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Em nome de Deus
Para meu pai
Esta sou eu.
Nossa casa é próxima a Valad Abad em Karaj.
Num campo sem água e energia.
Meu pai construiu uma casa semi-pronta. Nada funciona.
Não há banheiro e fazemos as necessidades no quintal.
Nosso pátio não tem azulejo.
Vovó sempre reclama
que papai nos levou a um lugar em ruínas.
Vovó não é a mãe de papai. É madrasta dele.
Meu pai fez a casa ali por conselho médico.
Papai tem asma faz tempo.
O médico disse para morar em um lugar com ar puro.
Todos temos um nome quando brigamos.
Meu irmão mais velho é Chambalghooz.
E o outro, Mooshkamal.
Me chamam de Shelakhteh, "bagunçada".
E às vezes Algodão, pelo meu cabelo bagunçado.
Chaghaleh Badoom é a dedo duro.
Minha finada mãe nos deu a luz, um após o outro,
por ser de Yazd.
O povo Yazdi quer ter mais e mais crianças.
- Art Subs - 9 anos fazendo Arte para você!
RESPIRO (BREATH)
Legenda - Spa -
Revisão - NoriegaRJ -
- Vou contar à vovó! - O que vai dizer?
Vai embora!
Shelakhteh!
Toma.
Você está louca, fala sozinha.
Meu Deus!
Não fiz nada. Chambalghooz começou.
Que Deus mate vocês!
Seu pai virá e vai castigar vocês.
Têm que dar um jeito nessa bagunça.
Arrumem isso!
O que eu faço com vocês?
Aonde vai? Espere!
Vovó, Chambalghooz que começou.
Meu Deus!
O que faço com vocês?
Meu Deus!
Venham aqui, suas pragas!
Atrás de nossa casa há um pomar com peras, cerejas e maçãs.
As árvores podem ser vistas até o fim do céu.
Elas vão até o Valad Abad também.
Nossa escola fica lá.
Vovó diz que fica a 100 léguas.
Ela quer dizer que é distante.
Ela diz que meu pai precisa nos levar e pegar.
Meu pai é motorista da fábrica de sapatos Bella.
- Pai, quando veremos o mar? - Levarei vocês, querida.
Iremos na peregrinação ao Templo do Imã Reza.
Levarei vocês pela estrada à beira-mar e verão o mar.
- Fechem a porta. - Tchau, pai!
Papai sempre tosse.
Foi a vários médicos, mas não fica bom.
- Olha o carro. - É nosso carro.
Foi a um médico de ervas também. Tentou todos, mas não fica bom.
Minha tia veio a Karaj com a família,
pois o primo de Habib morreu.
Eles vivem em Yazd.
Minha tia se chama Bisakin.
Habib é seu marido e Taher seu filho.
- Como vai Seyyed Morteza? - Bem.
Graças a Deus. A vaca deles pariu?
Sim. Está tudo bem.
Sirvam-se.
- Obrigada. - De nada.
Levante. Troque seu chador.
Não é bom usar chador preto perto do parto.
O que posso fazer? Tenho que usar.
Meu primo Taher é muito legal.
Ele sempre brinca comigo quando nos vemos.
Corre!
Quem tem asma não pode cheirar flores,
nem usar perfume.
Nunca uso perfume.
Mas come fritura. Não para com a gulodice.
- O que houve com Ghafoor? - Não foi nada.
Fica assim sempre pois não se cuida.
Tire isso daqui! Tire ou vou morrer!
Isto afasta o olho do demônio.
Quando é que o papai vai ficar bom?
Traga o spray, querida.
Ponha na minha boca.
Que voz rouca!
- Por que está atrasada? - Fui beber água.
Deem parabéns a Noroozi. Tirou nota 20 no ditado.
Palmas para Iraj Partovi. Também tirou 20 no ditado.
Pronto.
Não.
Não dá. Não vai conseguir.
Para trás.
Desenho, desenho!
Sentem mais para trás.
Não é bom para a vista.
Quietos!
Ele tem 8 anos.
Agora vamos ver o próximo.
O desenho seguinte foi feito por Parviz, 9 anos...
Esse homem é estranho. Fica me encarando o tempo todo.
Quem?
Aí.
Esse?
Ele não vê a gente.
- Não vê? - Não, não vê.
Vê sim.
- Ele está me encarando. - Ele não vê você.
Crianças, enviem seus desenhos para este endereço.
Papai, por que desligou?
Ia anotar o endereço e mandar um desenho.
Já chega, a bateria vai acabar.
Vá estudar.
Melhor mesmo desligar essa coisa maldita.
Está mostrando canto e dança e não se sabe
de onde seu pai trouxe isso.
Da casa dos ciganos!
Não sei porque vocês odeiam os pobres.
Vocês sempre os chamam de ciganos.
Quando eu morava nas ruas, eles sempre me ajudaram.
Quando eu era operário, me abrigaram e deram comida.
Vão acabar pagando por isso, em outro mundo.
Você já trabalhou para eles cem vezes mais.
Fez tudo por eles. Adora os ciganos.
Sou sua madrasta, já com um pé na cova,
e tomo conta de seus filhos.
Já perguntaram como você vai, depois que sua mulher morreu?
Pegue o spray.
Pegue o spray. Traga aqui.
Quando era operário, eu ainda não era casada com seu pai.
O que está dizendo?
Shelakhteh.
Penteie seu cabelo toda manhã para eu não sofrer tanto.
Vovó está certa. Meu cabelo está sempre bagunçado.
Meu colega tem cabelo liso. Igual aos filmes.
Ele deve detestar garotas bagunçadas.
Minhas notas são boas.
Não tenho tempo para pentear, preciso estudar,
virar uma médica e tratar a asma de papai.
Já sei o alfabeto todo até o fim do livro.
Terceira melhor média: Ali Mirza. Foi 18,5.
Palmas para ele.
Iraj Partovi foi o segundo melhor aluno.
Teve só um pequeno erro no ditado.
Tente mais na próxima prova. Palmas para ele!
Ele é bem comportado também.
E quem é nosso melhor aluno?
Bahar Noroozi. Muitas palmas para ela.
Muito bem. Muito bem.
Vovó!
Vovó!
Vovó!
O que foi? Me deixou preocupada.
Fui a melhor aluna!
Sua peste! Não sei o que eu fiz para merecer isso.
Saí antes de me lavar. Pensei que tinha acontecido algo.
Que Deus te dê algum cérebro!
Logo o cão vigia da casa...
Logo o cão vigia da casa
começou a latir...
Olha o pé.
Leia devagar. Eu me perdi.
- Não sou sua empregada! - Não estou conseguindo escrever.
- Olha, papai! - Quietos!
Não seja grosseiro.
Aprenda com ela.
A nota dela é mais alta que a sua,
e ela faz o seu ditado.
Escreva, seu maldito!
Dei uma tigela de ovos à sua professora ontem para aprová-lo.
Quando eu te pegar depois, vou acabar com você.
- Papai! - Quietos.
Se eu tiver que levantar, vou fazer picadinho de você.
Tenho que tirar das crianças e de mim
para dar aos professores pela sua nota.
- Escreva. - Eu não quero.
Levante.
Levante. Filha.
Pegue minha jaqueta.
Espere.
É a melhor aluna, hein?
Por que briga com seu irmão?
Este é seu prêmio.
Um barco? É para garotos.
Antigamente as coisas eram para meninas e meninos.
- Que barcos tínhamos. - Escute.
Maravilhosos.
Se colocar óleo de parafina,
vai deixar a vela leve e ele veleja.
Eu te amo.
Ouça, mãe. Veja se está bom.
Iremos a Yazd, em Muharram. Quer dizer, vocês, não eu.
Afsar disse para guardar pasta de romã para nós.
Também jacinto, narciso e trevo.
Nunca me esqueçam.
Está bom?
Pai, ponha o lápis por trás da orelha, como o carpinteiro!
Não fica. Vou colocar dentro da orelha.
Ficou bom?
- O que é? - Um barco.
Eu sei. Tenho um melhor.
- Ponha na frente da bicicleta. - Não sou louco.
Não serve para mim.
- Professora, é seu. - O quê?
- O que é? - Um barco.
- Meu pai trouxe para mim. - Que bonito!
Mas não se passa um presente adiante.
Guarde-o. Muito bem, querida.
Tenho um bom presente para você.
Não o dê a ninguém.
Precisa usá-lo para vir à escola.
Obrigada, meu Deus! Ela despertou.
Olá, minha menina.
Eu te amo.
Beba, não tenha medo.
Beba, querida.
- Nosso lote é atrás do riacho. - Onde?
Acima ou abaixo da nossa casa?
Acima. Perto do orquidário de Hajji Khankar.
Sei onde é. Nos arvoredos de damasco.
Fomos à fazenda pela manhã.
Eu a vi na água. Estava fraca.
E os cães latiam ao redor.
Meu Deus! Deus tenha piedade dela!
Foi por pouco.
Eu te amo.
- Obrigado. - Vovó.
Bahar pegou o cofrinho de Nader ontem à noite.
Ela o estava cortando com uma faca.
Não bata nela. É apenas uma criança.
Fiquei feliz que a vovó tenha batido em Chaghaleh Badoom.
Ia dizer a ela para ficar quieta no seu canto.
Quando o casal saiu, queria ter ido com eles.
Seria filha deles o resto da vida.
Papai disse que contaria
a história de Hassan, o careca, e a pedra brilhante hoje.
Não queria Chambalghooz, Mooshkamal e Badoom escutando,
mas não podia fazer nada.
Cuidado! Cuidado! Olhem a lamparina!
Onde paramos ontem à noite?
Eles caminharam 2 dias e 2 noites.
Sim, você é muito inteligente.
Eles caminharam 2 dias e 2 noites e chegaram no topo da montanha.
Viram um grande lago lá no alto.
Havia árvores muito altas ao redor do lago.
De repente viram uma linda garota no lago.
Era bonita como a lua cheia e estava presa no meio do lago.
Ela chorava.
Suas lágrimas caíam no lago e viravam pedras brilhantes.
A menina disse a Hassan, o careca, e à princesa:
Sou uma menina da terra das fadas e do 'Jinn' (espírito no Islã).
O perverso demônio negro me prendeu aqui.
Precisam me salvar.
E chorava muito.
Hassan e a princesa se olharam e sentiram pena dela.
E decidiram que tinham que salvá-la.
Não mexa no nariz. Me enoja.
Espero que morra!
Eles a salvaram.
Não limpe no tapete!
A fada ficou muito feliz.
Disse: "Vocês me salvaram. Posso pedir outro favor?"
"Sim", disseram.
A fada disse à princesa: "Meu pai tem asma.
Podem fazer uma mágica para curá-lo?"
A princesa disse, "Sim, com uma condição.
Seu cabelo não pode mais ficar despenteado.
Se na noite do Ano Novo, fechar bem os olhos
e pedir aos céus, Deus atenderá."
Sentem-se.
Crianças, não darei mais aula a partir de amanhã.
Preciso sair da escola.
Por que, professora?
Só venho amanhã. Não virei mais.
Ela não quer mais ver o seu cabelo.
Sentiremos sua falta, professora.
Professora, não vem mesmo?
Preciso fazer algo pela professora Qahremani.
Isso é hora de chegar na escola?
Onde estava?
Não tem aula?
Vá para sua classe!
Rápido, vamos!
Vá! Rápido!
- Não achamos. - Não tem problema.
Quando eu crescer e for médica de asma, vou curar meu pai,
comprar um colar com meu dinheiro,
procurar a professora Qahremani e entregar a ela.
Amanhã é Ano Novo.
Papai aqueceu a água e deu banho em Nader e Kamal.
Papai lava Chambalghooz e Mooshkamal com ternura.
Bom para eles.
Depois levou vovó, Badoom, e eu no caminhão da empresa
para o banho público de Valad Abad.
Vovó não gosta do banheiro de casa.
Ela diz que não dá para se limpar.
Ela esfrega Chaghaleh Badoom e eu muito forte.
Às vezes derrama água quente na gente.
Tomara que papai tenha comprado chocolate Atlas.
Não, biscoitos Zoo.
Não, quero doces!
Não, doces fazem mal para os dentes.
Não, pirulito!
Silêncio, seus malditos!
- Estamos com fome. - Com muita fome.
- Por que seu pai não chega? - Ele foi assistir filme no tio.
Idiota. Quem assiste filme no Ano Novo?
Se não está em casa no Ano Novo, vai ficar fora o ano inteiro.
Deus! Termina logo!
Aposto que foi pra casa dos ciganos.
Miserável! O que eu faço com vocês?
Não temos tempo.
Papai chegou!
- Oi, pai! - Oi!
Está muito atrasado.
Corra, logo será Ano Novo!
Não está respirando, papai? Meu cabelo não está bagunçado.
O que tem a ver?
Levem tudo lá para dentro.
Vamos correr. É Ano Novo.
Ponham aqui. Entrem.
É quase Ano Novo. Ghafoor, onde esteve?
Rápido!
Ghafoor!
Vamos logo, é Ano Novo.
Meu Deus!
Não se preocupem.
Não foi nada.
Eu briguei.
Estou bem. Não se preocupem.
Não precisam se preocupar.
Rápido, menina!
O que foi isso?
Rápido.
Respire.
Não se preocupem.
Estava na venda.
Alguém veio comprar 150g de nozes.
O vendedor era um senhor já, e não prestava atenção.
Ele rasgou uma foto do príncipe da coroa, do livro das crianças.
Fez um cone e derramou as sementes.
O bobão se irritou.
Beba. Beba, pelo amor de Deus.
- E aí, papai? - Não foi nada. Nada, querido.
O idiota bateu no balcão e começou a bater no senhor.
O velho homem estava só e...
eu tinha obrigação de ajudá-lo.
Ele ainda chamou um amigo.
Pensei em dar uma surra nos dois bagunceiros.
Fui pegar a corrente no caminhão mas deslizei e caí,
pois tinha dobrado a traseira do sapato.
Eles me acertaram. Bati neles também.
Era a hora certa da fada ajudar com seus poderes.
Malditos. Não foi nada. Apanhei um pouco.
Me dê um 'axar'. Tenho dor de cabeça.
Deus os amaldiçoe!
Sempre falo para você não dobrar seu sapato.
Que bem fez, ter apanhado?
Obrigado.
Você não ficava bravo assim com facilidade, antigamente.
- Você acalmava as pessoas. - ...os pedidos estão encerrados.
- Esqueci! - Esqueceu o quê?
Deus...
Esqueci de pedir a cura da asma do papai no Ano Novo.
Papai, vai contar a história do Rei Jamshid?
Por favor, pai!
- Não, Hassan, o Careca. - Já escutamos cem vezes.
Por que não penteou seu cabelo de novo?
Vamos entrar agora. Todos.
Por que não penteia seu cabelo?
Sabem o que aconteceu? Fizeram um comício.
Gritavam: "Abaixo o Xá! Vida longa a Khomeini!"
Abaixo o Xá?
Não diga isso na frente das crianças.
Vão repetir na escola, e será um inferno.
Eu não disse. As pessoas disseram.
Vovó, o que é comício?
- É comício. - O que é?
É uma reunião.
Costumam dizer: "Onde vai?"
"À reunião. Aonde vai? À reunião."
Não perguntei a vovó o que era 'encompridar',
pois sabia que era 'tornar comprido'.
Como a alfaiataria ao lado da escola, em Valad Abad.
Ela deixa as caudas maiores. Acho que duas moças moram lá.
Os soldados avançaram no povo e começaram a atirar.
Um tanque apareceu.
As pessoas dispersaram e fugiram.
Os soldados correram atrás.
Achei que iam encontrar o caminhão no beco.
Entrei no caminhão e fugi dali.
Deus tenha piedade do irmão de Bisafa.
Meu tio?
O nome da minha finada mãe era Bibi Safa.
Mas o povo Yazdi pronuncia rápido.
E o nome dela acabou virando Bisafa.
O irmão dela, Seyyed Hossein, é meu tio.
Ele estuda Teologia em Qom.
Quando vamos a Qom, pego escondido uns livros do meu tio.
Ele também tem muitos livros em Yazd.
Ele não tem livros para crianças.
São todos grandes e duros.
Apenas os de profetas são bons para mim.
E 'Dastan Rastan' e 'Vendedor de Sangue'.
Em 'Vendedor de Sangue', um homem pobre vendia seu sangue
para conseguir dinheiro e comprar comida.
Tenho muita pena dele.
O homem vendia tanto do seu sangue
para comprar comida, que ficava magrinho, magrinho,
que quase morria.
Então seu irmão teve que levá-lo ao médico.
O médico disse que ele
devia ter muito sangue.
Ele ficou bom e voltaram juntos para casa.
Não terminamos o alfabeto ainda
e Noroozi já leu um livro inteiro.
Palmas para ela.
Nem todos estavam felizes em aplaudir.
Certo, já está bom.
Também fiz um desenho bem bonito
e mandei para o programa de crianças da TV.
Se limpem direito ou vou lavá-los com água fervendo.
Bom.
Vai.
Não se mexa. Não se mexa.
Toma.
Vai.
Os ciganos vivem na vila, numa oficina destruída.
Têm nomes estranhos. Fomos à casa deles.
Um deles se chama Izra'il.
Vovó diz que seus nomes são assustadores.
- Olá. - Olá, como vai?
Olá.
Tudo bem.
Eles têm um chefe, Babri Khan. Ele não usa bigode nem barba.
Bahar?
Como vai?
Está estudando?
Sim. Ela tirou 20 em todas as matérias.
- Faz o ditado com Nader. - Bom, bom.
Você tem um belo barco.
Quem comprou para você?
Papai comprou quando ela foi a melhor aluna.
Muito bem.
Você vai me emprestar?
Para eu poder velejar?
Está bem?
Dê, querida. Dê sim.
Ghafoor, quando Bahar crescer
devemos casá-la com Latif.
Eles se dão bem.
Não é possível, Babri Khan.
Eu digo depois o porquê.
Ela é minha filha, filha do meu irmão.
- Por que é impossível? - Eu conto depois.
Ghafoor.
Traga todos ao Takiyeh, este ano.
Todas as tribos virão. Estarão todos.
Neste 'Muharram' (1º mês islã), teremos um grande luto.
Deus abençoe.
Mãe?
Não toma chá?
Sou sua mãe?
Você é velho como meu pai.
Ghafoor.
Por que a senhora não nos aprova?
Ela aprova.
É oferecer a Deus e pedir ao Imã Hossein!
Beba!
Quer dinheiro? Quer?
Não se incomode.
Aqui.
Tome. Pegue e compre o que quiser.
- Não ponho os pés no Takiyeh. - Por que não?
Você me escutou.
Não se sabe de onde vem o dinheiro deles.
Eles trabalham.
Têm uma oficina e micro ônibus. Ganham dinheiro.
Ah, é?
Eles eram mascates.
Vendiam carne no espeto, liam a sorte...
Como conseguiram se assentar e ficar ricos?
É bater o olho neles, e se vestir e se tornar um deles.
Que exagero.
Só coloquei a blusa deles.
O que está comendo?
Granulado cítrico.
Isso faz mal, vai furar sua barriga!
Jogue fora!
Jogue, querida, faça o que vovó pede.
Não seja teimosa. Seja boazinha.
Fiquei pensando.
Por que papai não traz mais o caminhão da empresa para casa?
Papai foi despedido. Está desanimado.
Não sei o que houve para acontecer isso.
Ele era meu amigo, meu colega.
E daí?
Vai escrever 'mártir' no obituário?
Voltar para casa com esse dinheirinho?
O que houve com você?
Graças a Deus, não te prenderam.
Sentem-se em silêncio!
Traga o jarro, filha.
Ora, diabos,
afinal o que eles estão fazendo?
Como vai alimentá-los?
Meu Deus, Ghafoor!
Ghafoor!
Acabei de preparar as costelas. Aonde vai?
Que eu morra e me livre de vocês! Ele vai para os ciganos.
Kamal, traga o pão. Leve um pedaço para seu pai.
Ghafoor, vai sair? Na hora de comer?
Sempre que papai sai de casa, não anda como Sansão.
Ele se inclina.
Acho que se esqueceu que o cabelo cresceu.
O que eu disse?
Ghafoor.
Papai gosta muito de filmes. Principalmente Sansão e Dalila.
Sansão foi um herói de cabelo comprido.
Podia derrotar todos por causa dos cabelos compridos.
Os inimigos queriam saber como ele era tão forte,
e enviaram uma linda mulher para Sansão.
Sansão se apaixonou por ela.
E acabou contando o segredo de sua força.
Uma noite os inimigos cortaram seu cabelo enquanto ele dormia.
Sansão já não era mais forte e acabou derrotado.
Não dá. Precisa crescer mais.
Deus coloque sabedoria em sua cabeça.
Agora papai deixa o cabelo crescer para ficar forte.
Ficarei aqui por um tempo.
Quando a poeira abaixar, eu volto a Qom.
E se a polícia savak vier aqui?
Eles não têm tempo para ir ao meio do nada.
Ghafoor trouxe vocês para onde os savaks jamais virão.
Por isso construí a casa aqui.
Deus faz tudo com algum propósito.
- Aqui. - Eu, eu...
Obrigado, está gostoso.
Bom apetite.
- Vai me dar um livro, tio? - Não, pois você não os guarda.
Você rasga todos que dou.
- Por favor? - Não.
Hossein, venha ajudar!
Não toque nos livros, Bahar.
Aonde vai?
- Lavar a louça no riacho. - Não demore, volte logo.
O livro 'Vendedores do Século XX' é bem duro.
Não entendo muitas palavras.
A história da garota rica Badri. Ela sai com a amiga, Mali.
Mas são levadas em um carro.
Os ladrões as jogam no carro e as levam à outra cidade.
Maldita!
Está aqui há 3 horas. O que está fazendo?
Não lavou a louça?
Vou te mostrar.
Pare!
Eu pego você depois!
Todos esperam você para irmos à casa dos ciganos.
Obrigado.
Quanto foi?
Obrigado.
Vovó, disse que não ia comer a comida dos ciganos.
A comida é deles, danada?
É dia 1º do Muharram (mês Islã). É a comida do Imã Hossein.
Coma.
Coma, vamos.
- Viu o cavalo de Babri Khan? - Não vi.
É para o Takiyeh. Nossa tribo ama aquele cavalo.
Seu nome é Niyaz.
Dizem que ele vai ao campo de manhã em Ashura,
e volta à noite com os olhos ardendo.
- É sério? - Isso é mentira!
É verdade. Juro pela cabeça de Babri Khan.
Acho que as lágrimas do cavalo de Babri Khan
são as pedras brilhantes,
pois vovó diz que Babri Khan é rico.
Talvez ele tenha ficado rico assim.
Quando trouxeram o cavalo no por-do-sol,
olhei bem nos seus olhos.
Não havia lágrima alguma.
Na certa as pedras caíram no campo.
Ah, eles bateram muito em Badri.
Os malvados bateram nela e na amiga.
Levaram elas a Qazvin e depois à outra cidade.
Badri e Mali choraram, pois estavam machucadas.
Mas eles não tinham piedade. Batiam nelas o tempo todo.
Queria estar no lugar de Badri.
Os ladrões diziam que ela era bonita.
Mas não queria estar lá quando eles batiam nela.
Eles levaram Badri a uma casa grande, num lugar distante.
Havia uma mulher gorda lá. Eles a chamavam de chefa.
Maldita!
O que está fazendo há 3 horas no banheiro?
Está conversando sozinha de novo? Saia.
Saia!
- Eu dormi. - E eu acredito.
Entre.
A chefa levou Badri a um homem numa festa de ricos, uma noite.
Ele deu uma cereja, mas Badri jogou no chão e ela quebrou.
Nunca vi cerejas quebrarem. Elas amassam mas não quebram.
Você está aqui? Está lendo um livro?
Vovó disse para você não ler.
Vou contar para a vovó!
Ela vai deixar você de castigo!
Vamos contar pra vovó. Vamos!
Todo relógio tem 2 ponteiros.
O maior mostra os minutos e o menor as horas.
Por exemplo, no desenho à direita,
o relógio marca 2h30.
O que está fazendo?
Levante.
Vá até o quadro. Vá até o quadro agora!
Fique aqui.
Então...
Que livro para uma pirralha ler.
Qual sua idade?
Qual a sua série?
Segunda.
O que está lendo?
Saia.
O professor jogou meu livro fora,
mas eu não vou parar de ler.
Noroozi!
Venha cá. Aonde foi?
Já disse para não se afastar da escola.
Não foi o que eu disse?
É surda?
O que fazia no lixo?
Levante as mãos.
Levante! A outra, a outra!
Levante! Não abaixe!
Levante as mãos. Levante!
Garota estúpida! Saia!
Vá para a aula!
Badri passou maus momentos. Chorava toda noite.
No início, a chefa era boa com Badri.
Mas quando Badri não escutava, ela se zangava.
Todo dia alguém vinha maquiar Badri.
E a chefa a levava às festas dos ricos e aristocratas,
dizendo para Badri sorrir para os homens.
Odeio quando meninas riem alto.
Ninguém precisa ver os dentes de uma garota honrada.
Por que tem que rir? E alto assim?
Deve apenas esticar um pouco o canto dos lábios. Assim.
Te amo.
Maldito seja.
Badri disse que seu noivo vai se vingar da chefa.
O noivo de Badri procura por ela em toda cidade.
A amiga de Badri, Mali, se matou com pedaços de ópio,
tão grandes... como grãos-de-bico.
Ela comeu e morreu. Tenho que tomar cuidado com grão-de-bico.
Vovó, o que vai fazer com o grão-de-bico?
Colocar no túmulo do meu pai. O que vou fazer?
O que se faz com grão-de-bico? Vou fazer ensopado de carne.
Conheço alguém que se matou com grão-de-bico.
Ela se enforcou com ele?
Ela pulou nos grãos e se afogou?
Como ela se matou com grão-de-bico?
Viu? Ela enlouqueceu.
Quantas vezes falo para não deixá-la com os livros.
Amo essa menina.
Badri ficou fraca e doente.
A chefa disse que ela não valia mais.
Os capangas da chefa deixaram Badri nas ruínas.
Um homem bom a achou, levou para casa,
e tomou conta dela.
Então escreveram sobre ela nos jornais.
E o noivo de Badri veio atrás dela.
Não a deixe ler tanto. Vai enlouquecer.
Muitos ficaram.
Não a vê falando sozinha?
Acontece quando vai para a casa dos ciganos.
Badri está deitada. Não se move.
Quando ela vê o noivo chegando, tenta se sentar.
Seu noivo se aproxima. Ela o vê, embaçado.
Badri encosta na cama e morre.
O homem bom está na porta. Os olhos cheios de lágrimas.
Terminei!
Que você se deite numa sepultura!
Ficou louca.
Vovó tem razão.
Você enlouquece quando lê muitos livros.
Viemos a Abrand Abad, em Yazd.
Bibi Zamzam tem um lugar só para ela.
É chamado 'Motbakh'. Significa cozinha.
Seyyed Morteza, meu avô, traz lenha para ela.
Bibi Zamzam fala Yazdi com forte sotaque.
Vovó não entende quase nada do que ela fala,
mas apenas acena e diz, "Sim, sim...
você está certa, você está certa."
Há um 'rachineh' no quintal de Bibi Zamzam.
O povo Yazdi chama minarete de 'rachineh'.
Eles chamam banheiro de 'khala', e bom de 'khash'.
Subo no 'rachineh' de Bibi Zamzam e aceno para Malekeh e Bibagom,
as filhas do vizinho, da sacada.
E digo: "Malekeh, oi! Bibagom, oi!"
Olá!
Queria colocar a melhor roupa, sem cabelo bagunçado,
ou roupa enlameada,
pois o povo de Abrand Abad gosta de meninas de Teerã.
- Amarrou as asas do rouxinol! - Amarrou as asas do rouxinol!
- Qual alma você conforta? - Qual alma você conforta?
- De quem é alma e espírito? - De quem é alma e espírito?
Ser órfão é dor sem cura!
Ser órfão é dor sem cura!
Está bom, mas precisa parecer música.
Somos as duas Crianças de Moslem.
Bahar?
Minha querida filhinha, você cresceu.
Não deve conversar muito com Taher.
Por quê?
Você escutou, não é apropriado.
- Obedeça sem perguntas. - Está bem.
Uma boa menina não deve ser olhada por um estranho.
Eles apresentam a 'Shabih' em Abrand Abad.
O povo Tehrani usa a palavra 'Ta'ziyeh' ao invés de 'Shabih'.
Algo como "jogo de paixão". Taher atua na Shabih.
Faz o papel das duas Crianças de Moslem.
O Sr. Kafi conta a história com choro e canto.
Seu papel é apanhar e chorar, recitando elegia.
- Sabe o que mamãe disse ao pai? - O quê?
Os nomes de Bahar, filha de Bisafa,
e Taher, filho de Bisakineh, são escritos juntos.
O que significa?
Que irão se casar quando crescerem.
Achei isso bem legal.
Maldita, vai ser esmagada pelo camelo!
Vovó me mandou para aprender o Corão.
Bom. Você começa do verso 14.
Abra a boca e leia claramente.
Olhe para mim. O que sabe ler? O que sabe ler?
- O 'Ikhlas Sura'. - O quê?!
O 'Ikhlas'.
Olha, temos cobras no porão.
Se você não ler direito, ou não prestar atenção,
jogo você para as cobras. Entendeu?
Leia direito!
Por que não leu? Afaste-se. Afaste.
Leia!
Leia direito.
Vamos!
Leia!
Ande logo!
Não viu como Zahra leu?
Leia! Vamos!
"Eu sei Ikhlas!" Qualquer um sabe isso!
Leia!
Não vou mais à aula dela.
Meu avô, Seyyed Morteza em Yazd, ensina o Corão muito melhor.
Muito bem.
Muito bem, bravo!
No campo procuro por tesouros.
Vou para a casa da Srª Akram, mas brinco com as crianças.
Pulo por cima do cão cansado.
Não quero mais ir à aula da Srª Akram.
Sua maldita! O que faz aqui?
Descansando na sombra?
Espere. Espere.
Se a vovó te pega, vai te bater.
- O que eu fiz? - Vovó foi à Srª Akram.
Ela contou que não vai à aula há uma semana.
- Onde estava? - Não tem nada com isso!
Vovó, Bahar se trancou no banheiro!
Abra! Abra logo!
Obedeça e abra!
Abra ou vou quebrar a porta!
Eu mato você!
Sei o que vou fazer!
Estava à toa?
Mentirosa miserável!
Por isso se assustou quando eu disse o nome da Srª Akram.
Eu fiz errado, eu errei.
Vovó!
Ela queria me jogar no porão das cobras!
Deixa seu pai voltar de Qom. Vou contar tudo!
É você ou eu nesta casa!
Ele só fica nos ciganos.
Montei minha própria família no banheiro
com esponja de banho e cerusa.
Uma garota morava sozinha numa floresta escura e assustadora.
Meu nome será Flor Sorridente.
Uma flor presa pelas cobras no porão da Srª Akram.
Mas as cobras tinham um chefe.
Seu nome era Dragão-de-7-Cabeças.
O Dragão-de-7-Cabeças trancou Flor Sorridente
na cabana na floresta,
que por sinal é nosso banheiro.
Mas Flor Sorridente é muito inteligente,
e logo ficou amiga de algumas cobras,
que contaram onde ficava a Garrafa da Vida do dragão,
pois as cobras são bons animais.
Quando as pessoas gostam delas
e as tratam com educação, logo se tornam amigáveis.
As cobras contaram que a Garrafa da Vida
é o frasco de xampu no banheiro.
O dragão mudou seu formato para enganar as pessoas.
Peguei a Garrafa da Vida e a quebrei no chão.
Bahar? Bahar, querida?
O que está fazendo aí?
Que barulho foi esse?
- É a senhora, D. Norasteh? - Sim, querida, saia.
Se eu sair, vovó vai me bater.
Não, querida. Já falamos, ela não vai te bater.
Pode sair agora.
Sim, falamos com ela. Saia, querida.
Muito bem, boa menina.
Estava com medo.
- Não provoque sua avó. - Por que não foi às aulas?
É uma boa menina. Está tudo bem.
Vovó, Mooshkamal fez xixi na cama.
- O que ele fez? - Xixi na cama.
Onde ele está?
Onde está Mooshkamal?
Maldição!
O que faço com você, Mooshkamal?
Meu Deus!
Vovó não tinha me batido à noite.
Mas quando soube do xixi de Mooshkamal na cama,
ela bateu em mim, ao invés dele.
Espere, espere!
Isto está certo?
Fiquei fora por 2 dias.
Vai responder no outro mundo para Deus.
O braço dela está machucado.
Surra era antigamente.
Vovó é boa... Mas não a faça de boba...
Hoje em dia não se bate mais, antigamente era pra valer.
Não fale assim na frente deles. Ficarão atrevidos.
Corri para o banheiro e chorei com os entalhes na parede.
Os entalhes são meus amigos.
Um é o Cavalo Alado.
Os outros: a Sereia, o Mickey Mouse,
e um virou recentemente Badri em 'Vendedores do Século XX'.
Meu pai fez o trabalho na parede do banheiro.
Vovó disse: "Maldito seja, Ghafoor!"
"Se trouxesse um pedreiro, as paredes do banheiro
não seriam cheias de buracos."
Gostei que o serviço do meu pai não tenha sido bom,
pois agora tenho meus amigos nele.
E às vezes canto para eles muitas canções e poesias.
Papai comprou uma picape azul de 3 rodas.
Trouxe rolo de frutas para vocês.
- Eu! - Eu!
Em ordem. Do mais novo para o mais velho.
- Vovó. - Ei, cuidado, perdi o fio!
- Me conta uma história? - História ou tragédia?
Conta, vovó!
Não conheço histórias.
Cuidado, crianças. Aqui está.
Tenho rolo de frutas, você não!
Mendiga! Guardou até agora?
Espero que engasgue! Espero que engasgue!
Mendiga! Mendiga!
Graças a Deus! Ele se foi!
Espero que nunca volte!
O XÁ PARTIU
Peguem um biscoito! Peguem um biscoito!
Os biscoitos acabaram antes que meu pai pegasse.
Mas sei que papai é forte,
pois deixou o cabelo crescer, como Sansão.
Papai está nos levando para a casa do meu tio,
para ver nosso primo que acabou de sair da prisão.
As ruas de Teerã estavam lotadas.
Sons de tiros eram ouvidos toda hora.
Papai nos levou por um caminho secreto,
pois ele é especialista em achar atalhos
e rotas secretas.
O interrogador perguntava calmamente.
Se não respondesse ou dissesse que não sabia,
ele enfiava o cigarro nas suas mãos.
E suas unhas? Chegaram a arrancar?
A mim, não, mas torturaram bastante meu colega de cela.
Eles o penduraram no teto.
Graças a Deus, não tinham nada contra mim.
Dizem que arrancavam as unhas das mulheres, é verdade?
Não sei. Não ficamos junto das mulheres.
Soube do filho de Seyyed Mohammad? Está na prisão.
Não sabia.
Não eram poucos, eram muitos prisioneiros.
Aqui, filho.
Coma para se recuperar.
Pode pegar dois.
- Peguem. - Obrigado.
Viu o que fizeram com ele?
Alguém merece passar por isso?
Meu filho é bravo. Tenho nove deles.
Tenho nove deles, mas ele não dá valor.
Comam.
Homens anseiam por filhos, mas meu marido queria uma filha.
Ele se casou de novo e ela deu a ele uma filha.
Não tenho objeção.
Disse que tirasse a carcaça daqui se quisesse a esposa e filha.
Não tenho objeção. Não me importo.
Ele fica lá dia e noite. O tempo todo.
Viaja para Qom, Kashan, faz peregrinação com Nayyer Khatun.
Nada conosco.
Ele a deixa a seu lado e faz pouco caso.
Ele.
Mas quando quer pintar cabelo, barba, bigode,
vem para cá e ainda caga o banheiro.
O bom e o melhor vão todos para Nayyer Khatun.
Pare! Não fale dela pelas costas!
É rancorosa. O rancor está calejado em seu coração.
Meu coração está calejado por rancor?
Espero que tenha uma dor forte,
não morra e ninguém vá socorrê-lo!
Estou mentindo?
Não entendo como não aprende com Ghafoor.
A esposa morreu há vários anos.
Educa os filhos como um bom homem.
Não reclama nem pega uma esposa. Mas você pegou duas.
Estou viva e mesmo assim você se casou.
Estou aqui. Olhe para mim.
Não é culpa dele,
que não saiba quando meus tesouros nasceram,
quando cresceram.
Criei todos na dureza, com o coração!
Você ri?
Rindo de Qadir.
É como ele. Terminarão juntos, se Deus quiser.
Vovó, a comida deles não tem carne.
Meu amor.
Qadir sacrificaria os 9 filhos e a mim por esta porcaria de...
sei lá o nome... projetor.
Ele tira do guarda-roupa, limpa, faz carinho, beija.
É o que merece. É o que merece.
Eu só não entendo...
porque ele não leva esse amor dele
para a casa do outro amor dele.
Para a casa de Nayyer Khatun.
Ele tem medo que dê confusão com ela.
Desliguem a luz.
Sentem-se, silêncio...
Deus nos perdoe.
Todos vêm, de toda parte.
E tenho que servi-los.
E quem valoriza? Ninguém.
Eu me dano.
Vamos lá, hora de assistir!
Veja só. Tudo isso...
Espero que morra.
Dane-se!
Hoje foi o marco histórico do retorno do Imã Khomeini...
Bem-vindo, nosso líder!
Vida longa a Khomeini! Abaixo o inimigo!
Salve o profeta!
A ajuda do Imã Mahdi está aqui!
Salve o profeta! A ajuda do Imã Mahdi está aqui!
Vovó?
Onde está a vovó?
"Ahn", não. Onde está a vovó?
O quê?
Está surda? Onde está vovó?
Ela soltou minha mão e sumiu.
- Ela sumiu? - Sim.
Alá é o maior! Alá é o maior!
Alá é o maior! Alá é o maior!
Vovó! Ali está ela!
Eu amo o Imã. Vocês não estavam aqui.
Queria que estivessem.
Fui lá na frente e o vi à distância.
Ele era todo luz. Que eu me sacrifique por ele.
Vamos, estou faminta.
Vejam! O Arco do Corão!
Arco do Corão! Chegamos!
Arco do Corão!
Quietos...
Sinto muita falta de Yazd.
Se pudesse escolher, eu viveria em Yazd.
Não íamos a Yazd há mais de um ano,
desde a revolução.
Falo menos sozinha, pois agora sou uma menina crescida.
- Egito? - Cairo.
- Iraque? - Bagdá.
- Arábia Saudita? - Riad.
China?
Pequim.
- Inglaterra? - Londres.
- Japão? - Tóquio.
Muito bem, querida. Onde aprendeu tudo?
Muito bem, minha querida.
Ela é muito inteligente. Foi à escola aos 6 anos.
- Muito bem, boa menina! - Muito bem, minha princesa!
Mandei um desenho para o programa das crianças.
- Vão mostrar hoje. - Muito bem.
Já mandou tantos desenhos, nunca mostraram nenhum.
Acertou todas as capitais. Vou te dar um presente mágico.
Não é mágico. É apenas um rosário.
Não seja intrometida.
Tem um buraco, se olhar através dele
verá Kaaba e qualquer pedido seu será atendido.
- Chega disso. - Como pode?
- Por que não? - Deixa eu ver.
É necessário pedir a Deus com o coração para ser atendido.
Bahar.
Tinha dito que era crescida e não brincar com Taher, não foi?
- Não escutou? - Claro.
- Vamos. - Estou indo.
Espere.
Olhe, veja só.
É o seu tesouro?
Não é um tesouro, mas gosto muito delas.
Que rosário bonito.
Dei o melhor para você. Tome conta dele.
Tenho um barco, mas não posso dar a ninguém.
É um presente.
Lavem as cabeças.
Aviões do Iraque bombardeiam cidades iranianas...
Parem!
Taher riu.
Está fora.
Bahar está pressionando os lábios.
Bruce Lee.
- Riu, está fora! - Não ri.
- Só consigo pensar nisso. - Sem essa, não vou dançar!
Parem!
Está rindo.
- Ande, faça ele rir. - Vamos logo.
E se houver uma guerra, Deus me livre!
Deus nos livre!
Não haverá guerra, se Deus quiser.
Bahar vai cuidar dele.
Leve ao banheiro toda hora, para não sujar a casa de Bibi Zamzam.
Vamos ao cemitério e já voltamos.
Está bem.
Não vai largar o menino para brincar na casa.
Meu tio disse para não tocar nos livros pois não cuido bem.
Paredes de argamassa têm marcas e me trazem
novos amigos, com a fumaça da lamparina.
O livro 'Dastan Rastan' foi escrito por Martyr Motahhari.
O profeta Maomé mandou um homem, Jobeir, que não era bonito,
pedir a mão de Zolfa, a filha de um nobre aristocrata.
O pai de Zolfa, primeiro, ficou chateado.
Quando soube que Maomé enviara Jobeir, autorizou o casamento.
Jobeir, após o casamento,
não conversou com Zolfa durante 3 dias e 3 noites.
E apenas fazia orações.
Zolfa se aborreceu e mandou avisar o profeta de Deus.
O Profeta veio conversar com Jobeir.
Jobeir disse que estava agradecendo a Deus
por ter dado a ele uma esposa tão bonita.
Depois disso, Jobeir e Zolfa conversaram e viveram felizes.
Um tempo depois, houve uma guerra.
Muçulmanos e infiéis se enfrentavam em batalhas,
e Jobeir acabou abatido em luta, na guerra.
Martyr Motahhari não narrou se Zolfa se casou de novo ou não.
Espero que não tenha se casado e se mantido fiel a Jobeir.
Não sei o que Bibi Safa comia quando estava grávida dela,
para ela ter ficado assim.
Ele a deixou comigo por conta do trabalho e não voltou.
Obrigada, Bahar! Foi assim que tomou conta da criança?
A casa de mamãe está toda suja!
E se tivesse caído no laguinho e se afogado?
Não disse para não largar a criança?
Fez xixi na parede. Não importa.
Imagina se ele tivesse se afogado?
O que devo fazer com você? Por onde estava?
Deus.
Primeiro, eu cresço, viro médica e curo a asma de papai.
Depois, a TV mostra meu desenho para eu ganhar o concurso.
E depois, depois... Depois eu fico bonita como Zolfa,
para Jobeir vir, me salvar da vovó e me levar.
Por que está dormindo aqui?
O que houve no seu rosto?
Está sangrando, lave.
Mas'ood e a irmã Farideh,
depois do café da manhã,
pegam suas bolsas e livros
e vão à escola.
O comportamentos dos irmãos
a caminho da escola
e também na própria escola...
É guerra. Um homem chamado Saddam atacou nosso país.
Vovó e papai contaram as notícias.
Estamos morando na oficina dos ciganos.
Eles viajaram para fora.
Eles nos deram os quartos.
Pediram que morássemos neles
e tomássemos conta de tudo.
Quando o telefone toca é bem legal.
Achamos que ficamos ricos.
Não toque.
Alô?
Gosto da oficina dos ciganos.
Um esgoto sujo passa bem na frente.
Há algumas roupas no quarto final.
Há bonecos estrangeiros e bonitos braceletes da Índia.
Quando a vovó dormia, ia lá brincar.
Colocava braceletes e colares e virava a filha do rei.
Que Saddam se deite no túmulo!
Ele é o próprio anticristo.
Ghafoor?
Os vizinhos disseram que aqui, antes, era um cemitério.
Demoliram e construíram casas.
- Ficamos com medo à noite. - Quem disse?
Ah, silêncio!
O que disse? Repita.
- Diga novamente para ver só. - Eu disse, silêncio.
Ela disse "silêncio".
Ela não disse "silêncio".
Disse: "calem a boca,
fiquem quietos, caiam mortos!"
Já sei o que fazer com você.
Chega!
Viu a confusão que causa?
Por Deus, não sei o que faço com vocês.
Levo vocês ao interior, em Karaj, clima bom, chamam de deserto.
Levo vocês à cidade, dizem que é um cemitério.
Por que se coça tanto? Tem alguma peste no corpo?
Por que ela se coça tanto?
Ela não é educada e você sempre a defende.
Só estou dizendo que ela está se coçando!
Está perdida na TV.
O que vai ser de nós?
As guerras no passado eram duras.
Serviço militar...
Mas não.
Às vezes saíamos de Teerã para vender melancia.
É bem divertido.
- Melancia! - Melancias doces, vamos lá!
Morar na casa dos ciganos é muito bom.
Mas eu fiquei doente por um tempo.
Minha pele coça. E há grandes manchas nelas.
Elas coçam mais à noite.
E às vezes eu coço tão forte que sangra.
Os médicos deram ordens estranhas.
Um disse à vovó para me deitar em água com cal todo dia.
Não deu certo e não fiquei boa.
Aqui é o litoral, esse é o mar, e estou nadando.
Um dos médicos disse que minha doença é líquen plano.
É um nome difícil.
Repeti várias vezes, entortando a língua até aprender.
Fiquei parecida com papai.
Não podia comer fritura, não podia comer ovo, tomate...
Mas posso cheirar o perfume de Mashhad.
Papai ficou tão triste com minha doença
que se esqueceu da própria asma.
Um dia foi ao barbeiro e cortou o cabelo.
Talvez não esteja tão forte agora.
Obrigado.
Não coçe, querida, não coçe.
Amor, não coçe.
Anjo, não coçe.
Por que ela faz isso?
Ela dorme. Não sabe o que está fazendo.
Deixa eu pegar um pano para cobrir.
Acontece porque eles ficam no lodo e no lixo.
Não é nada. Não tenha medo.
Durma.
Eu te amo.
Não durmo por causa dela. Ela se coça o tempo todo.
Não para.
Não quer o spray?
E se as manchas ficarem,
e ninguém se casar com ela
quando crescer, por ter ficado doente?
O que está dizendo a essa hora da madrugada?
Precisamos ver o que vai acontecer com ela agora.
E se a perdermos? Deus me livre!
Morda a língua.
Não quero morrer.
Sonhei que tinha morrido e ido para junto dos mortos,
sob a oficina, e ficado amiga deles.
Eu era uma médica e curava a asma dos mortos.
Meu Deus! Os patifes estão bombardeando!
Levantem!
Vamos!
Meu Deus!
Corram!
Rápido!
Venha, querida.
Meu Deus!
Que Deus faça isso terminar bem!
Fiquei procurando pelos mortos
ou pelos esqueletos no porão do vizinho.
Não temia os aviões do Iraque, pois se morresse com as bombas,
iria para os mortos, me tornaria a médica, e curaria as doenças.
Meu Deus! Acertaram, canalhas!
Não tenha medo, querida.
Não tenha medo, querida.
Bibi Zamzam pergunta. Ela escreveu em dialeto Yazdi.
Por que não vêm para Yazd?
As romãs vão acabar.
Como vai a senhorita Bahar?
Ela ainda sabe as capitais de todos os países?
Claro que sei. E já aprendi muitas outras coisas também.
As moedas dos países.
E jogo 'Nome Sobrenome' muito bem.
Ghafoor!
O que é isso?
Não toque. É a junta.
Faça algo. Eles vão acabar perfurando.
Ninguém vai mexer. Deveria chumbar?
- Tchau, vovó. - Tchau, minha querida.
Entrou com os sapatos?
Amoleço e já abusa de novo?
Como vai a senhorita Bahar?
Ela ainda sabe as capitais de todos os países?
Queria não ter crescido para que a vovó não me repreendesse.
Iria a Yazd e jogaria 'Nome Sobrenome' com Taher.
Brincar com ele é sempre muito divertido.
- Noroozi, o que está lendo? - O que tem com isso?
Ei, vovó. Quando iremos a Yazd?
Agora não.
E ainda que fôssemos,
não poderia ir com essa sua pele azeda.
Faltam 4 meses pro Ano Novo.
Vou desta vez.
Mas se for difícil para você, não irei novamente.
Não posso mais ficar em Teerã.
Se não conseguir respirar lá, o que vai fazer?
Onde vai achar as injeções?
Tantas pessoas vão. Doentes, deficientes, todo mundo...
E como eles fazem? Farei o mesmo.
Obrigado.
Salvem o profeta!
Papai entrou na guerra hoje.
Entrou num caminhão como o da fábrica de sapatos Bella.
As pessoas juntavam as ajudas nos caminhões
que seguiam para a frente da guerra.
Havia de tudo na ajuda: comida, roupa, cobertores...
Todo tipo de ajuda.
Olá. Onde estavam?
Sei que papai é forte.
Antes achava que era por causa do cabelo, igual a Sansão.
Mas ele explicou que era uma brincadeira.
- Olá, vovô. - Olá. Vocês...
Senhor, meu coração está amarrado em...
- Outro lugar. - ...outro lugar,
onde o terraço é elevado?
- Boba, foi Taher que escreveu. - Por que Taher fez isso?
- Não sabe? - Não.
É a temporada de apanhar o 'Kajateh', o bicho-da-seda.
Bibi Zamzam larga os casulos para os vermes morrerem dentro.
Sinto muita pena dos bichinhos.
Depois, ela espera a hora de girar a seda no tear.
Sinto muita falta de papai.
Meu Deus!
O que eu faço?
Meu Deus abençoado!
Quando vai me mandar para o túmulo?
Bibi Zamzam, eu sinto muito.
Meu Deus! O que eu faço agora?
Meu Deus, não é possível!
Ligaram para Afsar de Baseej.
Papai foi atingido nas costas por estilhaços.
Precisamos voltar o mais rápido para Teerã.
O que eu fiz para merecer isso?
- E quanto a você? - Eu?
Gostaria muito de visitar Meca. Acho que é isso.
Deus queira que consiga ir.
- E você? - Quero ser padeiro.
Por que padeiro? Melhor ser médico.
Serei padeiro porque eles são ricos.
Conseguem dinheiro rápido das pessoas.
Ah, esse é inteligente...
Adoro esse menino.
Não!
E você, Bahar?
- Quero ser um garoto. - Sério? Por quê?
Porque meninos são leões, como espadas.
Meninas são como queijo, morrem se tocar nelas.
Não, meninas são leoas, como espadas.
Pronto. Já chega.
Por que quer ser um garoto?
Garotos não têm o cabelo bagunçado, não precisam arrumar,
e não ficam solteiros.
Está bem, eu te amo!
Solteira ou não, não vou casá-la com ninguém, meu doce!
Era uma vez, um escavador de montanha.
Papai contou a história de um escavador de montanha,
que não queria ser escavador de montanha.
Queria ser o rei do sol, das nuvens,
do vento e da montanha,
mas no final acabou descobrindo
que o escavador de montanha é mais forte
e melhor que todos eles.
Um escavador de montanha é o rei do mundo!
Meu pai sabe de todas as coisas do mundo.
Menos as capitais dos países.
Isso eu mesma vou ensinar a ele.
Tchau, papai!
Tchau, papai!
Papai!
Tchau!
Vou à reunião de elegia.
Não apronte enquanto eu estiver fora.
Seu uniforme está na gaveta e a comida no forno.
Escutou?
Vá para a escola, quando seus irmãos chegarem.
E não balance muito. A barra não está firme.
Queria que a aula dela também fosse de manhã.
Teria sossego metade do dia.
Bahar!
O que está fazendo aí em cima?
Muito bem, boa menina você é!
Que menina esperta...
Atenção, alerta máximo...
Alerta máximo...
E agora os desenhos de hoje
que as crianças nos mandaram.
O desenho vencedor é de Bahar Noroozi.
Bahar fez um desenho muito bonito.
E foi ela a vencedora de hoje.
- Art Subs - 9 anos fazendo Arte para você!
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