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Bem-vindos de volta.
Estou no lindo Paul Hamlyn Hall, onde o público,
como condiz, está apreciando diversas beberagens.
Se esta performance de Bryn Terfel como o Dr. Dulcamara
motivou vocês a assistirem mais ópera no cinema,
podem vê-lo ao vivo em um papel muito diferente no ano que vem.
Uma lenda inesquecível
De um homem condenado a navegar os mares
E uma mulher cujo amor poderia redimi-lo
Bryn Terfel em um de seus maiores papéis
Andris Nelsons rege a turbulenta ópera de Wagner
Der fliegende Holländer (O holandês voador)
Ao vivo nos cinemas 24 de fevereiro de 2015
Estou com o regente de hoje, Daniele Rustioni.
Adina é uma personagem rara no repertório para soprano.
Quando se trata de heroínas em óperas,
uma personagem feminina pode triunfar,
mas isso pode lhe custar a vida.
Algumas morrem de tuberculose,
outras se atiram de muralhas...
Butterfly, por exemplo, canta uma ária incrivelmente linda e dramática,
mas acaba se suicidando.
O que é fantástico em Adina é que ela triunfa no final,
mas não em detrimento dela, sua personalidade ou sua vida.
É uma personagem bem moderna.
Naquela época, não era comum ver uma mulher que é independente,
que não é serviçal, realmente pode fazer o que quiser
e pode ser tão atrevida com os homens.
Ela faz e acontece, manda e desmanda nos homens
e os usa como seus brinquedos.
É como as mulheres de hoje: ela não precisa dos homens.
Adina é brilhante nesse aspecto.
O que gosto e espero que as mulheres do público vejam nela
é: segure as cartas junto ao peito.
Faça o homem se esforçar por você.
Não se renda facilmente.
Achei bem difícil, no início, aprender este papel.
Pessoalmente, sou transparente quanto aos sentimentos,
então é ótimo interpretar alguém emocionalmente complexo
com relação ao amor.
Pois é um desafio maior
ser alguém que você não é.
É preciso que Nemorino beba o elixir, o vinho barato,
e que ela o veja
ser adorado por muitas outras mulheres,
e ela ser subitamente ignorada por ele.
É como uma punhalada no coração.
"Por que ele não fala mais comigo? Por que não me dá atenção?"
"Puxa, o que está havendo?"
"E que sentimentos são estes que começo a sentir?"
Pois, como muitas mulheres dirão,
ver o lado poderoso de um homem
é muito sexy.
Essa cena é crucial no desenvolvimento dela.
Vemos o ciúme, vemos a chama se acender,
e começamos a perceber que Adina sente muito mais por Nemorino
do que se dá conta.
Notamos essa autodescoberta dentro de Adina.
Acompanhamos esse trajeto e estou aprendendo cada vez mais.
É como um botão, e vemos a flor ir se abrindo,
e até o fim da ópera ela floresce totalmente
e é realmente linda.
Por isso é algo tão único.
Em quase todo o repertório, quando uma soprano conquista o homem
ou vive até o fim da ópera,
ela perde algo nesse processo.
Por isso Adina é tão fascinante
e uma personagem feminina maravilhosa.
Quer saber?
Está se saindo bem, Paul. Você até que tenta.
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