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Desencadear uma guerra é a maneira mais certa de fugir de si próprio.
Glória ao sol!
Glória aos céus!
Glória ao príncipe Igor e à Rússia!
Louvemos o príncipe Trubchevsky, e o cavaleiro Vsevolod!
Glória! Glória!
Louvemos o jovem Vladimir de Putivl...
...e o duque Sviatoslav de Rilsk!
Desde o rio Don até o mar, os seus nomes ressoam pelas estepes.
Eles ecoam em terras estrangeiras.
Glória! Glória!
Glória aos nossos príncipes!
Glória aos seus soldados!
O rio Dniepre ecoa com o seu louvor.
Belas donzelas cantam para eles desde Kiev até o mar.
Glória! Glória!
Glória aos nossos grandes príncipes!
Glória aos seus soldados!
A todos os príncipes russos, glória!
Aos seus soldados, glória!
Marcharemos contra os inimigos da Rússia.
Que Deus lhes conceda a vitória!
Avante!
Combateremos os khans polovetsianos.
O sangue deles lavará os seus crimes contra a Rússia.
Avante!
Destruam o inimigo, como fizeram em Oltava e Varla.
Expulsem-no, como fizeram em Merl. Destruam os polovetsianos!
Combatemos por causa de nossa fé, pela Rússia e pelo seu povo.
Que Deus lhes conceda a vitória sobre todos os inimigos da Rússia!
Eu morreria com prazer nas estepes distantes pela glória da Rússia!
Morreremos corajosamente ou voltaremos ao lar triunfantes.
Vocês conquistarão novas glórias!
Príncipes, devemos partir.
O céu está escurecendo. O que isso quer dizer?
É um sinal dos céus!
O sol tem forma de crescente, como a lua!
É um mau presságio!
As estrelas estão brilhando...e ainda é dia!
A escuridão cobre a terra.
Anoiteceu!
Não vá, príncipe!
Não vá!
É um sinal de Deus. Veremos se para o bem ou para o mal.
Ninguém pode fugir do destino. O que deveremos temer, então?
Lutamos pela nossa fé e pela nossa terra...pela nossa Rússia!
Como poderíamos deixar de lutar? Não podemos abrir caminho para o nosso inimigo.
Pode ser verdade, príncipe, mas não seria sábio partir.
Montem seus cavalos, irmãos!
Deixem-nos levar até o mar!
Glória!
Deixem-nos partir. Permaneceremos aqui.
Mas eles irão nos matar!
Vamos lá! Podemos encontrar melhores empregos.
Vamos até o príncipe Vladimir Galitsky!
Isso mesmo! Poderemos comer e beber bastante e estaremos seguros.
Que as esposas e princesas boiardas venham...
...para que possamos nos despedir delas.
Amado, fique aqui. Não me abandone!
O momento não é este. Não vá, eu lhe imploro!
Esse presságio significa desgraça para nós dois.
Amada Yaroslavna, suas lágrimas são inúteis.
Acredite, não podemos voltar.
Escuto o meu coração e estou angustiada.
O que a preocupa? Já nos despedimos tantas vezes...
...e você jamais demonstrou medo.
O dever e a honra exigem que vamos ao encontro do inimigo.
O príncipe tem razão. Nós devemos ir!
Compreendo as suas palavras. Porém, não consigo esconder o pavor no meu coração.
Adeus, amado!
Que Deus esteja com você.
Reze por nós, minha pombinha.
Deixarei a sua irmã sob os seus cuidados, Vladimir.
Tome conta dela e alivie a sua tristeza com os seus bondosos conselhos.
Peço-lhe isso como irmão.
A sua gentileza merece uma recompensa.
Eu lhe devo muito.
Quando o meu pai e os meus irmão me baniram...
...você se apiedou de mim e me acolheu como a um irmão.
Depois, você me reconciliou com o meu pai.
Graças a você, fui recebido com honras em casa.
Basta! Fico contente de ter podido ajudá-lo.
Agora, é hora de partir.
Abençoe-nos, Santo Pai.
Abençoe-nos na nossa luta contra o inimigo.
Abençoe os príncipes e o exército.
Glória aos príncipes e a seus soldados!
Glória às estrelas...glória aos céus!
Glória aos nossos príncipes e à Rússia!
Glória à Rússia!
Glória ao valente Vsevolod e ao jovem falcão, o príncipe Vladimir!
Aos seus corajosos soldados, glória!
Salve, príncipes!
<i>Sem água, a pobre flor murcha sob o sol do meio-dia.</i>
<i>A flor tomba em direção ao solo e suas folhas murcham.</i>
<i>O sol se põe, anoitece, o calor passa, o orvalho se forma...</i>
<i>...molhando o solo e regando a florzinha.</i>
<i>Sob o fresco orvalho, a flor renascerá.</i>
<i>Nossos tristes corações são como as flores sem água.</i>
<i>Eles murcham e perdem o vigor, aguardando uma suave carícia.</i>
<i>O sol se põe, anoitece, o amante comparece ao encontro...</i>
<i>...trazendo calor e felicidade ao coração tristonho.</i>
<i>Como uma flor sob o orvalho, o coração renasce.</i>
A luz do dia está desaparecendo.
Vamos parar de cantar e dançar.
A noite começa a espalhar o seu manto escuro.
Caia logo, noite!
Envolva-me na escuridão.
Oculte-me...vista-me de brumas.
Meu amor, chegou a hora da nossa alegria!
Será que o meu amado voltará?
Ele não sente meu anseio por ele?
Onde está você, meu amor?
Responda-me! Onde está você?
Meu amado, responda-me! Estou aguardando.
Aguardando por você, meu amor.
Oh, meu amado, chegou a hora...
...a hora da nossa felicidade.
Caia logo, noite!
Envolva-me na escuridão e oculte-me no nevoeiro e na bruma.
Meu amor, chegou a hora da nossa alegria.
Chegou a hora!
<i>O sol se esconde atrás das montanhas...</i>
<i>...e leva a luz do dia consigo.</i>
<i>O céu nos enviou a lua...</i>
<i>...que protege a noite, dando-nos luz e proteção.</i>
<i>O sol se esconde atrás das montanhas...</i>
<i>...e leva a luz do dia consigo.</i>
<i>É hora de dormir.</i>
O dia desapareceu lentamente, o sol se pôs atrás da floresta.
O crepúsculo se esmaeceu e anoiteceu na terra.
Sua sombra espalha sua escura capa sobre as estepes.
Ó, cálida noite do sul!
Ela estimula sonhos de amor, que me convocam para um encontro.
Está esperando por mim, meu amor?
No meu coração, sei que sim.
Onde está você? Responda ao chamado do amor!
Estará aqui em breve?
Venha para cá!
Responda ao chamado do amor!
Como estou ardendo de amor!
Eu estou esperando por você!
Amo você mais do que a minha vida!
Por que espera, meu bem?
Venha para cá!
Não tenha medo.
Todos estão dormindo pesadamente.
Responda ao chamado do amor!
Quando sentirei as suas carícias?
Venha para cá!
Responda ao chamado do amor!
Deixe a noite ocultá-la, enquanto a floresta e as águas dormem...
...enquanto somente as estrelas nos espiam sós.
Todos estão dormindo pesadamente.
Venha para cá!
É você, Vladimir, meu amor?
Como ansiei por você!
Você me ama?
Se eu a amo?
Minha felicidade!
Claro, eu amo apaixonadamente, com toda a minha alma.
O mundo não faz sentido sem você.
Você será minha em breve?
Eu a chamarei de esposa em breve?
Eu a chamarei de minha?
Minha amada...minha alegria!
Deixe-me ouvir essas palavras de amor novamente.
Sim, eu a amo.
Eu a amo apaixonadamente, com toda a minha alma.
Eu a amo com toda a minha alma.
Você será minha esposa em breve?
Meu amado, sou sua!
Mas o seu pai aceitará o nosso casamento?
Não! Ele jamais dará o seu consentimento enquanto formos prisioneiros.
Meu pai é mais generoso. Até mesmo agora ele lhe daria a minha mão.
Vá! Há alguém vindo.
Não há ninguém ali.
Não, escuto passos. É o meu pai.
Não tenha medo. Fique aqui.
Não vá!
Perdoe-me.
Minha alma atormentada não tem sono nem paz.
A escuridão não conforta nem traz o esquecimento.
Sozinho aqui, revivo o passado, no silêncio da noite....
O aviso dos céus...
...nossas gloriosas vitórias contra o inimigo...
...depois, a derrota e a captura...
...e a morte dos meus soldados, mortos no campo de honra.
A minha honra e glória desapareceram. Arruinei o meu país!
O infeliz cativeiro é o meu destino e a culpa é toda minha.
Liberem-me e expiarei a minha vergonha.
Recuperarei a minha honra e glória, e protegerei a Rússia dos inimigos!
Só você, meu amor, não me culpará.
O seu terno coração me perdoará por tudo.
Os seus olhos se esmaeceram, ao observar de sua torre.
Você me aguarda noite e dia, chorando lágrimas amargas.
Como posso suportar dia após dia no cativeiro...
...sabendo que o inimigo está saqueando a Rússia? Eles são como bestas selvagens.
A Rússia verga sob o seu jugo e a culpa é minha.
Liberem-me e expiarei a minha vergonha.
Minha alma atormentada não tem sono nem paz.
A noite não traz esperanças de fuga.
Sozinho aqui, revivo o passado, no silêncio da noite.
Não há fuga para mim.
Como sou infeliz!
Infeliz e impotente!
Gostaria de conversar, príncipe– há algum tempo venho querendo lhe falar.
O que você quer?
Olhem! Uma luz no oriente. A aurora espanta a noite.
A aurora se aproxima para o senhor também–e para a Rússia.
Posso ajudá-lo.
Vou reunir os seus cavalos. Deve fugir!
Um príncipe, fugir secretamente?
Pense no que está dizendo.
Príncipe, perdoe-me.
Pense no que eu disse.
Deve fugir não pelo seu bem, mas pelo da Rússia.
Salvará o seu país...
...a sua fé e o seu povo. Pense, príncipe!
Basta!
Talvez tenha razão, Ovlur.
Devo salvar o meu povo.
Não há alternativas.
Talvez a aurora tenha finalmente chegado. Para mim e para a Rússia!
O sol brilhará mais uma vez!
É possível fugir?
Sou prisioneiro do khan, afinal.
Deixe-me!
O senhor não fez juramento para ele.
O senhor não beijou a cruz.
Tem razão, Ovlur, obrigado. Não devo correr.
Qual é o problema, príncipe?
O que está atormentando a sua mente?
Está tendo problemas com os seus falcões?
Eles são demasiado mansos para capturar a presa?
Fique com o meu!
Os meus falcões voam reto e são fiéis, mas o falcão não vive como um prisioneiro.
Por que crê que é um prisioneiro, se é tratado como um convidado?
O senhor foi ferido em combate e capturado, juntamente com o seu exército.
O senhor me foi entregue como refém, mas é meu convidado.
O senhor goza do respeito digno de um khan.
Tudo o que tenho está à sua disposição.
Seu filho está aqui, assim como o seu exército.
Aqui, o senhor vive como um khan. Vive como eu.
Os prisioneiros são tratados assim?
Assim?
Não, príncipe, o senhor não é meu prisioneiro.
O senhor é meu convidado de honra.
Meu amigo, eu o admiro...
...pela sua coragem durante o combate.
Eu o respeito.
Fique tranquilo, pois sempre me foi caro.
Não sou seu inimigo, mas seu anfitrião.
Diga-me o que lhe desagrada.
Leve qualquer um dos meus cavalos.
Leve a minha cara espada, a espada dos meus ancestrais.
Já derramei muito sangue do inimigo com essa espada.
Ela já espalhou o medo e a morte entre meus inimigos.
Sim, príncipe, todos aqui obedecem ao khan.
Há muito tempo sou temido por todos.
Sou ousado e corajoso.
Todos estremecem diante de mim, mas o senhor, não.
O senhor não pediu misericórdia.
Não desejo ser seu inimigo, mas seu aliado...
...seu fiel amigo e irmão.
Acredite em mim.
Quer uma escrava vinda além do Mar Cáspio?
Se quiser, basta dizer e lhe darei uma.
Tenho beldades cujos cabelos claros caem como serpentes sobre os ombros.
Seus olhos negros fitam apaixonadamente por debaixo de sobrancelhas escuras.
Por que estão tão caladas?
Escolha qualquer uma que quiser!
Tragam as escravas!
Que elas nos alegrem com canções e danças...
...e afugentem todos os pensamentos lúgubres.
Obrigado pelas suas palavras gentis. Não nutro hostilidades para com o senhor.
Eu ficaria feliz se pudesse mostrar a minha gratidão!
Porém, um prisioneiro não tem vida.
O senhor sabe o que isso significa.
Quer que eu o deixe voltar para casa?
Basta me dar sua palavra de que não levantará a espada contra mim...
...que não se interporá ao meu caminho.
Um príncipe não mente. Serei honesto com o senhor.
Não posso fazer essa promessa.
Se me liberar, reunirei minhas forças mais uma vez...
...e o atacarei.
Eu me oporei ao senhor!
Tentarei capturar o rio Don novamente!
Gosto de um homem corajoso. Não teme a verdade. Nem eu.
Se fôssemos aliados, poderíamos conquistar toda a Rússia.
Vagando como duas feras selvagens, beberíamos o sangue do inimigo até ficarmos satisfeitos.
Seríamos o terror de todos.
À menor ofensa, cortaríamos suas cabeças!
O senhor é teimoso.
<i>Voe para casa nas asas do vento, doce canção.</i>
<i>A casa, onde cantávamos com tanta liberdade, pois você nos tornou tão livres.</i>
<i>Lá, sob um céu ardente, o ar se enche de alegria.</i>
<i>As montanhas dormem por entre as nuvens, ao som do acalanto marinho.</i>
<i>Como o sol brilha lá...</i>
<i>...banhando as montanhas de luz.</i>
<i>As rosas estão floridas nos vales e os rouxinóis cantam nas florestas.</i>
<i>Lá você é livre...voe para casa, doce canção!</i>
<i>Louve o khan!</i>
<i>Exalte sua força e coragem!</i>
<i>Cantem para o nosso glorioso khan!</i>
<i>Só ele é igual ao sol!</i>
<i>Ninguém pode rivalizar a sua glória!</i>
<i>As donzelas escravas cantam louvores ao khan.</i>
Olhem para essas beldades vindas além do Mar Cáspio!
Basta dizer uma palavra e qualquer uma delas pode ser sua!
<i>Cantem para o nosso glorioso khan!</i>
<i>Cantem exaltando a sua generosidade e misericórdia...</i>
<i>...mas ele é impiedoso com os inimigos.</i>
<i>Quem o rivalizará em sua glória?</i>
<i>Só ele é igual ao sol!</i>
<i>Semelhante aos seus antepassados...o nosso khan!</i>
<i>O nosso magnífico Konchak é semelhante aos seus antepassados!</i>
<i>Glória ao khan Konchak!</i>
<i>Voe para casa nas asas do vento, doce canção.</i>
<i>A casa, onde cantávamos com tanta liberdade, pois você nos tornou tão livres.</i>
<i>Lá, sob um céu ardente, o ar se enche de alegria.</i>
<i>As montanhas dormem por entre as nuvens, ao som do acalanto marinho.</i>
<i>Como o sol brilha lá...</i>
<i>...banhando as montanhas de luz.</i>
<i>As rosas estão floridas nos vales...</i>
<i>...e os rouxinóis cantam nas florestas.</i>
<i>Lá você é livre...voe para casa, doce canção!</i>
<i>A glória do nosso khan se iguala à dos seus antepassados!</i>
<i>A glória do nosso khan se iguala à dos seus antepassados!</i>
<i>Glória ao khan Konchak!</i>
<i>Dancem para agradar o nosso khan!</i>
Final da tarde
Já faz muito tempo...
...que o meu Igor, o nosso filho Vladimir e o nosso irmão Vsevolod partiram.
Agora, eles conduzem os seus exércitos contra os polovetsianos.
Não sei em que pensar.
A essa altura, eu já deveria ter tido notícias do príncipe.
Se ao menos alguém trouxesse notícias de Igor.
Pressinto alguma desgraça.
Meu coração está apavorado.
A tristeza oprime minha alma!
Para onde foram aqueles dias felizes ao lado do meu amado?
Aqueles dias se passaram. Choro sozinha desde a manhã até a noite.
Depois, choro a noite inteira, ansiando por ele...
...aguardando, sem fôlego, as notícias.
Porém, ele não vem. Não há notícias e continuo aguardando.
Meu sono é perturbado por pesadelos.
Costumo sonhar que o meu amado está comigo.
Ele me acena para segui-lo.
Porém, ele desaparece e me vejo sozinha novamente!
O medo e a tristeza me torturam.
Acordo chorando e não consigo parar.
Quando o meu amado estava comigo, eu não conhecia a tristeza.
Aqueles dias felizes se foram e o meu coração só conhece a tristeza.
Só um pensamento ocupa a minha mente.
Só uma coisa oprime a minha alma.
Ele não vem nem manda notícias. Já faz tanto tempo!
Ele voltará logo?
Estarei viva para recebê-lo?
Onde está ele...o meu príncipe...meu amado!
Princesa, há algumas moças aqui, apelando por justiça.
Devo deixá-las entrar?
Deixe-as entrar.
Princesa, viemos para lhe implorar algo.
Não nos abandone!
Imploramos por justiça. Não deixe que nos desonrem. Ajude-nos!
Ontem à noite, um intruso raptou uma donzela...
...e a levou para a sua casa.
Fomos até lá e lhe imploramos que a libertasse.
Ele se recusou, nos amaldiçoou e nos expulsou.
É por isso que lhe imploramos para garantir o cumprimento da justiça. Ajudem-nos!
Imploramos por justiça. Não nos abandone!
Não deixe que nos desonrem. Ajude-nos!
Quem fez isso? Quem raptou a donzela?
Quem era?
Vamos, digam-lhe! Por que estão tão caladas?
Contem-me quem foi.
Não ousamos falar.
Temos medo.
Por que deveríamos nos manter caladas? Devemos lhe dizer tudo!
Não se zangue conosco. Foi o príncipe Vladimir!
Ele já insulta Putivl há muito tempo.
As coisas pioraram desde a partida do príncipe Igor.
Vladimir e os seus homens embriagam-se noite e dia.
Eles nos ofendem e insultam. São piores do que os polovetsianos.
Eles são intrépidos. Ninguém é capaz de detê-los, desde a partida do príncipe Igor.
Somente vossa alteza pode deter Vladimir. Ouça o nosso apelo!
O príncipe! Meu Deus!
Saiam!
Vladimir!
Ontem à noite, você e os seus rufiães raptaram uma donzela.
Vocês a arruinaram, detendo-a contra a sua vontade.
É verdade?
Diga-me quem é!
Quem quer que seja, ela não lhe diz respeito.
Manterei o que roubei. Roubei o que quis.
Não sei quem roubei nem quero saber.
Existem muitas donzelas no mundo. Não posso conhecer todas elas!
Esteja você contente ou triste, qualquer que seja sua opinião sobre mim...
...deveria me tratar como seu hóspede de honra.
Você deveria fazer mesura ao me oferecer vinho.
Ou incomodei a princesa em uma reunião com os seus consultores?
Eu interrompi você e seus consultores?
Nunca haverá fim para os seus insultos?
Quando Igor voltar, lhe contarei tudo.
Você responderá por tudo o que tiver feito!
Por que eu deveria me preocupar se o seu Igor vai voltar ou não?
Que importância isso teria?
Aqui sou príncipe...aqui reino sozinho.
Uma palavra ao povo e ele me coloca no trono.
Toda a cidade de Putivl me apóia.
Então, será a sua vez de responder.
Lembre-se disso e não me irrite novamente!
Como você ousa me ameaçar?
Não se preocupe...eu estava apenas brincando.
Eu só queria vê-la zangada.
A sua irritação combina com você.
Suas sobrancelhas franzidas, seus olhos faiscantes, suas feições coradas....
Você é jovem e bela...
...abandonada pelo marido, e entediada.
Você é tão ríspida com os outros como é comigo?
Não ama alguém secretamente?
Consegue mesmo ser leal a Igor?
Não acredito. É impossível!
Você se esqueceu que eu sou a princesa e que detenho o poder do príncipe?
Eu o enviarei de volta para o nosso pai, em Galich, sob escolta.
Ele tomará conta de você.
Libere a moça imediatamente!
Agora, vá...deixe-me sozinha!
Então, que assim seja!
Tudo bem, liberarei a moça...
...e capturarei outra!
Após a meia-noite
Salve, Vladimir!
Brinque!
A água não subiu...
...o rio não rompeu as margens.
Alguns rapazes se divertiam e raptaram a moça para o príncipe.
Eles gargalhavam, dançavam e elogiavam o príncipe a noite inteira.
"Vida longa ao príncipe Vladimir Galitsky!"
A linda moça implorou por misericórdia aos pés do príncipe.
"Ó, príncipe, deixe-me ir para casa!"
"Deixe-me retornar para a minha mãe e meu pai."
"Ó, príncipe, não me desonre!"
Eles gargalhavam, dançavam e elogiavam o príncipe a noite inteira.
"Vida longa ao príncipe Vladimir Galitsky!"
–Está se divertindo, príncipe? –Confesso que sim. Detesto ficar entediado.
Eu não gostaria de viver um único dia como o príncipe Igor.
Adoro acalmar a minha alma com as diversões.
Adoro a vida de prazeres!
Se eu fosse príncipe de Putivl...
...como viveria no esplendor!
Se eu fosse príncipe de Putivl, jamais conheceria a tristeza.
Eu me sentaria à mesa de banquetes o dia inteiro...
...governando sabiamente e solucionando todos os problemas.
Eu aplicaria a justiça de acordo com o meu humor.
Cada qual receberia o que merece e todos receberiam vinho!
À noite, as mais lindas donzelas seriam trazidas até mim...
...para louvar o seu príncipe.
A mais linda de todas ficaria comigo...
...para me deleitar a noite inteira.
Eu comeria, beberia e jamais ficaria entediado.
Eu não desperdiçaria um momento.
A primeira coisa que eu faria seria reorganizar o reino e confiscar o tesouro público.
Para que mais serve o poder?
Todos teriam o que merecem, assim como eu.
O meu nome não seria esquecido!
Salve, príncipe Galitsky!
E a princesa?
Minha irmã...
...a freira...a santa?
Que ela vá para um convento e implore perdão pelos meus pecados.
Que ela reze pela salvação da minha alma.
Eu preferiria ir para o palácio e beber o conhaque do príncipe.
E ao povo, como recompensa, servir o álcool!
Olhem! Uma horda de meretrizes!
Ajudem-nos!
Um de seus homens perversos raptou uma moça.
Precisamos procurá-la!
Por que está chorando?
A moça está com o príncipe.
Por que todo esse alvoroço?
O príncipe se divertirá com ela e depois a devolverá.
Ela viverá como a esposa do príncipe.
Por que ainda continuam aqui?
Eu não devolverei a moça!
Se o príncipe Igor estivesse aqui, ele iria nos ajudar!
Ele não deixaria que a incomodassem. Ele abateria o ladrão!
Deixem-nos a sós! Eu não devolverei a moça!
Silêncio! O príncipe nos dará uma audiência...
...e todas vocês estarão em apuros!
Vocês todas, voltem para casa!
Não nos façam rir!
Que nos importa se eles a encontrarem?
O que poderia acontecer?
Deixem que eles se divirtam!
Esperem...e se a princesa nos escutar?
Ela nos acorrentará!
Por que deveríamos nos preocupar com ela? Ela não tem soldados sob seu comando.
Eles partiram para a guerra. Nada temos a temer!
Além disso, quem serviria um soberano que é parcimonioso com o vinho?
Ninguém, certamente.
Não como o príncipe Vladimir!
Ele é um verdadeiro pai para nós. Ele se preocupa com o povo.
Ele nos dá álcool!
No palácio do príncipe Vladimir...
...todos os seus requintados aduladores estão reunidos–todos bêbados!
Os aduladores resmungam: "Nós, almas perdidas, bebemos tudo..."
"...brindando a nossa saúde..."
"...benfeitor, pai e príncipe!"
"Dê-nos a cerveja amarga e o destilado forte."
"Dê-nos o vinho novo e um barril de conhaque!"
"Somos seus, príncipe..."
"...seus fiéis criados!"
"Renunciaríamos às nossas vidas por ele! Tenha piedade de nós!"
E é assim que o nosso pai, o príncipe Vladimir, fala.
"Bêbedos e fiéis criados, como eu não sentiria pena de vocês?"
"As suas vidas são tão duras, o seu trabalho um fardo tamanho."
"Vocês trabalham nos dias de semana e nos feriados, da manhã até a noite..."
"...todos os dias."
O trabalho não é fácil...a privação é grande.
Cantem, façam arruaça e bebam à saúde do seu príncipe!
Ele é quem deve governar Putivl.
Por que não o coroamos imediatamente?
Não há soldados e Igor está muito longe. Esta é a nossa chance!
Todos nós somos a favor do novo príncipe.
O príncipe e o seu exército partiram para a guerra.
Lembram-se da revolta em Posemie? Todos os príncipes foram mortos!
Convoquem uma multidão e vamos depressa para a praça!
Expulsaremos Igor e coroaremos Vladimir! O que há para se temer?
Convoquem o povo para a praça. Deporemos Igor e coroaremos Vladimir!
Alguns rapazes se divertiram e coroaram o novo príncipe da Rússia!
Como eles fizeram arruaças, bebendo à saúde do príncipe até a madrugada!
Portanto, vamos todos nos reunir na praça!
Os rapazes do príncipe fizeram uma arruaça e coroaram o príncipe da Rússia!
Salve, Vladimir!
"Oh, por favor, não me desonrem."
"Deixem-me retornar para a minha mãe e meu pai!"
Na manhã seguinte
Bem-vindos, boiardos.
Como estou contente de vê-los.
Vocês são os meus fiéis conselheiros, o esteio do governo do príncipe...
...leais nos momentos de alegria e tristeza.
Como estou contente de vê-los.
Qual é a finalidade dessa visita inesperada?
Temo que seja alguma desgraça.
Tenha coragem, princesa, trazemos más notícias.
O que temos a dizer não serão boas notícias.
O que houve? Falem!
O inimigo invadiu a Rússia e se aproxima cada vez mais.
A horda polovetsiana que ameaça Putivl...
...é liderada pelo temível khan Gzak.
Sofreremos ainda mais?
Onde está o nosso exército?
Onde está o nosso príncipe?
Digam-me, boiardos, onde está o príncipe?
O exército foi vencido? O príncipe foi morto?
Eles foram grandemente superados em número e fragorosamente derrotados.
O príncipe foi ferido e preso com o seu irmão e o seu filho.
O meu amado, ferido e capturado? Não!
Não acredito!
Então, o que você me contou é verdade.
E o inimigo está próximo?
Boiardos, o que devemos fazer?
Sem príncipe e sem exército– quem defenderá a cidade?
Princesa, não é a primeira vez que nos deparamos com o inimigo à nossa porta.
A cidade é segura, com muralhas fortes e fossos profundos.
Não tenha medo. Deus nos ajudará.
Putivl é segura não só por causa de suas muralhas e seus fossos.
A nossa fortaleza é a nossa fé em Deus, a nossa lealdade...
...e o nosso amor pelo país.
Agradeço a vocês, boiardos. Suas palavras são muito confortantes.
Confio em vocês e acredito no que me dizem.
Minha alma estava sofrendo com tristeza e preocupações...
...mas vocês me restituíram a força.
Mais uma vez, há um raio de esperança na minha alma!
O exército foi derrotado e Igor, preso.
O khan ameaça nos destruir.
O que fará agora?
Como fará sem um príncipe?
Não poderá salvar o antigo príncipe, terá de escolher um novo.
Um príncipe novo, intrépido e experiente...
...que possa nos defender do khan.
Ele deverá defender Putivl contra os polovetsianos e reinar com justiça.
Deverá escolher um novo príncipe.
Concorda?
Não cabe à princesa derrotar o inimigo...
...reinar, governar o conselho e celebrar tratados.
Escolha Vladimir, filho de Yaroslav...
...o príncipe Galitsky, cunhado de Igor.
O exército foi derrotado e Igor, preso.
O khan ameaça nos destruir.
O que fará agora?
Como fará sem um príncipe?
Não poderá salvar o antigo príncipe, terá de escolher um novo.
Um príncipe novo, intrépido e experiente...
...que possa nos defender do khan.
Ele deverá defender Putivl contra os polovetsianos e reinar com justiça.
Deverá escolher um novo príncipe.
Concorda?
Escolha Vladimir, filho de Yaroslav.
Este local não é adequado para esse tipo de conversa.
Juramos sobre a cruz do príncipe.
Juramos por Deus sermos leais ao príncipe e assim faremos.
O dever exige lealdade à princesa. Ela reina por vontade do príncipe.
Falem com o povo na praça. Ele verá a sua traição.
O alarme!
Boiardos, o alarme! Que som aterrorizante!
Princesa, ele assinala um desastre!
O inimigo está atacando!
Quem está do nosso lado?
Virgem abençoada, socorra-nos!
Isso é um castigo de Deus!
Essa é a retribuição e a ira de Deus!
Não há como escapar do julgamento divino!
Choro lágrimas tão amargas!
Choro e, ao amanhecer, envio minhas lágrimas ao meu marido, que está muito longe.
Voarei como um pássaro até o rio Dniepre.
Mergulharei a minha manga no rio Kaiala.
Lavarei as feridas do corpo do príncipe.
Vento, por que você soprou no campo de batalha?
Você conduziu as flechas do inimigo em direção ao exército do príncipe.
Por que você não soprou em direção ao céu...
...e balançou os navios no mar?
Vento, por que você soprou no campo de batalha?
Você espalhou a minha felicidade pela relva!
Choro lágrimas amargas.
Envio-as ao meu amado todas as manhãs.
Ó largo e poderoso Dniepre, você cavou o seu leito...
...pelas montanhas até as terras polovetsianas.
Outrora, você transportou o meu Svyatoslav para o campo do khan Kobyak.
Caro rio glorioso!
Transporte o meu amado para mim agora...
...para que eu não precise derramar mais lágrimas amargas.
Ao amanhecer, envio minhas lágrimas ao meu amado, muito distante.
Sol vermelho, como você brilha forte no céu limpo!
Você nos acaricia a todos e nos é caro.
Porém, por que você chamuscou o exército do príncipe com o seu fogo?
Por que você endureceu os seus arcos no campo árido?
Por que você encheu os soldados de tristeza e exaustão?
<i>Não foi o vento que nos trouxe a desgraça.</i>
<i>Fomos derrotados pelo khan Gzak.</i>
<i>Ele atacou subitamente como um corvo e nos trouxe tristeza.</i>
<i>O khan Gzak nos atacou...</i>
<i>...saltando como um lobo.</i>
<i>Um lobo a matar carneiros.</i>
Vladimir! É verdade?
Fique–estou lhe implorando!
Ouvi que você pretende fugir e voltar para a Rússia.
É possível que você vá me abandonar?
Não acredito, meu querido...não pode ser!
Adeus, meu amor...é meu dever fugir.
Não me deixe aqui. Leve-me com você!
Farei qualquer coisa por você, lhe darei todo o meu amor.
Serei sua escrava, se ao menos puder ficar com você!
Vladimir, qual é o significado disso?
Você, um prisioneiro dos polovetsianos, se tornou um deles?
Você se esqueceu da sua pátria?
Adeus, princesa!
Fique, eu lhe imploro!
Sou filho da liberdade, a beleza das estepes...orgulho do meu país.
Sou filha do khan dos khans e estou lhe implorando!
Meu filho, você tem de vir comigo.
Leve-me com você!
Não consigo resistir ao fogo do amor!
Devemos salvar a nossa pátria!
Eis o sinal!
O que devo fazer?
Venha comigo, senão tudo estará perdido!
Não deixarei que ele vá!
Um último abraço!
Então, despertarei o campo!
Todos eles virão correndo!
Adeus!
Continuem a tocar e louvem o príncipe!
O príncipe Igor, prisioneiro, está sentado olhando a estepe.
Ele sucumbiu ao khan, perdendo a honra e o seu exército.
Contrariando a razão, ele conduziu seu exército para a batalha no momento errado.
Ele destruiu seus homens nas estepes e os deixou na areia movediça.
Ele construiu represas e pavimentou pontes com o ouro e a prata russos.
Ele afogou os seus homens e perdeu a honra no rio Kaiala.
Assim, por toda a Rússia e todo o mundo...
...eles amaldiçoam Igor, príncipe de Seversky!
Eles o amaldiçoam em Posemie, em Posulie...
...em Kiev, ao longo do rio Dniepre, e em Pomorie.
Continuem a tocar o gudoque!
Príncipe Igor, príncipe de Seversky!
Olhem!
O príncipe.
O príncipe!
E daí?
Oh, parece-nos muito mal!
O que devemos fazer?
Estamos liquidados!
Eles nos matarão, com certeza!
Eles não irão tão longe, irmão.
Graça à nossa inteligência e ao nosso vinho, escaparemos da morte.
Vamos pensar bem.
E então?
E então?
Fugiremos.
Da frigideira para o fogo?
Não há para onde ir.
Para a floresta.
Comer migalhas, depois de comer o pão do príncipe?
Beber água depois da sidra?
Não, irmão, isso já está terminado.
Você tem de inventar algo melhor.
Espere um instante.
Dê-me alguns instantes...já sei!
Está vendo aquilo?
O sino?
Não está vendo?
Tocar o sino? Por quê?
Para continuarmos vivos, para ter pão...
...e, se formos inteligentes, para ter vinho!
Toquem o sino! Convoquem o povo!
Venham todos até aqui!
Depressa, todos vocês!
O que houve? Os polovetsianos estão atacando?
Regozijem-se, irmãos!
Esses bêbedos causaram um alvoroço!
Estão assustando todo mundo!
Ei, o que você está fazendo? Pare!
Regozijem-se, cristãos!
Por que tanta felicidade? Vocês estão bêbados?
Todos vocês estarão inebriados de alegria quando ouvirem as notícias.
O príncipe voltou!
O traidor Galitsky?
Que ele queime no inferno!
Não o traidor Galitsky.
O nosso príncipe Igor!
Amaldiçoem esses bêbedos mentirosos!
Se não acreditam em nós, olhem!
Ele está ali, estão vendo?
Ele está bem ali, de volta dos polovetsianos.
O príncipe!
Depressa, toquem os sinos!
O príncipe voltou realmente?
Ele voltou de fato! O nosso pai voltou!
Que alegria...estamos salvos!
Não pode ser! Deve ser um sonho.
Porém, é o Igor!
Eu reconheço o meu amado.
Meu príncipe retornou!
Isso tudo parece um sonho. Você realmente voltou para mim?
Não acredito no que estou vendo. Não acredito em sonhos!
Eu o vi tão frequentemente assim nos meus sonhos.
Isso não é um sonho. Eu voltei.
Vejo o brilho dos seus olhos e escuto o som da sua voz.
Estou novamente junto ao meu amado!
Recuperei a minha paz e felicidade!
Revejo o meu amado!
Recuperei a minha paz e felicidade!
Meu amor há tanto desejado, devolvido a mim pelos céus.
Estou com você mais uma vez!
Minha amiga! Minha amada!
Por que não morri na batalha?
Por que não morri conduzindo o meu exército?
Morte, por que você me poupou?
Eu dormiria com prazer nas areias do rio Kaiala, com o meu exército derrotado.
Nada é mais cruel do que viver em desgraça.
Viver no cativeiro, sabendo que sou a causa.
O cativeiro é pior do que a morte.
Sou a vergonha do meu país. O nome de Igor está amaldiçoado.
Príncipes da Rússia, vinguem-se por mim!
Salvem a sua terra natal.
Você, grande Vsevolod, pode transbordar até mesmo o Volga com os seus barcos.
Com os seus capacetes, você pode esvaziar até mesmo o rio Don.
Você não espalhou os ossos russos pelo rio Kaiala.
Vocês, Rurik e Davi...
...como touros feridos, partiram as lanças do inimigo.
Vocês não derramaram o sangue russo em Kaiala.
Vocês, Mstislav e Roman...
...combateram os polovetsianos, os sudóvios e os lituanos.
Vocês não afogaram os russos no rio Kaiala.
Vocês, Ingvar e Vsevolod...
...desafiaram o inimigo como águias protegendo o seu ninho.
Vocês não afogaram os seus exércitos no rio Kaiala.
Príncipes, vocês devem esquecer suas desavenças.
Ataquem o inimigo e destruam-no.
Deus os ajudará, pois a sua causa é justa.
Vocês salvarão a Rússia porque você não é o príncipe Igor.
Quem foi o primeiro a nos trazer a boa nova?
Nós fomos os primeiros, ó, pais.
Os tocadores do gudoque?
Os tocadores do gudoque, pais.
Criados do patife Galitsky?
Não somos criados de Galitsky!
Nós somos daqui!
Vocês se juntaram ao patife Galitsky!
Não, pais, somos criados de Igor.
Nós somos daqui!
Bom para vocês, então. Perdoaremos o passado.
Agora, vamos comemorar! Toquem o gudoque!
Que todos deem as boas vindas ao príncipe!
Nosso pai, de volta do cativeiro!
Que todos cumprimentem o nosso querido pai...
...e o tratem com respeito.
Recuperamos a nossa felicidade!
O príncipe voltou para casa e a desgraça terminou!
Saudações ao nosso pai...o nosso príncipe!
Dmitri, poderia nos dizer, especificamente,
o ato que a plateia acaba de assistir
uma cena fantástica em um campo de papoulas --
a Metropolitan Opera produziu 12 mil flores para essa cena...
Poderia descrever o que estava ocorrendo, exatamente?
Parecia ser parcialmente real ou aquilo estava na mente de Igor?
Era uma alucinação ou realidade?
Na nossa produção, isso não ocorre na realidade.
Ocorre na mente dele.
Ele teve uma concussão?
Ele sofreu uma concussão,
e, durante o ataque militar,
ele tentou imaginar o sentido da felicidade,
como seria a sua vida ideal.
Isso se combina com muitos personagens de sua vida.
Alguns existiam em sua vida, outros são da memória, do seu passado.
Alguns são completamente novos.
Eles não existem na realidade.
É um lugar especial, imaginado para a nossa produção.
Isso foi um momento decisivo na narrativa.
–Sim. –O que a plateia acabou de assistir.
O que é este momento, musicalmente? Também é um momento decisivo, em termos musicais?
Quando Borodin compôs para os russos,
o mundo russo era completamente diferente.
Na ópera, percebe-se dois tratamentos musicais diferentes
da narrativa.
A música dos polovetsianos é muito oriental,
com muitos elementos do sul da Rússia.
Quando ele compõe para a Rússia, é mais ortodoxo, com os coros,
da maneira como Mussorgsky e Rimsky-Korsakov compunham música.
No início da ópera, conta-se uma lenda na tela
que diz que o herói está tentando fugir
de si próprio por meio da guerra.
Essa seria a chave para decifrar a sua produção?
É uma das chaves.
É o ponto de partida.
Não vou adiantar nada,
mas os últimos instantes dessa produção,
na minha experiência pessoal,
estão entre os mais emocionantes que eu jamais presenciei.
Estou tão satisfeito por ter feito parte dessa produção,
por ter cooperado na realização dessa narrativa e dessa ópera
porque tocaremos o coração das pessoas.
Muito obrigado a vocês dois.
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