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Original subtitles

Bem vindo a um tempo onde não haviam guitarras ou baterias. Apenas sintetizadores.

Era década de 1970.

O local, a Inglaterra, e nossos heróis, eram um bando

de jovens pioneiros, obcecados por Kraftwerk e ficção-científica.

Por todo o país, estes sonhadores sintéticos ja imaginavam

o grande som do futuro - ontem.

Nos anos 80, seus sonhos se tornaram realidade, quando a inglaterra se tornou synth-pop..

Bem-vindos a um tempo onde as máquinas dominavam o mundo.

# I stand still stepping on the shady streets

# And I watch that man to a stranger

# You think you only know me when you turn on the light

# Now the room is lit with danger

# Complicating, circulating new life

# New life

# Operating, generating

# New life, new life. #

Nos anos 70, estávamos vivendo o futuro.

Nossas cidades estavam entrando na era espacial.

MÚSICA: "William Tell Overture" Por: G Rossini

Prédios vitorianos foram abaixo e repostos por ultra-modernos arranha-céus de concreto

O entretenimento também vislumbrou o futuro.

As telas de cinema e televisão estavam cheias de flashes

de um futuro que parecia estar bem na esquina.

Lancado em 1971, "Laranja mecânica" de Stanley Kubrick era uma futurista

e violenta visão de uma Inglaterra que capturou o zeitgeist.

A trilha do filme foi composta pelo americano pioneiro no synt Walter, agora, Wendy Carlos.

Isto teve um profundo efeito numa geração que gostaria de ser músico.

Para muitas pessoas, esta provavelmente foi a primeira vez que ouviram música eletrônica,

nos letreiros deste filme.. Isto me fez, para sempre, associar

música clássica com pessoas que queriam ficar loucas.

O que é um pouco estranho.

A trilha sonora de Maranja Mecânica - Fantásticos sons sintéticos naquele

sintetizador gigante que Wendy Carlos usou.

E era tudo orquestrado!

Bem, Wendy, a quem disse que ela era Walter, eu nunca notei

o que estava acontecendo ali. Era tudo pura inspiração, sabe.

Foi a primeira vez que ouvi este tipo tão absorvente

de som de baixo sintetizado. Apenas, fiquei louco com isso.

Algumas das pessoas que seriam pós-punks do futuro, poderiam ouvir três ou quatro

composições originais que Carlos fez naquela trilha, que eram muito mais sinitros.

Havia um tipo de ligação entre estes sons e

a idéia de um futuro frio e deserto. E provavelmente grudou na mente

de um monte de jovens músicos naquele tempo.

Para uma geração de sonhadores eletrônicos,

o som de Carlos poderia oferecer um vislumbre de um futuro sintético e alienado.

Mas a verdadeira faísca divina

só entraria em nossas telas de TV em 1975.

"Tomorrow's World" deu à Inglaterra, a primeira imagem do Kraftwerk

uma banda alemã que tocava apenas com instrumentos eletrônicos.

Eles invadiriam nossas praias mais tarde, naquele mesmo ano.

Nós tocamos uma das nossas primeiras canções em 1975, em nossa turnê em Liverpool.

O The Wings estava em uma turnê pela inglaterra e tocaria naquela mesma noite.

Essa foi uma das razões por nossa platéia estar apenas pela metade.

# Wir fahr'n fahr'n fahr'n auf der Autobahn

# Fahr'n fahr'n fahr'n auf der Autobahn. #

Todos nossos posteres estavam colados bem ao lado dos do The Wings.

Claro que ficamos orgulhosos, sabe.

# Die Fahrbahn ist ein graues Band

# Weisse Streifen, gruener Rand. #

Fantasticamete, ele vieram para Liverpool em outubro de 75.

E eu sentei no banco Q36

e vislumbrei o primeiro dia do resto da minha vida.

75 era a era de cabelos longos, calças coladas e solos de guitarra.

E chegaram esses caras, com ternos e gravatas.

Dois deles pareciam que estavam tocando numa bandeja de chá com agulhas com fios..

E isso, tipo... detonou. Realmente, foi incrível.

Não tínhamos cabelos longos, não vestíamos calça jeans...

Tínhamos ternos cinzas e cabelos curtos, sabe.

E parecíamos as crianças...

de Wernher von Braun ou Werner von Siemens.

Nos víamos como engenheiros musicais, tipo isso.

Ao invés vozes dançantes no palco para atrair meninas, sabe.

Uma coisa interessante, foi que depois, alguem bateu na porta do camarin

Era uma banda chamada Orchestral Manoeuvres In The Dark.

E o líder, Andy McCluskey, estava realmente eufórico e feliz

quando nos conheceu em pessoa.

E ele disse, "Sabe, caras, vocês nos mostraram o futuro!"

"É isso! Vamos jogar fora nossas guitarras amanhã e vamos comprar sintetizadores."

Em termos de inspirar pessoas não apenas ter sintetizadores em suas bandas,

mas serem completamente eletrônicas.

Acho que você nunca vai poder subestimar o impacto do Kraftwerk

Trans-Europe Express teve o mesmo impacto no synth-pop

como anarchy in the UK teve nas pessoas que queriam ser punk rockers.

'No próximo ano, Kraftwerk espera eliminar completamente os teclados

e fazer tablados com telas eletrônicas que podem ser tocadas pelo toque.'

Na música britânica em meados dos anos 70, o synth era uma besta remota.

Apesar de ser bem mais barato posteriormente,

naquela década, um sintetizador custava quase o mesmo que uma pequena casa.

Eles eram associados com ricos e técnicos músicos progressivos.

Até o punk chegar junto, você teria que ser Keith Emerson.

Se você quisesse entrar numa banda, teria que ter uma experiência de oito ou nove anos

antes de ousar em sair tocando.

E isso foi simplesmente inspiração, para o The Damned e The Clash...

..que disseram, levante-se e faça! Sabe?

Faça seu melhor. Se for uma merda, talvez a simplicidade ajude.

Mesmo que os sintetizadores não tivessem nada a ver com o movimento

ele inspiraria aqueles com interesse na música eletrônica, a fazer por eles mesmos.

# Oh

# White riot - I wanna riot

# White riot - a riot of my own

# White riot - I wanna riot

# White riot - a riot... #

Toda aquela infraestrutura em volta do punk, nós absolutamente amamos.

É tipo aquela música atual que acabamos de ver, estava ficando velha.

E eu acho que eles foram tipo um animal de um truque só.

Então, o que nós fizemos foi, pegamos a atitude do punk e demos a ele

um contexto diferente, ou seja, Vamos fazer uma música que ninguém tenha ouvido antes.

Pelo país, pequenas bolhas experimentais foram surgindo, inpirados pelo punk e Kraftwerk.

Estávamos no meu estúdio, em casa, no sudeste de Londres.

Um dia eu abri minha caixa de email, e haviam uns 10 emails

de um monte de gente dizendo

"você tem que entrar no eBay e comprar isso"

Era um vocoder original do Kraftwerk

que estava sendo vendido no eBay. E foi aquele usado em Autobahn.

Eu pensei, bem, é o equivalente a um guitarrista comprando

a guitarra do Jimmy Hendrix, usada em Purple Haze, tipo isso.

Eu comprei meu primeiro sintetizador em... 1977.

E eu comprei de segunda mão um Korg 700S da loja Macari

na Charing Cross Road.

O que me emputeceu, foi que eu tive que aprender três notas para entrar numa banda punk.

Se você tivesse um sintetizador, tudo o que teria que fazer era apertar um botão com um dedo.

# I don't need a TV screen

# I just stick the aerial

# Into my skin. #

Avançando na tecnologia, mais tarde nos anos 70, teve a invenção

de um sintetizador mais acessível, custando não mais que uma guitarra elétrica.

Daniel Miller usou-a para formar o The Normal, um ato experimental para dar suporte a grupos punk.

Miller tirou de um trabalho de um autor inglês, JG Ballard

cujo Crash era outra visão futurista da Inglaterra.

# Warm

# Leatherette

# Warm

# Leatherette... #

Eu tinha acabado de terminar com minha namorada, a quem eu tinha amado muito.

Um um amigo disse para eu ler esse livro. E eu li.

E tinha um grande...

usava estes trocadilhos, para impactar.

E teve um grande impacto.

# See the breaking glass in the underpass... #

Não era ficção-científica com espaço sideral e coisas desse tipo.

Era como se fosse cinco minutos no futuro, e eu amei o aspecto disso.

O fato de ser tão ultrajante, e tão possível ao mesmo tempo.

# Leatherette... #

Warm Leatherette do The Normal. The Normal era o codinome de Daniel Miller.

# Hear the crashing steel... #

as letras eram um resumo do conceito de Crash,

o livro de Ballard, que era sobre pessoas que se envolviam em acidentes de carro e

depois tinham sua sexualidade desviada em sentir prazer com acidentes de carro.

Então, tinha essa letra, *tradução* "O freio de mão penetrou em você, rápido, vamos fazer amor antes que você morra."

# Warm

# Leatherette... #

A música era pra ser visual.

Sabe, como dirigir numa estrada com grandes prédios em volta, e entrar num túnel.

Tinha muito humor nisso, na verdade.

Nao era pra ser apocalíptico ou distópico.

Miller foi um dos primeiros poetas synth britânicos. E ele não estava sozinho.

No norte da Inglaterra, um bando de programadores de computador sonharam com algo similar.

Amamos JG Ballard.

Na verdade, Roxy tinha uma música, To HB, sobre Humphrey Bogart.

E tínhamos uma música, 4JG, que era sobre JG Ballard.

O futuro era um bando de nerds de Sheffield.

Eles se juntaram em 77. E tocavam apenas com sintetizadores.

Então eu comprei um Korg 700S em...1976,

Foi a primeira vez que teve um sintetizador mono que dava pra fazer algo.

Que tinha um nível caseiro, de início, em termos de custo.

Era mais ou menos 350 libras, acho.

E eu me lembro direitinho, que na época eu era um operador de computador

Foi um dia decisivo

se eu comprava um carro de segunda mão e aprenderia a dirigir,

ou se compraria um sintetizador mono.

E isso provou ser um grande dia fatídico, porque eu ainda não sei dirigir.

Mas eu ainda tenho aquele sintetizador.

Isso é um Mini-Korg 700S, e foi o primeiro sintetizador viável.

Máquina fantástica. Completamente excêntrica.

# Listen to voice of Buddha... #

Eles davam um livro com ajustes junto.

Era em japonês. Haviam coisas tipo, um gato ou um sapo engraçado..

E você não conseguia entender o porque aquilo fazia algo, mas era ótimo.

Normalmente, um sintetizador pode fazer as coisas por você.

Você não tem que ser manualmente bom em nada.

Foi por isso que a gente o escolheu em primeiro lugar.

porque ninguém conseguia aprender a tocar guitarra.

Todos nós tentamos. Meu irmão é um ótimo guitarrista e tentou me ensinar.

Aquilo só machuca sua mão. Então, usamos isso.

Você aperta o botão de ligar, então consegue fazer algo em 10 minutos. É bem interessante.

Tendo um gravador, você pode gravar, depois colocar outro som e tudo sair bem.

# ..Doesn't mean that she's your better... #

No dia que eu entrei pra banda, Martyn veio a minha casa e tinha dois discos nos braços.

Um era o Trans-Europe Express, e o outro era I Feel Love. E disse, "Olha, NÓS podemos fazer isso."

Acho que foi isso mesmo o que ele disse.

MÚSICA: "I Feel Love" Por: Donna Summer

Amamos aquilo. Os albuns conceituais que Giorgio Moroder fez com Donna Summer.

# One, two, three, four, five. #

Costumávamos botar pra tocar direto.

Não era aquela coisa tipo ironia pós-gay.

Era porque soava ótimo e interessante.

Não dava pra saber se os próximos sons era o que você acharia que fosse.

I Feel Love não parecia com nada gravado anteriormente.

Veio de um rádio, e você não acreditava no que estava ouvindo.

Era hipnótico, mas te guiava.

# It's so good... #

A graça da música do Moroder foi o hit disco de 77.

Seu sucesso moldaria o modelo da música do futuro do futuro.

# I'm in love I'm in love, I'm in love... #

Estávamos, muito mais influenciados pelo Moroder do que pelo Kraftwerk.

Todo mundo, desde que soubessem que usávamos sintetizadores, diziam "oh,são tipo Kraftwerk, não são?"

Usávamos os mesmos instrumentos, então, os sons eram quase os mesmos.

Mas não queríamos ser como Kraftwerk, queríamos ser uma banda pop.

Queríamos...

encarnar um senso de futurismo

sem soar tão literal.

Então aconteceu de um amigo nosso, ele tinha comprado pra ele

um jogo de tabuleiro de ficção chamado Star Force.

E era muito chato.

Coisa de nerd, mesmo.

Era impossível. Não dava pra jogar.

Tinha um capítulo, The Rise Of The Human League, ou algo.

E eu pensei, The Human League, é um nome bem mais legal.

# No future, they say... #

The Human League começou a fazer pop eletrônico para a cidade moderna.

# The city is human

# Blind youth take hope You're no Joe Soap

# Your time is due Big fun come soon

# We've had it easy We should be glad

# High-rise living's not so bad... #

O The Human League deu uma guinada total nos sintetizadores

Era muito mais como uma coisa otimista brilhante e tecnocrática

De fato, uma de nossas primeiras músicas,

Blind Youth, zoava de pessoas que iam de encontro a desumanização.

# Dehumanisation

# Is such a big word

# It's been around

# Since

# Richard the Third

# Dehumanisation

# Is easy to say

# But if you're not a hermit

# You know the city's OK. #

Eu diria que nosso brilhantismo veio de Martyn.

Martyn era otimista. Se alguém reclamava de algo,

Martyn escrevia uma canção no sentido contrário.

Acho que eu me sentia sombrio sobre a selva de contreto e tal

o que é ridículo, já que eu sou urbano.

Eu viajava no concreto...

Se você me colocasse no interior, eu acharia uma cidadezinha e rapidamente entraria num bar.

# Blind youth take hope You're no Joe Soap

# Your time is due Big fun come soon... #

Infelizmente, a música pop britânica não estava pronta

para um grupo de futuristas do sintetizador... não ainda.

Mas em 1978, o The Human League não era o único grupo de experimentalismo eletrônico em Sheffield.

Esta é a antiga escola de arte Psalter Lane,

que era parte da politécnica de Sheffield nos anos 70.

Acredito que o The Human League também tocou neste lugar...

no seu primeiro show em público.

Cabaret Voltaire tocou nesta mesma sala.

É, achamos que não tinha nada para nós.

Tinha todos estes super grupos pomposos

e bandas progressivas

que nem eram de nosso meio social.

Eles provavelmente vieram de escolas públicas,

o que era comum em Sheffield.

Você pode achar alguns pontos interessantes na musica deles

alguma coisa de rock progressivo que ficaria estranha com um toque de sintetizador.

Mas quando você tipo descobre todas estas bandas alemãs,

você percebe que haviam álbuns que foram feitos com eletrônicos.

Embora o The Human League sonhasse com o pop, Cabaret Voltaire

nao queria nada, a não ser usar eletônicos para explorar Sheffield, uma cidade perdida entre o passado e o futuro.

Eu me lembro de assistir um bocado de coisas de ficção

nos anos 60, como Doutor Who e coisas como Quatermass.

E todas estes tipos de coisas estranhas pareciam acontecer

em velhos gasodutos em ambientes industriais.

Houve uma mundanidade sobre isso.

Você poderia ver um alien ou uma bolha gigante rondando pelo chão,

brilhando em verde por causa da radioatividade.

# Nag nag nag

# Nag nag nag. #

Um grupo bem artístico. Obviamente o nome era Echoes Dada.

Eles tinham algo de William Burroughs e idéias tipo controle e vigilância.

Na verdade eles usaram muito de guitarra,

mas era tão processado, que não se parecia com guitarra de rock'n roll.

Soava mais como som de sintetizador.

Eles também colocavam uns efeitos tipo de sintetizador

nas vozes, o que provavelmente foi uma das coisas mais perturbadoras que eles fizeram.

Você tinha um cara cantando, mas se parecia mais com um Robô Dalek do que com um humano.

No meio da noite, você poderia escutar um barulho distante de batidas

que pareciam mais com uma pá de fornalha ou um martelo de aço, ou algo do tipo.

Certamente você saberia que estaria ao lado de uma indústria pesada.

Tudo em sua música era alienada.

Música que veio de pessoas divorciadas da vida e dos ritmos naturais.

Música para um ambiente hostil.

Nunca me pediram para explicar o movimento. Eu sempre chamava de "sintetizadores alienados".

Throbbing Gristle, Cabaret Voltaire, Joy Division era um pouco menos sintetizados...

Mas todo mundo, todo mundo era mais ou menos assim.

Andávamos por ai com longos casacos de lojas de usados

e falando o quanto tudo era ruim, com um sintetizador.

E outro lugar, outro grupo de sintetizadores alienados sonhavam

com um futuro eletrônico na casa espiritual da música pop britânica.

Estamos na Mathew Street em Liverpool, e estou parado na frente da porta de onde era

o Eric's Club, onde tocamos nosso primeiro show, aqui inventamos o OMD para tocar aqui mesmo.

Era o clube onde todo mundo ia.

The Bunnymen and the Teardrops tocaram aqui um mês depois da gente.

Foi aqui onde eu vi o Devo tocar em seu primeiro show na Inglaterra.

E todas as bandas que nos influenciaram, quando vinham para a cidade

tocavam aqui, menos o Kraftwerk que tocou no grande teatro rua abaixo.

E então, literalmente 10 jardas pra lá, está o Cavern Club.

Tínhamos o Eric`s e o Cavern um em frente ao outro .

Quando Paul e eu começamos a nos interessar por música eletrônica,

éramos muito jovens.

Não tínhamos dinheiro.

E era irreal pensarmos em ter um destes grandes teclados que víamos

na TV ou num show de algum tecladista nos anos 70.

Minha mão tinha um catálogo da Kays, e eles tinham alguns sintetizadores.

Nosso primeiro Micro Korg foi comprado pelo catálogo da minha mãe

em 36 vezes, a 7.76 libras por semana, se bem me lembro.

Foi o primeiro sintetizador, e fizemos os dois primeiros albums com ele.

Era tipo, um sintetizador bem básico.

Acredita que foi esta gravação?

# Enola Gay

# You should have stayed at home yesterday

# Oh-oh, words can't describe

# The feeling and the way... #

As maiores gravadoras ignoravam a música synth,

forçando bandas como o OMD a procurar por indies novatas...

Em 1978, OMD assinou com a Factory. Os movimentos começavam a se unir.

Acho que foi a primeira onda de bandas que

sairam do armário no fim dos anos 70...

...e estávamos todos trabalhando independentemente um dos outros.

Não havia um movimento unido.

Não começou num club ou em uma cidade.

Não havia um bando de pessoas com um manifesto

dizendo pra onde iria a nova música eletrônica britânica.

Eram pequenos grupinhos de diferentes partes do país

que independentemente estavam ouvindo as mesmas coisas.

Eu fiz uma bateria eletrônica porque vi o Kraftwerk com seus pauzinhos.

Eu pensei, "eu posso fazer isso". E fiz.

Algumas das primeiras baterias eletrônicas pareciam caixas Heath Robinson

Com todos estes pratos e com estes pauzinhos e fios

foi que puxamos a bateria para a eletricidade.

# Our one source of energy

# The ultimate discovery

# Electric blue for me

# Never more to be free... #

Ficamos terrificados quando Tony Wilson disse, "O que você faz, é o futuro do pop."

Pop? Éramos influenciados pelo experimental alemão! Não éramos pop!

Como você nos chama de pop? Estávamos mortificados.

Não conseguíamos enxergar.

Por acidente, Paul e eu

e acho que outros, nesta época, tínhamos destilado o experimentalismo

eletrônico e o pop glam britânico de apenas a alguns anos antes, no que se

tornaria, o que não enxergamos na época, no que seria o futuro da música pop.

No início de 79, o futuro da música que vimos a um bom tempo atrás,

combinada com os esforços do The Normal, OMD e The Human League falhou em dar problema para as paradas.

Mas trabalhar com sintetizadores estava ficando cada vez mais rigoroso.

Mesmo para os punks.

No outro lado da East Lancs Road, outra banda da Factory,

que se tornaria um dos maiores nomes da cena eletrônica, estava dando seus primeiros passos com sintetizadores.

O primeiro sintetizador que tivemos no Joy Division era uma coisinha chamada Transcendent 2000.

Na verdade eu o construi usando um monte de peças.

Na época eu tinha insônia, não conseguia dormir direito.

Então eu comecei a ler esta revista chamada Electronics Today,

algo assim, e dentro, tinha este sintetizador.

E era incrivelmente caro comprar um naquela época.

E não tínhamos dinheiro algum. Eu pensei, muito barato, só 200 mangos.

É muito difícil construir um desses?

Então foi assim... soldando componentes na mão.

Demorei dois meses fazendo isso.

E então, não deu muito certo.

Eu lembro que fomos escrever uma trilha num estúdio chamado Cargo, em Rochdale.

Quando chegamos, vimos aquele pequeno órgão Woolworths

que quando você ligava a energia, ligava também um ventilador.

Você podia jogar botões com acordes sobre ele. Então eu fui mexer com esses botões.

E então, eu acho que Martin Hannah, tinha trago um sintetizador sequencial Solina.

O quê? Você pode tocar mais de uma nota ao mesmo tempo com isso!

Então, eu peguei o órgão e o sintetizador.

E apertei estes botões de acordes, e escrevi Atmosphere, uma música do Joy Division.

Escrevi ali, no estúdio.

# Walk in silence... #

Acho que escrevemos a música

e então Ian escreveu as letras naquela mesma noite.

Então, gravamos os vocais no outro dia. O que é fantástico, se for pensar.

# See the danger

# Always danger

# Endless talking

# Life rebuilding

# Don't walk away... #

Enquanto parecia que o norte tinha a liderança

enquanto pioneiros no synth pós-punk. As coisas esquentavam também ao sul.

John Foxx é o antigo vocalista do Ultravox.

Ele trabalhou em Shoreditch em Londres, e então no antigo East End.

Estes sintetizadores modulares foram a primeira geração

de sintetizadores que realmente funcionavam.

E então as companhias decidiram barateá-los, porque ninguém conseguia comprar um.

Ou apenas algumas pessoas podiam ter um.

Então eles condensaram tudo isso, nisso.

Londres parecia quase vazia nos anos 70.

Constumávamos andar nas ruas, com papéis de jornal voando e grandes paredes de concreto.

E tudo parecia mais sombrio

e perdido de alguma forma. Como se estivéssemos perdidos também.

Eu me pergunto sobre o que se tratava.

Eu não tinha raiva de nada,

como se fossemos punks.

Eu apenas queria fazer música sobre isso. O tipo de música que desse pra escutar.

# Standing in the dark

# Watching you glow

# Lifting a receiver

# Nobody I know

# Underpass... #

Passagem subterrânea, com meia luz onde você pode ser assaltado.

Uma distopia bem anos 70.

Uma cidade espectral.

# Now it's all gone

# World War something... #

Esta foi uma parte industrial de Londres, que serviu como

docas e como indústria, e ambas já tinham indo embora.

Era como viver num filme de Quatermass porque eu descobri que abaixo de

toda esta área, eram onde tinham as valas onde corpos

eram jogados.

Isto inevitavelmente vazou em nossa música. É por isso que soávamos tão dark, eu acho.

Eu vim de Lancashire e onde eu acabei chegando? Num lugar mais sinistro ainda.

# Underpass... #

A música de Fox não foi o único retrato synth das metrópolis dos anos 70.

Um grupo de artistas experimentais, conhecidos como Throbbing Gristle,

estavam forjando seu próprio som eletrônico industrial

e sua fábrica da morte no fim da rua, em Hackney.

Desagradável. Era desagradável. Era muito pra baixo.

O The Factory foi uma fábrica de calças e era perto de London Fields.

O porão era onde tinham as valas.

É por isso que era chamado de fábrica da morte.

Ainda haviam muitas coisas antagônicas sobrando,

Eu sei que parece inacreditável, mas era pós guerra.

Ainda haviam pessoas, como o vigia do parque que era paramilitar Moseley.

Parece ser clichê agora, mas na época, tentávamos

refletir os sons a nossa volta, de um jeito diferente.

Nosso estúdio era numa área industrial.

Haviam vários barulhos diferentes rolando a toda hora.

E tentávamos refletir todos estes sons

e como eles se juntavam nessas texturas de estranhas misturas eletrônicas experimentais.

# Hot... #

Nós sentimos um parentesco com um monte de bandas, especialmente com as de Sheffield.

Isso, Cabaret Voltaire, esse pessoal. Mas este parentesco era o fato de sermos todos independentes.

Chris Carter do Throbbing Gristle era maluco por

Tangerine Dream e esse tipo de música

então dai saiu estas músicas eletrônicas, sonhadoras e hipnóticas do Throbbing Gristle

O que era bem divertido, de um jeito estranho.

Eu tinha sintetizadores porque eles eram caseiros. Não foram comprados em loja,

como Rolands e Korgs, eles soavam únicos, não soavam como sintetizadores normais.

Então eu construi esta unidade de efeitos.

Eu vi o design na Practical Electronics. Você podia combinar todos os efeitos juntos

e colocar uma guitarra por cima, ou voz, ou qualquer coisa.

Eu comecei a contruir unidades para o Throbbing Gristle and e eram chamados de Gristlisers.

Nunca fomos punks. Não éramos punks.

Éramos uma banda experimental de eletrônico industrial.

Veio 1979, a música eletrônica britânica continuava sendo ignorada pelos selos.

Então, Dan Miller, fundou o primeiro selo independente britânico, o Mute.

Para lançar discos dos Kindred spirit, Fad Gadget assim como seus próprios trabalhos.

Eu não me interessava por rock, eu realmente só me interessava por música eletrônica.

Eu pensava que este era o futuro, para onde a música excitante

estava indo e eu queria ser parte disso.

Um dos primeiros lançamentos do Mute estranhamente seria profética.

Eu vi um antigo álbum do Chuck Berry que eu tinha e pensei,

"Como isso ficaria ao som de sintetizadores?"

# Long-distance information

# Give me Memphis, Tennessee

# Help me find the party

# Tryin' to get in touch with me... #

Todo mundo disse, "Você tem que lançar isso! É fantástico!", e eu pensei "Tá, como eu faço isso?"

Não cabia num nome normal.

E então eu pensei, se houvesse um grupo que só de adolescentes

e sua primeira escolha de instrumentos fosse um sintetizador ao invés de uma guitarra

porque isso nunca tinha acontecido antes.

John Peel... Eu tinha dado isso pra ele. Estava ouvindo rádio com alguns amigos.

Ele disse, "Temos três versões de Memphis Tennessee. Um é o original, e outros dois covers."

"Um é uma merda, e o outro é ótimo". Eu pensei "Meu Deus". Ainda bem que ele gostou do meu.

Leve-o embora.

Este foi um dos maiores momentos da minha carreira musical.

Estou foi o programa da noite, onde você ouviu

the Desperate Bicycles, The Slits, The Mekons, Alternative TV, The UK Subs e Sham 69.

Mais destes mesmos desagradáveis no programa de amanhã. Até lá,

de mim, John Peel, boa noite e bom descanso.

Ter sua faixa no programa do Peel era algo.

Mas ninguém estava pronto para o que aconteceria a seguir.

Que tipo de maquiagem você usa? Você parece muito branco.

É natural. Só um lápis 28 da Max Factor, que é natural, não uma maquiagem branca.

Ai eu passo um pó cor da pele e um delineador de olhos.

# It's cold outside

# And the paint's peeling off of my walls

# There's a man outside... #

Em 24 de maio de 1979, o futuro finalmente chegou.

# In a long coat, grey hat smoking a cigarette... #

Ele era punk. Adorava ficção-científica.

Até tinha lido JG Ballard mas o mais impressionante,

Gary Numan está no Top of the Pops.

Eu gostaria que mágica fosse real, sabe.

Que fadas fossem reais e todo esse tipo de coisa.

Eu amo esse tipo de coisa.

Acho que eu nunca cresci, acho, olhando desta perspectiva.

# Now the light fades out... #

Da primeira vez que ele estava no Top Of The Pops,

Quando ela me ligou, ou eu liguei, "Você está vendo?"

"Você viu esse cara? Ele é fantástico!"

# There's a knock on the door... #

O visual e o som eram tão diferentes.

# And just for a second I thought I remembered you... #

Tipo um alienígena, né?

Tive vários problemas na infância. Fui parar num psiquiatra e tal.

No que acabou se tornando no Asperger.

Eu me sentia mais confortável sozinho. O clássico solitário, acho.

Não beba, não vá para clubes demais.

# So now I'm alone

# I can think for myself... #

Fui a um estúdio gravar um disco punk, o que seria meu primeiro álbum.

E quando eu cheguei lá,

num canto do estúdio, tinha um mini Moog.

Felizmente, ele estava ligado, e o som, com um baixo enorme que estremeceu a sala.

Eu notei que ao pressionar um botão, todas aquelas coisas aconteciam.

Era uma quantidade massiva de força, numa profundidade que eu nunca tinha ouvido.

Nunca tinha ouvi nada parecido antes. Uma nota.

Pessoas como a gente, Cabaret Voltaire e The Human League,

já sabíamos do fato que existiam outras pessoas compartilhando nosso espaço.

e então veio, quem, eu acho que na época achávamos que era Johnny.

"Quem diabos é esse cara de Londres?"

"Quem é este que está na TV vendendo tantos discos? Nunca ouvi falar dele."

Numan foi o primeiro pin-up do Synth Britânico.

Oi, Sarah. Oi, Gary. Oi, Sarah.

Minha amiga Cheryl leu num jornal

que sua mãe corta seu cabelo. É verdade?

Sim, é verdade. Ela corta desde que eu tinha quatro anos.

Certo, obrigado. Tchau. Ela que pentea de lado assim?

Eu realmente gostava das músicas do Gary.

Eu acho que ele fez a melhor música da época.

Eu acho, ele, de qualquer um, ele realmente condensou tudo de um jeito perfeito naquela altura.

Numam poderia imediatamente mostrar que seu maior sucesso, não era uma fraude.

Cars era parte um elogio a JG Ballard e parte testimônio sobre a vida em Londres da década de 70.

Eu estava em meu carro e dois homens numa van me fecharam,

e sairam do carro, e claramente estavam vindo me bater.

Tentando me tirar do carro, chutando e gritando.

# Here in my car

# I feel safest of all

# I can lock all my doors

# It's the only way to live

# In cars... #

Eu fiquei muito assustado.

Eu tranquei as portas e acabei subindo na calçada

porque era a única saída.

Obviamente as pessoas saíram da frente. Houve um certo pânico.

Cars é sobre se sentir seguro contra outras pessoas, porque ninguém pode te pegar.

Você está em sua pequena bolha.

# Here in my car

# Where the image breaks down

# Will you visit me, please?

# If I open my door, in cars... #

Eu estava maravilhado quando Cars saiu. Eu achei muito bom.

# ..I was starting to think about leaving tonight... #

Todo este tempo, estávamos convencidos que era uma questão de tempo até sair uma música n.1.

Parte arrogância e parte estupidez, e então aparece alguém do nada e faz!

Com vendas excedendo os 10 milhões, Gary Numan era

um novo tipo de pop star, mas estar no fronte do synth, tinha problemas inevitáveis.

A união dos músicos tentaram me banir no meu primeiro ano, eu acho,

porque eles falavam que eu tirava trabalho de verdadeiros músicos,

e eu teria que ser um membro para entrar no Top Of The Pops. Me chateou um bocado, na verdade.

A imprensa musical foi bastante dura.

Não era rock'n roll, não era honesto, não era trabalhado, não valia a pena,

não era real, não era suado, não era viril. Era pseudo intelectual pretencioso.

Estou convencido de que a carreira de Numam foi diminuída por

um jornalismo desagradável, jornalismo desagradável e ácido.

Mas, novamente, o que houve antes de mim?

Havia o punk. Toda aquela coisa anti herói.

Eu não estava apenas fazendo música eletrônica, como eles não estavam gostando de nada.

Mas eu me mantive em pé dizendo, eu quero ser um pop star. Eu amo isso.

Toda essa coisa de anti-herói de antes não tinha nada a ver comigo. Eu queria ser famoso!

Eu quero estar

subindo no palco, sem nem falar com as pessoas, porque eu não as conheço!

A década terminaria com Numan como um improvável herói synth-pop.

Quem não prestasse atenção poderia ver o synth-pop como uma ferramenta

experimental pós-punk transformada no principal intrumento do POP.

Na chegada dos anos 80, o futuro chegou, e ele não era alienado.

A mudança para um anúncio correto de uma nova era na Grã-Bretanha, uma época

onde a riqueza material e a prosperidade seria louvada acima de tudo.

Não havia lugar para os sonhadores experimentais da década passada.

Ou você era um sucesso ou você não existia.

# One man on a lonely platform

# One case sitting by his side... #

O grande sucesso de 80 foi do Visage, cujo Fade To Grey seguiu rapidamente no vácuo do sucesso de Numam.

Parecia que o futuro tinha ultrapassado o The Human League.

# Ah, ah-h-h-h

# We fade to grey.

# Fade to grey... #

Acho que haviam três sucessos.

Com certeza Dave Stewart e Barbara Gaskin

Gary Numan e the Flying Lizards deveriam ser o número um

comigo e com o dinheiro ali, acho que fizemos uns LPs e eu pensei, "Detonamos!"

Agora olhamos para o ocorrido, e todo mundo teve idéias e trabalharam muito melhor do que nós.

# The best things in life are free

# But you can give them to the birds and bees

# I want money

# Ooh, ooh-ooh

# That's what I want

# Ooh, ooh-ooh

# That's what I want

# Ooh, ooh-ooh

# That's what I want... #

Um dia me disseram que eu havia sido tirado do grupo.

Foi tipo o que aconteceu com o Jack Black no filme Escola de Rock.

"Você não pode me tirar do meu próprio grupo."

Havíamos lançado Reproduction e Travelogue e feito um tour.

Havia uma persistente insatisfação da gravadora.

Não estavam vendendo tanto quanto eles esperavam.

Tivemos uma longa sessão de fotos e Martin nem apareceu.

De repente, eu estava ouvindo histórias de que Martin jamais

iria aparecer no palco comigo de novo o que eu acho que ele só disse isso

porque foi o que Bryan Ferry havia dito sobre Brian Eno.

Enquanto The Human League estava desmoronando,

algo estava fermentando em lugares inprováveis.

Basildon era uma cidade nova. Criada para o pós-guerra em East End

Não era um dos lugares mais românticos para a música pop.

Mas um bando de garotos iriam jogar suas guitarras na vala e reinventar o synth como Pop.

Enquanto crescíamos, Basildon era uma cidade violenta.

Tivemos o maior índice de crimes por cinco anos seguidos.

Eu me lembro de voltar a Basildon

a ir para um pub com alguns amigos, e eu tinha esmalte preto nas unhas.

Fui ao bar pedir uma bebida. Eu não me lembrava disso

nem pensava nisso, e um cara falou "Que porra é essa nas suas unhas?"

O Depeche Mode foi formado em 1980.

Eles tinham um local em sua boate local.

Croc era uma boate comum, mas tinha um crocodilo.

Dava pena ver o animal, mas ele estava vivo.

Havia esta noite toda semana, quando eles tocavam coisas tipo The Human League e Soft Cell

e também tinham bandas que apareciam às vezes.

# I stand still stepping on the shady streets

# And I watch that man to a stranger

# You think you only know me when you turn on the light

# Now the room is lit with danger

# Complicating, circulating

# New life, new life

# Operating, generating

# New life, new life... #

Quando eu comecei a tocar com sintetizadores,

foi por conta do The Human League,

Orchestral Manoeuvres In The Dark, em seu primeiro álbum.

Eu era um grande fã do trabalho de Daniel Miller no Silicon Teens e

do The Normal além de Fad Gadget que estavam no Mute records.

Vince era tipo o chefe da banda. Ele era incrivelmente focado.

# Complicating, circulating New life... #

Ganhava £30 por semana numa fabrica de iogurte e poupava £29.70, por semana,

para poder comprar um sintetizador.

Ele forçou o passo. Esta foi a primeira bateria eletrônica que o Depeche Mode usou na vida.

O trabalho de Dave depois da música, era ajustar o tempo.

Número 7 era pra ser rápido, dois era pra ser lento, etc.

Eu comprei Autobahn, foi o que realmente nos fez sair e comprar nosso primeiro sintetizador.

Toda essas coisas que estavam acontecendo na época,

com Kraftwerk e depois com The Human League.

# ..New life, new life... #

Eu estava realmente feliz depois que eu os ouvi tocando

como quando eles tocavam ao vivo.

Eles comecaram e eu pensei, isso é interessante.

Tinham quatro pequenos sintetizadores mono sobre caixas de cerveja.

# I'm still stepping on shady streets

# And I watch that man to a stranger... #

Haviam fãs com eles, e não estavam vendo a banda, estavam dançando.

# ..The moon is lit with danger

# Complicated... #

Miller primeiro viu o Depeche Mode com o fãs em east London e então os contratou na Mute.

A gente não sabia o que estávamos fazendo. Na época que conheci o Depeche Mode, estávamos apenas no primeiro álbum.

Comparado a eles, eu era um experiente executivo da indústria, que não sabia de nada.

Sabe, eles precisavam de uma pequena ajuda no estúdio

então eu os treinei em alguns jeitos de trabalhar

usando sequenciadores. Eles nunca tinham usado isso antes.

Tudo era tocado à mão. Este é o lendário Arp 2600.

O comprei de segunda mão em 1979.

Foi um dos três vendidos após a turnê mundial do Elton John.

Foi usado em todos os álbums do Depeche Mode em que eu participei.

Especialmente no primeiro álbum. Um dos dois sintetizadores que usamos.

Você pode ouvi-lo desafinando naquela nota ali.

Não está afinado nem um pouco.

MÚSICA: "Just Can't Get Enough" Por: Depeche Mode

Depeche Mode provaria que eles eram os silicon teens de verdade.

A combinação de sex appeal e sintetizadores

fariam deles um dos maiores ídolos pop de 1981.

# When I'm with you baby I go out of my head

# And I just can't get enough And I just can't get enough

# All the things you do to me and everything you said

# I just can't get enough I just can't get enough

# We slip and slide as we fall in love

# And I just can't seem to get enough of... #

Quando o Depeche Mode, quando nós estavamos tocando

a gente mesmo carregava os sintetizadores.

E eu, por alguma razão,

tive que comprar o maior e mais pesado sintetizador de todos, sabe.

Não tínhamos carros nem nada, íamos de metrô,

e era bem pesado.

Então, eu tinha essa coisa debaixo do braço, Fletcher tinha um Moog,

Martin tinha um Yamaha, acho, dentro de um metrô.

# I just can't get enough I just can't get enough... #

Quando fomos pela primeira vez no Top of The Pops, fomos de metrô, com eles.

- Vocês foram de metrô no Top Of The Pops? - Sim.

De Basildon para a Rua Fenchurch e então para subterrâneo.

Mas como para o Human League, nem tudo seria fácil para o Depeche.

Eu acho, sabe, você deve se lembrar disso

durante nosso período pop, tínhamos fãs e um monte de gente que gostava da gente

mas também haviam pessoas que nos odiavam.

Com certeza em 80, houve uma verdadeira batalha

entre nós e o jornalismo em geral, jornalismo musical.

Era apenas, sabe, pop.

Sabe, eu acho...

olhando pra trás, eu entendo o porquê as pessoas odiavam o que fizemos

Não era apenas o som. Era...

Sabe, nós éramos crianças jovens e nós fizemos tudo o que veio junto.

Sabe, tudo o que as TVs pediam, a gente fez, não importa o quão estúpido.

Ela falou "Você acha que ele se importa em me dar um beijo antes do fim do dia?"

e eu falei "Pergunta pra ele." Mas eu te pergunto, você poderia...

Se eu me virar de costas, você poderia...

Sabe, havia alguma coisa não britânica na música eletrônica, pra começar.

Eles queriam bandas como nos anos 60.

Quatro caras, guitarra, baixo e bateria,

um vocalista bonito, calças apertadas,

sabe, essa coisa convencional.

Era o que vendia jornais, eu acho.

# Playing on my radio and saying that you had to go... #

Eles descreviem o Depeche, como uma banda de pop adolescente,

de apenas um hit, especialmente quando Vince saiu, eles pensaram "É... acabou."

# New day, turn away Wipe away the tear... #

Em novembro de 81, Vince Clarke inesperadamente saiu.

Eu era, e ainda sou, um pouco louco controlador.

Então, com o advento dos computadores e sequênciadores

eu percebi que eu poderia fazer tudo sozinho.

Sabe, eu não preciso necessariamente de outras pessoas para tocar.

Eu gosto muito de programar sozinho todas as partes.

Sem seu maior compositor, parecia que o fim do Depeche Mode estava próximo.

MÚSICA: "Don't You Want Me?" Por: The Human League

No mesmo ano, a sorte olhou

para o novo Human League que finalmente entrou para o pop,

parcialmente graças à mudança de alguns participantes

que os tiraram do NME e os colocaram na primeira página do Smash Hits.

# You were working as a waitress in a cocktail bar

# When I met you

# I picked you out, I shook you up and turned you around

# Turned you into someone new... #

Pegamos Joanne e Susan simplesmente porque estávamos indo fazer uma turnê européia

e Martyn e eu estávamos impossibilitados de estar no mesmo grupo, então pensamos,

"Bem, use uns vocais agudos, isso, vamos tentar com garotas.

"Vamos ser um pouco diferentes e tentar uma garota."

Naquela etapa, era, se formos levar uma garota para a estrada

com um bando de idiotas safados como a gente

então teriam que ser duas, para uma tomar conta da outra.

Joanne e Susan apareceram...

Eu estava sendo sarcástico, na verdade a gente só sentava e ficava lendo livros.

# You better change it back or we will both be sorry

# Don't you want me, baby?

# Don't you want me, oh?

# Don't you want me, baby...? #

Oakley viu as garotas dancando numa boate futurista em Sheffield.

Nosos pais pensaram, "A uma segunda intenção aí...

"tem alguma coisa."

Mas aí o Philip veio e conheceu nossos pais

e eles acharam ele um cara decente e então fomos pra escola

com nossos pais e eles conversaram com a professora,

que achou que seria ótimo para nossa educação

ter seis semanas viajando pela europa

porque poderíamos ir para galerias de arte e coisas do tipo.

# Put your hand in a party wave

# Pass around

# Make a shroud pulling combs through a backwash frame... #

Nós nunca dissemos que iríamos para galerias de arte!

Fomos para um monte de clubes.

É. Nós fomos para a Catedral de Colônia,

o que foi a coisa mais cultural que fizemos.

# Get around town, get around town

# Where the people look good Where the music is loud

# Get around town No need to stand proud

# Add your voice to the sound of the crowd... #

Também significou que nós poderíamos parece com mulheres, assim como homens.

O Human League antigo era muito masculinizado.

e era apenas rapazes com longos casacos, como a gente.

Alguns travestis.

Certo, pop, vamos lá.

Alguém daqui gosta do The Human League?

# The shades from a pencil peer... #

Lançado em 1981, Dare cristalizou a nova música synth-pop.

# A fold in an eyelid... #

Fizemos coisas que só poderia ter sido feita naquela altura.

Enquanto fazíamos isso, nos traziam as máquinas em que nos permitiu fazê-lo.

Por exemplo, a primeira bateria Linn havia chegado na Inglaterra

e veio para nosso estúdio, pegamos a bateria do Sound Of The Crowd e colocamos na Linn.

Sem ela, não teria dado certo.

Me lembro quando Martyn pegou a bateria Linn

e foi como uma criança no natal, pegando seu primeiro carrinho ou algo do tipo.

Ele ficava saltidando e todos os garotos falando "Oh! Uma bateria!"

Antes disso, a bateria era uma das coisas mais difíceis de fazer

e agora era uma caixa deste tamanho e programável.

Estavam todos excitados e e estávamos tipo assim "Certo, pessoal"

Agora as comportas estavam abertas.

A corrida para o mercado atingiu todo o aspecto da vida britânica no início dos anos 80.

Tudo agora era em prateleiras, inclusive a música pop.

Na tentativa sombrear seus ex-companheiros de banda, o ex-membro da Human League Martyn Ware

teria dinheiro na época, para um álbum conceitual

Estávamos no turno diurno e eles no noturno, no mesmo estúdio.

Eles estavam fazendo Dare e a gente estava fazendo Penthouse And Pavement.

Eu nunca estive tão motivado em toda a minha vida, acredite.

Falei, "Vamos fazer bem estiloso, fantástico.

"Finalmente, as algemas estã abertas, podemos usar outros instrumentos

"porque o manifesto original está quebrado,

"mas ainda vamos fazer predominantemente eletrônico."

A idéia era que de repente, não éramos mais um grupo,

estávamos dando uma facada e entrando,

"Não, está é boa música, mas também são negócios."

Realmente são negócios. Não importa.

Bob Dylan pode cantar o que quiser.

Mas ele está lá nos bastidores investigando os homens da A&R.

# Now here comes my job

# Credit bleeding with the mob

# Dreams become ideals... #

Mas, ironicamente, e nós éramos totalmente anti-Thatcher

e sempre fomos, sabe, a música Fascist Groove Thang, etc.

Eu fui pego pela ambiciosa cultura Yuppie

no início dos anos 80, como o seu tipo de canções, uma grande parte do tempo.

Como Let's All Make A Bomb.

Eles perderam completamente o ponto da canção, e foi tipo,

"Isso cara! Lembre-se de escutar isso. É fantástico, cara!

"Amei o rabo de cavalo."

MÚSICA: "Penthouse And Pavement" Por: Heaven 17

Nem todo mundo estava interessado nessa nova onda britânica.

Cabaret Voltaire não estava nem aí para rabos de cavalo ou popularidade.

Sua visão da Grã-Bretanha focava os protestos que aconteciam no interior

que começaram por todo o país no verão de 81.

As pessoas diziam que Ghost Town do The Specials

foi a trilha sonora para a agitação desse ano, mas um monte de gente

alternativamente, achou que Red Meca era a trilha para aquilo.

Acho que eu disse no passado, que de alguma forma,

aquela insurreição nas ruas meio que achou seu caminho através da música.

Você se toca no fato de que algumas pessoas

estavam lutando contra o sistema embora de uma forma bastante crua,

e estavam preparados para enfrentar a polícia.

Sabe, não estávamos paranóicos. Estava tudo acontecendo lentamente,

a ascensão da cultura da vigilância,

a ascensão da direita na américa e dos cristãos fundamentalistas.

É, em nome de Jesus.

Então teve a revolução no Irã

com o Shah sendo deposto

e os generais sentindo as coisas movendo para a direita.

Enquanto isso, algo estranhamente Synth estava acontecendo das entranhas do Soho.

MÚSICA: "Tainted Love" Por: Soft Cell

Eu ia a muitos clubes de soul na zona norte, e eu ouvia coisas

tipo Kraftwerk e Northern Soul,

que se tornaram coisas se desenvolvendo, mesmo, na minha cabeça.

Aí... eu perdi.

Se tínhamos algum dinheiro, a gente ia pro Soho e ficávamos andando por lá,

só pegando idéias, foi de onde veio o nome.

# Sometimes I feel I've got to

# Run away... #

E este cabaré erótico 24 horas, era um bar em 1980 ou algo do tipo.

Foi de onde veio esta foto. Estávamos meio que fascinados,

sendo dois caipiras do norte

e derrepente, "Uau! Isso é fantástico!"

Era algo glamuroso e perigoso.

Muitas luzes neon e tal, que estávamos fascinados

# Now I run from you

# This tainted love you've given

# I give you all a boy could give you

# Take my tears and that's not nearly all

# Tainted love Oh, oh, oh, tainted love... #

As primeiras pessoas fazendo eletro

realmente canalizaram esta alienação tipo "Eu sou vazio por dentro",

como Gary Numan, e então teve essa segunda onda

onde você tem o frio e brilhante synth mas com o cantor bem emocional.

Marc Almond é um bom exemplo disso, torridamente emocional.

# ..Someone to hold you tight And you'll think love is to pray... #

Era tipo, ali um cantor super passional

e então outra pessoa, o cara com o sintetizador,

e acho que usavam o sintetizador mais como

um orquestra em miniatura, como se eles pegassem

todos os sons que precisassem e colocassem tudo numa caixinha.

Então realmente, era quase como uma soul-music eletrônica.

# Take my tears and that's not nearly all #

Onde o Soft Cell liderava, outros iam atrás.

Fora do Depeche Mode, Vince Clarke formaria sua própria dupla

com uma cantora de rhythm-and-blues, também de Basildon.

Eu conheci Vince quanto eu tinha 11 anos.

Nós dois íamos para a mesma escola de música nos sábados de manhã.

Foi numa apresentação onde

eu acho, que eu tocava violino e ele um oboé.

Mesmo nunca termos conversado antes, eu o reconheci pelo fato de que haviam

três irmãos com o cabelo bem loiro, como um grupo de patos atravessando a rua.

Assim que eu saí do Depeche Mode eu fiz algumas músicas

que eu queria mostrar num demo para a gravadora.

Uma delas sendo Only You.

# Looking from the window above

# It's like a story of love... #

De qualquer forma, eu entrei em contato com a Alison porque eu a conhecia um pouco.

Não tínhamos planos para formar uma banda, não tínhamos uma história juntos.

Apenas fomos direto do demo para o estúdio

fazer nossa primeira gravação.

# All I needed was the love you gave

# All I needed for another day

# And all I ever knew

# Only you... #

Eu não estava tão interessada em tecnologia,

não conseguia nem mexer num aparelho de som, então, a idéia de comprar um hardware...

Não há nenhum sentido em cobiçar as coisas que você não pode ter.

Como eu pensando em comprar uma mini-saia. Nunca vai acontecer.

# Listen to the words that you say

# It's getting harder to stay

# When I see you... #

Vince Clarke então fez mais um destes clássicos

grupos tipo fogo e gelo.

O gelo era o sintetizador, e o fogo era Alison Moyet,

Era quase um padrão para o pop dos anos 80

E cara gelado do sintetizador.

E então, um cantor super passional,

geralmente feminina, ou um homem gay. Este tipo...

de dupla que substitui uma banda de rock

é uma afronta, não é?

Apenas a aparência destas bandas.

# All I needed was the love you gave... #

Quando começamos a trabalhar no Yazoo,

era como se eu estivesse realmente sofrendo de um divórcio.

# Only you. #

Eles eram seus amigos de infância, Depeche Mode.

Foi uma coisa enorme para ele, de ser um garoto local,

como o resto de nós, sem muita esperança,

sem muitas perspectivas ou quaisquer qualificações.

A última coisa que eu ouvi foi ele estava dirigindo vans para R-White, batia e as deixava.

MÚSICA: "Don't Go" Por: Yazoo

Yazoo assinou com a Mute Records em 1982 e para sua surpresa,

Daniel Miller se viu em outro grande sucesso pop.

# Came in from the city Walked into the door

# I turned around when I heard the sound of footsteps on the floor

# Love just like addiction Now I'm hooked on you

# I need some time to get it right Your love's gonna see me through

# Can't stop now, don't you know I ain't ever gonna let you go

# Don't go... #

Não havia nada certo naquilo.

Era tipo uma música passional com uma batida eletrônica bem fria.

Ele não se encaixava nem um pouco no padrão de uma pop-star feminina.

# Hey, go get the doctor... #

Sabe, é clichê agora, mas na época,

o cara quieto no sintetizador não era um clichê.

# Can't stop now, don't you know

# I ain't ever gonna let you go

# Don't go... #

Nos 18 meses que existimos, eu e a Alison nunca nos conhecemos.

Nunca fomos para um pub beber um drink

ou algo do tipo, nenhuma socialização.

Era só no estúdio, trabalhando.

Para realmente se deparar com alguém que era insondável,

quem não dava pra penetrar, e que ao mesmo tempo,

apesar do que ele diz, uma ambição ardente, ele era ambicioso.

O surpreendente nisso é que ele realmente alcançou suas ambições, que por sua vez,

de onde eu vim, não se vê sempre.

E eu queria penetrá-lo!

Não literalmente, claro.

# I ain't never gonna let you go Don't go... #

Eu apenas queria tanto estar num estúdio.

Eu poderia ficar lá 24 horas por dia.

Era como estar numa loja de doces.

O synth-pop foi se tornando cada vez mais popular e cada vez mais grandioso.

OMD apreciaria três sucessos no top 10 em 1982,

dois no qual era sobre Joana D'arc.

Éramos bem intelectuais, sabe.

Pomposos, presos em nossas próprias bundas. Acho que você poderia dizer.

Estávamos indo pro Top Of The Pops

com Bonnie Langford e Elton John e Cliff Richard entre outros,

e estávamos tocando uma canção que era tipo uma valsa,

que começava com 45 segundos de distroção e não tinha refrão,

e tinha um Mellotron tocando parecido com gaitas de fole.

Explique como isso funciona. Bem, na verdade, é bastante simples.

Isso é um computador musical.

A mão direita são os instrumentos base, 18 componentes diferentes,

e a esquerda sãos os ritmos nesta metade e os fundos nesta outra metade.

São alimentados por centenas de faixas de fita.

O Mellotron foi o último sampler antes deles virarem digitais.

É algo bem analógico.

Aqui é um acordeon francês com uma valsa de viena.

É um pesadelo usar num palco.

Estávamos tocando numa cidadezinha na França e o Mellotron estava completamente desafinado

porque toda a cidade estava usando a energia elétrica para cozinhar,

e o motor não girava na velocidade certa.

Obrigado. Bem, David não é um músico, como vocês sabem,

mas tenho um pianista profissional que pode nos mostrar o que realmente o Mellotron pode fazer.

A quantidade de pessoas que achavam

que o equipamente escrevia a música para você...

"Todo mundo pode fazer com este equipamento que você usa."

Vai se danar.

# If Joan of Arc had a heart

# Would she give it as a gift? #

É tudo tocado à mão.

Acredite, se houvesse um botão num sintetizador ou numa bateria eletrônica

que disesse, "música famosa", eu teria apertado

do mesmo jeito que todo mundo apertaria, mas não havia.

Era tudo escrito por pessoas reais e era tudo tocado à mão,

ao ponto em que Paul e eu pensamos que íamos começar a ter artrite

nos dedos por tocar baixo por tantas horas seguidas.

MÚSICA: "Sweet Dreams (Are Made Of This)" Por: Eurythmics

Entre 1981 e 1983, o synth-pop reinou supremo.

Nossas paradas eram repletas de duplas e grupos

que deixaram de mudar o mundo

em favor de fazer isso com um sintetizador no Top Of The Pops.

# Some of them want to use you

# Some of them want to get used by you

# Some of them want to abuse you... #

Você deve se lembrar que foi a primeira vez

que qualquer um pode sentar e fazer sua própria música.

Eurythmics veio

e eles fizeram Sweet Dreams no porão.

Eles gravaram numa máquina de fita de oito tempos.

Annie cantou Sweet Dreams num pequeno microfone da Shure,

segurando na mão, e ganhou um grammy com isso.

MÚSICA: "Vienna" Por: Ultravox

E em 1982, veio uma música

que transformou toda a alienação dos pioneiros do sintetizador

em um total épico.

Ultravox marcaria um dos maiores sucessos do synth-pop,

chamada Vienna, que era um total fetiche sobre a europa central, Vienna.

É o império dos Habsburgos, o romance da Europa central.

# Freezing breath on the window pane

# Lying and waiting... #

Os filmes e as músicas que ouviámos, tudo vinha da europa

e a história européia, sabe, Viena é uma

cidade tão bonita e romântica, um lugar tão lindo.

Você coloca tudo junto, e tem essa imagem tão maravilhosa...

Eu nunca tinha ido a Viena quando escrevi a canção. Não sabia nada de lá.

# Reaching out in a piercing cry It stays with you until... #

Você tenta juntar tudo, ai você escreve um canção

que tem quatro minutos e meio de balada eletrônica.

que aceletar no meio comum solo de viola-

não pode ser equiparado, não funciona.

A não ser quando se é jovem e ingênuo, ingenuidade é uma coisa maravilhosa.

# This means nothing to me

# Oh, Vienna. #

Para não ser superado por seus derivados synth-pop ingleses,

Kraftwerk retornaria em 1982

para marcar seu único sucesso número 1

usando uma música que eles tinham gravado originalmente em 1978.

MÚSICA: "The Model" Por: Kraftwerk

Para The Model ter sido, na Inglaterra,

um sucesso, foi uma história completamente diferente.

Nós mesmos não esperávamos isso.

# She's a model and she's looking good... #

As razões são as seguintes - já tínhamos um single para o rádio

do mercado inglês, e era Computer World.

O homem da EMI Londres

não sabia o que colocar no lado B.

E ele pensou, pensou e pensou, talvez por uns dois dias,

e derrepente, ele teve essa grande idéia de colocar The Model do album anterior,

Man Machine, no lado B.

E aí mandaram o single para as rádios e 80% delas tocaram o lado B.

# She's going out tonight Loves drinking just champagne... #

Em 1983, a Grã-Bretanha havia entrado numa era de consumo e ganância

que fez o final dos anos 70 se parecer com um país estrangeiro.

Muita grana!

Que serviu de inspiração para o novo compositor do Depeche Mode.

# The handshake seals a contract

# From the contract There's no turning back

# The turning point of a career... #

O início dos anos 80 foi um momento terrível na Grã-Bretanha.

Eu era jovem e impressionável,

e era isso mesmo quando que me senti

tipo, escrevendo, mesmo, com o coração.

# The grabbing hands grab all they can

# All for themselves, after all

# The grabbing hands grab all they can

# All for themselves, after all

# It's a competitive world... #

Na época do Construction Time Again,

os samplers começaram a aparecer.

A gente podia... foi uma grande revelação para nós.

A gente saia batendo peças de metal

com martelos, batendo portas de armário

com todos os utensílios para fazer sons de percussão.

Qualquer coisa que a gente podia ter em mãos.

Agora vou dar uma vaga idéia do que foi usado na Demo,

Temos esta pedra que foi pega do chão.

É, olha, pontinhos brancos.

Isso é urtiga!

Bom, a idéia é rolar essa pedrinha nesse pedaço de metal aqui,

na moldura da janela.

Causando...

causando esse tipo de som.

Construction Time Again realmente nos deu uma base

do que somos hoje.

Esta foi bem melhor. Bem, a idéia é pegar esta sequência

e fazer algum ritmo interessante disso,

e sequenciá-lo por toda a música,

para as pessoas dançarem.

Depeche Mode foi pioneira no novo som baseado em sampler em Shoreditch, Londres.

Naqueles dias, Shoreditch não tinha uma alma viva.

Agora, claro, com Hoxton etc etc,

é o lugar da moda para visitar,

mas não era, quando estávamos nos estúdios da Garden.

Não se via uma alma.

# Get out the crane Construction time again

# What is it this time... #

Eu me lembro, de um som em particular

que na verdade era o bater de um pedaço de ferro retorcido

que vinha de uma construção ao lado,

e o sample foi tipo assim...

"Krr! Oi!", e era o vigia do local.

# It's a lot It's a lot

# It's a lot It's a lot

# It's a lot It's a lot... #

Parecia que nos anos 80, estávamos fazendo uma cruzada da música eletrônica

contra a imprensa musical, que era muito baseada no rock.

Costumávamos ter entrevistas com jornalistas e não tínhamos

argumento, porque eles nem consideravam

música eletrônica como música real.

# There's a new game we like to play, you see

# The game with added reality

# You treat me like a dog Get me down on my knees

# We call it master and servant... #

Já fomos acusados algumas vezes de sermos uma banda pop subversiva, e eu acho

que tivemos algumas coisas riscadas das rádios só porque as colocávamos num contexto pop.

# With you on top and me underneath... #

No início da nossa carreira, haviam coisas como Master And Servant e tal.

# Let's play master and servant

# Let's play master and servant... #

Algumas das críticas eram extremamente viciadas.

Você não podia... foi uma merda para a banda.

Uma droga. Não sabia o porquê. Não era britânico, sério.

Um jornalista uma vez disse,

"A música vai agradar juventude alienada de todos os lugares, e os alemães."

Depeche Mode encontraria um bom lugar para a sua música, nos EUA.

Para um monte de americanos, Inglaterra significava uma coisa, Gay.

Eles pensam que é como uma fusão de Oscar Wilde e várias idéias sobre o internato masculino britânico.

Para pessoas que se sentiam diferentes, ou desajustadas na América,

a Inglaterra era vista como uma utopia,

Imaginavam que todo mundo na Inglaterra andavam com sombra nos olhos tocando sintetizadores.

E ser um fã do Depeche Mode, na verdade, era algo dissidente.

Depeche Mode foi o único a realmente exportar a música eletrônica britânica com sucesso.

A banda aproveitaria uma popularidade maciça na américa nos anos 80 e além.

Constantemente enchendo estádios por todo o país.

De volta ã Grã-Bretanha em 83,

o sampler estava movendo o synth-pop para uma direção diferente.

Suponhamos que eu queira fazer uma música para minha amada. Eu posso.

Primeiro, eu dou ao computador uma idéia do tipo de música que eu quero.

Então, eu vou aprontá-lo novamente.

E agora eu falo no microfone. Olá!

E esperamos alguns segundos para o som ser processado. Aí está.

Olá, querida.

Quando chegamos a isso, o emulador acabara de ser inventado.

Foi completamente fascinante, porque tinha James Brown falando, "Por favor!"

Você tocava no teclado.

Adicionava um quarteto de cordas, ou uma orquestra.

Tinha o famoso "Rumph, rumph" do Beethoven.

# West End girl... #

A primeira gravação que fizemos, West End Girl,

todo som era basicamente um sample tocado no mesmo teclado.

que parecia como um órgão de acordes Bontempi.

A idéia era tirar a vida real e colocá-lo contra a bela dança ou música, ou ambos.

Porque fomos os retardatários nessa coisa começada pelo The Human League,

e fomos provavelmente os primeiros a pegar isso e transformá-la em música dance.

# In a West End town a dead end world

# The East End boys and West End girls

# Oh, in a West End town a dead end world

# East End boys West End girls... #

O Pet Shop Boys nos deram uma visão do que o futuro reservava para a música eletrônica britânica.

Mas a banda que iria verdadeiramente liderar a mudança do synth-pop

para a dance music havia evoluído das cinzas do Joy Division.

Enquanto nos Estados Unidos, New Order teria uma epifania synth.

No período que Ian morreu

a gente estava indo gravar em Nova Iorque.

Estávamos gastando muito tempo lá e eu estava

indo a muitas danceterias depois do estúdio.

Toda noite.

Eu me lembro de estar sentado numas destas escadarias da boate, pensando...

"Não seria ótimo se um dia,

"nossa música fosse tocada em lugares como esse?"

Isso meio que plantou uma semente na minha cabeça, mesmo,

fez me interessar ainda mais por sintetizadores.

Sabe, se você tocar um bis, ou algo do tipo,

é como se você caísse numa armadilha, sabe,

tocar o bis é algo importante, todo mundo espera isso.

"Ooh, vamos botar essas máquinas para montar uma trilha, ai a gente vai

"como se estivéssemos tocando, a gente aperta um botão e sai fora."

Era essa a idéia.

Quando Blue Monday foi lançado, um monte de pessoas não gostaram.

Eles vieram, "O que, o que...

"isso não se parece com New Order, o que vocês estão fazendo?

"Isso não se parece com o que era pra ser."

Um monte de gente ficou tipo, "Eu não gostei disso." E então, explodiu.

# How does it feel?

# To treat me like you do?

# When you laid your hands upon me

# And told me who you are... #

Eu acho, que as pessoas saíram nas férias

e elas ouviram nos clubes da Espanha, Grécia e tal,

e quando elas voltaram,

elas se acostumaram em ser um grande sucesso.

Blue Monday foi indiscutívelmente a maior venda de 12 polegadas de todos os tempos,

lancada originalmente em 1983, ela anunciou o futuro da eletrônica bretã.

Uma nova era da dance music, despreocupada com paradas pop e apelo comercial,

que ganharia seguidores em massa, que dura até hoje.

Para estes pioneiros da música eletrônica, que trouxeram o sintetizador para a música inglesa, foi o fim de uma era.

Isso meio que comecou, eu acho, por volta de 1983.

Estava exagerado. Estava saturado.

Tinha muito synth-pop por aí.

# This is the sound of all of our friends... #

Era synth, mas as melodias, o jeito que era tocado...

o jeito da estrutura, era tudo tradicional, e super usado.

Não era aquela música eletrônica inventiva.

# Somebody's got their eye on me

# Perhaps I should invite him up for tea... #

No meio dos anos 80, não havia tanto encorajamento

para as gravadoras lancarem coisas experimentais.

Quer dizer que aquela bolha inicial pós punk estava morrendo.

Devagar, mas continuamente,

como um câncer

começando individualmente arrasando

e se misturando e homogeneisando o mercado musical, no meu ponto de vista.

Estávamos um pouco perdidos nesta etapa.

Foi um pouco... sentimos que conseguimos.

Nós achamos que provamos nosso ponto de vista, e era como

se nós não tivéssemos mais nada a provar.

A mercantilização do synth-pop marcou o fim de uma era dourada na qual uma geração de músicos pós-punk

tiraram os sintetizadores da margem da experimentação para o centro do palco pop.

Saindo dos anos 70 e entrando nos anos 80.

Na época, era apenas muito, muito emocionante, e foi ótimo fazer parte de um movimento musical

que nunca havia sido feito antes, que era diferente.

Não era uma repetição de nada.

Os primeiros registros eletrônicos, que nunca tinha sido feito antes, foi um tempo bom.

# I only knew you for a while... #

Nós estávamos tentando fazer algo novo. Foi por isso que escolhemos eletrônicos

e acolhemos cada nova peça de equipamento que poderiamos ter em nossas mãos ou pagar.

Queríamos varrer todos os velhos clichês e estereótipos do rock

e solos de guitarra, cabelos longos... tudo isso.

E então o que acontece no final dos anos 80 e pior ainda em meados dos anos 90,

todo mundo decide que as guitarras estariam de volta, e sintetizadores de alguma maneira seriam antiquados,

e você tem o Oasis! Horror!

# We'll always be together

# However far it seems

# Love never ends

# We'll always be together

# Together in electric dreams

Tradução: Tochets

# Because the friendship that you gave

# Has taught me to be brave

# No matter where I go

# I'll never find a better prize... #

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