero um grupo de soldados para o guindaste.

Não precisa. É manobrado por um velho e um menino.

Como? Vinte homens, isto sim.

Só dois. Têm contrapesos e uma máquina que não entendo.

Não é desenho britânico. Vá esperar a corrente descer.

Vão me ver lá, subindo como o sol, com meu tesouro.

-Vai esperar esta tolice? -Por que não?

Os egípcios podem atacar antes do fim da barricada.

E aqui ficamos, esperando um tapete cheio de ovos.

Não tema, meu filho.

Quando um egípcio der o primeiro passo no dique...

o alarme soará e chegaremos à barricada antes deles.

Nós dois. Eu, um velho e você, um rapagão.

O velho chegará primeiro.

Quero mais daquelas tâmaras.

Baixe!

Baixe!

Cuidado.

Mais para lá.

Afastem-se! Deixem César ver.

Mas é uma porção de xales. E os ovos?

Aproxime-se e procure-os.

Traição! O xale se mexeu. Tem alguma coisa viva aí.

-Uma serpente. -César põe a mão na serpente.

-Cão traidor! -Guardem suas espadas.

Apolodorus, sua serpente parece respirar normalmente.

Que linda cobrinha!

Vamos ver o resto.

Estou sufocada!

Pisaram em mim no barco. Aí um saco o afundou.

Aí ergueram-me no ar e me jogaram ao chão.

Não faz mal. Está sã e salva.

O que faremos com ela?

César, não é decente.

Não pode ficar aqui sem a companhia de uma matrona.

Não está feliz por me ver?

Sim, mas Rúfio está furioso e o bretão, escandalizado.

Não pode lhes cortar as cabeças?

Não seriam tão úteis sem as cabeças como são agora.

Temos que ir degolar alguns egípcios.

Quer ficar e ser presa por seu irmão, se nos derrotarem?

Não vai me deixar sozinha, vai?

César tem que chegar à barricada antes dos egípcios.

Deixe-os morrer. São só soldados.

Cleópatra, quando a trombeta soar...

todos os homens enfrentarão a morte.

Meus soldados confiaram em mim.

Considero a cabeça de cada um deles sagrada.

Apolodorus, leve-a de volta.

Não sou golfinho para levá-la nas costas.

Meu barco afundou e o seu não está aqui.

Não faz mal.

Eu fico. Ninguém se importa comigo.

Você quer que eu morra!

Sua vida aqui só tem valor para você mesma.

Venha, Rúfio.

César. Não me deixe.

Estamos presos.

Os egípcios atracaram entre nós e a barricada.

Meus homens estão perdidos. Eu os assassinei.

É no que dá brincar com a menina aí.

-César, os egípcios. -Temos que nos defender aqui.

Joguei a escada no mar. Não subirão.

-E não podemos descer. -Por que não? Nossos navios...

-Nossas galeras já vêm. -Por onde vamos alcançá-las?

Pela estrada que leva a tudo. Onde está a mais próxima?

-A 50 braças. -Nem a um quarto de milha.

Defendam-se até eu mandar um barco.

Vai voar?

Com asas de água, soldado.

Olhem.

Vou fazer a mesma coisa.

-Está louco? -Nado tão bem quanto ele.

-Um velho nada como um jovem? -Que atrevimento, Rúfio!

Aposto o soldo de uma semana.

E eu? O que vai ser de mim?

lrá nas minhas costas. Quando eu vier à tona, jogue-a.

-Vou me afogar! -Depois, saltem vocês.

Sou um homem e um bretão, não um peixe.

Preciso de barco. Não nado.

Nem eu.

Fique aqui até recuperarmos o farol. Não o esquecerei.

Resolveu fazer essa loucura?

Os egípcios resolveram por mim.

Cuidado para não pular em cima de mim.

César, não se mostre na parte elegante...

de Alexandria enquanto não trocar de roupa.

Apolodorus, branco sobre azul.

É púrpura no verde profundo.

Deixe-me ver.

Ele a apanhou.

Firme, bretão! César não o esquecerá.

-Outro banquete real? -Em honra de César.

Esses romanos são mágicos. Há seis meses tomaram...

o palácio contra as forças armadas egípcias.

E a fuga do farol? Só um mágico nadaria...

como um golfinho com a rainha nas costas.

Deve ser mágica da rainha.

Ela monta em César na terra e no mar.

Vocês riem.

Mas cuidado.

Um dia serei servida como César.

O nariz de gancho.

Silêncio!

Sabem por que as deixo falar como querem em vez de...

tratá-las como Ftatatita o faria, se fosse rainha?

Porque tenta imitar César em tudo.

Ele deixa qualquer um lhe dizer o que quiser.

Não. Um dia lhe perguntei por que e ele disse...

'Deixe suas mulheres falarem e aprenda com elas.'

'O que há para aprender com elas?', eu disse.

'O que elas são', ele falou.

Deviam ver seus olhos quando ele disse isso.

Sofreriam um colapso. Suas vazias.

Vocês estão rindo de mim ou de César?

De César.

Se não fosse boba, riria de mim.

E se não fosse covarde, não teria medo de me dizer.

Queria que César voltasse para Roma.

Será um mau dia quando ele se for.

Se eu não me envergonhasse de mostrar-lhe que sou cruel...

eu a faria se arrepender do que disse.

Por que quer que ele se vá?

Ele a tornou tão tediosa, letrada e filosófica.

É pior do que ser religiosa na nossa idade.

Parem com esse falatório.

Precisamos tentar imitar César.

Potinus pede audiência com a rainha.

-Para isso ele a subornou? -Pelos deuses de meu pai.

Eu não lhe disse para não negar essas coisas?

Vocês vendem audiências com a rainha...

como se ela recebesse só quem vocês querem.

Pegue seu dinheiro e faça-o entrar.

Não responda. Vá!

Quero aprender a tocar harpa.

César ama a música. Poderia ensinar-me?

Ninguém mais poderia ensinar a rainha.

Os outros professores são charlatões.

Quanto tempo leva?

Só quatro anos.

Antes precisa ser versada em filosofia de Pitágoras e...

Ela é?

É apenas uma escrava.

Aprende como um cão.

Então quero aprender como um cão. Ela toca melhor que você.

Terei uma aula por dia durante uma quinzena.

Depois, sempre que eu errar, você será açoitado.

Se eu errar muitas notas será atirado aos crocodilos.

Dê-lhe uma moeda e faça-a sair.

A verdadeira arte não pode ser forçada.

Que é isso? Respondendo à rainha? Fora!

Então? Quais as novas de seus rebeldes?

Não sou amigo da rebelião.

E um prisioneiro não recebe notícias.

Não é mais prisioneiro quanto eu e César.

Estamos sitiados por seus rebeldes há 6 meses.

Você pode andar pela praia entre os soldados.

César e eu não podemos.

É uma criança.

Você não entende dessas coisas.

Você não sabe das novidades, Potinus?

Cleópatra não é mais uma criança.

Quer saber como ficar mais velho e mais sábio em um dia?

Prefiro ficar mais sábio e não mais velho.

Suba ao farol...

e faça alguém jogá-lo ao mar.

Ela tem razão. Vai voltar menos convencido.

Saiam todas. Quero falar a sós com Potinus.

O que está esperando?

A rainha não pode ficar só.

Quer que a crucifique aos deuses de seus pais?

A rainha sou eu.

Quer ser o que os romanos chamam de 'uma nova mulher'.

Por que subornou Ftatatita para falar comigo?

O que dizem é verdade. Está mudada, Cleópatra.

Se conversar com César todos os dias, você mudará.

Dizem que você está enamorada dele.

O que isso quer dizer? Que estou me fazendo de tola?

Não, antes estivesse.

Como assim?

Quando eu era tola fazia o que queria.

Agora que virei sábia, não importa eu querer ou não.

Faço o que precisa ser feito e não tenho tempo para mim.

Isso não é felicidade, mas grandeza.

Acho que quando César se for...

posso governar o Egito.

Isso pode ser vaidade da juventude.

Não é que eu seja muito esperta...

os outros é que são estúpidos.

É o grande segredo.

O que deseja de mim?

Nada.

Pelo menos implorar pela minha liberdade.

Você se ajoelharia diante de César para isso?

Tem algum plano que dependa de Cleópatra ser criança.

Agora que é rainha, seu plano falhou.

Então é a rainha e não a prisioneira de César?

Somos todos escravos de César, queiramos ou não.

Aquela que for sábia, reinará sobre o Egito quando partir.

Você insiste na partida de César.

-E daí? -Ele não a ama?

Amar-me?

César não ama ninguém. É amigo de todos, cães e gatos.

Surpreende-me sua bondade comigo.

Nem pai, nem mãe, nem ama cuidou de mim como ele.

Nem se abriu tanto comigo.

Mas como sabe que ele não a ama como homem?

Porque não lhe causo ciúmes. Já tentei.

Deveria perguntar se você o ama?

Pode-se amar a um deus?

Além disso, amo outro romano. Não um deus, mas um homem.

Alguém que pode odiar e amar. A quem posso ferir.

César sabe?

E não fica furioso?

Para me agradar ele prometeu mandá-lo ao Egito.

Não entendo esse homem.

Você entendê-lo? Como poderia?

Eu o entendo por instinto.

Sua Majestade tem alguma mensagem para mim?

Você acha que fazendo de meu irmão um rei, governará...

o Egito, pois é seu guardião e ele é meio bobo.

A rainha pode dizer o que quiser.

E dirá outra coisa...

César comerá você, Achillas e meu irmão.

Como um gato come um rato.

Vai vestir o Egito como um pastor veste seu gibão.

Depois voltará a Roma...

e deixará Cleópatra como seu vice-rei.

Jamais. Tenho mil homens para cada dez dele.

Vamos expulsar suas legiões pelo mar.

Você arenga como homem comum. Basta!

César me estragou por falar coisas fracas como você.

Sei a quem devo procurar agora.

-Vou sair deste lugar odioso. -Por que está irado?

Que a praga dos deuses caia sobre ela!

Ela vendeu seu país ao romano, mas compra-o com beijos.

Ela disse que quer que César se vá.

Você ouviu?

Coloquei uma mulher por perto enquanto esteve com ela.

Antes de César chegar, achou que seu grupo poderia...

governar em nome de Cleópatra. Fui contra.

Para que seu grupo governasse em nome de Ptolomeu.

Antes por mim ou por você...

do que por uma romana, que é no que ela se transformou.

Enquanto eu viver, ela não reinará.

Comporte-se.

Espere aqui.

O comandante romano vai esperar César aqui.

Que subida! Como estamos no alto!

Estamos no teto do palácio, amado da vitória.

Então não há mais escadas para subir.

César se aproxima.

Rúfio, centurião novo...

punho de ouro em sua espada.

Cortou o cabelo.

Mas sua barba é impossível.

Perfumado! Por júpiter!

Fiz isso para me agradar.

Foi para me agradar, para celebrar meu aniversário.

Sempre aniversaria quanto tem que encantar...

uma mulher bonita ou negociar com um embaixador.

Ano passado foram 7 em 10 meses.

Nunca me privo dessas pequenas trapaças.

Notou como cheguei adiantado?

Isso quer dizer alguma coisa. O quê?

Potinus quer lhe falar. Receba-o.

Há alguma trama entre as mulheres.

Quem é Po... sim! Ele não fugiu?

Por quê?

Não disse para deixarem os prisioneiros fugir?

Há muitas bocas para alimentar.

Com mais juízo, me deixaria degolar para poupar rações.

Mas este não vai fugir. Prefere ficar nos espionando.

Quer que eu o receba?

Não quero nada. Faça o que quiser. Não me envolva.

Faça-o entrar.

Guarda, mande o homem subir.

-Quem mais jantará conosco? -Apolodorus, o siciliano.

O janota.

É um cão divertido que conta histórias, canta...

e nos poupa o trabalho de fazer corte à rainha.

Ele esgrima e nada bem. Se ao menos ficasse calado.

Ele jamais aprenderá.

Bem-vindo, Potinus.

Quais as novidades?

Vim avisar-lhe de um perigo e fazer-lhe uma oferta.

-Dane-se o perigo. A oferta? -Dane-se a oferta. O perigo?

César pensa que Cleópatra lhe é devotada.

Amigo, eu sei o que penso.

A oferta?

Não entendo por qual mágica conseguiu defender...

o palácio e algumas jardas de praia...

contra uma cidade e um exército.

Sabemos que seus deuses são irresistíveis...

e que você faz milagres.

-Não mais o ameaçarei. -Muito gentil.

César é o chefe.

-Sim, mas o quê? -Fale logo, homem.

Existe uma traidora em seu acampamento: Cleópatra.

A rainha.

Devia ter dito isso antes. Agora é tarde.

O que ele está fazendo aqui?

Ia falar-me de você.

Precisa ouvir.

Prossiga.

O que vou dizer não é para os ouvidos da rainha.

Há meios de obrigá-lo a falar. Cuidado!

César não emprega esses meios.

Quando um homem tem algo a dizer, a dificuldade não é...

fazê-lo falar, mas evitar que ele fale muitas vezes.

Vamos celebrar meu aniversário libertando-o.

Não queremos mais vê-lo.

Sua misericórdia é tola.

Podemos falar em particular? Sua vida depende disso.

Guarda, leve o prisioneiro. Ele é livre. Fora!

Vou falar!

Viu? A tortura não arrancaria uma palavra dele.

Cleópatra aprendeu com César a arte de governar o mundo.

Mas se nem sabem governar a si próprios!

Está tão fascinado por sua beleza que não vê que quer...

governar o Egito sozinha e sonha com sua partida?

Mentiroso!

O quê? Protestos? Contradições?

Não me dignarei a contradizê-lo. Deixe-o falar.

Usará César para tirar a coroa de Ptolomeu...

e dá-la a Cleópatra, nos entregando em suas mãos.

Entregando-se também, e aí César poderá voltar...

para Roma ou partir para o portão da morte.

E isso não é natural?

Então a traição não o ofende?

O que isso tem a ver com ofensa?

O vento frio me ofende.

Ofendo-me quando tropeço na escuridão.

Contar-me isso é como dizer que o sol se erguerá amanhã.

É mentira! Juro!

É verdade, apesar de jurar mil vezes e acreditar nisso.

Rúfio, vamos acompanhar Potinus. Quero lhe falar.

Temos que dar um tempo para a rainha se recompor.

Diga a seus amigos que sou a favor...

de um acordo nos assuntos do país.

-Calma, criança. -Ele pode nos ouvir.

Se ele sair vivo do palácio, nunca mais olhe-me no rosto.

Apague sua vida como apago o nome dele. Mate!

Jogue-o na muralha, nas pedras. Mate!

O cão morrerá!

Se falhar, nunca mais me verá.

Assim seja.

Não verá meu rosto até seus olhos escurecerem.

Depressa.

Quando a luz morrer, ele morrerá.

Voltou! Achei que estivesse zangado. Bem-vindo, Apolodorus.

Cleópatra está cada vez mais femininamente bela.

Verdade?

Rúfio jogou uma pérola no mar e César pescou um diamante.

César pegou um reumatismo. Vamos jantar.

Ordenei algo magnífico, César.

-O que vamos comer? -Cérebros de pavão.

-Prefiro línguas de rouxinol. -Javali assado, Rúfio.

-E minha almofada de couro? -Eu trouxe outras.

São de gaze maltesa com pétalas de rosa.

Sou uma lagarta?

-Que pena. As almofadas novas. -O que serviremos para César?

Tem ostras? Britânicas? Ostras, então.

-Ouriços do mar para mim. -Não há nada sólido?

-Tordos do campo com aspargos. -Aves gordas, Rúfio.

-Isso serve. -Tordos para mim.

César escolherá os vinhos?

Siciliano, macedônio, toscano, Chianti.

-Todos gregos? -Prove o siciliano, César.

-Traga minha água de cevada. -O meu falerniano.

É perda de tempo oferecer um jantar a César.

Meus criados não aceitariam a sua dieta.

Provemos o falerniano.

Em Roma farei uma lei contra essas extravagâncias.

E mandarei cumpri-las.

Seja hoje como outras pessoas...

preguiçoso, bom e voluptuoso.

Mais uma vez vou sacrificar meu conforto.

Satisfeita?

Agora não acredita mais que quero que volte para Roma?

Não acredito em mais nada. Meu cérebro está dormente.

Quem sabe se voltarei a Roma?

Um ano em Roma é igual a outro, só que envelheço.

No Egito não é melhor.

Os velhos dizem: 'vimos tudo, menos a nascente do Nilo'.

E por que não ver?

Cleópatra, quer ir comigo procurar seu berço...

no coração das regiões misteriosas?

Construiremos um novo reino...

e uma cidade santa no grande desconhecido.

Sim, construa.

Conquistará a África antes de eu acabar com este javali.

Sem zombaria, é um plano nobre.

Vamos nomear a cidade santa e consagrá-la com vinho.

Cleópatra lhe dará o nome.

Vai se chamar...

'O presente de César à sua bem amada'.

Não, algo maior que isso.

Algo universal como o firmamento estrelado.

Por que não apenas 'O Berço do Nilo'?

Não. O Nilo é meu ancestral e é um deus.

O Nilo lhe dará o nome.

Vamos invocá-lo. Mande buscá-lo.

Saiam todos vocês.

Saia. Sou uma sacerdotisa e tenho poderes.

Que truque é este?

Não é truque.

Temos que matar alguma coisa para agradá-lo.

Talvez responda a César sem isso, se derramarmos vinho.

-Chame o cabeça de falcão. -Ele pode ouvir e se zangar.

Espero que a fonte do Nilo não seja neste distrito.

Vamos invocá-los todos juntos. Digam comigo...

'Manda-nos tua voz, pai Nilo'.

'Manda-nos tua voz, pai Nilo'.

O que foi isso?

Nada. Devem estar açoitando algum escravo.

É um homem apunhalado, posso jurar.

Um assassinato?

-Silêncio. Ouviram? -Outro grito?

Não, um baque. Alguma coisa caiu.

Alguma coisa com ossos.

Vai me deixar, César? Apolodorus, vai sair?

Juro que meu apetite acabou.

Apolodorus, vá ver o que aconteceu.

Seus soldados mataram alguém. O que importa?

Precisamos cuidar disso.

Ela está bêbada?

Não pelo vinho.

A rainha olha de novo no rosto de sua serva.

Há alguma coisa entre essas duas.

Cleópatra, o que aconteceu?

Nada, César querido, sou inocente.

Está zangado comigo?

Por que me olha assim? Estive aqui o tempo todo.

Como posso saber o que aconteceu?

É verdade.

Claro que é. Você sabe que é, Rúfio.

Vou saber agora. César, seu guarda-costas...

está a um chamado seu, lembre-se.

Por que o deixa falar assim comigo? Mostre-lhe seu lugar.

Para ser meu amigo e esconder seus pensamentos como você?

Por que diz isso?

Não estou escondendo nada.

Está errado tratando-me assim.

Sou uma criança e você vira pedra porque pensa...

que alguém foi morto. Não suporto isso.

Sei que odeia lágrimas.

Não vou aborrecê-lo com elas.

Sou tola e não posso evitar ofender-me...

quando você fala friamente comigo.

Tem razão.

É horrível pensar que alguma coisa morreu ou foi ferida.

Espero que não seja nada sério.

O que a assustou? O que você fez?

Parece uma resposta.

Eu não o traí, César. Juro!

Eu sei. Não confiei em você.

A cidade enlouqueceu. Querem destruir este palácio...

e nos jogar ao mar. Apanhamos este renegado.

Solte-o. O que ofendeu os cidadãos, Lucius Septimus?

O que esperava? Potinus era o favorito do povo.

Eu o libertei há uma hora. Não o deixaram sair?

Sim, pela galeria.

A 60 pés acima do chão e 3 polegadas de aço nas costas.

Está tão morto quanto Pompeu.

Agora estamos quites quanto a assassinatos.

Assassinado. Nosso prisioneiro.

Nosso hóspede.

Quem fez isso era sábio e seu amigo. Mas nenhum de nós...

teve nada a ver. Não adianta fazer cara feia.

Foi morto por ordem da rainha do Egito.

Não sou Júlio César, o sonhador...

que permite que qualquer escravo o insulte.

Rúfio diz que fiz bem.

Agora os outros me julgarão.

Potinus tentou conspirar comigo para trair César.

Recusei, ele me amaldiçoou.

Veio me acusar para César de sua traição.

Ele me insultou. A mim! A rainha! Na minha cara!

César não me vingou. Falou com gentileza e o libertou.

Fui certa em me vingar? Fale, Lucius.

Não nego, mas César não lhe agradecerá.

Apolodorus, fiz mal?

Acuso-a apenas de uma coisa, muito bela.

Devia ter me chamado. Num duelo justo eu o mataria.

Serei julgada por seu escravo, César.

Fale, Britanus, fiz mal?

Se a traição, a deslealdade e a falsidade ficarem impunes...

a sociedade será uma arena com animais se matando.

César está errado.

Então o veredicto é contra mim.

Se algum homem em Alexandria achar que eu errei...

vou me deixar crucificar por meus próprios escravos.

Se neste mundo houver um homem que a condene...

terá que conquistar o mundo, ou ser crucificado por ele.

Ouve?

Os que batem à sua porta acreditam em morte, vingança.

Você matou seu líder. É justo que eles a matem.

Até o fim da história, um assassinato gerará outro.

Sempre em nome do direito, da honra e da paz.

Até os deuses cansarem e fazerem uma raça que entenda.

Que a rainha ordene a vingança e que se defenda.

Pois ela renunciou a César.

Não me abandone. Defenda o palácio.

Tomou nas mãos a vida e a morte. Sou só um sonhador.

Vão me matar.

Por que não?

Piedade!

Piedade? Chegamos a isso?

Nada a salvará além da piedade? Ela salvou Potinus?

Chega de pregação. O inimigo está no pátio.

O que o deixou confuso todos esses meses?

Minha loucura ou sua sabedoria? Nesse mar de...

sangue, quem não manteve a cabeça fora d'água?

E quando César liberta alguém, você, agarrada à...

minha espada, e à sua vidinha, apunhala-o pelas costas.

Tento abrir mão e deixá-la submergir nesta corrente.

Vai nos deixar porque somos um bando de loucos.

Não vejo mal em matar. Mato como um cão, por instinto.

Somos todos os seus cães, mas o servimos fielmente.

Rúfio, meu filho...

os cães vão morrer na rua agora.

Sua fala tem o tom do Olimpo, mas ainda estou do lado dela.

Se morrermos, ela não vai querer...

a devoção do coração nem a força de um homem.

Mas não quero morrer!

lgnóbil!

Perdoe-me, César. Pode ser ignóbil...

mas eu também pretendo viver o tanto quanto puder.

-Você sobreviverá a César. -César se desespera?

Quem nunca esperou, nunca desespera.

Em boa ou má sorte, César encara seu destino.

Olhe-o agora e ele lhe sorrirá, como sempre.

Quer me encorajar?

Ofereço-lhe meus serviços. Disponho-me a mudar de lado.

-Neste ponto? -Neste ponto.

Acha que César é louco de confiar em você?

Peço por minha vida e um comando no exército.

Já que César é negociante justo, pagarei adiantado.

-Como? -Com boas notícias.

-Que notícias? -Que notícias, Rúfio?

Que o socorro chegou.

Mirtridates de Pérgamo está em marcha, não?

Ele tomou Palusia.

Lucio, agora você é meu oficial.

Os egípcios devem ter mandado todos os soldados...

para impedir que Mirtridates cruze o rio.

Só o povo está nas ruas.

Mirtridates vem pela estrada para Menfis.

Achillas o enfrentará ali.

Achillas lutará contra César.

Aqui é o palácio.

E aqui o teatro. Pegue 20 homens e finja ir por esta.

Enquanto o apedrejam, as cortes sairão por esta.

Minhas ruas estão certas.

-Este é o mercado. -Vi no dia que chegamos.

Em uma hora tomaremos o navio para o lado oeste.

Providencie-me cavalo e armadura.

Com o resto subirei o Nilo...

e alcançarei Achillas no deserto.

Dê ordem para começar.

Apolodorus, empreste-me sua espada e seu braço direito.

Também meu coração e minha vida.

-Aceito ambos. Pronto? -Para a arte da guerra.

Isso é um negócio.

Não é meu filho único? Conhece as ruas, Rúfio?

Acho que sim. Passarei por elas.

César.

César.

Esqueceu-se de mim?

Estou ocupado. Quando voltar, resolvo seus assuntos.

Adeus. Seja paciente.

O jogo foi feito e perdido.

A mulher sempre leva a pior.

Siga seu chefe.

Uma palavrinha.

Diga ao seu carrasco que se Potinus tivesse sido morto...

corretamente por degola, não teria gritado.

Seu homem fez o trabalho errado.

Como sabe que foi um homem?

Não foi? Você estava conosco.

Foi ela? Com as próprias mãos?

Que meus inimigos se cuidem com ela.

Cuidado se quiser me fazer de tola diante de César.

Terei cuidado.

Vamos mostrar aos egípcios como se luta.

E como se corre.

E depois... para Roma.

Está escuro e estou só.

Venha, Ftatatita!

A rainha olha de novo para o rosto de sua serva.

Sou aquele cujo gênio és o símbolo.

Parte animal, parte mulher e parte deus.

Aí vem ele.

Meu navio me espera.

É chegada a hora do adeus de César.

O que me resta a fazer, Rúfio?

O governador desta província não foi nomeado.

O que me diz de Mirtridates de Pérgamo?

Pode precisar dele em outro lugar.

Isso é verdade.

Que tal você?

Eu, governador? Está sonhando?

Sou apenas o filho de um homem liberto.

César não o chama de seu filho?

Paz a todos e ouçam-me.

Falarei dos préstimos, qualidade...

posto e nome do governador romano.

Por préstimos, o escudo de César. Por qualidade...

amigo de César. Por posto, um soldado romano.

Por nome, Rúfio.

Sou o escudo de César...

mas de que me serve se não estou mais em seu braço?

Onde está meu ilhéu bretão?

Aqui, César.

Quem lhe deu permissão para se meter na batalha do Delta...

aos gritos bárbaros de sua terra?

Desculpe a linguagem que me escapou no calor do momento.

Como atravessou o canal sem saber nadar...

quando abandonamos o acampamento?

Agarrei-me à cauda de seu cavalo.

Não são feitos de um escravo, mas de um homem livre.

Eu nasci livre.

Mas o chamam de escravo de César.

Só como escravo de César encontrei a liberdade.

Como sou ingrato!

Ia libertá-lo, mas agora não me separarei mais...

de você nem por mil talentos!

Ele sabe como fazer os homens servi-lo.

Deixo a arte do Egito em suas mãos.

Lembre-se que Roma ama e estimula a arte.

O Egito deve pagar seu tributo a Roma com a arte.

O que mais devo fazer antes de embarcar? Não me lembro.

O que será? Ficará sem ser feito.

Não podemos perder esse vento favorável.

Não volte a Roma sem seu escudo. Há muitas adagas lá.

Não importa. Sempre odiei a idéia de morrer.

Prefiro ser morto. Adeus, Rúfio.

A rainha.

Sabia que ainda havia algo.

Como deixou-me esquecê-la, Rúfio?

Cleópatra não faz parte dessa despedida?

Se eu partisse sem vê-la, jamais me perdoaria.

Está de luto por mim?

Que estouvado de minha parte. É por seu irmão?

Por quem, então?

Pergunte ao novo governador romano.

Ele que vai reinar em nome de César...

à moda de César e conforme as leis de vida de César.

Governará como puder. À sua moda.

Não à sua? Sem castigo? Sem vingança, nem julgamento?

É a maneira certa, a grande maneira.

A única possível. Acredite, Rúfio, se puder.

Acredito, mas ouça...

Cleópatra tinha uma tigresa que matava por sua ordem.

Pensei que ela poderia matá-lo um dia.

E, sem malícia, degolei-a.

Por isso Cleópatra está de luto.

Ele derramou o sangue de minha serva.

Que caia sobre sua cabeça e a dele, se não o castigar.

Sobre a minha, então. Foi bem feito.

Não se zangue comigo. Sinto por Totatita.

Está rindo.

Isto quer dizer reconciliação?

Não. É ridículo ouvir você chamá-la de Totatita.

Sempre criança, Cleópatra. Não a fiz mulher.

Você é que é um grande bebê.

Faz-me parecer boba, pois não se comporta seriamente.

Tratou-me mal e eu não o perdôo.

Diga-me adeus.

Não.

Eu vou lhe mandar um lindo presente de Roma.

Beleza de Roma?

O que Roma pode me dar que o Egito não pode?

Se o presente tiver que ser lindo...

tenho que comprá-lo aqui em Alexandria.

Esquece-se dos tesouros de Roma.

Não pode comprá-los aqui.

Quais são?

Seus filhos.

Vamos. Perdoe-me e diga adeus.

Vou mandar um homem ainda verde para a faca.

Que não esconda a calva com os louros...

e sem os ombros curvos.

Forte e jovem, esperando pela manhã...

lutando durante o dia e sonhando à noite.

Aceita-o em troca de César?

Seu nome?

Pode ser Marco Antônio?

Fará um mau negócio trocando César por Marco Antônio.

Então, está satisfeita?

Não vai se esquecer?

Não.

Adeus.

Não vamos mais nos encontrar.

Salve e adeus!

Salve, César, e adeus!

Sem lágrimas. Elas apunhalam o coração deste seu servo.

Um dia ele voltará.

Espero que não.

Mas não consigo evitar chorar assim mesmo.

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