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Comecei a imaginar
que uma pessoa pode morrer.
Pagarão pra você o seguro de vida...
Abra uma poupança para o Lucas.
Então, haverá uma decisão judicial.
Os especialistas se ocuparão de tudo.
Temos advogados pra isso.
Optamos por uma cobertura adicional. Haverá mais dinheiro.
A perda moral não será muita. Sem dúvida, a perda financeira..
Fazem cálculos sobre o tempo médio de trabalho de um homem.
Somarão todos os salários que eu tenha recebido.
Depois restariam minhas despesas...
Alimentação, roupa e gastos domiciliares.
Desde que morri não poderão fazer...
Não poderão dar a você o dinheiro que eu teria gasto.
Só o que teria sobrado pra você e o Lucas.
Deverá ser uma quantia considerável.
É importante para os dois.
Joge fora todas as minhas roupas...
mas conserve as fotos.
Compre uma cama nova.
Porém, não mude de casa...
Você deverá explicar isso ao Lucas.
Esquecerá o som de minha voz.
Também a minha face...
Só recordará pelas fotos.
Não estava destinado a morrer, meu amor.
Querida minha,
meu amor, meu doce e querido amor.
A mãezinha de Lucas,
Minha Céci,
Minha Cécile, minha mulher.
O prefeito e todos os nossos parentes.
Senhora Cassard..
Cécile Cassard...
Cécile Cassard..
Quero você...
Não, melhor amanhã.
Não sei.
Não, não quero.
Esta noite não, por favor.
Sim, estou aqui.
Está chorando. Começou a chorar.
Não comece a me incomodar...
Cale-se!
Mamãe...
Boa noite, gatinho.
Estamos aqui.
Sim, mamãe também está aqui.
Cécile..
Você mudou desde o acidente?
Faz cinco dias que usa a mesma roupa.
Nem mesmo tomou banho, não é?
Não me aborreça, por favor.
É repugnante. Não pode continuar assim.
O quê?
Vá se trocar...
Vá se trocar agora, por favor.
Vou prepapar o banho, certo?
Está bem, farei isso. Agora tem que ir embora.
Colocarei a roupa usada de Lucas na máquina de lavar.
O que é isso?
Quanto tempo estão ali?
São as camisas de Thierry.
Que vamos fazer com elas?
Acho que não servem mais...
Ponha na lixeira quando sair, por favor.
São quatro francos e cinquenta.
Desculpe, quatro francos e cinquenta.
Podemos falar um momento, sra. Cassard?
- Agora não. - Só seriam alguns minutos.
Nos veremos na sala de jogos.
Fique aqui, Lucas. Voltarei com sua mãe.
- Se precisar de mim, sra. Cassard... - Vamos, querido.
É preciso que fale com seu filho.
Não voltaremos a ver o papai nunca mais.
Mamãe...
Mamãe!
Agora a cabeça, seguindo o movimento...
Balancem esses braços. E vamos lá!
Tomem fôlego!
Divertido...
Traje de banho...
Bem assim!
Natacha, olhe-se!
Está aí no meio sem fazer nada! Falo sério!
Dançar é divertido. Divertido de fazer e também de ver.
Vamos lá outra vez!
Vamos!
Muito bem, Anne-Claire.
Atrás!
Requebre. As cadeiras, Lise, suas cadeiras!
Já pode se juntar a nós?
Oh, vamos...
Cuidado com a cabeça... Vamos, salsicha...
- O coelhinho. - Que coelhinho?
Quem é esse coelhinho?
De onde ele saiu?
Não me morda! Todas essas gurias enlouquecidas...
...me puseram em apuros.
Eu vou morder o coelhinho.
Vou comer ele...
E este outro coelhinho também vou moder ele.
Abra o porta-malas.
Abra o porta-malas, por favor.
Um segundo.
- O que irá ver? - Sem ideia.
Comerá em Tours?
Não sei.
Prometa que irá ver um filme. Não tem sentido permanecer reclusa.
Me vou, mas não sei o que vou fazer...
Pode dormir em minha casa se quiser.
Isso é estúpido. A única coisa que faria ia ser acordar você...
Diz adeus a mamãe?
Mamãe...
Vamos já, Cécile. É melhor para ele.
Quero minha mãe!
- Dirija com cuidado. - Não se preocupe.
- Promete? - Tenho que ir.
Tem certeza que ficará bem?
Não sinto amor e guardo silêncio.
Tão somente o piscar de uma chama de vela em minha mente, piscando por você, Lucas.
Me diz que não sinto amor e guardo silêncio.
Diz que não haverá nada mais, que nossa vida já se foi.
Não pude conseguir o final adequado. Estou morta para meu filho.
Estou morta. Estou muito longe.
Estou morta para você.
Por que está em minha mente, Lucas?
Não é o lugar certo pra você. Não é o lugar adequado.
Em minha mente habita a morte.
Os meninos não estão destinados a acompanhar a morte.
Seu lugar está distante, num novo mundo.
Não quero pensar.
Não tenho mais nada pra dar a você, sabe? Tudo isso se acabou.
Já chega!
Veja...
Podemos acompanhar você?
Não vou longe.
- É mais seguro. - Somos curiosos...
- Não é que estejamos cansados, mas quão longe é esse "não longe"?
Não vou longe.
Você é daqui?
É de Paris.
Não, sou de Tours.
Das montanhas?
Não, do rio Loire.
Dá no mesmo, sou analfabeto em geografia.
- Um cigarro? - Não, obrigada.
- Está com amigos? - Não.
- Não é uma policial!
- Me interessa. - Está bem.
Viu só.
- Onde vamos? - Eu vou pro meu hotel.
- Encontrar com seus amigos? - Não.
- Cadê seu marido? - O que há com vocês?
- Não tem namoradas? - Ele tem uma.
E como é isso?
A maioria das gurias de nossa idade usam aparelhos nos dentes...
e são agressivas.
Atirariam pedras se falássemos com elas dessa maneira.
- Bom dia. - Bom dia.
"O adestrador de cães empurra Vasag até um canto escuro,
e se aperta também ali,
levanta sua bunda, vira-o,
e empurra seu pênis viscoco contra o quadril de Vasag...
molhando de urina as calças do aprendiz.
Grunhindo, beliscando seus mamilos".
Erwann.
Um cochilo rápido e estarei bem.
É uma pena. Estava muito divertido.
Talvez outra noite?
Desculpe, não era minha intenção. Não estava espiando.
Estou praticando.
Eu gosto.
Não chorava desde quando era guri. Não posso fazer isso.
Não quando deveria pelas circunstâncias.
Mas diante do espelho...
... posso sentir arrependimento de verdade.
Você chora com facilidade?
Babaca.
Vai despertar todo mundo.
Precisa de outro quarto?
Dá no mesmo. Não tenho sono.
Por que está em Toulouse? Negócios?
Então?
Por nada realmente. Nada em absoluto.
Vai ficar por muito tempo?
Não. Vou embora daqui.
Deste hotel?
Buscarei um lugar.
Conhece alguém na cidade?
Você deixou seu marido?
- Notei o seu anel de casamento. - Meu marido está morto.
É estranho mudar-se pra Toulouse.
Eu só quero ir embora. Não suporto isso aqui.
Esta cidade é pequena. Não há muito que fazer.
Além disso, é um lugar frio ainda que não dê essa impressão.
As pessoas aqui são mesquinhas. Logo julgam os outros.
Estou cheio desse sotaque...
Sou de Rennes.
Não quero voltar mesmo que lá não seja pior do que aqui.
Todas são iguais...
Rennes, Toulouse, Montpellier...
Tem exatamente as mesmas lojas.
Iluminação alaranjada à noite, fachadas restauradas,
as ditas cidades universitárias...
Pestilentas como um câncer.
Desculpe. Estava chateada. Não é sua culpa.
Não se desculpe.
Está por sua conta, então?
Isso mesmo, como uma guria adulta.
Onde você quer ir?
O que?
Estava dizendo que queria ir embora.
Nem mesmo eu sei.
Onde se pode ir atualmente?
Pode ir a lugares onde não tenha estado antes.
Poderia ir à China, por exemplo.
Oh sim.
Ou à Rússia.
Pode ir onde quiser.
Inclusive ao Irã?
África.
Sudão.
Moçambique
Congo
Angola, Níger, Chade.
Tenho um amigo no Chade.
Talvez o Chade seja uma boa ideia.
Sim, o Chade deve ser bonito.
Você gosta de dançar?
Eu gosto das lágrimas. Não posso fazer isso na vida real.
Mas quando danço sozinho sei que consigo...
Sou especialista em dança de salão.
Isto é um 'Paso Doble'.
Não vou por música, é tarde.
Vê como é o passo?
É bem simples e fácil de aprender.
Se quiser pode...
Tem medo?
Não vamos nos tocar. Unicamente posso dançar só...
Sabe o que é isto?
Imagino que sim.
Vamos, é fácil.
Fechei a porta.
Vamos.
- Não precisa de nós? - Já fizeram o bastante.
- Posso ficar. - Mathieu levará você de volta.
Nos veremos...
Sou eu.
Não vai dizer nada?
Não vamos chorar.
Não sei. Diga alguma coisa.
Lucas e você, rápido.
Não vamos falar sobre mim.
Entende?
Ele está com você?
Posso ouvir ele?
Feche os olhos. E fecha as cortinas.
O que está acontecendo?
Mantenha os olhos fechados, está bem?
Se abrir mato você.
Agora.
- O que é isso? - O Natal.
- Mas ainda falta um mês. - Queria ser o primeiro.
E isto?
Três jogadas, três desejos.
- Os desejos. - Agora?
Vamos, jogue rápido.
Não tenho nenhum desejo.
Me dê. Não sabe ser divertida.
Desculpe, mas farei por você...
Em primeiro lugar desejo...
...aceitar em ser feliz.
Em segundo lugar desejo...
Esquecer...
que meu marido...
...morreu.
Já é o bastante. Me dê!
Me dê. Não tem graça...
Não estou tentando ser gracioso.
É pelo seu bem.
Nunca perguntei a você.
Esquece que ele morreu e assim poderá falar-me sobre ele.
Não pense nos mortos como mortos, simplemente como pessoas.
Não penso somente na morte.
Antoine, 19 anos, minha prima.
Morta.
Maxime, 41 anos, meu pai.
Morto.
Julien, 32 anos, um amigo.
Morto.
Gostaria que saísse, Mathieu, por favor.
O país está sob céus escuros.
Na profunda noite que chega.
Rápido! feche seus olhinhos.
Dorme, meu doce guri, dorme.
Como outro dia que morre.
Rezo pra que nunca chore.
Ou que seu peito não se encha de cansados suspiros.
Dorme, meu doce guri, dorme.
- Esqueceu da água. - Trago em seguida.
Desculpe, onde fica o cemitério?
- Depende de qual. - Há mais de um?
O mais próximo fica logo depois da ponte.
- Essa ponte? - Exato.
Pode ir também pela estrada St. Pierre.
Creio que lá existem outros três.
Vire à esquerda depois da ponte e siga em frente...
Trarei sua água.
Desculpe.
- Em que direção fica o cemitério?
- Desculpe, eu pensei...
O qual procura?
- Não há nenhum por perto?
É possível. Há uma porção de cemitérios em Toulouse.
Está bem, eu perguntarei.
Está com pressa...
Eles podem esperar, sabe...
- Sempre reto, depois a primeira à direita...
logo a segunda à direita...
e num abrir e fechar de olhos encontrará a praça do Arreiro.
Eu? Ficarei aqui um pouco mais...
Vou limpar os cinzeiros, lavar os copos,
por em ordem a sala de estar,
olhar o rio...
Tem que tirar a parte de cima. O sol nos chama.
Querer é o que conta...
Querer algo a qualquer preço.
Por exemplo, se deseja a felicidade,
o fato de desejá-la já a faz feliz.
Você não quer nada.
Vai buscar o carro?
Não vou por você. Olha a chuva que está caindo.
- Podemos correr. - Não vamos derreter.
Tonto o último!
Cécile, espere!
A mulher vencedora da corrida!
Isto pode ser considerado um campeonato.
Eu sei, sou o tonto.
Homem ou mulher?
Mulher.
Francesa?
Morta?
Famosa?
Artista?
Escritora?
Morreu antes da guerra?
Foda... Não sei...
Uma escritora francesa
que morreu antes da guerra?
Colette morreu antes, não é?
Lésbica?
Está certa que não é Colette?
Esqueci a quem me referia.
Você é como uma dor de pescoço.
É uma inútil nisto.
De qualquer forma, é um jogo estúpido.
Também posso contar as novidades.
Stéphane e eu vamos a París.
É uma oportunidade ótima, Mathieu.
- O que quer dizer? - Quando?
No final do mês.
Stéphane tem que voltar pra lá.
Seu trabalho é muito bom pra deixá-lo.
Vou conhecer Paris e seus amigos.
E vai deixar tudo?
O que posso perder? Nada.
O hotel, uma tese que nunca escreverei. Já passaram...
...dois meses desde que paguei o aluguel, assim vamos guardar meu saldo...
Então tudo já está planejado?
Nós estivemos pensando.
Poderia nos ter dito antes.
Não diz nada, Cécile?
Acontece algo?
Por que diz isso?
Não disse nada.
Por que se vai?
Não podemos falar logo?
Quando? No final do mês, depois de que tenha ido embora de Toulouse?
Quando tinha planejado falar disso? Diga-me.
Nada o que dizer?
Por que se vai?
Porque acredito nisto. Isso é tudo.
Quero um relacionamento...
Quero ser importante pra alguém, importante mesmo...
Não tenho medo, essa é a razão.
Creio que é o amor de minha vida.
Creio sinceramente.
Ainda estaremos juntos nos próximos 20 anos...
Que diacho ela está fazendo?
Onde vai?
Só pode viver em dupla?
Olhe, Cécile, eu não sou como você...
O que quer dizer?
Sem precisar de nada, passando meses sem fazer sexo.
Isso é diferente.
Não, não é. Não fui feito pra ser infeliz...
Não sou infeliz. Não fazer sexo não significa que seja infeliz.
Não disse isso.
Continuará feliz sendo um sustentado?
Acha que me importa essa merda?
Tudo importa essa merda. Só vale o seu prazer...
Está me dando uma lição sobre a forma de tratar aos demais?
- Está fazendo isso? Está? - Já basta.
- Está? Está? - Cai fora...!
Mathieu!
Puta estúpida!
Te amo. Te amo. Te amo.
Te amo!
Te amo!
Te amo!
Foda-se!
De acordo?
Tudo está em ordem.
- Está bem? - Sim, só estou nervoso.
Esse imbecil me asustou.
- Aposto que pareço completamente idiota. - Não, em absoluto.
Aguenta isso.
Você terá uma adorável contusão...
- Não. - Sim.
Estou farto disto.
Quero sair de férias. Quero ver o sol.
Você não quer ver o sol?
Com a chegada do sol terá que ficar nu da cintura pra cima.
Desejar a felicidade já supõe ser feliz.
Quem disse isso a você?
Um rapaz português, aqui na cidade.
O da ponte?
Tiago?
Tiago tem razão.
Desculpe, você viu o Tiago?
Tiago, é hora de ir!
Espere...
Creio que está por ali...
Falo sério. Vamos.
Está por aqui.
Vamos.
Está bem?
Pare de fazer isso.
Mathieu...
Se tivesse nascido em Roma ou na Espanha, teria tido mais amantes?
Quantos?
Me haveria casado?
E estaria viva neste momento?
Antes de trabalhar, coloquei uma rosa sobre um túmulo em Toulouse.
Escolhi o túmulo por acaso...
na primeira vez que fui ao cimitério.
Não foi totalmente ao acaso. Queria um que ficasse perto de uma árvore.
O nome escrito era Claude,
Claude Puig,
1944-1985.
Podia ter procurado um de alguém chamado Thierry.
Ou de alguém nascido no mesmo ano.
Não, deixei para o acaso...
Vou lá quase cada semana.
Sempre deixo uma rosa amarela.
A viúva de Claude deve estar muito intrigada.
Provavelmente pensa que seu marido tinha uma amante.
Esta manhã, junto ao túmulo, imaginava
ter nascido em outra parte.
Não sei onde Claude nasceu.
A lápide só na frente. Só o ano, de fato.
É ridículo não constar o lugar de nascimiento nos túmulos.
Marcaria uma diferença.
Cécile Cassard, nascida em 1967, em Nantes.
Mesmo isso não seria suficiente.
Um epitáfio. Não há epitáfios hoje em dia.
Thierry... - Meu marido, lembra?
Thierry tinha um livro de Sarraute, não, de Yourcenar.
De epitáfios romanos. Ele me leu muitos...
Não gostava.
Não sei o que diz em sua lápide.
''Sempre virgem, convocada pelos deuses antes de minha boda''.
Eu gostava deste.
Gostaria de ter este em minha tumba?
''Sempre virgem, convocada pelos deuses antes de minha boda''.
Desperte.
Não havia tido mais amantes.
Para mim um homem é suficiente.
Ou talvez amantes a quem não amasse.
Por que não escreve?
Por que não chama?
Vamos dormir.
Preciso tanto de você...
Chama isto de dormir?
Quem é esse pequeno bicho que sobe e desce?
Quem é esse pequeno bicho que sobe pelo meu cabelo?
Uma pulguinha?
É uma pulguinha?
Agora durma, coisinha.
Durma. Está cansado.
Venha, durma.
O país se encontra sob céus escuros.
Sob a profunda noite que chega.
Rápido! feche seus olhinhos...
dorme, meu doce guri, dorme.
Como outro dia que termina.
Peço para que nunca chore.
Ou que no seu peito não exalem cansados suspiros.
Dorme, meu doce guri, dorme.
Dorme por sua mãe esta noite.
Que seus sonhos sejam doces.
E a manhã, com sua luz,
corra de novo, rápido e ligeiro.
O país se encontra sob céus escuros.
Sob a profunda noite que chega.
Rápido! feche seus olhinhos,
dorme, meu doce guri, dorme.
O amor não se comporta bem comigo.
Não estou programado para ele.
Só sou bom para...
Não sei pra quê.
Há pouco contei as coisas que posso fazer.
As que realmente posso fazer.
Eram 24.
Você pode acreditar?
Tenho quase 30 anos e só posso fazer 24 coisas.
E isso incluindo,
dançar o 'Paso Doble'.
E fazer o molho bechamel.
Nestas 24 coisas, está fazer um filho?
Não, não sei se poderia.
Oh, vamos, Mathieu.
Por que? Quer que façamos um filho?
Vamos nadar.
Falou sério de uma criança?
Responda.
Está grávida?
Quem é o pai?
Quem é o cara?
Como o conheceu?
Não vai me contar?
Não estou grávida, Mathieu.
Não há nada pra cortar.
Aqui há um tufo.
Tufo? Chama isso de tufo?
Aqui estou, sou eu, Lola.
Ela sempre ri e diz que o amor é maravilhoso...
Disfruta sem truques. Toma sem retibuir.
Tributos, homenagens e "Bravos!" de rapazes valentes
Os gritos e as propostas,
ela ri de tudo, satisfazer um homem é suficiente pra ela.
Aqui estou, sou eu, Lola.
Ela diz: Aqui há um navio, os marinheiros estão dentro.
Vamos passear, dançar e paquerar.
Vamos rir e passear, mas...
quando decide que é suficiente, deixa-os e vai embora.
Ela faz promessas e sorri quando eles insistem.
Perdida em seus pensamentos de esperança, se você soubesse..
cheia de escandalosa esperança.
Só abrirá seus braços para o homem certo...
De mil, cem ou três, ela dirá a ele...
Tu, tu, tu.
Aqui estou.
Sou Lola.
- Pega ele! - Já chega!
Pegue!
Não me toquem o cabelo!
- Estou falando sério. - Nós também.
Estou falando muito sério!
Não me toquem o cabelo!
O proprietário ofereceu vender-me o apartamento.
- Você aceitou? - Estou pensando em aceitar.
- Não faça isso.
Não pode desperdiçar aqui sua vida. Não enterre a si mesma.
Gosto daqui.
Não vou deixar que meu filho cresça em Toulouse.
Vamos ao exterior,
à África.
Meu filho crescerá na África.
E será um guri, claro.
Teremos uma casa,
com quintal,
e grandes árvores,
que meu filho subirá.
E mesmo que tenha medo que caia, não direi nada.
Vou dizer a ele que vá bem alto,
e ele não vai cair.
Tá vendo? considerei sua proposta.
Eu não propus nada.
Sério, é uma excelente ideia.
Cale-se, por favor. Cale-se!
Quando cheguei aqui deixei um filho para trás...
Meu filho.
Tinha 3 anos. Thierry havia morrido. Pensei que não poderia fazer,
Que minha vida tinha terminado...
Eu era uma ameaça pra ele.
Estava tão assustada.
Dirigi por toda a noite e acabei aqui.
Tive que me afastar dele.
Deve estar na idade de ir pro colégio.
Não chore, não é triste.
Juro que não é uma história triste.
Gosto de tudo na minha vida, inclusive o pior.
Você verá, vamos ser felizes juntos.
Prometo, quando estiver pronta, vou dar um filho a você...
Tradução: Valk PtBR: REHansen
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